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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Graveyard: Peso e Atitude à Moda Antiga

Shinigami Records (Nac.) / Nuclear Blast (Imp.)

Graveyard gira a chave e entrega seu melhor álbum em “Fever”

Por Paula Butter - @paulabutter.rocks

A banda sueca Graveyard presenteou nossos ouvidos com seu novo álbum Fever nesta sexta-feira, dia 9 de outubro de 2026, pela Nuclear Blast. Após três anos desde o lançamento de Six, os músicos de Gotemburgo finalmente vieram com uma obra audaciosa, forte e que chega para impor seu lugar no rock pesado com muito blues, emoção e técnica. Afinal, nada é por acaso.

A banda declarou que este sétimo álbum era possivelmente seu melhor até agora e, após ouvir as nove faixas de Fever, é preciso concordar sem ressalvas. Nos dois primeiros singles lançados antecipadamente, já se podia sentir uma mudança sutil no som da banda, que antes estava um pouco tímida, introspectiva. E não era para menos: o álbum Six trouxe muita qualidade musical, mas foi uma composição pós-pandemia, portanto mais melancólica.

Agora, parece que o Graveyard girou a chave e trouxe mais peso, mais blues, mais sons crus, orgânicos; inclusive, o processo de gravação foi bem intimista. O resultado disso é uma obra que vale a pena colocar na íntegra em sua playlist, principalmente se você é fã daquele rock pesado, ainda com as raízes do blues que pairavam nos anos 70.

A primeira faixa, “Back From The Grave”, já diz tudo: com um blues pesado bem setentista, cheio de “mojo”, dá o recado para o que vem a seguir: “Tongue Tied”, um rock n’ roll de primeira qualidade, com aquele “som de vinil”, solo ritmado, bateria em forma e os vocais rasgados de Joakim Nilsson nos momentos certos e, literalmente, “Blow away”!

Na sequência, a ácida e adorável “A Better Cut (Note To Self)”, que nos brinda com um refrão digno de cantarolar o dia todo. Inclusive, deixo-a como destaque, juntamente com a surpresa “A Means To An End”: que perfeição, digna do videoclipe que foi lançado há algumas semanas.

Contamos também com a mais tímida “Time To Tell” e com o peso e a agressividade de “Year Of The Horse”. O recado está escancarado nas letras e refrões: música feita com vontade e garra, para não sobrarem dúvidas de que o Graveyard veio para ficar. Neste ponto da audição, você já se encontra bem mais motivado para encarar o dia e até arrisca cantar junto, sensações espontâneas que nem todos os álbuns proporcionam. Apesar de o álbum contar com muitas passagens instrumentais (e é sabido que muita gente torce o nariz para isso), elas passam com um ritmo que te prende.

A banda fecha com maestria, com “Room Tempered” e a inusitada balada bluseira “Dead Note”. Por fim, todas as músicas são dignas de uma trilha sonora atemporal, sempre com um passo no presente e na evolução do som, mas soando como se estivéssemos em tempos passados. Destaque para a arte da capa de Fever, que conta com muita psicodelia e criatividade. É interessante também assistir ao “GRAVEYARD - Making of Fever”, disponível no YouTube oficial da banda, em que eles mostram em detalhes a produção do álbum e todos os equipamentos utilizados, alguns bem “old school”, sempre deixando o talento humano em primeiro lugar. 

Um recado final para aqueles que não tiveram a oportunidade de ver estes músicos ao vivo: curtam as músicas e, na primeira oportunidade, agarrem seus ingressos!

Divulgação 


Graveyard - Fever - Tracklist:

01 Back From The Grave

02 Tongue Tied

03 A Better Cut (Note To Self)

04 Year Of The Horse

05 A Means To An End

06 Time To Tell

07 Don’t Shoot!

08 Room Tempered

09 Dead Note

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Europe: Quatro Décadas Sem Olhar Para Trás (Also In English)

Silver Lining (Imp.)

Por Flavio Borges 

Quatro décadas depois de The Final Countdown, o Europe poderia simplesmente viver de seu passado. E ninguém poderia culpá-lo por isso. Em vez disso, a banda escolhe olhar para o presente, colocando peso, ambição e uma inquietação quase inesperada em um álbum que talvez seja uma das demonstrações mais claras de sua vitalidade nos últimos anos.

É preciso coragem para desafiar o próprio legado. Poucas bandas carregam um hino tão monumental quanto “The Final Countdown” — e menos ainda conseguem sobreviver por quatro décadas sem se tornarem prisioneiras dele. O Europe poderia facilmente passar o resto da carreira celebrando suas glórias. Em vez disso, prefere continuar avançando.

É desse confronto entre passado e presente que nasce Come This Madness. Joey Tempest e companhia olham para um mundo cada vez mais turbulento e respondem com peso, tensão e, acima de tudo, personalidade. Produzido por Tom Dalgety e gravado em Estocolmo, o álbum conta com participações de Tobias Forge (Ghost) e Mikael Åkerfeldt (Opeth), além da experiência de Mike Fraser na mixagem. Mais do que reunir nomes importantes, entretanto, essa equipe ajuda a construir uma sonoridade que permite ao Europe soar atual sem apagar aquilo que o transformou em uma das bandas fundamentais do hard rock europeu.

E a intenção fica clara logo nos primeiros segundos. “One on One” não é apenas a abertura de Come This Madness; é uma declaração de princípios. O riff pesado, o baixo pulsante e a bateria de Ian Haugland empurram a música para frente, colocando a banda em uma posição mais agressiva do que aquela normalmente associada à sua imagem mais conhecida. Os teclados de Mic Michaeli continuam presentes, assim como a melodia característica e a voz inconfundível de Joey Tempest, mas tudo aparece revestido por uma produção mais encorpada e contemporânea. É como se o Europe dissesse, antes mesmo de o álbum começar de fato: não estamos aqui para repetir “The Final Countdown”.

Se “One on One” funciona como um cartão de visitas, “The Cult of Ignorance” elimina qualquer dúvida sobre as intenções do grupo. Mais pesada e carregada de tensão, a faixa amplia a atmosfera estabelecida pela abertura e mostra uma banda confortável em explorar seu lado mais contundente. John Norum assume as guitarras com a autoridade de quem não precisa provar absolutamente nada, enquanto Michaeli acrescenta camadas e profundidade sem suavizar o impacto. Tempest, por sua vez, entrega a letra com uma combinação de indignação e controle que reforça a sensação de urgência.

É aqui que Come This Madness começa a revelar algo além de sua força musical. “The Cult of Ignorance” transforma a inquietação sonora em comentário sobre o presente, abordando ignorância, intolerância e as tensões de uma sociedade cada vez mais polarizada. Não é uma banda veterana tentando parecer jovem ou agressiva; é uma banda usando a experiência acumulada para falar sobre um mundo que mudou radicalmente desde os anos 1980. A sequência das duas primeiras faixas é reveladora: primeiro o Europe reafirma que ainda sabe soar poderoso; em seguida, demonstra que ainda tem algo a dizer.

Mas Come This Madness não vive apenas de peso e tensão. O Europe continua sendo, antes de tudo, uma banda de canções — e é justamente quando as guitarras cedem espaço para melodias mais elaboradas que sua experiência se torna ainda mais evidente. A banda conhece o valor de um bom refrão, sabe construir tensão antes de liberá-la e entende que uma grande composição não precisa necessariamente de velocidade para causar impacto.

Esse equilíbrio entre contundência e melodia é uma das grandes virtudes do álbum. O Europe não precisa escolher entre ser pesado ou acessível. Transita entre esses dois universos com naturalidade, preservando sua identidade enquanto amplia suas possibilidades. Joey Tempest continua sendo um dos grandes intérpretes do hard rock europeu, mas sua performance aqui parece menos preocupada em demonstrar alcance e mais interessada em transmitir emoção e significado. Há maturidade em sua voz — não apenas técnica, mas também interpretativa.

Grande parte da personalidade do álbum está na interação entre John Norum e Mic Michaeli. Norum continua sendo um guitarrista que entende que um grande solo precisa estar a serviço da música, e não o contrário. Seus riffs dão ao disco boa parte de sua musculatura, enquanto os solos aparecem nos momentos certos, acrescentando tensão e emoção sem cair no exibicionismo. Michaeli, por outro lado, é quase um personagem invisível por trás da arquitetura do álbum. Seus teclados não estão ali simplesmente para reproduzir o Europe dos anos 1980; criam ambientes, acrescentam peso e ampliam a dimensão épica de determinadas passagens.

É justamente essa combinação que impede Come This Madness de se transformar em um simples exercício de hard rock tradicional. Há ecos evidentes das referências que sempre fizeram parte do DNA da banda — do hard rock britânico dos anos 1970 ao metal melódico europeu —, mas o Europe absorve essas influências sem parecer preso a nenhuma delas. O resultado é familiar, mas não acomodado; clássico, mas definitivamente não retrô.

Essa maturidade também aparece quando o grupo reduz a velocidade. Come This Madness não precisa permanecer permanentemente no modo “ataque”. Há espaço para atmosferas mais introspectivas e arranjos delicados, permitindo que o contraste entre força e vulnerabilidade se torne parte da dinâmica do álbum. É nesse terreno que o Europe demonstra que sua evolução ao longo das últimas décadas não foi apenas uma mudança de sonoridade, mas também de perspectiva.

A faixa-título leva essa proposta ainda mais longe. “Come This Madness” é uma das composições mais ambiciosas do disco, construída sobre mudanças de dinâmica e diferentes atmosferas. A música cresce, recua e volta a ganhar força, funcionando quase como uma síntese das intenções do álbum. Se existe um ponto menos convincente, está justamente em um de seus momentos de maior contenção: o trecho mais lento interrompe um pouco o fluxo antes que a composição retome sua intensidade. É uma escolha ousada, embora talvez pudesse ser ligeiramente mais enxuta.

Ainda assim, a ambição compensa. O Europe não está interessado em entregar apenas mais uma coleção de faixas eficientes. Existe uma tentativa clara de construir um álbum com identidade própria, no qual produção, arranjos, letras e performances caminham na mesma direção.

“Scandinavian Eyes” reforça essa impressão ao incorporar uma dimensão mais atmosférica e contemplativa. 

A presença de Tobias Forge e Mikael Åkerfeldt nos vocais de apoio acrescenta uma camada simbólica particularmente interessante: dois artistas de gerações diferentes do rock sueco contribuindo para o trabalho de uma banda que ajudou a colocar o país definitivamente no mapa do hard rock internacional. O mérito, porém, está em como essas participações são incorporadas ao universo do Europe sem transformar os convidados em simples chamariz.

No conjunto, Come This Madness soa como o trabalho de uma banda que já não precisa provar que pertence à história. E talvez seja justamente por isso que consiga tocar com tanta liberdade. O Europe não tenta recuperar a juventude perdida, tampouco reproduzir uma fórmula que funcionou há 40 anos. Sua maior conquista aqui é outra: usar a experiência como ferramenta criativa, e não como justificativa para repetir o passado.

Isso não significa que o álbum seja uma ruptura radical. Quem acompanha a trajetória do Europe sabe que elementos do classic rock, do hard rock setentista e de suas próprias raízes continuam presentes. Algumas escolhas poderiam ser mais ousadas e nem todas as composições alcançam o mesmo nível de inspiração. Mas exigir uma reinvenção completa seria perder justamente aquilo que torna o disco interessante.

Come This Madness funciona porque entende a diferença entre identidade e repetição.

Quarenta anos depois de “The Final Countdown”, a pergunta mais importante já não é se o Europe consegue escrever outra música como aquela. Não consegue — e não precisa. O que importa é saber se ainda existe criatividade por trás do nome, se esses músicos ainda têm algo a dizer e se a banda ainda consegue entrar em estúdio com vontade de desafiar a própria zona de conforto.

A resposta está nas guitarras de Norum, nos teclados de Michaeli, na voz de Tempest, na bateria de Haugland, no baixo de Levén e, principalmente, na maneira como esses músicos transformam experiência em energia.

Come This Madness não é uma tentativa de voltar ao passado. É o Europe aceitando seu legado, colocando-o de lado por alguns instantes e perguntando o que ainda pode fazer com tudo o que aprendeu ao longo dessas quatro décadas.

E talvez essa seja a maneira mais apropriada de celebrar 40 anos de The Final Countdown: não olhando para trás, mas mostrando que a contagem regressiva ainda não terminou.

Andy Ford

***ENGLISH VERSION***

Four decades after The Final Countdown, Europe could simply live off its past. And no one could really blame them for doing so. Instead, the band chooses to look forward, bringing weight, ambition and an almost unexpected sense of restlessness to an album that may well be one of the clearest demonstrations of their vitality in recent years.

It takes courage to challenge your own legacy. Few bands carry a song as monumental as “The Final Countdown” — and even fewer manage to survive four decades without becoming prisoners of it. Europe could easily spend the rest of their career celebrating their glory days. Instead, they choose to keep moving forward.

It is from this confrontation between past and present that Come This Madness emerges. Joey Tempest and company look at an increasingly turbulent world and respond with weight, tension and, above all, personality. Produced by Tom Dalgety and recorded in Stockholm, the album features guest appearances from Tobias Forge (Ghost) and Mikael Åkerfeldt (Opeth), with Mike Fraser handling the mix. More than simply bringing together a collection of big names, however, this team helps create a sound that allows Europe to feel contemporary without erasing what made them one of the defining bands of European hard rock.

And the intention becomes clear within the first few seconds. “One on One” is not merely the opening track of Come This Madness; it is a statement of intent. The heavy riff, pulsing bass and Ian Haugland’s driving drums push the song forward, placing the band in a more aggressive territory than the image most commonly associated with them. Mic Michaeli’s keyboards are still there, as are the characteristic melodies and Joey Tempest’s unmistakable voice, but everything is wrapped in a fuller, more contemporary production. It is as if Europe is saying, before the album has even properly begun: we are not here to repeat “The Final Countdown”.

If “One on One” works as a calling card, “The Cult of Ignorance” leaves no doubt about the band’s intentions. Heavier and charged with tension, the track expands on the atmosphere established by the opener and shows a band entirely comfortable exploring its more forceful side. John Norum handles the guitars with the authority of a player who has nothing left to prove, while Michaeli adds layers and depth without taking away any of the impact. Tempest, meanwhile, delivers the lyrics with a combination of indignation and restraint that reinforces the sense of urgency.

This is where Come This Madness begins to reveal something beyond its musical strength. “The Cult of Ignorance” turns its musical unease into a comment on the present, addressing ignorance, intolerance and the tensions of an increasingly polarised society. This is not a veteran band trying to sound young or aggressive; it is a band using the experience it has accumulated to speak about a world that has changed dramatically since the 1980s. The sequence of the first two tracks is revealing: first, Europe reminds us that they still know how to sound powerful; then they show that they still have something to say.

But Come This Madness does not live on weight and tension alone. Europe remains, above all, a band built around songs — and it is precisely when the guitars make room for more elaborate melodies that their experience becomes even more apparent. They understand the value of a good chorus, know how to build tension before releasing it, and recognise that a great song does not necessarily need speed to make an impact.

That balance between punch and melody is one of the album’s greatest strengths. Europe does not have to choose between being heavy and accessible. They move naturally between the two worlds, preserving their identity while expanding their possibilities. Joey Tempest remains one of the great voices in European hard rock, but his performance here seems less concerned with demonstrating his range and more interested in conveying emotion and meaning. There is maturity in his voice — not merely technical maturity, but interpretive maturity as well.

Much of the album’s personality comes from the interplay between John Norum and Mic Michaeli. Norum remains a guitarist who understands that a great solo has to serve the song, not the other way around. His riffs provide much of the album’s muscle, while his solos arrive at the right moments, adding tension and emotion without slipping into unnecessary showmanship. Michaeli, meanwhile, is almost an invisible character behind the album’s architecture. His keyboards are not simply there to recreate Europe’s 1980s sound; they create atmosphere, add weight and broaden the epic dimension of certain passages.

It is precisely this combination that prevents Come This Madness from becoming just another exercise in traditional hard rock. There are clear echoes of the influences that have always been part of the band’s DNA — from 1970s British hard rock to European melodic metal — but Europe absorbs those influences without sounding trapped by any of them. The result is familiar, but never complacent; classic, but definitely not retro.

That maturity also becomes apparent when the band slows things down. Come This Madness does not need to remain permanently in attack mode. There is room for more introspective atmospheres and delicate arrangements, allowing the contrast between strength and vulnerability to become part of the album’s dynamics. It is in these moments that Europe demonstrates that its evolution over the past few decades has not simply been about changing its sound, but also about changing its perspective.

The title track takes that idea even further.  “Come This Madness” is one of the album’s most ambitious compositions, built around shifts in dynamics and contrasting atmospheres. The song grows, pulls back and then gathers strength again, almost functioning as a summary of the album’s intentions. If there is a less convincing moment, it comes precisely during one of its most restrained passages: the slower section slightly interrupts the flow before the song regains its intensity. It is an ambitious choice, although perhaps one that could have been trimmed a little.

Still, the ambition pays off. Europe is not interested in delivering just another collection of efficient songs. There is a clear attempt to build an album with an identity of its own, one in which production, arrangements, lyrics and performances all move in the same direction.

“Scandinavian Eyes” reinforces that impression by introducing a more atmospheric and contemplative dimension. 

The presence of Tobias Forge and Mikael Åkerfeldt on backing vocals adds an especially interesting symbolic layer: two artists from different generations of Swedish rock contributing to the work of a band that helped put Sweden firmly on the international hard rock map. The real achievement, however, lies in the way those appearances are incorporated into Europe’s universe without turning the guests into mere promotional attractions.

Taken as a whole, Come This Madness sounds like the work of a band that no longer needs to prove that it belongs in history. And perhaps that is precisely why they are able to play with such freedom. Europe is not trying to reclaim lost youth, nor are they attempting to reproduce a formula that worked 40 years ago. Their greatest achievement here is something else: using experience as a creative tool rather than as an excuse to repeat the past.

That does not mean the album represents a radical departure. Anyone familiar with Europe’s career knows that elements of classic rock, 1970s hard rock and the band’s own roots remain firmly in place. Some choices could have been bolder, and not every composition reaches the same level of inspiration. But demanding a complete reinvention would miss precisely what makes the record interesting.

Come This Madness works because it understands the difference between identity and repetition.

Forty years after “The Final Countdown”, the most important question is no longer whether Europe can write another song like it. They cannot — and they do not need to. What matters is whether there is still creativity behind the name, whether these musicians still have something to say, and whether the band can still walk into a studio with the desire to challenge its own comfort zone.

The answer is in Norum’s guitars, Michaeli’s keyboards, Tempest’s voice, Haugland’s drums, Levén’s bass and, above all, in the way these musicians turn experience into energy.

Come This Madness is not an attempt to return to the past. It is Europe accepting its legacy, setting it aside for a moment and asking what it can still do with everything it has learned over the past four decades.

And perhaps that is the most appropriate way to celebrate 40 years of The Final Countdown: not by looking back, but by showing that the countdown is not over yet.

Andy Ford 


quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Interview –The Cruel Intentions: ten years on the road, a new album, and the long-awaited Brazilian tour

Jørn Veberg

Mats Wernerson talks about the band's identity, the reception of All Hail Hypocrisy, and their debut in Brazil in 2027 

CLIQUE AQUI PARA LER EM PORTUGUÊS. 

By Thais Navarro (@_thais_navarro) 

Just a few months after the release of All Hail Hypocrisy — The Cruel Intentions' third album —, bassist Mats Wernerson spoke with Road to Metal about life behind the scenes of this Scandinavian band. In the interview, he discusses how the group's identity has solidified over ten years on the road, the impact the Peacemaker soundtrack had on the band's international reach, the current state of the sleaze scene and plans for the coming months: which include, finally, their arrival in Brazil in May 2027. 

Check out the full conversation below! 

Mats, thank you so much for your time and your music. How would you describe The Cruel Intentions (TCI) current identity? You have a unique formula in your songs that makes the band very unique. So how did you develop your identity over the years, and how does it come together now on All Hail Hypocrisy? 

Mats: What we've got going on right now comes from years and years of the four of us playing together, having a good time. I feel we're better than ever today. We know each other so fucking well after 10 years now.  

I think the sound came from the first album: punk rock, a lot of attitude, pretty dirty. The second album was more polished, a bit more melodic. So I think it's a very good mix of those two coming into All Hail Hypocrisy. And I think we found our perfect mix of dirty and melodic in this album, because we don't want to become a full-on melodic rock band, or whatever. We want to keep our identity, which is punk, metal, sleaze, everything in a good mix. And I think we found it perfectly on All Hail Hypocrisy, and it's organic, because of the time spent together, touring and playing. It's super organic and I love the sound of the new album. 


It's definitely a killer album. And you mentioned touring — the reputation of intense TCI live shows is a central part of the band. How is that built on stage and how important is it to you to give fans this intense, memorable live experiences? 

Mats: It's very important, and I don't think we could do anything else about it — it just comes naturally when we get on stage. This past week we were in Gatlinburg, Tennessee, playing two shows. We were very tired from jet lag and some late nights. And the moment we all hit the stage, none of that tiredness mattered anymore — you can't feel any of it. I looked over at Kristian (N. Solhaug, TCI guitar player) and he had this big grin on his face, and I thought, "okay, it's fucking go time." Then it was 100% energy.  


You also feed off the crowd, like the show in Oslo (in May) — a very small venue. This is also something else, because at the bigger shows people are a couple of meters away, but you still feed off the audience (but in smaller venues it's way easier), and seeing people sing along gives you even more energy. So I don't think we could do anything other than 100% rock and roll energy. 

You're coming to Brazil and other countries in Latin America next year. What are your expectations for this tour, and what can Brazilian fans expect? 

Mats: Expectations are actually very high. This is something I've been dreaming about for as long as I can remember — all of us. Lizzy (DeVine, TCI vocalist) was there 10 years ago with Lizzy DeVine Solo. He's been telling some stories, and I have friends from bands like Eclipse and Crashdïet who've been there too — everybody says it's the best. It's a lot of travel, late nights, but still one of the craziest audiences in the world, from what I hear from bands like Iron Maiden and, as I said, my friends.  

So, very high expectations, and I guess Latin America can expect the same from us — we're going to give it all. We're doing headline shows, so it's gonna be longer, gonna do more Vains of Jenna songs. I know there are a lot of Vains of Jenna fans, so we're gonna do a couple more than usual. And just a full-on rock and roll set with a lot of songs from the new album, the classics, and the Peacemaker songs. 

It's cool that you mentioned Peacemaker — how much of a difference did it make for you as a band? I watched this TV show partly because of the tracklist, and the scene with the Vigilante walking out of prison to Jawbreaker was mind-blowing. What was it like to appear in the show, and how much of a difference did it make for the band? 

Mats: It had a huge impact, starting with the first trailers. We had Borderline Crazy in the American and Canadian TV commercial trailer before the show even started. Then streaming went off the charts — a lot of streaming from South America, the UK and America, which we hadn't seen before. We used to have Sweden at the top, but now I think Brazil is actually our top country on Spotify, at least over the last year.  So the streaming was crazy. The show aired one episode a week, If i remember correctly, and the fourth episode had the Vigilante scene. After that, the YouTube channel, Instagram and Facebook blew up, with comments like "thank you James Gunn for giving me this band." Comments asking us to come to Brazil became even more common, which I love. It was very surreal to hear our music in a James Gunn show — we love James Gunn, and Peacemaker is a really good show.


You mentioned Crashdïet, and we're in a great run of releases right now from the sleaze scene. How would you describe its current state, and what do you expect going forward? 

Mats: I think it's amazing what's happening with the sleaze scene right now. It feels like a real revival, with us, Crashdïet and Confess releasing singles and albums together throughout the spring this year. And to see people all over the world become very happy about these singles and albums releasings. I think it's an amazing time right now for our type of music, sleaze rock and rock and roll in general. A lot of good bands, a lot of good albums coming out. 

Where do you and the band usually look for musical references? Do other art forms inspire you, inside or outside rock music? 

Mats: It's so hard to tell what inspires me. When I write music, it's usually like the state of mind you're in at the time. I don't actually listen to much music while I'm writing my own music, because I'm too occupied with this. But leading up to All Hail Hypocrisy, I was listening a lot to Tuk Smith and the Restless Hearts, which I think shows through a bit in some songs — maybe When Eden Burn leans a little more melodic, rock and roll type of thing.  

So inspiration can come from anything: daily life, just living, basically. I write most of the music together with Lizzy, and he writes all the lyrics, so I think his inspiration comes from his life, his experiences, the 10 years with the crew, all the late nights, the parties and the tours we've done together. A lot has happened, and we usually talk about that stuff and laugh about it while we write songs. Like "Porridge Head", for example. 

I was actually going to ask you specifically about that one. 

Mats: It's a very special song. I had that riff for a long time. It's a special riff; I think it was Erik Martensson from Eclipse, our producer, who said the riff was fucking awesome, and we kept working on it but couldn't find the right theme for the lyrics. So Lizzy started writing about "porridge head". Porridge Head it's a term used within the band, we've been using it for 10 years. Now, it's become more of a thing: we have hats, I have a t-shirt that says "Porridge Head," and people started talking about it, which was very funny for us to see. I think some of the verses are actually about me, from when I was younger and drinking a lot. So that's a Porridge Head.  


Like the line about “staints of vomit on your chest from food you never have? 

Mats: Maybe. Maybe it has happened. Who knows! 

I also love the lyrics. Lizzy, as you said, is a very good songwriter too. 

Mats: Yes, very good. His lyrics are insanely good, and there is dark and there is humor — sometimes very serious, sometimes just like "fuck off". I love his mix and his style of writing, and he comes up with everything so fast. 

Would you say Porridge head is your favorite song on the album, or do you have other ones?

Mats: It depends. I listened to this album so many times while we were mixing and leading up to the release. A lot in the car, at the gym, or out running, just to figure out how we should put the track order. So I've had a lot of favorite songs over the months leading up to release, and it's kept changing since we started playing these songs live. It changes from show to show.  Right now I think "Triple Threat" is my favorite to play live, because it's brutal — hard, heavy, fast, it's got everything, and people really enjoy it when we play the new songs, especially "Triple Threat" and "All Hail Hypocrisy." So it's different songs for different days. 

Do you want to play it live? And more songs from the album? 

Mats: Yeah, we're going to do more. We actually started rehearsing "Porridge Head" — and I loved it, I love playing it, it's got a lot of punk rock energy. I think we'll put that one on the setlist, for the Latin America dates. 

Now that it's been a few months since All Hail Hypocrisy came out, how do you feel about the public reception? 

Mats: It's been crazy. It's been so good, way beyond anything I could have imagined. When we were done in the studio, Lizzy and I talked and said, "We loved it. This is us, this is our best album for sure." I had a feeling people would like it, but not like this: we've had so many fantastic reviews from all over the world. Road to Metal's review was spectacular. 

We're approaching the end. After three amazing albums, what are your plans for the future in general? Is there something you want to do that you haven't done yet? 

Mats: Plans and goals — let's see. We've got some shows coming up this year: we're going back to America in a few weeks, and just before that we're playing at Rock the Sun in Barcelona with Eclipse and Michael Monroe. We're doing a Swedish tour with Hardcore Superstar in October and November, which I'm really looking forward to. I love Hardcore Superstar, all of us do, we're big fans of the music and the guys, and we get along really well with them. That's the plan for now.  Next year there's going to be even more shows — we're doing the Monsters of Rock Cruise in May, then heading straight to Mexico and all the Latin America dates, which is a dream come true. Another dream would be Japan. we've never been there, so that's the next goal, to get a couple of shows in Japan. And then we're starting to write the fourth album right now. We have started looking into titles, sounds, songs, I've got a couple of riffs.  

That's very good to hear.  Would you like something else? 

Mats: I'm just very excited to come to Brazil and the other countries. I've never been to Latin America — I've only been to Mexico, around Tulum, with the cruises. So I'm very excited to see all those countries in just five or six days. It's going to be very hectic, but that's what I'm looking forward to the most: playing these songs for what seems to be our biggest fan base. 

We've never had a response to a tour announcement like we did with Latin America. It was crazy, hundreds of comments and shares, people saying "fuck yeah, finally," because they'd been waiting so long. It's been like 10 years. I remember the first time someone wrote "come to Brazil," it was like 10 or 11 years ago, and I never thought we'd make it. Right from when we started, people were already writing "come to Brazil," "come to Argentina." So I'm very happy to go there and play these new songs for you guys. 

"Come to Brazil" is indeed a very popular thing here, we're very insistent. 

Mats: Yes, and it worked! This time it really fucking worked.  

The Cruel Intentions is coming to Brazil in May 2027. For more information, click here. Don't miss it! 

Entrevista – The Cruel Intentions: Dez anos de estrada, um novo álbum e a esperada turnê brasileira

Jørn Veberg

Mats Wernerson fala sobre a identidade da banda, a recepção de All Hail Hypocrisy e a esperada estreia no Brasil em 2027

CLICK HERE TO READ THE INTERVIEW IN ENGLISH.

Por Thais Navarro (@_thais_navarro)

Poucos meses após o lançamento de All Hail Hypocrisy, terceiro álbum do The Cruel Intentions, o baixista Mats Wernerson conversou com a Road to Metal sobre os bastidores da banda escandinava. Na entrevista, ele fala sobre como a identidade sonora do grupo se consolidou ao longo de dez anos de estrada, o impacto que a trilha sonora de Peacemaker teve no alcance internacional da banda, o momento atual da cena sleaze e os planos para os próximos meses — que incluem, finalmente, a chegada ao Brasil em maio de 2027.

Confira a conversa completa abaixo!


Mats, muito obrigada pelo seu tempo e pela sua música. Como você descreveria a identidade atual do The Cruel Intentions (TCI)? Vocês têm uma fórmula única nas músicas que torna a banda muito singular. Como vocês desenvolveram essa identidade ao longo dos anos, e como ela se consolida agora em All Hail Hypocrisy?

Mats: O que temos hoje vem de anos e anos de nós quatro tocando juntos, nos divertindo. Sinto que estamos melhores do que nunca hoje. A gente se conhece muito bem depois de 10 anos.

Acho que o som veio do primeiro álbum: punk rock, muita atitude, bem sujo. O segundo álbum foi mais polido, um pouco mais melódico. Então acho que é uma mistura muito boa dessas duas fases chegando em All Hail Hypocrisy. E acho que encontramos nosso equilíbrio perfeito entre sujeira e melodia nesse álbum, porque não queremos nos tornar uma banda totalmente melódica de rock, nem nada disso. Queremos manter nossa identidade, que é punk, metal, sleaze, tudo em uma boa mistura. E acho que encontramos isso perfeitamente em All Hail Hypocrisy, e é orgânico, por causa do tempo que passamos juntos, tocando e em turnê. É super orgânico e eu amo o som do novo álbum.


É definitivamente um álbum incrível, E você mencionou as turnês — a reputação dos shows intensos do TCI é uma parte central da banda. Como isso é construído no palco e o quanto é importante pra você entregar aos fãs essa experiência ao vivo intensa e memorável?

Mats: É muito importante, e acho que não conseguiríamos fazer diferente: simplesmente acontece naturalmente quando subimos ao palco. Essa última semana estivemos em Gatlinburg, Tennessee, tocando dois shows. Estávamos muito cansados por causa do jet lag e de algumas noites mal dormidas. E no momento em que subimos ao palco, nada daquele cansaço importava mais — você não sente nada disso. Olhei pro Kristian (N. Solhaug, guitarrista do TCI) e ele tinha aquele sorriso enorme no rosto, e pensei: "ok, agora é hora do show, porra." Aí foi 100% de energia.


Você também se alimenta da energia da plateia, como no show de Oslo (em maio) — um local bem pequeno. Isso também é outra coisa, porque nos shows maiores as pessoas ficam a alguns metros de distância, mas ainda assim você se alimenta dessa energia da plateia, e ver as pessoas cantando junto te dá ainda mais energia. Então acho que não conseguiríamos fazer nada além de 100% de energia rock and roll.

Vocês vêm ao Brasil e a outros países da América Latina no próximo ano. Quais são suas expectativas para essa turnê, e o que os fãs brasileiros podem esperar?

Mats: As expectativas estão muito altas, na verdade. É algo que eu sonho desde que consigo me lembrar — todos nós. O Lizzy (DeVine, vocalista do TCI) esteve no Brasil há 10 anos com o Lizzy DeVine solo. Ele tem contado algumas histórias, e eu tenho amigos de bandas como Eclipse e Crashdïet que também já estiveram lá — todo mundo diz que é incrível. São muitas viagens, noites longas, mas ainda assim uma das plateias mais insanas do mundo, pelo que ouço desde bandas como Iron Maiden e, como eu disse, até dos meus amigos. Então, as expectativas estão muito altas, e acho que a América Latina pode esperar o mesmo de nós — vamos dar tudo de nós. Vamos fazer shows como headliners, então vai ser mais longo, vamos tocar mais músicas do Vains of Jenna. Sei que tem muitos fãs do Vains of Jenna, então vamos tocar algumas a mais do que o normal. É um setlist totalmente rock and roll, com muitas músicas do novo álbum, os clássicos, e as músicas do Peacemaker.

Interessante você ter mencionado o Peacemaker — o quanto isso fez diferença pra vocês como banda? Eu assisti essa série de TV em parte por causa da trilha sonora, e a cena do Vigilante saindo da prisão ao som de Jawbreaker foi ˜mind-blowing˜. Como foi aparecer na série, e o quanto isso mudou as coisas pra banda?

Mats: Teve um impacto enorme, começando já pelos primeiros trailers. Tivemos "Borderline Crazy" no comercial de TV americano e canadense antes mesmo da série estrear. Depois o streaming disparou — muito streaming vindo da América do Sul, do Reino Unido e dos Estados Unidos, coisa que a gente nunca tinha visto antes. Antes a Suécia era nosso país número um, mas agora acho que o Brasil é o nosso país número um no Spotify, pelo menos no último ano.

Então o streaming ficou uma loucura. A série ia ao ar com um episódio por semana, se não me engano, e o quarto episódio teve a cena do Vigilante. Depois disso, o canal no YouTube, o Instagram e o Facebook explodiram, com comentários tipo "obrigado, James Gunn, por me apresentar essa banda". Comentários pedindo pra gente ir ao Brasil ficaram ainda mais comuns, e eu amo isso. Foi muito surreal ouvir nossa música em uma série do James Gunn — a gente ama o James Gunn, e Peacemaker é uma série muito boa.


Você mencionou o Crashdïet, e estamos em uma ótima fase de lançamentos vindos da cena sleaze. Como você descreveria o estado atual dessa cena, e o que você espera daqui pra frente?

Mats: Acho incrível o que está acontecendo com a cena sleaze agora. Parece um verdadeiro renascimento, com a gente, o Crashdïet e o Confess lançando singles e álbuns juntos ao longo desta primavera. E ver pessoas do mundo todo ficando muito felizes com esses lançamentos de singles e álbuns. Acho que é um momento incrível pro nosso tipo de música, sleaze rock e rock and roll em geral. Muitas bandas boas, muitos álbuns bons saindo.

Onde você e a banda costumam buscar referências musicais? Outras formas de arte inspiram vocês, dentro ou fora do rock?

Mats: É muito difícil dizer o que me inspira. Quando escrevo música, geralmente é mais o estado de espírito em que você está naquele momento. Eu não costumo ouvir muita música enquanto estou escrevendo a minha própria, porque fico muito ocupado com isso. Mas no período antes de All Hail Hypocrisy, eu estava ouvindo bastante Tuk Smith and the Restless Hearts, o que acho que transparece um pouco em algumas músicas — talvez "When Eden Burn" penda um pouco mais pro lado melódico, tipo rock and roll.

Então a inspiração pode vir de qualquer lugar: da vida cotidiana, simplesmente de viver, basicamente. Eu escrevo a maior parte da música junto com o Lizzy, e ele escreve todas as letras, então acho que a inspiração dele vem da vida dele, das experiências dele, dos 10 anos com a galera, todas as noites tarde da madrugada, as festas e as turnês que fizemos juntos. Muita coisa aconteceu, e a gente costuma conversar sobre isso e rir enquanto escrevemos as músicas. Tipo "Porridge Head", por exemplo.

Eu ia perguntar justamente sobre essa.

Mats: É uma música muito especial. Eu tinha aquele riff há muito tempo. É um riff especial; acho que foi o Erik Martensson, da Eclipse, nosso produtor, que disse que o riff era foda, e a gente continuou trabalhando nele, mas não conseguia encontrar o tema certo pra letra. Então o Lizzy começou a escrever sobre "porridge head". "Porridge Head" é um termo usado dentro da banda, a gente usa isso há 10 anos. Agora virou mais uma coisa nossa: temos bonés, eu tenho uma camiseta que diz "Porridge Head", e as pessoas começaram a falar sobre isso, o que foi muito engraçado pra gente ver. Acho que alguns dos versos são na verdade sobre mim, de quando eu era mais novo e bebia muito. Então é isso, um Porridge Head.


Tipo a parte "stains of vomit on your chest of food you never had"?

Mats: Talvez. Talvez já tenha acontecido. Quem sabe!

Eu também amo as letras. O Lizzy, como você disse, é um excelente letrista.

Mats:  Sim, ele é muito bom. As letras dele são insanamente boas, tem um lado sombrio e tem humor — às vezes bem sério, às vezes só tipo "foda-se". Eu amo a mistura e o estilo de escrita dele, e ele cria tudo tão rápido.

Você diria que "Porridge Head" é sua música favorita do álbum, ou tem outras?

Mats: Depende. Eu ouvi esse álbum tantas vezes enquanto estávamos mixando e no período antes do lançamento. Muito no carro, na academia, ou correndo, só pra descobrir como deveríamos organizar a ordem das faixas. Então tive várias músicas favoritas ao longo dos meses antes do lançamento, e isso continuou mudando desde que começamos a tocar essas músicas ao vivo. Muda de show pra show.

Agora mesmo acho que "Triple Threat" é minha favorita pra tocar ao vivo, porque é brutal — pesada, rápida, tem tudo, e as pessoas curtem muito quando tocamos as músicas novas, especialmente "Triple Threat" e "All Hail Hypocrisy". Então é uma música diferente pra cada dia.

Vocês querem tocá-la ao vivo? E mais músicas do álbum?

Mats: Sim, vamos fazer mais. Na verdade, já começamos a ensaiar "Porridge Head" — e eu amei, adoro tocá-la, tem muita energia punk rock. Acho que vamos colocar essa no setlist, pras datas da América Latina.

Agora que já se passaram alguns meses desde o lançamento de All Hail Hypocrisy, como você se sente em relação à recepção do público?

Mats: Tem sido uma loucura. Tem sido muito bom, muito além de qualquer coisa que eu poderia imaginar. Quando terminamos no estúdio, eu e o Lizzy conversamos e dissemos: "Nós nos amamos. Isso somos nós, esse é com certeza nosso melhor álbum." Eu já tinha um pressentimento de que as pessoas iriam gostar, mas não nesse nível: tivemos tantas críticas fantásticas do mundo todo. A crítica da Road to Metal foi espetacular.

Estamos chegando ao final. Depois de três álbuns incríveis, quais são seus planos para o futuro em geral?

Mats:  Planos e metas — vamos ver. Temos alguns shows chegando ainda este ano: voltaremos aos Estados Unidos em algumas semanas, e pouco antes disso vamos tocar no Rock the Sun, em Barcelona, com Eclipse e Michael Monroe. Vamos fazer uma turnê sueca com o Hardcore Superstar em outubro e novembro, que estou muito ansioso pra fazer. Eu amo o Hardcore Superstar, todos nós amamos, somos grandes fãs da música e da galera, e nos damos muito bem com eles. Esse é o plano por enquanto.

No próximo ano vamos ter ainda mais shows — vamos fazer o Monsters of Rock Cruise em maio, e depois seguir direto pro México e todas as datas da América Latina, que é um sonho se tornando realidade. Outro sonho seria o Japão. Nunca estivemos lá, então essa é a próxima meta, conseguir alguns shows no Japão. E então estamos começando a escrever o quarto álbum agora. Já começamos a pensar em títulos, sons, músicas, já tenho alguns riffs.

É ótimo ouvir isso. Gostaria de acrescentar mais alguma coisa?

Mats: Apenas que estou muito animado para ir ao Brasil e aos outros países. Nunca estive na América Latina — só estive no México, perto de Tulum, em cruzeiros. Então estou muito animado para conhecer todos esses países em apenas cinco ou seis dias. Vai ser bem corrido, mas é isso que estou mais ansioso pra fazer: tocar essas músicas para o que parece ser nossa maior base de fãs.

Nunca tivemos uma resposta a um anúncio de turnê como a que tivemos com a América Latina. Foi uma loucura, centenas de comentários e compartilhamentos, gente dizendo "aí sim, finalmente, porra!", porque estavam esperando havia muito tempo. Já faz uns 10 anos.

Lembro da primeira vez que alguém escreveu "come to Brazil", foi tipo há uns 10 ou 11 anos, e eu nunca pensei que a gente fosse conseguir chegar lá. Desde quando começamos, as pessoas já escreviam "come to Brazil", "come to Argentina". Então estou muito feliz de ir até aí e tocar essas músicas novas pra vocês.

"Come to Brazil" é mesmo uma coisa bem popular por aqui, a gente é bem insistente.

Mats: Sim, e funcionou! Dessa vez funcionou mesmo.


O The Cruel Intentions vem ao Brasil em maio de 2027. Para mais informações, clique aqui. Não perca!

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Entrevista – Degreed: Entre a Tradição e o Futuro do Rock Melódico

Divulgação

Por Flavio Borges

Há algo particularmente interessante no modo como o Degreed construiu sua identidade ao longo dos anos. Vindos da Suécia — um dos grandes celeiros mundiais de melodias, do hard rock e do pop de alcance global —, os músicos nunca se limitaram a reproduzir a fórmula clássica do rock melódico. Ao contrário, desde os primeiros trabalhos, a banda vem combinando guitarras pesadas, vocais agressivos, elementos modernos e uma forte preocupação com melodias, criando uma sonoridade que transita com naturalidade entre o hard rock tradicional e uma abordagem mais contemporânea.

Em conversa com Road To Metal, o vocalista Robin Eriksson falou sobre o processo de criação de Curtain Calls, a liberdade de trabalhar separadamente dos demais integrantes e a busca constante por novas possibilidades dentro do universo do rock melódico. 

Entre planos para novos shows, material inédito e até uma nova versão cover que Robin preferiu manter em segredo durante a entrevista, o futuro do Degreed parece apontar para a mesma direção de sua música: preservar aquilo que funciona, mas nunca ficar parado. Pesado e intenso, mas também suave, bonito e melódico — como o próprio Robin define —, o Degreed continua buscando seu espaço entre a tradição do hard rock e o futuro do rock melódico.


Acredito que podemos começar falando sobre o álbum mais recente, Curtain Calls. É o trabalho mais recente de vocês e, não apenas para mim, mas para a maioria das pessoas, ele representa exatamente a proposta que a banda nos apresenta: uma mistura entre o hard rock tradicional e o moderno, ou o melodic rock, como você preferir chamar. O que você pode nos contar sobre isso? Sobre o processo? Como começou a composição desse álbum? Houve alguma coisa diferente em relação aos outros?

Robin: Hoje em dia, nós dois moramos em uma cidade pequena, ou melhor, em uma vila chamada Koppa Bay. Foi onde eu cresci, então fica mais ou menos no centro da Suécia. Eu e meu irmão, o baterista Mats, moramos em Copperberg. Já o Mike, tecladista, e o Daniel, guitarrista, moram em Estocolmo.

Nós quatro costumávamos morar em Estocolmo, mas agora estamos separados, e com trabalho, filhos e tudo mais, acabamos fazendo a maior parte das composições, das gravações e de todo o resto separadamente. É assim que tem sido nos últimos cinco, seis, sete anos.

Mas tudo bem. Na verdade, eu gosto de gravar sozinho, sem ninguém apontando o dedo e dizendo o que fazer.

Frontiers Records (Imp.)

Eu entendo (risos).

Robin: É, e acho que os outros também gostam disso. Você sabe, existem aspectos positivos e também negativos, é claro. Às vezes é bom ter alguém dizendo: “Você pode fazer isso melhor”. Mas, de qualquer forma, esse foi mais ou menos o processo.

E nós tentamos manter os elementos que já são característicos da banda, como você mencionou. O que normalmente temos com o Degreed: um som um pouco pesado, mas também muito melódico, e isso é importante para nós. Tudo isso continua presente, mas, ao mesmo tempo, tentamos sempre seguir em frente.

Sempre. E ter uma versão atualizada, algo assim...

Robin: E isso pode acontecer em pequenas coisas. Por exemplo, eu não estou mixando o álbum, mas falei para o Mats, que está mixando, que queria que a bateria tivesse um som um pouco mais sujo. E acho que conseguimos isso. Fiquei feliz com o resultado.

Então, podem ser pequenas coisas que acabam mostrando: “Ah, esse é o som desse álbum em particular”. Nesse caso, de Curtain Calls.


E você acredita que esse tipo de coisa é o que faz o Degreed ser diferente das outras bandas do mesmo gênero? Vocês têm um som um pouco mais pesado, um pouco mais sujo, mas, como você disse, sempre mantendo a melodia, certo?

Robin: Sim, eu acho que sim. E acho que somos um pouco diferentes porque temos um som bem variado. Não sei se essa é a palavra certa, “variado”, mas, temos um pouco disso, um pouco daquilo. Às vezes, o som é um pouco sinfônico, podemos ter uma balada de piano e também podemos ter coisas realmente pesadas. Às vezes eu grito, e em outras canto de forma bem suave.

Em relação à sua voz, como você comentou, você usa vários tipos diferentes de vocais no álbum. É você quem escolhe os efeitos, ou deixa isso por conta do produtor?

Robin: Eu diria que, na maioria das vezes, sou eu. Acho que tenho uma ideia de como quero que soe, mas não sei exatamente como fazer isso acontecer. Seja qual for o programa que você usa, como o Pro Tools ou o Logic. Não sei se você conhece esses diferentes programas.

Apenas decisões técnicas.

Robin: No meu caso, eu só consigo dizer como quero que soe, tipo: 'ok, você pode colocar um pouco daquele som? Quero que minha voz soe como a do Ozzy Osbourne. Faça acontecer, por favor.' Mas eu não sei como fazer isso (risos). 

E, como você estava falando sobre todos esses tipos diferentes de vocais e todos esses tipos diferentes de sonoridades — um som mais pesado, um som mais sujo —, eu tinha uma pergunta para fazer mais tarde, mas vou fazê-la agora, porque também sou um grande fã do Children of Bodom. E, para mim, foi uma grande surpresa ver uma banda de hard rock, de metal rock, fazendo um tributo ao Alexi. Foi muito legal, cara. Eu gostaria que você falasse um pouco sobre isso, porque foi realmente uma surpresa ver vocês fazendo um tributo a uma banda completamente diferente da de vocês.

Robin: Na verdade, o nosso tecladista, o Mike, é muito, muito influenciado pelo Children of Bodom e pelo tecladista Janne Wirman, se você o conhece. Então, ele sempre foi um grande fã da banda. O Mike é meu primo, na verdade, então nos conhecemos a vida inteira.

Basicamente é uma banda de família: seu irmão, seu primo...

Robin: Sim, exatamente. Enfim, nós também temos a mesma idade. Então, ele escuta essa banda desde que nós éramos adolescentes, basicamente. E ele foi vê-los várias vezes em Estocolmo. Eu sei que existe um show ao vivo gravado em Estocolmo, de 2003 ou algo assim, não é?

Algo desse tipo.

Robin: Sim, você já ouviu falar sobre isso, e ele estava lá. Então, ele vem acompanhando a banda há bastante tempo. A inspiração vem dele, ou melhor, ele é como uma ponte entre nós e a banda. Então, eu também comecei a ouvir Children of Bodom, e o Alexi era uma verdadeira estrela do rock. Ele realmente era.

Sim, só para você saber, eu trabalhei com eles aqui na América Latina.

Robin: Você trabalhou com eles?

Sim. Eu trabalhei com eles quando estavam em turnê com o Amorphis, em 2009, se não estou enganado.

Robin: Ah, então você conheceu eles, passou um tempo com a banda e tudo mais?

Sim, por alguns dias no Brasil, na Argentina e no Chile.

Robin: Uau, que legal!

Eles eram realmente estrelas do rock (risos).

Robin: Sim, esse é o tipo de cara que você admira, por assim dizer. Ele era como alguém intocável para algumas pessoas, se é que você me entende. Provavelmente, ele era a pessoa mais gente boa do mundo e um cara supernormal, apesar de provavelmente conseguir beber mais do que todo mundo na mesa.

Exatamente. Ele era esse tipo de cara.

Robin: É, basicamente todos os caras daquela banda naquela época, porque alguns deles eram finlandeses.

Sim. Posso imaginar (risos).

Robin: É, mas enfim... Nós, na verdade, temos alguns elementos nos nossos álbuns que, se você prestar mais atenção, mostram bastante essa influência do Children of Bodom, mesmo antes daquela música em tributo. Posso citar uma música chamada “War”, do nosso álbum autointitulado. Escute essa. Basicamente, é uma música do Children of Bodom.

Eu sei, eu tenho todos os álbuns de você (risos).

Robin: Fico feliz em ouvir isso. Então, principalmente as partes de teclado, são muito inspiradas no Children of Bodom. É algo bem legal que provavelmente muitas pessoas não tinham percebido antes (risos).

Divulgação

Outra pergunta que eu tenho, e que realmente me interessa, é sobre você. Você vem de um país, a Suécia, que tem uma enorme tradição no rock melódico e, especialmente, em bandas de pop rock, com produções gigantescas. Isso inclui, por exemplo, uma série de...

Robin: Max Martin?

Sim, tem uma série na internet, na Netflix, sobre isso. Como isso influenciou você e os outros integrantes da banda? Vocês também foram muito influenciados por esse cenário musical que existe no próprio país de vocês?

Robin: Nós somos realmente muito inspirados quando o assunto são melodias, pela música pop. Tenho que admitir isso. Talvez venha da tradição que temos, talvez seja algo natural, por assim dizer. Não sei. Mas temos todas essas bandas e artistas gigantes da Suécia quando se trata de melodias. Temos o Europe, por exemplo, e o Max Martin, que hoje é o maior compositor de todos os tempos.

Sim, com certeza.

Robin: E temos o Roxette, além de muitos outros artistas e bandas gigantes. Também temos todas essas bandas de rock melódico, maiores e menores, como H.E.A.T, Eclipse e todas essas outras. Não sei o que é. Não sei se é o ar fresco do norte ou...

Sim. Aqui no Brasil, costumamos dizer que é a água.

Robin: Sim, exatamente. É a água. Deve ser alguma coisa.

Sim. E durante toda essa trajetória que vocês já construíram, qual foi o maior desafio que vocês enfrentaram no dia a dia? Foi a divulgação, os shows, as turnês? O que é mais difícil? Qual é o desafio para vocês?

Robin: Acho que foi quando a Covid chegou. Tenho que dizer que esse foi o maior desafio. E todas aquelas festas acabaram cobrando seu preço de mim (risos).

Durante aquele período, foi realmente muito difícil voltar. Na verdade, foi muito difícil retomar depois da pandemia. Antes disso, estávamos prestes a fazer nossa primeira turnê como atração principal e tudo estava acontecendo. Então, com a pandemia e tudo o que veio junto com ela, meio que desacelerou tudo, e tivemos que começar do zero. Essa foi a parte mais difícil. E, além disso, queremos sair mais em turnê. E é realmente difícil fazer isso acontecer. É muito caro e tem toda essa questão de custos e coisas do tipo. Então, eu diria que esse é o maior desafio.

Você tem alguma ideia sobre os fãs da América Latina?

Robin: Um pouco, mas eu adoraria conhecer mais e ver isso de perto. Espero que tenhamos a oportunidade de ir para aí algum dia e que possamos conhecer vocês.

No Spotify, existe uma ferramenta chamada Spotify for Artists, não sei se você já ouviu falar, e conseguimos acompanhar estatísticas e coisas do tipo. E podemos ver que o Brasil está sempre entre os países com mais ouvintes, na verdade.

Sim, nós também temos uma tradição de estar entre os cinco primeiros quando se trata de bandas de hard rock e rock melódico no mundo todo. 

Robin: Seria muito legal descer do avião no Brasil.

Sim, esperamos que isso aconteça (risos).

Robin: E os fãs estão esperando por nós.

Sim. E, como você já comentou que vocês têm a intenção de vir para cá, existe alguma música em especial que vocês gostariam muito de tocar na América Latina?

Robin: Sim, estou pensando no cover de “Spending My Time”, do Roxette.

Ah, isso vai ser muito legal (risos).

Robin: Porque percebemos que o maior número de ouvintes dessa música vem justamente do Brasil. Não sei por quê.

Bom, o Roxette é realmente muito grande aqui. Eu fiz uma turnê com eles por aqui em 2011.

Robin: Ah, que legal!

Ela ainda estava viva. Foi a última turnê deles. E eles acabaram de tocar aqui, fizeram uns cinco ou seis shows com ingressos esgotados em alguns lugares.

Robin: Só no Brasil?

Sim. Não sei se eles foram para outros países da América Latina, mas sei que vieram para o Brasil e fizeram alguns shows aqui, para cinco ou seis mil pessoas. Eles eram realmente muito grandes no Brasil, assim como outras bandas suecas, como o Europe. Eu já fiz turnês com eles por aqui. E até com o Yngwie Malmsteen, fizemos um show com ele há alguns meses. Todas essas pessoas fazem parte da sua vida desde que você é fã de rock, certo?

Robin: Sim, fazem.

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Então, também gostaria de saber: você acredita que o próprio rock melódico vai evoluir ainda mais do que já está evoluindo atualmente? Não sei se você concorda comigo, mas há muitas bandas novas surgindo com novas propostas, e acredito que vocês estejam um passo à frente. Acho que o Degreed é a banda que lidera essa nova abordagem, misturando elementos da música moderna com o hard rock tradicional. Você acredita que esse é o caminho pelo qual o rock melódico vai evoluir?

Robin: Espero que sim (risos). Acho que fomos uma das primeiras bandas a misturar um pouco de batidas e coisas do tipo na nossa música. E depois começamos a ouvir outras bandas surgindo com essa proposta alguns anos mais tarde. Eu espero que sim. E gosto que você diga que somos os líderes desse tipo de abordagem (risos).

Sim, porque posso estar errado, mas acredito que, quando ouvimos até mesmo os seus discos mais antigos, percebemos que existe uma abordagem moderna, mas sem nunca deixar de lado o tradicional, certo?

Robin: Exatamente.

Sabe, é uma mistura perfeita. E é por isso que estou perguntando: você acredita que vocês já estejam influenciando outras bandas, de uma forma que você nunca sente?

Robin: Não, nunca pensei dessa forma, na verdade. Mas talvez esteja acontecendo, e isso seria muito legal. Quer dizer...

Porque, para mim, acredito que seja muito mais fácil perceber isso de fora.

Robin: Sim, acho que sim.

Eu teria que ouvir muitas bandas para perceber isso, mas é algo que tenho em mente há algum tempo, porque, para ser sincero, vocês foram uma das primeiras bandas que ouvi usando guitarras com vocais agressivos. Isso não era tão comum no rock melódico.

Robin: Não, não, não. É verdade. Nós ousamos misturar um pouco as coisas (risos). Mas talvez, um dia a gente se torne algum tipo de lenda (risos).

Por que não? Nunca se sabe.

Robin: Agora, com o Rush fazendo uma nova turnê, eles são a banda mais legal do mundo.

Você acha?

Robin:  Sim, no momento eu acho que eles são muito legais. Quinze anos atrás eu não pensava assim. E aposto que as pessoas também não pensavam assim quando eles surgiram. Eles estavam um pouco à frente do seu tempo. Você entende o que quero dizer?

Sim, eu sei do que você está falando. E, falando nisso, quais são os planos para o futuro?

Robin: Temos três shows em agosto, então essa é a primeira coisa que vamos fazer. E acho que estamos prestes a lançar um novo single, na verdade, uma nova música cover (N.T.: Robin se refere ao cover de "Still In Love with You", do Thin Lizzy. A entrevista foi realizada em junho). Eu nunca contei isso para ninguém, mas vai acontecer muito em breve (risos). Depois disso, é continuar trabalhando e fazendo mais shows. Acho que essa é a coisa mais importante agora. E, quando se trata de lançar músicas novas, nós sempre temos novas canções e material novo, então provavelmente teremos novidades mais cedo ou mais tarde, como sempre.

Então vocês já estão trabalhando em material novo?

Robin: Um pouco. E também temos algumas coisas guardadas. Então, vamos ver. Nós lançamos The Leftovers, e existe uma razão para termos chamado de Vol. I.

Imagino (risos).

Robin: É, então vamos ver.

Eu sei que todos esses shows são na Suécia. 

Robin:Não. Um deles é na Espanha, na verdade.

Ah, legal!

Robin: Acho que é um lugar nos arredores de Madri. Ou era Barcelona? Na verdade, não consigo lembrar. É sempre assim: se não é uma cidade grande, eu simplesmente vou e penso: 'ok.'

Prepare-se, porque vai estar quente lá.

Robin: Eu sei, já ouvi falar.

É igual aqui.

Robin: É mesmo? Quanto está fazendo de temperatura aí agora?

Não, não, estou perguntando porque, no Brasil, normalmente faz calor, mas hoje, para os padrões brasileiros, está muito frio. Está fazendo 13 graus. Está muito frio.

Robin: 13? 

Sim. No Brasil, 13 graus é muito frio. Se você for para a Suécia, eu sei que é pleno verão (risos).

Robin:Sim, exatamente. Isso é algo normal por aqui.

Mas, para os brasileiros, 13 graus é meio estranho. Eu só tenho uma última pergunta para você. Se você tivesse que descrever o Degreed para os fãs brasileiros que ainda não conhecem vocês, que frase usaria para descrevê-los?

Robin: É pesado e intenso, mas também suave, bonito e melódico. Você pode bater cabeça, pode relaxar, pode fazer de tudo com a nossa música.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Velveteen Queen: Hard Rock Renovado (Also In English)

Silver Lining Music (Imp.)

Por Flavio Borges 

Segundo álbum da sueca Velveteen Queen, The Greater Good mergulha de cabeça na tradição do hard rock americano, mas o faz com uma produção contemporânea e uma energia que impede o disco de soar como simples exercício de nostalgia. A banda transita com naturalidade entre hard rock, sleaze e glam, tendo Guns N’ Roses, Hanoi Rocks e Shotgun Messiah como referências evidentes, enquanto acrescenta elementos próprios suficientes para manter a identidade intacta.

“Too Far Gone” dá o pontapé inicial com riffs provocantes, produção afiada e todos os ingredientes do sleaze rock clássico, incluindo um refrão feito para ser cantado em coro. Os efeitos sobre os vocais aparecem com alguma frequência ao longo do disco, mas não chegam a comprometer o resultado. Na faixa-título, a banda desloca ligeiramente o foco para o hard rock, deixando o sleaze em segundo plano e apostando em uma sonoridade mais orgânica. O arranjo é particularmente bem construído e ganha um toque especial com o piano de Peter Keys, do Lynyrd Skynyrd.

É justamente nessa capacidade de alternar abordagens sem perder o fio condutor que The Greater Good encontra um de seus maiores méritos. “Talk or Walk” combina hard rock e sleaze em uma faixa conduzida por um riff de guitarra bastante eficiente, enquanto “Adrenaline” aproxima-se do universo do Aerosmith, sobretudo pelo groove e pelas linhas vocais. Direta, orgânica e imediatamente assimilável, é uma daquelas músicas que revelam sua força já na primeira audição.

“Can’t Go Back in Time” retoma a influência do Guns N’ Roses, desta vez sob uma perspectiva mais moderna, enquanto “Chains” quebra o ritmo com uma abordagem semi acústica construída sobre violão e voz. A interpretação de Samuel Nilsson é um dos destaques, mostrando que a banda não depende exclusivamente das guitarras elétricas para sustentar sua personalidade.

Quando as guitarras voltam a dominar, “It Ain’t Over” recupera o peso e a energia do álbum, combinando hard rock contemporâneo e referências clássicas. O refrão melódico e os backing vocals acrescentam uma dimensão mais acessível à composição. “Liar” e “Best of the Best” seguem pela mesma estrada, explorando a zona de fronteira entre hard e sleaze, mas sempre com timbres e efeitos que atualizam a fórmula. Na segunda, a introdução marcada pela bateria cria expectativa para a entrada dos demais instrumentos, enquanto os backing vocals, quase melancólicos, estabelecem um interessante contraponto à voz principal.

A reta final reserva outra mudança de atmosfera. “Sorry” surge como uma balada construída sobre guitarra e voz, com vocais completamente limpos e um arranjo que combina guitarras acústicas e elétricas. A voz rouca de Nilsson encaixa-se perfeitamente nesse contexto mais intimista, dando à faixa uma carga emocional que contrasta com a energia predominante no restante do disco.

“Try (To Believe Me)” fecha o álbum retomando o hard rock americano e seu groove característico, funcionando quase como uma síntese de tudo o que veio antes. O trabalho das guitarras se destaca, enquanto os vocais de Nilsson, reforçados pelos backing vocals nos momentos certos, conduzem a composição até o encerramento.

The Greater Good mostra uma Velveteen Queen afiada e consciente de suas referências. O álbum certamente encontrará seu público entre os fãs do hard rock americano e do sleaze, especialmente aqueles que ainda reconhecem no Guns N’ Roses uma das grandes referências do gênero. A diferença é que a banda não se limita a reproduzir fórmulas: há uma preocupação evidente em atualizar timbres, produção e arranjos, mantendo o equilíbrio entre o clássico e o moderno.

A variedade entre as faixas também evita que o álbum caia na repetição, alternando momentos mais pesados e diretos com passagens acústicas e baladas. A produção precisa e moderna de Søren Andersen contribui decisivamente para esse equilíbrio, mantendo o som vigoroso sem retirar da banda sua característica mais orgânica.

No fim, The Greater Good não pretende recriar o hard rock — e tampouco precisa disso. Seu mérito está em entender exatamente o que torna esse estilo tão irresistível e traduzir essa fórmula para uma nova geração. A Velveteen Queen sabe de onde veio, sabe onde quer chegar e, principalmente, parece estar se divertindo bastante no caminho.


***ENGLISH VERSION***

The second album from Swedish band Velveteen Queen dives headfirst into the traditions of American hard rock, but does so with contemporary production and an energy that keeps the record from sounding like a mere exercise in nostalgia. The band moves effortlessly between hard rock, sleaze and glam, with Guns N’ Roses, Hanoi Rocks and Shotgun Messiah serving as obvious reference points, while adding enough of its own character to maintain a distinct identity.

“Too Far Gone” kicks things off with provocative riffs, razor-sharp production and all the ingredients of classic sleaze rock, including a chorus made for singing along. Vocal effects appear with some frequency throughout the album, but never to the point of compromising the overall result. On the title track, the band shifts its focus slightly toward hard rock, pushing the sleaze elements into the background in favor of a more organic sound. The arrangement is particularly well constructed and gets an added touch of class from the piano played by Peter Keys of Lynyrd Skynyrd.

It is precisely this ability to switch between different approaches without losing the album’s overall direction that becomes one of The Greater Good’s greatest strengths. “Talk or Walk” blends hard rock and sleaze around a highly effective guitar riff, while “Adrenaline” moves closer to the Aerosmith universe, particularly through its groove and vocal lines. Direct, organic and immediately accessible, it is one of those songs that reveals its appeal after a single listen.

“Can’t Go Back in Time” revisits the Guns N’ Roses influence, this time from a more modern perspective, while “Chains” breaks the momentum with a semi-acoustic approach built around acoustic guitar and vocals. Samuel Nilsson’s performance is one of the highlights, demonstrating that the band does not rely exclusively on electric guitars to sustain its identity.

When the guitars take over again, “It Ain’t Over” restores the album’s weight and energy, combining contemporary hard rock with classic influences. The melodic chorus and backing vocals add a more accessible dimension to the song. “Liar” and “Best of the Best” follow a similar path, exploring the territory between hard rock and sleaze while using modern tones and effects to update the formula. On the latter, the drum-led introduction builds anticipation before the other instruments and lead vocals enter, while the almost mournful backing vocals provide an interesting counterpoint to the main vocal line.

The final stretch of the album brings another change of atmosphere. “Sorry” arrives as a guitar-and-vocal ballad, featuring completely clean vocals and an arrangement that combines acoustic and electric guitars. Nilsson’s raspy voice fits the more intimate setting perfectly, giving the song an emotional weight that contrasts with the energy dominating much of the record.

“Try (To Believe Me)” closes the album by returning to American hard rock and its characteristic groove, functioning almost as a summation of everything that came before. The guitar work stands out, while Nilsson’s vocals, reinforced by backing vocals at just the right moments, carry the song through to the finish.

The Greater Good presents a sharp Velveteen Queen fully aware of its influences. The album should certainly find an audience among fans of American hard rock and sleaze, particularly those who still regard Guns N’ Roses as one of the genre’s defining reference points. The difference is that the band does not simply reproduce established formulas: there is a clear effort to modernize the tones, production and arrangements while maintaining a balance between the classic and the contemporary.

The variety between the tracks also keeps the album from becoming repetitive, moving between heavier, more direct moments, acoustic passages and ballads. Søren Andersen’s precise, modern production plays a decisive role in maintaining that balance, keeping the sound powerful without stripping away the band’s more organic character.

Ultimately, The Greater Good has no intention of reinventing hard rock — and it doesn’t need to. Its strength lies in understanding exactly what makes the genre so irresistible and translating that formula for a new generation. Velveteen Queen knows where it came from, knows where it wants to go and, most importantly, sounds like it is having a hell of a good time along the way.

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