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terça-feira, 7 de julho de 2026

Deep Purple: Peso e evolução sem nostalgia (Also In English)

Valhall Music (Nac.) / ear-MUSIC (Imp.)

Por Michelle F. Santana (@mii.santanna)

Falar de Deep Purple é falar de uma das bandas mais importantes da história do hard rock. Formada em 1968, a banda ajudou a moldar o gênero ao lado de gigantes como Led Zeppelin e Black Sabbath, construindo uma carreira que atravessa gerações. Mesmo depois de tantas mudanças na formação, o grupo continua encontrando formas de se reinventar. Em Splat!, o Deep Purple mostra que não vive do passado. Em vez de apostar na nostalgia, a banda refina sua identidade e entrega um álbum pesado, criativo e cheio de energia.

Muito desse resultado passa pelas mãos do experiente produtor Bob Ezrin, que mais uma vez entende perfeitamente o que faz o Deep Purple soar tão especial. A produção é moderna, com algumas influências progressivas espalhadas pelo disco, mas sem perder o som orgânico que sempre marcou a banda. A mixagem é impecável: todos os instrumentos aparecem com clareza, as guitarras soam pesadas, o baixo tem bastante presença e os teclados brilham o tempo todo. O resultado é, sem dúvida, um dos álbuns mais pesados da carreira do Deep Purple.

O grande mérito de Splat! é mostrar que experiência e criatividade podem andar juntas. O álbum não tenta repetir clássicos como Machine Head ou Perfect Strangers. Pelo contrário, usa toda a bagagem da banda para criar algo novo sem perder sua essência. As letras acompanham essa proposta, trazendo críticas sociais, reflexões pessoais e o bom humor irônico que sempre fez parte da identidade do Deep Purple.

Musicalmente, o disco impressiona do começo ao fim. Os riffs de Simon McBride estão entre os mais pesados já gravados pela banda, mas sem abrir mão da melodia. Um dos grandes destaques são os duelos entre a guitarra de McBride e os teclados e órgãos de Don Airey. Os dois parecem desafiar um ao outro o tempo inteiro, criando alguns dos momentos mais empolgantes e eletrizantes do álbum.

A abertura com "Arrogant Boy" já mostra que a banda veio com tudo. A música traz riffs fortes, muita energia e um refrão que gruda na cabeça logo na primeira audição.

Em "Diablo", o Deep Purple surpreende com a participação especial do astro country Keith Urban. A parceria pode parecer inesperada, mas funciona muito bem. A troca de guitarras dá uma nova cara à música sem tirar a personalidade da banda.

"Sacred Land" é uma das grandes surpresas do disco. A música é uma verdadeira pancada sonora, mas chama atenção por trazer discretas influências da música celta em meio ao hard rock tradicional. Essa mistura funciona muito bem e deixa a faixa ainda mais interessante.

O clima muda em "The Beating of Wings", uma linda balada com fortes influências do blues. A música cresce aos poucos e ganha ainda mais força graças às linhas de baixo elegantes e cheias de personalidade de Roger Glover, um dos grandes destaques da faixa.

"Guilt Trippin" mantém o nível lá em cima com muito peso, um groove contagiante e uma banda totalmente à vontade explorando seu lado mais pesado.

Em "Third Call", é a vez de Ian Paice mostrar que continua em excelente forma. Aos 78 anos, o lendário baterista entrega uma performance cheia de energia, sustentando um groove rápido, preciso e extremamente envolvente.

O álbum termina em alta com a faixa-título, "Splat!". A introdução de baixo e bateria já chama a atenção logo de cara, preparando o terreno para um dos momentos mais criativos do disco: o solo de teclado de Don Airey, inspirado no timbre clássico do clavinet, antes da banda fechar o álbum com muita intensidade.

Comparado aos trabalhos mais recentes, Splat! soa mais consistente e inspirado. Não vejo o álbum como um exercício de nostalgia. Pelo contrário, acredito que o Deep Purple apenas refinou sua essência, mostrando que ainda é capaz de criar músicas relevantes sem precisar repetir o passado. É um disco que respeita sua história, mas olha para frente.

Splat! mostra um Deep Purple inspirado, pesado e com muita vontade de criar. A banda não tenta provar que ainda consegue fazer grandes discos — ela simplesmente faz. Com riffs marcantes, produção impecável, excelentes performances de todos os músicos e composições que equilibram peso, melodia e criatividade, o álbum confirma que o Deep Purple continua sendo uma das grandes referências do hard rock. Talvez não esteja entre os maiores clássicos da carreira, mas certamente é um dos melhores trabalhos desta fase da banda.

Divulgação

***ENGLISH VERSION***

Talking about Deep Purple means talking about one of the most important bands in the history of hard rock. Formed in 1968, the band helped shape the genre alongside giants like Led Zeppelin and Black Sabbath, building a career that has spanned generations. Even after so many lineup changes, the group continues to find new ways to reinvent itself. With Splat!, Deep Purple proves it has no interest in living in the past. Instead of relying on nostalgia, the band refines its identity and delivers a heavy, creative, and energetic album.

Much of that success comes from the experienced hands of producer Bob Ezrin, who once again understands exactly what makes Deep Purple sound so special. The production is modern, with subtle progressive influences woven throughout the album, yet it never loses the organic feel that has always been one of the band's trademarks. The mix is impeccable: every instrument has its own space, the guitars sound massive, the bass is full and prominent, and the keyboards shine throughout the record. The result is, without a doubt, one of the heaviest albums in Deep Purple's career.

The greatest strength of Splat! is how it shows that experience and creativity can go hand in hand. Rather than trying to recreate classics like Machine Head or Perfect Strangers, the album builds on everything the band has learned over the years to create something fresh without losing its identity. The lyrics follow the same path, blending social commentary, personal reflections, and the sharp sense of irony that has always been part of Deep Purple DNA.

Musically, the album is impressive from beginning to end. Simon McBride riffs are among the heaviest the band has ever recorded, yet they never sacrifice melody. One of the album's biggest highlights is the intense musical dialogue between McBride's guitar and Don Airey's keyboards and Hammond organ. The two constantly challenge each other, creating some of the most exciting and electrifying moments on the record.

The opening track, "Arrogant Boy" immediately shows that the band means business. Driven by powerful riffs, infectious energy, and a chorus that sticks after the very first listen, it's a fantastic way to kick off the album.

On "Diablo" Deep Purple surprises listeners with a guest appearance from country superstar Keith Urban. It may seem like an unlikely collaboration, but it works remarkably well. The guitar interplay adds a fresh dimension to the song without taking away from the band's unmistakable identity.

"Sacred Land" is one of the album's biggest surprises. It's a true hard-hitting track, but what really stands out is its subtle incorporation of Celtic musical influences into Deep Purple's classic hard rock souThend. The combination feels natural and gives the song a unique character.

The mood shifts with "Beating of Wings" a beautiful blues-inspired ballad. The song gradually builds in intensity, lifted by Roger Glover's elegant and expressive bass lines, making it one of the album's most memorable moments.

"Guilt Trippin" keeps the energy high with crushing riffs, an irresistible groove, and a band that sounds completely at home embracing its heavier side.

On "Third Call" it's Ian Paice who steals the spotlight. At 78 years old, the legendary drummer proves he's still in outstanding form, delivering a fast, precise, and energetic groove that drives the song with remarkable power.

The album closes on a high note with the title track, "Splat!". The striking bass-and-drums introduction immediately grabs the listener's attention before leading into one of the album's most creative moments: Don Airey's keyboard solo, inspired by the classic clavinet sound, setting the stage for a powerful and explosive finale.

Compared to the band's most recent releases, Splat! feels more cohesive and inspired. I don't see it as a nostalgic record. Instead, I believe Deep Purple has simply refined its essence, proving that it can still create exciting and relevant music without repeating the past. It's an album that honors the band's legacy while continuing to move forward.

Splat! finds Deep Purple sounding inspired, heavy, and full of creative energy. The band doesn't try to prove it can still make great albums— it simply does. With memorable riffs, flawless production, outstanding performances from every musician, and songs that perfectly balance heaviness, melody, and creativity, the album confirms that Deep Purple remains one of hard rock's greatest institutions. It may not stand among the absolute classics of the band's career, but it is undoubtedly one of the strongest releases of this chapter in its remarkable journey.

Divulgação 


domingo, 24 de maio de 2026

Jayler: Reflorestando o Espírito do Rock Clássico (Also In English)

Silver Lining Music (Imp.)

Por Michelle F. Santana - @mii.santanna

Jayler dá nova vida ao som dos anos 70 em Voices Unheard

Jayler chega com o debut Voices Unheard mostrando que o rock clássico ainda consegue soar vivo e verdadeiro nas mãos de uma banda nova. O álbum é praticamente uma viagem pelo hard rock e blues setentista, mas sem parecer uma cópia vazia do passado. Pelo contrário: tudo soa muito natural, como se o Jayler realmente tivesse crescido ouvindo esse tipo de som e simplesmente quisesse continuar carregando essa energia adiante.

As comparações com Led Zeppelin são inevitáveis, principalmente por causa da voz de James Bartholomew, que lembra bastante Robert Plant em alguns momentos. Mas a própria banda parece lidar muito bem com isso. James comentou que eles pegam aquilo que bandas como Led Zeppelin representavam e ‘replantam’ de uma maneira própria — e honestamente, faz bastante sentido. Afinal, apesar da influência do Zeppelin ser muito clara, o Jayler não vive só disso. Dá para perceber referências de Aerosmith, AC/DC e The Beatles, além de muito blues e rock psicodélico espalhados pelo álbum em vários momentos.

Edu Lawless - @edulawless

A "Intro" já mostra exatamente essa proposta. A intro começa com uma gaita carregada de blues, um canto despretensioso, trazendo uma vibe muito setentista e até lembrando algumas coisas mais clássicas do Aerosmith. O jeito que a faixa soa quase parece uma gravação antiga em fita, com aquele clima vintage extremamente aconchegante e nostálgico. É aquele tipo de introdução que já te joga direto para a estética dos anos 70, 80 e até 90, criando uma sensação muito familiar logo de cara.

Depois disso vem “Down Below”, uma música energética, divertida e muito gostosa de ouvir. A gaita continua presente, o ritmo é dançante e a música passa uma mensagem de superação e volta por cima. Aqui, James já mostra sua técnica vocal impecável, alternando momentos mais agressivos com linhas melódicas muito naturais.

Edu Lawless - @edulawless

“Riverboat Queen” mergulha ainda mais fundo na identidade setentista da banda. É intensa, energética e cheia daquela 'sujeira' boa do hard rock clássico. Os riffs têm bastante personalidade e a música inteira parece feita para tocar alto.

A faixa “Bittersweet” vem como um momento de calma no meio de toda a energia do álbum. A faixa tem uma pegada mais acústica e folk, mostrando um lado mais sensível da banda. Aqui, a voz de James fica angelical e doce, e justamente pela simplicidade, a faixa acaba se tornando uma das músicas mais bonitas do disco.

Edu Lawless - @edulawless

“Lovemaker” traz aquele hard rock clássico, pesado e cheio de atitude. As guitarras distorcidas, os riffs marcantes e os vocais rasgados remetem muito à escola de Jimmy Page e ao rock setentista mais explosivo. É uma faixa intensa e extremamente divertida.

O álbum fecha com “The Rinsk”, talvez uma das músicas mais interessantes do disco. Ela vai crescendo aos poucos, ficando cada vez mais intensa conforme avança. O solo mais longo no final traz um lado mais experimental que combina muito bem com a proposta da banda, mostrando que Jayler consegue ir além da simples nostalgia.

Edu Lawless - @edulawless

Voices Unheard convence justamente porque soa verdadeiro. E é verdadeiro porque cumpre bem sua missão, eles não apenas "replantam", mas reflorestam o rock clássico. O Jayler claramente ama o rock clássico e coloca paixão em cada faixa, conseguindo transformar todas essas influências em algo que ainda tem uma  personalidade própria. A banda entende algo fundamental: algumas linguagens musicais se tornam atemporais justamente porque continuam encontrando novas vozes dispostas a mantê-las vivas. É um álbum energético, nostálgico, divertido e muito bem feito, daqueles que nos fazem lembrar por que o rock dos anos 70 continua influenciando tanta gente até hoje.

Edu Lawless - @edulawless

***ENGLISH VERSION***

Jayler arrives with their debut album Voices Unheard, proving that classic rock can still sound alive and genuine in the hands of a new band. The record feels like a journey through ’70s hard rock and blues, yet it never comes across as an empty imitation of the past. On the contrary, everything feels incredibly natural, as if Jayler genuinely grew up immersed in this kind of music and simply wanted to carry that energy forward.

Comparisons to Led Zeppelin are inevitable, mainly because of James Bartholomew’s voice, which strongly recalls Robert Plant at certain moments. But the band itself seems completely comfortable with that. James once mentioned that they take what bands like Led Zeppelin represented and “replant” it in their own way — and honestly, that description makes perfect sense. Even though Zeppelin’s influence is very clear, Jayler is far from being limited to it. You can also hear traces of Aerosmith, AC/DC, and The Beatles, alongside plenty of blues and psychedelic rock scattered throughout the album.

The “Intro” immediately establishes this concept. It opens with a blues-driven harmonica and an unpretentious vocal delivery, creating a deeply ’70s atmosphere that even recalls some of Aerosmith’s more classic moments. The way the track sounds almost resembles an old tape recording, carrying that warm, vintage, nostalgic feeling. It’s the kind of introduction that instantly throws you into the aesthetics of the ’70s, ’80s, and even ’90s, creating a strong sense of familiarity right from the start.

Then comes “Down Below,” an energetic, fun, and incredibly enjoyable track. The harmonica remains present, the rhythm is danceable, and the song carries a message of resilience and overcoming adversity. Here, James already showcases his impeccable vocal technique, alternating between more aggressive moments and naturally melodic lines.

“Riverboat Queen” dives even deeper into the band’s ’70s identity. It’s intense, energetic, and full of that gritty, dirty charm that defines classic hard rock. The riffs have a lot of personality, and the entire song feels designed to be played at maximum volume.

“Bittersweet” arrives as a calm moment amidst the album’s explosive energy. With a more acoustic and folk-inspired approach, the track reveals a more sensitive side of the band. James’ voice sounds angelic and delicate here, and precisely because of its simplicity, the song becomes one of the album’s most beautiful moments.

“Lovemaker” delivers classic hard rock in its purest form — heavy, loud, and packed with attitude. The distorted guitars, memorable riffs, and raw vocals strongly evoke Jimmy Page’s school of hard rock and the explosive spirit of the ’70s. It’s an intense and extremely entertaining track.

The album closes with “The Rinsk,” perhaps one of the record’s most interesting songs. It builds gradually, becoming more intense as it progresses. The longer solo near the end introduces a more experimental side that fits the band’s proposal perfectly, proving that Jayler is capable of going beyond simple nostalgia.

Voices Unheard succeeds precisely because it feels authentic. And it feels authentic because it fully accomplishes its mission: they don’t merely “replant” classic rock — they reforest it. Jayler clearly loves classic rock and pours genuine passion into every track, transforming all these influences into something that still carries its own identity. The band understands something fundamental: some musical languages become timeless precisely because new voices continue to emerge, willing to keep them alive. It’s an energetic, nostalgic, fun, and extremely well-crafted album — the kind that reminds us why ’70s rock still influences so many people today.

Divulgação


domingo, 10 de maio de 2026

Cobertura de Show: FM – 05/03/2026 – Burning House/SP

FM faz apresentação impecável e cativante em São Paulo, na celebração de 40 anos de “Indiscreet"

Há bandas que chegam a 40 anos ou mais de existência, com ou sem pausas, com um vigor ou qualidade sonora tão bons quanto nos primórdios. O FM, grupo londrino de Hard Rock com grande relevância na cena AOR (Adult-Oriented Rock, ou Álbum orientado a adultos), mostrou que, no caso deles, isso é aplicável, ainda mais em um contexto de especial como o do último dia 05 de março, na Burning House, Zona Oeste de São Paulo, onde o quinteto fez um show da turnê de celebração de 40 anos do álbum de estreia, “Indiscreet”. O evento foi organizado pela própria casa de shows.

Esta foi a segunda passagem da banda em solo brasileiro e somente na capital paulista, sendo a primeira em 2024, na turnê de 40 anos da fundação do grupo. A apresentação não contou com aberturas e gerou uma boa lotação no local em uma plena quinta-feira. Os presentes, além de ouvirem “Indiscreet” em uma ordem diferente da versão de estúdio, ainda presenciou uma sequência com clássicos do segundo álbum do FM, “Tough It Out” (1989), e mais três de outros álbuns da banda.

Tanto os fãs quanto a banda tiveram momentos animados e total dedicação às interações propostas pelo frontman Steve Overland, batendo palmas, criando corais líricos e aclamando cada solo instrumental, linha de destaque, introdução marcante ou nota vocal executada no show. Você confere mais detalhes a seguir.


Celebrando os 40 anos de “Indiscreet” 

Ter chegado perto do início do show me ajudou a ter a percepção da lotação do local, que foi praticamente total salvo alguns espaços de circulação. Para os fãs da banda e/ou do Hard Rock, não importava que era uma quinta-feira à noite, pois era uma noite de celebração.

O show, que não contou com aberturas, começou de fato às 21h32, em meio ao que parecia a introdução da Fox Films e somente a entrada de Pete Jupp (bateria). Subiram ao palco, logo depois, os demais membros de instrumentos, em semblante alegre até mesmo antes da escadaria, enquanto a segunda introdução, a música da Pantera Cor-de-rosa, tocava: Jem Davis (teclados e sintetizadores), Merv Goldsworthy (baixo e backing vocal) e Jim Kirkpatrick (guitarra).

O quarteto no palco iniciou os primeiros acordes de “Digging Up the Dirt" e, na sequência, Steve Overland (vocal e guitarra rítmica) fez sua entrada para fechar a formação e iniciar de vez a apresentação. A faixa em questão, que faz parte do disco "Heroes and Villains”(2015), mostrou que, apesar de a noite ser uma celebração para o álbum “Indiscreet", não haveria prioridade inicial ou a obediência com a sequência original do disco de 1986. E isso ficou evidente ao longo do show, apesar de não ser algo que incomodou aos que presenciaram o show na Burning House.

A faixa de abertura do setlist, que teve 19 faixas no total (a maior parte do álbum de estreia), foi um aquecimento para uma banda animada durante e depois da música, com a saudação animada encabeçada por Overland; e para um público que demonstrou euforia desde o começo. E essa sensação e a expressão de alegria cresceram ainda mais quando "That Girl”, faixa que abre o primeiro disco de estúdio do FM, foi tocada. A boa execução do quinteto levou a pulos de parte da galera e, de forma quase unânime e uníssona, aos cantos nos refrões da faixa.

“Other Side of Midnight” e ˜Love Lies Dying” vieram na sequência, fechando as três primeiras faixas do álbum na ordem ao contar com a segunda do setlist. Duas músicas que remetem bem ao estilo sonoro que definiu parte distinta das bandas de Hard Rock dos anos 80, com um pézinho no Pop, solos repletos de Feeling (e que ótimas execuções da parte de Jim Kimpatrick), bons trechos de teclado e bons refrões, A combinação foi perfeita para manter o misto nostálgico e agradável do público presente.

A viagem por “Indiscreet” seguiu, porém pulando uma faixa da ordem do álbum - que veio a ser tocada depois -. Assim, “American Girls” retomou a um Hard Rock clássico e bem orientado ao chamado AOR, ao mesmo tempo que a faixa lembrou algo parecido com “Jump", do Van Halen. Mas nada de achar isso ruim, e sim acreditar em uma inspiração excelente, ainda mais com o ânimo evidente de Jem Davis nos teclados. 

"Frozen Heart", oitava faixa do debut do FM e sexta do setlist em São Paulo, surgiu como uma balada triste. Foi amplamente comemorada e cantada pelos fãs presentes ao longo da música, além de contar com uma boa leva de solos de Jim e, ao final, um falsete de Steve Overland que levou o público aos gritos e aplausos. Já "Hot Wired” veio como uma faixa mais Pop Rock, porém sem tirar a base Hard do álbum e com um demonstrativo claro de sinergia entre os integrantes somada com as interações entre eles e com a plateia.

Steve Overland, em mais um discurso, reforçou a importância e a comemoração em cima de “Indiscreet”, elogiando a fanbase como um todo: “O álbum faz 40 anos e nós os amamos há 40 anos também", declarou o frontman do FM.

O show seguiu com mais uma dobradinha do debut sem a ordem da tracklist original: “Face to Face” e “I Belong to the Night” foram amplamente comemoradas e cantadas, reforçando os patamares de clássicos que têm junto a outras faixas do disco. A primeira citada teve o par de solos de Jim e Overland como destaque, enquanto a segunda trouxe o ápice das interações desse show, quando o vocalista do FM pediu para que o público cantasse trechos da faixa e alguns momentos de refrão. A resposta do público levou Steve a falar “Fantastic” por várias vezes, assim como ele também foi aclamado com os falsetes impressionantes no final da música, muito próximos do que executava há 40 anos.

O fim da passagem por “Indiscreet” se deu com mais duas músicas. “Heart of the Matter”, que fecha o álbum na versão de estúdio, teve seus trejeitos de anos 80 a partir dos teclados, o ritmo embasado em características Hard Rock e Pop e um refrão que repete o nome da faixa, algo que o público também fez durante a música. Já “Dangerous”, que fechou este "quase primeiro ato” do show, foi parcialmente prejudicada por uma interferência no som que prejudicou o vocal e, por um trecho, as guitarras, deixando o solo da faixa mais  baixo. Nada que fosse problema para uma rápida correção e uma boa finalização de um álbum que marcou e tanto, logo no começo, a carreira do FM.

Do primeiro para o segundo álbum (e outros sucessos)

A considerada segunda parte do show trouxe, em boa parte, faixas do segundo LP do FM, "Though It Out", lançado em outubro de 1989, além de uma faixa representante para os discos ˜Aphrodisiac” (1992), “Atomic Generation” (2018) e "Synchronized” (2020).

E esse bloco começou justamente com a mais nova das faixas, que leva o nome do álbum de 2020. O ritmo, muito bem cadenciado pelos pedais de Pete Jupp, logo foi incrementado pelas linhas e movimentações animadas de Jim e sua guitarra e de um baixo ainda mais potente da parte de Merv, respondidos com as palmas ritmadas da plateia já na reta final da faixa.

Já "Let Love Be the Leader” foi amplamente aclamada a partir das primeiras notas dos teclados de Jem, que anunciaram um Hard+Pop clássico e empolgante para um público que acompanhou fortemente o vocal de Steve Overland do início ao fim, principalmente os coros em “uoooo”. Steve, inclusive, mesmo em um tom um pouco diferente da versão de estúdio, mandou muito bem na execução vocal da música em questão. 

Já “Someday (You'll Come Running)”, outro clássico do FM, teve coro do público ainda maior ao longo da faixa. “Does It Feel Like Love” veio praticamente na sequência, contando com uma ótima linha de baixo geral e um trecho de destaque para Merv, além de outro falsete absurdo de Steve Overland para fechar a faixa.

O solinho inicial de Overland e Kirkpatrick deu o início épico para a aclamada "Bad Luck", que não deixou de ser cantada pelos fãs presentes, algo que se manteve muito bem executado na pista para a faixa seguinte, “Tough It Out”, iniciada sob ritmo dos teclados e sintetizadores e cuja sonoridade geral veio logo após o primeiro “ooouoooo” tanto de Overland, quanto da galera da pista. Talvez tenha sido o momento de melhor exploração dos tons variados de voz do frontman do FM, que junto ao restante da banda, finalizou a faixa de forma épica antes da pequena pausa.

Passados alguns minutos e os coros clássicos de “olê, olê” que são comuns na maioria dos shows em São Paulo, os membros do FM voltaram para mais duas músicas. “Closer to Heaven”, do álbum “Aphrodisiac”, veio como uma balada muito cadenciada no Blues Rock e que, da mesma forma que nas músicas com elementos Pop, não deixou de lado o Hard Rock característico. Steve não somente deu show vocal, como também no solo de guitarra que executou.

O gran finale da noite se deu com ˜Killed by Love˜, do “Atomic Generation”, numa representação mais fidedigna ao Hard Rock com “refrão chiclete” e que direcionou a um repertório mais recente e que, analisando o setlist, pode ser que, mesmo sem a intenção clara da banda, é um direcionamento para mostrar que o FM tem mais lançamentos além dos que foram clássicos no final dos anos 1980.

E o fim do show, após tamanha entrega dos músicos, sinergia entre os mesmos, bom repertório e execução geral impecável, me gerou uma dúvida: como o FM, depois de um boom nos anos 80 e lançamentos constantes desde o álbum de retorno (“Metropolis”, 2010), demorou tanto para vir ao Brasil - a primeira vez em 2024, na comemoração de 40 anos de banda -? Seja qual for o motivo, não muda a percepção de que, se viessem nos 11 anos iniciais e nos 18 desde o retorno da banda, teriam uma base de fãs ainda maior e que trariam mais da valorização que a banda merece, tamanha a competência sonora no palco. O que vale, por agora, é torcer tanto para que venham o mais breve possível, quanto para que mais pessoas aqui no Brasil possam conhecer o FM.

Texto: Tiago Pereira

Fotos: Amanda Vasconcelos

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: DNA Rock Events

Press: Ase Press


FM – setlist:

Digging Up the Dirt

That Girl

Other Side of Midnight

Love Lies Dying

American Girls

Frozen Heart

Hot Wired

Face to Face

I Belong to the Night

Heart of the Matter

Dangerous

Synchronized

Let Love Be the Leader

Someday (You'll Come Running)

Does It Feel Like the Love

Bad Luck

Tough It Out

Closer to Heaven

Killed by Love

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Cobertura de Show: Billy Idol – 08/11/2025 – Vibra/SP

O show de Billy Idol em São Paulo marcou o retorno do icônico roqueiro britânico ao Brasil, em uma apresentação realizada no Vibra São Paulo, que reuniu um bom público ansioso por reviver os anos 1980. A noite começou com a energia do cantor brasileiro Supla, também conhecido como Papito, que abriu o evento com seu rock direto influenciado pelo punk. 

Acompanhado de sua banda, nomeada “Punks de Boutique”, aqueceu o público com os hits “Green Hair” e “O Charada Brasileiro”, além dos clássicos de sua ex-banda Tokio, como “Humanos” e “Garota de Berlim”. É inegável a influência de Billy Idol na estética de Supla; o próprio reconhece isso e afirma também incorporar elementos de David Bowie em seu visual.  

Para quem acredita que Supla é apenas um personagem, seu show surpreende: ele entrega energia e músicas consistentes, capazes de prender a atenção dos presentes e oferecer um entretenimento sólido, sem desviar o foco da atração principal.

O início do show de Billy Idol foi marcado por uma entrada energética com “Still Dancing”, que mostrou o astro de 68 anos em plena forma, transitando pelo palco e interagindo com os fãs. Em seguida, o clássico “Cradle of Love” pareceu animar um público ainda morno. 

Antes de “Flesh for Fantasy”, o cantor fez sua primeira interação da noite, elogiando a performance de Supla. A faixa “77”, composta em parceria com Avril Lavigne, ganhou uma versão eletrizante. No entanto, foi com “Eyes Without a Face” que Idol realmente conquistou o público, gerando um dos momentos mais emocionantes da noite no Vibra São Paulo. 

Tudo isso foi acompanhado por uma excelente banda formada por Steve Stevens (guitarra), Billy Morrison (guitarra), Stephen McGrath (baixo), Erik Eldenius (bateria), Paul Trudeau (teclado) e pelas backing vocals Kitten Kuroi e Jess Kav, que demonstraram versatilidade ao transitar entre o punk rock e baladas melódicas.

Como todo bom show de rock, não poderia faltar um solo de guitarra, e Steve Stevens cumpriu esse papel com maestria. Iniciando de forma acústica, exibiu técnica e sensibilidade, encantando a plateia. 

Em seguida, apresentou um medley impressionante com trechos de “Over the Hills and Far Away” e “Stairway to Heaven”, do Led Zeppelin, finalizando com “Eruption”, do Van Halen. A performance foi espetacular e rendeu fortes aplausos do público paulistano.

Um dos pontos altos da noite foi a variedade do setlist, que incluiu covers interessantes como “Mony Mony”, de Tommy James & the Shondells, e “Love Don’t Live Here Anymore”, de Rose Royce, ambos interpretados com o carisma característico de Idol. Canções como “Too Much Fun” e a estreia ao vivo de “Gimme the Weight” também ganharam destaque. 

Billy comentou que decidiu incluir a faixa porque recebeu inúmeros pedidos dos fãs brasileiros nas redes sociais, o que foi recebido com bastante entusiasmo. O show manteve a pegada com “Ready Steady Go”, de seu período no Generation X, e com a fusão de “Blue Highway” e “Top Gun Anthem”, que trouxe um tom épico e nostálgico, especialmente para quem viveu os anos 1980.

A reação do público foi mais calorosa nos clássicos que definem a carreira de Billy Idol. Enquanto faixas menos conhecidas mantiveram parte da plateia mais contida, hits como “Rebel Yell” levantaram o público. Antes de iniciar a música, Idol mencionou Keith Richards e Mick Jagger, contando que estava em uma festa com ambos quando Jagger gritou “Rebel Yell”, inspirando o título da canção. 

Nesse momento, o Vibra São Paulo literalmente vibrou, com fãs cantando e dançando como se estivessem de volta aos anos 1980. Esse contraste evidenciou como o setlist equilibrava novidades e nostalgia, sendo nos momentos mais familiares que o público realmente se soltava.

Billy Idol escolheu um repertório que misturou energia punk, baladas e momentos instrumentais impressionantes. Apesar de o público ter começado um pouco frio, Billy conseguiu ganhar o público, impulsionado pelos hits atemporais e por sua conexão genuína com os fãs brasileiros. Foi uma experiência marcante para os amantes do rock, que deixou saudades e alimentou a esperança de novas visitas do astro ao país.


Texto: Marcelo Gomes 


Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Move Concerts 

Press: Midiorama


Billy Idol – setlist:

Still Dancing

Cradle of Love

Flesh for Fantasy

77

Eyes Without a Face

Steve Stevens Guitar Solo / Over the Hills and Far Away / Stairway to Heaven / Eruption

Mony Mony 

Love Don't Live Here Anymore 

Too Much Fun

Gimme the Weight 

Ready Steady Go 

Blue Highway / Top Gun Anthem

Rebel Yell

Bis

Dancing With Myself 

Hot in the City

People I Love

White Wedding

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Midnite City: Evolução Sem Risco

Pride & Joy Music (Imp.)

Por Fernando Queiroz

Da leva recente de hard rock, o Midnite City é uma das bandas mais notórias. Seu quinto registro completo, de 2025, é mais um passo na direção certa: não deixam a “alma hard” de lado, ao mesmo tempo que evoluem sua performance dentro do estilo, mesmo que com mais toques de “AOR”, perfeito para a proposta radiofônica.

Logo de cara, com a abertura Live Like Ya Mean It, mesmo que com certo peso, já vemos os teclados com algum destaque, e isso só aumenta na seguinte Worth Fighting For, onde o som dos sintetizadores é bem destacado. O padrão segue por boa parte do álbum, com canções muitas mais lentas, letras de superação, libertação, e todo aquele sentimento “para cima” que têm sido o foco da maioria das bandas do estilo na atualidade. Embora interessantes de começo, sinto que fica cansativo esse foco repetidamente.

A velocidade volta com Heaven In This Hell, em ótima música para “meio de show”, mas logo o som radiofônico volta na seguinte, Running Back To Your Heart, numa boa alusão a clássicos de bandas como o Boston. Ela já dá lugar a uma canção com bons riffs, e até certo virtuosismo, Lethal Dose of Love. Um interlúdio instrumental dá a letra para a bonita balada Seeing Is Believing, a mais longa do disco. Confesso que esperava a entrada de uma música mais pesada no lugar. No melhor estilo Journey, No One Wins tem uma mescla de certo peso com teclados altos, cheia de reverbs nas partes “grudentas” - aliás, o disco é cheio disso! É, no fim das contas, puro suco de Arena Rock anos oitenta, como vem sendo o padrão de bandas de hard rock europeu - algumas melhores, outras piores, e o Midnite City vem se mantendo entre o primeiro grupo.

Hang On Til Tomorrow mantém a atmosfera, mas é com o encerramento que vemos talvez o ápice: When The Summer Ends fecha o disco com claras influências da fase Sammy Hagar do Van Halen - em específico, há uma clara referência à música Dreams.

Um disco que mantém a regularidade, e joga seguro. Não se arriscam, evoluem sua fórmula, e não desapontam. Fica, porém, a sensação de que poderiam ter feito algo mais, colocado mais peso, e ido mais para o lado dos riffs de guitarra. Preferiram usar o teclado para ser o chamariz - não que estejam errados, mas chega um momento que deixa o ouvinte um pouco cansado.

Vale a pena ouvir? Sim! Vai virar clássico? Definitivamente não.

Nota: 7,5

Divulgação


terça-feira, 20 de maio de 2025

Cobertura de Show: Saxon – 06/05/2025 – Bar Opinião/RS

Cobertura por: Renato Sanson

Fotos: Giovanni Maglia

O Saxon retornava a capital gaúcha após seis anos e desta vez trouxe a tour comemorativa do clássico “Wheels of Steel” de 1980, que seria executado na íntegra! As vezes que passou por POA não consegui assisti-los, mas no final de semana anterior pude conferir o show dos britânicos no Bangers Open Air e já estava ansioso por está apresentação, já que, no festival não foi possível tocar “Wheels of Steel” na íntegra. Em um set mais compacto, mas não menos poderoso.

Uma verdadeira instituição do Heavy Metal mundial ali diante dos nossos olhos!

Mas antes de iniciarmos dois pontos precisam ser salientados: a questão acessibilidade do Bar Opinião que de fato parou no tempo e segue péssima. O local escolhido pela casa para os PCD’s poderem assistir o show beira o ridículo (já mencionei isso em coberturas anteriores e seguirei insistindo). Péssimo localizado e horrível para se enxergar o palco se a casa já está com certo número de presentes e no caso de um show que lotou como o desta noite, piora e muito.

Pois ficamos encobertos pelos os demais fãs e só enxergamos camisetas pretas à frente. Isso tudo por quê? Porque o local não tem a estrutura necessária e nem a padronização de altura para que se possa ver o palco. No meu caso, sou da velha escola e consigo dar o meu jeito de assistir o show, mas neste dia notei que as pessoas ao meu redor que estavam neste péssimo local, mal enxergavam o palco. Um desrespeito total, pois essas pessoas pagaram para estar ali e sabemos que o valor dos ingressos são elevados e você pagar para não ver nada é sacanagem.

Outro ponto em questão que beira o ridículo é a tal da “pista vip” em um local como o Bar Opinião, que, não tem uma estrutura para ter essa manobra de lucrar mais. O local em si já é uma grande pista com mezanino. Mas mesmo assim trazem a tal “vip” e os fãs vão lá e pagam por uma estrutura que deixa a desejar.

Voltando a noite metálica, além do Saxon tivemos as suíças do Burning Witches e a abertura da banda paulista URDZA de São Paulo.

Por volta das 19h30min os paulistas iniciam seu show e apresentam aquele típico Heavy Metal tradicional, guiado por melodias e bons riffs. Porém, as bandas de abertura sofrem sempre do mesmo mal, o som que não é satisfatório e isso prejudicou o URDZA que sofreu bastante, principalmente as guitarras que em muitos casos não se ouvia e também os vocais, que transitavam entre estar presente ou não. Uma pena, pois talento e personalidade mostraram que tem e muito jogo de cintura, pois mesmo com o mundo desabando não perderam a postura e entregaram um bom show dentre as possibilidades apresentadas.

Com o palco já montado e usando a estrutura do URDZA a Burning Witches chega a capital com seu Heavy mais melodioso e épico, com as meninas esbanjando simpatia e entrosamento. O som também não estava bom, parecia que tudo estava em mono, sem força, sem pressão, sem peso. Inclusive a abertura com “Unleash the Beast” não tínhamos as guitarras da dupla Courtney Cox e Simone Van Straten, que eram inexistentes e isso se refletia no palco, pois a bela frontwoman Laura Guldemond berrava para poder se ouvir.

Sem muitas melhoras sonoras o show seguiu e mostrou uma banda já polida ao vivo, trazendo muita energia e com ótimas musicistas. Mas de fato, a péssima qualidade de som tirou o brilho da apresentação das meninas que poderia ser muito mais impactante.

Após a curta apresentação da BW estávamos com um Bar Opinião lotado e meio apreensivos no quesito qualidade sonora, mas que foi embora logo de cara com a abertura de “Hell, Fire and Damnation” um som limpo, pesado e muito bem equalizado saiam dos PA’s e mostrava que os velhinhos que estão na “terceira idade” continuam tendo muita lenha para queimar.

É impressionante pensar que: Biff Byford (vocal - 74 anos), Doug Scarrat (guitarra - 65 anos), Brian Tatler (guitarra, (Diamond Head) - 65 anos), Nibbs Carter (baixo - 58 anos) e Nigel Glockler (bateria - 72 anos) entregam mais que um show, mas sim um épico! Seja em desempenho, seja em não usando partes pré-gravadas (como muitas bandas por aí que nem veteranas são), não usando a famosa telinha para o vocalista ler as letras...

É simplesmente o bom e velho Saxon destilando veneno sem artifícios. Cru, pesado e rico em melodias. Faltam elogios!

Então imagina para um show de 22 músicas! Isso mesmo, 22 músicas foram executadas nesta noite inesquecível em Porto Alegre e fez muito marmanjo chorar.

Dentre elas “Power and Glory”, “Backs to the Wall”, “Heavy Metal Thunder”, “The Eagle Has Landed”...

Isso somente para citar algumas da primeira parte, já que, a segunda parte do show tivemos o clássico “Wheels of Steel” em sua totalidade e falar o que de um álbum que só tem pedrada? “Motorcycle Man”, “Stand Up and Be Counted”, “Freeway Mad”, a faixa titulo e por ai vai...

Um show único e que fez a alegria dos headbangers mais antigos e fez muitos reviverem suas adolescências estando ali diante de seus ídolos.

Uma banda entrosada, sem espaço para falhas e muito comunicativos com os fãs. Biff é um dos maiores frontmans do mundo e uma das melhores vozes do Rock, interage, agita e leva emoção a plateia com suas interpretações únicas. A dupla Doug e Brian parecem que já tocam a séculos juntos e fazem tudo com precisão em uma chuva de riffs e solos memoráveis. O peso da cozinha cuidada por Nibbs e Nigel traz a agressividade e a diversificação necessária.

Os velhinhos voltam para o ato final de seu show, mas sem antes com mais um momento marcante, onde dois fãs atiram seus coletes em palco e Biff e Doug os veste para encerrar essa noite única em que tivemos a honra de presenciar.

Um encerramento digno de soluçar com: “Crusader”, “Denim and Leather”, “And the Bands Played On” e “Princess of the Night”. Alma lavada e penso ser difícil nos próximos vinte anos ter um show que supere esse do Saxon em terras gaúchas!

 

sábado, 30 de novembro de 2024

Cobertura de Show: Bring Me The Horizon – 28/11/2024 – Audio/SP

A banda de metalcore britânica, Bring Me the Horizon, voltou ao Brasil para duas apresentações, promovendo seu mais recente trabalho “POST HUMAN: NeX GEn”, lançado em maio desse ano. A primeira das apresentações aconteceu na quinta-feira, dia 28 de novembro, na Audio em São Paulo. Com uma proposta mais intimista, o show foi anunciado há cerca de um mês e teve todos seus ingressos vendidos em menos de dois dias. Isso mostra o quanto a banda é querida pelo público brasileiro.

Sem banda de abertura e com fãs que acamparam desde a noite anterior, a fila da Audio percorria quarteirões. O tempo oscilatório de São Paulo, que pela tarde estava ensolarado e extremamente seco e abafado, teve pancadas de chuva ao final do dia, mas isso não desanimou o público, que aguardava ansiosamente para entrar na casa.

Com um atraso insignificante, por volta das 21 horas as luzes se apagaram e a animação temática no “nex gen” foi exibida no telão. Essa talvez foi uma das maiores intros que já presenciei, cerca de 7 minutos… Na imagem, víamos um menu de jogo de videogame, aqueles onde você ao iniciar o jogo precisa clicar em “press start”. O público, que estava mega ansioso, tentou de tudo: bater palma, gritar START, gritar o nome da banda… Em seguida, uma animação que mostra a personagem E.V.E (que participa dos shows e faz parte da Genxsis, uma igreja ou culto formada pelos seguidores de NexGen) nos pergunta: “vocês estão preparados para a melhor noite de suas vidas?”.

Às 21:10 a banda, formada por Oliver Sykes (vocal - e praticamente brasileiro), Lee Malia (guitarra), Matt Kean (baixo) e Matt Nicholls (bateria) sobe ao palco, ovacionados pelo público. A primeira música, “DArkSide’, do último álbum, foi cantada em uníssono. Oliver, que é casado com a modelo e artista brasileira Alissa Salls, interage o tempo todo em português, sempre ressaltando o quanto ama o Brasil e suas pessoas.

Sem tempo para respirar, o hit “Mantra” foi executado. Esse é um daqueles shows que só reuniu fãs, então não houve nenhum momento de calmaria ou que grande parte das pessoas não conhece alguma música. A energia foi a mesma do início ao fim. “Happy Song” e “Teardrops” vieram na sequência e Oliver pediu o primeiro mosh pit da noite. Apesar da casa estar cheia, é óbvio que ele teve seu pedido atendido.

“AmEN!” e “Kool-Aid”, ambas do “NeX GeN”, mostraram que os presentes realmente fizeram a lição de casa e ouviram o último trabalho da banda (que inclusive está indicado a álbum do ano em diversas premiações).

Seguindo com “Shadow Moses”, o set estava bem equilibrado, com músicas dos álbuns mais apreciados pela maioria. Então a banda tocou “n/A” pela primeira vez ao vivo. Oliver, sempre em português, demonstrava o quanto estava impressionado com o público.

“Sleepwalking”, “Kingslayer” (que conta com a participação do Baby Metal na gravação - aqui representada pelo próprio público que, cantava mais alto que a banda nas partes em que elas cantam) e “Parasite Eve” mantiveram a energia lá em cima.

Em “Antivist”, como de costume, Oliver escolheu alguém do público para dividir os vocais. O escolhido impressionou com seu gutural. Mais tarde descobrimos que ele é conhecido como Mister Chuck (Kauê Ferraz) e realmente faz parte de uma banda, a Overbrain. Em entrevista à rádio 89FM, o vocalista e tatuador contou que esperou por esse momento por 11 anos.

O set continuou com “Follow You”, “LosT” e o super hit “Can You Feel My Heart”, que encerrou a primeira parte.

Durante a semana os fãs manifestaram nas redes sociais as músicas que queriam ver no setlist, apresentando opiniões dividias. Muitos gostariam de ver um show apenas de músicas lado B, já outros esperavam hits. Sem dúvidas, o show agradou por mesclar diversas fases. Para os fãs dos álbuns mais antigos, o encore foi um presente.

“Doomed”, “Drown” e “Throne”, todas presentes no álbum “That’s the Spirit” (lançado em 2015), encerraram com chave de ouro a apresentação.

Embora ainda existam fãs mais tradicionais do metal que torcem o nariz, o Bring Me The Horizon segue firme na estrada há mais de 20 anos, com uma legião de admiradores ao redor do mundo, sendo o Brasil provavelmente o país com a maior base de fãs. A qualidade e o talento de sua discografia são inegáveis, e a apresentação na Audio confirmou que a banda entrega tudo ao vivo, seja para um público de 3 mil ou 50 mil pessoas.

Além disso, a banda movimentou a cidade com o lançamento de uma pop-up store, em parceria com a marca Lobo Bobo, instalada no Hangar 110, que funcionou exclusivamente nas quinta e sexta-feira, dias 28 e 29 de novembro.

Considerada uma das maiores bandas de metal da atualidade – se não, a maior –, o Bring Me The Horizon se prepara para o maior show de sua carreira, marcado para sábado, 30 de novembro, no Allianz Parque, ao lado de outras grandes atrações do metalcore, como Motionless In White, Spiritbox e The Plot in You.

“Brasil, eu amo vocês demais.”, disse Oli durante o show. E pode ter certeza, Oli, que os fãs brasileiros retribuem esse carinho com a mesma intensidade.


Texto: Jessica Tahnne Valentim 

Fotos: Flashbang Co.

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: 30ebr

Mídia Press: Trovoa Comunicação


Bring Me The Horizon – setlist:

DarkSide

MANTRA

Happy Song

Teardrops

AmEN!

Kool-Aid

Shadow Moses

n/A (primeira vez ao vivo)

Sleepwalking

Kingslayer

Parasite Eve

Antivist (com um fã)

Follow You

LosT

Can You Feel My Heart

Bis

Doomed

Drown

Throne

domingo, 6 de outubro de 2024

Cobertura de Show: Raven – 22/09/2024 – Jai Club/SP

Estava finalizando esta matéria na semana da partida de Pit Passarell, fundador do Viper, que me fez pensar na importância da semana anterior desse evento para a cena Heavy Metal paulista de 2024. Quando um fundador de uma banda se vai, o legado deixado para outros continuarem uma história lutando para que aquilo não acabe foi uma grande reflexão. O Raven voltando com 50 anos de estrada e Pit Passarell partindo aos 56 anos.

Quem compareceu na tarde de domingo (22/09) para conferir o show da turnê meio século do Raven, “All Hell’s Breaking Loose”, acertou na escolha. O evento escalou 4 bandas undergrounds antecedendo uma banda internacional, algo que vem sendo debatido entre expectadores e a imprensa que faz a cobertura desses shows, que é justamente as bandas de abertura. Ficou nítido como o evento cresce em todos os aspectos: o público de todas as gerações (conduzidos boa parte pelas bandas de abertura), retorno ao palco de bandas que não estavam tocando para continuarem sua história na cena (sendo três com mais de 20 anos de estrada), casa cheia de verdade, som de palco excelente para todos os envolvidos, som mecânico totalmente agradável no intervalo das bandas, horários das apresentações dentro do limite, logística excelente para chegar e acesso as dependências (bares e banheiros) sem muitas complicações.

Iniciando os trabalhos no meio da tarde puxado pelas mulheres, a banda Blixten de Araraquara/SP, formada em 2013 e liderada pela carismática vocalista Kelly Hipólito e a baterista Larissa – acompanhadas de Aron (baixo) e Eurico (guitarra) – executaram um Hard Heavy Metal muito honesto em 40 mínutos de apresentação, destaque para “Like Wild”,“Stay Heavy”,“Black Diamond” e “Powerflow”. A banda tem uma energia muito boa, carisma e potência vocal. Teve tempo ainda do vocalista Pedro, da banda Living Metal, fazer uma jam com quarteto.

A segunda banda é uma das veteranas da cena. O Clenched Fist, com 24 anos de estrada, mostraram que o tempo é fundamental para manter a estrutura do underground viva, reflexo de músicas cantadas pelo público que sabe exatamente quando a banda começou. Destaque para “Spirit of Death”,“Bang Your Head” e “Codex Gigas”, onde Vagner está cantando muito bem ao lado de Luiz (baixo), Herton (bateria) e o veterano Juninho Metal (guitarra), que desempenharam um instrumental cortante. O pessoal está empolgado com próximo disco “Máquina Letal”, que com certeza será mais um marco na estrada da banda.

Em seguida, o Conquistadores, de Osasco/SP e que está a bastante tempo sem lançar material novo - 11 anos -, entraram e continuaram a saga das bandas retornando aos palcos, nessa ocasião estavam quase 6 anos sem tocar, mas isso não atrapalhou em nada na estrutura da banda. Descarregaram do disco “À Beira da Loucura” de 2013, abrindo com “Morte aos Falsos, seguindo com “Lutar e Conquistar”,“Poder e Glória”,“Com Sangue se Paga” e “Inimigo da Noite”. Fizeram uma apresentação poderosa e com a expectativa de produzirem algo aguardado já algum tempo pelo público.

Outra que voltava a se apresentar e tem grande prestígio na cena foi o Comando Nuclear. Praticamente 5 anos sem estar nos palcos, recuperou o tempo e antecipou o Raven com a responsabilidade de fazer um show à altura da história da banda. Não deixou por menos, músicas como “Unidos Pelo Metal”, “Caçada Mortal aos Falsos”, “Sombras do Passado”, “Ritual Satânico” e a “Resistir”, que traz uma letra que reflete o que representa todas as bandas e o evento, elevou o patamar do som e fechou as bandas de abertura com muita energia.

Enfim, o Raven entra com público totalmente aquecido para os 50 anos lotado até a porta! É impressionante como a banda é uma festa pronta, tanto para quem já assistiu no passado quanto para quem estava tendo a oportunidade de vê-los pela primeira vez. Os irmãos John Gallagher (vocal/baixo) e Mark Gallagher (guitarra) tem uma sintonia e um carisma que ultrapassa fronteiras, dando aquela entrega total como se fosse o primeiro ou último show de suas vidas. A energia renovada na bateria de Mike Heller traz tudo isso à tona, todos sentem isso ao assistir o Raven

Abriram com “Destroy All Monsters” para testar o som do palco, retornos, iluminação, potência; tudo excelente! Não podia se esperar outra sonoridade de uma banda que sempre prezou pela qualidade das gravações dos discos na discografia desde o primeiro disco “Rock Until You Drop”, de 1981. A voz de John Gallagher estava excepcional, cantando para valer com microfone muito bem ajustado ao corpo como sempre faz nas apresentações, tendo liberdade para tocar e soltar agudos bem colocados coordenando com partes agressivas, sempre olhando para o público que devolvia o entusiasmo de revê-los e poderem assistir de tão perto. O instrumental e a composição bem trabalhada das músicas de estúdio que sempre foram o carro chefe da banda desde o início é totalmente fiel quando é executado ao vivo; as mudanças de tempo e andamento para outros os riffs, os contratempos de bateria, a qualidade e peso do baixo Rickenbacker totalmente sincronizados. Destaques para “Hell Patrol”,“The Power”, a mais recente “All Hell’s Breaking Loose”,“Surf The Tsunami”,“Turn of The Screw”, a ovacionada “Rock Until You Drop”,“Faster Than The Speed of Light”,“On and On” do Stay hard,“Break The Chain”e“Chain Saw”. Fizeram algo que está faltando nas bandas hoje em dia, tocar um cover: “Rock Bottom” (UFO), “Symptom of The Universe” e “Supernaut” (Black Sabbath), “Victim of Changes” (Judas Priest),“Breadfan” (Budgie) e Seek and Destroy foram emendadas numa homenagem aos clássicos.

Enfim, uma noite para entender como a força da música tem a importância de fazer com que as pessoas não desistam dos seus objetivos. Toda aquela atmosfera combinou com as bandas que subiram no mesmo palco com o público que também era formado por bandas que estão tocando ou paradas. O Raven ainda influencia músicos e público a continuarem vivendo a música, seja tocando ou curtindo, passam a sensação de que estão realizados por chegaram aos 50 anos em plena forma musical, determinação, resistência, muita vitalidade ao vivo e gravando discos, acredito que deixaram isso na sua passagem pelo Brasil. Fico com uma frase que ouvi na noite do guitarrista Juninho Metal (Clenched Fist), que também remete uma homenagem ao Pit Passarell do Viper: “Cara, eu toco guitarra desde 1984... Não podemos parar, a gente precisa continuar”.



Texto: Roberto "Bertz" (Fanzine Pandemia)

Fotos: Roberto Sant'Anna (Roadie Crew)


Realização: Caveira Velha Produções


Raven - setlist

Destroy All Monsters

Hell Patrol

The Power

Surf the Tsunami

Turn of the Screw

All for One

Rock Until You Drop

Faster Than the Speed of Light

Inquisitor

All Hell’s Breaking Loose

On and On

Break the Chain

Seek and Destroy

Chain Saw