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domingo, 11 de maio de 2025

Cobertura de Show: Bangers Open Air – 02/05/2025 – Memorial da América Latina/SP

Após o feriado do Dia do Trabalhador, o Memorial da América Latina foi palco de mais uma edição do festival de música pesada mais importante do Brasil e da América Latina. Se você pensou no Summer Breeze, é compreensível. No entanto, devido ao fim da parceria com os organizadores alemães, o festival agora atende por outro nome: Bangers Open Air. Apesar da mudança, a proposta continua a mesma: quatro palcos, mais de 50 atrações e uma variedade de atividades que abrangem desde gastronomia, tatuagem, cultura geek, entre outras coisas. Tudo isso ao longo de três dias intensos, não deixando nada a desejar em comparação aos grandes eventos europeus.

Para não dizer que não houve mudanças em relação às edições passadas, as únicas que pude notar foram na entrada do lounge, agora controlada por QR Code e reconhecimento facial por meio de catracas, a fim de evitar a entrada de penetras e fraudes. Outra novidade, que achei a mais legal, foi a liberação gratuita para crianças de até 10 anos. Em todos os dias, vi várias curtindo as diversas atrações ao lado dos pais, tios e avós, sob um calor escaldante, assim como no ano passado. Apesar dessas pequenas mudanças, o padrão geral do festival permaneceu o mesmo, com algumas melhorias pontuais aqui e ali.

Com os palcos Sun e Waves desativados, o primeiro dia contou shows apenas nos palcos Ice e Hot Stage, um contraste em relação ao ano passado, que teve uma programação mais extensa, mas com público reduzido por ser um dia útil. Neste ano, a organização manteve uma escala menor, provavelmente ciente de que muitos headbangers ainda estariam cumprindo seus compromissos profissionais. Mesmo com a primeira apresentação marcada para as 15h10, o público começou a chegar em peso após o fim do expediente. Quem teve a sorte e a proeza de comparecer ao chamado "Warm-Up", uma espécie de aquecimento para os outros dois dias de festival, pôde assistir a shows acima da média.

Infelizmente, não consegui ver o Kissin' Dynamite, banda pela qual eu estava ansioso para ver. Segundo comentários e relatos de amigos que assistiram, os alemães entregaram um ótimo show, como já era de se esperar tratando-se de uma das melhores bandas de Hard Rock da atualidade. Fica aqui o pedido para que voltem em uma futura edição, desta vez com tempo suficiente para poder vê-lo.

Kissin' Dynamite – setlist: 

Back With a Bang

DNA

No One Dies a Virgin

I've Got the Fire

My Monster

The Devil Is a Woman

Not the End of the Road

You're Not Alone

Raise Your Glass



Logo em seguida, foi a vez das meninas da Dogma, banda que rapidamente caiu nas graças dos brasileiros, subirem ao palco. Como muitos já sabem, as integrantes mantêm suas identidades em segredo, apostando em um visual enigmático: todas vestidas como freiras, com um toque sensual, que certamente provoca reações intensas, inclusive de católicos e até mesmo evangélicos mais conservadores.

Assim como no ano passado, a banda entregou um show sensacional, mostrando que sua performance cresce ainda mais em um palco amplo e bem produzido. Embora alguns tenham reclamado da qualidade do som, muitos ficaram encantados com o hard n’ heavy praticado pelo grupo e com as faixas do, até agora, único disco lançado em 2023, como “Bare to the Bones”, “Make Us Proud”, a pesada “Pleasure From Pain” e a já clássica “Father I Haven Sinned”. As novidades ficaram por conta do cover de “Like a Prayer”, da rainha do pop Madonna, e da nova faixa “Banned”.

Dogma – setlist:

Forbidden Zone

My First Peak

Made Her Mine

Banned

Like a Prayer (Madonna cover)

Bare to the Bones

Make Us Proud

Pleasure From Pain

Father I Have Sinned

The Dark Messiah



Depois, no palco vizinho, era a vez de conferir os veteranos do Armored Saint, uma das bandas mais subestimadas da história do Heavy Metal e que merecia muito mais reconhecimento. Diferente do show anterior, a banda teve uma recepção mais discreta, com o público sendo em sua maioria composto pelos fãs fiéis. Outro detalhe importante é que o Armored Saint não tem o hábito de visitar o Brasil com frequência. Inclusive, esse foi o primeiro de apenas dois shows que a banda realizou neste ano, já que eles vão focar na gravação do novo álbum. Isso foi o que o baterista Gonzo Sandoval explicou em uma entrevista que nos concedeu.

Quem estava ansioso para vê-los acabou se decepcionando um pouco não pela performance – por sinal, muito boa –, e sim pela qualidade do som, que não melhorou em nenhum momento. Independentemente desse problema técnico, John Bush (vocal), os irmãos Gonzo e Phil Sandoval (bateria e guitarra, respectivamente), Joey Vera (baixo) e Jeff Duncan (guitarra) entregaram o melhor de si em pérolas como “March Of The Saint”, “Last Train Home”, “Can U Believer” – com John descendo do palco e cantando perto da galera – e “Reign Of Fire”, que fizeram a alegria dos fãs.

Armored Saint – setlist: 

March of the Saint

End of the Attention Span

Raising Fear

Long Before I Die

The Pillar

Last Train Home

Left Hook From Right Field

Standing on the Shoulders of Giants

Win Hands Down

Can U Deliver

Reign of Fire



Após a Signing Session com as meninas do Dogma, corri para conferir os dinamarqueses do Pretty Maids, que finalmente fizeram sua estreia no Brasil após 40 anos. 

Durante toda a apresentação, dava para perceber a alegria de Ronnie Atkins (vocal), Ken Hammer (guitarra), Rene Shades (baixo), Allan Tschicaja (bateria) e Chris Laney (teclado/guitarra) por finalmente tocarem no país. Ronnie, em especial, chamava a atenção. Mesmo após anos enfrentando um tratamento contra o câncer, o vocalista continua com uma potência vocal impressionante, além de demonstrar muita interação entre as músicas.

Infelizmente, não consegui ver as três primeiras músicas, mas cheguei a tempo de ver e ouvir “Red, Hot and Heavy”, uma das faixas mais conhecidas da banda, a qual resume bem sua proposta musical, que é um hard n’ heavy contagiante. Me surpreendeu positivamente a sequência de músicas do álbum Pandemonium com “I.N.V.U.” – com Ronnie brincando com o público fazendo os “ô ô ô” e “yeah, yeah” –, “Little Drops of Heaven” e a própria “Pandemonium”, que agitaram a noite de forma impactante.

A trinca final ficou por conta da balada “Please Don't Leave Me”, originalmente composta pelo saudoso John Sykes e que trouxe um momento de respiro antes das indispensáveis “Future World” e “Love Games”, que colocaram o ponto final nessa estreia memorável, com o público vibrando a cada verso e riff. Torcemos para que essa visita não tenha sido única, pois ficou claro o quanto os brasileiros gostam da banda e ansiavam por essa vinda.

Pretty Maids – setlist: 

Mother of All Lies

Kingmaker

Rodeo

Back to Back

Red, Hot and Heavy

Pandemonium

I.N.V.U.

Little Drops of Heaven

Please Don't Leave Me

Future World

Love Games



O penúltimo show do primeiro dia ficou por conta de ninguém menos que Doro Pesch. Com uma carreira que ultrapassa quatro décadas, a vocalista alemã continua mantendo uma presença firme e uma dedicação incondicional ao Heavy Metal. Ao subir ao palco com “Rule the Ruins” e “Earthshaker Rock” – sucessos de sua época de Warlock –, Doro prova que a coroa de Rainha do Metal não lhe foi dada por acaso. Ao lado de sua banda, ela ainda empolgou o público com faixas de sua fase solo, como “Time for Justice” e “Raise Your Fist in the Air”.

Os pontos altos da apresentação ficaram por conta de “Für Immer”, momento em que Doro se cobriu com a bandeira do Brasil, e de “Fire in the Sky”, onde o guitarrista brasileiro Bill Hudson saudou seus compatriotas antes de iniciar a música, composta por ele especialmente para Doro.

No encerramento, a cantora prestou uma homenagem ao Judas Priest com “Breaking the Law”, que começou de uma maneira mais melódica, mas logo retomou seu formato clássico, fazendo com que rodas se formassem próximas ao palco. “All We Are”, considerada um verdadeiro hino pelos fãs e por todo headbanger que se preze, encerrou a participação da majestade do metal em clima de celebração, resultando, sem dúvidas, no melhor show do dia.

Doro – setlist:

I Rule the Ruins

Earthshaker Rock

Burning the Witches

Hellbound

Fight for Rock

Time for Justice

Raise Your Fist in the Air

Metal Racer

Für immer

Fire in the Sky

Breaking the Law (Judas Priest cover)

All We Are



Para encerrar este maravilhoso dia de aquecimento, o Hot Stage recebeu Glenn Hughes, uma lenda do rock que dispensa apresentações. Seus trabalhos icônicos ao longo da carreira falam por si. O vocalista, considerado por muitos como “the voice of rock”, tem um carinho especial pelo Brasil, tendo se apresentado aqui diversas vezes, embora poucas em festivais. Sua estreia em festivais brasileiros ocorreu no Monsters of Rock de 1998. E agora, após tantos anos, ele retorna a um festival de mesma magnitude no Brasil.

Apesar dos 73 anos e dos desafios que enfrentou no passado com drogas e álcool, o músico inglês continua com a voz em excelente forma. É perceptível alguma mudança de tom em certos momentos, mas um artista de sua idade ainda interpretar canções da fase em que integrou o Deep Purple ao lado de David Coverdale é impressionante.

O repertório da noite focou nas fases MK III e MK IV do Deep Purple, com apenas oito músicas, provavelmente devido ao tempo de encerramento do festival. Clássicos como "Stormbringer", "Mistreated", "Sail Away" e "You Fool No One" incendiaram o público, com solos de guitarra, bateria e improvisos que remetiam à atmosfera do lendário California Jam, realizado em 6 de abril de 1974. As músicas mais aguardadas ficaram para o final: a envolvente “You Keep On Moving” e a radiofônica “Burn”, encerrando esse belo dia de aquecimento e pronto para encarar a vasta maratona do dia de seguinte. 




Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

Edição/Revisão: Gabriel Arruda  


Realização: Consulado do Rock

Press: Agência Taga 


Glenn Hughes – setlist:

Stormbringer

Might Just Take Your Life

Sail Away

You Fool No One 

Mistreated

Gettin' Tighter

You Keep On Moving

Burn

sexta-feira, 27 de outubro de 2023

Doro: O Poder e a Força da Rainha

 


E hoje temos o lançamento oficial do novo álbum da rainha Doro Pesch, e se passaram 40 anos e a sua paixão pelo Metal não reduz, nos trazendo um álbum forte e com peso, mesclando o Metal Tradicional e Hard Rock.

Contando nos últimos anos com músicos que deram muito mais consistência para sua banda solo, em "Conqueress, Forever Strong and Proud" certamente agradará os fãs da rainha, tendo músicas fortes e cativantes, além de várias faixas bônus e edições especiais do álbum.

A abertura empolgante com a pesada e mid tempo "Children of The Dawn" já empolga de cara, e logo na sequência temos a vibrante e veloz "Fire in The Sky", com riffs eletrizantes, e antes que possamos tomar fôlego, vem a versão para o clássico "Living After Midnight", do Judas Priest", com Doro fazendo dueto com o próprio Rob Halford! Nossa, de emocionar. Misto de alegria e saudosismo, dois grandes expoentes da pura essência do Heavy Metal, com suas vozes casando perfeitas.

O álbum consegue manter o pique em todo o seu correr, destacando o ênfase nas guitarras e peso na cozinha, imprescindível para um álbum de Heavy Metal. Há um ou outro momento de menor impacto, mas o disco possui um número de canções e boas surpresas suficientemente fortes a fim de manter uma dinâmica muito boa.

Citando mais alguns destaques, temos "I Will Prevail", que traz mais peso e agressividade; "Heavenly Creatures", um Hard Rock melodioso;  "Time For Justice", com seus riffs nervosos, e que foi single e o vídeo bem legal, com aquela estética Mad Max.

"Love Break Chains", mais cadenciada, com alguns toques mais contemporâneos;  "Rise", Heavy Metal com riffs vibrantes e refrão que gruda de imediato. 

Enfim, faixas que trazem aquela mescla de Hard e Heavy, riffs marcantes e refrãos fortes, estéticas a que estamos acostumados a ouvir no trabalho de Doro, somados a pitadas de mais peso e toques do Metal contemporâneo.

A tradicional balada com título em alemão, também é algo recorrente nos álbuns de Doro, e aqui temos a boa "Fels in der Brandung", e dentre as surpresas, mais um dueto com Halford, na versão para "Total Eclipse of The Heart"(Bonnie Tyler), que inclusive tem seu vídeo lançado hoje também, e eu gostei bastante. A dupla novamente casa muito bem suas vozes, nesta versão "balada heavy" do grande hit da Bonnie.

Dentre os bônus diversos que estão nas edições, destaco a versão para "The Four Horsemen", do Metallica, onde Doro e banda mandam muito bem, dando uma cara mais Heavy Tradicional mas sem perder a pegada e peso da original, que tinha aquela "crueza juvenil".

Enfim, um ótimo álbum de Heavy Metal, simplesmente isso, Metal com garra, força e orgulho de fazer o que se gosta. Os fãs agradecem. Quem não curtir, provavelmente cansou ou não gosta do Heavy Metal tradicional, do Hard/Heavy e dos trabalhos da Doro, e tem mais é que ouvir outras bandinhas modernosas aí que não vão ter a longevidade dos ícones como ela.

Texto: Carlos Garcia

Lançamento: Nuclear Blast/ Shinigami Records 

Doro Site Oficial

Tracklist:

1. Children Of The Dawn 4:06

2. Fire In The Sky 3:26

3. Living After Midnight 3:52

4. All For You 3:55

5. Lean Mean Rock Machine 3:00

6. I Will Prevail 3:54

7. Bond Unending 2:30

8. Time For Justice 3:30

9. Fels in der Brandung 3:41

10. Love Breaks Chains 4:57

11. Drive Me Wild 4:07

12. Rise 3:11

13. Best In Me 4:26

14. Heavenly Creatures 3:56

15. Total Eclipse Of The Heart 4:00

16. Bonus Track: Warlocks And Witches 1:34

17. Bonus Track: Horns Up High 3:41

18. Bonus Track: True Metal Maniacs 3:37

19. Bonus Track: Heart In Pain 

20. Bonus Track: The Four Horsemen






sábado, 25 de julho de 2015

Maidens of Metal - O que Elas Pensam a Respeito do Papel da Mulher na Cena Rock/Metal nos Dias de Hoje?


A ideia desta matéria (devidamente batizada "Maidens of Metal", também aproveitando o trocadilho com "Made of Metal)  surgiu em março, no clima do mês da Mulher e do Dia Internacional das Mulheres, pensamos em realizar um artigo especial, então nossa equipe colheu depoimentos de algumas mulheres atuantes na cena Metal e Rock Pesado, para saber a opinião delas quanto ao papel hoje da mulher nessa cena, antes dominada pelo sexo masculino.

Antes, as raras pioneiras penavam com a discriminação e falta de apoio, mas buscaram seu lugar e conquistaram respeito, mesmo que seguindo mais a linha do que era feito pelos representantes masculinos, como as Runaways, Girlschool, Wendy O. Williams, Doro Pesch, Jo Bench, London Wilde e Leather Leone, e aqui no Brasil Volkana, Flammea, Valhalla e Placenta, para citar algumas. 

Mais tarde, uma outra geração mostrou que as mulheres não precisavam deixar a serem femininas e até delicadas, ou usarem um figurino mais estilizado, e citamos aí Liv Kristine, Anneke, Kari e logo em seguida Tarja, Cristina Scabbia, Vibeke Stene... e partir daí, bandas com integrantes femininas, não só nos vocais, e até formadas somente por mulheres só cresceu, tendo até alguns rótulos específicos, e inclusive festivais exclusivos, surgindo novos ano a ano, como Metal Female Voices, que acontece desde 2003 na Bélgica, e o She Shakes the Earth, aqui no Brasil, em Brasília.


Charge de Márcio Baraldi, ilustrando isso, de que elas são capazes de tudo

Mas, e afinal? Ainda há muita dificuldade, discriminação? É justo explorar a imagem das musicistas femininas, utilizando rótulos como "Female Fronted Metal" ou "Female Fronted Band"? 

E usar esse rótulo é justo ou é tirar proveito, às vezes até para suprir uma possível falta de outras qualidades? Vencer num território predominantemente masculino sem perder a feminilidade também é um desafio. O que elas pensam sobre isso tudo? E também perguntamos a opinião dos "caras".


Sabemos que são poucos depoimentos face a quantidade de bandas, a diversidade dentro dessa cena, além da individualidade de pensamento de cada pessoa, mas acompanhe conosco, porque com certeza, muita coisa conseguimos abranger, conversando com pessoas de diversos países e de diversos sub-estilos dentro do Metal,  e, claro, também dê a sua opinião. Vamos lá conferir o que elas têm a dizer?


A experiente London Wilde, que vem de uma época que era bem mais complicada a cena, principalmente para as mulheres, tem restrições quanto à rótulos como "Female Fronted Metal" e também expressa sua opinião às mais jovens:

A experiente London Wilde, que iniciou a carreira em uma época que ainda eram raras as mulheres no Metal


"Eu acho que o termo "Female Fronted "pode ​​ser negativo se evoca noções preconcebidas sobre como a música vai soar. Eu acho que é importante para as mulheres no Metal não se preocuparem com os estereótipos, ou em encaixar em determinado papel ou movimento, e se concentrar apenas em realizar sua visão pessoal como artista. "
 London Wilde (Vocalista/Produtora - WildeStarr - EUA)




A mexicana Marcela Bovio optou por mudar-se para a Holanda, em busca de mais oportunidades

"Acho que as mulheres são muito mais aceitas no mundo do Metal hoje em dia. Você vê um monte de mulheres que fazem música pesada, e já não é mais uma surpresa, e isto é ótimo! Mas uma coisa que eu acho que realmente é preciso,  é se livrar do rótulo de "Female Fronted Metal", ele não diz nada sobre a música que uma banda realiza!"

 Sobre a questão de mudar-se para a Holanda, em busca de melhores oportunidades, Marcela explica:
"Há uma série de fatores que mostram que manter uma banda na Europa é mais fácil do que no México, mas um dos principais é que há , pelo menos na Holanda, muito mais apoio do governo para as artes do que no México, por exemplo."
Marcela Bovio (Natural do México, Marcela é Vocalista/Violinista e compositora do Stream Of Passion - Holanda)



Marcela mudou-se do México para a Holanda, mas no outro lado do Oceano também há países em que o apoio é precário, tanto para homens como para mulheres. Veja o que Daria Piankova (Concordea-Rússia) e Nelly Hanael (Majesty of Revival - Ucrânia) têm a dizer. Daria vê como uma questão ainda difícil de opinar quanto a participação feminina, e a busca de manter o equilíbrio entre mostrar força sem perder feminilidade, enquanto Nelly tem uma visão mais "poética".


Daria Piankova, do Concordea, oriunda da região Ural na Rússia

"É uma pergunta difícil, principalmente porque essa música era originalmente desempenhada por homens e não por mulheres. Comumente este tipo de música está associada com o protesto, revolta, agressividade, poder, o que é - eu digo outra vez esta palavra - principalmente prerrogativa dos homens, mesmo dentro de nossa cultura moderna ... Então, quando você fala sobre o papel das mulheres nesta música, você tem que enfrentar muitos estereótipos no ar, na mente dos homens e das mulheres. Hoje as mulheres tentam contribuir com sua parcela a sério neste negócio ... e seu objetivo é combinar sua ternura natural e o poder que eu mencionei acima. Criar beleza e ser firme. E continuar sendo mulheres apesar de tudo. Não é uma tarefa das mais simples, acredite em mim!"
(Daria "Domovik" Piankova, Guitarra - banda Concordea - Rússia).



"Para mim, uma combinação da suavidade feminina e o poder da música Heavy Metal sempre foi (e ainda é) a coisa mais maravilhosa e mágica no estranho mundo de vários instrumentos musicais e vozes. Quando uma mulher começa a cantar em uma música poderosa, e ela traz uma pequena (ou nem tanto) linha melódica você precisa seguir e apreciar de qualquer jeito, principalmente quando a cantora é uma profissional!
Todas essas mulheres me lembram uma donzela guerreira - uma combinação de força, beleza e profunda ternura em suas raízes. É uma espécie de conto de fadas da cena Rock/Metal, que deve existir e continuar a progredir!...

Nelly Hanael (Ucrânia)
...E sobre o rótulo de "Female Fronted Band”, acho ótimo esse rótulo existir porque essas pessoas, que gostam de ouvir vozes femininas no Metal e no Rock facilmente podem encontrar muitas boas bandas. E também mais fácil para as bandas encontrarem a gravadora certa, as quais conhecerão o seu trabalho dessa forma! He he he.”
(Nelly Hanael - Vocalista - Majesty of Revival - Ucrânia)




E aqui no Brasil? Um pouco do que nossas "Mulheres de Metal" aqui pensam:


"Cada vez maior e em ascensão. As coisas mudaram bastante numa média de 10 anos pra cá, hoje em dia, as mulheres estão cada vez mais presentes na cena rock/metal, tanto comparecendo aos shows e comprando material quanto como integrantes das bandas e produtoras e organizadoras dos eventos! Autênticas, vestindo , ouvindo e agindo da forma que lhes agrada sem ter que provar nada a ninguém pra fazer parte de um grupo.

Vejo muitas meninas mais jovens querendo ter uma banda, por exemplo,  não são apenas os garotos, eu fico muito feliz por isso e me sinto muito realizada em ver que isso é reflexo dessa mudança de comportamento, hoje mulheres e homens são tratados da mesma forma e recebem o mesmo respeito, pelo menos da maioria, o que demonstra como conseguimos efetivamente conquistar nosso espaço dentro dessa coletividade."


Jana lembra também que, se algumas seguiram firmes, outras foram desencorajadas pelo machismo de outrora e preconceitos:

"É claro que sempre estivemos por ai, desde o inicio,  mas as cobranças e o clima machista de outrora desencorajou muita gente . Mulheres não curtem som, mulheres só curtem caras, mulheres só causam discórdia entre os caras das bandas, mulher no role tá caçando um cabeludo, mulher é poser  (pelo simples fato de ser mulher), mulher no Metal que não pega os caras é “machinho”, mulher que pega os caras é vagabunda...  pois bem, o que posso dizer é que se esse pensamento ainda existe, ele agora tem que ficar bem guardadinho pois não será tolerado! O Metal e o Rock são movimentos de transgressão. 

Não existe espaço pro machismo, o indivíduo que pensa assim, definitivamente não vive o Metal, é só um curtidor, não entendeu nada! Participamos da cena como headbangers que somos,  estamos de olho e unidas para proteger e impedir qualquer tipo de preconceito e injustiça. A mulher da cena hoje é consciente do seu direito e seu espaço, sente-se a vontade para falar, tocar, curtir, ir onde ela quiser, dizer suas opiniões , encarar quem quer que a afronte, de igual pra igual. E o cenário só tem a ganhar com isso!"
Jana Lemos (Sakhet - Brasil)



"Mulheres são atuantes em todas as vertentes do rock-metal, temos ótimas representantes em todos os gêneros e desempenham seus papéis admiravelmente, sem deixar a desejar em nada ao sexo masculino.. como sou mais do extremo Death e  Grind vou citar alguns nomes de respeito e atitude: Marly (No Sense), Ana (Haemorrhage), Gabi (Nuclear Frost), Larissa (High School Massacre e Retaliaçao Infernal), Fernando (Obitto), as gurias do Valhalla de Brasília e muitas outras que não lembro agora.. Mas todas dignas de respeito e admiração!!!!"
Angela Crotch ( Crotchrot e Necrose)

"As mulheres sempre representaram o rock, desde o seu início, mas tendo destaque apenas como meras fãs. Depois de um tempo as mulheres ganharam mais espaço para serem as protagonistas do rock, vindo atualmente ocuparem papel de grande destaque junto aos homens."
          "No palco não há distinção de sexo e sim a música."
      (Adriane) Adrismith Panndora, baterista da banda Panndora



O Metal é um só, e somos todos iguais, então, seguimos nossa viagem, com opiniões que vêm da Itália, Holanda, e mais Brasil!

Duas emergentes e talentosas cantoras da sempre prolífica cena Italiana, Nicoleta Rosellini (Kalidia) e Chiara Tricarico (Temperance) também nos concederam sua opinião sobre a questão da mulher no meio Metal e os rótulos:

Nicoleta Rosellini
"Quando comecei a cantar em bandas (em torno de 2008), as mulheres ainda eram raras na cena underground do Rock e Metal,  e as poucas bandas lideradas por mulheres eram ainda algo estranho! Hoje em dia, o movimento “Female Fronted” cresceu muito e parece que cada banda precisa ter uma “frontwoman”!

Ser parte do movimento permite que você use alguns recursos exclusivos, como fanpages ou zines dedicadas a ele.

Mas eu ainda prefiro a descrever a minha banda como “Melodic Power Metal” em vez de “Female-Fronted Band”, porque há muitos ouvintes que realmente não estão interessadas no “movimento”.

Eu acho que todas essas bandas tem que dar um passo atrás e parar de descrever a si mesmos apenas como "Female-Fronted band"; na verdade, eu prefiro ler seu gênero musical, em vez dessa marca."

(Nicoletta Rosellini – Vocalista do Kalídia – Itália)



Chiara Tricarico


"Estou feliz que as meninas tomaram o seu lugar na cena do Metal nos últimos anos. Eu acho que é um fato muito positivo que o público finalmente abriu sua mente para os inúmeros bons músicos femininos da cena."

E independente de estilos, elas estão prontas para quaisquer desafios:

"Eu gosto de me expressar de muitas maneiras diferentes, e é por isso que eu não me limito em apenas um estilo vocal. Eu gosto tanto de ópera, Rock, pop e os estilos mais agressivos, e, geralmente, eu também faço os “growls”  e “screams”  no palco ahaha."


(Chiara Tricarico, vocalista - Temperance - Itália)





Aline Happ (Rio de Janeiro-Brasil) e Deisi Wolff (Viamão-RS), jovens ainda, mas já com experiência na difícil tarefa de fazer Metal no Brasil, mostram opiniões firmes:






"Vejo as mulheres com o mesmo papel que o homem. Várias bandas com mulheres têm aparecido e tido destaque, principalmente os grupos com vocalistas femininos. "

(Aline Happ, Vocal e teclados – Lyria- Rio de Janeiro)



"Vejo o papel das mulheres no Rock/Metal de extrema importância, ano após ano estamos conquistando espaço em meio a essa “cena” onde a maioria dos músicos e público ainda é masculina. O importante é que não estejamos nos destacando apenas por ser mulher, mas sim por ter capacidade e atitude tanto quanto os homens. Hoje em dia ainda representamos uma minoria, mas esse número vem crescendo a cada dia e deve ser apoiado, pois se há uma coisa que falta entre a galera Rock/Metal, independente do sexo, é união. E quando a mulherada que faz um som, ou simplesmente apoia as bandas da forma que consegue, ao invés de ir a shows pra fazer intrigas e desfilar roupas, é de mulheres assim que o Metal precisa!”
(Deisi Wolff, vocalista da Soul Torment/ Correspondente/redatora site Road to Metal.)





Carla Van Huizen, da emergente banda Holandesa La-Ventura, vê as mulheres cada vez mais tomando a frente, e entende como positivo o rótulo "Female Fronted Metal", mas também entende que não importa o sexo do artista, e sim a qualidade:



"Eu, pessoalmente, levo a sério o meu papel como “frontlady” de uma banda de Rock/Metal. Para mim, é um gênero perfeito para expressar minhas emoções. É poderoso, melódico, pesado e groovy, ao mesmo tempo. Talvez a cena Metal e Rock foi originalmente dominada por homens, mas hoje em dia as mulheres têm provado ser capazes de ser líder da matilha. Uma voz feminina pode facilmente equilibrar e complementar o peso da música neste gênero. Para mim, essa cena é toda sobre as mulheres no seu melhor: mostrando beleza e poder, ao mesmo tempo. Eu acho que nós vamos sobreviver neste mundo "masculino".


E a tag "Female Fronted Band" Eu acredito que é uma coisa boa, porque hoje em dia é popular e está em evidência em muitas partes do mundo. Embora eu acredite que devemos ser abertos para toda a boa música, não importando o sexo de quem está à frente de uma banda. Você não concorda?"

Carla Van Huizen (Vocal - La-Ventura - Holanda)

Carla Van Huizen

Évora Morgana, experiente musicista da cena Underground do Rio Grande do Sul, viu as mulheres ocuparem cada vez mais espaço em todas as áreas dentro do Rock e Metal:




"Bem, este é um espaço que foi conquistado com muita dificuldade visto que tanto o Rock como o Metal em geral é um reduto bem machista. Se no exterior foi um espaço conquistado com dificuldade, imagina no Brasil, onde infelizmente temos essa cultura de futebol e carnaval....
Quando comecei eram muito poucas mulheres na cena ,tinha que ser firme e muito determinada, sem se expor muito!  o respeito é o essencial!!
Atualmente vejo cada vez mais mulheres guerreiras na cena, desde o Rock até o Metal extremo e bandas só de integrantes femininas também, e não se restringe ao som, temos mulheres empresárias , que fazem camisetas pintadas a mão ou serigrafia, zines e muito mais!!"
Évora Morgana (Guitarrista,  Imortal Perséfone e Psycophobia)




E a Rainha Doro Pesch, uma das pioneiras, começando muito jovem em uma cena quase que totalmente dominada pelos homens, o que ela tem a dizer?


"A participação feminina hoje é fantástica, e há uma série de grandes músicos do sexo feminino na cena. Em nenhum momento eu cheguei a sofrer discriminação. Todo mundo sempre foi muito bom para mim e me tratou com respeito e me senti muito apoiada por todas as outras bandas e músicos, e eu sempre, sempre senti uma conexão profunda e sólida com os fãs. Acho que sempre senti que eu amava os fãs e a música, mais que qualquer outra coisa neste mundo."

A jovem Doro, beleza, força e pioneirismo




Mas e os "caras", o que eles pensam a respeito da mulherada cada vez mais tomando frente? Confira a opinião de alguns representantes do sexo masculino:


"As mulheres tiveram representatividade no rock/metal desde sempre, e, apesar de a maioria das meninas preferirem seguir outros caminhos, as que partiram para esse deixaram a sua marca...não vejo distinção entre as pessoas, o que acontece é que muitos não levam a sério e não fazem acontecer...mas isso faz parte da humanidade a milênios, e as que conseguem superar isso estão por aí destilando o sangue rock/metal por suas veias.....é isso."
 (Adriano Ribeiro Khrophus, guitarrista da banda Khrophus - SC)
  
Adriano Krophus

"Vejo que hoje a mulher está ganhando mais espaço tanto no Rock como no Metal, um meio praticamente dominado por homens, e isso é extremamente benéfico e importante. Ainda há muito a ser conquistado, mas com tantos talentos surgindo, não duvido que alcancem esse objetivo."
(Vitor Rodrigues, vocalista - VOODOOPRIEST, ex-Torture Squad - SP)

Vitor Rodrigues


Dave Starr, uma lenda do Metal, acompanhou a evolução da participação feminina, juntamente com sua esposa London Wilde, mas também não concorda com rótulos que separam gênero, assim, como são da mesma opinião Baronvon Causatan, editor da Satanic Militia, e o redator e coordenador do Road, Carlos Garcia, os quais também enfatizam as pioneiras:

"Eu acho ótimo que há mais mulheres no Rock/Metal nos dias de hoje. As coisas são muito diferentes hoje do que eram 20 ou 30 anos atrás, e isso é uma coisa boa. Naquela época, haviam realmente apenas algumas poucas bandas com mulheres, agora há um número maior. Pode não ajudar, mas capacita as mulheres a verem quantas chegaram lá nos dias de hoje. Dito isto, acho que a classificação "Female Fronted Band" está desgastada e ultrapassada.

Nós mesmos (WildeStarr) usamos em nosso site, mas a removemos há alguns anos. O rótulo apenas parece datado e chato para mim. Acho que todo músico ... e cada banda deve ser julgada pelos seus méritos, e não pelo seu gênero. Se realmente queremos viver em uma sociedade sem discriminação, não importando a cor da pele , também devemos viver em uma sociedade que não se importa com o gênero. A boa música é boa música, não deve realmente importar quem a faz. "
(Dave Starr - Guitarrista - WildeStarr, e ex-baixista e membro fundador do Vicious Rumors)

Dave Starr

"Uma pena que as mulheres demoraram para tomar o seu lugar entre as bandas, deixando de lado apenas aquela babação de ovo com os músicos, o que ao meu ver estragou e atrasou demais a conquista de espaços nos palcos. Claro que ainda temos as mulheres que infelizmente agem assim, mas pelo menos temos agora exemplos que valem muito mais a pena em cima do palco (não atrás em algum sofá). Poucas bandas tinham uma mulher a frente, talvez uma ou outra tocando algum instrumento, mas tomando a frente foram poucas. Exemplos como Jynx Dawnson da Coven, Wendy Williams da Plasmatics, passando por Doro Pesch na Warlock e não podemos deixar de lembrar de Runaways, Suzy Quatro, mesmo não gostando do trabalho vale destacar Janis Joplin também.

Atualmente vemos em todos os estilos, bandas com algum membro feminino na formação ou mesmo bandas completas de mulheres, e quando digo em todos os estilos, são todos mesmos. Desde tradicional Heavy Metal chegando até as podreiras Splatter/Gore.
Eu até acho que chegamos ao exagero de ficar separando por gênero algo que não precisa, mas seja por questões sociais ou por cabeças pequenas dos dois lados (homem/mulher) essa competição e diferenciação surge.

Baronvon Causatan
Eu sempre disse que tem mulher fazendo som melhor que muita gente por aí, tem vocalista aí que tá dando pau em muito barbado quando abre a boca para fazer um gutural.
Acho que o lado feminino não tem mais que lutar por um espaço e sim fazer o mesmo por manter, dar continuidade e sair da posição de simplesmente refletir aquela coisa de ficar correndo atrás de cabeludo porque toca em banda ou porque tem um cabelo grande, porque são essas que estragam a imagem da mulher dentro do Metal, felizmente é um pequeno grupo (ou groupies kkk) que só perdem espaço ao meu ver. Enquanto tivermos bandas e mulheres representando o seu espaço, podem estar certos de que as mulheres estão indo muito bem no cenário!!!!"
(Baronvon Causatan, webmaster da Satanic Militia Magazine)


Carlos Garcia (Road to Metal)
 "O que importa mesmo é a música, não o sexo, cor, credo....o que for. A qualidade do artista é que vai conquistar o reconhecimento e o respeito. Hoje as mulheres conquistaram seu espaço numa cena antes dominada pelos homens, mostrando isso, que é estupidez achar que algum indivíduo não possa realizar essa ou aquela tarefa porque é homem ou mulher. O papel delas na Cena Metal e Rock é fantástico, temos vocalistas, tecladistas, guitarristas, bateristas, produtoras...elas estão em toda parte, mostrando força, mas sem perder a graça, e é perfeitamente normal hoje, e, embora algumas bandas ainda se utilizam do fato para tentar chamar atenção, na grande maioria vejo que não se importam, como falei antes, o que importa é a qualidade do artista."
(Carlos Garcia, Editor e Coordenador Site Road to Metal)




A matéria é relativamente pequena para o tamanho do assunto e a proporção que hoje as mulheres ocupam na cena Rock e Metal, mas esperamos com este artigo, além de uma homenagem, também mostrar que as opiniões, dificuldades e conquistas possuem pontos muito parecidos, não importando a idade, país ou continente, e esperamos retomar ainda o tema em mais algumas matérias especiais em breve.

A colaboradora do Road to Metal Fernanda Vidotto, ficou com a tarefa de ajudar a concluir a matéria, e também enfatiza as dificuldades que as mulheres encontravam, e ainda encontram certo preconceito, principalmente no interior e lugares mais conservadores, parecendo precisar sempre ter algo a provar, mas que a mulher conquistou muito e ainda busca mais:



As mulheres estão muito presentes em um espaço musical, que não tão antigamente era associado à masculinidade e ao coletivo masculino.
E através de suor, sangue e lágrimas a mulher vai à luta e quer rock. E quer pogar, moshar e mostrar que também pode e deve ser vista como um ser humano normal e não como um cristal que se quebra. SOMOS FORTES. SOMOS de METAL, me ouso à dizer.
A representatividade é visivelmente maior que a de antigamente, porém ainda nos deparamos com muitos casos de preconceito; violência e toda forma de abusos contra as mulheres dentro do “cenário underground”. Como se isso fosse uma falácia, um absurdo para alguns conservadores rudimentares aceitarem.


Se você toca, ou trabalha, ou mesmo prestigia apenas como uma fã, existe SIM uma cobrança, como se fosse necessário mostrar ao mundo três vezes mais o motivo do porquê se está no meio.
Assim como vejo encarcerado na comunidade banger feminina um teor de competição nada saudável. As mulheres são encaradas com um ar de afronta por outras, e isso, não adiciona em nada na vida de ninguém.
Creio que em aspectos gerais sim, conquistamos muito espaço mas em aspectos interpessoais ainda temos que nos “organizar” de forma mais coesa visto que a música é uma excelente forma (assim como demais formas de expressão artística) de se passar ideias e ideologias e criar vínculos, fomentar opiniões e etc. "
(Fernanda Vidotto – Amazon Press e Colaboradora site Road to Metal)




CONCLUSÃO FINAL

Pudemos observar que todos os entrevistados concordam que hoje a mulher ocupou naturalmente seu espaço na cena, estando presente em vários setores da "indústria musical", mesmo que ainda possa ser encontrado algum preconceito e resistências mais conservadoras (sabemos que existem preconceitos contra religiões, preferências sexuais, e até absurdos como discriminar por diferenças da cor da pele, e ainda, mesmo sendo difícil conceber, lugares do mundo a mulher é tratada como ser inferior), mas em um mundo civilizado e globalizado, não se pode admitir certos absurdos, seja o ambiente que for, então, muito menos na música e menos ainda no Rock e Metal, onde sempre pregou-se a liberdade em todas as formas.

Especificamente sobre o assunto aqui tratado, a mulher tomou seu espaço, está ativa, presente, criativa, bela e independente de tudo, outro aspecto em que a maioria concorda, mesmo que alguns são da opinião que tags como "Female Fronted Band" também tenham papel positivo, o que importa é a qualidade da música, não os rótulos, gênero, credos ou o que for.



Matéria: Carlos GarciaFernanda Vidotto e Deisi Wolff
Edição, textos adicionais e Revisão: Carlos Garcia
Charge: Márcio Baraldi
Agradecimentos: Agradecemos à todos que colaboraram respondendo à esta matéria, ao Márcio Baraldi e à todas a mulheres no Rock e Metal.