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segunda-feira, 11 de maio de 2026

Cobertura de Show: Bangers Open Air – 25/04/2026 – Memorial da América Latina/SP

[ATUALIZADO]

O Brasil sempre teve uma forte tradição em grandes festivais de rock. Desde 1985, o Rock in Rio –ainda ativo – ajudou a impulsionar eventos como Hollywood Rock e Monsters of Rock. Esses festivais abriram caminho para outros, como Lollapalooza Brasil e Best of Blues and Rock, consolidando o país como um dos principais polos de eventos musicais da América Latina.

Apesar da relevância desses festivais e da presença constante de grandes atrações (ainda que nem todas agradem a todos os públicos), existia uma lacuna quanto a um festival totalmente dedicado ao heavy metal. Em sua quarta edição, o Bangers Open Air destacou-se novamente nos dias 25 e 26 de abril, oferecendo mais de 12 horas de música pesada, com bandas nacionais e internacionais distribuídas em quatro palcos bem estruturados, com excelente qualidade de som.

Novamente realizado no Memorial da América Latina, em São Paulo, o festival, como nas três edições anteriores, proporcionou não só espetáculos memoráveis, mas também o reencontro de amigos, a formação de novas amizades e a realização de negócios que fortalecem cada vez mais a cena e abrem novos capítulos para o futuro que nos aguarda. Um exemplo disso foi a presença de Thomas Jensen, criador do Wacken Open Air, maior festival de metal do planeta, e que esteve presente nos dois dias circulando a todo momento pelo recinto.

A estrutura e o aspecto visual foram mantidos, com leves ajustes que aprimoraram o que já era bom, além da presença do forte calor, que já se tornou garantida em todas as edições. 


ENTRE FILAS QUILOMÉTRICAS E SOMBRAS SETENTISTAS, LUCIFER HIPNOTIZA NO SUN STAGE

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

O primeiro dia, 25, apresentou variações entre os subgêneros. Diferente das outras vezes, em que eu sempre me dirigia aos palcos Hot ou Ice, desta vez a minha primeira parada foi o Sun Stage, que nesta edição inaugurou uma área VIP, onde o lado oculto da Alemanha me chamava. Só por essas palavras, já dá para saber que estamos falando do Lucifer, banda que vem obtendo uma ascensão muito forte nos últimos anos.

Nesta terceira passagem pelo país, a banda, que agora conta com nova formação, conseguiu dar uma leve esfriada no calor com seu som amedrontador, mas que também tem um lado mais intenso graças à influência do hard rock setentista. Johanna Sadonis, vocalista e líder da banda, mostrou-se mais comunicativa e empática do que na última vez – e, ao que parece, o divórcio com Nick Anderson, ex-baterista da banda, fez bem a ela.

Infelizmente, muitos não não conseguiram entrar no Memorial para vê-los, pois a fila para entrar era quilométrica, ocasionando atraso e diversas reclamações. Quem entrou, teve a sorte de curtir " Riding Reaper", " At The Mortuary " e " California Son", além de um cover de "Goin’ Blind", do Kiss, e da já clássica " Fallen Angel", do último álbum, que encerrou a apresentação, sem exageros, magistral.


EVERGREY LEVA RIFFS MATADORES E EMOÇÃO AO HOT STAGE

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

Rumo aos palcos principais, ainda deu tempo de pegar um pouco dos momentos finais do Korzus, que vive uma nova fase com a entrada dos guitarristas Jean Patton (ex-Project46) e Jessica Di Falchi (ex-Crypta) – esta última, inclusive, nem era nascida quando a banda foi fundada, em 1983. Vale também um parabéns à organização: pela primeira vez, uma banda brasileira abriu um dos palcos principais, e não poderia ser outra senão uma tão importante quanto o Korzus, que em breve lançará novo álbum, depois de doze anos.

Sem muita demora, foi a vez de conferir, no Hot, os suecos do Evergrey. A expectativa era grande para vê-los, já que, na primeira edição – ainda sob o nome de Summer Breeze Brasil –, a banda havia tocado apenas para o público que comprou o ingresso com acesso à área VIP, onde atualmente fica o palco Waves Stage. Dessa vez, o grupo pôde mostrar um pouco de suas ótimas composições para um público mais amplo.

Apesar de serem rotulados como prog metal, vejo que o quinteto fura a bolha e quebra protocolos do estilo, geralmente marcado pela alta complexidade. Não que o grupo de Gotemburgo não seja, pois quem é fã sabe bem que a banda experimenta de tudo um pouco, indo do death metal ao hard rock e até mesmo flertando um pouco com o pop.

A princípio, achei que o público não daria muita atenção, mas logo na abertura com Falling From the Sun – uma escolha perfeita para iniciar o show – essa impressão caiu por terra. O set ainda contou com as clássicas Call Out the Dark e King of Errors, que agradaram aos presentes e fizeram a felicidade dos fãs, já que ambas são consideradas verdadeiros hinos. O que se viu foi um grupo com sangue nos olhos, despejando riffs matadores e linhas vocais melódicas conduzidas pelo competente Tom S. Englund.


A ESTREIA TRIUNFAL DO FEUERSCHWANZ NO BRASIL

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

Ainda à tarde, o Ice trouxe uma estreia em terras brasileiras e uma grata surpresa, algo que já é de praxe em todas as edições do festival. Escalado inicialmente para tocar no Sun Stage, mas, devido ao cancelamento do Fear Factory às vésperas do evento, o Feuerschwanz – sim, é meio difícil de pronunciar o nome – mostrou, sem desmerecer as outras bandas, que realmente não era uma banda para o palco Sun.

Com visual viking e um som que mistura folk com power metal, os alemães não demoraram a conquistar o público, que se divertiu durante as doze músicas apresentadas. A maior parte do repertório veio dos trabalhos mais recentes, Knightclub e Fegefeuer, mas ainda houve espaço para um inusitado cover de Dragostea Din Tei, que aqui no Brasil ficou famosa na versão do Latino, e que ajudou a tornar o show ainda mais divertido.

Merecem destaque também os músicos, especialmente a violista Johanna von der Vögelweide, que não parava um segundo no palco; os vocalistas Hauptmann Feuerschwanz e Prinz R. Hodenherz, que demonstraram excelente entrosamento vocal; e as simpáticas Mieze Myu e Mieze Musch-Musch, que realizaram um ótimo trabalho de performance.

Fica a torcida para que eles voltem o mais breve possível, pois, pelo tempo em que estão na ativa – desde 2004 –, já mereciam uma vinda ao Brasil. A despedida foi ao som de “Gangnam Style”, do cantor coreano PSY, encerrando o show com uma dose de humor. 


ENTRE O PESO E A PRECISÃO, JINJER TRANSFORMA O CALOR DO BANGERS OPEN AIR 2026 EM INTENSIDADE PURA!

Texto: Michelle F. Santana

Fotos: Edu Lawless

O show do Jinjer carregava um peso especial e a banda fez jus à expectativa. Às 15h20 em ponto, em plena tarde, sob um sol de quase 30 °C incidindo diretamente sobre o palco, o grupo subiu a um dos palcos principais, Hot Stage do Bangers Open Air e entregou uma performance tão técnica quanto visceral. Formada em 2009, na Ucrânia, a banda se consolidou no metal moderno com uma sonoridade que mescla metalcore, groove e elementos progressivos. Parte da turnê do álbum “Duél” (2025), o setlist foi majoritariamente focado nas faixas mais recentes, mas soube equilibrar bem com clássicos que funcionam ao vivo como poucos: “Vortex”, “Disclosure”, “Teacher, Teacher!” e “I Speak Astronomy”.

A sintonia entre os integrantes é evidente, mas a presença de palco fica a cargo de Tatiana Shmayluk, que sustenta esse protagonismo com naturalidade. Vestida com um vestido rosa e corset vermelho, sua estética delicada e romântica,  contrasta diretamente com o peso do som e talvez seja justamente aí que mora parte do impacto. Alternando vocais limpos e guturais com impressionante controle, ela mantém interação constante com o público: dança, manda corações e conduz a plateia com segurança. Em um momento leve, brinca antes de “Pieces” ao dizer que se tratava de uma música inédita, arrancando risos e preparando o terreno para um coro potente de um público já completamente envolvido.

Enquanto isso, os demais integrantes seguem mais contidos, com visual simples, mas longe de passarem despercebidos, especialmente o baixista Eugene Kostyuk, que sustenta presença firme em cada linha. Ao final, ainda há espaço para um gesto direto e humano de Tatiana: “thank you for being so strong in the sun” (“obrigada por serem fortes sob o sol”). E foi exatamente isso que o show exigiu: resistência em meio ao calor intenso, entrega e conexão.

Em cerca de uma hora, a apresentação passou rápido e deixou um gostinho claro de quero mais. Mais do que técnica, o Jinjer entregou uma experiência que permanece daquelas que ficam no corpo e na memória.


KILLSWITCH ENGAGE TRANSFORMA O BANGERS OPEN AIR EM CAMPO DE GUERRA!

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

Assim como o Jinjer, que não poupou brutalidade no palco Ice, o Killswitch Engage seguiu na mesma linha e, mais uma vez, não decepcionou, entregando um show ainda melhor do que o da segunda edição de 2024. Um grande número de fãs prestigiou um repertório matador, que incluiu pedradas como Fixation on the Darkness, In Due Time, The End of Heartache e My Curse – esta última, o maior hit da banda e um dos hinos do metalcore.

Também impressiona a adrenalina dos músicos. O guitarrista Adam Dutkiewicz surgiu como se estivesse pronto para uma maratona: o visual – camiseta regata, bermuda dry-fit, faixa rosa na cabeça e a bandeira do Brasil como capa –  explicava bem isso. Já Jesse Leach é aquele vocalista com “sangue nos olhos”, que canta como se estivesse encarando cada pessoa da plateia. Essa atitude, que também demonstra carinho, ficou evidente em My Last Serenade, quando ele desceu do palco para sentir de perto a vibração de quem estava na grade do lounge, antes de encerrar com o cover de Holy Diver, do Dio.

PESO, REPRESENTATIVIDADE E CONEXÃO: CRYPTA REAFIRMA SUA FORÇA

Texto: Michelle F. Santana

Fotos: Marcos Hermes

No Sun Stage do Bangers Open Air, às 17h20 em ponto, a Crypta entregou um show que reforça porque é uma das bandas mais respeitadas do death metal nacional e cada vez mais reconhecida fora do Brasil. Com uma atmosfera densa, mas ao mesmo tempo acolhedora, o público chamou atenção pela diversidade: crianças, idosos, mulheres e homens dividindo espaço em um ambiente de respeito e troca genuína. Mesmo com bandas maiores tocando simultaneamente, como Black Label Society no palco principal, a Crypta reuniu uma audiência expressiva e engajada. O setlist focou no álbum Shades of Sorrow (2023), mas também abriu espaço para momentos marcantes com faixas como “Death Arcana” e “Under the Black Wings”, do Echoes of the SouL (2021), garantindo conexão imediata com os fãs.

No palco, Fernanda Lira conduz tudo com segurança e presença. Seu vocal se mantém impecável ao vivo, enquanto o baixo é executado com naturalidade e peso, acompanhado de expressões faciais performática, as famosas caretas que já se tornaram sua marca registrada. A banda, agora com a guitarrista solo Victoria Villareal, mostra coesão e entrega. 

O mosh refletia exatamente o espírito da plateia: intenso, mas respeitoso, com pessoas se ajudando e participando juntas, independentemente de idade ou gênero. Caminhando para o final da apresentação, Fernanda perguntou ao público se ainda dava tempo para uma “mais uma rápida”. A resposta veio imediata, em coro, e assim a banda iniciou um de seus grandes sucessos, “Starvation”, do álbum Echoes of the Soul (2021), levando a plateia a um dos momentos mais intensos do show. Ao final, Fernanda agradeceu diversas vezes ao público, destacando a importância de fortalecer o metal nacional e reconhecendo quem escolheu estar ali. Mais do que um bom show, a Crypta reafirma seu papel em uma cena ainda marcada por barreiras  e preconceitos, provando, na prática, que qualidade e representatividade feminina caminham lado a lado.


ZAKK WYLDE TRANSFORMA O FESTIVAL EM TERRITÓRIO DO BLACK LABEL SOCIETY

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

Quem ficou entre os palcos Hot e Ice presenciou shows de tirar o fôlego – era preciso preparo físico para aguentar as pauladas que vieram pela frente. Encerrando a dobradinha americana iniciada pelo Killswitch Engage, o Black Label Society reuniu não só fãs de Zakk Wylde, líder da banda, mas também artistas que tocaram naquele dia e no seguinte, como integrantes do Lucifer, Rafael Bittencourt (Angra), Jimmy London (Matanza Ritual) e Paulo Xisto Jr. (Sepultura), em uma das apresentações mais aguardadas do dia. Já era hora de a banda tocar para um público mais amplo no Brasil, já que a única vez que isso aconteceu foi em sua primeira visita ao país, em 2008, ao lado de Korn e do saudoso Ozzy Osbourne, no então Palestra Itália (hoje Allianz Parque).

Quando se fala em Black Label Society, é inevitável pensar em Zakk Wylde. Sua presença, como esperado, foi reverenciada – assim como cada riff e solo que saía de sua guitarra estilizada, para o delírio de muitos que estavam vestidos coletes com o tradicional crânio do logo da banda.

Infelizmente, não foi possível contemplar grandes momentos de todos os álbuns da discografia. Ficou a expectativa – minha e dos fãs – de que a abertura fosse com New Religion, do ótimo Shot to Hell (2006). Ainda assim, Funeral Bell, do The Blessed Hellride (2003), abriu os trabalhos. Name in Blood, Destroy & Conquer, A Love Unreal e Heart of Darkness destacaram os lançamentos mais recentes da banda – bons trabalhos, embora muitos sentissem falta de algo do 1919 Eternal (2002), considerado um de seus melhores disco.

Por ter sido guitarrista de Ozzy Osbourne, Zakk prestou sua primeira homenagem ao Madman com uma versão mais estendida e repleta de fritação de No More Tears. O clima seguiu emocionante com a clássica In This River, executada ao piano – uma declaração de amor ao seu melhor amigo, Dimebag Darrell (ex-Pantera), que também passou a homenagear seu irmão, Vinnie Paul, após sua morte em 2018. Nada mais justo do que exibir a imagem dos dois no telão durante a música.

The Blessed Hellride apareceu em uma versão mais pesada do que a de estúdio, que tem uma pegada mais limpa. Set You Free, do ótimo Doom Crew Inc. (2021), levantou o público e preparou o terreno para a dobradinha do álbum Mafia (2004), favorito dos fãs, com Fire It Up e Suicide Messiah.

Já na reta final, o telão exibiu a imagem do eterno Ozzy Osbourne, falecido em julho do ano passado. Só isso já indicava que a próxima seria “Ozzy’s Song”, presente no recém-lançado Engines of Demolition (2026). Muitos ainda não a conheciam, o que resultou em reações emocionadas. O encerramento veio com a clássica Stillborn, consolidando o Black Label Society como um dos grandes destaques do dia.


ENTRE MARES, MITOS E EMOÇÃO: SEVEN SPIRES CRIA UM REFÚGIO INTIMISTA

Texto: Michelle F. Santana

Fotos: Edu Lawless

Às 18h40 do primeiro dia de Bangers Open Air, o Seven Spires subiu ao palco Waves e transformou o espaço em algo raro dentro de um festival: um ambiente íntimo, quase teatral, onde cada nota parecia contar uma história. Formada em 2013, em Boston, a banda construiu sua identidade misturando metal sinfônico, power metal e elementos do metal extremo, criando narrativas densas e cinematográficas . A abertura com “Songs Upon Wine-Stained Tongues” já mergulhou o público nesse universo, evocando paisagens que lembram aventuras marítimas e fantasias épicas,  uma trilha sonora que facilmente dialoga com o imaginário de quem cresceu assistindo histórias como Piratas do Caribe. Desde os primeiros minutos, os fãs estavam completamente imersos, acompanhando cada passagem com entusiasmo e emoção visível.

No centro de tudo, Adrienne Cowan se impôs como uma força magnética, dona de uma versatilidade impressionante, ela transitou entre voz limpa, lírico e gutural com precisão e sentimento, reforçando porque é considerada uma das vozes mais promissoras do metal atual. Atualmente, Adrienne também realiza um trabalho elogiado ao lado de Tobias Sammet no Avantasia e de Roy Khan, ex-Kamelot, algo que reforça ainda mais a dimensão do seu talento e presença dentro do metal atual. Já o guitarrista Jack Kosto surge como um verdadeiro espetáculo à parte, entregando solos marcantes e técnica impressionante, elevando ainda mais a intensidade da apresentação.


Adrienne tem uma performance que carrega elementos do teatro musical, criando a sensação de uma personagem mítica, quase uma "sereia", conduzindo o público por essa jornada. A conexão era imediata: entre interações carinhosas e constantes elogios à plateia (“You’re amazing!”), Adrienne demonstrava uma entrega genuína que se refletia no público, visivelmente emocionado. O baixista Peter de Reyna também reforçou essa proximidade, lembrando que a presença da banda ali era resultado direto do apoio dos fãs brasileiros.

Com um repertório que passeou por diferentes fases da carreira, incluindo faixas de Solveig (2017), Emerald Seas (2020), Gods of Debauchery (2021) e A Fortress Called Home (2024). O show equilibrou técnica, narrativa e emoção. Músicas como “Almosttown”, “Every Crest”, “Succumb” e “Love’s Souvenir”. Antes de cantar “Architect of Creation” Adrienne diz que a próxima canção seria aquela do clipe em que ela é crucificada em meio a uma nevasca, uma das músicas mais pesadas do último álbum, deixando o público ainda mais entusiasmado.

A banda reforça a sua força criativa, marcada por composições longas, ricas e carregadas de significado. Mais do que uma apresentação, o Seven Spires entregou uma experiência sensorial e emocional, daquelas que não dependem do tamanho do palco para serem grandiosas. Ao final, ficou a sensação de ter testemunhado algo especial: um show encantador, intenso e profundamente envolvente, que conquistou até quem ainda não conhecia a banda. Pelo que apresentaram no palco e pela resposta do público, o Seven Spires aponta para um futuro extremamente promissor, daqueles que inevitavelmente levam a banda a ocupar palcos maiores e posições de destaque em grandes festivais, porque potencial, definitivamente, não falta. Como bons contadores de histórias ou "piratas", eles não apenas passaram pelo festival: roubaram corações e deixaram um inevitável gosto de quero mais.


O ICE EM "IN FLAMES"

Texto: Erick Azevedo 

Fotos: Edu Lawless 

No último sábado, 25/04, São Paulo viveu uma noite de pura intensidade com o show do In Flames. Vindos diretamente da Suécia, os pioneiros do melodic death metal, seguem como um dos nomes mais respeitados do gênero e deixaram claro que sua conexão com o público brasileiro continua mais forte do que nunca.


Com pontualidade, a apresentação começou às 19:15 com “Pinball Map”, abrindo o show de forma intensa e imediatamente levando o público ao delírio. A partir daí, o Ice Stage do Bangers Open Air 2026, colocando o festival literalmente "In Flames": moshs intensos tomaram conta da pista, sinalizadores acesos coloriram o ambiente e milhares de vozes em coro criaram uma atmosfera envolvente do início ao fim.


A presença de palco de Anders Fridén foi incrível, carismático e totalmente conectado com o público, o vocalista conduziu o show com maestria, alternando momentos de intensidade com interações cheias de energia. A qualidade do som e o peso das músicas contribuíram para uma experiência incrível, que conquistam até quem ainda não é fã.


O momento mais triste foi o anúncio do fim, mas valeu a pena cada minuto. Em uma hora de show, a banda sueca trouxe nostalgia e atualidade, com um setlist mesclando sucessos arrepiantes. (Menção honrosa para "Only For The Weak", "Cloud Connected", "Deliver Us", "I Am Above", "In The Dark" e "Take This Life"). Nessas, o público representou muito com um coro impressionante. 


A entrega superou todas as expectativas: muita energia, qualidade audiovisual impecável e um final triunfal. Deixaram aquele "gostinho de quero mais". Foi um show simplesmente incrível, mas não poderíamos esperar menos vindo do In Flames.

A VOZ DO POVO CONSAGRA O ARCH ENEMY COMO HEADLINER PERFEITO!

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

Sabe aquele clichê “a voz do povo é a voz de Deus” Isso cai perfeitamente para o headliner de sábado.

Quando foi anunciada a quarta edição do festival, no final do ano passado, o nome confirmado era o Twisted Sister, que retornaria aos palcos após nove anos. Muita gente – inclusive este que vos escreve – comprou ingresso só para ver Dee Snider, Jay Jay French e Eddie Ojeda. Porém, devido a problemas de saúde de Dee, esse sonho foi por água abaixo.

A solução? Apostar na banda mais pedida pelo público: Arch Enemy. E a escolha não poderia ter sido melhor.

Uma das maiores bandas de melodic death metal entregou um show devastador no fim do dia, com excelente produção de palco, pirotecnia e uma performance extremamente afiada – uma verdadeira locomotiva. Michael Amott e Joey Concepcion dispararam riffs e solos matadores, enquanto Sharlee D'Angelo e Daniel Erlandsson seguraram uma base pesada e precisa.

Mas o centro das atenções foi mesmo Lauren Hart, que em poucos meses já mostra ser uma escolha certeira para dar continuidade ao legado da banda. Isso ficou evidente em músicas como “Yesterday Is Dead and Gone”, “The World Is Yours” e “Ravenous”, que já incendiaram o público com rodas e sinalizadores – algo que não se via desde o show do Anthrax na segunda edição.

O repertório foi um verdadeiro passeio pela carreira dos suecos, com destaque para a fase de Alissa White-Gluz em faixas como “War Eternal”, “Dream Stealer”, “Blood Dynasty” e “The Eagle Flies Alone”, sem deixar de olhar para o presente e o futuro com “To the Last Breath”, música que recentemente gerou polêmica por suposta semelhança com “Falling Dreams”, de Kiko Loureiro.

Uma surpresa foi a inclusão de “No Gods, No Masters”, do álbum Khaos Legions (2011), último com Angela Gossow nos vocais. Clássicos como “I Am Legend/Out for Blood”, “Dead Bury Their Dead” e “Nemesis” reforçaram a força dessa fase, mostrando como essas músicas também funcionam muito bem com a voz de Lauren. O encerramento com “Fields of Desolation” foi uma escolha certeira, resgatando os primórdios da banda na era de Johan Liiva.

O carinho do público brasileiro foi algo fora do normal, e a banda retribuiu com a mensagem “tamo junto, Brasil” no telão, em verde e amarelo. Um show para ficar na história e fazer valer todo o esforço.

O primeiro dia terminou exatamente como eu imaginava: grande presença de público, ingressos praticamente esgotados e atrações dos mais variados estilos dentro da música pesada, contemplando fãs de thrash, prog e sonoridades mais modernas. Infelizmente, não foi possível assistir a tudo ,algo praticamente impossível diante da magnitude do festival, mas essa diversidade é extremamente válida, pois mostra que o evento consegue atender aos mais diferentes gostos sem qualquer tipo de desrespeito entre públicos e estilos. No geral, todos saíram satisfeitos com esse início e com energia de sobra para o dia seguinte, que prometia ainda mais emoção.


Realização: Bangers Open Air

Press: Agência Taga


Lucifer – setlist:

Anubis

Crucifix (I Burn for You)

Riding Reaper

Lucifer

Wild Hearses

At the Mortuary

Slow Dance in a Crypt

The Dead Don't Speak

California Son

Bring Me His Head

Goin' Blind (KISS cover)

Fallen Angel


Evergrey – setlist:

Falling From the Sun

Where August Mourn

Weightless

The World Is on Fire

Eternal Nocturnal

Call Out the Dark

King of Errors

Architects of the New Weave

Leaving the Emptiness

OXYGEN!


Feuerschwanz – setlist:

Drunken Dragon

Memento Mori

Untot im Drachenboot

Knightclub

Bastard von Asgard

Name der Rose

Ultima Nocte

Testament

Berzerkermode

Dragostea din tei (O‐Zone cover) 

Valhalla

Das Elfte Gebot


Killswitch Engage – setlist:

Fixation on the Darkness

In Due Time

The End of Heartache

Aftermath

Rose of Sharyn

This Is Absolution

Broken Glass

Hate by Design

Forever Aligned

The Signal Fire

I Believe

The Arms of Sorrow

Strength of the Mind

This Fire

My Curse

My Last Serenade

Holy Diver (Dio Cover)


Crÿpta – setlist:

Death Arcana

Lullaby for the Forsaken

Poisonous Apathy

The Outsider

I Resign

Stronghold

Under the Black Wings

Dark Clouds

The Other Side of Anger

Trial of Traitors

Dark Night of the Soul

Starvation

Lord of Ruins

From the Ashes


Black Label Society – setlist:

Funeral Bell

Name in Blood

Destroy & Conquer

A Love Unreal

Heart of Darkness

No More Tears (Ozzy Osbourne cover)

In This River

The Blessed Hellride

Set You Free

Fire It Up

Suicide Messiah

Ozzy’s Song

Stillborn


Seven Spires – setlist:

Songs Upon Wine-Stained Tongues

Almosttown

No Words Exchanged

Oceans of Time

Unmapped Darkness

Succumb

Shadow on an Endless Sea

Portrait of Us

Architect of Creation

Love's Souvenir


Arch Enemy– setlist:

Yesterday Is Dead and Gone

The World Is Yours

Ravenous

War Eternal

Dream Stealer

To the Last Breath

Blood Dynasty

My Apocalypse

Bury Me an Angel

The Eagle Flies Alone

No Gods, No Masters

I Am Legend/Out for Blood

Dead Bury Their Dead

Snow Bound

Nemesis

Fields of Desolation

quinta-feira, 17 de outubro de 2024

Cobertura de Show: Lucifer – 06/10/2024 – Fabrique Club/SP


Lucifer faz apresentação impecável e prende a atenção do público na Fabrique Club, em São Paulo
 

Apresentação, que fez parte da “Satanic Panic Tour”, contou com as aberturas das bandas brasileiras Night Prowler, Weedevil, Tantum, Pesta e Space Grease, em um verdadeiro desfile de Hard Rock, Stoner Rock, Heavy Metal e Doom Metal

Os europeus da banda de Hard Rock, Doom Metal e Heavy Metal Lucifer retornaram ao Brasil após um ano e dez meses da passagem de estreia, em 2022. Desta vez, a banda liderada por Johanna Sadonis e pelo multi instrumentista Nicke Andersson retornou para São Paulo no último dia 6, para a divulgação do disco “Lucifer V”, lançado em janeiro deste ano, sob a turnê “The Satanic Panic Tour 2024”. O palco de sua emblemática apresentação, no Fabrique Club, Zona Oeste da Capital Paulista, também contou com as aberturas de bandas brasileiras que englobam os mesmos gêneros musicais do Lucifer, sendo elas Night Prowler, Weedevil, Tantum, Pesta e Space Grease. O evento foi organizado tanto pela Xaninho Discos, quanto pela Caveira Velha Produções.

A apresentação em São Paulo foi a quarta de toda a passagem pela América Latina. Antes, o quinteto passou por Buenos Aires, na Argentina (03/10); Santiago, no Chile (04/10); e Rio de Janeiro (05/10). Além disso, houve passagens por Belo Horizonte (08/10), Bogotá, na Colômbia (10/10); Monterrey, no México (12/10); e San José, na Costa Rica (14/10).

Em um Fabrique Club que ficou totalmente lotado na última apresentação - porém, com públicos consideráveis em cada apresentação de abertura, ao longo da tarde e noite do dia 6 -, o quinteto europeu, composto por quatro suecos e uma alemã, trouxe um setlist de 15 faixas (uma delas, um cover em introdução), contando com o repertório da banda a partir do álbum “Lucifer II’, de 2018 e uma maioria de faixas do último lançamento de estúdio. A lotação quase que absoluta se converteu a um público que pouco pôde pular ou balançar a cabeça na última apresentação, mas que deu toda a atenção e retorno vocal à banda principal, chegando a emocionar Johanna em certo momento.

Da mesma forma, cada banda de apresentação se destacou por conta de alguma característica sonora - com destaque para da boa mescla musical do Space Grease -, visual - a exemplo das bandas Night Prowler e Tantum - ou performática - repetindo o Tantum como exemplo, graças às misturas espetaculares de canto e atuação da vocalista, Chermona. Muito se questiona sobre um evento ter muitas bandas de abertura, mas cada uma das cinco apresentações pré-Lucifer mostraram que a organização acertou em cheio, uma vez que as impressões foram totalmente positivas por parte do gradual público presente em cada show.


Night Prowler 

Os osasquenses e paulistanos do Night Prowler, banda formada em 2017, iniciaram a série de aberturas com um setlist de oito faixas que mostrou o melhor do Heavy Metal inspirado na musicalidade e nas vestimentas relacionadas ao gênero nos anos 1970 e 80. O repertório foi baseado no álbum de estreia da banda, “No Escape…” (2021), e em singles lançados a partir de 2023.

Fernando Donasi (vocal), Luke D. Couto (guitarra), Igor Senna (guitarra), Lucas Chuluc (baixo) e Marcelo Oliveira (bateria) entraram pontualmente no palco do evento, com uma Fabrique Club consideravelmente ocupada no primeiro terço da pista - fora outras pessoas dispersas no restante do espaço. A faixa “Free the Animal”, single mais recente do grupo e lançado em setembro deste ano, abriu o setlist após uma pequena introdução, seguida das músicas “Devil in Desguise” e “Never Surrender”, esta última já do álbum “No Escape…”. Para todas elas, houve destaque para as variações de velocidades nas músicas, riffs e solos dos guitarristas e  variação vocal de Donasi, todas elas sem deixar de fugir da essência Heavy Metal proposta pela banda.

“The Darksider”, single de abril de 2023, deu sequência ao show, aumentando novamente o ritmo e velocidade com as poderosas linhas de bateria de Marcelo e os poderosos solos de Luke e Igor. A situação se manteve com “Tightrope”, single que também foi lançado no ano passado e que foi muito bem conduzida pelos pedais duplos de Marcelo Oliveira. Donasi, além da voz marcante, também interagiu com os guitarristas da banda em seus momentos de solo, chegando a ajudar Luke com a execução de um trecho de tapping, em meio ao solo.

A apresentação do Night Prowler chegou à reta final com uma trinca do álbum de estreia da banda. Na primeira das faixas, “The Witches Curse”, um belo instrumental com uma fase em ritmo normal, e outra mais acelerada, ambas lideradas principalmente pelas ótimas linhas de guitarra de Luke e Igor. Já na segunda, “No Escape”, mais uma faixa em ritmo frenético, somada a boas viradas dos instrumentos de corda e bateria. Por fim, a faixa “Make It Real”, carregada de ótimos timbres do vocalista Fernando Donasi.

O fim da última faixa citada contou com um ótimo falsete de Donasi, logo acompanhado pelas linhas de finalização da banda e vários “tapas” de Lucas Chuluc nas cordas de seu contrabaixo, num encerramento que botou a cereja no bolo de musicalidade e performance ótimos do Night Prowler.

 

WeeDevil

Os paulistanos do Weedevil trouxeram sua proposta muito interessante da mistura do Doom Metal com o Stoner Metal. O quinteto, composto por Carol Poison (vocal), Claudio HC Funari (baixo), Henrique Bittencourt (guitarra), Paulo Ueno (guitarra) e Flavio Cavichioli (bateria), montou um setlist de seis faixas, sendo cinco delas do mais recente álbum de estúdio da banda, “Profane Smoke Ritual” (2024), e uma única faixa do primeiro disco, “The Return” (2022).

Antes do início do show, era possível ver uma banda muito focada nos ajustes finais, com todos no palco e realizando pequenos testes dentro do intervalo. O maior destaque visual no palco foi, sem dúvidas, a cruz invertida, com detalhes em led verde e uma cabeça de bode ao meio.

O início do show se deu às 16h22, três minutos antes do previsto, com todos os membros da banda no palco, sem ter saído dele após os ajustes finais e iniciando a primeira faixa do show, “Serpent’s Gaze”, sem uma introdução ou aviso prévio - fator que pegou o público presente de surpresa, em um Fabrique um pouco mais ocupado em sua pista.

O riff obscuro de “Serpent’s Gaze” deu a ideia de como seria o estilo das faixas do show: pesado, dando uma sensação obscura. A voz de Carol, assim como em algumas das faixas seguintes, ficou um pouco baixa em comparação aos instrumentos dos demais membros, muito possivelmente por conta de algum problema de som que envolveu microfone e retorno e que, mais pra frente, chegou a ser sinalizado pela vocalista. Ainda assim, as partes mais altas ficaram bem audíveis e mostraram o potencial vocal da cantora, principalmente no refrão. A faixa em questão também contou com o destaque de Henrique Bittencourt e sua ótima execução de solo de guitarra, e com uma “escapulida” da baqueta de Cavichioli, que acertou Carol no final da faixa - momento engraçado, que de nada atrapalhou a execução da música de abertura.

O grupo deu sequência com “Chronic Abyss of Bane”, que não teve a narração presente na versão de estúdio da música em questão, o que deu mais destaque para o riff pesado dos guitarristas. A primeira parte da música foi mais lenta, mas se acelerou e tornou-se mais pesada da metade até perto do fim da faixa, com ótimas linhas de baixo de Claudio e da bateria de Cavichioli..

Após os pedidos de Carol para o reparo no retorno, o Weedevil continuou a apresentação com a faixa “Underwater”, única do disco “The Return” e, consequentemente, a única a não fazer parte de “Profane Smoke Ritual”. As características de Stoner Metal são mais evidentes nesse momento, assim como Henrique Bittencourt teve um ótimo destaque em um solo de guitarra distorcido, em meio a sua pose mais curvada no palco.

Em seguida, o repertório do álbum mais recente voltou com “Profane Smoke Ritual”, faixa-título do último lançamento da banda que teve um início só de bateria e que logo em seguida, foi acompanhado de poderosas linhas groovadas do baixista Claudio. As notas vocais de Carol foram mais altas, o que deu maior destaque para sua performance no palco, em um momento já mais solto no show. Henrique voltou a solar muito bem ao final dessa música, que foi encerrada com mais das notas do baixista do quinteto.

A reta final da apresentação se deu com as faixas “Necrotic Elegy”, muito bem conduzida por todos os membros da banda, e “Serenade of Baphomet”, anunciada por Carol Poison em meio ao discurso final, antecedida da pergunta positivamente respondida pelos presentes: “Quem gosta de um ritual aqui?”. Nela, a mistura de Stoner Metal e Doom Metal se tornou mais evidente, em meio a uma execução ao vivo impecável de todos os membros, com direito a Flavio Cavichioli finalizando a faixa com a simbolização de uma cruz, feita com suas baquetas. Definitivamente um show poderoso em todos os sentidos, tanto que gerou no público o desejo de mais uma faixa. Uma pena que não deu tempo.

 

Tantum

A terceira apresentação da noite, dentre as aberturas, foi a mais interessante principalmente em termos de performance e estética. Os belorizontinos do Tantum também trouxeram elementos musicais e visuais pautados nos anos 1970 e 80, com a adesão de atuações em palco que surpreenderam positivamente os presentes, que lotaram pouco mais da metade do local. Essa foi a sua segunda passagem por São Paulo, pouco mais de um ano após a vinda para o Legends Music and Bar.

Chervona (vocal), Laer Aliv (baixo), João Brumano (guitarra) e Rafael Mineiro, já (ou quase totalmente) caracterizados e assim como as bandas anteriores, ajudaram diretamente na montagem e passagem dos instrumentos antes do show, em horário pontual. Seus visuais, inclusive, tinham características únicas, desde a maquiagem ou pintura facial - a exemplo da linha horizontal preta de Marcelo na região do olho, somada às duas linhas verticais vermelhas na cabeça - até a vestimenta. No segundo caso, Chermona se destacou por conta de seu conjunto muito semelhante ao usado por dançarinas de dança do ventre, somado a panos brancos nos braços, com manchas vermelhas que lembram as de sangue.

No setlist, o grupo planejou oito faixas e, com a sobra de tempo entre sua apresentação e a seguinte, conseguiram tocar mais uma ao final. As músicas foram principalmente do até então único álbum de estúdio da banda, intitulado “Turning Tables” (2022), com a adição de um single recém-lançado, “ROJO”, no qual o público presente foi o primeiro a ouvir a execução da banda ao vivo.

A faixa “Speed (Addicted)” abriu a apresentação do Tantum, às 17h11, já em ritmo animado por parte dos membros, linhas groovadas do baixista Laer Aviv e até mesmo a remoção e uso da alavanca da guitarra, por parte de João Brumano, para tocar as cordas em determinado trecho da faixa.Chervona entrou no palco com um lenço de véu na boca, no mesmo estilo que o restante da vestimenta. A peça, no entanto, não atrapalhou a captação de sua voz ao longo da faixa. Na reta final, houve variações interessantes de velocidade da faixa.

Em seguida, o quarteto tocou “New World”, faixa que abre o álbum de estreia da banda e que contou com Chervona já sem o véu citado anteriormente. As danças que a frontwoman fez durante o riff reforçaram a inspiração oriental da dança do ventre e foram complementos em alguns dos momentos em que ela não cantou na música, já que houve algumas partes em que ela, de forma inovadora dentro da proposta da banda, tocou uma flauta de sopro. Tanto o baixista quanto o guitarrista da Tantum performaram muito bem a música em questão, apesar de o volume do instrumento de João Brumano ter ficado baixo naquele momento, em comparação com os demais. “Wicked Spirit” deu sequência à boa vibe da banda no palco.

Um dos grandes destaques performáticos da Tantum foi em “Blind Snake”, quando Laer, João e Rafael colocaram um capuz preto, aparentemente sem algum espaço de visão, para tocar a faixa em questão. Chervona começou sem vendas, segurando uma balança romão com objetos em cada lado. Após o solo de guitarra, a frontwoman colocou uma venda branca nos olhos e caminhou pelo palco, enquanto cantava muito bem. Ao final da faixa, essa venda branca foi invertida, aparecendo assim um desenho em vermelho que aparentava ser uma caveira. A música “Ivory Towers” prosseguiu o show, tendo margem para a apresentação dos membros da banda e linhas calmas de baixo e guitarra, em certo momento.

Mas foi em “ROJO”, single mais recente da banda, que o auge performático de toda a noite aconteceu. A faixa, que foi lançada no último dia 03 de outubro e cuja primeira apresentação ao vivo foi nesse evento da Fabrique Club - segundo o baixista Laer Aliv -, teve uma bela encenação por parte de Chermona, que durante a parte instrumental da faixa anterior, aproveitou para colocar um vestido de noiva branco e cantar a música em questão na sequência, que fala sobre um relacionamento abusivo e a tentativa do homem relatado na história de aprisionar a personagem-narradora. A frontwoman do Tantum abriu a faixa com um cálice de sangue, narrando os versos “This Is my body, this Is your blood / This Is the sacred chalice / If you are a man, come to me / And I will show you the truth”. Entre danças e cantos, Chermona também usou de sua flauta de sopro novamente e, ao final da faixa, colocou uma pequena manta de plástico para tomar o sangue do cálice e cuspir, simulando a morte, priorizando o vermelho e, claro, sem sujar o vestido.

Após o discurso do baixista da banda, o grupo transitou para o primeiro single lançado pela banda, “Roulettenbourg Roulette”, que compõe também o até então único álbum de estúdio da banda. Sob uma sonoridade heavy metal do início dos anos 80, a execução da faixa pela banda em geral ficou ótima, com uma combinação do solo de guitarra de João com as danças de Chermona, além de uma dança em conjunta de baixista, vocalista e guitarrista que muito lembrou o can can francês.

“On the Road” seria a última faixa do setlist, mas se tornou a antepenúltima. Esta é uma música que, segundo a banda, será lançada futuramente e fará parte do EP que a banda planeja lançar. Segundo Chermona, a faixa fala sobre “o amor em estar na estrada, fazendo shows, e em conhecer pessoas no caminho”. A recepção positiva do público presente no local se converteu em um acompanhamento mútuo ao refrão da faixa em questão, no qual a frontwoman da Tantum fez questão de ensinar ao público.

Por fim, a música “Glory” foi a resposta ao público, que pediu por mais uma faixa, aproveitando o tempo disponível que a banda ainda tinha. Laer a conduziu com maestria, com ótimas linhas de baixo, acompanhado de uma banda animada com os últimos gases e com o balançar de cabelos dos membros do Tantum e, principalmente, do público mais próximo do palco, animado principalmente com o ótimo riff da música e com os solos presentes. Um show de nível espetacular e que gerou gritos altos em nome da banda, no verdadeiro final da apresentação.

 

Pesta

Assim como a Tantum, a banda Pesta também é de Belo Horizonte, porém com formação em 2014. O grupo trouxe a sonoridade do Doom Metal - com uma evidente influência do Black Sabbath principalmente nos vocais - e do Stoner Metal para o palco da Fabrique Club novamente, em um setlist de seis faixas que passaram pelo repertório do quarteto, incluindo o EP “Here She Comes” (2015) e os álbuns de estúdio “Bring Out Your Dead” (2016) e “Faith Bathed in Blood” (2019).

Thiago Cruz (vocal), Marcos Cunha (guitarra), Anderson Vaca (baixo) e Flávio Freitas (bateria) também passaram pelo processo de ajustes e passagem de som no palco, começando o show diretamente de lá, de forma pontual, com a faixa “Anthropophagic”, do último disco lançado pela banda. Já de cara, era possível perceber um Flávio inspirado em batidas fortes em todo o kit de bateria, principalmente nos pratos - e sem comprometer a sonoridade dos demais integrantes -, algo que ocorreria nas seguintes execuções. Da mesma forma, a voz de Thiago Cruz surpreendeu o público logo de cara.

“Marked by Hate”, segunda faixa do setlist do Pesta na noite, foi anunciada como uma música inédita, que estava para lançar na versão de estúdio e que se tornou inédita ao vivo, naquele momento. A condução da banda, a partir do riff inicial, foi exímia e atenuou a parte mais obscura da sonoridade.

Depois, com “Witches’ Sabbath”, esta situação se manteve, dando maior ar da influência que a banda tem com a lendária banda britânica de Birmingham, Inglaterra. As luzes vermelhas ajudaram no clima Doom no palco, assim como Thiago Cruz fez algumas danças durante o solo de Marcos Cunha. O frontman do Pesta, inclusive, chegou a se declarar para a capital paulista ao fim da faixa em questão: “Eu amo essa cidade… por algum motivo”.

A segunda metade da apresentação chegou com a faixa “Black Death”, do álbum de estreia da banda, “Bring Out Your Dead”. O riff da mesma, não obstante de criar mais do clima obscuro na Fabrique, também teve suas finalizações com três batidas no surdo da bateria, até a última, que contou com oito dessas batidas e uma virada para uma parte mais agitada da faixa. É nela, também, que Thiago voltou a dançar no palco na reta final, só que de forma mais solta e psicodélica. O grupo emendou com a faixa seguinte, “Words of a Madman”, formando uma dobradinha que também acontece no disco - a primeira e segunda faixas dele, no caso. É nesta música, inclusive, que há um refrão muito contagiante: “Words to the wind, lost in time / felt with the weight bodies lying” (Palavras ao vento, perdidas no tempo / Feltro com os corpos de peso deitado). Por fim, pela versão ao vivo, os membros do Pesta aceleraram a finalização a um ritmo frenético, arrancando ovações do público.

Antes da música final, “Moloch’s Children”, o vocalista Thiago Cruz voltou a discursar, agradecendo a presença de todos e reforçando o amor por São Paulo: “Sempre é um prazer tocar para vocês”. Esta faixa tem uma primeira metade mais lenta, transitada a uma segunda metade mais rápida e com mais elementos de Stoner Metal e uma predominância dos timbres vocais mais graves do vocalista. Ao todo, um show surpreendente e de ótima sonoridade por todos os membros.

 

Space Grease

A última banda de abertura, antes da principal, trouxe elementos do Hard Rock com nuances do Stoner Rock, Acid Rock, Hard Rock e até de ritmos latinos em suas faixas. Os paulistanos do Space Grease, banda fundada em 2020, pautaram seu setlist de sete faixas no EP de estreia da banda, “Can’t Hide” (2023). E no primeiro single avulso, “Separation Time” (2022).

O quinteto, liderado pela vocalista Ju Ramirez, contou com a mudança de Antônio “Tonhão” Fermentão para a bateria - antes, baixista da banda - devido a saída de um membro no começo do ano. Além deles, estiveram no palco Fernando Ceravolo (guitarra), Diego Nakasone (guitarra).

Assim como no EP “Can’t Hide”, o grupo abriu a apresentação com “Burning Inside My Chest”, faixa em que Ju Ramirez apresentou grande performance vocal, além do uso de chocalhos, acompanhados de danças, durante os trechos instrumentais - algo que seria visto em outras das faixas seguintes -. Em seguida, “Can’t Hide”, faixa-título, contou com um riff distorcido interessante de Fernando Ceravolo no início, além da presença de Caique Fermentão, baixista do Sugar Kane, na percussão que se situava no canto direito do palco - o esquerdo, na visão do público -. As características de rock psicodélico, com a distorção das guitarras, deram uma sonoridade interessante à faixa.

O ritmo agitado da banda por um todo prosseguiu em “Breakdown”, com destaque coletivo pela entrega instrumental e performática na faixa. Ao fim dela, Ramirez anunciou ao público que a banda está na produção de um novo álbum, no qual três das faixas seguintes estariam nele (mesmo sendo parte do EP lançado em 2023).

Assim veio “Little Man”, música com início mais lento, porém com aumento do agito ao longo dela. Tonhão, inclusive, se destacou por conta da entrega na bateria, principalmente com as fortes batidas nos pratos. Já em “Again”, o ritmo pautado em Hard Rock tornou o ambiente do Fabrique mais frenético, principalmente pelo piscar dos refletores brancos, em ritmo frenético.

Na reta final, os membros do Space Grease tocaram as duas últimas faixas. A primeira delas, “Get Away”, teve outro grande solo de Fernando Ceravolo em meio ao ritmo agitado. Já na segunda, o single inaugural “Separation Time”, o quinteto trouxe elementos do Punk Rock no começo da faixa, além do incremento da sonoridade do Stoner Rock no restante. Na finalização, uma ótima repetição das linhas finais, seguidas dos gritos de “OOÔ” por parte de Ju Ramirez em meio a um aumento proposital do ritmo da faixa, que reduziu aos poucos até o fim. Por um todo, uma apresentação surpreendente e diferente das propostas das bandas anteriores, trazendo a energia necessária antes da atração principal.


Lucifer

Do final da apresentação anterior até minutos antes do início da apresentação da atração principal, não somente a organização do palco foi rápida, como a pista da Fabrique ficou completamente lotada a ponto de não ter como se movimentar sem ser pelas laterais da pista. Digo isso, pois bastou uma ida até os fundos do local e, num piscar de olhos, pessoas que estavam nos bares, na área de merchan ou que entraram no final do evento vieram de uma única vez.

Eram 20h31, quando o público apresentava um misto de ansiedade e alegria com a chegada da atração principal. O show se deu com o surgimento do nome da banda em formato de letreiro iluminado, no telão, e com a introdução em violão. Aos poucos, os membros da banda entraram, todos muito ovacionados: Nicke Andersson (bateria), Harald Göthblad (baixo), Linus Björklund (guitarra), Martin Nordin (guitarra) e, por último, a icônica vocalista Johanna Platow Andersson, com seu microfone retrô. O setlist da banda se deu com as músicas de seu repertório a partir do segundo álbum de estúdio, “Lucifer II” (2018), com a maioria das faixas sendo de seu último disco, “Lucifer V” (2024) e com a inclusão de um pequeno trecho de cover.

A primeira faixa tocada foi “Crucifix (I Burn for You)”, do álbum “Lucifer IV” (2021), iniciada por um ótimo riff de guitarra e as primeiras amostras do belo vocal de Johanna em meio a uma forte iluminação em vermelho e, claro, seguida de um ótimo primeiro solo de Martin Nordin na noite.

“Ghosts” e “Midnight Phantom” fizeram a dobradinha das únicas faixas do álbum “Lucifer III” (2020). A vocalista do Lucifer teve pequenos problemas com o microfone, que foram rapidamente corrigidos por um dos roadies da banda em meio à execução da primeira música, compensados por uma sonoridade muito bem ritmada pela bateria de Nicke, que não deixou sua boina cair em momento algum do show, e por outro ótimo solo de guitarra de Martin. Na segunda faixa citada, em ritmo mais dançante - mas ainda dentro de uma estética Occult Rock e Hard Rock, teve um vocal impecável de Johanna, principalmente nos refrões cantados “This Is the last goodbye / Before you Follow”. Situação digna de aplausos calorosos e ovações, ao final, de um público que, muito atento com a performance da banda, cantou de forma tímida, mas sem mesmo encostar nos celulares.

“Dreamer” trouxe um pouco do repertório de “Lucifer II” (2018), em mais um refrão contagiante e que, dessa vez, foi muito cantado por grande parte do público presente a ponto de fazer Johanna se emocionar: “Dreamer, have you seen her? / On a white horse tall with pride / Eyes turned to the sky”. Martin voltou a se destacar com outro grande solo na reta final. Em meio às ovações fortes do público, o Lucifer deu continuidade ao show com a comemorada “A Coffin Has No Silver Lining”, a primeira faixa da noite a representar o disco “Lucifer V” (2024) e com uma sonoridade que mescla Heavy Metal e Hard Rock em suas essências.

A música “Wild Hearses” trouxe a primeira linhagem Doom Metal da apresentação, com linhas poderosas do baixo de Harald Göthblad, somadas à uma sonoridade que lembrou uma guitarra barítona durante os riffs. Johanna apresentou tons mais baixos na voz, o que caiu super bem para a sonoridade da música em questão.

Já em “Fallen Angel”, outra faixa de “Lucifer V” e que abre o disco em questão, a semelhança inicial com “Children of the Grave”, do Black Sabbath, deu jus a uma situação mais animada no palco e na pista, somada ao piscar frenético dos refletores brancos em meio a uma iluminação ainda vermelha do palco. Tudo isso, claro, complementado por mais um ótimo refrão de Johanna e ótimas variações do baterista do Lucifer. A dobradinha se formou na sequência, com mais um Doom Metal de ótima qualidade pela faixa “At the Mortuary”, que também teve fortes linhas da bateria e das guitarras. A frontwoman da banda também fez questão de esbanjar carisma ao interagir com os fãs mais à frente da pista, apontando para as câmeras de seus celulares e sorrindo.

O grupo ainda tocou a ótima “The Dead Don’t Speak”, de ritmo um pouco mais lento na primeira parte, mas com batidas viscerais de Nicke Andersson após o segundo refrão. A sequência de faixas do álbum “Lucifer V” - apesar de ainda ter mais uma mais à frente - terminou com a lenta “Slow Dance in a Crypt”, conduzida muito bem por conta de linhas de guitarra poderosas, assim como pela voz marcante de Johanna, cuja performance teve o incremento do vento dos ventiladores em seus cabelos.

A primeira grande parte do show terminou com “Bring Me His Head”, do álbum “Lucifer IV”, emendada da faixa anterior e com ótimo riff inicial. Ambos os guitarristas, Linus Björklund e Martin Nordin, tiveram solos impactantes em meio ao Hard Rock imposto na faixa, além de viradas poderosas de bateria e outra versatilidade vocal que deram o resultado final: aplausos, ovações e gritos em nome da banda na saída para pausa de todos os membros.


Este encore, como é padrão em diversos shows, contou com tais gritos em nome da banda e palmas ritmadas. O diferencial veio do meio da pista, com um homem que, aparentemente alterado, tentou ficar no alto para ser carregado até a frente do palco, o que não deu certo nas diversas tentativas.

O retorno rápido da banda foi comemorado e, de cara, a banda tocou um cover - que se tornou uma introdução breve - do começo da música “I Want You (She’s So Heavy)”, icônica música dos Beatles e que compõe o disco “Abbey Road” (1969). Logo, houve a transição para o começo e sequência da faixa “Maculate Heart”, última do disco mais recente da banda a ser tocado na noite. Quando Johanna cantou o primeiro “Bring it on” da faixa, o público explodiu no sentido vocal, acompanhando muito bem a frontwoman durante a faixa. Só faltou um pulo coletivo, mas havia pouco espaço para alguém arriscar - no entanto, mesmo homem que não conseguiu ser levado para a frente, no encore, ao menos conseguiu ficar mais alto que todos por um tempo, sendo notado e cumprimentado por Johanna em certo momento da faixa. Todos os instrumentistas se mostraram muito bem na faixa, no entanto vale o destaque para as viradas poderosas de Nicke Andersson durante a execução da música.

“California Son”, música que abre o disco “Lucifer II” (2018), veio como a penúltima do setlist, em um ritmo mais rápido, relembrando a sonoridade dos primórdios do Heavy Metal e com ótima qualidade dos riffs e solos de guitarra. As ovações, mais que merecidas, encerraram esta faixa, mas introduziram o gran finale da noite.

A última faixa da noite foi “Reaper on Your Heels”, na que também formou a última dobradinha de um álbum na noite. O início marcante foi a base da ótima condução instrumental da faixa e das últimas execuções vocais de Johanna, que também usou um pandeiro meia-lua da metade para o fim da faixa. Esta reta final, inclusive, contou com uma poderosa finalização, na qual a velocidade do ritmo foi propositalmente acelerada pelos instrumentistas da banda para um ritmo frenético e visceral, em meio a piscares de luzes que seguiam a mesma frequência da banda, principalmente de um Nicke Andersson que, repito, não deixou a boina cair nem mesmo num momento como esse.

Os agradecimentos da banda não foram suficientes para um público que pediu por mais uma faixa e que, junto a isso, ainda aguardou que a banda voltasse para algo. Mas foi, de fato, o final de um show impecável musicalmente, no qual fãs de longa data, mais recentes ou os que descobriram a banda nesse evento com certeza saíram satisfeitos e com o desejo de um retorno rápido do quinteto, em meio a uma atenção máxima e coletiva ao longo do show. E claro, um evento em que todas as bandas, em alguma característica - estética, musical ou a soma dos dois -, deu uma impressão mais que positiva, fazendo com que a oportunidade fosse claramente bem abraçada.


Texto: Tiago Pereira

Fotos: Leandro Almeida (Rock Brigade)


Realização: Xaninho Produções / Caveira Velha Produções

Mídia Press: LP Metal Press

 

Night Prowler – setlist:

Free the Animal

Devil in Desguise

Never Surrender

The Darksider

Tightrope

The Witches Curse

No Escape

Make It Real

 

Weedevil – setlist:

Serpent’s Gaze

Chronic Abyss of Bane

Underwater

Profane Smoke Ritual

Necrotic Elegy

Serenade of Baphomet


Tantum – setlist:

Speed (Addicted)

New World

Wicked Spirit

Blind Snake

Ivory Towers

ROJO

Roulettenbourg Roulette

On the Road

Glory

 

Pesta – setlist:

Anthropophagic

Marked By Hate

Witches’ Sabbath

Black Death

Words of a Madman

Moloch’s Children

 

Space Grease – setlist:

Burning Inside My Chest

Can’t Hide

Breakdown

Little Man

Again

Get Away

Separation Time

 

Lucifer – setlist:

Crucifix (I Burn for You)

Ghosts

Midnight Phantom

Dreamer

A Coffin Has No Silver Lining

Wild Hearses

Fallen Angel

At the Mortuary

The Dead Don't Speak

Slow Dance in a Crypt

Bring Me His Head

Bis

I Want You (She's So Heavy) - Cover dos Beatles. Apenas o trecho inicial tocado, como uma introdução

Maculate Heart

California Son

Reaper on Your Heels