segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Cobertura de Show: Mayhem – 07/12/2025 – Vip Station/SP

Após três anos de sua última apresentação em São Paulo, o Mayhem desembarcou na Vip Station para uma celebração de quatro décadas de história, controvérsia e pura escuridão sonora. A banda norueguesa, precursora do black metal, voltou ao Brasil para comemorar seu 40º aniversário, e o que ocorreu foi uma viagem ao submundo através de seu vasto e impactante catálogo. Apesar de um atraso de uma hora devido a problemas de voo vindos do Chile, que poderia ter abalado o ânimo de qualquer público, a energia e a expectativa na Vip Station permaneceram inabaláveis, provando que a aura dos noruegueses é capaz de transcender qualquer contratempo.

Com a formação atual composta por Attila Csihar nos vocais, Teloch e Ghul nas guitarras, Necrobutcher no baixo e Hellhammer na bateria, o Mayhem subiu ao palco para entregar uma performance visceral. O set principal mergulhou em diversas fases da banda, começando com a agressividade de “Malum” e “Bad Blood”, que imediatamente acenderam a chama da intensidade. Faixas como “MILAB”, “Psywar” e “Illuminate Eliminate” demonstraram a evolução sonora da banda, mesclando a brutalidade característica com elementos mais complexos, enquanto a execução impecável da formação atual garantia que cada riff e batida atingisse o público com a força de um tridente vindo direto do inferno.

A atmosfera sombria intensificou-se ainda mais com a sequência de clássicos que definiram a trajetória do Mayhem. “Chimera” e “My Death” prepararam o terreno para a avalanche de hinos que viria a seguir. Os fãs responderam com fervor e rodas a cada nota de “Crystalized Pain in Deconstruction”, “View From Nihil” e “Ancient Skin”, evidenciando a profunda conexão do público com a obra da banda. Contudo, foi com “Symbols of Bloodswords”, “Freezing Moon” e a transcendental “Life Eternal” que o show atingiu um pico de imersão, culminando na execução majestosa da faixa-título “De Mysteriis Dom Sathanas”, um verdadeiro pilar do black metal. A inclusão de “Funeral Fog”, com o backing track vocal de Dead, foi um momento arrepiante, uma ponte direta com o passado sombrio e reverenciado da banda.

A chegada do encore veio para coroar esse momento, e foi então que o baixista Necrobutcher, em uma demonstração de pura camaradagem e respeito pela história da banda, dirigiu-se à plateia dizendo que a celebração dos 40 anos não estaria completa sem a presença de Messiah e Manheim. Assim, para delírio dos presentes, os ex-integrantes originais Messiah (vocais) e Manheim (bateria) subiram ao palco, prontos para reescrever um capítulo da história do black metal ao vivo.

O Deathcrush EP foi o foco do encore, e a execução foi nada menos que lendária. A introdução de “Silvester Anfang” criou um prelúdio sombrio e hipnotizante antes que a explosão de “Deathcrush” tomasse conta do ambiente, com Messiah no vocal e Manheim na bateria, transportando a todos para as raízes mais cruas e primitivas do Mayhem. A energia contagiante continuou com “Chainsaw Gutsfuck” e “Necrolust”, nas quais a química entre os membros originais e a intensidade da performance foram inegáveis. O ápice da noite, no entanto, ocorreu com “Pure Fucking Armageddon”, que contou com a participação de Attila Csihar e Messiah nos vocais, com Manheim mantendo a brutalidade implacável. Ver duas eras dos vocais do Mayhem compartilhando o palco foi um momento histórico e eletrizante, uma prova da duradoura e complexa linhagem da banda.

No fim, a impressão geral foi unânime: a apresentação foi uma verdadeira aula de história do black metal. O atraso inicial, rapidamente esquecido, apenas serviu para intensificar a expectativa de uma noite que reuniu lendas e celebrou a arte sombria do Mayhem. A fusão do passado e do presente no palco, com a formação atual e os membros originais, criou um evento que ficará gravado na memória dos fãs como um dos momentos mais significativos da trajetória da banda no Brasil. 

Texto: Marcelo Gomes

Fotos: Roberto Sant'Anna

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Caveira Velha Produções


Mayhem – setlist:

Malum

Bad Blood

MILAB

Psywar

Illuminate Eliminate

Chimera

My Death

Crystalized Pain in Deconstruction

View From Nihil

Ancient Skin

Symbols of Bloodswords

Freezing Moon

Life Eternal

De Mysteriis Dom Sathanas

Funeral Fog

Silvester Anfang 

Deathcrush (com Messiah nos vocais e Manheim na bateria)

Chainsaw Gutsfuck  (com Messiah nos vocais e Manheim na bateria))

Necrolust (com Messiah nos vocais e Manheim na bateria))

Pure Fucking Armageddon (com Messiah e Attila nos vocai;  Manheim na bateria)

domingo, 14 de dezembro de 2025

Cobertura de Show: P.O.D. – 09/12/2025 – Tork N' Roll/CWB

P.O.D. e Demon Hunter lotam o Tork N´Roll em pelo alerta de tempestades em Curitiba

Novamente, o começo de semana foi de comemoração em Curitiba, as bandas estadunidenses P.O.D. e Demon Hunter aquecem os motores dos headbangers em plena terça-feira, dia 09 de dezembro de 2025, com sua turnê conjunta, muito aguardada por aqui. A mesma é apresentada como um encontro de gerações e estilos, sendo o P.O.D., com suas três décadas de estrada e mostrando seu Nu Metal e Rock Alternativo e o excepcional Demon Hunter, contrastando com seu Metalcore e com temáticas Cristãs. Conforme algumas mídias aqui no Brasil, a iniciativa é descrita por produtores e fãs como histórica, devido à combinação de trajetórias longas e estilos complementares.

Apesar de pouco espaço disponível para descrever este encontro, não pela tecnologia, mas sim, em prol da paciência de nossos leitores, vamos tentar ser breve. A casa de eventos escolhida foi o Tork N´Roll, que atualmente reina absoluta na preferência das produtoras de shows, voltados ao Rock e Metal. Tal escolha se fortalece devido a estrutura que o local oferece ao público de todas as idades. Repetindo uma resenha anterior: “o lugar possui toda a estrutura para deixar qualquer público confortável, ar condicionado, camarotes com jogos, muitas mesas, praça de alimentação completa, incluindo estação central de bebidas e uma adega para os amantes do vinho”.

Convém ressaltar, que nesta noite houve a separação de pista normal e pista premium, além do camarote de costume. Mas ao contrário de algumas casas noturnas da capital, a pista premium é pequena e serve mesmo para aqueles que gostam de ficar colado na grade e ver seu artista cara a cara (situação da qual me incluo desde a adolescência), portanto nada que prejudique aqueles que optaram pela pista comum. E convenhamos, a esta altura do ano e a enxurrada de anúncios de shows para 2026, o brasileiro está precisando economizar. Então uma dica básica, caso o orçamento esteja curto, só opte por premium se a banda realmente mora em seu coração. E caso, dinheiro não seja problema, aproveite todos os shows que puder, pois a vida é curta!


Demon Hunter 

Agora vamos ao que interessa, a casa começou a encher no começo da apresentação do Demon Hunter, como foi um dia de semana complicado, não foram todos que venceram o trânsito, até as 19:30 da noite, mas o fluxo de pessoas chegando não parou, e em pouco tempo a frente do palco já estava tomada, tanto premium, quanto a pista normal. Como de costume, os horários são respeitados e a festa já estava rolando no máximo volume lá pelas 19:50! 

Assim que a banda subiu ao palco, já demonstrou força, energia, habilidade e empolgação, e o setlist escolhido não deixava a “vibe” esfriar. O som estava excelente, as luzes mereceriam um pouco mais de atenção, mas não comprometeram o espetáculo. 

A banda formada em 2000, na cidade de Seattle, ainda está em alta, e os vocais e presença de Ryan Clark continuam arrasadores. foi de longe uma das minhas melhores surpresas do ano de 2025, em se tratando de shows ao vivo. A banda possui uma vasta legião de fãs, vestidos com as camisetas do grupo e entoando os refrões para o resto do público. Foi impossível ficar parado! Os destaques vão para a abertura com “Sorrow Light the Way” que já estabelece o tom denso e reflexivo da noite, preparando o terreno para “Heaven Don’t Cry” e “Collapsing”, que aprofundam a atmosfera melancólica sem perder impacto. 

E então, chega a vez de “The Heart of a Graveyard” que mantém a construção emocional anterior, enquanto “I Will Fail You” surge como um dos primeiros pontos de maior conexão com o público, equilibrando peso e melodia de forma envolvente. Aliás, o público ficou concentrado na parte frontal do Tork, deixando para abastecer a garganta após o término da apresentação. 

Por fim, chegamos no meio para o fim, e o show ganha força com “Infected” e “Cut to Fit”, faixas que resgatam o lado mais direto e agressivo da banda, elevando a intensidade da apresentação. Por volta das 20:10 da noite, surgem “Peace” e “Dead Flowers”, esta última, minha favorita, funcionam como momentos de transição, trazendo um respiro emocional e reforçando o caráter introspectivo (não significa que o público tenha ficado mais calmo, longe disso!) que marca a identidade do Demon Hunter ao vivo. Temos ainda, a música “Cold Winter Sun” que traz olhos vidrados do público em direção ao palco. 

O Demon Hunter despediu-se de Curitiba, por volta das 20:30, com as forças poderosas de “The Last One Alive” e “Storm the Gates of Hell” e foram merecidamente ovacionados durante vários minutos por toda a platéia. 

P.O.D.

Após a tradicional pausa, entram ao palco a entidade chamada P.O.D. (Payable on Death), com seu Nu Metal, com pitadas de metal, rap, reggae e hardcore, e com letras que frequentemente abordam temas de fé, esperança e superação. Formada em 1992, na Califórnia, a banda sabe exatamente como conduzir seu público, equilibrando clássicos incontestáveis do auge mainstream, faixas de groove pesado e músicas mais recentes, tudo costurado por uma interação constante e um clima de celebração que atravessa gerações. Inclusive de cinéfilos, visto a quantidade de composições do P.O.D. que foram parar no cinema em grandes produções, mas isto já é assunto para uma segunda resenha.

Ressaltando, a abertura com “Southtown”, que já ficou evidente que o DNA Nu Metal segue intacto. É aquele tipo de música que não precisa de apresentação, o próprio público responde automaticamente, como se fosse um ritual coletivo, uma catarse. Na sequência, “Rock the Party (Off the Hook)” e “Boom” mantiveram a energia lá no alto, com riffs explosivos e uma resposta imediata da plateia, transformando o início do show em um verdadeiro convite ao caos organizado que o P.O.D. sabe criar tão bem. “Set It Off” apareceu como um dos momentos mais agressivos da noite, enquanto “Sleeping Awake” trouxe um peso mais emocional, mostrando que a banda também sabe trabalhar atmosferas mais densas.

Cabe aqui uma curiosidade, apesar da dificuldade de muitos em o reconhecerem, estava presente, no camarote do lado direito do palco, o ex-vocalista da banda Raimundos, Rodolfo Abrantes, que nos anos 90/2000 encantou uma geração de rockeiros. O músico estava prestigiando os shows e em especial do amigo Sonny Sandoval, vocalista do P.O.D.

Voltamos aos momentos que precedem o famoso “início do fim”, o bloco intermediário, que reforçou a versatilidade do grupo. “Drop” funcionou como representante natural da fase mais recente, soando totalmente integrada ao repertório clássico. “I Got That” e “Soundboy Killa” acentuaram o groove e o clima festivo, com o público acompanhando cada movimento. Um dos momentos mais bem recebidos, apesar de já esperada, foi a versão de “Don’t Let Me Down”, dos Beatles, que surpreendeu sem quebrar o fluxo do show, mostrando a liberdade criativa que o P.O.D. se permite atualmente. e sim, tiveram os desavisados e confusos no meio da multidão, o que é normal, visto a mistura de gerações presentes.

Por fim, a banda entregou exatamente aquilo que os fãs esperavam — e mais um pouco. “Murdered Love” e “Lost in Forever” destacaram a maturidade musical do grupo, enquanto “I Won’t Bow Down” reforçou a mensagem de resistência e perseverança, tão presente na trajetória do P.O.D. “Youth of the Nation”, como sempre, ocupou um espaço estratégico no set: um dos momentos mais emocionais da noite, com o público cantando em uníssono, transformando a música em um grande coro coletivo. “Will You” e “Afraid to Die” prepararam o terreno para o desfecho, com “Satellite” resgatando um clássico absoluto e “Alive” encerrando o show no ápice, como o grande hino que atravessou gerações e segue funcionando de forma impecável ao vivo.

Definitivamente, foi uma apresentação marcada por alta energia, discurso positivo e uma conexão genuína com o público. Em Curitiba, o P.O.D. mostrou que não vive apenas de nostalgia: a banda entende seu legado, respeita sua história e, acima de tudo, sabe como transformar isso em uma experiência ao vivo intensa, emocionante e profundamente coletiva. É esse equilíbrio que mantém o grupo relevante, depois de tantos anos de estrada.




Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Estética Torta 

Press: Acesso Music 


Demon Hunter – setlist:

Sorrow Light the Way

Heaven Don't Cry

Collapsing

The Heart of a Graveyard

I Will Fail You

Infected

Cut to Fit

Peace

Dead Flowers

Cold Winter Sun

I'm Done

The Last One Alive

Storm the Gates of Hell

Ryan Clark: vocal principal
Patrick Judge: guitarra e vocais
Jeremiah Scott: guitarra rítmica e backing vocals
Jon Dunn: baixo
Timothy “Yogi” Watts: bateria

P.O.D. – setlist:

Southtown

Rock the Party (Off the Hook)

Boom

Set It Off

Sleeping Awake

Drop

I Got That

Soundboy Killa

Don't Let Me Down (The Beatles cover)

Murdered Love

Lost in Forever

I Won't Bow Down

Youth of the Nation

Will You

Afraid to Die

Satellite

Alive 

Sonny Sandoval: vocal principal
Marcos Curiel: guitarra, programação e backing vocals
Traa Daniels: baixo e backing vocals
Zachary Christopher: bateria (substituindo Wuv Bernardo durante as turnês) 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Jim Peterik & World Stage: Legado, União e Celebração da Música

 

Dentre os vários lançamentos deste final de ano da Frontiers Music, temos este novo volume do projeto de Jim Peterik (Survivor, Pride of Lions), um dos grandes compositores do AOR e Melodic Rock, criador do mega hit "Eye of The Tiger", do qual Jimi nos falou em entrevista um tempo atrás, que não tem problema nenhum em ser reconhecido principalmente por esse hit. Mas Peterik produziu, e segue produzindo, muita música de qualidade, tanto para seus projetos, como para outros artistas do meio.

No World Stage Jim Peterik reúne artistas consagrados em colaborações especiais, "River of Music - The Power of Duets, Vol I" é um álbum que funciona como uma celebração da trajetória do compositor, guitarrista e mentor musical. 

Ele combina a energia do AOR/Hard Melódico com elementos modernos, muitos teclados e arranjos refinados,  explorando a força das conexões humanas através da música, em especial os duetos, que são a tônica deste trabalho.

Sob a produção de outra lenda, Ron Nevison (Kiss, Ozzy, Thin Lizzy, Led Zeppelin, Heart e outros), o álbum soa límpido, tendo precisão no momento em que cada elemento precisa de destaque.

A abertura é emblemática, um encontro de gerações, talvez até uma "passagem de bastão", no dueto de Jim com seu filho Colin na faixa título"River of Music", e a voz mais madura e encorpada de Jim contrasta com a juventude e o timbre mais suave de Colin, criando um equilíbrio interessante. Podemos sentir a energia quase palpável entre pai e filho. 

É um Melodic Rock de melodias suaves e emocionais, que inicia cadenciado e vai ganhando em emoção, destacando o referido dueto, e a letra que fala sobre essas conexões e vivência com a música: "Drink from The River, Drink from the River of Music", como diz em um trecho, reflete muito bem o sentimento da canção.

Colin Peterik 

O encontro se repete também em mais dois momentos, "Slow Lightning", com seu embalo suave e melodias assoviáveis. 

Novamente o timbre suave de Colin contrasta com a voz madura de Jim, entre arranjos de teclado e metais e instrumental de bom gosto impecáveis; em "Everything you Need", a dupla fecha o álbum, com uma balada emocional, com leves arranjos orquestras e belos teclados.

Dentre as três, destaco "Slow Lightning" entre os momentos de destaque do álbum. Outra que se destaca entre as demais é a versão para a balada do Survivor "In Good Faith", onde temos o dueto entre o alcance e timbre poderoso de Toby Hitchcock (Pride of Lions), com a também poderosa e bela voz de Kaity Heart, um dos nomes em ascensão do estilo. 

Peterik, Kaity Heart e Ron Nevison 

Mais um dos momentos que brilham mais intensos, é o encontro de Peterik com Kevin Cronin, do REO Speedwagon, na emocionante "Between Two Fires", com um refrão marcante e arranjos de bom gosto, que por vezes flertam de leve com o country;  e com Jason Scheff (ex-Chicago), Peterik mostra que sua veia de criador de hits segue aflorada, na "radiofônica" "The Cadence of Things" e seus teclados 80's.

Outros duetos incluem a radiante “Double Rainbow” com Cathy Richardson, do Jefferson Starship, a comovente “Waiting for You”, interpretada por Dave Mikulskis e Bree Gordon. 

E claro, o álbum conta com um elenco estelar de músicos, incluindo os bateristas Denny Fongheiser e Ed Breckenfeld, os baixistas Tony Franklin e Bob Lizik, os guitarristas Phil X e Mike Aquino e os tecladistas Kim Bullard e Kim Peterik.


O rio da música segue fluindo, e Jim Peterik entrega um álbum que agradará os seus fãs e os admiradores de AOR e Melodic Rock feito com propriedade, feeling e produção magistral.

Texto: Caco Garcia 
Fotos: Divulgação 

Artista: Jim Peterik & World Stage 
Álbum: "River of Music - The Power of  Duets, Vol I"
Estilo: Melodic Rock/AOR
Selo: Frontiers Music 

Tracklist:
1. River of Music: Jim Peterik e Colin Peterik
2. Waiting For You: Dave Mikulskis e Bree Gordon
3. The Cadence of Things: Jim Peterik e Jason Scheff
4. Soul of My Being: Toby Hitchcock e Bree Gordon
5. Between Two Fires: Jim Peterik e Kevin Cronin
6. Double Rainbow: Jim Peterik e Cathy Richardson
7. Slow Lightning: Jim Peterik e Colin Peterik
8. In Good Faith: Toby Hitchcock e Kaity Heart
9. I’m a Survivor: Jim Peterik e Kaity Heart
10. Everything You Need: Colin Peterik e Jim Peterik








Jimi Jamison: O Legado de Jimi Jamison em Live Hits (1998)

Frontiers Records (Imp.)

Por Paula Butter

O lançamento previsto para 12 de dezembro pela Frontiers chega como um presente de fim de ano. É daqueles discos que fazem a gente revisitar clássicos, trazer memórias à tona, sorrir, chorar e sentir uma coleção inteira de emoções em pouco mais de uma hora de música. Nada mais apropriado para o clima das festas natalinas, quando o coração costuma ficar mais vulnerável e receptivo a reencontros, inclusive musicais. Além, claro, de continuar a honrar o legado do grande Jimi Jamison.

Logo ao apertar o play, já vem aquele tremor familiar. A primeira faixa, “Burning Heart”, dispensa apresentações. Qualquer cinéfilo reconhece os primeiros segundos, graças ao impacto eterno de Rocky IV. É impossível não ser transportado para uma época em que a música carregava o mesmo peso emocional do filme. Um começo arrebatador, que prepara o fôlego para o que vem em seguida.

“High On You” aparece logo depois, trazendo o ápice do mainstream de Jimi Jamison com o Survivor. Um clássico instantâneo desde 1984, desses que todo mundo conhece, mesmo quem insiste em negar. Um verdadeiro sucesso de festa, seja no churrasco da firma ou na reunião da família headbanger tradicional. Lágrimas garantidas.

Já a belíssima “Rebel Son” surge como convite à introspecção, quase como se o disco organizasse a própria respiração emocional do ouvinte. E então chegamos a “I’m Always Here”, momento obrigatório de nostalgia pura. Não há como evitar lembrar a icônica cena de Baywatch: a figura correndo pela praia, câmera lenta, traje vermelho. Alguns torcem o nariz, mas a verdade é que todo mundo conhece, e todo mundo sente alguma coisa. Popularidade nem sempre é sinônimo de futilidade, é apenas o reflexo de uma obra que marcou uma geração inteira.

Na sequência, entram faixas que representam bem a estética melódica do Survivor na década de 1980, como “I See You In Everyone”. Em seguida, Jamison mostra sua versatilidade em números como “Rock Hard”, trazendo aquela energia direta e contagiante que caracterizou sua carreira solo. “Oceans”, por sua vez, vem como uma pérola escondida: instrumentação impecável, riffs e solos na medida, vocais precisos, tudo funcionando em harmonia. Ao vivo, a música ganha ainda mais força e merece fácil ser ouvida duas vezes seguidas.

A essa altura, o disco engrena em emoções mais densas. “The Search Is Over”, um dos grandes sucessos do Survivor, cumpre seu propósito e arrasa os corações mais sensíveis, com a profundidade e o sincronismo que só Jamison conseguia entregar. Logo depois vem “Is This Love”, que foge do óbvio ao equilibrar ritmo e emoção sem escorregar no piegas, outro momento de brilho para Jamison.

“I Can’t Hold Back” reforça a força vocal do artista, lembrando porque essa fase da banda conseguiu marcar o AOR/melodic rock de maneira tão firme. Em seguida, a escolha de incluir “Riders On The Storm”, clássico dos Doors, mostra ousadia. Jamison transforma a faixa em algo íntimo, quase narrativo, adicionando novas camadas à obra sem jamais desrespeitar o original.

“Too Hot To Sleep” aparece como aquele encontro inesperado no meio dos grandes hits — a música que, quase sem querer, nos toca de maneira pessoal. Entre tantas performances emblemáticas, ela acabou se tornando minha favorita deste lançamento. É bonito quando um disco com tantos clássicos ainda consegue surpreender.

E, claro, o encerramento não poderia ser outro: “Eye Of The Tiger”. Um clássico atemporal, reconhecido por todas as gerações, que já ultrapassou a condição de música e se tornou símbolo cultural. Encerrar com essa faixa é fechar o ciclo com chave de ouro, argumento comum? Sim, mas não há outra definição possível. É a síntese da história de Jamison, da força do Survivor e do impacto que o rock dos anos 80 teve, e continua tendo, na vida de tanta gente.

Este álbum ao vivo de 1998, agora relançado, é mais do que uma coletânea de sucessos: é uma viagem afetiva. Uma celebração da voz inesquecível de Jimi Jamison, um lembrete do poder que a música tem de nos reconectar com quem fomos, e pode nos ajudar a repensarmos os passos futuros.

“1998 Live Hits' Track List:

1. Burning Heart

2. High On You

3. Rebel Son

4. I'm Always Here

5. I See You In Everyone

6. Rock Hard

7. Oceans

8. The Search Is Over

9. Is This Love

10. I Can't Hold Back

11. Riders On The Storm

12. Too Hot To Sleep

13. Eye Of The Tiger


quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

De Volta a Hollywood: Graham Bonnet Reescreve Sua História ao Vivo

Frontiers Records (Imp.)

Por Paula Butter

O novo álbum ao vivo “Lost In Hollywood Again”, registrado no lendário Whisky a Go Go, apresenta Graham Bonnet em plena forma. A obra não só resgata momentos essenciais de uma carreira que atravessa décadas, como também reafirma o vigor musical de uma banda entrosada e segura de seu propósito. Faixa a faixa, o disco revela um percurso emocional, técnico e histórico que faz justiça ao legado de Bonnet e suas passagens por grupos icônicos como Rainbow, Alcatrazz e Michael Schenker Group.

A abertura com “Eyes Of The World”, clássico do Rainbow, é grandiosa e irresistível. A gravação capta a atmosfera imponente da versão original, preparando o ouvinte para um espetáculo que honra a história da banda sem soar datado. É um início que cria expectativa e, de maneira justa, anuncia algo maior.

Na sequência, “All Night Long” explode em energia. As guitarras permanecem inconfundíveis e o vocal de Bonnet encontra seu auge ao vivo, entregando uma performance que pode fazer qualquer um levantar do sofá. É um clássico absoluto que reafirma a força dessa fase da carreira do vocalista.

Ainda na fase Rainbow, temos “Love 's No Friend” que mantém a linha pesada, com riffs firmes e um refrão reforçado por backing vocals sólidos. A cozinha funciona de maneira coesa e entrega uma terceira faixa lapidada, reforçando que o repertório deles continua sendo uma jóia quando interpretado por quem lhe deu vida originalmente.

Seguimos para a quarta faixa, “Making Love”, que surge como um momento mais melódico. A composição transita entre o Hard Rock e nuances de Groove, intercalando vocais e ótimos solos de guitarra. Ao vivo, a música ganha ainda mais corpo, revelando-se um acerto na construção dinâmica do espetáculo.

E então vem ela: “Since You’ve Been Gone”, a queridinha do público. A música carrega memórias e nostálgias que atravessam gerações, e a banda entrega tudo com precisão. É impossível não ser transportado para outro tempo e deixar as preocupações em pausa por alguns minutos.

O interlúdio “Keys Solo” é uma das surpresas mais agradáveis do álbum. Entre guitarras pesadas e conversas com o público, os sintetizadores criam uma viagem instrumental que merece ser ouvida com atenção. Inclusive, pular essa faixa seria um pecado. É técnica, atmosfera e brilhantismo puro.

Entretanto, chegam os respiros, com “Lazy” traz um Rock N’ Blues despretensioso, perfeito para o clima ao vivo, enquanto “Imposter” muda o ritmo e injeta uma estética oitentista, pesada, com Bonnet demonstrando vocais ainda muito potentes. Já “S.O.S.” aposta em pianos e elementos de rock clássico, sem revelar grandes surpresas, mas cumprindo bem seu papel no fluxo do show.

Convém falar em “Desert Song”, onde o álbum segue sua linha estética, mantendo coerência sem se desviar do tom Hard Rock que domina o repertório. Na sequência, o tradicional “Drums Solo”, que prepara terreno para o retorno explosivo com “Night Games”, grande sucesso da carreira solo de Bonnet nos anos 1980. É outro ponto de destaque, merecendo figurar mais uma vez no hall dos clássicos do vocalista.

Na reta final, “Into the Night” e “Assault Attack” reforçam a proposta da performance ao vivo com faixas menos conhecidas do grande público, mas que agregam peso e constância ao repertório. 

O penúltimo grande momento chega com “Too Young To Die, Too Drunk To Live”, clássico da era Alcatrazz. É, sem dúvida, um dos ápices do show — já anunciado pelo próprio Bonnet — e conduz o público a uma celebração da fase oitenta do artista.

Por fim, a obra se encerra com “Lost In Hollywood”, mais um marco do Down to Earth. Aqui, Bonnet revisita seu próprio passado com honra e perfeição. A execução ao vivo preserva o espírito original criado por Ritchie Blackmore, Roger Glover e Cozy Powell, encerrando o álbum com a dignidade que os clássicos merecem.

“Lost In Hollywood Again” é mais que um álbum ao vivo, pode ser considerado um documento histórico. Graham Bonnet revisita seus sucessos com autoridade, acompanhado por uma banda afiada e um público entusiasmado. O disco celebra a trajetória de um dos vocalistas mais singulares do Hard Rock, mantendo viva não apenas a memória de seus clássicos, mas também sua relevância contemporânea. 

Mais um presente de Natal, daqueles que não tem erro, com lançamento para o dia 12 de dezembro de 2025.

“Lost In Hollywood Again” Tracklist:

1.    Eyes Of The World    

2.    All Night Long    

3.    Love's No Friend    

4.    Making Love    

5.    Since You'Ve Been Gone    

6.    Keys solo    

7.    Lazy    

8.    Imposter    

9.    S.O.S.    

10.    Desert Song    

11.    Drums solo    

12.    Night Games    

13.    Into The Night    

14.    Assault Attack    

15.    Too Young To Die, Too Drunk To Live    

16.    Lost In Hollywood


Line Up:

Graham Bonnet – Vocals

Conrado Pesinato – Guitars

Beth-Ami Heavenstone – Bass

Alessandro Bertoni – Keyboards

Francis Cassol – Drums


Rob Moratti: “Sovereign” Eleva a Fase Madura de Rob Moratti no AOR Contemporâneo

Frontiers Records (Imp.)

Por Paula Butter

Com longa trajetória no Hard Rock Melódico e com uma pitada de Progressivo, Rob Moratti retorna em 2025 com “Sovereign”, um álbum que consolida sua maturidade artística e reafirma aquilo que sempre o destacou: a capacidade de unir técnica, emoção e melodias cuidadosamente construídas. O disco apresenta produção impecavelmente limpa, instrumentação precisa e um cuidado evidente com as atmosferas que guiam o ouvinte do início ao fim.

Começamos a audição na ordem das faixas, com “Don’t Give Up On Love” que estabelece de imediato o tom do álbum. É uma canção forte, de riffs marcantes, melodia ascendente e senso de energia muito bem conduzido, sendo uma das mais eficazes portas de entrada para o universo de Sovereign.

Na sequência, “Can’t Let You Go” que puxa a sonoridade para um território mais leve, com claras referências oitentistas e uma estética pop rock que suaviza o impacto inicial, garantindo contraste sem quebrar a fluidez do disco.

Agora, uma pausa para falar de “Every Word” que surge como uma das primeiras grandes demonstrações de profundidade. Inicia tranquila, quase insinuante, e evolui organicamente até ganhar força com a entrada das guitarras. É um dos momentos em que Moratti melhor equilibra emoção e técnica, criando uma faixa memorável. Considero meu destaque do álbum.

Por outro lado, “Waiting”, assume abertamente uma vibe mais pop, apostando na leveza e na acessibilidade. A construção é bem resolvida e agradável, mesmo que mais suave do que o núcleo da obra.

Somente então, quando Sovereign parece se estabilizar em uma zona melódica mais delicada, “Locked Down” devolve o peso à obra. Com solos marcantes, riffs encorpados e vocais em excelente forma, é a faixa mais vigorosa do disco e também um dos seus pontos altos.

A seguir, “Two Hearts” entra com uma dinâmica equilibrada, mantendo a coesão do álbum e oferecendo um meio-termo interessante entre melodia e movimento. É uma faixa sólida, sem excessos, que sustenta a estrutura do conjunto. Também torna-se impossível não perceber na introdução desta música um lembrete ao filme “The Breakfast Club” (Clube dos Cinco) produção estadunidense do gênero dramédia lançado em 1985. 

A releitura de “In The Air Tonight” é uma das surpresas positivas do álbum. Inclusive, tive que ouvir algumas vezes, para ter certeza das minhas opiniões, Moratti respeita a atmosfera crescente da obra original de Phil Collins, permitindo que teclados e baixo conduzam a tensão até que os momentos finais explodam em intensidade. É uma interpretação competente, que se destaca pela sensibilidade na construção.

“I’ll Never Break Your Heart” adiciona o trecho mais emotivo da parte final, simples, direta, honesta e centrada na entrega vocal.

Por fim, “The Calling” e “Angel” reforçam o caráter melódico tradicional que permeia a obra. São faixas consistentes, com execução impecável, ainda que menos ousadas. “Angel”, especialmente, cumpre bem o papel de balada emocional, com delicadeza e clareza interpretativa.

O álbum encerra com “This Is Forever”, que aposta na grandiosidade e funciona como síntese da proposta de Sovereign: melodia, sensibilidade e produção refinada.

No conjunto, “Sovereign” é um álbum tecnicamente seguro e emocionalmente comprometido com a estética que define Rob Moratti. Não é um trabalho que busca reinventar o estilo, e tampouco acredito que pretenda ser. Inclusive, sua força reside na precisão, na elegância e na coesão, sem motivos para “reinventar a roda”.

Em conclusão, para fãs do Rock progressivo, nostálgico e cheio de melodia, é um lançamento consistente, bem produzido e capaz de entregar momentos verdadeiramente marcantes. Entretanto, para quem procura ruptura, talvez esteja mais para uma obra conservadora. Ainda assim, dentro de sua proposta, Moratti reafirma porque segue sendo um nome respeitado no cenário mundial do gênero.

“Sovereign” Tracklist:

1.    Don't Give Up On Love    

2.    Can't Let You Go    

3.    Every Word    

4.    Waiting    

5.    Locked Down    

6.    Two Hearts    

7.    In The Air Tonight    

8.    I'll Never Break Your Heart    

9.    The Calling    

10.    Angel    

11.    This Is Forever


Line Up:

Rob Moratti - vocals

Joel Hoekstra - lead guitar

Tony Franklin - bass

Felix Borg - drums 

Fredrik Bergh - keyboards

Pete Alpenborg - rhythm guitar and keyboards