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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Ignea: Nostalgia Através do Metal Moderno (Also In English)

Napalm Records (Imp.)

Por Carol Claro - @carollynn4

Formada em 2013, em Kiev, na Ucrânia, o IGNEA tem se consolidado cada vez mais como um grande nome do metal moderno. O quarteto apresenta, em seus três álbuns lançados, influências do metal moderno, melódico, death metal, progressive metal e industrial metal. 

O quarto e novo álbum da banda nasce como Monumental e é lançado pela Napalm Records em 23 de outubro de 2026, com a produção de Jacob Hansen. No conceito da obra, a banda traz o tema da nostalgia para suas nove faixas, abrangendo desde as corridas espaciais acontecidas na época da Guerra Fria até o contexto moderno, com estruturas modernistas e urbanas esquecidas no dia a dia da sociedade, mas também com uma interpretação introspectiva de cada um. 

A primeira faixa do álbum se chama Darkness e foi também o segundo clipe lançado para este álbum pela banda. A música já apresenta o que o álbum terá: grandes linhas e ambiências de sintetizadores que nos remetem aos anos 80 e nos trazem a sensação de nostalgia, além de influências do mundo sci-fi. Esse é o elemento principal de todo o álbum. No clipe, a banda traz imagens de espaços culturais e urbanos de Kiev em tons mais melancólicos, trazendo o contraste entre a nostalgia do passado e a vida urbana moderna. Essa que é, na minha opinião, uma das melhores do álbum começa como uma faixa mais tranquila, com acordes mais abertos na guitarra, mas logo surpreende ao apresentar blast beats acompanhados por um coral,  elemento este que caiu super bem como uma nova adição às composições do grupo. 

O álbum segue com a faixa Dreams of Lands Unseen, que inclusive leva o nome do álbum anterior da banda e traz referências a ele na letra — “Velvet sky belongs to those who dream of lands unseen” — e conta sobre a exploração espacial na época da Guerra Fria. Essa faixa já apresenta um lado mais pesado do álbum, com riffs mais marcantes, peso no baixo e na bateria e breakdown. No entanto, o ponto de destaque aqui é o tecladista Yevhenii Zhytniuk, que traz diversos solos de synth leads para a música, solos esses que casam muito bem com a proposta apresentada. O diferencial dessa música, além dos vocais brutais da vocalista Helle Bohdanova, é o solo de Theremin, que tem grande destaque e traz uma mudança na narrativa da composição. Essa música foi escolhida como o primeiro clipe da banda para este lançamento. 

(Curiosidade: a banda comentou que gravou o som do theremin utilizando keytar e bibliotecas de áudio, pois, devido à dificuldade de registrar o som do theremin de forma limpa por causa dos ruídos e da situação do espaço aéreo em Kiev…) 

Prefab foi o terceiro single, junto com uma obra visual incrível que continua a história do clipe Dreams of Lands Unseen. Essa faixa contou com uma colaboração com Andy LaPlegua, do Combichrist, somando sua voz inconfundível à atmosfera da faixa, que inclusive já traz a influência do metal industrial desde a intro. Com acordes bem percussivos e vocais brutais, a música traz em seu refrão apenas a palavra PREFAB, em um contraponto com as guitarras, o que faz com que a música fique na cabeça de quem escuta. (Prefab! Prefab!) 

Presence of the Past tem um começo inusitado e cantarolado pela Helle, mas que apresenta o tema da música, e segue com o contraponto entre a atmosfera calma e abrangente do teclado e blast beats rápidos, seguidos pelo peso deixado pelo baixo de Oleksandr Kamyshyn. A música conta com riffs despojados e a combinação de versos mais tranquilos com passagens mais pesadas e vocais extremos deixados por Helle, retratando a constante mudança das cidades. A combinação entre a métrica do vocal e o ritmo dos instrumentos no refrão dessa faixa é, digamos, monumental. 

A quinta faixa do álbum, What Buildings Dream Of, é a balada do álbum. Aqui, temos muitos timbres diferentes de sintetizadores, que constroem a ambiência para a cor da música, trazendo batidas eletrônicas e muita influência, também, do metal industrial. Apesar de ser uma balada, a faixa ainda traz um excelente breakdown com elementos do progressive metal. O tema dessa faixa é descrever a textura da arquitetura monumental e prestar homenagem à beleza, à fragilidade e à vida das estruturas que nos trazem paisagens urbanas e criatividade. Esta é a faixa que cita o nome do álbum: Monumental. 

O álbum segue com a faixa I am in Hell, um ótimo nome para a música, podendo ser um trocadilho com o nome da vocalista, Helle. Essa música vem como um pequeno interlúdio, agora como um duo de teclados e voz, trazendo uma música piano-voz, mas repaginada para o tema com sintetizadores e timbres de electric piano. A ideia da banda foi trazer uma referência à propaganda retro futurista dos anos 1960. 

Between No Longer and Not Yet é a maior faixa do álbum, mais inclinada ao doom metal. A faixa combina riffs pesados de Dmytro Vinnichenko com temas de teclado em intervalos interessantes, que lembram intervalos musicais utilizados na música oriental, pedais duplos e o peso do baixo. Helle mistura os vocais limpos com os mais extremos, trazendo a versatilidade dessa grande cantora. 

Harmony Manufactured é uma das mais pesadas do álbum. Não à toa, traz consigo uma participação de Britta Görtz, vocalista do HIRAES, banda de melodic death metal. O dueto entre Britta e Helle é brutal, e Britta soma bem ao som da banda com seu poderoso fry e guturais. As guitarras preenchem a música com riffs técnicos. A parceria entre as cantoras foi uma ótima escolha. 

Nadir fecha o álbum com elegância — uma faixa orquestrada que resume os temas apresentados nas demais faixas: a nostalgia, a esperança e a melancolia. 

Um ponto curioso é que, apesar de trazer versos em ucraniano, neste álbum a banda traz uma quantidade maior de versos em inglês, não tendo nenhuma música totalmente em ucraniano. É muito legal como eles trazem para dentro do metal elementos ucranianos, desde letras, histórias folclóricas ou reais, até influências de artistas locais. 

O IGNEA sempre trouxe para suas composições excelentes storytellings para seus álbuns, assim como referências à cultura e à história da Ucrânia, e não é diferente com Monumental. Desde a capa do álbum, apresentando uma arquitetura real, até os elementos de sintetizadores, que são a alma deste álbum, tudo parece conversar com o conceito de nostalgia apresentado pela banda. Os clipes refletem muito o sentimento que o quarteto quer passar, e a voz de Helle entrega cada vez mais emoção em suas canções. 

Monumental é um álbum que consegue transformar a nostalgia em algo muito mais amplo do que apenas olhar para o passado. A banda utiliza diferentes sonoridades, elementos visuais e referências históricas para criar uma experiência que mistura melancolia, beleza e, principalmente, memória. É um álbum que parece querer nos fazer lembrar de algo que talvez nem tenhamos vivido, mas que, de alguma forma, conseguimos sentir. E talvez seja justamente essa a força de Monumental: fazer com que o passado pareça próximo, mesmo quando ele já não pode mais ser alcançado. 

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Ignea: Nostalgia Through Modern Metal 

Formed in 2013 in Kyiv, Ukraine, IGNEA has increasingly established itself as a major name in modern metal. Across their three released albums, the quartet incorporates influences from modern metal, melodic metal, death metal, progressive metal, and industrial metal. 

The band’s fourth album, Monumental, is set for release through Napalm Records on October 23, 2026, with production by Jacob Hansen. At the core of the album is the theme of nostalgia, explored throughout its nine tracks, ranging from the space races of the Cold War era to the modern world, with its forgotten modernist and urban structures hidden in everyday life, while also offering an introspective interpretation of each listener’s own memories. 

The album opens with Darkness, which was also the band’s second music video released for this album. The song already introduces what the album has to offer: prominent synth lines and atmospheric layers that take us back to the ’80s and evoke a sense of nostalgia, alongside influences from the sci-fi world. This is the main element throughout the entire album. In the music video, the band showcases cultural and urban spaces in Kyiv through more melancholic imagery, creating a contrast between nostalgia for the past and modern urban life. In my opinion, this is one of the best tracks on the album. It begins as a calmer song, with more open guitar chords, but soon surprises us with blast beats accompanied by a choir, an element that works extremely well as a new addition to the band’s compositions. 

The album continues with Dreams of Lands Unseen, which shares its name with the band’s previous album and includes a reference to it in the lyrics — “Velvet sky belongs to those who dream of lands unseen” — while exploring space exploration during the Cold War era. This track already presents a heavier side of the album, with more prominent riffs, heavy bass and drums, and a breakdown. However, the highlight here is keyboardist Yevhenii Zhytniuk, who brings several synth lead solos into the song, and these solos fit the overall concept extremely well. The song’s other standout element, besides vocalist Helle Bohdanova’s brutal vocals, is the theremin solo, which takes center stage and brings a change in the composition’s narrative. This was the first song from the album to receive a music video. 

(Fun fact: the band mentioned that they recorded the theremin sound using a keytar and audio libraries, due to the difficulty of capturing the theremin cleanly because of the noise and the airspace situation in Kyiv…) 

Prefab was the third single, accompanied by an incredible visual piece that continues the story from the Dreams of Lands Unseen music video. The track features a collaboration with Andy LaPlegua of Combichrist, whose unmistakable voice adds even more to the atmosphere of the song, which already brings industrial metal influences from the very beginning. With highly percussive chords and brutal vocals, the song’s chorus consists solely of the word PREFAB, creating a counterpoint with the guitars that makes the track stick in your head. (Prefab! Prefab!) 

Presence of the Past has an unusual opening, with Helle humming the melody, already introducing the theme of the song. It then moves into a contrast between the calm and expansive atmosphere of the keyboards and fast blast beats, followed by the weight of Oleksandr Kamyshyn’s bass. The song features laid-back riffs and combines calmer verses with heavier passages and Helle’s extreme vocals, portraying the constant transformation of cities. The combination of the vocal phrasing and the rhythm of the instruments in the chorus is, well… monumental. 

The album’s fifth track, What Buildings Dream Of, is its ballad. Here, we get many different synthesizer tones that build the song’s atmosphere and sonic color, bringing electronic beats and, once again, strong industrial metal influences. Despite being a ballad, the track still features an excellent breakdown with progressive metal elements. The theme of the song is to capture the texture of monumental architecture and pay tribute to the beauty, fragility, and life of the structures that shape our urban landscapes and inspire creativity. This is also the track that mentions the album’s title: Monumental. 

The album continues with I am in Hell, a great title for the song that could also be a play on the vocalist’s name, Helle. This track comes as a short interlude, now presented as a keyboard-and-vocal duo, bringing a piano-and-vocal approach but reimagined for the album’s concept through synthesizers and electric piano tones. The band’s idea was to reference a retro-futuristic television advertisement from the 1960s. 

Between No Longer and Not Yet is the longest track on the album, leaning more toward doom metal. The song combines Dmytro Vinnichenko’s heavy riffs with keyboard themes built around interesting intervals reminiscent of musical intervals used in Eastern music, double-kick drums, and the weight of the bass. Helle alternates between clean and extreme vocals, showcasing the versatility of this incredible singer. 

Harmony Manufactured is one of the heaviest tracks on the album. It is no coincidence that it features Britta Görtz, vocalist of HIRAES, a melodic death metal band. The duet between Britta and Helle is brutal, and Britta fits perfectly into the band’s sound with her powerful fry screams and growls. The guitars fill the song with technical riffs. The partnership between the two vocalists was a great choice. 

Nadir closes the album with elegance — an orchestral track that summarizes the themes explored throughout the other songs: nostalgia, hope, and melancholy. 

One interesting point is that, although the album includes some lyrics in Ukrainian, the band uses a larger amount of English lyrics this time, with no song being entirely in Ukrainian. It is really interesting to see how they bring Ukrainian elements into their metal, from lyrics and folkloric or real stories to influences from local artists. 

IGNEA has always brought excellent storytelling into their albums, as well as references to Ukrainian culture and history, and Monumental is no different. From the album cover, which features real architecture, to the synthesizer elements that are the soul of this album, everything seems to connect with the concept of nostalgia presented by the band. The music videos strongly reflect the feeling the quartet wants to convey, while Helle’s voice continues to deliver more and more emotion in her songs. 

Monumental is an album that manages to transform nostalgia into something much broader than simply looking back at the past. The band uses different sounds, visual elements, and historical references to create an experience that blends melancholy, beauty, and, above all, memory. It is an album that seems to make us remember something we may have never even experienced, yet somehow still manage to feel. 

And perhaps that is precisely the strength of Monumental: making the past feel close, even when it can no longer be reached. 

Lame Perfect




sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Cobertura de Show: Stoned Jesus – 25/10/2025 – Jai Club/SP

Stoned Jesus celebra 15 anos de banda com show impecável em São Paulo

Evento, que contou com abertura dos brasileiros do Pesta, fez parte da turnê latino-americana e marcou o retorno da banda ucraniana à capital paulista após oito anos

Oito anos se passaram desde a última vinda do Stoned Jesus, banda ucraniana de Stoner Metal e Doom Metal, ao Brasil. Desta vez, a apresentação em São Paulo, realizada no último dia 25 de outubro na Jai Club, localizada na Zona Sul, fez parte da “Latin American Tour 2025”, turnê que celebra os 15 anos de banda e, ao mesmo tempo, divulga o mais recente álbum do trio, “Songs to Sun”, lançado em 19 de setembro deste ano. A apresentação contou com a abertura da banda belo-horizontina Pesta e foi produzida pela Solid Music Entertainment e a Caveira Velha Produções.

A turnê em questão abrangeu, além de São Paulo, outras cinco cidades brasileiras: Rio de Janeiro (21), Porto Alegre (22), Florianópolis (23), Curitiba (24) e Belo Horizonte (26). A extensão se deu com Buenos Aires, na Argentina (28), Santiago, no Chile (29), e Cidade do México, no México (31). São Paulo, que foi a quinta da turnê, contou com uma Jai Club cheia desde a banda de abertura e que, no show principal, lotou a pista praticamente por um todo, deixando pouquíssimos espaços de circulação.

O Pesta, também em ritmo de divulgação de lançamento recente, o álbum “The Craft of Pain” (outubro de 2025), fez uma apresentação impactante, com quatro faixas consolidadas de seu repertório geral e duas do disco novo, sendo uma delas a estreante ao vivo. O quarteto foi amplamente elogiado pelo público, que viu um show impactante e muito bem executado pelos músicos por um todo.

Já o Stoned Jesus, que desta vez veio como atração principal, fez uma terceira passagem pela capital paulista digna de headliner, com um repertório de 11 músicas com todas as fases dos 15 anos de carreira da banda. Yurii Kononov, baterista que entrou no lugar de Dmitry Zinchenko em 2024, foi a novidade e teve impacto positivo ao vivo, dominando as faixas tanto nos ritmos mais lentos quanto nos mais intensos, parecendo um baterista de Heavy Metal e de Jazz ao mesmo tempo e em momentos distintos por conta da forma que toca no palco. Da mesma forma, o peso do baixo de Andrew, que também entrou para o Stoned Jesus em 2024, no lugar de Sid, foi notável em diversas faixas e ambientações 

Por último e não menos importante, o frontman Igor Sidorenko foi impecável em todos os momentos e funções possíveis: do vocal aos riffs e solos de guitarra, dos alertas engraçados para ajustes instrumentais às interações com os fãs na pista. Foi por conta dele que a galera ecoou coros líricos e das letras das músicas e, no melhor dos momentos, gerou um mosh pit no meio de uma Jai Club lotada, garantindo a diversão ainda maior de boa parte dos que participaram da roda. O susto que tomou na última música, “Electric Mistress”, ou certas exigências de som, iluminação e do pedido contra fumaças em geral, de nada mudou seu comportamento no palco, que garantiu, junto com os demais, uma noite memorável na capital paulista.


Pesta

A banda mineira de Stoner Metal e Doom Metal Pesta fez seu retorno a São Paulo após sete meses, quando abriram para o Pentagram junto com o Weedevil. O grupo, que se apresentou em quarteto, teve como fator novo o lançamento do terceiro álbum de estúdio, “The Craft of Pain” (2025), contando com duas das faixas - uma delas tocada ao vivo pela primeira vez - entre as seis tocadas na noite. 

Thiago Cruz (vocal), Marcos Resende (guitarra), Anderson Vaca (baixo) e Flávio Freitas (bateria) começaram pontualmente e, com uma Jai bem ocupada, começaram o show com “Moloch’s Children”, do álbum “Faith Bathed in Blood” (2019), e a estreia de “Mirror Maze”, do novo álbum - e que conta com participação do guitarrista Scott "Wino" Weinrich na versão de estúdio -, ao vivo. Enquanto a primeira teve um ritmo mais lento e sombrio, a segunda puxou um Stoned Metal mais agitado.

“Black Death”, do disco de estreia “Bring Out Your Dead” (2016), veio na sequência e agitou o público, seja pelo início marcado pela sequência de repetições do riff com três fortes batidas da bateria (que aumentaram na terceira vez), seja pelo ritmo envolvente no restante da faixa, com Thiago Cruz focando em um bom vocal lírico ao longo da faixa. A dobradinha do primeiro álbum se formou com “Words of a madman”, marcado por um bom refrão e a cadência suave e impactante dos músicos que foi o suficiente para puxar não só a atenção do público, como os primeiros balanços de cabeça da noite. 

O show prosseguiu após um pequeno discurso de agradecimento de Thiago, que reforçou o prazer que ele e a banda têm ao tocar em São Paulo. “Shadows of a Desire”, single do álbum mais recente do Pesta, veio com a mesma pegada sombria da sonoridade, com ritmo calmo ao longo da faixa e com uma aceleração de ritmo nos minutos finais, contando com bom solo de Marcos Resende. 

O guitarrista do Pesta também trouxe ótimas distorções da guitarra após o riff da última faixa da noite, “Witches’ Sabbath”, assim como outro bom solo dentro da faixa que apresentou um exemplo primordial da inspiração vocal e sonora em bandas de Doom Metal dos anos 1970 e 80. Foi com o poderio desta música, na reta final, que uma espécie de Jam aconteceu para finalizar o show e sacramentar uma abertura que trouxe os sinceros aplausos de um público que, seja pela primeira vez ou além da segunda, apreciou e se impactou positivamente com um grande nome do Doom  e do Stoner Metal nacional atual.

Stoned Jesus

A rápida configuração dos instrumentos do trio ucraniano deu a eles um tempo maior para a passagem de som no palco. Isso se deu principalmente pela adaptação que, aparentemente, foi feita no kit de bateria de Flávio Freitas, trazendo algumas adições de pratos que se adaptassem à sonoridade do Stoned Jesus.

Cada acorde testado era comemorado por um fã diferente na pista da Jai Club que, cada vez mais cheia, tinha poucos espaços de circulação que não fossem no corredor que direcionava aos banheiros. Fãs arriscaram alguma interação com a banda, com gritos esporádicos de “Jesus Chapado” ou elogios com palavrões (“f*da pra c*ralho!”, “Do c*ralho” e afins) aos testes da banda. A situação resultou em uma resposta mais que engraçada do vocalista Igor Sidorenko, que respondeu um deles: “Don't use that kind of language, or i’m gona ‘kick your c*zinho’” - “Não use esse tipo de linguagem, ou eu vou chutar o seu c*zinho”, em tradução livre.

Os testes seguiram até 20h30, contando até mesmo com trechos de músicas da banda mais extensos. Às 20h32, o show começou de fato, com os acordes calmos e simples de “Bright Like the Morning”, faixa do disco “Seven Thunders Roar”, que abriu o setlist de 11 faixas da turnê. Junto a Igor Sidorenko (vocal, guitarra), também estavam Andrew Rodin (vocal, baixo) e Yurii Kononov (bateria), que começaram a tocar aos poucos dentro da faixa e, numa questão de 2 minutos, entrelaçaram com o vocalista e guitarrista o ritmo introdutório da faixa, após pedidos de aumento do volume do microfone. E quando a música em questão foi para seu ritmo mais intenso, o público acompanhou fortemente com coros que ecoaram principalmente nos refrões da faixa.

O tom brincalhão de Igor reapareceu na música seguinte, "Porcelain”, que começou sob linhas de baixo de Andrew. No caso, um fã mais exaltado da parte da frente comemorou por mais tempo que os demais e o frontman do Stoned Jesus fingiu uma irritação e gesticulou tanto para que ele ficasse quieto, quanto apontando para o companheiro de banda para que o fã escutasse os acordes que ecoaram a Jai Club. A graça, claro, se converteu em risos rápidos das pessoas na pista, que francamente admiraram a progressão instrumental do trio. Yurii Kononov, como em diversos outros momentos do show, mostrou calma e precisão em suas linhas, principalmente com os pratos, o que ajudava no ambiente misterioso da primeira parte da música. Da mesma forma, nos momentos mais intensos, soube dosar pratos e caixas de forma primorosa.

“Shadowland” foi a primeira das duas faixas do mais recente álbum do Stoned Jesus, “Songs to Sun”, a tocar no setlist. Parte dos presentes na Jai Club começaram a balançar as cabeças desde o início da faixa e se envolveram no misto envolvente entre os riffs de Igor e o ritmo de Yurii, ora acompanhando a guitarra, ora com viradas poderosas e porradas nos pratos para a faixa. 

Em seguida, “Thessalia”, única faixa do álbum “Pilgrims” (2018), veio em seguida com uma proposta semelhante de início calmo, baseado na condução de Yurii e Andrew, porém rapidamente transitado para um ritmo mais agitado após o grito de “São Paulo, are You ready?”, ao estilo Korn, puxado por Igor e incrementado com a guitarra potente. Foi o suficiente para tirar alguns fãs do chão, que arriscaram pulos no mínimo espaço que tinham, assim como fez com que outros voltassem a balançar a cabeça com intensidade ao longo da faixa. Já “Thoughts and Prayers” veio na sequência, antecedida de um discurso de Igor em relação à guerra entre a Ucrânia, país de origem do trio, e a Rússia, e sobre como buscam arrecadações para os afetados no país do Leste Europeu. A faixa, referente ao álbum de 2023 “Father Light”, é justamente um clamor por esperança e resolução, ao mesmo tempo que uma crítica ao contexto de guerra, com ritmo que tem uma pequena pegada Blues Rock sem comprometer com a base Stoner e Doom da banda e que, na Jai Club, contou com coros líricos do público em determinados momentos e um ótimo solo por parte do guitarrista e vocalista do Stoned Jesus.

Igor também fez alguns alertas sobre a fumaça na Jai, por conta de possíveis pessoas que estavam fumando no local e quanto a como aquilo poderia prejudicá-lo. O pedido foi atendido e, aparentemente, foi um ponto que ajudou o vocalista e guitarrista a ficar mais à vontade durante o restante da apresentação, que prosseguiu com “Silkworm Confessions”, do álbum “The Harvest” (2015), numa das performances mais enérgicas da noite, encabeçada por um riff e ritmos potentes ao longo da faixa, mudanças de ritmo periódicas e uma tonalidade vocal “à la Ozzy” de Igor, que também colocou um chapéu de um fã pela primeira vez na noite. Ele também protagonizou uma regência lírica com as vozes do público, assim como teve, perto da reta final da música, um solo rápido e bem “palhetado” durante sua execução.

“Black Woods” foi amplamente comemorada após as primeiras notas tocadas por Igor Sidorenko. O músico chegou a tirar seus óculos - e não os colocou mais - para a faixa em questão. Quando o instrumental completo veio, múltiplas cabeças balançaram por toda a pista da Jai Club por todos os minutos do riff inicial e além dele. O líder do Stoned Jesus fez um solo poderoso no meio da faixa e conduziu muito bem a faixa, que só mudou de ambientação e ritmo nos três minutos finais, contando com os gritos de hey do público a pedido de Igor e, no final, com o poderio do pedal duplo e dos pratos de Yurii para um encerramento apoteótico. Ou o início do caos na Jai Club.

E este caos se deu justamente porque a faixa seguinte foi “Here Come the Robots”, outra do disco “The Harvest”, com ritmo agitado e contagiante o suficiente para diversas camadas de agitação da banda e do público presente no show: a comemoração generalizada a partir do riff, os pulos na sequência, o coro que ocorreu durante toda a letra e, principalmente, o mosh pit pedido por Sidorenko no meio para o final da faixa, executado por boa parte do público que estava entre a frente e o meio, além dos que também se deslocaram do fundo para o bate-cabeça. Teve espaço para isso? Teve, porém, comprometendo o corredor do canto da pista e, talvez, as leis da impenetrabilidade. De todo modo, o momento foi único e marcou o grande ápice da noite.

Os ânimos do público e da banda logo deram espaço para o silêncio pedido pelo frontman do Stoned Jesus e a calmaria dos acordes iniciais da também comemorada “I’m the Mountain”. Além destas linhas e do instrumental pesado ao longo da parte inicial, houve outro coro do público em cima da letra da música, com os primeiros versos ecoados sem o suporte do vocalista e com a ênfase nos versos que tinham o nome da música em destaque. Junto a isso, as variações de ritmo ao longo dos pouco mais de 13 minutos de música, contaram muito com a condução de Yurii Kononov e Andrew que, seja nos momentos mais calmos, seja nos mais intensos, foram grandes destaques junto aos solos e acordes gerais de Igor, de modo que a banda foi amplamente ovacionada ao final.

A pequena pausa que a banda deu, em direção ao camarim, foi rápida a ponto de os três integrantes voltarem após dois minutos, rumo ao bis. Os gritos do público ecoavam na Jai Club, com tentativas de puxar um coro em nome da banda e outros elogios. De todo modo, Igor, Yurii e Andrew logo iniciaram “Low” que, apesar de ter uma temática sensível e melancólica na letra, trouxe um ritmo de Stoner Metal poderoso e conciso o suficiente para levantar o público novamente. A faixa também teve um “momento Black Metal”, onde toda a sonoridade do trecho lembrava músicas do subgênero do Heavy Metal, com blast beats, e palhetadas rápidas, somadas a um grito estridente de Igor. O retorno para o ritmo Stoner se deu com uma boa condução de pedais de Yurii, nem muito rápidos, nem muito lentos, até os momentos finais da faixa.

“Electric Mistress” fechou a noite com mais um riff impactante, somado com um último “Are You ready?” conjunto de Igor e Andrew, desaguando em uma sonoridade contagiante da banda. Os versos do refrão, todos iniciados com o nome da faixa em questão, foram gritados pelo público. E essa dinâmica foi ainda mais explorada por Igor Sidorenko em dois momentos distintos da faixa, mais “parados”, em que ele contou até cinco antes de o público, em coro conjunto e intenso, gritar “Electric Mistress” e ele complementar com o restante dos versos. Tudo foi muito bem dinamizado e, quando voltou para o instrumental geral da banda na segunda vez, Sudorenko ainda tomou um susto por algo que aconteceu na parte da frente do palco - e que não deu para ver, precisamente, se envolveu apenas o equipamento e os pedais, ou se pode ter sido algo em relação a um fã das primeiras fileiras -, todavia se recompôs para um final com sonoridade explosiva e digna de um encerramento apoteótico.

As quase uma hora e 20 minutos de show do Stoned Jesus passaram muito rápido, mesmo com músicas que tinham mais de dez minutos. E isso tudo graças a um conjunto de fatores já citados que tornaram a apresentação memorável para os que esperaram tanto tempo pela volta da banda ao solo brasileiro: sonoridade impecável - mesmo com os mínimos problemas rapidamente corrigidos, sob a condução de Igor Sudorenko -, uma banda que executou todas as músicas de forma primorosa, o cuidado com os detalhes de cada membro e um público que, seja para cantar, aplaudir ou para moshar, entreteu e foi entretido da melhor forma junto ao trio. Foi uma apresentação digna de headliner de evento e que, com certeza, deixou o desejo por mais do Stoned Jesus em breve.


Texto: Tiago Pereira 


Edição/Revisão: Gabriel Arruda 



Pesta – setlist:

Moloch’s Children

Mirror Maze

Black Death

Words of a Madman

Shadows of a Desire

Witches’ Sabbath


Stoned Jesus – setlist:

Bright Like the Morning

Porcelain

Shadowland

Thessalia

Thoughts and Prayers

Silkworm Confessions

Black Woods

Here Comes the Robots

I'm the Mountain

Bis

Low

Electric Mistress

sábado, 24 de julho de 2021

Jinjer: Expectativas do Novo Álbum e Tour Latina Agendada!

Dentre os novos nomes que surgiram no cenário mundial, os ucranianos do Jinjer certamente são um dos que mais vêm crescendo. Fundado em 2009, o grupo faz um Metal Progressivo que mescla elementos dos sub-gêneros mais contemporâneos do estilo - apresentando também nuances do lado mais extremo, como o Death Metal - e surpreendendo com misturas inusitadas, com peso, técnica e melodia.

Mas além da sonoridade original, o quarteto tem como destaque a vocalista Tatiana Shmailyuk, com seu estilo visual e versatilidade nos vocais, praticamente algo como um Jekyll-and-Hyde (o médico e o monstro), usando com maestria um estilo gutural e agressivo, típico do Metal mais extremo, com timbres suaves e limpos.


O Jinjer começou tendo destaque em sua terra natal, lançando dois trabalhos independentes, e depois através do youtube foi ganhando fãs pelo mundo, com seus vídeos viralizando e recebendo números expressivos de visualizações. 

Esse sucesso chamou a atenção da gravadora austríaca Napalm Records, que ofereceu contrato e distribuição mundial, com a banda crescendo ainda mais, indo tocar em grandes festivais de Metal e passando por diversos países, inclusive Brasil em 2018. 

Uma prova do crescimento do Jinjer podemos conferir com o  vídeo de "Pisces", do álbum "King of Everything" (2016), por exemplo, o primeiro pela gravadora austríaca,  o qual já ultrapassou os 52 milhões de views no youtube!

Em 2018 a gravadora relançou o álbum "Cloud Factory", lançado de forma independente em 2014, e em 2019 lançaram "Macro", também sendo muito bem recebido por crítica e público. E as expectativas são grandes quanto ao próximo passo do Jinjer, que liberou dia 17 de junho último, o vídeo para a música "Vortex", que estará no seu novo álbum, "Wallflowers" (que sairá dia 27 de agosto). O vídeo chegou a quase 1 milhão de visualizações em uma semana, excelentes números para uma banda de Metal.


Já considerado um dos álbuns de Metal mais esperados do ano, com “Wallflowers”, o JINJER prova mais uma vez seu talento excepcional para misturar groove, progressão, influências alternativas e experimentais para criar um som diferente de tudo que já existiu antes.

O primeiro vídeo de JINJER e o single "Vortex" deixarão todos de boca aberta, trazendo um visual forte e muito groove!

O Jinjer declara: "Vortex' é a primeira. A primeira música que gravamos e o primeiro single que tocamos ao vivo (no Hellfest From Home 2021). Esta é uma música perfeitamente equilibrada em nossa opinião. Uma história contada através da música e que merecia um vídeo para combinar perfeitamente! 

O vídeo é uma incrível jornada, dando ao único uma outra camada, outra mensagem, enquanto Tatiana canta sobre a carga de pensamentos pesados e como isso pode ser devastador, o vídeo espelha o que o mundo infelizmente se tornou para muitos de nós".


Segundo o release liberado pela assessoria da banda: “ 'Wallflowers' não apenas apresenta um próximo passo metódico e premeditado na já imponente carreira da banda, mas, além disso, reflete as adversidades pessoais que eles enfrentaram devido aos eventos mundiais no último ano. 

Este novo trabalho não é somente uma atualização do groove metal progressivo que todos os fãs de JINJER desejam, mas também uma panela de pressão sônica de musicalidade técnica, fúria emocional e uma trilha sonora intensa condizente com o estado angustiante do mundo hoje."

Vindo da região ucraniana de Donetsk, dominada pelo conflito, mas agora chamando Kiev de sua base principal, o JINJER realmente não mediu palavras - ou riffs - em “Wallflowers”, e a banda vem afirmando em entrevistas que esse é seu trabalho mais pesado!

Com quase todos os lançamentos do JINJER compostos entre vans, salas de backstage e turnês constantes, “Wallflowers” continua de onde seu antecessor “Macro” parou, só que desta vez com menos distração e mais tempo para a banda se concentrar na composição do novo álbum.


E para a tour de divulgação  a América Latina já está na rota do Jinjer! A turnê latina, organizada pela empresa IDL Entertainment tinha sido planejada para 2020, onde aconteceram apenas 5 shows nas cidades de El Salvador, Guatemala, Guadalajara, Monterrey e Cidade do México, sendo as demais datas suspensas devido à pandemia. 

Aqui um vídeo com um resume dos último 5 shows que foram realizados na América Latina


A turnê foi reagendada duas vezes, primeiro para dezembro de 2020 e depois para Abril e maio de 2021, mas finalmente, tudo indica que o Jinjer poderá novamente tocar para seus fãs no Brasil e demais países da América Latina, com a tour novamente a organizada pela IDL Entertainment.

Ian Di Leo, diretor de IDL Entertainment, nos conta: "Logo após de 2 postergações em um momento  tão difícil a nível mundial, reconheço o amor dos fãs pela banda, assim como também o especial afeto que Jinjer tem com os fãs Latinoamericanos, tem sido os motores para que esta turnê não morra. E assim que com muito sacrifício, orgulho e esperança é que anunciamos esta reprogramação tão importante para todos nós."

Para mais informações clique AQUI

Todos os ingressos comprados para os shows que aconteceriam em 2020 e 2021 serão aceitos nos shows de 2022, salvo casos em que os promotores locais   prefiram efetuar a troca dos ingressos. 

Aguarde o anúncio oficial dos shows ou entre em contato com o promotor local do show da sua cidade para saber como proceder.

Confira abaixo as datas e as cidades onde o JINJER se apresentará:

5 Mai: Foro Independencia, Guadalajara, Mexico
6 Mai: Cafe Iguana, Monterrey, Mexico
8 Mai: Venue TBA, Mexico City, Mexico
10 Mai: Peppers Club, San Jose, Costa Rica
12 Mai: Yield Bar, Lima, Peru
13 Mai: La Cupula, Santiago, Chile
14 Mai: El Teatro Flores, Buenos Aires, Argentina
15 Mai: Complejo Sala Show, Montevideo, Uruguay
17 Mai: Venue TBA, Porto Alegre, Brazil
18 mai: Venue TBA, Curitiba, Brazil
20 Mai: Mirage, Limeira, Brazil
21 Mai: Carioca Club, Sao Paulo, Brazil
22 Mai: Broken Tattoo Fest, Bogota, Colombia
25 Mai: Hangar 18, Panama City, Panama
27 Mai: Teatro Cas Di Cultura, Oranjestad, Aruba


O álbum também estará disponível no Brasil, em edição Digipack, via Liberation Music, e a pré-venda está disponível nos canais da Liberation: Acesse Aqui

Aguarde resenha e entrevista em breve aqui no Road. 🤘

Texto/edição: Carlos Garcia

"Wallflowers" tracklisting:
 
1    Call Me a Symbol
2    Colossus
3    Vortex
4    Disclosure!
5    Copycat
6    Pearls and Swine
7    Sleep of the Righteous
8    Wallflower
9    Dead Hands Feel No Pain
10   As I Boil Ice
11   Mediator

JINJER
Tatiana Shmayluk - Vocal
Roman Ibramkhalilov - Guitarra
Eugene Abdukhanov - Baixo
Vlad Ulasevich - Bateria





quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Majesty of Revival: "O Mais Bem Guardado Segredo do Metal Ucraniano!"



O release da gravadora PowerProg diz que "O Majesty Revival é o mais bem guardado segredo do Metal Ucrâniano...", ou seja, referindo-se que a banda, vindo de um país pouco tradicional na cena Metal, onde também não existe apoio,é uma grata surpresa! E após conferir o trabalho da banda, é impossível não concordar, e o Majesty of Revival prova que, tendo talento e força de vontade, não existem fronteiras, e um trabalho de qualidade como o deles não pode ficar escondido, precisa e merece ser apreciado pelos fãs de Metal.  (To read the english version CLIC HERE)

Entramos em contato com a banda, e conversamos com o fundador Dimitriy Pavlovskiy e a vocalista Nelly, para saber um pouco mais da banda, do seu segundo álbum, "Iron Gods", da batalha para passar por cima das dificuldades e levar o nome da banda a um público maior, além de outros assuntos. Confira e descubra você também este "segredo ucraniano":

Road to Metal: Para começar, você poderia fazer  uma breve apresentação da banda, um breve histórico, para os fãs que estão conhecendo a banda  agora.
Dimitriy Pavlovskiy: a banda ucraniana MAJESTY OF REVIVAL foi formada por mim, Dimitri Pavlovskiy, em 2009, descrevo nossa sonoridade como um brilhante Power Metal Sinfônico com riffs realmente pesados ​​e solos de guitarra absolutamente dementes. Você será transportado para um cenário futurista de caos e os confins do gênero Power Metal e Hard rock através de riffs pesados ​​com vibe neoclássica, passando pelo Thrash e Speed Metal, vários elementos que usamos para criar o nosso estilo único. Nestes cinco anos de existência, tivemos uma série de mudanças no line-up, fazendo 2 álbuns e 1 compilação. 

O fundador do MOP, Dimitriy
 RtM: Sendo uma nova banda que busca o seu espaço na cena, que características você destaca como as mais fortes no Majesty of Revival, e que poderia fazer a diferença neste cenário competitivo e tão “inchado”?
Dimitriy: Hoje em dia é muito difícil competir com bandas europeias, mas vamos tentar! Tínhamos um sonho desde o início e tornar-se conhecidos como, por exemplo um Metallica. Algumas pessoas riam de nós, mas investimos em nós mesmos, fizemos aulas de música, estudamos. Mas agora nos damos conta de quão difícil é, na era de tecnologias digitais.
Devido à disponibilidade de instrumentos musicais/equipamentos, um monte de merda aparece na música hoje em dia - o negócio da música arrastando a todos - todos querem dinheiro fácil e fama, muitas vezes não tendo a menor ideia sobre o que é música, a teoria/harmonia e outros detalhes.

RtM: Você pode nos falar mais sobre o significado do nome da banda? "Majesty of Revival", o significado para vocês, e se há alguma história sobre como vocês escolheram o nome?
Dimitriy: Quando iniciamos em 2009, nós adotamos o nome "Revival". Quanto aos significados do nome, não nos detivemos a isso, nós éramos jovens e ingênuos. Em 2010, quando eu estava sozinho de novo (ex-membros foram embora para os seus países), comecei a procurar músicos. Em outubro eu conheci Vasily Irzhak e decidimos mudar o nome da banda, já que o nome "Revival" está em um monte de bandas desconhecidas do mundo inteiro, assim como vários jogos online. Mas na cena local éramos conhecidos como Revival, então eu decidi acrescentar "Majesty". Nós pretendíamos fazer grandes e épicas músicas, com encantadores shows e o nome de "Majesty Of Revival" pareceu muito adequado para nós!

RtM: “Iron Gods” (Deuses de Ferro) é o seu segundo álbum, nos conte a respeito do significado deste título e se  há um conceito em especial no álbum?
Dimitriy: Costumamos escrever a música e damos títulos de trabalho para as músicas. Enquanto trabalhava nas músicas entendemos sobre o que deveria ser uma canção. Em seguida, começa a trabalhar nas letras. Assim foi com a faixa-título do álbum. Mas esta faixa deve ser continuada na acepção da primeira faixa "Nameless Visitante." Oleksa Dynnyk surgiu com letras para "Deuses de Ferro". 

O próprio nome veio à minha mente quando o álbum estava em fase de gravação. Foi uma história muito divertida. Na Internet aparecem posts populares como: "Faça um nome para a sua banda a partir das primeiras letras de seu nome." Bem, eu tentei - surgiu o nome "Deuses de Ferro". Soou esnobe, mas legal. E eu pensei, "vamos chamar esta música de Iron Gods!" Mas todos acharam tão legal que nós resolvemos batizar o álbum de  "Deuses de Ferro".


RTM: E sobre a produção do álbum? Foi produzido pela própria banda? Eu acredito que você também tiveram uma boa pré-produção, porque o som da banda tem muitas variações e é bastante complexa.
Dimitriy: Sim, o álbum foi produzido pela própria banda. Temos pessoas que nos ajudaram a fazer o o novo álbum soar mais pesado do que o anterior, mas principalmente nós produzimos "Iron Gods" (Deuses Ferro) por nós mesmos. Tivemos muitos problemas durante a gravação. Devo dizer que este registro nos trouxe muito trabalho.

RtM: Eu acho que as músicas "Nameless Guest", "Infernal Grays" e "Nocturnus Gate", são músicas boas para apresentar a banda, e, representam bem o som do Majesty of Revival, com muitas variações, peso, com peças sinfônicas e melódicas, grandes arranjos vocais e instrumentais (a propósito gostei muito dos vocais em "Nocturnus gate" com uma passagem bem operística). Você concorda? Você poderia falar um pouco mais sobre essas músicas?
Dimitriy: Obrigado. Bem, talvez. "Nameless Guest" está abrindo caminho para "Iron Gods". Tivemos a idéia de fazer uma música de abertura muito pesada, rápida e épica. Esta faixa tem um monte de solos, quebras, vocais épicos ... Esta é a única faixa que temos que fala sobre dragões, magos, espadas, blablabla - nós não costumamos escrever músicas com temas de fantasia. A Faixa Título "Iron Gods" continua o tema llírico de Nameless Guest - é a tônica de todo o álbum. 

Infernal Grays - é uma potencial faixa Prog Metal. Nós experimentamos com partes vocais durante a gravação desta canção, e que acabou por ser muito bem sucedidas - filmamos um clipe para ela inclusive. "Nocturnus Gate", eu acho que é a nossa música mais "Dark" de todas. Com coros reais!


RtM: Se vocês tivessem que escolher suas músicas favoritas dos dois álbuns, quais seriam e por quê?
Nelly: Eu escolheria a música "Nocturnus Gate", do "Iron Gods", por causa de suas partes de corais dark e órgãos. Traz uma atmosfera misteriosa. Eu também eu escrevi as letras para ela.  É a música mais próxima de mim. 
Como eu gosto de ouvir vocais guturais e órgãos, minha escolha também seria "Magnalia Dei" do 'Through Reality'

Dimitriy: Oh..Eu gosto de todas! Mas se eu tivesse que escolher favoritas .. Eu acho que seria "Self-control", "Reality", "The Code" do primeiro álbum, e "Lost Empire", "Nocturnus Gate", "Close Your Eyes" do segundo.

RtM: E quando você criou a banda já tinha uma ideia sobre o conceito, de como soaria e a direção da Banda? Que influências você poderia citar como importantes para vocês?
Dimitriy: Quando nos conhecemos, não tínhamos ideia do que iríamos tocar. Tocamos de tudo - jazz, rock, pop, Metal. Depois de algumas demos a gente começou a perceber que o Metal era mais qualitativo! Em relação à influências, um monte delas. Pessoalmente, eu fui influenciado por artistas como Metallica, Accept, Symphony X, Time Requiem, Stevie Ray, Black, Vacuum, Waltari e muitos outros. Basicamente, a música que toca minha alma, antes de chegar ao meu cérebro. Nosso baterista escuta mais fusion, djent, Thrash Metal. Os outros membros da banda também são fãs de música, eles ouvem música de diferentes estilos.

Nelly
RtM: E quanto a cena musical na Ucrânia? O que você pode nos contar? Existe espaço e apoio para as bandas de Metal? Quais são as principais dificuldades que você encontrou para formar a banda, a gravação do álbum e conseguir um contrato com uma gravadora?
Dimitriy: Cena musical na Ucrânia? Hah! Não há mercado de música na Ucrânia, propriamente dito. Pop, música popular é mais difundida aqui. Mas todos os músicos locais são muito pobres, organizadores não pagam pelos shows. 

Ninguém se importa com bandas - festivais, clubes - eles convidam apenas bandas bem conhecidas para tocar. Obter um contrato de gravação para uma banda ucraniana é irreal. Gravadoras não assinam com bandas de países da CEI! Foi uma surpresa quando recebi e-mails de alguns selos europeus para lançar nosso segundo álbum.

RtM: Eu vi que você postou sobre seu álbum solo, e também que você foi convidado para participar de duas Metal Operas. O que você pode nos dizer sobre esses projetos?
Dimitriy: Bem, eu planejava fazer o terceiro álbum solo no final de 2014, Mas o manager da Majesty Of Revival disse-me "a tour para o Iron Gods será a partir de Setembro de 2014", por isso decidi gravar a partir de março de 2014, Agora 90% está feito. Estou esperando finalizar alguns vocais na Finlândia, e depois vou começar as tratativas com os selos para o lançamento. Os meus álbuns solo anteriores tiveram muito bons feedbacks e vendas, assim eu decidi fazer a última parte da trilogia POWERSQUAD este ano. Este álbum não é típico para mim e, por vezes, difícil. Ele inclui vários estilos do jazz ao rock, do pop ao techno e metal extremo.


RtM: E quanto as óperas?
Dimitriy: Sobre as óperas - povos veio até mim com propostas para participar de seus projetos e eu concordo. Não posso dizer mais - você vai ouvir mais novidades em breve, pois permitem que eu fale sobre isso. Só posso dizer uma coisa, o que não só óperas são internacionais e irá incluir muitos músicos famosos. Também em uma das óperas que eu serei o co-escritor.

RtM: Acompanhamos nos noticiários o stress diário relacionado a conflitos em seu país, inclusive muitos brasileiros vivem aí, jogadores de futebol. Como você está vendo tudo isso? É muito difícil de entender algumas coisas, a razão desses conflitos que ocorrem em todo o mundo, especialmente em vista das boas pessoas, e ainda mais pessoas relacionadas com a arte e a música, que são coisas que existem para tornar a vida das pessoas melhor.
Dimitriy: Eu não sei como comentar a situação em nosso país. Um bando de idiotas em governos russos, europeus e ucranianos estão fazendo dinheiro com a guerra, em cima da morte de pessoas. O que poderia ser pior? Com esse dinheiro, que eles patrocinam as ações militares e jogam nações contra os outros, eles poderiam construir milhares de hospitais para crianças e pessoas doentes. 

O universo é dado a nós para criar bondade, mas um grupo de caçadores de riquezas lutam uns contra os outros pelas mãos de nações. O mais triste é que as pessoas não estão cientes disso, e cegas vão matando uns aos outros. O que mais há a dizer ....

Nelly: Nós não temos visto brasileiros em nossa região, mas no resto do país eles provavelmente estão. Eles não são difíceis de entender - os ucranianos - só querem ser livres, estar livres de corrupções, saindo da antiga união soviética, para se tornar um país europeu. Você pode ver em todos os tipos de arte, em todos os gêneros de música. Ucranianos possuem espírito de liberdade e eles vão lutar por ela, mesmo que seja doloroso. Há apenas uma pessoa que nos interfere e apoia terroristas pró-Rússia. Todos neste mundo sabem quem é ...


RtM: Bem, obrigado por sua atenção, parabéns pelo seu ótimo trabalho e muito boa música! Eu deixo o espaço para você enviar uma mensagem aos fãs!

Nelly: Para todas aquelas pessoas que são apaixonadas música ou por outra arte preciosa, eu gostaria de desejar a paz em seus corações e um êxtase total !! Amo vocês, pessoas esplêndidas!
 \ m /

Entrevista: Carlos Garcia

Canais Oficiais:
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Website
Youtube


Line-up:
Dimitriy Pavlovskiy - Guitars, Back-vocals 
Marat Adiev - Keyboards 
Vasiliy Irzhak - Drums 
Nelly Hanael - Vocals 
Sandra Roarke - Lyricist 
Miro Kostrec - Manager

Past Members: -Konstantin Naumenko - Vocals (2011-2014) -Oleksa Dynnyk - Vocals (2011, 2012-2014) -Artur Gorey - Vocals (2010-2011) -Trayan Mustyace - Bass (2011) -Vasiliy Dovhanych - Bass (2013-2014) -Grotesk - Keyboards (2011) -Dennis Fursov - Drums (2012-2013)
















domingo, 31 de agosto de 2014

Majesty of Revival: Metal Sem Fronteiras Made In Ucrânia


Não encontrei palavras melhores do que o selo PowerProg utilizou no release de "Iron Gods", segundo álbum dos ucranianos do Majesty of Revival, onde apresentam a banda como sendo "um dos mais bem guardados segredos ucranianos". Sim, a banda tem muita qualidade, e vem de uma região pouco tradicional, e apesar disso, reúnem todas as condições de competir em nível de igualdade com as bandas europeias, com seu Metal sinfônico/neoclássico, trazendo ainda elementos que passam pelo Prog, Speed, Thrash, Power, música clássica e até Hard Rock.

Essa gama de elementos não significa que atirem para todos os lados, pois o que eles fazem é Metal, utilizando-se dessas tantas "faces" da música pesada, com coesão e inteligência, além de instrumental apuradíssimo, destacando os teclados de Marat e as guitarras de Dimitriy, aliados a vocais polifônicos, o que dá uma maior diversidade, com todos esses elementos resultando numa sonoridade muito empolgante e interessante.

Dimitriy "Powersquad", fundador do excelente grupo Ucraniano
 A faixa de abertura, "Nameless Guest", é uma boa escolha para abertura, apesar de que a letra é a única que trata de temas fantasiosos, possuindo velocidade, peso e melodia, com arranjos, solos e vocais insanos.
"Infernal Grays", que ganhou também um clipe, começa com ótimos riffs, veloz e tensa, vocais altos e bom gosto nos timbres de guitarra;

"Lost Empire" tem grandes arranjos de teclado, mantendo a qualidade alta, enquanto que "Nocturnus Gate", é bem neoclássica, lembrando bons momentos de Malmsteen, alternando velocidade e intervenções climáticas ao teclado, além de linhas vocais bem variadas; "Close your Eyes" lembra um pouco as bandas finlandesas de Power Metal, como Sonata Arctica, principalmente nos vocais aqui; "Edge of Sanity", que também é ótimo cartão de visitas para a banda, e a melhor do álbum em minha opinião. Quase um trilha sonora, grandes climas, vocal numa linha bem teatral e variada.


Posso afirmar que temos algo acima da média aqui, e o Majesty of Revival é mais uma grata surpresa desta vasta cena do Metal mundial, me fazendo até lembrar o excelente documentário de Sam Dunn, "Global Metal", aonde ele vai a diversos países não tão abertos ou mais tradicionais, mostrando que a cena existe em todos os cantos.

Indicado a fãs de grupos que possuem essa diversidade e utilizam-se bastante desse clima teatral ou até "cinematográfico", como Savatage, Kamelot e Symphony X, Malmsteen (além da grande referência e se falando de Neoclassic Metal, que é o Rainbow) e ainda apreciadores de Symphonic/Neoclassical Metal e, claro, da boa e criativa música em geral.


Texto/Edição: Carlos Garcia
Revisão: Vincent Furnier

Ficha Técnica:
Banda: Majesty of Revival
Álbum: Iron Gods
Ano: 2013
Produção: Auto-produzido
Estilo: Prog/Power/Symphonic/Neoclassic Metal
Selo: PowerProg
Contato: dimitriy.morband@gmail.com

Recentemente o vocalista Konstantin deixou o grupo, porém a banda segue na produção do próximo trabalho, já tendo cerca de 15 composições, e somente a vocalista Nelly vem gravando os vocais, e por hora a banda ainda não resolveu se vai procurar um substituto. O grupo já adianta que o novo trabalho virá ainda mais diversificado, sendo iniciada uma nova era para a banda, mostrando com isso também que é um grupo que busca constante evolução, o que pode ser visto comparando-se os dois full-lenghts ("Through Reality" - 2012, e "Iron Gods" - 2103). 

A Banda também disponibilizou uma compilação com músicas inéditas, remasterizadas e demos, em comemoração aos 5 anos da banda, e este trabalho, "Wicked Reality", por hora só está disponível em versão digital.

Compre o álbum/Buy the album


Canais Oficiais:
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Website
Youtube

Line-up:
Dimitriy Pavlovskiy - Guitars, Back-vocals 
Marat Adiev - Keyboards 
Vasiliy Irzhak - Drums 
Nelly Hanael - Vocals 
Sandra Roarke - Lyricist 
Miro Kostrec - Manager

Past Members: -Konstantin Naumenko - Vocals (2011-2014) -Oleksa Dynnyk - Vocals (2011, 2012-2014) -Artur Gorey - Vocals (2010-2011) -Trayan Mustyace - Bass (2011) -Vasiliy Dovhanych - Bass (2013-2014) -Grotesk - Keyboards (2011) -Dennis Fursov - Drums (2012-2013)

Set List:
1. Nameless Guest’
2. Infernal Grays
3. Lost Empire
4. Nocturnus Gate
5. Wicked Game
6. Close Your Eyes
7. Edge Of Sanity
8. Masked Illusion:
‘   Part II – Fatal Duel
‘   Part III – Perfect Lie
9. Iron Gods
10. Mad Song