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domingo, 20 de dezembro de 2020

Entrevista - Casa das Máquinas: A História Continua (Testoni e Cadu)



Fechamos as entrevistas de 2020 com a segunda parte do especial com a lendária Casa das Máquinas, e entrevistamos o tecladista e compositor Mário Testoni Jr e o atual guitarrista, Cadu Moreira. Testoni esteve na banda nos anos 70,  entrando junto com Marinho Thomaz, baterista irmão do fundador Netinho,  e tiveram uma grande contribuição na evolução sonora do grupo e o direcionamento mais progressivo do segundo álbum, "Lar de Maravilhas", onde os teclados tiveram muita importância nos arranjos e direcionamento, além do fato de passarem a tocar com duas baterias.

Após o fim prematuro da banda no fim dos anos 70, depois do lançamento do disco "Casa de Rock", a banda retornou anos mais tarde, por volta de 2008, tendo membros das primeiras formações, como Testoni e Marinho e o fundador Netinho, e junto com eles diversos músicos de gabarito da cena Rock, como Andria Busic e Faiska, depois chegando a estabilizar uma formação, que contou com Marinho Thomaz (bateria), Testoni (teclados), João Luiz (vocais) Marcelo Schevano (guitarra) e Fábio César (baixo), e após essa saíde desses 3 últimos, e a entrada de novos integrantes, o grupo iniciou em 2020 a produção do novo álbum, "Brilho nos Olhos", tendo mais uma baixa, a saída de Marinho Thomaz antes de iniciar as gravações finais.

Conversamos com Testoni e Cadu, para falar sobre história, novidades e expectativas sobre a continuidade desse legado. Confira:

RtM: Conte-nos um pouco sobre esse retorno, agora com mais força, pois o Casa das Máquinas já vinha tendo alguns shows, variando bastante a formação, com muitos convidados. Esse interesse recente do público de resgatar o legado musical brasileiro, em especial o rock 70’s, foi crucial para o grupo retornar com força total?
Testoni: Bem, na verdade o Casa só não gravou nada de novo, mas estamos na estrada desde 2008 fazendo vários Shows pelo Brasil e tivemos duas formações desde essa volta, fizemos três Shows comemorativos de 40 anos de cada lançamento onde convidamos vários músicos para participarem de cada Show, inclusive o Simbas, que participou do Show de 40 anos do Casa de Rock, na verdade o Casa teve mais mudanças nos anos 70 do que agora nessa volta. Claro que sempre pensei em gravar um trabalho novo, mas não era a hora, agora sim, com essa formação conseguimos realizar o que eu pretendia desde nossa volta lá em 2010.

Formação atual: Lucas, Ivan, Geraldo, Testoni e Cadu

RtM: E como está esse sentimento de, após mais de 40 anos, voltar a fazer um álbum novo do Casa das Máquinas? Qual o principal desafio para a banda nessa nova fase?
Testoni: Nosso sentimento é como se fosse o primeiro trabalho do Casa, estamos cuidando do nosso mais “novo filho” com todo carinho e respeito que merece. Não chamaria de desafio, mas sim de um compromisso conosco mesmo e para com o público que é um seguidor do Casa.


RtM: Cadu, conte para a gente como você conheceu o Casa e sobre sua entrada na banda.
Cadu: Conheci o Casa ali pelos 17 anos, já tocava em algumas bandas, e foi uma surpresa boa quando em um desses eventos encontrei o Testoni, e conversamos, fizemos amizade e ele falou "cara um dia desses vamos fazer alguma coisa juntos". Anos depois esse dia chegou, do nada o Testoni entrou em contato comigo pra substituir o Marcelo Schevano em um Show. Quando ele saiu da banda, então fui chamado para entrar em definitivo. Tenho uma ótima relação com ele, estamos gravando inclusive no estúdio dele.

 
RtM: Contem-nos um pouco sobre o processo de composição, visto é uma nova formação, há músicos mais jovens, provavelmente trazendo uma mescla de estilos e influências. Muitos dos integrantes que apareciam como compositores principais em álbuns anteriores, como o Netinho, já não fazem parte do Casa das Máquinas. Falem-nos sobre as influências que os novos membros trouxeram.
Testoni:
Os músicos são novos no Casa, mas todos tem muita experiência e vivência musical, o único mais novo em idade é o Cadu Moreira (guitarrista), mas traz na sua mala um grande conhecimento musical, é formado em Licenciatura em Música e também já fez parte de algumas bandas, o nosso baixista é nada mais, nada menos que o Geraldo Vieira (Geraldinho), músico de um nível altíssimo que já tocou e gravou com vários nomes como, Raul Seixas, O Terço, Terreno Baldio, Kiko Zambianchi, e outros. 

Nosso líder vocal é o Ivan Gonçalves, que também já participou de algumas bandas e também foi radialista da Nova Brasil e 89 FM, e completando, eu e o Marinho Thomaz (N. do R.: Entrevista feita antes da saída de Marinho, que deixou o casa antes de iniciar as gravações das últimas músicas, e foi substituído por Lucas Tagliari). Temos músicas compostas pelo Aroldo Binda, primeiro guitarrista do Casa, Kiko Zambianchi, Marcelo Schevano, também ex-guitarrista do Casa, Magrão, Eu, o Cadu, Daniel Power Blues. Todos os arranjos são meus e alguns juntos com o Cadu, estamos praticamente seguindo o que fizemos na década de setenta.


RtM: E você Cadu, que contribuições você acredita já ter trazido para o Casa das Máquinas?
Cadu: Acredito que essa dedicação, minha e também dos demais que estão na banda. Certamente eu trouxe minha identidade, coisas mais modernas, do Blues e minhas outras influências, procuro ser balanceado sempre respeitando a história da banda. Eles são um escola. Acho que o pessoal vai conseguir ver a mesma cara do Casa clássico e algumas coisas diferentes, e é difícil comparar o agora com 40 anos atrás, e acho muito bacana o que vamos apresentar nesse novo disco.


RtM: E sobre seu início na música e suas influências?
Cadu: Sou do interior de SP, na minha infância tinha mais contato com a  música sertaneja, comecei cedo cantando, meu pai e amigos tocavam na igreja, então isso também foi me incentivando a entrar na música. Aos 13 iniciei a tocar de forma autodidata, e comecei a conhecer mais coisas, já do Rock e Pop Rock. Depois tive aulas com o Guilherme de Sá (Rosa de Saron), músico e compositor fantástico, que foi muito importante na minha formação. Depois fiz faculdade de música, dei aulas, toquei em bandas de diversos estilos. Acho importante essa diversificação para a evolução, sair de sua "zona de conforto".

"O Casa das Máquinas é como uma escola"


RtM: Os 3 discos do Casa das Máquinas, variavam bastante as direções mesmo dentro de cada álbum, qual será o rumo de “Brilho nos Olhos”? Ao escutar o novo single, alguns trechos dele me pareceram mais pesados, porém rapidamente desdobrava-se num lado calmo lembrando as canções do debute. Há um rumo definido nesse novo trabalho? Ou ele revisitará todas as facetas da banda?
Testoni: Brilho nos Olhos trará uma mescla do que foi o Lar de Maravilhas e o Casa de Rock, que são estilos marcantes do Casa das Máquinas.

 
RtM: Vocês lançarão ainda mais algum single antes do álbum completo estar disponível? E ele será lançado também em formatos físicos LP e CD? Será um lançamento independente ou haverá algum selo ou gravadora envolvido?
Testoni: Lançamos A Rua, Brilho nos Olhos e Tão Down ( N. do R.: Lançado recentemente o single "Horizonte"), estamos voltando para o estúdio, como estamos com as músicas praticamente prontas, é só gravar e fechar o trabalho, acredito que ainda lançaremos mais um Single. Essa Pandemia atrapalhou toda programação, tínhamos um lançamento do CD no dia 13/06/2020 no SESC Pompeia. Será lançado em CD, Vinil e talvez K7, juntamente com a Monstro Discos.

"É como se fosse o primeiro trabalho...não chamaria de desafio, mas um compromisso conosco e com os fãs."
 
RtM: Voltando um pouco no tempo, vamos falar sobre o início da banda e os 3 álbuns. Quais as principais influências musicais que a banda tinha na época? Sendo que o primeiro álbum me parece que ainda havia uma procura de uma identidade própria.
Testoni:
É verdade, o primeiro Álbum estava indefinido, na verdade iria sair com o nome de Novos Incríveis, mas por sugestão do empresário da época foi mudado para Casa das Máquinas.

 
RtM: “Lar de Maravilhas” já traz uma banda mais “madura”, digamos assim, e creio que as influências de Rock Progressivo estavam bem latentes nesse trabalho. Gostaria que você comentasse um pouco sobre esse trabalho.
Testoni:
Com a minha entrada e do Marinho Thomaz, o Casa passou a ter uma identidade, que na época caiu para o Rock Progressivo, até porque como eu tive uma formação Erudita foi uma coisa natural e somando com o que ouvíamos na época, não deu outra, caímos no Prog.

 
RtM: Creio que uma das composições mais marcantes de “Lar de Maravilhas” é “Vou Morar no Ar”, conte-nos um pouco mais sobre essa canção, e claro, quais suas músicas preferidas desse disco?
Testoni: Eu acho que Lar de Maravilhas é a melhor música do álbum, mas a Som Livre optou por Vou Morar no Ar, que também é uma música muito boa, enfim foi a música que mais tocou e alavancou o Álbum, mas temos Astralização, Vale Verde, que são obras primas, na minha opinião.

O Casa nos anos 70

RtM: A ideia de adicionarem uma bateria extra num dos períodos do grupo, complicou mais o processo de criação das músicas? O que vocês puderam extrair disso?
Testoni: O lance da bateria foi meio casual forcado, heheheheh, o Netinho precisava de um tecladista para o segundo trabalho do Casa, me chamou e eu levei um problema junto, que se tornou uma solução o Marinho além de baterista é irmão do Netinho e para o Casa ter dois bateristas foi o tempo de uma cervejinha no Guarujá. Ao contrário que se pensou, passou a ser um atrativo pois os dois se entrosaram como uma luva e foi assim que o Casa se tornou a primeira banda no Brasil a ter dois bateristas tocando ao mesmo tempo, SENSACIONAL !!!!
 
RtM: “Casa de Rock” trouxe uma roupagem mais direta, mais Hard Rock, e sua faixa título acredito ter se transformado na música mais popular da banda. Gostaria que você falasse um pouco sobre as direções tomadas nesse disco.
Testoni: Então, o disco Casa de Rock começou a ser gravado com dois bateristas, tecladista e um guitarrista...... muito louco né? Mas foi o que aconteceu, gravamos algumas faixas com essa formação, na verdade o Pisca que era o guitarrista, gravou os baixos primeiro e depois as guitarras e violões, e em playback eu os teclados, o Simbas entrou na banda sofrendo, pois as tonalidades foram feitas para a formação que tínhamos, Aroldo e Carlinhos cantando, mas acabou dando certo, e mesmo estando altas as tonalidades o Simbas acabou dando conta do recado e ainda trouxe para gravar, a música “Stress”.
 

RtM: E sobre esse outro verdadeiro clássico/hit do Rock clássico brasileiro, “Casa de Rock”, conte-nos um pouco sobre a criação da música e a letra.
Testoni: A música já estava composta pelo Pisca e o Netinho, a letra foi feita depois pelo Catalau, e acabou virando praticamente um hino do Rock nacional.
 

RtM: A banda acabou tendo um fim prematuro no final dos anos 70, vocês sentiram muito essa decisão? Ficou aquele sentimento de que poderiam ter produzido muito mais?
Testoni: Na verdade, sempre achamos que podemos fazer mais e mais........ temos o exemplo da gravação, nada acontece por acaso e nem antes de seu tempo, acho que a parada do Casa teve que acontecer......
 

RtM: Falando sobre a questão das letras, qual era a reação do público quanto as letras transcendentais beirando a religiosidade ao lado das outras, como no primeiro disco, mais próximas da jovem guarda? Curtiam essa mistura? Parte delas perturbavam os “milicos”? Qual foi a mais problemática?
Testoni: Vivíamos numa época que se buscava liberdade política, mas também de expressão, de sonhos...... e nossas letras não falavam de política, mas sim de viagens astrais, de um mundo melhor num sentido mais espiritualista, enfim como você disse beirávamos uma religiosidade.... não tivemos grandes problemas com os militares a não ser a encheção de saco por sermos cabeludos, usarmos roupas despojadas e fumar uns baseados.
 

RtM: Alguns acontecimentos recentes, vimos pessoas contrariadas com manifestações de artistas contra questões políticas, dizendo que não é papel do artista se envolver nisso, que o Rock & Roll e Rock Pesado é somente entretenimento, como aconteceu com Roger Waters aqui no Brasil. Qual sua opinião a respeito? Afinal o Rock sempre foi algo contestador, símbolo de liberdade, rebeldia, lutar contra a opressão.
Testoni: O estigma do roqueiro sempre foi o marginalizado, independente do que a pessoa é ou faz, sempre terá o direito de se expressar em qualquer assunto ligado a sua realidade, sua vida, seu dia a dia, seus familiares. Só acho que cada um deveria cuidar do seu quintal, se formos ver a história a Inglaterra do Waters e outros já fizeram muitas falcatruas, já destruíram muitas coisas e já aniquilaram muitas pessoas........ falar dos outros sempre é fácil, deixe que nós cuidamos do nosso quintal, ou pelo menos tentemos cuidar......
 
O Casa ainda com Marinho Thomaz nas baquetas


RtM: E qual sua opinião sobre o atual cenário do Rock mundial e brasileiro? Vejo que muitas bandas veteranas retornaram, lançando bons álbuns, mas chegará o momento em que muitas vão acabar encerrando seu ciclo. Sempre teremos nomes para seguir o legado, novos fãs, mas há bandas novas que possam causar algum tipo de revolução musical, lançar músicas que atravessarão gerações? 
Testoni: O atual cenário CULTURAL é desastroso, não só no Brasil, claro que aqui é maior, por sermos um País de quinto mundo tudo é mais difícil, mais complicado, ainda bem que os dinossauros  estão na ativa e voltando, aqueles que estão ainda nesse plano, se esperamos alguma coisa mudar em relação ao Rock, a música, letras, CULTURA de um modo geral, estaremos fritos no azeite. 

Respeito o que vem acontecendo na música, é a cena atual, se é que podemos chamar de cena, mas que está difícil de aceitar isso é fato, na verdade o Rock propriamente dito, parou no meio da década de 80, virou POP ROCK e daí pegou uma ladeira e arrastou tudo para a mesma panela...... está difícil, como diz um amigo “o ouvido deveria ser igual aos olhos, poderíamos fechar, assim não ouviríamos tanta merda”.

Cadu: É complicado, a grande mídia tenta empurrar lixo, desde música a comportamento, tentam colocar essa coisa mais vazia, para que a população consuma. O que tentamos fazer é o oposto. O rock tem que voltar a ser essa música de protesto, de contracultura ele sempre viveu mais no cenário underground. Acredito que a influência dos anos 70, deveríamos conhecer mais. Principalmente para quem é do interior, as informações parecem que não chegam. 

Hoje a internet está aí, mas mesmo assim, parece que essas informações não chegam. Se não temos um meio de chegar a essa informação mais naturalmente, dificilmente alguém vai ouvir um Rock Progressivo, por exemplo. Através do Testoni, acabei me aprofundando muito mais nesse mundo, e é impressionante a riqueza da música daquela época.  E muitas dessas bandas ainda estão aí. Essa música deveria chegar a mais pessoas, provavelmente não estarão na grande midia, mas através da gente. Procuro mostrar a amigos, e eles se surpreendem, e eu mesmo também, descobrindo novas coisas.

 
RtM: E sobre a produção dos álbuns do Casa, você acredita que sempre chegaram onde vocês pretendiam?
Testoni: Acho que em cada Álbum foi alcançado o seu objetivo, tanto de produção, como de composição e execução e sonorização. Acredito que "Brilho nos Olhos" também vai alcançar.


RtM: Cadu, e sobre suas músicas favoritas da banda? Seria possível escolher algumas, as que você mais curte tocar?
Cadu: Músicas preferidas do Casa dificil escolher, são muitos sons absurdamente bons. Em um evento tocamos o Lar de Maravilhas, que é um álbum absurdo de bom, tem várias músicas excelentes, a "Lar de Maravilhas", que já inicia com aquele arranjo de violão, tem toda a parte de arranjos. E claro, temos sons como "Dr. Medo" e "Londres" do "Casa de Rock", que tem riffs excelentes, temos a contribuição de guitarristas como o Piska e o Aroldo. Inclusive temos uma música do Aroldo, que foi escrita há 30 anos, que vai entrar no novo disco.

 
"Trabalhamos sem a preocupação de fazer um hit, mas de continuar um trabalho que ficou 44 anos em um vazio." (Testoni) 

RtM: Vocês sentiram ou sentem alguma pressão para a gravação desse novo disco, essa continuidade do legado da banda? 
Testoni: Já senti sim uma pressão em gravar, existe uma cobrança própria em ter que gravar algo do mesmo nível, mas hoje não, sei que trabalhamos com seriedade e sem ter a preocupação em fazer um hit, mas sim em continuar um trabalho que ficou 44 anos num vazio.

Cadu: Claro, é só ver as pessoas que passaram pela banda, só feras, pessoas com bagagem e uma história muito forte. Costumo dizer que ainda não sou ninguém, o que vai falar o que sou são esses trabalhos que estamos fazendo. A opinião dos fãs do Casa, certamente haverá comparações, mas mesmo das mais controversas podemos tirar algo para refletir. 

Respeito as opiniões, não sou dono da verdade, procuro estudar muito, respeitar a história e claro, trazer coisas novas. A energia está sendo muito boa, e até podemos dizer que já tem um próximo engatilhado, pois a energia está tão boa que não podemos deixar dissipar. Música é muito isso, coisas que estão no ar, e a gente consegue transformar em uma melodia, uma música.

 
RtM: Obrigado pela entrevista, ficamos no aguardo desse novo trabalho, e fica o espaço para seu recado final aos leitores.
Testoni:
Um grande abraço a todos e espero que curtam o novo Álbum do Casa das Máquinas, Brilho nos Olhos.    
Cadu: Muito obrigado pelo espaço, confiram os singles que lançamos, nos acompanhe nas plataformas e redes, sempre teremos novidades e logo logo o disco vai estar disponível.

Entrevista por: Carlos Garcia e Alex Matos (Canal Rock Idol)
Fotos: Arquivo Pessoal da Banda


Dedicamos à memória dos grandes músicos que passaram pelo Casa, os quais não estão mais entre nós, deixaram um legado de clássicos do Rock brasileiro: Piska, Pique e Cargê

Confira a primeira parte do especial AQUI

Siga o Casa:

Os 4 singles do vindouro novo álbum










terça-feira, 3 de maio de 2016

Silver Mammoth: O Antigo Ainda Sendo Atual



Apreensivos por tantas coisas novas que surgem em pleno século atual, a aquelas pessoas que nunca deixam de prolificar as sua raízes dentro do Rock, mostrando sinais de que o gênero não mudou nada, continuando atual (como sempre), não deixando de inovar em certas coisas. E para entender que o tradicional Hard Rock setentista, carregando também algumas peças do Classic Rock, eis que surge Silver Mammoth, quarteto paulistano que acaba de lançar “Mindlomania”.

Para quem é fã, principalmente de Deep Purple e Uriah Heep, “Mindlomania” é um prato cheio para o fã que se mantém fiel às influências setentistas. E nele há de tudo o que se possa imaginar em se tratando de pegada clássica dentro do Rock, abrangendo riffs de guitarras pesados, arranjos cristalinos de hammond um trabalho vocal diversificado, transitando também a ambientes psicodélicos, sem deixar de se esquivar de momentos mais viajantes, o que é habitual pra quem teve o prazer de viver aquela época.


A produção, assinada por Marcelo Izzo e Rafael Agostini, e a mixagem/masterização, que ficou a cargo do Hugo “agogô” Silva, traz uma sonoridade limpa e moderna no seu devido ponto. Afinal, os músicos passam o clima ‘ao vivo’ a cada momento do disco, traçando em nossas mentes como era gravar um disco na década de 70, que era justamente dessa forma. A capa enverga tons diversificados, caracterizado pelo charme psicodélico da banda. E mais uma vez o artista João Duarte caprichou com sua habilidade, explicitando o que o quarteto passa através da arte.

Aqui tudo é feito com amor e carinho, havendo a preocupação da banda em presentear os ouvintes, tanto da antiga e nova geração,com músicas acessíveis sem que elas soem forçadas, não precisando de exageros técnicos para mostrar os quão bons e capazes são o Marcelo Izzo (vocal), Marcelo Izzo Jr. (guitarra e backing vocals), Chakal (baixo) e Vinnie Rabello (bateria), não se esquecendo do Rafael Agostino, que fez um trabalho brilhante no Hammond, Moog, Mellatron e Piano. Em suma, a banda fez o disco da maneira que o estilo pede, e “Mindlomania” entra como um dos principais registros atuais de Rock Clássico do Brasil.

Dentre os destaques, começamos logo pela primeira faixa, “Bewitched”, que chega ditando regras com o peso das guitarras e da parte rítmica (prestem atenção na bateria), preenchidas por belas melodias vocais e ótimos arranjos de hammond; a faixa-titulo, “Mindlomania”, é destacada pelas variações vocais, que ora chega lembrar o Dan McCafferty, do Nazareth, na hora que chegam os refrãos vibrantes, que são cadenciados pelo peso das guitarras; “The Time Has Come” vem num andamento mais meio tempo, seguindo uma pegada mais orgânica e intimista, conduzidos por guitarras harmonizadas e pelo ‘feeling’            vindo do hammond.


Pra deixar o clima mais divertido, “Liars” traz o lado Rock ‘n’ Roll do quarteto de forma abrasiva, e apesar de ser simples e direta, traz arranjos inteligíveis e técnicos. E a parte rítmica é surpreendente, principalmente do baixo; no mesmo terreno, “Madman Doc” reserva momentos de pura festa já numa pega mais clássica do Rock ‘n’ Roll, sendo perfeita pra tocar em qualquer ‘baile’. E o trabalho de piano deixou a música ainda mais cintilante.

Após um instrumental cheio de psicodelismo com a “The Gave, The Hole, The Escape”, “Sadness” arrasta o quarteirão com riffs robustos, não deixando sumir o esmorecer das melodias. Os arranjos vocais se sobressaem novamente, e intercalam o mais melódico ao agressivo; “Shining Star” é uma balada atmosférica, bem no estilo Black Sabbath, tendo somente melodias acústicas e instrumentos de percussão como base; “Wild Wolf” mostra um inicio gracioso, mas que depois cresce com os riffs ganchudos, que vão progredindo durante a parte rítmica; “Shock Therapy” aborda passagens diversificadas, tanto que é a faixa mais longa do disco, existindo um dinamismo cheio de classe dos músicos, que mais uma vez capricharam nos arranjos de guitarra e teclado.

Durante esses 4 anos de atividades, o Silver Mammoth crava, de vez, o seu nome na história do Hard Rock e Classic Rock nacional, tendo muita lenha pra queimar lançando ótimos discos no futuro.

Texto: Gabriel Arruda
Edição/Revisão: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Silver Mammoth
Álbum: Mindlomania
Ano: 2015
Estilo: Hard Rock/Classic Rock
Gravadora: Ms Metal Records/Voice Music
Assessoria: Ms Metal Agency



Formação
Marcelo Izzo (vocal)
Marcelo Izzo Jr. (guitarra)
Chakal (baixo)
Vinnie Rabello (bateria)

Track-List
01. Bewitched
02. Mindlomania
03. The Time Has Come
04. Liars
05. MadmanDoc
06. The Cave, The Hole, The Escape
07. Sadness
08. Shining Star
09. Wild Wolf
10. ShockTherapy

Contatos


sábado, 5 de dezembro de 2015

Entrevista: Pop Javali - Desbravando Novas Fronteiras



English Version

O Pop Javali é um Power Trio brasileiro com 20 anos de carreira na música, tendo como influências as bandas de Classic Rock e Progressive Rock dos anos 70 e 80, e vem mantendo a mesma formação desde seu início, com Jaéder Menossi (Guitarra), Marcelo Frizzo (Baixo e Vocal) e Loks Rasmussen (Bateria), o que lhes proporciona um entrosamento perfeito.

A banda já dividiu o palco com lendas como Deep Purple e Uriah Heep, além de inúmeras apresentações pelo Brasil, tendo dois álbuns lançados, e o mais recente, "The Game of Fate" (2014), o qual foi produzido pelos irmãos Busic (do também power trio Dr. Sin) vem tendo excelente repercussão com fãs e mídia especializada.

Colhendo os frutos deste excelente álbum e desses anos todos de estrada, o Pop Javali recentemente fez sua primeira tour na Europa, passando por 4 países em 9 shows. Conversamos com o guitarrista Jaéder para nos falar dessa viagem, algumas curiosidades e também sobre esse ótimo momento da banda. Confira a seguir.

RtM: Recentemente a banda retornou de tour no exterior, nos contem como surgiu a oportunidade e também a ideia da tour?  Vocês sentiram que era uma necessidade, inclusive para dar novos passos na carreira, e que também havia uma demanda?

Jaéder Menossi – Primeiramente, agradeço a Road to Metal pela oportunidade. A ideia surgiu em parceria com o Som do Darma, que é responsável pelo nosso Press Management e Gerenciamento de Carreira. Eles fizeram contatos e enviaram material para casas e Festivais tradicionais na Europa, e muitas delas retornaram demonstrando interesse em contratar a banda. A partir disso, foi sendo montado o schedule e logística conforme as disponibilidades de agendas das casas e as distâncias entre elas. Sentimos que era uma ótima oportunidade, vindo de encontro as nossas metas e objetivos profissionais. 


RtM: Como foi a recepção do público? Encontraram um público receptivo, público que conhecia o trabalho do Pop Javali também? Deu pra sentir que há um mercado que pode ser melhor explorado pelas bandas brasileiras, porque, temos outras bandas com visibilidade lá fora, mas ainda vejo que ainda conhecidas por um público restrito.

Jaéder – A recepção foi fantástica! Encontramos um público receptivo que conhecia o trabalho da banda num nível surpreendente. Nos perguntavam porque não tocamos uma determinada música no set, sobre a guitarra que eu usei no clipe de ‘’Healing no More’’, que técnica que eu usei num determinado vídeo no Youtube. Foi muito gratificante ver como eles se interessam pelo trabalho de uma banda que vão assistir ao vivo e também pelo trabalho dos músicos individualmente. 


RtM: E as condições que vocês encontraram para tocar, em termos de locais, equipamentos, etc?

Jaéder – As condições eram excelentes, equipamento de som e luz sempre de primeira. Os locais todos bem estruturados com engenheiros de som prontos para te atender em qualquer necessidade. 


RtM: E quais as grandes diferenças que vocês sentiram entre fazer uma tour aqui no Brasil e lá no exterior?

Jaéder – Com relação a receptividade do publico é muito parecido, fomos sempre muito bem acolhidos tanto aqui quanto lá. Uma diferença importante é que a Europa é o “berço’’ do rock, o rock esta inserido na cultura deles de uma maneira diferente. Poder ter tocado no Cart & Horses que foi onde o Iron Maiden fez as primeiras apresentações, por exemplo, foi um privilégio. Participar de festivais como o Razorblade e Sneeker Metal Meeting, também. Sem falar no intercâmbio com as bandas e com fãs de outros países e as novas amizades que tivemos oportunidades de fazer.


RtM: E qual o balanço final que vocês fazem dessa tour? Deixaram muitas portas abertas?

Jaéder – Sim, o balanço foi altamente positivo! Nossas performances foram muito boas, cheias de energia, fomos destaque tanto pela interação com o público quanto por sermos a banda brasileira da noite. O pessoal lá respeita e se interessa muito por bandas brasileiras, muito devido aos trabalhos pioneiros de bandas como Sepultura e Angra. Existe um ‘’pré-conceito’’ do bem no ar. 


RtM: Falando sobre “The Game of Fate”, que recebeu muito boa recepção por parte de crítica e público, e continua sendo divulgado, gostaria que vocês falassem sobre os resultados alcançados até agora, se estão dentro do que vocês esperavam, as expectativas foram superadas ou ainda aquém do que vocês planejaram?

Jaéder – Foi um álbum que fizemos com muito carinho e cuidado nos detalhes, claro que esperávamos uma boa recepção, mas a expectativa foi superada em muito. A se destacar a produção impecável dos irmãos Busic que ajudou sobremaneira para atingirmos o resultado que queríamos. 


RtM: E sendo um Power-Trio, uma formação que se popularizou bastante a partir dos anos 60, trazendo como característica a capacidade e virtuosismo dos músicos, com ênfase na parte instrumental. Vocês pensaram o Pop Javali desde o início nesse formato? Tendo em mente essas características e também a maior liberdade que essa formação dá?

Jaéder – Sim, sempre quisemos esse formato, muito até pela afinidade dos três, pessoal e musical. É difícil encontrar pessoas comprometidas com um mesmo ideal, quanto menos gente, menos difícil (risos). Quanto a parte musical, se por um lado dá mais liberdade, por outro, exige maior criatividade para que a banda soe sempre coesa.


RtM: E quais seriam os seus Power Trios preferidos?
Jaéder - Os meus power trios prediletos são Rush, Motörhëad, ELP. Numa outra fase, Prong e Primus.


RtM: Eu vejo o público do Classic Rock, Hard Rock e Metal como um público fiel, e acredito que as boas bandas do estilo sempre terão mercado. Como vocês têm percebido o cenário atual, que inclusive tem revelado novas bandas que fazem música inspirada na sonoridade dos anos 60 e 70, como Blues Pills, Rival Sons e outras?

Jaéder – Sobre as bandas mencionadas, não as conhecia, vou pesquisar, obrigado pela informação. Eu acho ótimo porque onde estamos hoje deve-se muito as referencias dos anos 60 e 70. Tivemos muita influencia de bandas dessas gerações.


RtM: Como curiosidade, gostaria que vocês contassem sobre o nome da banda, como vocês o escolheram e o significado dele?

Jaéder – Queríamos sair do estereotipo dos nomes compostos em inglês, exemplo, “Deformation of Contamination”, “Abominition of Mortification” (risos), etc. Queríamos um nome direto e de fácil assimilação. Quem assiste nossos shows nunca mais esquece o nome da banda. É um nome marcante!


RtM: E os planos do Pop Javali para 2016?

Jaéder – Para 2016 estudamos lançar um CD ao vivo com alguns dos shows que gravamos durante essa turnê pela Europa. Também o próximo de inéditas está bem adiantado e talvez tenhamos um álbum novo saindo do forno no segundo semestre, mais para o final do ano. Estamos também priorizando o lançamento de dois novos clipes pra esse ano. Enfim, muito trabalho e diversão à vista. 


RtM: Pessoal, obrigado pela atenção, parabéns pelos mais de 20 anos fazendo boa música e pelas novas conquistas. Fica o espaço para a sua mensagem aos fãs!

Jaéder – Muito obrigado pelo espaço, ficamos a disposição sempre que quiserem e peço a todos que confiram novidades em nossas redes sociais e website.


Entrevista: Carlos Garcia
Fotos: Arquivo da Banda e Som do Darma



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