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domingo, 11 de maio de 2025

Cobertura de Show: Bangers Open Air – 02/05/2025 – Memorial da América Latina/SP

Após o feriado do Dia do Trabalhador, o Memorial da América Latina foi palco de mais uma edição do festival de música pesada mais importante do Brasil e da América Latina. Se você pensou no Summer Breeze, é compreensível. No entanto, devido ao fim da parceria com os organizadores alemães, o festival agora atende por outro nome: Bangers Open Air. Apesar da mudança, a proposta continua a mesma: quatro palcos, mais de 50 atrações e uma variedade de atividades que abrangem desde gastronomia, tatuagem, cultura geek, entre outras coisas. Tudo isso ao longo de três dias intensos, não deixando nada a desejar em comparação aos grandes eventos europeus.

Para não dizer que não houve mudanças em relação às edições passadas, as únicas que pude notar foram na entrada do lounge, agora controlada por QR Code e reconhecimento facial por meio de catracas, a fim de evitar a entrada de penetras e fraudes. Outra novidade, que achei a mais legal, foi a liberação gratuita para crianças de até 10 anos. Em todos os dias, vi várias curtindo as diversas atrações ao lado dos pais, tios e avós, sob um calor escaldante, assim como no ano passado. Apesar dessas pequenas mudanças, o padrão geral do festival permaneceu o mesmo, com algumas melhorias pontuais aqui e ali.

Com os palcos Sun e Waves desativados, o primeiro dia contou shows apenas nos palcos Ice e Hot Stage, um contraste em relação ao ano passado, que teve uma programação mais extensa, mas com público reduzido por ser um dia útil. Neste ano, a organização manteve uma escala menor, provavelmente ciente de que muitos headbangers ainda estariam cumprindo seus compromissos profissionais. Mesmo com a primeira apresentação marcada para as 15h10, o público começou a chegar em peso após o fim do expediente. Quem teve a sorte e a proeza de comparecer ao chamado "Warm-Up", uma espécie de aquecimento para os outros dois dias de festival, pôde assistir a shows acima da média.

Infelizmente, não consegui ver o Kissin' Dynamite, banda pela qual eu estava ansioso para ver. Segundo comentários e relatos de amigos que assistiram, os alemães entregaram um ótimo show, como já era de se esperar tratando-se de uma das melhores bandas de Hard Rock da atualidade. Fica aqui o pedido para que voltem em uma futura edição, desta vez com tempo suficiente para poder vê-lo.

Kissin' Dynamite – setlist: 

Back With a Bang

DNA

No One Dies a Virgin

I've Got the Fire

My Monster

The Devil Is a Woman

Not the End of the Road

You're Not Alone

Raise Your Glass



Logo em seguida, foi a vez das meninas da Dogma, banda que rapidamente caiu nas graças dos brasileiros, subirem ao palco. Como muitos já sabem, as integrantes mantêm suas identidades em segredo, apostando em um visual enigmático: todas vestidas como freiras, com um toque sensual, que certamente provoca reações intensas, inclusive de católicos e até mesmo evangélicos mais conservadores.

Assim como no ano passado, a banda entregou um show sensacional, mostrando que sua performance cresce ainda mais em um palco amplo e bem produzido. Embora alguns tenham reclamado da qualidade do som, muitos ficaram encantados com o hard n’ heavy praticado pelo grupo e com as faixas do, até agora, único disco lançado em 2023, como “Bare to the Bones”, “Make Us Proud”, a pesada “Pleasure From Pain” e a já clássica “Father I Haven Sinned”. As novidades ficaram por conta do cover de “Like a Prayer”, da rainha do pop Madonna, e da nova faixa “Banned”.

Dogma – setlist:

Forbidden Zone

My First Peak

Made Her Mine

Banned

Like a Prayer (Madonna cover)

Bare to the Bones

Make Us Proud

Pleasure From Pain

Father I Have Sinned

The Dark Messiah



Depois, no palco vizinho, era a vez de conferir os veteranos do Armored Saint, uma das bandas mais subestimadas da história do Heavy Metal e que merecia muito mais reconhecimento. Diferente do show anterior, a banda teve uma recepção mais discreta, com o público sendo em sua maioria composto pelos fãs fiéis. Outro detalhe importante é que o Armored Saint não tem o hábito de visitar o Brasil com frequência. Inclusive, esse foi o primeiro de apenas dois shows que a banda realizou neste ano, já que eles vão focar na gravação do novo álbum. Isso foi o que o baterista Gonzo Sandoval explicou em uma entrevista que nos concedeu.

Quem estava ansioso para vê-los acabou se decepcionando um pouco não pela performance – por sinal, muito boa –, e sim pela qualidade do som, que não melhorou em nenhum momento. Independentemente desse problema técnico, John Bush (vocal), os irmãos Gonzo e Phil Sandoval (bateria e guitarra, respectivamente), Joey Vera (baixo) e Jeff Duncan (guitarra) entregaram o melhor de si em pérolas como “March Of The Saint”, “Last Train Home”, “Can U Believer” – com John descendo do palco e cantando perto da galera – e “Reign Of Fire”, que fizeram a alegria dos fãs.

Armored Saint – setlist: 

March of the Saint

End of the Attention Span

Raising Fear

Long Before I Die

The Pillar

Last Train Home

Left Hook From Right Field

Standing on the Shoulders of Giants

Win Hands Down

Can U Deliver

Reign of Fire



Após a Signing Session com as meninas do Dogma, corri para conferir os dinamarqueses do Pretty Maids, que finalmente fizeram sua estreia no Brasil após 40 anos. 

Durante toda a apresentação, dava para perceber a alegria de Ronnie Atkins (vocal), Ken Hammer (guitarra), Rene Shades (baixo), Allan Tschicaja (bateria) e Chris Laney (teclado/guitarra) por finalmente tocarem no país. Ronnie, em especial, chamava a atenção. Mesmo após anos enfrentando um tratamento contra o câncer, o vocalista continua com uma potência vocal impressionante, além de demonstrar muita interação entre as músicas.

Infelizmente, não consegui ver as três primeiras músicas, mas cheguei a tempo de ver e ouvir “Red, Hot and Heavy”, uma das faixas mais conhecidas da banda, a qual resume bem sua proposta musical, que é um hard n’ heavy contagiante. Me surpreendeu positivamente a sequência de músicas do álbum Pandemonium com “I.N.V.U.” – com Ronnie brincando com o público fazendo os “ô ô ô” e “yeah, yeah” –, “Little Drops of Heaven” e a própria “Pandemonium”, que agitaram a noite de forma impactante.

A trinca final ficou por conta da balada “Please Don't Leave Me”, originalmente composta pelo saudoso John Sykes e que trouxe um momento de respiro antes das indispensáveis “Future World” e “Love Games”, que colocaram o ponto final nessa estreia memorável, com o público vibrando a cada verso e riff. Torcemos para que essa visita não tenha sido única, pois ficou claro o quanto os brasileiros gostam da banda e ansiavam por essa vinda.

Pretty Maids – setlist: 

Mother of All Lies

Kingmaker

Rodeo

Back to Back

Red, Hot and Heavy

Pandemonium

I.N.V.U.

Little Drops of Heaven

Please Don't Leave Me

Future World

Love Games



O penúltimo show do primeiro dia ficou por conta de ninguém menos que Doro Pesch. Com uma carreira que ultrapassa quatro décadas, a vocalista alemã continua mantendo uma presença firme e uma dedicação incondicional ao Heavy Metal. Ao subir ao palco com “Rule the Ruins” e “Earthshaker Rock” – sucessos de sua época de Warlock –, Doro prova que a coroa de Rainha do Metal não lhe foi dada por acaso. Ao lado de sua banda, ela ainda empolgou o público com faixas de sua fase solo, como “Time for Justice” e “Raise Your Fist in the Air”.

Os pontos altos da apresentação ficaram por conta de “Für Immer”, momento em que Doro se cobriu com a bandeira do Brasil, e de “Fire in the Sky”, onde o guitarrista brasileiro Bill Hudson saudou seus compatriotas antes de iniciar a música, composta por ele especialmente para Doro.

No encerramento, a cantora prestou uma homenagem ao Judas Priest com “Breaking the Law”, que começou de uma maneira mais melódica, mas logo retomou seu formato clássico, fazendo com que rodas se formassem próximas ao palco. “All We Are”, considerada um verdadeiro hino pelos fãs e por todo headbanger que se preze, encerrou a participação da majestade do metal em clima de celebração, resultando, sem dúvidas, no melhor show do dia.

Doro – setlist:

I Rule the Ruins

Earthshaker Rock

Burning the Witches

Hellbound

Fight for Rock

Time for Justice

Raise Your Fist in the Air

Metal Racer

Für immer

Fire in the Sky

Breaking the Law (Judas Priest cover)

All We Are



Para encerrar este maravilhoso dia de aquecimento, o Hot Stage recebeu Glenn Hughes, uma lenda do rock que dispensa apresentações. Seus trabalhos icônicos ao longo da carreira falam por si. O vocalista, considerado por muitos como “the voice of rock”, tem um carinho especial pelo Brasil, tendo se apresentado aqui diversas vezes, embora poucas em festivais. Sua estreia em festivais brasileiros ocorreu no Monsters of Rock de 1998. E agora, após tantos anos, ele retorna a um festival de mesma magnitude no Brasil.

Apesar dos 73 anos e dos desafios que enfrentou no passado com drogas e álcool, o músico inglês continua com a voz em excelente forma. É perceptível alguma mudança de tom em certos momentos, mas um artista de sua idade ainda interpretar canções da fase em que integrou o Deep Purple ao lado de David Coverdale é impressionante.

O repertório da noite focou nas fases MK III e MK IV do Deep Purple, com apenas oito músicas, provavelmente devido ao tempo de encerramento do festival. Clássicos como "Stormbringer", "Mistreated", "Sail Away" e "You Fool No One" incendiaram o público, com solos de guitarra, bateria e improvisos que remetiam à atmosfera do lendário California Jam, realizado em 6 de abril de 1974. As músicas mais aguardadas ficaram para o final: a envolvente “You Keep On Moving” e a radiofônica “Burn”, encerrando esse belo dia de aquecimento e pronto para encarar a vasta maratona do dia de seguinte. 




Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

Edição/Revisão: Gabriel Arruda  


Realização: Consulado do Rock

Press: Agência Taga 


Glenn Hughes – setlist:

Stormbringer

Might Just Take Your Life

Sail Away

You Fool No One 

Mistreated

Gettin' Tighter

You Keep On Moving

Burn

sexta-feira, 18 de abril de 2025

Entrevista – Gonzo Sandoval (Armored Saint): bateria, fotografia e paixão pelo Metal

Foto: Divulgação

Por Jessica Valentim e Gabriel Arruda 

Formada em 1982, em Los Angeles, Califórnia, o Armored Saint segue firme até hoje, realizando shows ao vivo e lançando novos discos sempre que possível. A ascensão da banda no cenário do Heavy Metal mundial ganhou força anos mais tarde com o álbum Symbol of Salvation (1991), considerado até hoje uma obra marcante do gênero. 

Além das composições impactantes, os músicos do grupo também chamaram atenção individualmente, tanto que o vocalista John Bush, que integrou o Anthrax entre 1992 e 2005, e depois de 2009 a 2010, e o baixista Joey Vera, entre 2004 e 2005, foram convidados a fazer parte da lendária banda nova-iorquina, fortalecendo ainda mais o nome do Armored Saint e atraindo novos fãs para o seu som. 

Às vésperas de se apresentar no festival Bangers Open Air, que acontece nos dias 2, 3 e 4 de maio, no Memorial da América Latina, em São Paulo, o baterista e membro fundador do Armored Saint, Gonzo Sandoval, bateu um papo com a gente. Na conversa, ele falou sobre a expectativa de retornar ao Brasil, sua preparação na bateria, a paixão pela fotografia e os próximos passos da banda.


O Armored Saint vai se apresentar na abertura do Bangers Open Air em São Paulo, no dia 3 de maio. O que os fãs podem esperar do show? Haverá alguma surpresa nas músicas que serão tocadas?

Gonzo Sandoval: Nós decidimos que vamos tocar o que há de melhor no repertório do Armored Saint, então vocês podem esperar que a maioria das nossas músicas mais conhecidas estará no setlist. Afinal, os sucessos são sempre os sucessos (risos).


Como você se prepara pessoalmente para uma turnê? Tem alguma rotina específica para se manter em forma para tocar bateria?

Gonzo Sandoval: Essa é uma excelente pergunta! Para os mais jovens, eu diria que o ideal é começar a se preparar meses antes, praticando a bateria sozinho, tocando as músicas e trabalhando na resistência antes de nos reunirmos com a banda para os ensaios. O Armored Saint é uma banda muito sortuda, pois não ensaiamos muito quando estamos juntos; geralmente fazemos apenas três ou quatro ensaios. 

Acredito que essa química entre nós é realmente especial, e percebi isso recentemente, já que em algumas das turnês que fizemos não tivemos muitos ensaios, inclusive nas últimas.

Todos nós mantemos nossas habilidades afiadas, mas no meu caso, em relação à parte física de tocar bateria, começo a me preparar bem antes e busco aumentar minha resistência. Assim, quando nos encontramos, tudo flui mais naturalmente e de forma rápida.

Você está com o Armored Saint há décadas. Como sua abordagem à bateria evoluiu ao longo dos anos?

Gonzo Sandoval: Estou com o Armored Saint há décadas, e posso dizer que minha abordagem à bateria evoluiu um pouco ao longo do tempo. Atualmente, estou utilizando a técnica AB com ABS, e tudo tem fluído muito bem. Fiz algumas alterações nos meus conjuntos de bateria e, no momento, estou tocando uma DDrum com um bumbo duplo de 22 por 20 polegadas, que produz um som incrível. Estou bastante satisfeito com essa escolha. 

Além disso, conto com o apoio de patrocinadores, como as baquetas da Scorpion Percussion e os pratos da Paiste, além do meu assento de bateria. Todos esses elementos são essenciais para o meu estilo único de tocar, que eu chamo de DRUMS OF THUNDER. Sou muito grato a todos eles! Em termos criativos, cada novo álbum traz desafios únicos. 

O John [BUSH] e o Joey [VERA] são muito criativos quando montam as demos e ideias, então as músicas exigem sempre algo novo de mim como baterista. A gente evita repetir fórmulas, cada disco é um reflexo de onde estamos musicalmente naquele momento.


Você também é apaixonado por fotografia. Pode nos contar um pouco sobre isso? Que tipo de temas você gosta de fotografar?

Gonzo Sandoval: Eu tenho uma grande paixão por capturar imagens em shows de Rock, mesmo que isso represente um desafio considerável. A iluminação varia constantemente, o que requer uma habilidade específica. Me sinto afortunado por contar com amigos talentosos na área da fotografia, como Neo Slowzauer. Igor Vidyashev, do RockXposure.com, é outro amigo e um mentor para mim. 

Minha motivação inicial para entrar no mundo da fotografia surgiu das câmeras menores. Quando a fotografia digital foi introduzida, decidi me aprofundar mais nesse campo. Em dado momento, pensei: "Sim, aprecio a fotografia, mas não quero estar preso em um quarto escuro". Eu evitava lidar com o processo de revelação de filmes em um ambiente cheio de produtos químicos e que exigia tempo. Entretanto, com a chegada da fotografia digital, é possível capturar uma imagem, visualizá-la e excluí-la em questão de segundos, o que me possibilitou experimentar e buscar composições criativas. 

Durante minha adolescência, tinha o sonho de desenhar e pintar, mas não sou muito talentoso nessas atividades. Quando peguei a câmera, percebi que podia registrar imagens de maneira similar a como se fosse um desenho ou uma pintura, apenas com um clique. A fotografia é uma arte ampla e cheia de inspiração, e eu realmente adoro isso. Aprendi muito com Igor, que mudou minha maneira de pensar e me estimulou a fotografar. 

A Canon me incentivou a explorar o universo da Nikon, e atualmente possuo uma D750 acompanhada de uma lente 24-120, que se tornou minha ferramenta de trabalho. A tecnologia evoluiu bastante, e compreender como ela funciona é fundamental para quem deseja ser fotógrafo nos dias de hoje. Não temos mais os tradicionais laboratórios fotográficos, mas sim programas de computadores que utilizamos para edição, como Photoshop e Lightroom, que nos auxiliam a criar fotos impressionantes e inspiradoras.

Você leva sua câmera em turnê? Se sim, tem alguma foto favorita que tenha tirado enquanto viajava com a banda?

Gonzo Sandoval: Eu frequentemente carrego minha câmera, mesmo que não a utilize sempre para tirar fotos. Contudo, quando participamos de festivais e eventos semelhantes, a experiência é extraordinária. Tocamos ao lado de diversas bandas que admiro, e ter a chance de obter um passe para capturar imagens desses artistas é verdadeiramente um privilégio e uma grande honra. 

Eu aprecio muito essa oportunidade e gosto de registrar momentos do rock and roll. Existem muitas fotografias disponíveis, mas sempre existem aquelas que se destacam, seja da banda ou de qualquer indivíduo que eu tenha retratado.


O Armored Saint tem uma torcida forte e fiel no Brasil. Você tem alguma experiência memorável de visitas anteriores aqui?

Gonzo Sandoval: Nós somos apaixonados pelo Brasil! No ano de 2018, visitamos São Paulo e outros lugares. Lembro que, naquela ocasião, um amigo nos auxiliou a viajar ao Brasil pela primeira vez e nos levou a um incrível restaurante brasileiro. Gosto muito de carne, e lá havia uma extensa seleção de bifes e pratos saborosos. 

A forma como eles servem os alimentos, fatiando na nossa frente, é uma experiência inesquecível. Além disso, os fãs são muito acolhedores e sempre compartilham suas experiências sobre o impacto das músicas do Armored Saint em suas vidas. 

É realmente emocionante sentir essa conexão, e nós, como banda, sentimos isso também ao nos apresentarmos lá. A recepção do público foi verdadeiramente impressionante! Estamos bastante ansiosos para retornar ao Brasil no dia 3 de maio para o Bangers Open Air. Faremos um show bem pesado no estilo do Armored Saint.

Você trabalhou com o produtor David Jerden em Symbol of Salvation, e ele faleceu recentemente. Como foi trabalhar com ele e como você acha que a influência dele moldou aquele álbum?

Gonzo Sandoval: David Jerden, que descanse em paz, eu te amo. Sim, ele faleceu há pouco tempo. Meu irmão e eu ficamos gratos por termos sido convidados para seu funeral, então estávamos presentes quando ele fez a transição para uma nova fase de sua existência; sua presença era realmente impactante. 

Lembro-me dele demonstrando interesse em ouvir a banda antes de nos ajudar a produzir nosso álbum Symbol of Salvation. Ele compareceu a um dos nossos ensaios e recordo que nós conversamos sobre bateria. Eu comentei que adorava o som poderoso, semelhante ao do AC/DC, algo grande e forte, bem impactante; esse era o tipo de batida que eu desejava. Ele disse que também gostava disso, e imediatamente criamos uma conexão. Ele nos levou a um processo de gravação no El Dorado Studio, que era o antigo estúdio de Marvin Gaye na Sunset Boulevard, em frente ao Cat and Fiddle. 

As coisas mudaram ao longo do tempo, mas aquele era o local. Ele nos permitiu acessar o estúdio e tocar as músicas que planejava gravar para nos ambientar, acho que começamos isso no primeiro dia, seguindo para o segundo, terceiro, quarto e no quinto dia já tínhamos registrado cerca de cinco músicas. Pensamos: 'uau, realmente estamos indo bem', e então ele nos disse que as faixas estavam bem gravadas e eram boas, mas não o suficiente. Assim, ele descartou aquelas cinco primeiras músicas e recomeçamos. 

As novas composições acabaram se transformando no que Symbol of Salvation representou. Achei isso uma ideia brilhante, pois estávamos convencidos de que estávamos progredindo, mas ele nos deixou nos familiarizar com o estúdio e nos fez acreditar nisso. Quando finalmente estávamos prontos, ele disse que era hora de começar a gravação do álbum. 

Para mim, isso representou uma preparação para o processo, como um aquecimento para produzir algumas músicas e avaliar nosso desempenho, com ele nos indicando que a jornada agora se iniciava em um nível mais elevado, o que achei incrível.

Olhando para o futuro, o que vem por aí para o Armored Saint depois do Bangers Open Air? Algum plano para novas músicas ou mais turnês?

Gonzo Sandoval: Você está ciente de que muitas novas músicas estão a caminho, e há bastante conteúdo do Armored Saint por vir. Estamos atualmente trabalhando em um novo álbum, e no próximo mês (N.T.: a entrevista foi feita em março), começarei a gravar cerca de cinco faixas. Portanto, estamos nos organizando e nos preparando para apresentar o que espero ser o álbum mais extraordinário do Armored Saint até hoje. Temos tido a sorte de lançar álbuns realmente bons, e cada um deles é único. 

Mas, incentivamos todos os fãs no Brasil a saírem e absorver um pouco do Armored Saint. Estaremos ocupados, e você pode ter certeza de que estamos muito animados com isso. Mantenha contato conosco através do Facebook, Instagram, perfis pessoais no Facebook e Instagram, e aproveite o show. Cuide-se e venha curtir um pouco do Armored Saint. Nós os amamos!




terça-feira, 1 de setembro de 2015

Entrevista - Armored Saint: "Temos que manter os pés no chão com nossas pretensões"

Uma ascensão meteórica ao quase esquecimento. Esse parâmetro pode definir como foi a carreira do Armored Saint. Se no final dos anos 80 a banda chegou a um ótimo reconhecimento, na década seguinte não podemos dizer o mesmo, pois tanto seu mentor, o baixista Joey Vera, quanto o vocalista John Bush estavam envolvidos com outros projetos (Anthrax e Fates Warning).

Pois bem, passado um período de hibernação o Armored Saint voltou a respirar, o que foi o indicio de que um dia poderiam retornar à todo vapor. E podemos dizer que  isto de fato se concretizou, desde a saída de Bush do Anthrax o Saint ganhou mais espaço, e retornaram com força total com seu novo disco, o excelente “Win Hands Down”.

Para contar um pouco dessas histórias (incluindo o convite para o Metallica), conversamos com o líder e fundador Joey Vera, que nos falou suas impressões sobre o novo álbum, a época de sucesso com o lançamento de “Symbol of Salvation” e muito mais!

Read in English HERE

Com vocês, a lenda Joey Vera:


RtM: Olá Joey, obrigado pelo seu tempo e atenção para nos responder a esta entrevista! Estamos muito felizes pela oportunidade e com o novo álbum. Bem, falando no álbum recentemente lançado, "Win Hands Down", que está tendo um excelente impacto entre os fãs. Como é para você ver esta grande e positiva repercussão? Seria o reconhecimento merecido que Armored talvez não teve nos anos 80 e 90?

Joey: Bem, foi grande e bastante inesperado realmente. Mas eu não sinto que nós merecêssemos alguma coisa apesar de tudo. Na verdade, as expectativas não eram por uma grande resposta. Temos que manter os pés no chão com nossas pretensões.

RtM: "Win Hands Down" tem recebido ótimas críticas e figurado em charts ao redor do mundo. A resposta então foi maior e mais rápida do que as suas expectativas iniciais? E, a julgar pelo título do álbum, ou foi uma feliz coincidência, ou penso que havia a certeza de que tinham um grande material em mãos! He he he! Armored Saint vai vencer com uma mão nas costas!! Grande álbum!

Joey: Obrigado. Mas, novamente, nós realmente partimos sem expectativas. O fato de que eu intitulei o álbum com a primeira faixa do disco não tem nada a ver com o que estamos tentando dizer sobre nós mesmos. Nós escrevemos uma música chamada “Win Hands Down”, e nós sentimos que musicalmente seria uma grande faixa de abertura. Isso é tudo.



RtM: O fato é que "Win Hands Down" é álbum poderoso e melódico, que traz muito do metal clássico, mas nunca datado, inclusive sendo uma tempestade de ar fresco, adjetivos que eu vi em vários comentários. A que você atribui toda essa energia que emana do álbum? Vocês sentiram durante a produção que estavam tendo um momento especial, ou simplesmente deixaram fluir naturalmente, seguindo seus instintos?

Joey: Sim, foi praticamente uma coisa natural. Desde o início, eu estava ansioso para fazer este registro soar grande e exuberante. Portanto, há um monte de overdubs e peças que criam esta parede de som. Eu também estava empurrando-nos a tocar com arranjos e orquestrações dentro das canções, porém sempre mantendo um senso de poder. Não foi nada super calculado, mas mais arriscando.

RtM: Senti uma banda muito livre, sem se preocupar com limites, e isso pode ser sentido em todo o álbum, com a inclusão de efeitos e elementos que deram um "brilho" especial ao som. Os efeitos em seu baixo, por exemplo, as canções "An Exercise in Debaouchery" e "Muscle Memory". Eu gostaria que você comentasse um pouco mais sobre estas duas faixas e estes "novos" elementos na música da banda.

Joey: Bem, acho que nossa banda sempre foi um pouco “simples” em termos de produção. Gastamos um monte de discos tentando capturar o nosso som "ao vivo", afinal nós somos uma banda de alta energia ao vivo. Mas desta vez, eu queria ir um pouco além em termos de produção. Eu queria que fosse épico. Também estou envolvido em diferentes tipos de música e é divertido achar um lugar para adicionar instrumentos étnicos ou sons estranhos. Foi um exercício para desafiar a criatividade, mantendo um sentido ou urgência.




RtM: A faixa-título é também um destaque, bom, o álbum todo está ótimo, gostaria que você comentasse um pouco mais sobre isso, a mensagem que traz as letras, e também a capa do álbum, que é criativa e divertida, mostrando um jogo de cartas em um saloon, onde algumas pessoas parecem tentar levar vantagem sobre os outros utilizando-se de artifícios tecnológicos.

Joey: O título vem de uma expressão usada em corridas de cavalo, e ela define uma vitória muito fácil. Quando um jockey está muito à frente dos outros cavalos, ele vai tranquilo e "ganha com uma mão nas costas" (Win Hands Down). John escreveu as letras sobre os tempos em que éramos jovens e explorávamos a vida e a música com os amigos. O momento em que estamos cheios de admiração e de energia. A vida era mais simples e mais fácil, então. É uma celebração da música da vida.

Não tem nada a ver com a forma como vemos a nós mesmos como uma banda. A ilustração da capa veio do nada. John não parava de dizer que a faixa-título lembrava de imagens do velho oeste. Então eu juntei esta ideia de pegar o velho oeste e jogá-lo em um lugar etéreo, é em algum lugar entre Westworld e Blade Runner. Eu queria que fosse uma obra de arte independente, ambígua. Eu busquei luz e inspiração dos velhos mestres como Rembrandt e Carravaggio.

RtM: Falando na produção, as músicas e ideias já estavam sendo trabalhadas durante esses cinco anos sem lançar material novo? Foi um processo demorado a composição e a própria produção, ou as coisas fluíram mais rápido, devido a vontade de fazer um novo álbum do Armored Saint?

Joey: É assim que foi: Nós não compusemos nada até cerca de Janeiro de 2013. Foi então que eu comecei a colocar pra fora algumas ideias. Então John me perguntou se eu estava compondo e eu disse que sim, então eu fiz-lhe uma demo de umas duas músicas, então, ele ficou animado e escreveu letras para elas e foi nesse momento que começamos a compor este álbum. Mas a nossa forma de trabalhar é muito lenta. Nós dois temos famílias e nossas vidas são bastante ocupadas, por isso, fazemos música sempre que podemos encontrar tempo. Não temos a gravadora nos dizendo que temos que fazer algo até uma determinada data. Acabamos por trabalhar em nosso próprio ritmo, e temos muita sorte de ter isso.




RtM: E como surgiu a ideia de ter a participação da Pearl Aday (filha de Meat Loaf) na faixa "With a Full Head of Steam"?  Os vocais ficaram matadores, casando perfeitos nesta canção. O fato de vocês terem contato com o marido dela, Scott Ian (Anthrax), acredito ter facilitado essa opção.

Joey: Sim. Enquanto nós trabalhávamos no álbum, John disse que queria fazer um dueto com uma cantora. Mas nós não sentíamos que alguma das músicas era a certa, até que escrevemos esta. Ela (Pearl) foi a escolha certa, somos todos amigos e eu a vejo regularmente durante todos esses anos de amizade. Foi automático.

RtM: Em 91 o Armored Saint teve uma parada considerável em suas atividades,  John Bush estava com Anthrax e você com Fates Warning. Em algum momento vocês cogitaram parar definitivamente com as atividades da banda?

Joey: o Saint não fez nada entre 92-99, quando decidimos compor e gravar “Revelations”. Scott teve uma pausa com o Anthrax pra fazer o SOD, por isso decidimos que era hora de fazer um álbum. Mas em nossas mentes era apenas um.




RtM: 1991 marca também o lançamento de um dos melhores álbuns de sua carreira, o clássico "Symbol of Salvation". Como foram os momentos de composição e produção do álbum? E você poderia nos contar um pouco mais sobre a abordagem lírica dele?

Joey: Foi uma gravação difícil de fazer, logo após de dizer adeus ao nosso amigo e guitarrista David Prichard, vítima da leucemia. A maioria das canções foram escritas por Dave e nós sentimos como se tivéssemos muito a provar e fazê-lo orgulhoso. Por isso, foi muito emocional. Liricamente foi um tempo de provação para nós. Fomos demitidos da gravadora Chrysalis no final de 1988, e poderia não haver outra gravadora interessada. Nós compusemos, voltamos para nossos trabalhos regulares, durante cerca de 3 anos. Assim, as letras são sobre esse tempo em nossas vidas. Algumas delas são material ficcional, mas algumas são muito pessoais.

RtM: Em 2000 a banda retornou ativa lançando dois álbuns, "Revelations" (00) e "Not to the Old School" (02). Como foi compor estes dois álbuns após quase 10 anos parados? E nesses discos foram incluídas composições antigas?

Joey: “Revelations” foi tipo uma vibe de bem-vindo ao lar para nós. Foi apenas uma coisa divertida para fazer juntos e nos divertir entre nós. Foi bom trabalhar juntos novamente. “Nod to...” foi mais uma coisa que fizemos para os fãs. Ele tem um monte de faixas ao vivo e faixas demo. Músicas que nunca havíamos gravado, apenas demos. Era para ser um presente aos nossos fãs dentro do que nós trabalhamos.




RtM: Joey você é conhecido por sua excelente técnica e poder de composição, esses adjetivos chamaram a atenção do Metallica. Eu sei que você provavelmente já respondeu a essa pergunta milhares de vezes, mas, por que você não aceitou entrar no Metallica após a morte de Cliff Burton? Quando Jason Newsted deixou a banda o seu nome também foi lembrado. Naquele momento eles vieram falar com você sobre isso? (acho que você não aceitaria o cargo, porque talvez você não teria liberdade criativa no Metallica.)

Joey: Bem, eles fizeram contato comigo, mas não pelas razões que você indicou. Eles estavam em um momento terrível e tendo de fazer audições de baixistas, e eles odiavam. Eles queriam tocar com amigos, pessoas que conheciam, por isso Lars me chamou para uma jam e ver o que acontecia. Mas eu estava bem em meios às gravações de “Raising Fear” com o Saint. Eu não estava em um momento da minha vida em que eu estava procurando uma mudança. Eu não senti que era o momento certo de deixar a minha banda, e amigos de infância, bem no meio disso. Então, eu não quis. Eu não era o cara certo. Jason era.

Quando Jason deixou a banda ele mencionou o meu nome na imprensa uma vez, e isso é o fim de tudo. Em retrospectiva, eu não acho que eu teria sido criativamente feliz no Metallica. James e Lars são uma grande equipe. Eles não precisam de outra pessoa dentro da bolha. Mas eu gosto da música que eu fiz e todas as pessoas que eu trabalhei desde então, eu não poderia imaginar minha vida de outra maneira.

RtM: Além do Saint, onde você escreveu seu nome na história do Heavy Metal, você é parte de um outro gigante, o Fates Warning, que fez inúmeras turnês e gravou cinco álbuns. Como foi essa experiência de tocar com uma lenda como Fates Warning?

Joey: Tocar com Fates tem sido muito gratificante. Em tantos níveis. Fiz grandes amigos para toda a vida, eu toquei com alguns dos melhores músicos da cena e eu me tornei um músico e compositor muito melhor. Estar no Fates fez-me um músico melhor. Totalmente.




RtM: E com tantos anos de estrada, vendo tantas bandas surgirem e desaparecem também, assim como novos estilos e sub-estilos, como você compara a cena de hoje com os anos 80, onde começou a sua história?

Joey: Passou por muitas fases, algumas das quais eram uma merda, e algumas das quais são muito interessantes. Há muito mais lá fora agora do que há 30 anos atrás, mas depois de você peneirar a merda, há algumas joias lá fora.

RtM: E quais novas bandas chamam sua atenção e que você acha que terão uma longevidade

Joey: Eu nunca posso dizer se alguém vai ter longa carreira nos dias de hoje. Tudo sobe e desce tão rapidamente. Os dois álbuns anteriores do Between The Buried And Me chamaram minha atenção, e esse próximo deve ser mais um passo na direção certa.



RtM: Muito obrigado mais uma vez pelo seu tempo Joey, e deixamos este espaço final para que você envie uma mensagem para seus fãs na América do Sul! Esperamos ver vocês em breve aqui no Brasil! The Saints are marching!

Joey: Obrigado a todos os nossos fãs. Nós não poderíamos fazer nada disso sem vocês, vocês são muito pacientes e agradecemos-lhes por estarem conosco.




Entrevista: Carlos Garcia e Renato Sanson

Interview - Armored Saint: "We have to keep our feet on the ground with our claims"




From a meteoric rise to almost a oblivion. This parameter can define how was the Armored Saint career. In the late 80s the band reached a great recognition, but in the next decade we can not say the same, as both, their mentor, bassist Joey Vera, as the lead singer John Bush were involved with other projects (Anthrax and Fates Warning).Well, after a period of hibernation the Armored Saint breathed again, what was the hint that one day they could return with full force. And we can say that it actually materialized, since Bush's Anthrax departure, the Saint has more space, and returned with a new album, the excellent "Win Hands Down".

To tell you a little of these stories (including the invitation to join Metallica), we talked with the leader and founder Joey Vera, who told us his impressions of the new album, the successful time with the release of "Symbol of Salvation" and more !With you, the legend Joey Vera:

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Road to Metal: Hello Joey, thanks for your time and attention to answer to us this interview! We are very happy with, and also very happy with the new album. Well, let's go!

You recently released your new album, "Win Hands Down", which is having a great impact. How is for you to see this so great and positive repercussion? It would be the deserved recognition that Armored perhaps had not in 80s and 90s?

Joey: Well it’s been great and quite unexpected really. But I don’t feel like we deserve anything at all. In fact we had little expectations for this response. We have to stay grounded in what our intentions are.

RtM: "Win Hands Down" has received great reviews and climbing several charts around the world. The response has been big and faster than your initial expectations? And judging by the album title, or was it a happy coincidence, or you already were sure you had a great stuff in your hands, and the album had everything to be a great success! He he he! Armored Saint will win with Hands Down !! Great album!

Joey: Thank you. But again, we really came out of this with no expectations. The fact that we titled the record with the first track on the record has nothing to do with what we are trying to say about ourselves. We wrote a song called Win Hands Down and we felt like musically, it was a great opening track. That’s all.


RtM: "Win Hands Down" is a powerful, melodic album, which brings a lot of Metal Classic, but never dated, including being a fresh air storm, adjectives I've seen in several reviews. What do you attribute all this energy that emanates from the album? You felt during production it was a special moment or simply ceased to flow naturally, following your instincts?

Joey: Yeah it was pretty much a natural thing. from the get go, I was attemting to make this record sound big and lush. So there are lots of overdubs and parts that create this wall of sound. I was also pushing ourselves to play with arrangements and orchestrations within the songs while always maintaining a sense of power. This thing was not super calculated at all, but more like taking chances.

RtM: I felt a very free band, without worrying about limits, and this can be felt throughout the album, with the inclusion of effects and elements that gave a special “shine” to the sound. The effects on your bass, for example, in the songs "An Exercise in Debaouchery" and "Muscle Memory." I would like you to comment a little more about these two tracks and these "new" elements in the band's music.

Joey: Well, I guess our band has always been a little stripped down in terms of production. We spent a lot of records trying to capture our “live” sound as we are a very high energy live band. But this time, I wanted to go a bit overboard with the production. I wanted this to be epic. Also I am into lots of different kinds of music and it’s fun to have a place to add ethnic instruments or strange sounds. It was an excercise in bridging creativity while maintaining a sense or urgency.


RtM: The title track is also a highlight, even the whole album being great, would you also comment a little more about it, the message that the lyrics brings,  and also  the creative album cover, which is also very funny showing a card game in a saloon, where some people seem to try to take advantage over the others.

Joey: The title comes from Horse Racing and it defines a very easy win. When a jockey is so far ahead of the other horses, he lets the reigns go, and “wins hands down”. John wrote the lyrics about the times when we were young and exploring life and music with friends. The time when we are full of wonder and energy. Life was simpler and easier then. It’s a celebration of life song. It has nothing to do with how we see ourselves as a band. The cover came out of the blue. John kept saying the title track reminded him of western images. So I concoted this idea to take the old west and throw it into an ethereal place, it’s somewhere between Westworld and Blade Runner. I wanted it to be a seperate art piece, something that was ambiguous. I took light and setting ideas from the old masters like Rembrandt and Carravaggio.

RtM: Speaking about the production, the songs and ideas,  were it already being worked during those five years without releasing new material? It was a lengthy process the composition and production itself, or things flowed faster, because the will to make a new Armored Saint’s album?

Joey: This is how it works: We didn’t do any writing until about Jan of 2013. It was then that I started puttng down a few ideas. Then John asked me if had been writing and I said yes, so I made him a demo of about 2 songs or so. Then he got excited and wrote lyrics to those and it was at that point that we started to write this record. But the way we work is very slow. We both have families and our lives are quite busy so we make music whenever we can find the time. We don’t have the record label telling us we have to be done by a certain date. We just work at our own pace, and we are very lucky to have this.


RtM: And how surged the idea of ​​having the participation of Pearl Aday on the track "With a Full Head of Steam"? Her vocals were killers, married perfect in this song. The fact that you have contact with her husband, Scott Ian (Anthrax) believe have facilitated this option.

Joey: Yes. While we wre writing the record, John said he wanted to do a duet with a female singer. But we didn’t feel any of the songs were right until we wrote this one. She was the right choice as we are all friends and I see her almost regularly during the year as friends. it was a no brainer.

RtM: In the year of 91 Armored Saint has a considerable time out in their activities, John Bush was with Anthrax and you with Fates Warning. At some point you all thought in stop definitively the activities with the band?

Joey: Saint did not do anything from 92 to 99 when we decided to write and record "Revelations". Scott took a break from Anthrax to do SOD so we decided it was time to make a record. But in our minds it was just a one off.


RtM: 1991 mark a break in the Armored activities, also marks the release of one of the best albums of your career, the classic "Symbol of Salvation". How were the moments of  album’s composition/production? And could you tell us a bit more about the lyrical approach on it?

Joey: That was a tough record to make, just after saying goodbye to our friend and guitarist David Prichard to Leukemia. Most of the songs were written by Dave and we felt like we had a lot to prove and make him proud. So it was very emotional. Lyrically it was a trying time for us. We were dropped from Chrysalis in late 1988 and we could not get another record deal. We wrote, went back to day jobs, for about 3 years. So the lyrics are about that time in our lives. Some of it is fictional stuff but some of it is very personal.

RtM: But in 2000 the band returned active releasing two albums, "Revelations" (00) and "Nod to the Old School" (02). How was to compose these two albums after almost 10 years without new material? And on those albums did you included any old composition?

Joey: Revelation was like a welcome home vibe for us. It was just a fun thing to make and be together goofing around. it was good working together again. Nod was more of a thing we did for the fans. it has a bunch of live tracks and demo tracks. Songs we never recorded but made demos of. It was supposed to be a gift to our fans into how we work.


RtM: Joey you are known for your excellent technique and power of composition, these adjectives caught the attention of Metallica. I know you've probably answered this question a thousand times, but, why did you not accept to join Metallica after the death of Cliff Burton? When Jason Newsted left the band your name was also remembered. at this time they came to talk to you about it? (we guess you do not accept the post, because maybe you would not have creative freedom in Metallica.)

Joey: Well they did contact me but not for the reasons you stated. They were in a terrible place having to audition bass players and they hated it. They wanted to jam with friends, people they knew, so Lars called me to come jam and see what happens. But I was right in the middle of making Raising Fear with Saint. I wasn’t in a place in my life where I was looking for a change. I didn’t feel it was the right time to leave my band, and childhood friends, right in the middle of this. So I declined. I wasn’t the right guy. Jason was. When Jason left he mentioned my name in the press once and that’s the end of it. In hindsight, I don’t think I would have been creatively happy in that camp. James and Lars have a great team going. They don’t need another person in that bubble. But I enjoy the music I’ve made and all the people I’ve worked with since then, I could not imagine my life any other way.

RtM: Besides Armored Saint, where you has written your name in Heavy Metal history, you are part of another giant, the Fates Warning, which has done countless tours and recorded five albums. How was this experience to play with a legend like Fates Warning?

Joey: Playing with Fates has been very rewarding. On so many levels. I made great life long friends, I’ve played with some of the best musicians in the buisiness and i’ve become a far better player and writer. Being in Fates has made me a better musician. Period.


RtM: And with so many years on the road, seeing so many bands arise and also disappear, as well as new styles and sub-styles, how do you compare today's scene with the '80s, where you began your story?

Joey: It’s gone through many phases, some of which were shitty, and some of which are very interesting. There’s so much more out there now than there was 30 years ago but after yoo sift through the shit, there’s quite a few gems out there.

RtM: And wich new bands called your attention and you believe will have a longevity?

Joey: I can never tell who is going to have long career these days. it all rises and falls so quickly. I’ve been noticing Between the Buried and Me for the past couple records and their new one should be another step in the right direction.


RtM: Thanks a lot for your time Joey, and we let this end space to you to send a message to your South American fans! Hope see you all soon here in Brazil and South America! The March of the Saint over the world!

Joey: Thank you to all of our fans. We cannot do any of this without you, you are very patient and we thank you for coming along with us.


Interview: Carlos Garcia/Renato Sanson


Links:

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terça-feira, 16 de junho de 2015

Armored Saint: Não Apenas Uma Volta, Mas Sim A Consolidação De Um Gigante

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O Armored Saint nos últimos anos sempre manteve uma inconstância em seus lançamentos, muito se deve a entrada de John Bush no Anthrax e também a de Joey Vera no Fates Warning. Porém desde a saída de Bush do Anthrax a banda resolveu sair do coma e retornar as atividades.

Sendo assim muito se especulou sobre um novo álbum, já que o último lançamento foi “La Raza” em 2010. Uma expectativa além do esperado, já que gerava certas dúvidas do que a banda poderia apresentar.

Pois bem, eis que 2015 chegou e o Armored Saint colocou no mercado “Win Hands Down”, e o que poderia ser apenas um álbum mediano para gerar turnês, acabou superando as expectativas, e de fato mostrando toda a força do Armored, pois certamente “Win Hands Down” só não é melhor que o clássico absoluto “Symbol of Salvation” (91).


A banda retorna com sua sonoridade característica, além de se mostrarem revigorados, com composições inspiradíssimas, e com cada músico dando um show à parte. A produção feita pelo próprio baixista Joey Vera ficou grandiosa, o que contribuiu para sonoridade da banda, usando timbres mais modernos, mas não descaracterizando o Heavy Metal audacioso que executam.

Musicalmente temos um show de riffs e solos certeiros, assim como Joey se mostrando um dos melhores baixistas do mundo, acompanhado de uma bateria correta e sem firulas e com o John Bush brilhando.


A abertura do disco com “Win Hands Down” mostra que o tempo só fez bem ao Armored, melodias vocais perfeitas, assim como os riffs característicos e claro solos muito bem encaixados, uma composição grudenta e marcante.


“Mess” e “An Exercise In Debauchery” vem na mesma pegada com destaque as guitarras e os belos refrãos que fazem você sair cantarolando já na primeira ouvida.

Já em “Muscle Memory” temos uma pegada mais melancólica e experimental, que cai muito bem no andamento do disco, além de Bush mostrar o porquê ser um dos melhores vocalistas de Heavy Metal que já existiu.


Mas com certeza um dos pontos mais altos do disco é a faixa “With a Full Head of Steam” e todo seu poder enérgico, que começa devagar para explodir com um andamento cativante e Joey dando uma aula no seu instrumento, sem contar o belo dueto entre Bush e Pearl Aday (filha de Meat Loaf e esposa de Scott Ian).

Em “In an Instant” temos uma semi-balada, com um começo de violão e voz muito bonito, mas não demora para a distorção entrar e ficar mais agressiva, mas logo em seguida a calmaria retorna, e a faixa segue esse meio termo até o seu fim, uma composição diferente, mas extremamente cativante, que conta com belas melodias nas guitarras.

John Bush mostrando o porquê é um dos melhores vocalistas de Heavy Metal
“Up Yours” que fecha o álbum vem numa levada mais moderna, com as guitarras e vocal de Bush se sobressaindo, certamente uma ótima música para encerrar os shows da banda.

De fato, o Armored Saint surpreendeu a todos positivamente lançando um dos melhores discos de 2015.

Agora é esperar os shows e torcer que venham ao Brasil!


Resenha por: Renato Sanson
Revisão: Caco Garcia


Formação:

John Bush (Vocal)
Joey Vera (Baixo)
Gonzo Sandoval (Bateria)
Phil Sandoval (Guitarra)
Jeff Duncan (Guitarra)


Tracklist:

01 Win Hands Down
02 Mess
03 An Exercise In Debauchery
04 Muscle Memory
05 That Was Then, Way Back When
06 With a Full Head of Steam
07 In an Instant
08 Dive
09 Up Yours


Acesse e conheça mais a banda:

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