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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Kissin' Dynamite: Um Adeus Sem Fim (Also In English)

Kissin' Dynamite Records (Imp.)

Por Flavio Borges

Há álbuns que encerram uma fase. Outros tentam abrir uma nova. Kissin' Dynamite, nono trabalho de estúdio do KISSIN' DYNAMITE, faz as duas coisas simultaneamente. Previsto para 18 de setembro de 2026, o disco será o último registro da banda com Hannes Braun nos vocais, transformando aquilo que poderia ser apenas mais um lançamento em um documento de transição.

Braun anunciou em agosto de 2025 sua decisão de deixar os palcos por razões de saúde, mas sua saída não representa um rompimento com o grupo. Ele continuará envolvido como compositor, produtor e uma das principais forças criativas do KISSIN' DYNAMITE. Essa distinção é fundamental para compreender o álbum: estamos diante de uma despedida do vocalista ao vivo, não de uma despedida artística.

E o próprio disco parece consciente dessa diferença.

Kissin' Dynamite combina seis composições inéditas com sete regravações de músicas dos dois primeiros álbuns da banda, Steel of Swabia (2008) e Addicted to Metal (2010). A princípio, a decisão poderia parecer uma tentativa óbvia de capitalizar sobre a nostalgia. Mas existe algo mais interessante acontecendo aqui. As antigas canções são revisitadas por uma banda que passou quase duas décadas amadurecendo, conquistando seu espaço no hard rock europeu e transformando aquela ambição juvenil de conquistar arenas em realidade.

O resultado estabelece um diálogo entre duas versões do KISSIN' DYNAMITE.

Hannes Braun tinha pouco mais de 20 anos quando registrou Steel of Swabia. Em 2026, sua voz retorna às mesmas composições mais encorpada, segura e experiente. As novas gravações não tentam apagar as originais — e tampouco precisam fazê-lo. O que elas oferecem é uma oportunidade de descobrir quanto daquelas melodias, riffs e refrões continua relevante quase duas décadas depois.

É como colocar frente a frente dois retratos da mesma banda: de um lado, a juventude, a energia e a ambição de um grupo que queria chegar às grandes arenas; do outro, a experiência de uma banda que efetivamente chegou lá.

Seis das sete releituras vêm de Steel of Swabia, enquanto “Love Me Hate Me” recupera Addicted to Metal. A escolha funciona quase como uma arqueologia do próprio KISSIN' DYNAMITE. E as participações especiais ampliam essa perspectiva: Saltatio Mortis, Amaranthe, Anna Brunner, Primal Fear, Sam Totman e Eklipse acrescentam novas cores a músicas que já pertenciam ao DNA do grupo.

Mas se as regravações perguntam de onde a banda veio, as seis inéditas precisam responder a uma questão mais difícil: o que o KISSIN' DYNAMITE ainda tem a dizer antes de fechar este capítulo?

“Glory Days”, primeiro single, oferece uma resposta bastante direta. Em vez de transformar o passado em lamento, a banda o celebra. A faixa reúne melodias expansivas, uma atmosfera ensolarada e nostálgica e aquele tipo de refrão concebido para ser devolvido por milhares de vozes. É arena rock em sua essência mais pura — e, neste contexto, a ausência de qualquer tentativa de ruptura parece deliberada. O KISSIN' DYNAMITE não precisa reinventar sua identidade para falar sobre o fim de uma era.

Se “Glory Days” olha para trás com um sorriso, “I Salute You” amplia essa celebração em escala ainda maior. É uma composição épica, bem construída e executada com a precisão que se espera da banda, mas ganha uma dimensão adicional com a participação do Saltatio Mortis. A combinação do hard rock do KISSIN' DYNAMITE com as gaitas de fole e os vocais femininos cria uma das fusões mais interessantes do álbum, sem comprometer a identidade de nenhuma das duas bandas. É uma faixa que consegue soar grandiosa sem perder o caráter festivo que permeia o disco.

“Night Is Calling”, por sua vez, talvez seja a faixa que melhor representa o KISSIN' DYNAMITE em sua zona de conforto — e isso está longe de ser uma crítica. Do primeiro ao último acorde, a música entrega hard rock poderoso, trabalho instrumental preciso e vocais perfeitamente encaixados na composição. O refrão possui aquela qualidade imediata que parece destinada aos palcos, reafirmando uma das maiores virtudes da banda: transformar melodias simples e eficientes em momentos de comunhão com o público.

“I'll Be” desloca o foco para o futuro. Musicalmente, mantém a vocação do grupo para os grandes hinos de arena, mas sua força está no significado. A canção assume a forma de uma promessa de permanência justamente quando Hannes Braun se prepara para deixar os palcos. Ele não estará mais diante do microfone em turnê, mas continuará compondo e produzindo. A aparente contradição transforma a faixa em uma das peças conceitualmente mais importantes do álbum: é uma despedida sem ruptura, uma declaração de que a ausência física não significa o fim da ligação construída entre artista, banda e público.

Em “Nothing Breaks Like a Heart”, a banda novamente aborda a ideia de ruptura, mas sem mergulhar na melancolia. A faixa pode ser interpretada como uma power ballad, embora sua estrutura também permita ouvi-la como um hard rock cadenciado, conduzido mais pela dinâmica e pela melodia do que pelo peso. A temática de superar perdas e aprender com os reveses dialoga diretamente com o momento vivido pelo grupo, mas a composição evita transformar essa circunstância em autopiedade. A ruptura existe; o que importa é aquilo que se constrói depois dela.

E então chega “Good In Goodbye”.

Como encerramento das inéditas — e do próprio álbum — a música assume naturalmente o papel mais emocional do repertório. Trata-se de uma balada em que Hannes Braun abandona qualquer reserva e entrega uma interpretação carregada de emoção. Sua voz, tão importante para a identidade do KISSIN' DYNAMITE desde os primeiros anos, ganha aqui um peso diferente justamente porque sabemos que este é seu último álbum como vocalista da banda.

É impossível ouvir a faixa completamente dissociada desse contexto. Mas o mérito está em ela não depender exclusivamente dele. A composição funciona musicalmente, e a interpretação de Braun transforma o significado da letra em algo maior do que uma simples despedida. Há tristeza, evidentemente, mas também aceitação — e, sobretudo, a sensação de que uma história importante chegou ao seu ponto final sem necessariamente perder seu valor.

É justamente aí que Kissin' Dynamite encontra sua maior força.

O álbum não tenta transformar a saída de Hannes Braun em tragédia, nem utiliza o passado como desculpa para simplesmente repetir fórmulas. As sete regravações colocam a banda de 2026 diante daquela que existia em 2008 e 2010, enquanto as seis inéditas mostram um grupo confortável com sua identidade e consciente do momento que atravessa.

O resultado é menos um epitáfio do que uma celebração.

Kissin' Dynamite funciona como um espelho no qual passado e presente se encontram: a juventude ambiciosa de Steel of Swabia diante da maturidade de uma banda que conquistou seu espaço; o vocalista que sonhava com grandes palcos diante do artista que agora decide deixá-los; e as músicas que ajudaram a construir uma carreira diante de uma nova geração de canções preparadas para carregá-la adiante.

Hannes Braun pode estar deixando os palcos, mas Kissin' Dynamite deixa claro que sua história com a banda está longe de terminar. E talvez essa seja a maior ironia — e também a maior beleza — de um álbum concebido como despedida: no momento em que uma porta se fecha, o KISSIN' DYNAMITE demonstra que ainda existe bastante vida do outro lado.

Mais do que o último álbum de Hannes Braun como vocalista, Kissin' Dynamite é um registro sobre legado, continuidade e transformação. Uma banda olhando para aquilo que construiu, revisitando suas origens e, ao mesmo tempo, tentando descobrir como seguir em frente.

Não é o fim da história.

É apenas o fim de um capítulo.


***ENGLISH VERSION***

Some albums mark the end of an era. Others attempt to open a new one. Kissin' Dynamite, the ninth studio album from KISSIN' DYNAMITE, manages to do both at once. Due for release on September 18, 2026, it will be the band's final record with Hannes Braun on vocals, turning what could have been another chapter in their discography into a document of transition.

Braun announced in August 2025 that he would step away from the stage for health reasons, but his departure does not represent a break with the band. He will remain involved as a songwriter, producer and one of KISSIN' DYNAMITE's key creative forces. That distinction is essential to understanding the album: this is a farewell to Braun as a live vocalist, not a farewell to his artistic relationship with the band.

And the album itself seems fully aware of that difference.

Kissin' Dynamite combines six brand-new compositions with seven re-recordings of songs from the band's first two albums, Steel of Swabia (2008) and Addicted to Metal (2010). At first glance, the decision might look like an obvious exercise in nostalgia. But something more interesting is happening here. These songs are being revisited by a band that has spent almost two decades maturing, establishing itself within the European hard rock scene and turning the youthful ambition of conquering arenas into reality.

The result creates a dialogue between two versions of KISSIN' DYNAMITE.

Hannes Braun was barely in his twenties when he recorded Steel of Swabia. In 2026, his voice returns to those same compositions fuller, more assured and shaped by experience. The new recordings do not attempt to erase the originals — nor do they need to. Instead, they offer an opportunity to discover how much of those melodies, riffs and choruses still holds up almost two decades later.

It is almost like placing two portraits of the same band side by side: on one side, the youth, energy and ambition of a group determined to reach the biggest stages; on the other, the experience of a band that actually made it there.

Six of the seven re-recordings come from Steel of Swabia, while “Love Me Hate Me” revisits Addicted to Metal. The selection works almost like an archaeological dig into KISSIN' DYNAMITE's own history. The guest appearances deepen that perspective, with Saltatio Mortis, Amaranthe, Anna Brunner, Primal Fear, Sam Totman and Eklipse adding new colours to songs that are already part of the band's DNA.

But if the re-recordings ask where the band came from, the six new compositions have to answer a more difficult question: what does KISSIN' DYNAMITE still have to say before closing this chapter?

“Glory Days”, the first single, offers a fairly direct answer. Rather than turning the past into a lament, the band celebrates it. Expansive melodies, a sunny and nostalgic atmosphere, and the kind of chorus designed to be echoed by thousands of voices make this arena rock in its purest form. In this context, the lack of any attempt to reinvent the band's identity feels deliberate. KISSIN' DYNAMITE does not need to redefine itself in order to talk about the end of an era.

If “Glory Days” looks back with a smile, “I Salute You” takes that celebration to an even larger scale. It is an epic, well-crafted composition, performed with the precision expected from the band, but it gains another dimension through the contribution of Saltatio Mortis. The combination of KISSIN' DYNAMITE's hard rock with bagpipes and female vocals creates one of the album's most interesting fusions without compromising either band's identity. It is a track capable of sounding genuinely huge without losing the celebratory spirit running through the record.

“Night Is Calling”, meanwhile, may be the track that best represents KISSIN' DYNAMITE within its comfort zone — and that is far from a criticism. From the opening chord to the final note, it delivers powerful hard rock, precise instrumental work and vocals perfectly integrated into the arrangement. Its chorus has the kind of immediacy that seems destined for the live stage, reaffirming one of the band's greatest strengths: turning simple, effective melodies into moments of collective communion with an audience.

“I'll Be” shifts the focus toward the future. Musically, it retains the band's instinct for huge arena anthems, but its real strength lies in its meaning. The song takes the shape of a promise of permanence precisely as Hannes Braun prepares to leave the stage. He will no longer be standing at the microphone on tour, but he will remain a songwriter and producer. That apparent contradiction makes the track one of the album's most conceptually significant pieces: a farewell without a rupture, a declaration that physical absence does not mean the end of the bond built between artist, band and audience.

On “Nothing Breaks Like a Heart”, the band once again explores the idea of separation without descending into melancholy. It can be heard as a power ballad, although its structure also allows it to be viewed as a more measured hard rock track, driven by dynamics and melody rather than sheer weight. Its theme of overcoming loss and learning from setbacks resonates directly with the band's current circumstances, but the song avoids turning that situation into self-pity. The rupture is real; what matters is what comes after it.

And then comes “Good In Goodbye”.

As the closing track among the new compositions — and the final song on the album — it naturally assumes the record's most emotional role. It is a ballad in which Hannes Braun delivers an unguarded and deeply felt performance. His voice, so central to KISSIN' DYNAMITE's identity since the band's early years, carries a different weight here precisely because we know this is his final album as the band's vocalist.

It is impossible to hear the song completely outside that context. But its strength lies in the fact that it does not depend solely on the circumstances surrounding its release. The composition works on its own terms, while Braun's performance transforms the meaning of the lyrics into something larger than a simple farewell. There is sadness, certainly, but also acceptance — and, above all, the sense that an important story has reached its conclusion without losing its value.

That is where Kissin' Dynamite ultimately finds its greatest strength.

The album does not attempt to turn Hannes Braun's departure into tragedy, nor does it use the past as an excuse to simply repeat old formulas. The seven re-recordings place the 2026 version of the band face to face with the one that existed in 2008 and 2010, while the six new songs show a group comfortable with its identity and fully aware of the moment it is going through.

The result is less an epitaph than a celebration.

Kissin' Dynamite works as a mirror in which past and present meet: the youthful ambition of Steel of Swabia confronted with the maturity of a band that went on to establish itself; the vocalist who once dreamed of conquering the biggest stages standing alongside the artist now choosing to leave them; and the songs that helped build a career placed beside a new generation of compositions prepared to carry that legacy forward.

Hannes Braun may be leaving the stage, but Kissin' Dynamite makes it clear that his story with the band is far from over. And perhaps that is the album's greatest irony — and its greatest beauty. At the very moment one door closes, KISSIN' DYNAMITE makes it clear that there is still plenty of life on the other side.

More than Hannes Braun's final album as the band's vocalist, Kissin' Dynamite is a record about legacy, continuity and transformation. A band looking back at what it has built, revisiting its roots and, at the same time, trying to discover how to move forward.

It is not the end of the story.

It is simply the end of a chapter.

Divulgação

domingo, 11 de maio de 2025

Cobertura de Show: Bangers Open Air – 02/05/2025 – Memorial da América Latina/SP

Após o feriado do Dia do Trabalhador, o Memorial da América Latina foi palco de mais uma edição do festival de música pesada mais importante do Brasil e da América Latina. Se você pensou no Summer Breeze, é compreensível. No entanto, devido ao fim da parceria com os organizadores alemães, o festival agora atende por outro nome: Bangers Open Air. Apesar da mudança, a proposta continua a mesma: quatro palcos, mais de 50 atrações e uma variedade de atividades que abrangem desde gastronomia, tatuagem, cultura geek, entre outras coisas. Tudo isso ao longo de três dias intensos, não deixando nada a desejar em comparação aos grandes eventos europeus.

Para não dizer que não houve mudanças em relação às edições passadas, as únicas que pude notar foram na entrada do lounge, agora controlada por QR Code e reconhecimento facial por meio de catracas, a fim de evitar a entrada de penetras e fraudes. Outra novidade, que achei a mais legal, foi a liberação gratuita para crianças de até 10 anos. Em todos os dias, vi várias curtindo as diversas atrações ao lado dos pais, tios e avós, sob um calor escaldante, assim como no ano passado. Apesar dessas pequenas mudanças, o padrão geral do festival permaneceu o mesmo, com algumas melhorias pontuais aqui e ali.

Com os palcos Sun e Waves desativados, o primeiro dia contou shows apenas nos palcos Ice e Hot Stage, um contraste em relação ao ano passado, que teve uma programação mais extensa, mas com público reduzido por ser um dia útil. Neste ano, a organização manteve uma escala menor, provavelmente ciente de que muitos headbangers ainda estariam cumprindo seus compromissos profissionais. Mesmo com a primeira apresentação marcada para as 15h10, o público começou a chegar em peso após o fim do expediente. Quem teve a sorte e a proeza de comparecer ao chamado "Warm-Up", uma espécie de aquecimento para os outros dois dias de festival, pôde assistir a shows acima da média.

Infelizmente, não consegui ver o Kissin' Dynamite, banda pela qual eu estava ansioso para ver. Segundo comentários e relatos de amigos que assistiram, os alemães entregaram um ótimo show, como já era de se esperar tratando-se de uma das melhores bandas de Hard Rock da atualidade. Fica aqui o pedido para que voltem em uma futura edição, desta vez com tempo suficiente para poder vê-lo.

Kissin' Dynamite – setlist: 

Back With a Bang

DNA

No One Dies a Virgin

I've Got the Fire

My Monster

The Devil Is a Woman

Not the End of the Road

You're Not Alone

Raise Your Glass



Logo em seguida, foi a vez das meninas da Dogma, banda que rapidamente caiu nas graças dos brasileiros, subirem ao palco. Como muitos já sabem, as integrantes mantêm suas identidades em segredo, apostando em um visual enigmático: todas vestidas como freiras, com um toque sensual, que certamente provoca reações intensas, inclusive de católicos e até mesmo evangélicos mais conservadores.

Assim como no ano passado, a banda entregou um show sensacional, mostrando que sua performance cresce ainda mais em um palco amplo e bem produzido. Embora alguns tenham reclamado da qualidade do som, muitos ficaram encantados com o hard n’ heavy praticado pelo grupo e com as faixas do, até agora, único disco lançado em 2023, como “Bare to the Bones”, “Make Us Proud”, a pesada “Pleasure From Pain” e a já clássica “Father I Haven Sinned”. As novidades ficaram por conta do cover de “Like a Prayer”, da rainha do pop Madonna, e da nova faixa “Banned”.

Dogma – setlist:

Forbidden Zone

My First Peak

Made Her Mine

Banned

Like a Prayer (Madonna cover)

Bare to the Bones

Make Us Proud

Pleasure From Pain

Father I Have Sinned

The Dark Messiah



Depois, no palco vizinho, era a vez de conferir os veteranos do Armored Saint, uma das bandas mais subestimadas da história do Heavy Metal e que merecia muito mais reconhecimento. Diferente do show anterior, a banda teve uma recepção mais discreta, com o público sendo em sua maioria composto pelos fãs fiéis. Outro detalhe importante é que o Armored Saint não tem o hábito de visitar o Brasil com frequência. Inclusive, esse foi o primeiro de apenas dois shows que a banda realizou neste ano, já que eles vão focar na gravação do novo álbum. Isso foi o que o baterista Gonzo Sandoval explicou em uma entrevista que nos concedeu.

Quem estava ansioso para vê-los acabou se decepcionando um pouco não pela performance – por sinal, muito boa –, e sim pela qualidade do som, que não melhorou em nenhum momento. Independentemente desse problema técnico, John Bush (vocal), os irmãos Gonzo e Phil Sandoval (bateria e guitarra, respectivamente), Joey Vera (baixo) e Jeff Duncan (guitarra) entregaram o melhor de si em pérolas como “March Of The Saint”, “Last Train Home”, “Can U Believer” – com John descendo do palco e cantando perto da galera – e “Reign Of Fire”, que fizeram a alegria dos fãs.

Armored Saint – setlist: 

March of the Saint

End of the Attention Span

Raising Fear

Long Before I Die

The Pillar

Last Train Home

Left Hook From Right Field

Standing on the Shoulders of Giants

Win Hands Down

Can U Deliver

Reign of Fire



Após a Signing Session com as meninas do Dogma, corri para conferir os dinamarqueses do Pretty Maids, que finalmente fizeram sua estreia no Brasil após 40 anos. 

Durante toda a apresentação, dava para perceber a alegria de Ronnie Atkins (vocal), Ken Hammer (guitarra), Rene Shades (baixo), Allan Tschicaja (bateria) e Chris Laney (teclado/guitarra) por finalmente tocarem no país. Ronnie, em especial, chamava a atenção. Mesmo após anos enfrentando um tratamento contra o câncer, o vocalista continua com uma potência vocal impressionante, além de demonstrar muita interação entre as músicas.

Infelizmente, não consegui ver as três primeiras músicas, mas cheguei a tempo de ver e ouvir “Red, Hot and Heavy”, uma das faixas mais conhecidas da banda, a qual resume bem sua proposta musical, que é um hard n’ heavy contagiante. Me surpreendeu positivamente a sequência de músicas do álbum Pandemonium com “I.N.V.U.” – com Ronnie brincando com o público fazendo os “ô ô ô” e “yeah, yeah” –, “Little Drops of Heaven” e a própria “Pandemonium”, que agitaram a noite de forma impactante.

A trinca final ficou por conta da balada “Please Don't Leave Me”, originalmente composta pelo saudoso John Sykes e que trouxe um momento de respiro antes das indispensáveis “Future World” e “Love Games”, que colocaram o ponto final nessa estreia memorável, com o público vibrando a cada verso e riff. Torcemos para que essa visita não tenha sido única, pois ficou claro o quanto os brasileiros gostam da banda e ansiavam por essa vinda.

Pretty Maids – setlist: 

Mother of All Lies

Kingmaker

Rodeo

Back to Back

Red, Hot and Heavy

Pandemonium

I.N.V.U.

Little Drops of Heaven

Please Don't Leave Me

Future World

Love Games



O penúltimo show do primeiro dia ficou por conta de ninguém menos que Doro Pesch. Com uma carreira que ultrapassa quatro décadas, a vocalista alemã continua mantendo uma presença firme e uma dedicação incondicional ao Heavy Metal. Ao subir ao palco com “Rule the Ruins” e “Earthshaker Rock” – sucessos de sua época de Warlock –, Doro prova que a coroa de Rainha do Metal não lhe foi dada por acaso. Ao lado de sua banda, ela ainda empolgou o público com faixas de sua fase solo, como “Time for Justice” e “Raise Your Fist in the Air”.

Os pontos altos da apresentação ficaram por conta de “Für Immer”, momento em que Doro se cobriu com a bandeira do Brasil, e de “Fire in the Sky”, onde o guitarrista brasileiro Bill Hudson saudou seus compatriotas antes de iniciar a música, composta por ele especialmente para Doro.

No encerramento, a cantora prestou uma homenagem ao Judas Priest com “Breaking the Law”, que começou de uma maneira mais melódica, mas logo retomou seu formato clássico, fazendo com que rodas se formassem próximas ao palco. “All We Are”, considerada um verdadeiro hino pelos fãs e por todo headbanger que se preze, encerrou a participação da majestade do metal em clima de celebração, resultando, sem dúvidas, no melhor show do dia.

Doro – setlist:

I Rule the Ruins

Earthshaker Rock

Burning the Witches

Hellbound

Fight for Rock

Time for Justice

Raise Your Fist in the Air

Metal Racer

Für immer

Fire in the Sky

Breaking the Law (Judas Priest cover)

All We Are



Para encerrar este maravilhoso dia de aquecimento, o Hot Stage recebeu Glenn Hughes, uma lenda do rock que dispensa apresentações. Seus trabalhos icônicos ao longo da carreira falam por si. O vocalista, considerado por muitos como “the voice of rock”, tem um carinho especial pelo Brasil, tendo se apresentado aqui diversas vezes, embora poucas em festivais. Sua estreia em festivais brasileiros ocorreu no Monsters of Rock de 1998. E agora, após tantos anos, ele retorna a um festival de mesma magnitude no Brasil.

Apesar dos 73 anos e dos desafios que enfrentou no passado com drogas e álcool, o músico inglês continua com a voz em excelente forma. É perceptível alguma mudança de tom em certos momentos, mas um artista de sua idade ainda interpretar canções da fase em que integrou o Deep Purple ao lado de David Coverdale é impressionante.

O repertório da noite focou nas fases MK III e MK IV do Deep Purple, com apenas oito músicas, provavelmente devido ao tempo de encerramento do festival. Clássicos como "Stormbringer", "Mistreated", "Sail Away" e "You Fool No One" incendiaram o público, com solos de guitarra, bateria e improvisos que remetiam à atmosfera do lendário California Jam, realizado em 6 de abril de 1974. As músicas mais aguardadas ficaram para o final: a envolvente “You Keep On Moving” e a radiofônica “Burn”, encerrando esse belo dia de aquecimento e pronto para encarar a vasta maratona do dia de seguinte. 




Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

Edição/Revisão: Gabriel Arruda  


Realização: Consulado do Rock

Press: Agência Taga 


Glenn Hughes – setlist:

Stormbringer

Might Just Take Your Life

Sail Away

You Fool No One 

Mistreated

Gettin' Tighter

You Keep On Moving

Burn

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Kissin’ Dynamite: Explosão de estilos em seu 4° disco!


Uma pergunta? O que é colocado na água em que os alemães bebem? Sim, porque o que surge e já surgiu de grandes bandas desse lado do mundo é incrível! E o que chama atenção é a qualidade em muitos estilos, não se abstendo apenas há um ou outro.

Vindos da cidade de Tübingen, os alemães do Kissin’ Dynamite colocaram no mercado seu mais recente trabalho, o diversificado “Megalomania” (2015 – 4° de estúdio da banda), que traz influencias do Glam ao Heavy Metal, passando até mesmo pelo Metal Industrial.


O som é melodioso, grudento, mas não genérico, tendo ótimas guitarras, assim como certas inserções de teclados e partes eletrônicas, que caíram muito bem ao som do grupo. As linhas vocais estão muito bem encaixadas e apresentam ótimas variações, assim como os arranjos, que apesar de grudentos não são nada simples, e mostram ótimas construções melódicas.

A produção é de alto nível, com todos os detalhes bem equalizados, sem tirar nem pôr, com o som gorduroso e sem buracos.


Uma mescla intensa e que pode agradar ou não os mais saudosistas, mas o que fica é qualidade e profissionalismo com o que fizeram, não deixando o som soar datado, mas não esquecendo de suas influências. Uma grande banda que merece maior atenção dos bangers, ouça e apaixone-se!



Resenha por: Renato Sanson

Acesse e conheça mais a banda:



Tracklist:
01 DNA
02 Maniac Ball
03 VIP in Hell
04 Fireflies
05 Deadly
06 God in You
07 Running Free
08 Legion of the Legendary
09 The Final Dance
10 Ticket to Paradise

Formação:
Hannes Braun (Vocal)
Jim Müller (Guitarra)
Ande Braun (Guitarra)
Steffen Haile (Baixo)

Andreas Schnitzer (Bateria)