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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Cobertura de Show: Bangers Open Air – 26/04/2026 – Memorial da América Latina/SP

O segundo e último dia, domingo, chegou prometendo tanto quanto o primeiro, ou seja, muita gente para prestigiar mais 12 horas dos mais diferentes estilos dentro do metal, além de um sol forte como sempre, sem ameaças de chuva. Para quem chegou mais cedo, felizmente não houve problemas para entrar, conseguindo assistir às primeiras atrações do Ice e do Sun sem maiores transtornos. Ponto para os organizadores que, após as reclamações do dia anterior, decidiram liberar a entrada do público geral mais cedo.

Dessa vez, não consegui ter muito tempo para conferir as feiras e outras atrações que o festival oferece, como a feira geek, de tatuagem e gastronômica, nem mesmo a tão disputada signing session, com destaque para a do Within Temptation, onde a simpática e super receptiva Sharon den Adel fez questão de atender todos que não conseguiram pegar senha.

Outra coisa legal é ver a molecada – que até certa idade não paga – curtindo os shows ao lado de seus pais. E havia muitas presentes, ainda bem, pois é sinal de que o estilo estará mais vivo do que nunca daqui a alguns anos.

Infelizmente, eu, Gabriel Arruda, não consegui ver os piratas do Visions of Atlantis devido a problemas com o transporte público para chegar ao local do festival. Por sorte, consegui pegar os momentos finais dos alemães do Primal Fear, que sempre dão uma aula de como fazer um show de heavy metal. O destaque sempre vai para o excelente Ralf Scheepers, com seus incríveis agudos, e para Thalía Bellazecca, que vem assumindo muito bem o posto de guitarrista ao lado de Magnus Karlsson não só pela sua competência, mas também por ser uma das poucas mulheres negras dentro do estilo. Que, através dela, isso possa mudar. Mais uma vez não tivemos a presença do Matt Sinner devido a um acidente na sua perna. Dirk Schlächter, do Gamma Ray, acabou assumindo a missão. 

NEVERMORE HONRA O LEGADO DE WARREL DANE EM APRESENTAÇÃO MEMORÁVEL

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

Depois de alguns minutos, era vez de pular para o palco Ice para ver um dos shows mais aguardados desta quarta edição. Jamais imaginaria que o Nevermore fosse retomar as atividades por conta da ausência de Warrel Dane, um de seus fundadores, falecido em 2017, e do baixista James Sheppard, que se aposentou há alguns anos.

Com prós e contras – mais prós, ainda bem – o guitarrista Jeff Loomis, junto com o baterista Van Williams, os únicos da formação original, decidiu voltar com uma nova formação para honrar o legado da banda, que foi muito importante no metal no final dos anos 90 e início dos anos 2000. Esse retorno também permite conquistar uma nova geração de fãs e se apresentar para aqueles que nunca tiveram a oportunidade de ver a banda no passado, como foi o caso de muitas pessoas que estiveram no Bangers e também no side show, que aconteceu dois dias depois no Carioca Club. Vale lembrar que a banda já havia tido uma experiência em festivais no Brasil, se apresentando no extinto Live 'n Louder, em 2006. Ou seja, sabiam bem o que fazer.

Logo na abertura com Narcosynthesis, que também abre o estupendo Dead Heart in a Dead World (2000), já mostravam que não estavam para brincadeira. A banda estava muito bem ensaiada: Jeff – ao lado do jovem Jack Cattor – despejava riffs esmagadores, enquanto Van Williams, junto ao baixista Semir Özerkan, mantinha a versatilidade rítmica intacta. E, claro, o vocalista Berzan Önen mostrou que vem sendo a escolha certa para assumir o posto do saudoso Warrel, conseguindo emular suas características, mas também apresentando sua própria personalidade.

Por ser um festival, onde os shows são mais curtos e cronometrados, a banda precisou escolher bem as músicas do setlist. Mesmo com pouco tempo, fizeram bonito. Trouxeram músicas do This Godless Endeavor (1999), como My Acid Words e Born, tocadas mais para o final e grandes destaques do show. Até mesmo o pouco lembrado Enemies of Reality (2003) marcou presença com a faixa-título. No entanto, foram as músicas de Dead Heart in a Dead World (2000) que mais empolgaram os fãs: além de Narcosynthesis, vieram The River Dragon Has Come, Inside Four Walls e Engines of Hate, mostrando que o quinteto de Seattle ainda tem muito a oferecer. Sem dúvidas, um dos melhores shows do dia, fazendo valer a pena a espera.

EXPLOSÃO MODERNA SOB O SOL: AMARANTHE ENTREGA ENERGIA E CONEXÃO NO BANGERS OPEN AIR 2026 

Texto: Michelle F. Santana

Fotos: Edu Lawless

Sob um sol escaldante de aproximadamente 30 °C, às 15h em ponto no Hot Stage, o Amaranthe transformou a tarde do segundo dia de Bangers Open Air em um verdadeiro espetáculo de energia e intensidade. Formada em 2008, na Suécia, a banda se consolidou como um dos nomes mais marcantes do metal moderno, apostando em uma proposta pouco convencional: três vocalistas dividindo o protagonismo, Elize Ryd nos vocais limpos, Nils Molin também no limpo e Mikael Sehlin trazendo o peso gutural. Essa combinação, que poderia soar arriscada, ao vivo se mostra extremamente coesa e poderosa. Mesmo sob condições adversas, a banda entregou presença de palco impecável, performance carregada de paixão, conexão e explosão.

Conhecida por transitar entre diferentes vertentes sonoras, Amaranthe encontrou um público completamente entregue, diverso em idade, mas harmônico na intensidade. Era possível ver fãs cantando cada faixa com entusiasmo, transformando o show em uma experiência coletiva. A abertura já veio como um impacto direto, com “Fearless”, “Viral” e “Digital World” levando o público ao limite da euforia. No meio desse turbilhão, “Amaranthine” surgiu como um respiro emocional, delicada, luminosa, arrancando um coro forte e carregado de sentimento. No palco, Elize se mostrou extremamente carinhosa e conectada com o público, enquanto Nils trouxe uma energia visceral e Mikael sustentou o peso com brutalidade precisa, criando um equilíbrio que define a identidade da banda.

Com qualidade sonora consistente e vocais impecáveis, o Amaranthe entregou um show que alterna entre o intenso e o sensível, muito impulsionado pela suavidade e brilho da voz de Elize. Em sua segunda passagem pelo Brasil, a banda deixou claro que não veio para ser passageira. Ao contrário, reforçou sua força dentro do metal contemporâneo, mostrando que o gênero segue evoluindo, conquistando espaço e quebrando barreiras. Foi um show marcante, daqueles que não apenas entretêm, mas ficam, pulsando na memória de quem esteve ali, sob o mesmo sol, vivendo o espetáculo.

WINGER SE DESPEDE DO BRASIL COM SHOW CARREGADO DE CLÁSSICOS

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

A tarde foi reservada para as bandas de hard rock. Em comparação às edições anteriores, este ano contou com a presença de poucas bandas do gênero, mas que acertaram na escolha, mesmo com essa “minimalização". Infelizmente, não foi possível assistir a todo o show dos suecos do Crazy Lixx, já que o Winger tocou praticamente no mesmo horário, o que gerou muitas reclamações por parte dos fãs que curtem ambas as bandas. Por conta da longa espera e, muito provavelmente, por ser a última chance de vê-los ao vivo no Brasil, muitos optaram pelo Winger, o que já era esperado.

Kip Winger, que dispensa apresentações, junto com os renomados Reb Beach (guitarra), Paul Taylor (teclado/guitarra), Rod Morgenstein (bateria) e o recém-chegado Howie Simon (guitarra), mostraram que a banda resistiu ao tempo, mesmo enfrentando certa rejeição e chacota — vide o caso da animação Beavis and Butt-Head e o famoso episódio do dardo arremessado por Lars Ulrich, baterista do Metallica, na foto de Kip.

Mesmo sem ter ensaiado e com pequenos problemas técnicos no início – que deixaram Kip e Reb visivelmente irritados – a banda conseguiu conquistar não só os fãs devotos, mas também aqueles que não são tão familiarizados com o grupo e passaram a apreciá-lo depois do que viram, contribuindo para tornar o show (repleto de clássicos) ainda melhor. E clássicos é o que não faltou. O setlist foi concentrado no primeiro álbum, homônimo, e no "In the Heart of the Young" (1990), com músicas como Seventeen, Can’t Get Enough, Miles Away, Rainbow in the Rose, Time to Surrender, Headed for a Heartbreak, Easy Come Easy Go e Madalaine. Do Pull (1993), apenas Down Incognito marcou presença, além de Stick the Knife In and Twist, do recente Seven (2023), que abriu o show de forma tímida. Uma pena a banda decidir encerrar as atividades, pois ainda se mostra em plena forma.

SMITH/KOTZEN TRANSFORMA ESTREIA EM UM DOS GRANDES MOMENTOS DO BANGERS OPEN AIR

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

O penúltimo show do palco Ice foi um dos mais aguardados desde o anúncio, principalmente por se tratar de uma estreia. Estou falando, é claro, do Smith/Kotzen, talvez o melhor duo surgido nos últimos anos. Quem, em sã consciência, imaginaria Ritchie Kotzen ao lado do grande Adrian Smith, do Iron Maiden, criando um projeto que unisse suas influências em comum. O resultado foi um excelente disco de estreia, lançado durante a pandemia, que traz fortes influências do hard rock setentista e do blues, ou seja, um classic rock de primeira, que ao vivo soa ainda melhor. 

O mais interessante é ver que os dois, ao lado dos brasileiros Bruno Valverde (bateria) e Julia Lage (baixo), não seguem um protocolo rígido no palco. É simplesmente uma banda tocando como se estivesse em um ensaio: fazendo jams, trocando sorrisos e olhares de forma espontânea, como em um show intimista. Outro destaque é o lado vocal do Adrian, que surpreende com um timbre muito marcante. Já Bruno e Julia impressionam pela energia e maestria, reforçando ainda mais o peso e a qualidade da banda com toda a experiência que carregam.

O setlist não trouxe muitas surpresas, apesar do mistério criado por Bruno e Julia em entrevista aqui na Road To Metal. Ainda assim, músicas como Life Unchained, Black Light e Blindsided se destacaram logo de cara, ao lado de Taking My Chances e Darkside, que conta com um solo maravilhoso de Adrian. Got a Hold on Me, um hard/blues fulminante, também empolgou o público.  Por mais previsível que fosse, Wasted Years, composição de Adrian no Iron Maiden, marcou presença no set. E, no fim das contas, tinha que ser ela para encerrar um dos melhores shows do dia.

ENTRE NOSTALGIA E INTENSIDADE: WITHIN TEMPTATION TRANSFORMA O BANGERS OPEN AIR 2026 EM UM ESPETÁCULO EMOCIONAL



No segundo dia de festival, pontualmente às 18h25, no Ice Stage do Bangers Open Air 2026, o Within Temptation subiu ao palco e fez mais do que um show, construiu uma experiência emocional que atravessou gerações. Formada em 1995, na Holanda, e liderada pela icônica Sharon den Adel, a banda entregou um setlist profundamente nostálgico, costurando diferentes fases da carreira com precisão e sensibilidade. A abertura com “Go to War”, faixa do álbum Bleed Out (2023) que curiosamente ficou de fora da última passagem pelo Brasil, já indicava o tom da apresentação. Em seguida, clássicos como “The Howling”, “Stand My Ground” e “Bleed Out” incendiou o público, que se entregou a um coro potente, guiado pela voz lírica de Sharon em contraste com o peso das guitarras. Em “Ritual”, Sharon dedicou às mulheres, a banda reforçou sua mensagem de empoderamento, ecoando forte em uma plateia diversa e conectada.

Sharon brilhou com uma presença magnética, com suas danças, conduzindo o público com naturalidade e emoção. Na primeira metade do show, sua voz parecia guardar força, como se preparasse o terreno para o que viria e veio. Após mencionar o calor intenso, mesmo no início da noite, a apresentação ganhou outra dimensão a partir de “In the Middle of the Night” e “Forsaken”, elevando a energia a um nível quase catártico. A inclusão de “Paradise (What About Us?)”, eternizada na colaboração com Tarja Turunen, intensificou ainda mais o clima épico. Era impossível não notar a quantidade de fãs vestindo camisetas da banda pelo festival, um reflexo claro de sua relevância e conexão com o público ao longo dos anos.

Na reta final, o Within Temptation transformou emoção em memória viva com as músicas “Ice Queen” e "Mother Earth", que em um dos momentos mais simbólicos do show, Sharon dedicou “Mother Earth” ao Brasil, destacando o país como uma nação de riquezas naturais imensas, o que deu à música um peso emocional ainda maior ao vivo, trouxe lágrimas e um coro carregado de nostalgia, reafirmando o impacto duradouro da banda. Mais do que técnica impecável, o grupo entrega significado: suas músicas transitam entre o íntimo e o político, denunciando mazelas do mundo enquanto criam um espaço de pertencimento. O resultado foi um espetáculo intenso, diverso e profundamente humano um daqueles momentos que ultrapassam o palco e se instalam na memória de quem esteve presente. Within Temptation não é apenas uma banda; é parte da história afetiva de seus fãs. E, naquela noite, escreveu mais um capítulo inesquecível.


COM UMA REUNIÃO HISTÓRICA, ANGRA ENTREGA O SHOW MAIS SIMBÓLICO DE SUA CARREIRA


Enfim, chegamos ao último show do dia. Normalmente, em festivais grandes como o Bangers, uma banda internacional de grande porte é escolhida como headliner. Para a surpresa de muita gente, o Angra foi o nome escolhido para encerrar essa quarta edição. Mas não seria um show comum, como os fãs estão acostumados a ver. Na ocasião, a organização, junto com o management da banda, idealizou uma reunião histórica: Edu Falaschi (vocal), Kiko Loureiro (guitarra) e Aquiles Priester (bateria) se juntaram aos remanescentes Rafael Bittencourt e Felipe Andreoli para um encontro que muitos, como eu, achava improvável. Além disso, o show marcou o encerramento de um ciclo e o início de outro, com a saída de Fabio Lione e a entrada de Alírio Netto como seu substituto.

Tudo aconteceu conforme prometido, até mais. O show passeou por todas as fases da banda ao longo de seus 35 anos, com uma produção de palco surpreendente com pirotecnia e uma passarela que aproximava ainda mais os músicos do público. Nesse quesito, foi, sem dúvida, a melhor experiência visual ao vivo da história da banda.

Mesmo com pouco tempo de ensaio, todos entregaram o máximo de seu potencial — com destaque para Bruno, que ensaiou apenas uma vez devido à sua agenda com o projeto Smith/Kotzen. Apesar do nervosismo, Alírio fez uma boa estreia ao cantar músicas da fase do saudoso Andre Matos, começando por Nothing to Say e Angels Cry, demonstrando personalidade e competência. Impressiona não só sua presença de palco — muito influenciada por sua experiência no teatro —, mas também sua coragem. Após muito tempo fora do repertório, “Wuthering Heights” voltou ao set sem depender de convidados, mostrando que ele está pronto para encarar esse desafio.

Era visível a emoção de Alírio durante o show. Vale lembrar que ele quase integrou a banda no passado, após a saída de Edu Falaschi. Esse sentimento ajudou a encerrar o primeiro ato com Carolina IV, do Holy Land (1996), e que não era executada há bastante tempo. Ainda sobre esse primeiro ato, tivemos a última participação de Fabio Lione como vocalista do Angra, interpretando Tides of Changes (Part I & II), Lisbon e Vida Seca. No entanto, sua participação poderia ter sido mais extensa, incluindo mais músicas de sua fase. Fica a impressão de que houve certo desconforto: o volume de seu microfone parecia mais baixo em comparação ao de Alírio e Edu. Ainda assim, o Mago, como é conhecido, mostrou por que é uma força da natureza, superando qualquer adversidade com sua performance consistente. Segundo relatos de amigos que estavam presentes, Fabio não permaneceu no palco durante todo o restante do show, preferindo ficar no meio do público, tirando fotos e aproveitando o momento, retornando apenas no final – o que pode ajudar a explicar essa percepção.

O segundo e principal ato do show foi o mais comemorado da noite. Afinal, depois de dezenove anos, Rafael, Felipe, Kiko, Edu e Aquiles estavam ali juntos novamente. Não importavam deslizes, erros ou mesmo ausências – o que realmente importava era que todos estavam reunidos outra vez, em paz entre si e com os rancores do passado deixados de lado. Foi uma verdadeira reunião, como o próprio espetáculo se propõe, privilegiando os clássicos de Rebirth, que neste ano completa 25 anos. O público pôde celebrar músicas como Nova Era, Millennium Sun, Heroes of Sand, Acid Rain e a faixa-título, além de outros clássicos dessa fase, como Waiting Silence, Ego Painted Grey, a mais pop Bleeding Heart – embalada por um mar de luzes que parecia alcançar até a estação Barra Funda do metrô – e Spread Your Fire.

Já o terceiro e último ato começou de forma emocionante, com uma homenagem ao saudoso Andre Matos. Um vídeo foi exibido mostrando o vocalista na época em que ainda integrava a banda, durante um show no Japão, acompanhado da primeira parte de Silence and Distance, inicialmente executada de forma mecânica, antes de Alírio Netto e Edu Falaschi – que dividiram os vocais –, ao lado de Marcelo Barbosa, Kiko Loureiro, Rafael Bittencourt – protagonizando a primeira aparição do grupo com três guitarristas, algo muito aguardado pelos fãs –, Felipe Andreoli e Bruno Valverde darem continuidade à música. Ainda houve tempo para a formação Nova Era – como é conhecida o line-up responsável pelos álbuns Rebirth (2001), Temple of Shadows (2004) e Aurora Consurgens (2006) – retornar ao palco em Late Redemption, com Alírio dividindo os vocais novamente com Edu. A célebre Carry On, com todos reunidos no palco, encerrou um show que, mesmo antes de acontecer, já havia entrado para a história, deixando a expectativa de que essa reunião volte a acontecer mais vezes.


O Bangers Open Air vem, ano após ano, se consolidando como um dos principais festivais de música do país. Isso simboliza um sentimento de orgulho, pois o heavy metal segue mostrando seu devido valor em uma terra onde, muitas vezes, estilos mais fúteis recebem maior atenção.

Em especial nesta edição, tanto o público que acompanha o festival desde a primeira realização quanto aqueles que tiveram a oportunidade de vivenciar essa experiência pela primeira vez demonstraram um apoio incomensurável. Afinal, esta quarta edição foi uma das mais difíceis de ser realizada devido a algumas baixas na organização, mas, felizmente, resistiu a todas as adversidades graças ao apoio massivo do público, que compareceu em peso nos dois dias e quase levou o festival ao sold out, algo inédito em relação às edições anteriores.

Agora, resta a expectativa e a ansiedade para 2027, que certamente promete ser novamente uma experiência memorável para os fãs de música pesada.


Realização: Bangers Open Air

Press: Agência Taga


Nevermore – setlist:

Narcosynthesis

Enemies of Reality

The River Dragon Has Come

Beyond Within

Inside Four Walls

Engines of Hate

My Acid Words

Born


Amaranthe – setlist:

Fearless

Viral

Digital World

Damnation Flame

Maximize

Strong

PvP

The Catalyst

Chaos Theory

Amaranthine

The Nexus

Call Out My Name

Archangel

That Song

Drop Dead Cynical


Winger – setlist:

Stick the Knife In and Twist

Seventeen

Can't Get Enuff

Down Incognito

Miles Away

Rainbow in the Rose

Time to Surrender

Headed for a Heartbreak

Easy Come Easy Go

Madalaine


Smith/Kotzen – setlist:

Life Unchained

Black Light

Wraith

Blindsided

Taking My Chances

Darkside

Got a Hold on Me


Within Temptation – setlist:

We Go to War

The Howling

Stand My Ground

Bleed Out

Ritual

In the Middle of the Night

The Heart of Everything

Faster

Wireless

Lost

Forsaken

Paradise (What About Us?)

Don't Pray for Me

Ice Queen

Mother Earth

White Noise

Scars

Running

Wasted Years


Angra – setlist:

Ato I

Nothing to Say

Angels Cry

Tide of Changes - Part I e Part II

Lisbon

Vida seca

Wuthering Heights

Carolina IV


Ato II

Nova Era

Waiting Silence

Millennium Sun

Heroes of Sand

Ego Painted Grey

Bleeding Heart

Spread Your Fire

Acid Rain

Rebirth


Ato III

Silence and Distance

Late Redemption

Carry On

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Primal Fear: Dominação Total

Reign Phoenix Music (Imp.)

Por Paula Butter

Mais um lançamento de Power Metal em destaque para 2025. Estamos falando do Primal Fear, uma banda com bastante tempo de estrada, em torno de 25 anos, e com ninguém menos do que Ralf Scheepers no comando. O tempo parece estar ao lado do vocalista, visto que sua voz está mais em forma do que nunca. Mas o que esperar de mais um lançamento do gênero? Após ouvir o álbum, as primeiras impressões são “tudo”! Mais uma vez, o Primal Fear entrega uma obra com qualidade, e claro, um toque de modernidade, sem comprometer o tradicional som da banda. 

No decorrer das 13 faixas do álbum “Domination” temos peso, melodias, sons épicos, letras motivadoras e gritos de liberdade e revolta. E claro, a voz de Ralf, inconfundível, tornando o Primal Fear único. 

Temos o single “The Hunter” bem característico da banda, mas com uma potência e dinâmica ainda maiores do que antes. Talvez seja a entrada dos novos integrantes, a guitarrista Thalía Bellazecca e o baterista André Hilgers, ou mesmo a experiência e técnica impecável dos integrantes, destaque também para Magnus Karlsson dando tudo de si. 

A fórmula do videoclipe e das letras não foge muito ao grito de revolta, que a maioria das bandas está exaltando atualmente, mas com aquele tempero secreto que só Ralf e companhia conseguem. 

Destaque para “I Am The Primal Fear” com pedais duplos rolando solto logo no início, já antecipadamente nos mostrando o que vem na sequência. Potência e vocais proeminentes, esta música entrega muito. Também considero uma pérola a faixa “Eden”, bem instrumental, com variedades de ritmos, o famoso suspiro, onde o bruto e o progressivo unem-se para formar algo único. 

Convém também falar sobre a alternância de ritmos durante a audição do álbum, tornando a experiência muito agradável para qualquer ouvinte. Importante citar “Tears of Fire”, canção mais tradicional, flertando com o hard rock oitentista. Temos “Heroes and Gods” com um tom bem estilo épico de Power Metal, com temas bem típicos do gênero, e inclusive com passagens bem pesadas, deixando-a muito peculiar. 

Fica impossível não citar todos os presentes, que “Domination” traz, então, mesmo deixando a escrita mais longa, vamos lá! A faixa “Scream”, deixa os vocais em segundo plano, espaço para os riffs e acordes mais elaborados, com um toque de Thrash Metal para completar o contexto da música. Já “The Dead Don’t Die” e “Crossfire” trazem um pouco mais de nostalgia, lembrando o início do Power Metal com pitadas do Metal tradicional. Inclusive esta última tem apelo forte para ser tocada ao vivo. 

Por fim, temos a excelente “March Boy March” com sons de início de batalhas e rituais e na sequência os riffs empolgantes e épicos. a obra fecha com uma balada sinfônica e vocais mais envolventes, e apesar da curta duração, tem seu posicionamento muito bem encaixado em todo o contexto da obra. A conclusão é inevitável, um presente de Natal antecipado para os fãs de longa data e para os novatos do gênero.

Heiko Roith


Entrevista - Primal Fear: Química Renovada

Heiko Roith

Por Amanda Misturini 

O Primal Fear vem passando por um ótimo momento na carreira, agora com uma nova formação que conta com a guitarrista Thalia Bellazecca, o baterista André Hilgers e o retorno do baixista Mat Sinner, que se recuperou de problemas de saúde. Recentemente, a banda finalizou a primeira parte da Domination World Tour, em divulgação ao novo álbum de mesmo nome, pela Europa. 

Durante essa pausa, o vocalista Ralf Scheepers conversou rapidamente com a Road To Metal. Na entrevista, ele falou sobre a expectativa de se apresentar no festival Bangers Open Air, que acontece em abril do ano que vem em São Paulo, relembrou experiências de visitas anteriores ao Brasil, comentou sobre a química entre os atuais integrantes, a chegada de Thalia e explicou o que o motiva a manter a banda ativa até hoje.


O Primal Fear vai voltar ao Brasil no próximo ano para o Bangers Open Air em São Paulo. Você pode contar aos fãs o que eles podem esperar do show e com o que vocês estão mais animados?

Ralf: A boa notícia é que estamos ensaiando essa apresentação há quatro semanas durante nossa turnê pela Europa, e estamos muito felizes porque o público tem recebido bem e ficado satisfeito com o que entregamos ao vivo. E o mesmo vai acontecer no Brasil, sabemos que o público da América do Sul é sempre muito animado e apaixonado (no bom sentido), então eles vão curtir ainda mais esse show. Como mencionei, tivemos um ótimo teste nessas semanas de ensaio, e isso foi excelente. Tenho certeza de que vocês vão gostar!

Paula Cavalcante

Legal! Em 2006, no festival Live ’n’ Louder em São Paulo, Roy-Z tocou com vocês no palco. Você se lembra daquele dia? Como foi tocar com ele e lidar com os problemas técnicos?

Ralf: Quem tocou com a gente? Acho que não me lembro...

O Roy Z esteve no palco com vocês.

Ralf: Quem é Roy Z?

Roy Z é guitarrista e produtor.

Ralf: Ah, Roy Z! Na época, foi só uma questão de acústica, mas o que realmente lembro foi do backstage, quando o David Lee Roth apareceu sorridente cumprimentando todo mundo, essa foi a parte mais engraçada. Quanto aos problemas técnicos, eles aconteceram no começo do show, como costuma acontecer em muitos festivais, com cabos e equipamentos sendo ajustados. Mas no final, nos divertimos bastante. Foi um set compacto de 30 ou 40 minutos, mas o importante é que conseguimos aproveitar o momento. E a presença do Roy Z no palco foi ótima!

Paula Cavalcante

A banda passou por várias mudanças na formação ao longo dos anos. Isso aconteceu por questões de agenda, motivos pessoais ou ambos? As decisões foram suas ou vocês conversaram bastante com o Mat Sinner?

Ralf: Sim. Às vezes as pessoas simplesmente escolhem caminhos diferentes. Houve dois integrantes que não se davam mais bem entre si, e eu acabei ficando no meio dessa situação porque já tinha feito turnê com eles na América do Sul um ano antes também. Foi uma decisão difícil pra mim, mas era algo que precisávamos fazer.

No final das contas, continuei trabalhando com meu parceiro e amigo Mat Sinner [baixo], que voltou a fazer parte da banda conosco. Como já falei antes, estamos entregando tudo o que prometemos, e é ótimo tê-lo de volta no palco, cantando e tocando ao meu lado, além de ser meu parceiro na banda. Algumas decisões difíceis precisam ser tomadas às vezes, e eu passei por isso com ele.

Agora todo mundo está na mesma sintonia, indo na mesma direção. Isso é ótimo! Essa união é resultado de tudo isso.

Em entrevistas anteriores, você comentou que trazer a Thalia [Bellazecca, guitarra] para a banda foi uma escolha corajosa. Olhando para trás, qual foi a maior surpresa ou a melhor recompensa dessa decisão?

Ralf: Quer dizer, se você assiste aos shows ao vivo ou até aos ensaios no estúdio, já dá pra perceber como eles melhoraram bastante ao longo do tempo. Toda a equipe está tocando cada vez mais afinada. Mesmo antes de entrarem na banda, já era bom, mas a precisão nas guitarras rápidas tocadas em dupla é realmente impressionante. 

E quando você vê isso no palco, com eles sorrindo e balançando a cabeça ao som do heavy metal, fica ainda mais legal. É uma combinação excelente para a banda, tanto pela técnica quanto pela presença no palco.

Paula Cavalcante

Desde que a Thalia entrou na banda, você tem percebido mais fãs mulheres nos shows?

Ralf: Mais familiares, na verdade... Quero dizer, sim, houve um aumento no número de pessoas vindo às apresentações. Uma parte delas já era fã antes, mas também estamos recebendo muitas pessoas novas, cada vez mais crianças assistindo às nossas apresentações, o que é ótimo. 

Não é só por causa da Thalia, isso ajuda bastante, claro, mas no final das contas também lançamos um álbum muito bom, e acho que esse é o principal motivo pelo qual o público vem aos nossos shows.

Thalia é uma inspiração como mulher negra numa cena do metal dominada principalmente por homens brancos. Como os fãs reagiram quando ela entrou na banda?

Ralf: Houve algumas reações negativas, mas foram bem poucas, tipo 1%, algo como 'ah, por que uma mulher agora?', especialmente vindo dos Estados Unidos. E nós não ligamos pra cor, raça ou qualquer outra coisa; somos apenas seres humanos, isso é o mais importante. 

Quando a química funciona entre nós assim como funciona agora, não tem relação com nacionalidade ou cor da pele. E, como eu disse, 99% foi totalmente positivo. Sempre vai ter alguém reclamando de alguma coisa, mas no fim das contas a gente não liga.

Paula Cavalcante

Qual mensagem você gostaria de deixar para os fãs brasileiros que amam a banda e vão assistir ao show no Bangers Open Air?

Ralf: Estamos muito ansiosos para voltar aí. Eu estive aí há dois anos e agora já está na hora de retornar novamente, com a nova equipe e para mim mesmo, mas também uma nova velha equipe: Mat [Sinner, baixo] e Magnus [Karlsson, guitarra] - com quem já toquei antes - comigo novamente, além do André [Hilgers, bateria] também. 

Já estamos há quatro ou cinco semanas na estrada juntos e tudo está indo muito bem. O motor está a todo vapor, por assim dizer. Isso dá uma base sólida pra chegar ao Brasil e dar tudo de nós. Estamos realmente ansiosos pelas reações de vocês. É sempre incrível tocar no Brasil, nós nos divertimos demais aí. Então todo mundo está super empolgado!

Por fim, o Primal Fear completa 28 anos este ano. Olhando pra trás, quais momentos foram mais especiais pra você? O que te mantém animado pra continuar?

Ralf: No final das contas, Amanda, tudo acontece passo a passo. Cada álbum leva ao próximo e sempre tem histórias por trás da gravação, como os álbuns foram feitos e como trabalhamos juntos como equipe. É claro que tem os shows ao vivo, como o Wacken, Graspop e também os shows em clubes menores. 

Todo esse contexto é muito especial, e é exatamente por isso que faço isso: estar na frente das pessoas, tocando nossa música e me divertindo com tudo isso. Viajar nem sempre é fácil: cansaço, jet lag e noites mal dormidas faz parte do percurso. No fim das contas, o que realmente importa é o show e a música, essa é sempre a parte mais legal. Tenho certeza de que vai ser incrível voltar a tocar no Brasil. novamente.




quinta-feira, 9 de novembro de 2023

Cobertura de Show – Primal Fear – 29/10/23 – Fabrique Club/SP


Quando uma banda entrega um show que beira a perfeição do Heavy Metal tradicional; quando seus integrantes cuidam da parte profissional que está chegando a três décadas; quando o vocalista aos 58 anos de idade - extremamente afinado e com a voz muito bem cuidada - faz uma apresentação de ponta a ponta que deixa o público de queixo caído, essa banda é o Primal Fear em 2023, só faltou uma banda underground de abertura para ficar perfeito (que vou deixar para o final esse comentário).

Não é exagero colocar o Primal Fear como um dos principais nomes da história do Heavy Metal nesse século, período onde estamos assistindo ano após ano uma derrocada de bandas que sumiram, envelheceram, acabaram ou estão tentando voltar comemorando álbuns clássicos. 

Na contramão dessa estatística, o Primal Fear vem cuidando do detalhe chamado “tempo”, compondo e gravando disco novo a cada 2 anos, tocando em alto nível nas turnês, entregando na sua trajetória uma discografia que chega ao seu 14º disco de estúdio - “Cod Red” - no qual traz uma conversa sobre os impactos globais da pandemia que deixou um rastro de tragédia no mundo todo.

Ao chegar ao local, a Van que vinha de Limeira, logo desce com Ralf Scheepers acenando para o público já garantindo uma noite incrível. A casa recebeu a banda e público muito bem desde a entrada bem organizada e alto profissionalismo, com aparelhagem de primeira qualidade, tudo isso somado a pontualidade no horário da apresentação.

Os caras abriram com Chainbreaker, do primeiro disco descrevendo como é a pegada da banda desde o começo da trajetória, ou seja, Heavy Metal na sua elevação máxima de desempenho musical, composição e postura de palco. 

É assombroso os agudos e a variação vocal que Ralf Scheepers faz ao vivo, não dá pra imaginar as músicas do set list sem a força vocal que ele coloca em cada uma delas. Do disco novo “Cod Red”, tocaram The World Is on Fire, Deep in the Night e Another Hero, a formação contava com Tom Naumann e Alex Beyrodt (guitarras), Alex Jansen (baixista substituto temporário de Matt Sinner nesta turnê) e Michael Ehré (bateria – também Gamma Ray), fizeram o que não aconteceu no disco anterior de 2020 “Metal Commando” no qual a pandemia não permitiu a turnê de lançamento.

No geral, a banda passou por todas as fases no seu set list, sem descanso, porém um show descontraído com Ralf fazendo menções ao Queen, conversando e agradecendo a recepção deles no Brasil.

Para ficar perfeito, só faltou uma banda de abertura. Já que o Dragonheart abriu em Curitiba, neste último show em São Paulo, poderiam dar oportunidade para o Harpago, Breakout, Álcool, Comando Nuclear, Em Ruinas, Sweet Danger, Trovão, Biter, Axecuter, Selvageria, Facing Fear, Chumbo, Murdeath, Hellish War, Nosferatu, Night Prowler, Rider, Flagelador, Armadilha, Vingaça Suprema e tantas outras que tocam Heavy ou Speed Metal de São Paulo, de outras regiões, outros Estados, que estão tocando ou paradas. Além de trazerem mais público, encontrar amigos, era uma chance de tocar numa grande estrutura de som e palco com uma banda reconhecida mundialmente. 

Fica a reflexão para os organizadores que ainda teimam em deixar nossas bandas de fora em eventos dessa grandiosidade. Tenho certeza que o Primal Fear aprovaria essa pequena lista - que ainda faltam muitas - já que a banda mostrou nesse show e vem mostrando ao longo dos anos, que pode continuar por mais três décadas tocando em alto nível sendo reverenciada aqui no Brasil.


Texto: Roberto “Bertz” Oliveira

Fotos: Paula Cavalcante (@eyeofodin.photo)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda

 

Realização: Vênus Concerts

Mídia Press: Tedesco Comunicação & Mídia

 

Primal Fear

Chainbreaker

Rollercoaster

The World Is on Fire

Deep in the Night

Face the Emptiness

Another Hero

Nuclear Fire

Hear Me Calling

Fighting the Darkness

King of Madness

The End Is Near

When Death Comes Knocking

Metal Is Forever

Final Embrace

***Encore***

Angel in Black

Running in the Dust


segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Primal Fear: Mostrando Como Se Faz Power Metal Alemão em 2014


10º álbum da banda alemã transpira Power Metal

Muitos grupos lendários do Power Metal alemão, sobretudo nomes gigantes como Helloween e Gamma Ray, há muito não ofertam discos como no auge dos anos 80 e 90, a maioria passando um pouco despercebidos, sempre sendo comparados com os clássicos.

Com o Primal Fear, que é uma cria do Gamma Ray (visto que foi formado quando seu vocalista Ralf Shceepers deixou a banda na segunda parte dos anos 90), não foi diferente. Com grandes lançamentos ao longo dos anos 90 e 2000, tiveram alguns trabalhos mais recentes que ousaram soar muito pesados, agressivos, enfim, um pouco descaracterizados do Power Metal tão caro, que é aquele germânico, rápido, com passagens melódicas e refrões grudentos.


Após discos com pegada mais pesada, banda de Ralf Scheepers relembra álbuns da década passada

Com o lançamento de “Delivering the Black” (2014) que aconteceu agora dia 24, parece que a banda volta a respirar o Power Metal nos moldes de alguns de seus álbuns clássicos, como “Nuclear Fire” (2001) e “Black Sun” (2002), claro, salvo às devidas proporções, pois devemos considerar as mudanças de formação e o momento pouco inspirado do Power Metal europeu, de modo geral, além da maturidade natural de todo ser que envelhece.

Ainda é cedo afirmar, mas ao ouvir este novo trabalho, fico com a impressão de que poderá ser encaixado como o melhor lançamentos desde “Devil's Ground” (2004), apesar dos últimos discos terem sido uma porrada muito bem feita, pelos motivos que comentei no parágrafo anterior, perderam em personalidade.

Ao abrir com “King For a Day”, você já sente nos riffs de Magnus Karlsson e Alexander Beyrodt bem básicos, mas inspirados, com a palheta incendiada, assim como os bumbos duplos e rápidos de Randy Black, que dispensa apresentações. Uma das melhores faixas de abertura da carreira da banda e, o melhor, soando Power Metal!

O vídeo clipe promocional de "When Death Comes Knocking" pode ser visto abaixo

Momentos inspirados seguem em faixas como “Rebel Facton”, em show de Scheepers com seus agudos infernais (aqueles mesmos que quase o colocaram a ser frontman do Judas Priest quando Rob Halford deixou a banda); “Alive & On Fire” parece ser sobra da fase da banda no início dos anos 2000; “Never Pray For Justice” é outra que mostra o espírito Power mais vivo que nunca. 

Matt Sinner (baixo), como sempre, é secundário (mas assina a produção), não emprestando sua voz nem sua influência mais Hard Rock ao álbum, o que é uma pena, haja vista seu trabalho interessantíssimo no Sinner.

É claro que a banda não nega sua fase mais atual e nem poderia, pois expandiu sua sonoridade a outros ouvidos com os trabalhos mais recentes, que tem uma pegada mais sinfônica, em alguns momentos, e quase Thrash em outros. E na linha da primeira, “When Death Comes Knocking” vem ser a música de divulgação do álbum (escolha equivocada, pois não representa adequadamente o álbum), uma composição interessante, de grande melodia e refrão grudento. Na linha da proposta mais pesada, temos a faixa-título (recheada de solos inspirados) e “Road to Asylum”, disparada a mais pesada do álbum.

Há, claro, o momento balada, que às vezes acaba soando forçado e, infelizmente, foi o caso de  “Born With A Broken Heart”, que, apesar de causar uma quebra interessante na velocidade do disco, é pouco relevante separado. Aqui, novamente, participa mais uma vocalista feminina, desta vez empresta a voz é ninguém menos que Liv Kristine (Leave’s Eyes, ex-Theatre of Tragedy). Música fraca, mas que não compromete o disco.

Primal Fear começa saindo na frente neste ano, certamente com o melhor álbum de Power Metal de 2014, por ora. É claro que o ano mal começou, mas, diante da saturação da cena europeia, e com alguns nomes bastante instáveis, arrisco dizer que lembraremos, lá em dezembro, de “Delivering the Black”. Agora é curtir.

Stay on the Road

Texto/edição: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Primal Fear
Álbum: Delivering the Black
Ano: 2014 
País: Alemanha
Tipo: Power Metal
Gravadora: Frontier Records

Formação
Ralf Scheepers (Vocal)
Matt Sinner (Baixo)
Magnus Karlsson (Guitarra)
Alexander Beyrodt (Guitarra)
Randy Black (Bateria)





Tracklist
01. King For A Day
02. Rebel Faction
03. When Death Comes Knocking
04. Alive & On Fire
05. Delivering The Black
06. Road To Asylum
07. One Night In December
08. Never Pray For Justice
09. Born With A Broken Heart
10. Innocent Man *
11. Inseminoid
12. Man Without Shadow *
13. When Death Comes Knocking (Single Edit) *
*Presentes na versão Deluxe

Assista “When Death Comes Knocking”


Acesse e conheça mais sobre a banda

domingo, 15 de janeiro de 2012

Nasce Um Clássico do Primal Fear



Novo trabalho dos alemães destaca as características básicas da banda

Os alemães do Primal Fear chegam ao ano de 2012 com um dos melhores lançamentos da carreira. Estamos falando de “Unbreakable” que veio para consolidar de vez o nome dos alemães no Heavy Metal mundial, pois desde “Seven Seals” (2005) o Primal Fear não lançava um álbum com suas reais características, com riffs em cima de riffs melodias grudentas e refrões pegajosos, tudo que um fã da banda estava esperando.

E é isso que temos em “Unbreakable” com Ralf Scheepers inspiradíssimo em suas linhas vocais aliados a precisão do resto da banda que conta com seu fiel “escudeiro” Mat Sinner (baixo), Magnus Karlsson e Alex Beyrodt nas guitarras, e Randy Black na bateria.

Cena do vídeo de trabalho do álbum

Após a introdução “Unbreakable (Part 1)” a banda mostra a que veio. “Strike” vem com tudo com riffs pesados e rápidos e com melodias incríveis, sem contar os tons altíssimos que Schepeers alcança nesta faixa e com um refrão que gruda na cabeça a primeira ouvida.

Dando sequência temos “Bad Guys Wear Black” que se tornou o primeiro vídeo clipe do novo álbum, sendo a música mais cadenciada do play, mas com um refrão e melodias de arrepiar, mas a velocidade e agressividade volta a correr em “And There Was Silence” que tem um belo refrão e “Marching Again” que com certeza é a melhor música do álbum com riffs cortantes aliados a melodias incríveis, com Sinner e Randy dando um show na cozinha e o destaque maior a Ralf com vociferações incríveis atingindo tons altíssimos como nos seus tempos de Gamma Ray.

Scheepers possui uma longa e invejável carreira desde o sucesso mundial Gamma Ray no final dos anos 80/inicio dos 90

O álbum ainda conta com suas baladas clássicas em “Where Angels Die” e “Born Again” onde a veia experimental fala mais alto, mas sem soar cansativo e agregando muito bem esses elementos em composições mais calmas. 

Realmente o Primal Fear se superou lançando um dos melhores álbuns da carreira e é só questão de tempo para se tornar um álbum clássico entre os fãs.

Texto: Renato Sanson
Edição/revisão: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação

Ficha técnica
Banda: Primal Fear
Álbum: Unbreakable
Ano: 2012
País: Alemanha
Tipo: Heavy Metal/Power Metal
Gravadora: Frontiers


Formação
Ralf Sheepers (Vocal)
Mat Sinner (Baixo e Vocal)
Magnus Karlsson (Guitarra)
Alex Beyrodt (Guitarra)
Randy Black (Bateria)




Tracklist
01 Unbreakable (Part 1)
02 Strike
03 Give 'Em Hell
04 Bad Guys Wear Black
05 And There Was Silence
06 Metal Nation
07 Where Angels Die
08 Unbreakable (Part 2)
09 Marching Again
10 Born Again
11 Blaze Of Glory
12 Conviction

Assista o vídeo oficial "Bad Guys Wear Black"
Acesse e conheça mais sobre a banda