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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Cobertura de Show: Anette Olzon – 26/09/2026 – Teatro APCD/SP

Exatamente um ano depois do incrível show realizado na VIP Station, em São Paulo, a ex-vocalista do Nightwish, Anette Olzon, retornou à cidade para uma apresentação que, desde o primeiro momento, prometia ser diferente. Se em 2025 ela havia conquistado o público brasileiro com um show energético, pesado e marcado pela proximidade com os fãs, desta vez a proposta era ainda mais ambiciosa: revisitar grandes clássicos de sua passagem pelo Nightwish acompanhada por banda, coral e uma orquestra sinfônica.

O local escolhido foi o confortável Teatro APCD, na zona norte de São Paulo, e a escolha não poderia ter sido mais acertada. Afinal, aquela não seria uma noite para simplesmente reproduzir um show tradicional de metal. Seria uma experiência essencialmente sinfônica, e o ambiente de teatro, com o público acomodado em suas poltronas, criou o cenário perfeito para que os arranjos ganhassem espaço e fossem apreciados em todos os seus detalhes. Talvez a mesma apresentação não tivesse o mesmo impacto em uma casa de shows convencional.

Antes de Anette, quem teve a missão de aquecer a plateia foi a banda curitibana Magistry, que, curiosamente, também havia realizado a abertura do show da cantora em São Paulo no ano anterior. A diferença é que, desta vez, o grupo estava diante de uma plateia de teatro e fazendo parte de uma noite de proporções muito maiores.

Formado por Lya Seffrin nos vocais, Leonardo Arentz e João Borth nas guitarras, Thiago Parpinelli nos teclados, Leonardo Rivabem no baixo e Johan Wodzynski na bateria, o Magistry entregou uma apresentação bastante consistente e mostrou que a escolha para a abertura não havia sido por acaso.

O grande destaque ficou por conta da carismática Lya Seffrin. Em diversos momentos empunhando um grande leque, a vocalista acrescentou um interessante elemento teatral à apresentação, alternando delicadeza, emoção e potência vocal. O guitarrista Leonardo Arentz também demonstrou bastante simpatia e se comunicou diversas vezes com o público, criando uma conexão muito natural com a plateia.

O repertório passou por músicas dos trabalhos mais recentes da banda e ainda trouxe uma faixa inédita, apresentada pela primeira vez ao vivo. Mas o momento mais especial veio quando os músicos diminuíram a intensidade e prepararam uma pequena apresentação acústica. Thiago Parpinelli assumiu a harpa e criou um momento intimista que, de certa forma, já preparava o público para a atmosfera que dominaria o restante da noite. Uma abertura muito bem escolhida para o espetáculo que estava por vir.

Quando os músicos da Camerata Filarmônica de Indaiatuba começaram a ocupar seus lugares no palco, a expectativa aumentou. A plateia se acomodou em suas cadeiras e, pouco depois, surgiu a maestrina Natália Laranjeira. Depois de cumprimentar o público, ela deu início à introdução de “Taikatalvi”, faixa que abre Imaginaerum. Os primeiros acordes começaram a preencher o teatro e, gradualmente, os músicos da banda de Anette foram tomando seus lugares: Filipe Duarte nos vocais e baixo, Vithor Moraes nos teclados, Sanzio Rocha na guitarra e Kiko Lopes na bateria.

Havia ainda uma conexão especial com a banda de abertura. Lya Seffrin e João Borth participaram do coral, enquanto Thiago Parpinelli assumiu a harpa. Era uma formação que unia diferentes elementos daquela noite e que deixava claro que não estávamos diante de um simples show de rock acompanhado por alguns instrumentos clássicos. A proposta era outra.

Eis que se inicia “Storytime”. Quando Anette Olzon surgiu no palco, o primeiro impacto foi perceber o quanto ela parecia feliz. Com um enorme sorriso no rosto, a cantora cumprimentou o público e iniciou uma apresentação marcada por uma energia impressionante. Durante praticamente todo o espetáculo, Anette parecia uma criança em um parque de diversões. Pulava, brincava com os músicos, interagia com a plateia e demonstrava uma alegria genuína por estar novamente em São Paulo.

Parte dessa espontaneidade certamente vem do entrosamento que ela criou com os músicos brasileiros. A cantora fez questão de manter em sua banda os mesmos profissionais que a acompanharam nas apresentações pela América Latina no ano anterior. A relação entre eles é visível no palco, tamanha a liberdade com que Anette interage com cada um. A conexão foi tão forte que ela chegou a exigir que essa mesma formação estivesse presente também em suas apresentações europeias realizadas nos meses de julho e agosto.

O show seguiu com “7 Days to the Wolves” e “Ghost River”, nas duas com Filipe Duarte dividindo os vocais com Anette. E aqui tivemos um daqueles momentos em que a memória dos fãs inevitavelmente volta ao Nightwish. Em determinadas passagens, bastava fechar os olhos para ter a sensação de que Marko Hietala estava novamente ali. O timbre de Filipe e sua maneira de interpretar a música criaram uma combinação muito interessante com a voz de Anette.

Alguns espectadores talvez tenham sentido falta daquele peso mais evidente das guitarras e de uma sonoridade mais “gorda”, característica de um show tradicional de metal. Mas é importante entender que a proposta daquela noite era outra. Não se tratava de simplesmente reproduzir um show convencional do Nightwish. A intenção era justamente explorar a dimensão sinfônica das músicas.

E isso ficou cada vez mais evidente conforme o repertório avançava.

“Song of Myself”, “Amaranth”, “Rest Calm” e “Scaretale” ganharam novas dimensões com a presença da orquestra e do coral. Em especial, “Scaretale” mostrou como Imaginaerum pode se transformar quando todos aqueles elementos que fazem parte de sua concepção original são apresentados juntos no palco. A música ganhou uma atmosfera quase cinematográfica, reforçando ainda mais o caráter teatral daquele álbum.

Na sequência veio “Last of the Wilds”, instrumental, momento em que Anette fez questão de elogiar sua banda solo e pedir ao público que observasse o quanto aqueles músicos eram incríveis.

Outra novidade em relação ao show realizado em 2025 foi a inclusão de uma música da carreira solo da cantora. Anette escolheu “Like a Show Inside My Head”, do álbum Shine, de 2014. Foi uma maneira interessante de lembrar que, embora sua história com o Nightwish seja naturalmente uma parte gigantesca de sua trajetória, existe também uma Anette com uma identidade musical própria construída ao longo de sua carreira solo.

Mas o clima mudou completamente quando algumas cadeiras foram colocadas no palco. Anette anunciou que prepararia algo realmente especial e que apresentaria uma música que o Nightwish nunca havia tocado ao vivo, somente eles tinham tocado em 2025 em São Paulo e iriam repetir ali.

Começaram então os primeiros acordes de “Turn Loose the Mermaids”.

O teatro mergulhou em uma atmosfera intimista. A música ganhou uma interpretação delicada e emocionante, criando um dos momentos mais bonitos da noite. Em seguida veio “The Islander”, quando Anette gentilmente abriu espaço para Filipe Duarte assumir os vocais. Essa também foi uma música que não havia feito parte do repertório do show do ano anterior, tornando aquele momento ainda mais especial para quem acompanhava a trajetória da cantora no Brasil.

Mas ainda havia uma carta na manga. Depois de uma pequena pausa, Anette anunciou que viria algo realmente especial. E veio. A introdução de “The Poet and the Pendulum” começou a tomar conta do teatro. Naquele momento, finalmente ficou absolutamente claro por que aquela orquestra estava ali.

Ouvir “The Poet and the Pendulum” sendo executada ao vivo por uma orquestra de verdade, acompanhada pela banda e pelo coral, foi uma experiência arrebatadora. Durante seus quase 14 minutos, a música conduziu todos de volta ao final dos anos 2000, época do lançamento de Dark Passion Play, o álbum que marcou a estreia de Anette no Nightwish.

A interpretação foi crescendo gradualmente até atingir seu ápice, enquanto era possível observar diversos rostos na plateia emocionados, alguns literalmente com lágrimas nos olhos, cantando cada palavra como se não houvesse amanhã.

“Getaway, runaway, fly away

Lead me astray to dreamer's hideaway!”

Foi um daqueles momentos em que música e memória se encontram.

A composição também reforça a genialidade de Tuomas Holopainen, tecladista e principal mente criativa por trás do Nightwish. Toda aquela construção, que já era grandiosa na gravação original, ganhou uma dimensão completamente diferente quando executada diante do público por músicos de uma orquestra.

Ao final, a plateia se levantou para aplaudir. Muitos ainda estavam visivelmente emocionados. E então Anette soltou uma frase que provocou ainda mais aplausos: “Nunca fizemos isso com orquestra. Nós fizemos primeiro aqui!”

Uma brincadeira carinhosa com sua antiga banda e, ao mesmo tempo, uma maneira de celebrar aquele momento único em São Paulo.

O clima permaneceu emocional com “Meadows of Heaven”. Antes de começar a música, Anette contou uma pequena história pessoal. Disse que sempre foi cristã e que, quando Tuomas apresentou aquela composição a ela durante as gravações de Dark Passion Play, recebeu a música como uma espécie de bênção. Talvez por isso sua interpretação tenha sido tão intensa.

Anette realmente entregou sua alma naquela música. A orquestra e o coral reforçaram o caráter solene da composição e criaram outro daqueles momentos em que o teatro inteiro parecia respirar no mesmo ritmo. Depois de tanta emoção, Anette anunciou que chegava a hora da última música.

Mas antes fez questão de lembrar que o show realizado exatamente um ano antes, em São Paulo, havia sido muito importante para sua retomada profissional. Segundo a própria cantora, aquela apresentação e a energia que recebeu dos músicos brasileiros haviam dado uma nova força para sua carreira. Ela agradeceu ao público e então perguntou: “Vocês sabem qual é a próxima, né?” A resposta veio imediatamente. “Last Ride of the Day!”

A música começou e Anette pediu para que todos deixassem suas poltronas. O público atendeu imediatamente. Em poucos segundos, o teatro estava novamente tomado por pessoas cantando, dançando e celebrando.

Parecia o fim. Mas ainda havia uma surpresa. Anette contou que havia recebido muitos pedidos do fã-clube brasileiro para apresentar uma música de seu último álbum solo, Rapture, lançado em 2024. E decidiu atender ao pedido. A escolhida foi justamente a faixa-título, “Rapture”, que encerrou definitivamente a apresentação. Foi um fechamento perfeito para uma noite que conseguiu equilibrar passado e presente. O Nightwish esteve presente em boa parte do repertório, mas a carreira solo de Anette também ganhou seu espaço. E talvez seja justamente essa a melhor maneira de definir o show realizado no Teatro APCD.

Não foi simplesmente uma apresentação para fãs do Nightwish, foi uma celebração da música.Uma banda afiada, uma orquestra executando os arranjos com precisão, um coral acrescentando ainda mais profundidade às composições e, no centro de tudo, uma Anette Olzon feliz, emocionada, cheia de energia e com a voz em excelente forma.

A presença da Camerata Filarmônica de Indaiatuba, sob a regência da maestrina Natália Laranjeira, foi fundamental para que a proposta funcionasse. As músicas de Dark Passion Play e Imaginaerum ganharam novas dimensões e mostraram que existe uma riqueza enorme nesses arranjos quando eles são apresentados ao vivo com todos os elementos. E o Teatro APCD foi o cenário perfeito.

A proximidade do público, a disposição das cadeiras e a atmosfera do espaço fizeram com que a apresentação tivesse algo de concerto, algo de espetáculo teatral e, ao mesmo tempo, toda a energia de um show de rock.

Durante o espetáculo, os produtores locais foram chamados ao palco para receber os agradecimentos da própria Anette. E eles haviam preparado algo especial para a cantora. Entregaram a ela um RG brasileiro. Visivelmente emocionada, Anette afirmou que se sente brasileira e revelou que tem planos de, algum dia, morar no Brasil. Depois de uma noite como essa, fica difícil não fazer um convite. Venha Anette, more no Brasil, crie mais música por aqui e continue nos presenteando com noites memoráveis como essa.

Desde os tempos de Nightwish até sua carreira solo, Anette Olzon construiu uma relação muito especial com o público brasileiro. E, em 26 de setembro de 2026, ela escreveu mais um capítulo dessa história. Uma banda excelente, uma orquestra impecável, grandes músicas, memórias, lágrimas, sorrisos e uma cantora visivelmente feliz por estar novamente diante do público brasileiro. Se o show de 2025 marcou a retomada de Anette aos palcos brasileiros, o espetáculo de 2026 mostrou que aquela história estava apenas começando. A Night to Remember. Agora, definitivamente, com uma orquestra.



Fotos: Pri Secco


Realização: Estética Torta



Anette Olzon – setlist:

Taikatalvi

Storytime

7 Days to the Wolves

Ghost River

Song of Myself

Amaranth

Rest Calm

Last of the Wilds

Scaretale

Like a Show Inside My Head

Turn Loose the Mermaids

The Islander

Bis

The Poet and the Pendulum

Meadows of Heaven

Last Ride of the Day

Rapture

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Cobertura de Show: Anette Olzon– 27/09/2025 – Vip Station/SP

Ex-Nightwish, Anette Olzon, entrega show solo emocionante e empolgante em São Paulo celebrando sua fase na banda finlandesa

Em 27 de setembro de 2025, após 17 anos da controversa tour com o Nightwish pelo Brasil, Anette Olzon subiu ao palco do VIP Station, em São Paulo, pela primeira vez em carreira solo. A apresentação foi marcada por nostalgia, reconhecimento e musicalidade — e, para muitos fãs, serviu para reposicionar seu papel dentro (e fora) da história da banda finlandesa.

A última passagem da vocalista pelo Brasil havia sido em novembro de 2008, quando realizou 10 shows com sua antiga banda. Aquela turnê dividiu o público entre os fãs da ex-vocalista Tarja Turunen e os que aceitavam a recém-chegada Anette. Foi uma época marcada por polêmicas, incluindo o famoso episódio em que Anette deixou o palco após vaias e desaprovação do público.

Quase duas décadas depois, a turnê solo de Anette foi anunciada com certa reverência: ela traria ao palco os clássicos da era em que integrou o Nightwish — os álbuns Dark Passion Play (2007) e Imaginaerum (2011). Pela primeira vez, em carreira solo, ela revisitaria esse repertório de maneira dedicada.

A noite começou com a excelente banda curitibana Magistry, formada por Lya Seffrin (vocal), Leonardo Arentz (guitarra), João Borth (guitarra), Thiago Parpinelli (teclado), Leonardo Rivabem (baixo) e Johan Wodzynski (bateria). A apresentação aconteceu poucos dias após o lançamento do EP Venus Mellifera, sucessor de The New Aeon.

A banda cumpriu muito bem o papel de “opening act”, com uma sonoridade densa que transitava entre o sinfônico, o gótico e o metal pesado — um clima que casou perfeitamente com a proposta da noite. Lya Seffrin chamou atenção pela entrega dramática em suas interpretações, enquanto a banda demonstrava profissionalismo tanto na execução quanto na estética de palco. Destaque para uniformidade da banda no palco no quesito “dress code” mostrando o profissionalismo que a banda veio para mostrar.  Músicas como “Swing to the Circles of Time”, “Alchemy of the Inner World” e “Divine”, mostraram toda a força e dramaticidade interpretadas por Lya e Leonardo.

A recepção calorosa do público ao Magistry foi um ótimo prenúncio para o que estava por vir.

Com uma banda de apoio formada inteiramente por músicos brasileiros — Filipe Duarte (baixo e vocais), Sanzio Rocha (guitarras), Kiko Lopes (bateria) e Vithor Moraes (teclados) — os primeiros acordes de “7 Days to the Wolves” ecoaram, anunciando a entrada triunfal de Anette. Sorridente, ela saudou o público de São Paulo e, já no meio da primeira música, tirou os sapatos para se sentir mais "em casa". Dançando, batendo cabeça e sorrindo, deu início a uma performance vibrante.

O set list seguiu com “Storytime”, “Ghost River” e “Bye Bye Beautiful” — esta última, conhecida por ser uma provocação direta à ex-vocalista Tarja, foi cantada com empolgação pelos fãs do chamado “Team Anette”.

Surpresas como “Turn Loose the Mermaids”, “Meadows of Heaven”, “Rest Calm” e “Ghost River” emocionaram o público por serem faixas raramente ou nunca executadas ao vivo pelo do Nightwish. Durante todo o show, era comum ouvir o coro: “ANETTE, EU TE AMO!”

Em “Last of the Wilds”, Anette deixou a banda brilhar. Em diversos momentos, fez questão de elogiar e apresentar os músicos, com destaque para o baixista e vocalista Filipe Duarte, que assumiu os desafiadores vocais de Marko Hietala. Anette revelou que o grupo teve apenas um ensaio antes da turnê — o que só reforça a competência dos músicos.

“Eva” foi um dos pontos altos da noite. Em um momento quase acústico e intimista, com os músicos sentados em banquinhos, Anette entregou uma interpretação sensível e comovente. Em “Sahara”, Lya Seffrin retornou ao palco para um dueto surpreendente, que foi muito bem recebido. Mas foi em “The Poet and the Pendulum” que o ápice emocional do show aconteceu. Uma música que não se ouve apenas: sente-se. A interpretação de Anette foi arrebatadora, mostrando toda a sua versatilidade vocal e emocional. Foi um daqueles momentos que nos fazem pensar: “Já pagou meu ingresso”.

Ao anunciar “Meadows of Heaven”, o público brincou gritando “PASTORA! PASTORA!” — uma alusão ao caráter espiritual da canção. Anette explicou que a faixa é especial, especialmente para quem acredita em Deus e na imensidão dos céus.

Antes da última música, Anette convidou ao palco seu filho, Seth, criando um momento de intimidade e carinho. Ele entrou com uma bandeira do Brasil, arrancando aplausos e risos. Logo após, “Last Ride of the Day” encerrou o show com energia e emoção.

A voz de Anette permaneceu firme e expressiva durante toda a apresentação. O repertório equilibrou momentos épicos e baladas tocantes, agradando tanto os fãs do metal sinfônico quanto os que buscam performances mais emocionais. A conexão com o público foi constante e genuína.

O show de Anette Olzon em São Paulo foi, acima de tudo, uma noite de redenção — para ela e para os fãs. Mostrou que ela tem seu lugar nos palcos do mundo e que não deve nada à sua antecessora. O valor simbólico de ouvir ao vivo músicas que muitos julgavam esquecidas emocionou e reacendeu memórias.

Apesar das limitações naturais de uma produção dessa escala, a performance teve alma, entrega e propósito. Para os fãs de Dark Passion Play e Imaginaerum, foi uma verdadeira celebração. E para Anette, possivelmente, um novo começo.

Finalizo com um agradecimento ao produtor Eliel Vieira, da Estética Torta, pela ousadia de realizar um show tão necessário, celebrando dois discos incríveis e oferecendo ao público brasileiro a chance de vivenciar esse momento com uma artista que — agora é oficial — fez as pazes com seus fãs. Que venham mais turnês. E que não demore tanto para voltar, Pastora.


Texto: Anderson Bellini 

Fotos: Pri Secco

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Estética Torta

Press: Acesso Music


Anette Olzon – setlist:

7 Days to the Wolves

Storytime

Ghost River

Bye Bye Beautiful

Amaranth

Rest Calm

Last of the Wilds

Eva

Turn Loose the Mermaids

Sahara (com Lya Seffrin)

The Poet and the Pendulum

Meadows of Heaven

Last Ride of the Day

sábado, 12 de março de 2022

Anette Olzon: Em Sua Melhor Forma


A vocalista suéca Anette Olzon ficou conhecida mundialmente após ser escolhida para substituir a vocalista original do Nightwish, Tarja Turunen, e com um estilo vocal diferente da antecessora, dividiu a opinião dos fãs dos gigante finlandeses do Symphonic Metal.

Gostos pessoais a parte, Anette fez um bom trabalho na banda no período em que esteve na linha de frente, entre 2007 e 2012, sendo demitida de maneira polêmica em meio a uma turnê mundial e substituída às pressas pela holandesa Floor Jansen (que foi efetivada e permanece na banda até hoje).


Mas a exposição com o Nightwish trouxe bons frutos a cantora, que foi contratada por gravadoras de destaque da Europa, lançando trabalhos em bandas em projetos, como o The Dark Element, Hear Healing, Allen/Olzon, além de participações em álbuns de outros artistas, como The Rasmus e Secret Sphere.

Em 2014 a cantora lançou "Shine", seu primeiro álbum solo, e ano passado chegou a hora de trazer a luz do dia seu segundo trabalho, "Strong". E como o nome sugere, é um disco com muito mais pegada e peso do que "Shine", que era mais suave e introspectivo.

"Strong" mostra uma Anette com versatilidade vocal, mostrando diversas facetas de sua voz, sendo hoje uma cantora mais evoluida, experiente e segura. Seu marido Johan Husgafvel (Pain) também participa do álbum fazendo vocais guturais em algumas faixas, dando um tom mais agressivo nas músicas e dando ainda mais diversidade.

Johan Husgafvel

A produção e composição foi dividida entre Anette e Magnus Karlsson (Primal Fear). A sonoridade transita pelo Melodic Metal, Symphonic e Power Metal, resultando em um Metal moderno, pesado, sinfônico e cheio de refrãos e melodias marcantes. 

Destaques para a poderosa faixa título "Strong", um hino de Melodic Metal moderno, sinfônico, com peso  melodia, vocais enérgicos de Anette, culminando em um refrão grandioso; a cativante e de refrão explosivo "Catcher of My Dreams", onde Anette ataca com tons altos nos vocais.

Magnus Karlsson

"Sick of You", que tem elementos sinfônicos e dark, e toca num tema muito sério, sobre mulheres que sofrem abuso, mas tomam coragem de acabar com isso; "Fantastic Fanatic", com um trabalho de peso nos riffs e bateria, e elementos sinfônicos, remete a algo de sua antiga banda, aquela da finlândia.

E ainda o peso de "Parasite", com seus riffs agressivos, alternando vocais guturais, que aparecem no início, e com Anette mandando bem em tons ora mais suaves, ora mais altos, como na frenética parte final da música; e  "I Need to Stay", com suas nuances sinfônicas, alternando tempos cadenciados e velozes.


Um ótimo trabalho de Anette, que mostra que ela tem personalidade e talento para mais voos solo, 
mostrando um tracklist diversificado, com identidade definida e coeso.

O álbum saiu no Brasil via parceria Shinigami Records e a gravadora italiana Frontiers. Ótima pedida para os fãs Melodic/Symphonic Metal.

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Artista: Anette Olzon
Álbum: "Strong" 2021
Estilo: Modern Metal, Melodic Metal
País: Suécia
Selo: Frontiers/Shinigami Records

Confira no site da Shinigami

Tracklist
Bye Bye Bye
Sick of You
I Need to Stay
Strong
Parasite
Sad Lullaby
Fantastic Fanatic
Who Can Save Them
Catcher of My Dreams
Hear Them Roar
Roll the Dice

Lineup
Anette Olzon – vocals
Magnus Karlsson – guitars, bass
Anders Köllerfors – drums
Johan Husgafvel – growling vocals

Anette Olzon Instagram




domingo, 8 de março de 2015

Entrevista - Anette Olzon: Brilho Próprio



Anette Olzon, esta talentosa suéca, dona de uma voz bela e delicada, começou cedo na música, mas também por diversos empregos antes de viver apenas disso, participando de shows de talentos, bandas cover (como a Take Cover, que fazia covers de ABBA) e tendo destaque com a Alyson Avenue, banda de Melodic Rock com a qual lançou dois bons álbuns, até que ficou mundialmente conhecida após ser escolhida como a nova vocalista da banda finlandesa Nightwish. 

Após dois álbuns com a banda e viajar o mundo, ano passado a vocalista teve uma saída conturbada do grupo finlandês, porém, já com um álbum solo em mãos ("Shine", lançado ano passado), muitos planos, e também aliviada por voltar a ter uma vida mais tranquila, Anette segue em frente, mostrando que possui brilho próprio, talento e personalidade para seguir sua carreira e também dedicar-se a familia e outras atividades. 

Confira a seguir entrevista com a cantora, que também acaba de estrear um show em canal de TV Finlandesa.
                                             (English version HERE)

RtM:Primeiro de tudo, gostaria de dizer que eu realmente gostei do seu álbum, música de bom gosto, belas interpretações, moderno e emocional. Há quanto tempo você vinha trabalhando no álbum? Quando você começou a compor você tinha em mente algum direcionamento musical?
Anette: Muito obrigado, feliz em ouvir que você gostou! Eu escrevi todas as músicas em 2009, quando eu decidi que queria fazer um álbum solo. Apenas uma não foi composta naquela época. 

Uma canção foi escrita pouco antes do lançamento, “One Million Faces”. Quando eu comecei a escrever as músicas eu ainda estava no Nightwish e não queria que soasse parecido com a minha então banda, e é por isso que é um álbum muito mais suave.


RtM: E como você avalia a recepção do álbum, um ano praticamente após o lançamento? Eu acompanhei as opiniões e comentários dos fãs, e são em sua maioria positivas. Claro, sempre vai ter aqueles que estavam esperando algo mais próximo ao Nightwish, ou mais voltado para o metal sinfônico. Bem, eu acho que é algo que você vai carregar para sempre, o fato de que você foi  ex-vocalista do Nightwish.
Anette: Sim, todos os comentários têm sido muito bons e muitos fãs realmente amaram o álbum, mas como você diz, aqueles que são puramente fãs de Metal, claro, pensaram que eu faria um álbum de Metal, e quando não foi o que fiz, meio que o rejeitaram.



RtM: A faixa-título, "Shine", é muito bonita, traz uma roupagem moderna, refrão cativante. Gostaria que você falasse um pouco mais sobre essa música e sua bela letra.
Anette: Shine é uma música muito especial para mim, principalmente porque as letras  significam muito para mim, e como eu quero que, aqueles que foram vítimas de bullying ou ridicularizados, maltratados por alguém, levantem e sintam esperança em minhas letras. 

“Shine” fala que essas pessoas que querem intimidar você são apenas pessoas amargas, sem vida, então simplesmente levante a cabeça e siga em frente. Mostre a eles que você é melhor do que eles por permanecer forte.


RtM: Acredito que algumas das composições possam ter refletido um pouco o clima conturbado  no Nightwish. Ele traz uma certa melancolia, sendo muito emocional. Lembro da música "Lies", que parece que reflete alguns problemas que você passou.
Anette: Bem, na verdade não, porque “Lies”, por exemplo, é sobre o meu casamento que não estava mais funcionando, o que realmente aconteceu logo após eu entrar no NW. 

E o sentimento geral de melancolia é só porque eu busquei memórias e coisas de dentro de mim, sentimentos que eu vinha internalizando, e os trouxe para a superfície, o que deu as letras e músicas um sentimento melancólico.


RtM: "Falling" também traz grandes melodias e refrãos cativantes, e é mais um dos destaques na minha opinião. Eu gostei dessa música, e eu acredito que ela segue uma linha como "Lies" e "Shine", mostrando já sua personalidade como artista solo, criando uma identidade no primeiro álbum.
Anette: “Falling” foi na verdade a primeira música que escrevi quando nos sentamos pra compor,  e também é  a mais “Metal” do álbum.  Após essa canção eu senti que eu queria que as músicas partissem para um lado mais suave e menos Rock/Metal, assim é por isso que se difere um pouco das outras.


RtM: "Watch me From Afar" é outra canção forte, e mostra um lado mais "New Age" e "Folk", e eu senti você especialmente inspirada nesta canção, com uma interpretação cheia de emoção. Conte-nos um pouco mais sobre esta canção.
Anette: Essa música é muito especial para mim e para Stefan e Johan, porque quando nós nos sentamos no piano e bateria apenas para experimentar a melodia, então o sentimento dela veio a nós imediatamente, e a letra é para  o meu marido Johan, por isso é uma verdadeira canção de amor.


RtM: Falando sobre inspiração, que cantores e cantoras que você citaria como suas maiores influências?
Anette: As vozes que eu ouvia na minha infância, como Agneta Fältskog, Barbra Streisand, Sting, Carola Singer, Whitney Houston e Mariah Carey. Grandes vozes que sempre me inspiraram.


RtM: Você teve alguns parceiros na composição do álbum, como Anders Bagge, gostaria que você falasse um pouco sobre a contribuição dele nas composições, produção e os resultados finais do álbum.
Anette: Bem, Anders não foi co-writer, mas eu usei a sua equipe de compositores, Stefan Örn e Johan Glössner e gravei o álbum em seu estúdio por isso ele foi lá e deu suas opiniões, o que foi muito útil. Ele é um grande compositor e sabe como construir grandes linhas melódicas e criar aquele "gancho" para as canções.


RtM: Em um futuro álbum, quem você gostaria de convidar para um dueto, ou dividir composições?
Anette: Eu quero escrever canções com Stefan e Johan novamente e também Martijn Spierenburg, do Within Temptation, com quem escrevi "One Million Faces". Tenho também pedido ao Peter Tägtgren do Pain,  para co-escrever comigo, o que vai ser divertido! Duetos...eu não sei quem, mas se eu tiver uma música que sirva ou necessite de um dueto, eu acho que existem muitos bons. Jake do Amaranthe tem uma grande voz e é um amigo meu, por isso ele seria uma boa escolha para uma colaboração.

RtM: Gostaria que você falasse um pouco sobre a experiência no filme "Imagenaerum", e se bem me lembro que você já teve experiências no teatro. Você pensa em fazer algum trabalho deste tipo no futuro?
Anette: Foi uma boa experiência e também difícil, porque eu tenho um pouco de medo do palco e mais ainda quando há um grande número de pessoas com câmeras em torno de mim, de modo que fazê-lo foi um pouco estressante. Mas foi ótimo, por exemplo ver como um filme é feito. Eu não acho que eu irei procurar estrelar um outro filme, mas um musical seria bom fazer. Isso encaixaria melhor comigo.


RtM: Eu conheci o seu trabalho  através de um dueto no álbum "Conspiracy", de Michael Bormann, a música "Two of a Kind", a partir daí, fui à procura de álbuns do Alyson Avenue, e como um fã do Melodic Rock/Hard Rock, Eu gostei muito. Gostaria que você falasse um pouco sobre esta participação no álbum de Bormann.
Anette: Michael é um bom amigo do Niclas, do Alyson Avenue, então ele me perguntou, logo em seguida, se eu queria cantar em uma  canção sua,  e assim aconteceu. Nós nunca nos encontramos, hoje em dia isso é comum, você enviar as músicas um para o outro somente, e é isso o que nós fizemos.


RtM: E o seu trabalho com Alyson Avenue? Você têm falado com os caras? Talvez você possa voltar para a banda? Eu acho que seria ótimo, especialmente com a exposição que você teve, juntamente com o potencial da banda. Eu acho que sua voz é perfeita neste tipo de música (Melodic Rock), e eu acho que você deve fazer algo no futuro. O que você diz? Lembrei-me também a participação no álbum do Brother Fire Tribe, que segue a mesma linha.
Anette: Falamos o tempo todo, eu e Niclas, pois somos como família um para o outro. Falamos sobre como recomeçar o Alyson novamente e todos nós queremos que em algum momento isso aconteça, mas deve ser no tempo certo para todos.

Niclas está bastante ocupado compondo canções para seu novo álbum com o Sapphire Eyes e eu estou ocupada com um programa de TV na Finlândia nesta primavera (O programa estreou dia 1º de março, no final da entrevista você pode ver o vídeo, ou acesse AQUI). Mas espero que nós tenhamos algum tempo em breve =)


RtM:  Falando ainda sobre o Alyson Avenue e Melodic Rock, acho que é incrível como a Suécia é um país que produz muitas bandas e artistas de grande qualidade, que criam ótimas e cativantes melodias. Como você explica este "fenômeno", esta tendência para a criação de grandes melodias? Sem falar no ABBA, que é idolatrado, inclusive por músicos de Metal, tendo até tributos. Recentemente eu fiz uma entrevista com Snowy Shaw, e lembrei que ele tem tatuado ABBA em seus dedos.
Anette: Eu acredito que é como você diz, o nosso amor por melodias cativantes e boas. Nosso modo de falar também é muito melódico, talvez isso tenha algo a ver com isso. E o ABBA é, creio eu, para muitos músicos suecos,  ídolos,  e é música que ouvíamos enquanto crescíamos e, para mim,  ABBA são os reis e deuses do pop e das grandes melodias, icones.


RtM: Você tem planos de fazer alguns shows ao vivo ou turnê para divulgar o seu álbum? E quais músicas você gostaria de tocar ao vivo? Além de canções de seu álbum, que mais você deseja incluir em um set-list?
Anette: Eu não fiz tantos shows ao vivo do álbum devido a ter filhos pequenos, e não queria deixá-los por longos períodos, mas agora eles já estão maiores e eu espero que eu possa sair em tour com o "Shine", bem como com um novo álbum, que espero lançar num futuro próximo. Ao vivo eu já toquei todas as minhas músicas de "Shine", e também algumas novas canções que eu escrevi, alguns covers também. O meu próximo show deverá ter algumas músicas de meus tempos do Nightwish, e eu acredito que alguns fãs vão gostar disso.


RtM: E o que você faz agora que tem mais tempo livre? Deve ser bom ter mais tempo para estar com a família. Eu li em uma entrevista que você iria se concentrar em continuar seus estudos, e trabalhar com caridade, muito legal. Você está pensando em ficar mais longe de uma carreira dedicada exclusivamente à música?
Anette: Eu estava estudando sim, e ainda estudo, mas no momento os meus estudos tiveram que ficar de lado um pouco, pois tem esse show de TV que estou participando na Finlândia a partir primeiro de março, o que significa que preciso me concentrar nele por um tempo . 

Gostaria muito de fazer as duas coisas e talvez eu possa, mas se eu tiver que escolher,  e eu posso viver isso novamente, a música é o que eu quero fazer.

No show de TV, na MTV finlandesa
RtM: Eu sei que você pode já estar cansada deste assunto (Nightwish), mas eu prometo que vou fazer apenas algumas perguntas, a pedido de seus fãs aqui no Brasil. No DVD/ Blu-Ray que a banda lançou no ano passado, "Story Time: Live Time", que traz um documentário falando do período de sua saída (ou demissão) do Nightwish, e você não autorizou o uso de sua imagem e voz neste documentário, e na minha opinião eu acho que você fez a coisa certa, pois não mostra a sua versão em alguns fatos. 

Eles chegaram a falar-lhe sobre o conteúdo do documentário? Quais são as razões pelas quais você não autorizou o uso de sua imagem?
Anette: Eles queriam me pagar, e ser incluída nesse DVD documentário depois de me chutarem para fora de uma forma mesquinha e cruel, então é claro que eu não queria estar nele. Por que eu? Eu não queria mais nada com a banda, nunca mais. 

E devido ao que eles fizeram com Tarja e Marcelo no documentário que eles lançaram após demitirem ela, onde eles só mostraram o lado deles,  e fizeram ela parecer o lado mau, então eu com certeza não queria que eles fizessem o mesmo comigo. Foi fácil decidir, eu disse que não imediatamente e eu não me arrependo da minha escolha.



RtM: Eu acredito que você deve ter tido bons momentos durante a sua permanência na banda, como viajar para diferentes países, se tornar uma pessoa conhecida no mundo inteiro, e, provavelmente,  em alguns lugares, quase não podendo sair anônima na rua! Como foi para você, de repente estar em palcos de grandes festivais com milhares de fãs à frente?
Anette: Na verdade, foi um processo difícil para mim, porque eu não gosto de ser reconhecida nas ruas e me senti estranha com isso. Fui educada de uma forma em que aprendi que somos todos iguais neste mundo, e todos têm o mesmo valor, então para mim, eu não tive ninguém como um grande ídolo, que eu pudesse ir a shows, pedir-lhes uma foto ou autógrafo, por isso me senti muito estranha que alguém pensasse que eu era assim tão especial e importante. 

Mas eu aprendi e compreendi que isto faz parte do trabalho, porém hoje em dia eu ainda me sinto um pouco constrangida se alguém me reconhece, mas também sinto que eles gostam de mim  e se importam muito comigo.



RtM: O seu trabalho na banda sempre acabava sendo comparado a Tarja, com uma leva de fãs não aceitando a mudança, e lembro que você disse que até chegou a sofrer algumas ameaças de morte de alguns estúpidos. É muito estranho que níveis podem chegar as idolatrias ou obsessões. As pessoas às vezes esquecem que no palco são pessoas com famílias, sentimentos e uma vida  além do trabalho.
Anette: Bem, eu entendo a frustração que sentiam, Tarja foi a cantora oficial desde o início e ela tem uma voz muito especial, sendo esta rainha do Metal um pouco "fria" e intocável, e ela era o oposto total de mim, seja como ela se parece, canta e atua no palco. 

Eu sou uma pessoa muito aberta, feliz, extrovertida e canto com uma voz mais comercial, e soou tão diferente para os fãs do NW, assim os fãs "die hard" não conseguiam aceitar. E foi uma pena que eu levasse alguma culpa por isso, pois eu não deveria, mas às vezes as pessoas não entendem, e agem como eles acham que devem agir quando estão movidos pela paixão por algo.


RtM: Você tem tido algum contato com alguns dos membros do Nightwish, ou alguns deles entraram em contato com você? Como foi a sua relação com a banda e equipe? Agora, passado um tempo, quais seriam as principais razões para o rompimento com a banda?
Anette: Não, nós não temos nenhum contato. A equipe e eu éramos todos amigos e não tinha problemas. E na banda havia alguns membros que sempre ficaram comigo, assim como tinham os que me queriam fora. Assim, era um grupo de pessoas divididas. A razão para isso é, naturalmente, algo que só os membros sabem, então não posso dizer exatamente o que, mas eu acredito que tivemos opiniões diferentes e eu também fiquei grávida novamente, e não foi algo que os agradou, e então eles me chutaram para fora.

Ensaio para o show de TV
RtM: Pelo que vemos do lado de fora, Tuomas controla quase tudo na banda, parece-me que talvez chegue a um ponto que a banda se torne um projeto solo dele. E agora, vamos ver como será o relacionamento com Floor Jansen, se ela terá uma continuidade. Eu acho complicado para a maioria dos músicos não poder contribuir com ideias ou composições.
Anette: Sim, NW é apenas Tuomas, e mesmo quando é escrito ou feito algum comunicado oficial, sempre é escrito: Tuomas e Nightwish. Portanto, é a sua sua banda, ele controla, ele toma as decisões, mas ele também ouve os outros e, por vezes, talvez as pessoas erradas, mas isso é a escolha dele e vamos ver até onde ele vai.

Acredito que ainda não ouvimos as últimas deles em se tratando de trocas de membros porque algo não funcionou, simplesmente não funcionará, não importa quem entrar para o grupo. Se eles não tentarem mudar e evoluir nada será diferente, e vão surgir os mesmos problemas. 

É fácil culpar o membro "novo"  pelos problemas, mas quando isso acontece várias vezes eu acho que as pessoas vão perceber que não é bem assim.



RtM: Bom, finalizando, eu gostaria que você citasse seus passatempos favoritos, e sobre música, quais bandas ou artistas você ouve quando você está em casa?
Anette: Gosto de me exercitar, eu faço "cross fit", também gosto de estar na academia, musculação. Eu ouço todo tipo de música, pop, hip hip, rock, Metal... qualquer coisa desde que eu acredite que a música é maravilhosa, não importa o gênero. Sou muito mente aberta quando se trata de música.


RtM: Anette, muito obrigado pela sua atenção, estamos ansiosos pelos próximos trabalhos e para ouvir sua bela voz! Deixo estas linhas finais para que você envie uma mensagem para os fãs brasileiros!
Anette: Obrigada, e eu quero dizer obrigada para todos os fãs no Brasil e espero que eu possa ir cantar para vocês algum dia em breve =)



Entrevista: Carlos Garcia
Tradução e Edição: Carlos Garcia

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