1. Olá, Marcos. Obrigado pela sua gentileza em nos atender. Parabéns pelo lançamento do álbum “Gate of Gaiabeta”, pois o material ficou de primeira…
Marcos: Eu que agradeço. Sempre um prazer falar com vocês.
2. Como você pode descrever o trabalho na composição desse tipo de sonoridade?
Marcos: Ah, foi suave (risos). Primeiro porque eu componho e escrevo com relativa facilidade. Segundo porque as coisas que eu faço estão dentro do meu conhecimento musical. Não tento fazer coisas complexas que eu não domino, porque sei que, no final, acabam saindo esdrúxulas.
Finalmente, correu tudo tranquilo porque, enquanto rolavam as famosas, inevitáveis e irritantes trocas de integrantes, eu ia compondo. Não houve também as famosas discussões sobre como tem que ser isso ou aquilo. Então, o que se ouve em Gate of GaiaBeta é um som honesto, feito com muita alma.
Sobre a sonoridade, minhas canções são uma celebração aos artistas que me influenciaram. Eu apenas fiz um mix com elementos que, na minha visão, deixariam as canções com uma sonoridade melhor e mais moderna. Um review feito na Polônia disse: “Eu sempre quis saber como seria o som do Maiden com dois bumbos”. Eu também (risos). Ele realmente captou a ideia.
Você percebe que, em uma mesma canção, há elementos com influências do Sabbath e do Helloween, por exemplo. Quando achei o pessoal certo, o álbum já estava bem adiantado. Aí tudo ficou mais fácil.
3. Eu escutei o material diversas vezes e só após várias tentativas consegui captar parte das suas ideias. Os fãs têm sentido esse tipo de dificuldade também?
Marcos: Muitas pessoas falam que gostaram do álbum justamente porque ele não é monótono. Modéstia à parte, eu também acho isso. Cada canção é um passeio sonoro diferente. Alguns acham interessante ouvir o “Maiden com dois bumbos”, e outros dizem que é bom ouvir uma banda de Power Metal com passagens cadenciadas à la Sabbath.
Em geral, parece que o público tem gostado bastante da sonoridade.
4. Existem planos para o lançamento de “Gate of Gaiabeta” no Brasil, no formato físico?
Marcos: A Pitch Black nos enviou uma quantidade significativa lá da gringa. É um álbum de luxo, muito bacana, mas estamos abertos a lançar o material por algum selo aqui do Brasil. Acho que os custos seriam mais acessíveis.
5. Trabalhar com letras em inglês pode atrapalhar a banda no mercado nacional?
Marcos: Com certeza não. O público do mundo todo já está perfeitamente adaptado ao “casamento” do som do Heavy Metal com a língua inglesa, e no Brasil isso não é diferente.
Percebo que o ouvinte brasileiro está se adaptando bem ao metal cantado em português, mas com o inglês não há problema algum.
6. Como estão rolando os shows em suporte ao disco? A aceitação tem sido positiva?
Marcos: 2025 foi o ano mais produtivo para o GaiaBeta em termos de shows, e a aceitação do álbum está incrível. Até em eventos onde há público de metal extremo, a galera tem demonstrado respeito, porque percebe a seriedade do trabalho.
7. Quem assinou a capa do CD e qual a intenção por trás da arte?
Marcos: A belíssima e misteriosa capa foi obra do talentoso artista cearense Renato Ferreira. O nome da banda foi algo pensado.
Creio que os modelos religiosos, políticos, econômicos e sociais estão falidos, e é preciso criar novos modelos para garantir a sobrevivência da humanidade. Então o GaiaBeta (Gaia = Terra + Beta = segunda letra do alfabeto grego, simbolizando algo novo) representa um novo estado de espírito, uma nova forma de enxergar as coisas — talvez até um novo planeta.
O portal que conduz a esse “lugar” místico e o indígena como guardião são formas de valorizar nossa cultura e dar um descanso para os vikings e dragões (risos).
8. O álbum foi totalmente produzido pela banda. Foi satisfatório seguir por esse caminho?
Marcos: Sim. Orgulhosamente digo que eu e Kitaro produzimos tudo. Economizamos uma boa grana e, ao mesmo tempo, aprendemos muito.
Esse álbum prova que a atitude nascida do movimento punk nos anos 1970 — o “do it yourself” — é totalmente viável. Colocamos um álbum no mundo com qualidade sonora suficiente para agradar até os ouvintes mais exigentes.
9. Já existem novas composições em andamento?
Marcos: Eu não paro de compor. É uma espécie de compulsão (risos). Já tenho quatro canções esperando finalização, mas não temos pressa em lançar um novo álbum.
Primeiro queremos divulgar Gate of GaiaBeta ao vivo pelo país e também fora dele. Temos três anos de contrato, então a ideia é rodar bastante, aprender mais e fazer um segundo álbum ainda melhor.
10. Para encerrar: parabéns pelo trabalho e vida longa ao GaiaBeta.
Marcos: Agradeço, em nome de toda a banda, pela oportunidade e pelo espaço nesse meio de comunicação tão gigante.
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