Por Flavio Borges
Lançado originalmente em 2017, Incendiary representou a única investida do projeto sueco Code Red, capitaneado pelo vocalista e compositor Ulrick Lönnqvist (Sahara) e pelo guitarrista Morgan Jensen (Swedish Erotica). Embora tenha passado relativamente despercebido pelo grande público em seu lançamento, o álbum conquistou gradualmente status cult entre os apreciadores de AOR e melodic rock, tornando-se uma peça cada vez mais valorizada por colecionadores e fãs do gênero.
Agora, quase uma década depois, o disco retorna ao mercado através da Pride & Joy Music Classixx em uma edição remasterizada por Jimmy Gunnarsson, acompanhada de faixas bônus inéditas. Mais do que uma simples reedição, trata-se do resgate de uma obra que merece ser redescoberta por uma nova geração de ouvintes e revisitada por aqueles que acompanharam a excelente safra escandinava de AOR surgida na década passada.
Produzido originalmente por Daniel Flores, nome conhecido por trabalhos com Find Me, Hydra e diversos projetos ligados à cena melódica europeia, Incendiary sintetiza com precisão aquilo que tornou a Suécia uma potência do gênero: melodias refinadas, refrães memoráveis, arranjos vocais elaborados e uma produção moderna capaz de soar grandiosa sem sacrificar a identidade orgânica das composições.
O que diferencia o Code Red de inúmeros projetos semelhantes é justamente sua capacidade de equilibrar o refinamento melódico do AOR clássico com uma dose considerável de peso herdada do hard rock. Enquanto muitos lançamentos contemporâneos do gênero apostam excessivamente em polimento e suavidade, Incendiary preserva uma energia mais robusta, aproximando-se ocasionalmente de nomes como Survivor, Giant e até momentos mais acessíveis do Europe e do Whitesnake dos anos 1980.
A abertura com “I Won’t Be Your Hero” estabelece imediatamente essa proposta. As guitarras surgem mais agressivas do que o esperado para um álbum de AOR tradicional, mas logo cedem espaço a um refrão extremamente cativante, sustentado por harmonias vocais impecáveis. É uma introdução que resume perfeitamente a identidade do projeto.
Na sequência, “Heat Of The Night” reforça o lado mais clássico da banda, combinando uma construção melódica sofisticada com um refrão cinematográfico que evidencia a excelente performance vocal de Lönnqvist. Já “Lift Me Up” amplia o leque sonoro ao incorporar discretos elementos pop e texturas que adicionam profundidade sem comprometer a essência melódica do trabalho.
“My Hollywood Ending” mergulha de cabeça na estética dourada do AOR oitentista. Seus timbres, andamento e estrutura remetem diretamente aos anos de ouro do gênero, mas a produção evita qualquer sensação de mero exercício nostálgico. O mesmo pode ser dito de “Saving Grace”, uma das composições mais completas do álbum, cujo refrão poderoso e solo inspirado demonstram o elevado nível dos músicos envolvidos.
Se existe uma característica constante ao longo de Incendiary, é a capacidade de transformar fórmulas conhecidas em canções genuinamente envolventes. “Eternal Pretender” e “Forever And A Day” exemplificam isso com perfeição, apresentando refrães de assimilação imediata sem recorrer a clichês excessivos. Há um senso de equilíbrio admirável entre acessibilidade comercial e credibilidade artística.
Momentos mais introspectivos também encontram espaço. “Like I Remember You” e “Returning The Flame” exploram nuances emocionais mais profundas, apostando em arranjos elegantes e interpretações vocais carregadas de sentimento. Em especial, “Returning The Flame” destaca-se como uma das faixas mais maduras do repertório, beneficiada por um dos solos mais inspirados de todo o álbum.
“Are You Leaving Now”, que encerra a versão original, funciona quase como uma declaração definitiva da proposta artística do Code Red. Todos os elementos que definem o projeto estão presentes: melodias marcantes, refrões grandiosos, guitarras expressivas e uma produção exemplar.
As faixas adicionais justificam plenamente sua inclusão nesta nova edição. “Into The Fire” apresenta uma abordagem ligeiramente mais pesada e contemporânea, refletindo a evolução natural da sonoridade associada a Lönnqvist, enquanto “Some Of Us” preserva intacto o DNA melódico que tornou o álbum tão especial. A inclusão da demo de “Saving Grace” completa o pacote ao oferecer uma interessante perspectiva sobre o processo criativo da banda.
O maior mérito de Incendiary talvez seja sua impressionante consistência. Em uma época em que muitos projetos de AOR dependem excessivamente de produção luxuosa para mascarar composições medianas, o Code Red entrega exatamente o contrário: um conjunto de canções fortes que continua soando relevante mesmo anos após seu lançamento original.
Não é exagero afirmar que Incendiary figura entre os trabalhos mais subestimados do AOR escandinavo moderno. O fato de ter sido o único álbum lançado pelo Code Red apenas reforça o caráter especial desta obra. Poucos projetos conseguem deixar uma marca tão duradoura com apenas um registro de estúdio. Quase dez anos depois, este relançamento confirma aquilo que muitos fãs já sabiam: Incendiary permanece como uma das joias escondidas do melodic rock europeu da última década.
***ENGLISH VERSION***
Originally released in 2017, Incendiary marked the sole venture of Swedish project Code Red, spearheaded by vocalist and songwriter Ulrick Lönnqvist (Sahara) alongside guitarist Morgan Jensen (Swedish Erotica). Although it largely flew under the radar upon release, the album gradually achieved cult status among AOR and melodic rock enthusiasts, becoming an increasingly sought-after gem for collectors and fans of the genre.
Now, nearly a decade later, the album returns through Pride & Joy Music Classixx in a remastered edition by Jimmy Gunnarsson, accompanied by previously unreleased bonus tracks. More than a simple reissue, this release serves as the rediscovery of a record that deserves to be embraced by a new generation of listeners while being revisited by those who followed the remarkable Scandinavian AOR boom of the last decade.
Originally produced by Daniel Flores—best known for his work with Find Me, Hydra, and numerous melodic rock projects—Incendiary perfectly encapsulates the qualities that established Sweden as a powerhouse of the genre: refined melodies, memorable choruses, sophisticated vocal arrangements, and a modern production capable of sounding grandiose without sacrificing the organic character of the songs.
What truly sets Code Red apart from many of its contemporaries is its ability to balance the elegance of classic AOR with a substantial dose of hard rock muscle. While many modern melodic rock releases lean heavily on polished production and smooth textures, Incendiary retains a tougher edge, occasionally recalling the spirit of Survivor, Giant, and even the more accessible moments of Europe and Whitesnake during their 1980s heyday.
Opening track “I Won’t Be Your Hero” immediately establishes this formula. The guitars arrive with far more aggression than one might expect from a traditional AOR album, before giving way to an irresistibly catchy chorus supported by immaculate vocal harmonies. It is an introduction that perfectly defines the project’s identity.
“Heat Of The Night” follows by reinforcing the band’s more classic side, combining sophisticated melodic craftsmanship with a cinematic chorus that highlights Lönnqvist’s impressive vocal performance. Meanwhile, “Lift Me Up” broadens the album’s sonic palette through subtle pop influences and atmospheric textures that add depth without compromising its melodic foundation.
“My Hollywood Ending” dives headfirst into the golden age of 1980s AOR. Its tones, pacing, and overall structure evoke the genre’s most celebrated era, yet the production prevents it from feeling like a mere nostalgic exercise. The same can be said for “Saving Grace,” one of the album’s strongest compositions, whose soaring chorus and inspired guitar work showcase the exceptional level of musicianship involved.
If there is one defining characteristic throughout Incendiary, it is the band’s ability to transform familiar formulas into genuinely compelling songs. “Eternal Pretender” and “Forever And A Day” are prime examples, delivering instantly memorable choruses without relying on excessive clichés. There is a remarkable balance between commercial accessibility and artistic credibility running throughout the album.
The more introspective moments are equally effective. “Like I Remember You” and “Returning The Flame” explore deeper emotional territory through elegant arrangements and heartfelt vocal performances. In particular, “Returning The Flame” stands out as one of the album’s most mature compositions, elevated by arguably its finest guitar solo.
Closing the original album, “Are You Leaving Now” functions almost as a mission statement for Code Red. Every defining element of the project is present: memorable melodies, anthemic choruses, expressive guitar work, and exemplary production values.
The bonus material fully justifies its inclusion in this reissue. “Into The Fire” presents a slightly heavier and more contemporary approach, reflecting a natural evolution of the sound associated with Lönnqvist, while “Some Of Us” preserves the melodic DNA that made the original album so appealing. The inclusion of the demo version of “Saving Grace” provides an intriguing glimpse into the band’s creative process and rounds out the package nicely.
Perhaps Incendiary’s greatest strength is its remarkable consistency. In an era where many AOR projects rely on lavish production to compensate for mediocre songwriting, Code Red delivers the opposite: a collection of genuinely strong songs that remain engaging and relevant years after their original release.
It is no exaggeration to say that Incendiary ranks among the most overlooked gems of modern Scandinavian AOR. The fact that it remains Code Red’s only studio album only enhances its mystique. Few projects manage to leave such a lasting impression with a single release. Nearly ten years later, this reissue confirms what devoted fans have known all along: Incendiary remains one of the hidden treasures of European melodic rock from the past decade.
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| Anders Fästader |


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