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terça-feira, 20 de outubro de 2026

John Coffey: A Força de Gritar Junto Quando o Mundo Pesa

Long Branch Records (Imp.)

Por Stephanie Ferreira - @instephanie

Existem bandas que transformam a agressividade em identidade. Outras conseguem fazer dela uma linguagem para falar sobre aquilo que nem sempre sabemos como expressar. O John Coffey pertence às duas categorias. Em Not Alone, seu sexto álbum de estúdio, o quinteto neerlandês transforma guitarras abrasivas, vocais intensos e ritmos acelerados em um trabalho que fala de resistência, empatia e conexão humana. São dez faixas distribuídas em pouco mais de 30 minutos, sem espaço para grandes desvios, mas com algumas mudanças de dinâmica que impedem o disco de se tornar apenas uma sequência de pancadas.

Lançado pela Long Branch Records, o álbum chega depois do retorno da banda às atividades, iniciado com FOUR, de 2023, após um hiato de aproximadamente sete anos. Em vez de tentar recuperar o passado nota por nota, o John Coffey retoma os elementos que ajudaram a construir sua identidade e os coloca a serviço de um repertório que alterna urgência punk, peso hardcore, melodias de rock alternativo e passagens de sensibilidade grunge. Essa combinação também aparece nas primeiras avaliações internacionais, que destacam tanto a energia instrumental quanto a capacidade do grupo de abrir espaço para refrões mais acessíveis.

Nick Helderman

1. Hang the Choir

A abertura é um dos momentos mais eficientes do disco. Os riffs têm um ataque quase imediato, enquanto as mudanças de voz ampliam a impressão de que a música está sendo construída por várias pessoas, e não apenas conduzida por um vocalista. Essa dimensão coletiva combina com o tema da faixa, que aborda a defesa de quem sofre preconceito ou é tratado como alguém que não pertence ao ambiente ao redor.

A composição não precisa de uma introdução longa para estabelecer sua identidade. O John Coffey aposta em uma estrutura compacta, com energia suficiente para imaginar a música funcionando como um dos pontos de explosão de um show. A melodia ajuda a fixar o refrão, mas as guitarras preservam a aspereza necessária para que a mensagem não soe domesticada.

2. Not Alone

A faixa-título representa uma das decisões mais importantes do álbum: desacelerar depois de uma abertura tão explosiva. Em vez de continuar na mesma direção, o John Coffey reduz a pressão instrumental e deixa a melodia ocupar o primeiro plano. A voz de David Achter de Molen ganha uma característica mais aberta e emocional, com uma abordagem que aproxima a música do grunge e do rock alternativo.

O contraste funciona porque a delicadeza não parece artificial. A faixa foi escrita em memória de Niels van den Ham, amigo da banda que morreu por suicídio, e transforma essa perda em um chamado à escuta, à compreensão e à importância de procurar conexão quando a vida se torna difícil. A própria banda apresentou a música como uma lembrança de que aquilo que sentimos não precisa ser enfrentado em isolamento.

Esse contexto muda a maneira como o refrão é recebido. A mensagem aparece como o centro emocional de um disco que entende a música pesada como espaço de acolhimento. Em um álbum relativamente curto, a faixa-título também funciona como ponto de equilíbrio: ela dá profundidade ao que veio antes e prepara o ouvinte para as mudanças de dinâmica que ainda estão por vir.

3. Push Push Push

Se “Not Alone” abre uma janela para o lado mais vulnerável da banda, “Push Push Push” volta a fechar os punhos. A música recupera o caráter físico do álbum com riffs angulares, mudanças de acentuação e uma sensação de urgência que mantém o ouvinte em alerta.

O trabalho das guitarras merece atenção. Em vez de depender exclusivamente de acordes pesados e velocidade, a faixa utiliza pequenas quebras e movimentos menos previsíveis para criar tensão. Essa abordagem aproxima o John Coffey de uma tradição de hardcore que valoriza tanto a força do impacto quanto a personalidade do riff.

A composição pode parecer caótica em uma primeira aproximação, mas existe organização por trás dessa impressão. Os elementos se encaixam para produzir uma descarga de energia controlada, e a curta duração evita que a ideia perca força. É uma das faixas que melhor representam o lado mais agressivo do álbum.

4. It's You

“It's You” muda novamente a temperatura do disco. As guitarras continuam pesadas, mas as melodias assumem uma importância muito maior, aproximando a faixa do rock alternativo e de uma tradição de refrões amplos, feitos para serem cantados em conjunto.

A voz de Achter de Molen funciona especialmente bem nesse contexto. Sua interpretação mantém a aspereza característica do grupo, mas deixa espaço para uma entrega mais melódica. O resultado é uma música que não precisa abandonar o peso para alcançar um público mais amplo.

5. Do Not Teach

A calmaria relativa não dura muito. “Do Not Teach” recupera uma postura mais confrontadora e aposta em uma sonoridade que mistura o peso do hardcore com elementos menos convencionais. A presença de uma sirene e de um coro infantil acrescenta estranheza à composição, criando uma atmosfera que contrasta com a agressividade das guitarras.

A ideia é interessante porque amplia a paleta sonora do disco sem afastar a banda de suas raízes. Ao mesmo tempo, é um dos momentos em que a execução parece menos coesa. A introdução tem impacto, mas a transição para o restante da faixa não desenvolve todo o potencial daquela escolha inicial. A música continua pesada, embora a estrutura não seja tão convincente quanto a das melhores composições do álbum.

6. Call of the Bear

“Call of the Bear” é uma das composições mais frenéticas do álbum. A bateria acelera, os riffs se acumulam e a faixa parece constantemente prestes a ultrapassar os próprios limites. O resultado é um dos momentos mais próximos do hardcore caótico e do mathcore, com mudanças de ritmo que tornam a experiência menos linear.

O contraste entre passagens aceleradas e trechos mais melódicos impede que a música se resuma à velocidade. Existe uma preocupação em construir um refrão reconhecível, embora a composição por vezes exagere na insistência de sua mensagem de superação. A intenção é clara, mas algumas escolhas acabam tornando o resultado um pouco mais óbvio do que o restante do álbum.

Ainda assim, instrumentalmente, a faixa é um destaque. O John Coffey demonstra como pode transitar entre o caos e a melodia sem perder completamente o controle. É o tipo de composição que deve ganhar outra dimensão quando executada diante de um público disposto a transformar cada mudança rítmica em movimento.

7. I Don't Care, I Won't Give Up On You

Depois da intensidade de “Call of the Bear”, a sétima faixa apresenta uma mudança de textura. A influência do grunge aparece com mais clareza, tanto no peso das guitarras quanto na atmosfera emocional da composição. A música mantém uma base robusta, mas a interpretação vocal ganha um tom mais vulnerável, criando um contraste interessante com o título, que sugere insistência e compromisso.

É uma das faixas em que a dimensão afetiva do álbum aparece sem depender de uma balada tradicional. O John Coffey não abandona o volume nem transforma a composição em um intervalo contemplativo. Em vez disso, utiliza a melodia para revelar outro lado da mesma intensidade presente nas músicas mais rápidas.

8. Time Is Up Now

Com “Time Is Up Now”, o John Coffey volta a acelerar. A faixa é direta, inquieta e construída para manter o movimento constante, com uma combinação de riffs insistentes e ganchos melódicos que tornam a música mais memorável do que uma simples explosão de energia.

A sensação é de urgência: a bateria não deixa o arranjo se acomodar, enquanto as guitarras conduzem a composição para a frente. O refrão, por sua vez, cria um contraponto interessante à velocidade, oferecendo um ponto de apoio que o ouvinte consegue reconhecer mesmo em meio à intensidade instrumental.

9. Hope In – Fear Out

O título já aponta para uma ideia de transformação, e a música traduz essa perspectiva em uma composição movida por riffs pesados, ritmo firme e uma energia afirmativa. “Hope In – Fear Out” não tenta soar contemplativa; sua esperança é apresentada como algo que exige ação, movimento e disposição para enfrentar aquilo que paralisa.

A faixa funciona como uma síntese temática de Not Alone. Depois de músicas que exploram vulnerabilidade, confronto e apoio mútuo, o John Coffey retorna ao peso para construir uma mensagem de resistência. A sonoridade continua agressiva, mas a composição não é tão sombria quanto algumas das faixas anteriores.

10. All Bark, No Bite

O encerramento escolhe uma solução diferente da abertura. Em vez de terminar com a maior velocidade possível, “All Bark, No Bite” trabalha com contrastes entre passagens mais contidas e momentos de maior intensidade. As guitarras alternam tensão e abertura, enquanto os riffs apresentam pequenas mudanças que dão personalidade à composição.

A dinâmica entre peso e suavidade funciona como uma espécie de resumo do disco. O John Coffey demonstra que, às vezes, a força está justamente no espaço deixado entre uma explosão e outra.


Nick Helderman

Confira a tracklist completa:

1. Hang the Choir

2. Not Alone

3. Push Push Push

4. It's You

5. Do Not Teach

6. Call of the Bear

7. I Don't Care, I Won't Give Up on You

8. Time Is Up Now

9. Hope In – Fear Out

10. All Bark, No Bite

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Cobertura de Show: The Gathering – 15/10/2026 – Audio/SP

The Gathering e os 30 anos de Mandylion: Emoção e Nostalgia

Sabe quando você vai a um show e, depois, fica tentando encontrar palavras para explicar o que acabou de viver, mas simplesmente não consegue? Pois é, estou tentando escrever sobre o show do The Gathering celebrando os 30 anos de Mandylion e confesso que está difícil. Não por falta do que dizer, mas porque parece que nenhuma palavra consegue chegar perto do que foi aquela noite.

Primeiramente, preciso dizer que, para uma pessoa como eu, que quase nunca chora, sentir vontade de chorar durante praticamente o show inteiro foi uma experiência e tanto! Mas também, convenhamos: estamos falando de Mandylion, um dos meus discos preferidos da vida, tocado na íntegra pela formação daquela época. Como é que a pessoa fica normal diante de uma coisa dessas?

A primeira vez que ouvi esse álbum eu tinha 15 anos. Quinze! E foi um daqueles discos que abrem a sua cabeça, sabe? Que fazem você descobrir coisas novas, enxergar a música de outra maneira e perceber que existe um mundo inteiro para além daquilo que você já conhece. Naquela época, eu jamais imaginaria que um dia teria a oportunidade de ver essas músicas ao vivo, com a formação original. E olha só, hoje, aos 33 anos, eu estava lá.

É muito louco pensar nisso. A gente cresce, a vida acontece, tanta coisa muda, mas algumas músicas continuam morando naquele cantinho especial dentro da gente. E, de repente, você está ali, diante delas, tentando processar tudo ao mesmo tempo.

E eu nem comecei a falar do show ainda! Mas, antes, vamos falar de Mandylion?

Para quem não conhece a história, o The Gathering é uma banda holandesa formada em 1989, que começou sua trajetória explorando sonoridades mais próximas do death/doom metal. Mas foi em 1995, com o lançamento de Mandylion, que o grupo deu um passo decisivo para construir a identidade pela qual se tornaria conhecido.

O disco marcou a chegada de Anneke van Giersbergen aos vocais e trouxe uma mudança importante na sonoridade da banda, misturando peso, atmosferas sombrias, passagens progressivas e melodias que fugiam bastante do que se costumava ouvir no metal naquela época.

A formação de Mandylion reunia Anneke nos vocais, René Rutten e Jelmer Wiersma nas guitarras, Frank Boeijen nos teclados, Hugo Prinsen Geerligs no baixo e Hans Rutten na bateria.

E o resultado foi um daqueles trabalhos que envelhecem muito bem. Na época, o álbum chamou a atenção justamente por essa combinação de peso e delicadeza, com uma sonoridade atmosférica e uma vocalista que tinha uma maneira muito particular de interpretar as músicas. Com o tempo, Mandylion se consolidou como um dos grandes discos do metal gótico dos anos 90 e uma referência para muita gente que veio depois.

E não é difícil entender o motivo. Basta ouvir “Eléanor”, “Strange Machines”, “Leaves” ou a maravilhosa “Sand and Mercury” para perceber que existe algo muito especial ali.

Não é só um disco importante para a história do The Gathering. É um disco que marcou a vida de muita gente. E, pelo que vi naquela noite, não estou falando apenas de mim.

Anneke van Giersbergen é um acontecimento à parte

Gente, o que dizer dessa mulher?

Anneke tem uma voz linda, etérea, daquelas que parecem te puxar para dentro da música. Mas não é só a voz. É a maneira como ela canta, como se movimenta, como se conecta com as pessoas e como consegue transmitir tanta coisa sem precisar fazer esforço para chamar a atenção.

Ela tem um carisma absurdo! É uma cantora premiada, com uma trajetória incrível, mas que mantém uma leveza e uma simpatia que tornam tudo ainda mais especial. E sabe o que acho mais legal? A gente costuma ouvir falar muito bem dela nos bastidores, principalmente sobre a maneira como trata os fãs e como gosta de interagir com o público. Quando você vê isso acontecendo ao vivo, percebe que não é só conversa. Ela realmente parece gostar daquela troca.

Durante o show, Anneke agradeceu diversas vezes pelo carinho, pela recepção e pelo que chamou de lindo coral brasileiro. Dava para perceber que ela estava genuinamente impressionada com o que estava ouvindo.

Aliás, a reação dela quando começou “Eléanor” foi uma das coisas mais bonitas da noite. Assim que ela começou a cantar, o público veio junto com uma força absurda. Anneke ficou claramente surpresa e, em vários momentos, colocou a mão perto do ouvido para ouvir melhor aquela multidão cantando. Imaginem a cena!

E não foi só nessa música. O público cantou durante o show inteiro, e Anneke fez questão de agradecer diversas vezes. Comentou sobre o jet lag, as poucas horas de sono e agradeceu por ter tanta gente ajudando a cantar.

Meus amigos, se vocês precisam de ajuda para cantar, pode deixar que o brasileiro resolve!

Mas, brincadeiras à parte, foi realmente emocionante ver a reação dela. A cantora disse o quanto achava aquele carinho lindo e o quanto ela e os músicos se sentiam abençoados por receber tanto amor.

E acho que essa troca foi uma das coisas mais bonitas do show. Não era só uma banda tocando para um público. Era uma multidão devolvendo, em forma de canto, todo o amor que aquelas músicas receberam durante esses 30 anos.

Uma catarse coletiva. E não estou exagerando!

Eu juro que teve momentos em que olhei ao redor e pensei: gente, o que está acontecendo aqui? Era gente chorando, gente cantando com os olhos fechados, gente com as mãos na cabeça, naquele clássico gesto de quem está tentando entender o que acabou de presenciar. E, no meio disso tudo, sempre aparecia alguém soltando um “PQP, QUE SHOW É ESSE?!”.

E eu entendia perfeitamente, porque estava pensando exatamente a mesma coisa.

Foi uma emoção coletiva muito difícil de explicar. Parecia que todo mundo ali estava vivendo alguma coisa pessoal, mas, ao mesmo tempo, estávamos todos sentindo a mesma coisa juntos.

Sem exagero, parecia um ritual. Um culto sagrado ao som de Mandylion. E olha que nem sou de ficar romantizando tudo, mas aquela noite mereceu!

Foi uma experiência sensorial e emocional profunda. Tinha a música, a voz da Anneke, os instrumentos, milhares de pessoas cantando e aquela sensação de que você estava vivendo um momento que não se repetiria daquela mesma maneira.

E acho que é isso que torna um show inesquecível. Não é só ouvir as músicas de que você gosta. É sentir que está compartilhando algo muito maior do que você, mesmo sem conhecer a pessoa que está chorando do seu lado.

O público brasileiro foi um espetáculo à parte. E a produção também merece reconhecimento, porque tudo funcionou muito bem. Os músicos estavam entrosados, a execução foi impecável e as músicas mantiveram aquela atmosfera tão característica da banda.

Mas, sinceramente? Meu olhar voltava o tempo todo para Anneke. Ela estava brilhando, conduzindo tudo com aquela voz maravilhosa e um carisma que parece não ter fim.

E ainda teve muito mais além de Mandylion

A celebração não ficou restrita ao álbum, e o repertório trouxe outras músicas importantes da fase de Anneke no The Gathering.

Tivemos “On Most Surfaces”, do Nighttime Birds (1997), e “Travel”, do experimental How to Measure a Planet? (1999), mostrando um pouco dessa evolução musical da banda ao longo dos anos.

Também tocaram “Liberty Bell” e “Third Chance”, esta última especialmente interessante por não ser tocada desde 2007, conforme o histórico de apresentações da banda.

É muito legal quando uma banda entende que celebrar um disco clássico não significa necessariamente ficar presa a ele. Essas outras músicas ajudaram a ampliar a experiência e lembrar que a fase de Anneke foi muito além de Mandylion.

E aí veio “Saturnine” para fechar a noite.

Olha, que escolha acertada! Uma das músicas mais emblemáticas dessa fase, com aquele clima que parece abraçar a gente e apertar o coração ao mesmo tempo. Foi um encerramento lindo, daqueles que deixam você emocionalmente destruída, mas feliz por ter vivido aquilo.

Eu não consigo imaginar uma maneira melhor de terminar aquela noite.

E agora, como é que eu explico isso?

Sabe o que mais me pega quando penso nesse show? É lembrar daquela menina de 15 anos que ouviu Mandylion pela primeira vez e não fazia ideia de tudo o que ainda viveria. Naquela época, eu não imaginava que, tantos anos depois, estaria diante daquela banda, ouvindo aquelas músicas ao vivo, cantando junto e quase chorando do começo ao fim.

E não é só nostalgia. Acho que é também perceber o quanto a música acompanha a gente, mesmo quando a vida muda completamente. A gente cresce, passa por tanta coisa, conhece outras bandas, descobre novos discos, muda de opinião sobre um monte de coisas, mas alguns álbuns continuam ali, intactos em sua importância.

E, de repente, você tem a chance de viver algo que, durante anos, parecia impossível. Foi exatamente isso que senti naquela noite: uma mistura de alegria, nostalgia e gratidão por finalmente ver ao vivo um disco que marcou tanto a minha vida.

Saí do show tentando processar tudo o que tinha vivido, mas algumas experiências não precisam ser explicadas em detalhes. Basta sentir e agradecer por ter estado ali. Mandylion fez parte de quem eu era aos 15 anos e agora também faz parte da memória de uma das noites mais emocionantes que já vivi.

Aquela menina que descobriu o disco jamais imaginaria que, tantos anos depois, estaria ali, cantando e quase chorando ao ouvir aquelas músicas ao vivo. E tenho certeza de que ela ficaria feliz em saber que, mesmo depois de tanto tempo, esse amor continua vivo.


Texto: Michelle F. Santana

Fotos: Jaqueline Souza (Headbangers News) 


Realização: Honorsounds 

Press: Hoffman & O'Brian


The Gathering – setlist

Eléanor

Fear the Sea

In Motion #1

On Most Surfaces (Inuït)

Broken Glass

Waking Hour

Probably Built in the Fifties

Liberty Bell

Analog Park

In Motion #2

Leaves

Sand and Mercury

Strange Machines

Bis

Travel

Third Chance

Saturnine

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Cobertura de Show: Picture – 23/11/2025 – Manifesto Bar/SP

Novembro está sendo um mês de celebrações! Mesmo com cancelamento do Artillery e Atrophy no Burning House no mesmo dia, o metal em São Paulo não parou e trouxe mais uma comemoração de 45 anos - após o Grave Digger na semana anterior no Carioca Club.

Desta vez, o Picture apareceu para comemorar em terras brasileiras a mesma idade de surgimento em uma passagem brilhante por São Paulo, sendo o Manifesto Bar praticamente a segunda casa do quinteto holandês (por onde fez show ano passado, além de gravar um DVD ao vivo em 2019). O público reviveu uma de suas noites mais especiais no domingo, consagrando um dos ícones absolutos do Heavy Metal europeu. 

Subiram ao palco entregando um show intenso, honesto e histórico — um daqueles eventos que lembram por que o metal clássico permanece tão vivo no Brasil. O público fiel ao estilo chegou cedo ao Manifesto Bar. 

A recente expansão da casa, agora com capacidade ampliada e som mais robusto, mostrou seu valor: a combinação de palco novo, iluminação forte e o público enérgico criou o clima ideal para uma noite de pura celebração.

Ao som nas caixas de Kashmir (Led Zeppelin) e sem grandes cerimônias, o PICTURE iniciou o show com a energia de quem nunca saiu da estrada. Com "Griffons Guard the Gold", o impacto foi imediato: guitarras afiadas, bateria firme e a presença marcante de Peter Strykes, que assumiu os vocais com autoridade absoluta. 

Sua voz, firme e melodiosa, mostrou que o frontman  estava muito bem na noite com a casa respondendo à altura! Logo nos primeiros minutos, já era possível perceber que a interação entre banda e público seria um dos pontos altos da noite.

O repertório transitou entre os clássicos que tornaram o PICTURE referência do metal europeu. Hinos antigos como “Eternal Dark”- disco que revelou a banda aos fãs brasileiros, “Lady Lightning” e “Bombers” foram recebidos como velhos amigos: refrões cantados em uníssono, braços erguidos, headbanging constante — o público brasileiro mostrou mais uma vez por que é conhecido como um dos mais apaixonados do mundo. 

Os fãs mais antigos pareciam revitalizados a cada riff familiar, enquanto os mais jovens, muitos deles vendo a banda pela primeira vez, eram carregados pela força desse heavy metal direto, sem truques, sem frescura.

A dupla de guitarristas, Len Ruygrok e Appie de Gelder, foi um espetáculo à parte. Os solos em duetos, as harmonias e os ataques sincronizados trouxeram a sensação de estar assistindo a uma verdadeira aula de metal clássico. Nada de exageros ou virtuosismo gratuito — apenas técnica, pegada e feeling. 

Na retaguarda, os veteranos Rinus Vreugdenhil (baixo) e Laurens Bakker (bateria) seguraram tudo com precisão e peso. Bakker, um dos fundadores da banda, mostrou vigor impressionante, enquanto Rinus entregou linhas sólidas que vibravam pelo chão do Manifesto que em determinado momento do show, desceu do palco foi tocar seu baixo no meio do público. 

O encerramento veio com alguns dos maiores clássicos da banda “Make You Burn” e “No No No”, levando o público ao delírio. Dezenas de vozes se uniram nos refrões, enquanto a banda tocava com a mesma energia do início do show. Quando as luzes finalmente se acenderam, ficou clara a sensação de que todos presenciaram algo único: não apenas um show, mas um marco para fãs de heavy metal tradicional.


Texto: Anderson Bellini 

Fotos: Pri Secco

Edição/Revisão: Gabriel Arruda / Roberto "Bertz"


Realização: Open The Road Agency


Picture – setlist:

Griffons Guard the Gold

Message From Hell

Blown Away

Line of Life

Lousy Lady

Diamond Dreamer

Eternal Dark

You're All Alone

The Blade

Get Back or You Fall

Bombers

Live by the Sword

Power of Evil

Heavy Metal Ears

The Hangman

Unemployed

Nighttiger

Lady Lightning

Encore:

Make You Burn

No No No

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Cobertura de Show: Odin’s Krieger Festival – 01/11/2025 – Carioca Club/SP

Odin’s Krieger Festival mistura humor com medieval em shows de Nanowar of Steel e Heidevolk

O humor italiano e o folk metal viking holandês combinam muito bem, e festival, que também contou com outras apresentações diversas nacionais, valeu a pena presenciar

O Odin’s Krieger Festival já é tradicional! Ano após ano, a festa atrai apreciadores de costumes e da cultura medieval fantástica, além de adeptos da história e mitologia nórdica, celta, e todo tipo de história e fé pagãs. Mesmo sem shows, só o encontro temático dessa ou dessas tribos já seria sensacional, mas com grandes apresentações, tudo fica melhor. Tivemos!

Embora, devo dizer, o público parecesse abaixo do que tivemos em 2024, ainda era respeitável, com mais da metade do Carioca Clube cheio. Bem, era de se esperar, já que as atrações do ano anterior eram mais populares, com Dogma e Wind Rose. Neste ano corrente, tivemos ainda um repeteco: O Heidevolk já havia estado no mesmo festival alguns anos antes.


OAKLORE FAZ TRIBUTO AO FOLK “GEEK”:

Uma aguardada atração nacional era o Oaklore, um grupo de música folclórica que já se tornou conhecido no circuito de eventos “folk”. Talvez uma das coisas mais legais deles, é que você vai se sentir “em casa” quando estiver em seus shows: grande parte de seu repertório é de temas musicais que somos acostumados a ouvir no nosso dia-a-dia (bem, ao menos quem é ligado em videogames, filmes e séries), com canções que vão de Senhor dos Anéis, uma das grandes inspirações da existência do grupo, segundo o que disseram no palco - bem, podemos compreender isso, já que o filme, do qual tocaram temas no show, é uma das maiores obras audiovisuais do gênero. Pessoalmente, fiquei extremamente emocionado ao tocarem um mix de temas de The Witcher 3, que é meu jogo preferido. Tão bem executado foi, que chegou a ser emocionante para fãs da franquia, do personagem Geralt of Rivia, e desse universo fantástico. Excelente apresentação, que serviu perfeitamente como “esquenta” para o que viria.

*Priscila Ramos - @agendametal

Vale frisar que, no meio tempo entre os shows, não há nenhum tipo de tédio! vários stands de lojas dos mais variados produtos, comuns, exóticos, artesanais, que iam de hidromel a velas aromáticas. Tem para todo tipo de público, e isso já vem de ano após ano - sempre ótimas opções, embora muitas vezes pagando um preço bem salgado.

*Priscila Ramos - @agendametal

NANOWAR OF STEEL TRAZ BOM HUMOR, HITS HILÁRIOS, E… VAMPETAÇO!:

Sejamos diretos: você nunca vai rir tanto em um show de rock quanto no do Nanowar of Steel! Conhecido recentemente pelo engraçadíssimo hit Norwegian Reggaeton, que parodia tanto o reggaeton latino, quanto o black metal norueguês, foi a primeira vez que a banda italiana esteve no Brasil, depois de muitos pedidos. Valeu a espera!

Sandra Rosato

A banda entrou com o visual mais bizarramente divertido possível: cada um dos integrantes com uma fantasia mais “zoeira” que a outra, sendo o vocalista Mr. Baffo o ápice, vestido com quase um cosplay de “loli” de animes - só imagine um sujeito barbado fazendo isso, é sensacional! Apesar da zoeira, todos tocam absurdamente bem, e as músicas são executadas exatamente como deveriam.

Sandra Rosato

Alguns momentos completamente absurdos fazem parte da festa. O outro vocalista, Potowotominimak colocou uma máscara do monstro Cthulhu, da obra de HP Lovecraft, durante a canção The Call of Cthulhu, com um telefone em mãos. Entenderam o trocadilho?! Ou o momento incrível quando um sujeito vestido do pássaro “malvado” Cacciatore entrou no palco, na canção Il Cacciatore della Notte. Também tivemos um “wall of love”, uma espécie de wall of death, mas onde todos se abraçam - ainda com Careless Whisper, de George Michael, de fundo, seguido pelo cover do cantor inglês da música de mesmo nome.

Sandra Rosato

Mas provavelmente o momento mais sensacional do magnífico show foi quando alguém atirou uma bandeira com a foto do ex-jogador Vampeta nu, apenas com a foto de Varg Vikernes, do Burzum, tampando suas genitais, em referência ao episódio quando o dito vocalista de black metal falou mal de brasileiros no twitter, e os usuários brasileiros começaram a lhe mandar fotos do ensaio do ex-atleta para a extinta revista G Magazine - ficou conhecido como “Vampetaço”. Eles realmente exibiram aquilo no palco!

Sandra Rosato

Seu grande hit, Norwegian Reggaeton, claro, foi um dos pontos mais altos. Todos sabiam cantar a música! Os sorrisos e risos eram nítidos por todos os cantos. Realmente, eles roubaram a cena, mesmo não sendo a atração principal da noite.

Sandra Rosato

Entre as apresentações, tivemos uma bela apresentação de dança, que serviu muito bem de aquecimento, além de uma batalha esportiva de espadas, o que fez com que não ficasse nada cansativa a espera para o próximo show.

Sandra Rosato

HEIDEVOLK FECHA A NOITE COM BOA APRESENTAÇÃO DE FOLK METAL, MAS OFUSCADA PELA ANTERIOR:

Trocamos o humor pelo verdadeiro folk metal. Diretamente da Holanda, um dos maiores celeiros de bandas bem sucedidas do mundo, o Heidevolk fazia sua segunda participação no Odin’s Krieger Festival. Claro que, pela proposta do evento, de celebrar a cultura medieval e nórdica, seriam a atração principal.

Sandra Rosato

Afiada, a banda veio ao país agora divulgando seu álbum Werderkeer, e não decepcionou. O som que apresentam faz todo o sentido para o evento, e logo de começo já era ovacionada pelo público. Uma coisa bem curiosa é que apesar de fazerem um som mais rápido, onde seria comum o uso de vocais agudos, os holandeses usam dois vocalistas com vozes extremamente parecidas e graves. Por um lado, isso dá um contraste, e deixa com uma certa cara “ritualística”, mas por outro, uma das vozes acaba ficando redundante, já que não há contraste entre ambas. No fim das contas, funciona. Outro ponto interessante é o idioma; não é comum ouvirmos músicas no idioma neerlandês, mas a banda prova que pode, sim, funcionar bem, a depender do estilo.

Sandra Rosato

O setlist foi conservador, mesmo longo. Tivemos, de começo, duas do último disco, como era de se esperar: Hagalaz e Klauwen Voorut. Não demorou para virem clássicos, com Winter Woede, Urth e A Wolf in my Heart. No geral, tudo muito completo, contemplando vários períodos de sua carreira.

Sandra Rosato

Terminamos o show com Vulgaris Magistralis, versão para a banda de rock holandesa Normaal, e a saideira com um grande clássico, Nehalennia, do já distante ano de 2010. 

Sandra Rosato

Ótimo show, com belo som, e um público muito animado, e diversos mosh pits ao longo do show. Apesar do brilho, o fato do Nanowar of Steel ter feito uma apresentação inédita e extremamente divertida, que roubou a cena, ficou parecendo que quem deveria ter sido a atração final eram eles. De toda forma, o conjunto de ambas foi muito bom, e tudo foi muito bem aproveitado. Ambas bandas já têm um lugar no coração dos brasileiros, e podem voltar a qualquer momento, que será uma boa pedida de show!

Sandra Rosato

Texto: Fernando Queiroz

Fotos: Sandra Rosato (*exceto onde indicado)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Okf Produções

Press: Tedesco Comunicação & Mídia


Nanowar of Steel – setlist: 

Sober

The Call of Cthulhu

Pasadena 1994

Wall of Love

Disco Metal

Uranus

HelloWorld.java

Il Cacciatore della Notte

Norwegian Reggaeton

Armpits of Immortals

La Polenta Taragnarok

Vahlallelujah


Heidevolk – setlist:

Hagalaz

Klauwen Vooruit

Winter woede

Urth

A Wolf in My Heart

Schildenmuur

De strijd duurt voort

Het Wilde Heer

Wederkeer

Het bier zal weer vloeien

Het Gelders volkslied

Hulde aan de kastelein

Ostara

Krijgsvolk

Tiwaz

Saksenland

Drink met de Goden (Walhalla)

Drankgelag

Vulgaris magistralis

Nehalennia

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Interview: Blackbriar: "Powerful and Mystical Melodic Metal"



Portuguese Version
There is no surprise how much the Netherlands revealed names of quality and importance to the Metal scene, especially from the late 90s, also revealing a list of female singers who are also among the most important names in the scene, like Anneke Van Giersbergen, Floor Jansen, Simone Simons, Charlotte Wessels and Sharon Den Adel, to name a few, and a newer generation of bands and singers also follows the natural way of things and begin to build their own history.


From Assen, the Blackbriar, band of the singer Zora Cock, is another promising emerging band that are already fighting for their space. Formed in 2012, the band has been working hard, releasing singles and is preparing ground for their first full-length, and Zora tells us a bit more about the band, wich sound she describes as "melodic metal, mystic and powerful." Check out the interview right now :


RtM: To begin with, I would like you to tell us a little about how the band started the activities?
Zora Cock: I met René (Drums) at the music college we both attended and we started a project together. The music we made was fairly dark pop-music, influenced by Kate Bush. A couple of years later, we were at a show where Slash headlined and Halestorm was the support act. Halestorm completely blew our minds and triggered us into making harder music.

Together, we wrote and recorded two songs (I Like The Taste & Creatures of the Night). These first two songs sounded so good to us that we decided to go and look for other band members. Bart was the first we crossed paths with. We had never met him, but knew him from other bands he played in. After the first meeting Bart introduced a friend of his (Rene S.) to the band, to play the bass.

The four of us started rehearsing together, but soon we thought that we needed a second guitar player to make out songs more complete. Although Rene S. played the bass, he really is a guitar player. Rene S. introduced Frank to the band to play the bass, and that’s how our line-up was formed, in February 2012.

RtM: And how would you describe the sound of Blackbriar for people who do not know the band?
ZC: Blackbriar's music is best described as 'Melodic Metal' it’s powerful, mystical  and mostly unique.

RtM: And what are the major musical influences of the band? I see that you bring a lot of inspiration from the pioneers of Gothic Metal bands but also bring something fresh, a modern sound, emotional and intense.
ZC: Kate Bush has been a great source of inspiration to me. Her singing style, lyrics and melody have had a great influence on my writing.

Modern metal bands such as Periphery, In This Moment and Textures have been a great source of inspiration to Blackbriar’s band members. These bands have an incredible sound and their songs are amazing



RtM: You recently released a video for the song “Until Eternity”. Talk to us a little more about this song and thevideo's production?
ZC: First of all, the recording of the audio for this song was a bitch. We rented a studio for a weekend and had a hard time getting it all together. This studio was not operational at all, and we basically had to rebuild it from the ground up. Fortunately, we managed without losing too much sleep.

The script for the video and arranging everything has been hard work, but well worth the effort.

Until Eternity is about a  never ending love between two people, that find each other in every life they live. The song is inspired by Lauren Kate’s book.
Doing this particular video has been a good learning experience which will be useful to us in the future.

RtM: And how you have felt the receptivity of the public to this music and video? 
ZC: From the moment we uploaded the video on YouTube and social media it all went fast. Many people shared the video and by now it has been watched quite a lot. Reactions to the video have been very positive.

RtM: The band is now preparing a full-length? How are the recordings, the album will be produced by the band? And do you already have a release date?
ZC: We are preparing an EP for now. We do have plenty of material to fill a full length album, but we're not satisfied with it as it is yet.  No release date has been set, but we are aiming for early February!

RtM: Do youu want to release the album independently or already have proposal from some label?
ZC: Independently is most likely.

RtM: What about you Zora? Tell us how you began your career in music, your influences and inspirations?
ZC: After secondary school I went to music college for 4 years. I experimented with lots of different styles of music because I didn’t really know what I wanted. At school, I met Rene and we made two albums together. It wasn’t Metal, but they were dark pop songs. Soon after, we started Blackbriar and I finally found what I was looking for.
A couple of my influences are Kate bush, Lana Del Rey, In This Moment, Halestorm, Flyleaf..and I mostly get my inspiration from books, music, or my own experiences.


Zora, thanks for your attention, we hope to talk again soon your EP to be released! I let the final space to you to send a message to the readers!
ZC: Thank you all for your support! Carlos, thank you for doing this interview. Our first EP is in the making so keep an eye on us!

www.facebook.com/blackbriarmusic
https://blackbriarmusic.bandcamp.com/


Zora Cock – Lead Vocals
Bart Winters – Lead Guitar
René Sempel – Rhythm Guitar
Frank Akkerman – Bass
René Boxem – Drums

Watch here "Until Eternity" Video