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sexta-feira, 5 de junho de 2026

Evergrey: Reafirma Sua Identidade (Also In English)

Napalm Records (Imp.)

Por Michelle F. Santana

Formado em 1995, o Evergrey construiu uma trajetória sólida dentro do metal progressivo ao unir técnica, peso e uma carga emocional rara no gênero. Liderada por Tom S. Englund, uma das vozes mais expressivas do metal progressivo contemporâneo, a banda sueca sempre encontrou sua força no equilíbrio entre melancolia, reflexão e agressividade, criando músicas grandiosas sem perder a sensibilidade que se tornou sua marca registrada.

Em Architects of the New Weave, o grupo retorna acompanhado do guitarrista Stephen Platt e com mixagem assinada por Adam "Nolly" Getgood, entregando um trabalho que reforça a identidade construída ao longo de décadas enquanto incorpora elementos modernos à sua sonoridade.

Architects of the New Weave, vai além de um conjunto de músicas, é um álbum sobre transformação. Ao longo das faixas, o Evergrey aborda temas como autoconhecimento, superação, identidade e a difícil tarefa de romper padrões que nos mantêm presos ao passado. A ideia dos "arquitetos de uma nova trama" funciona como uma metáfora para aqueles que escolhem reconstruir a própria história, transformando o caos em ordem e encontrando força nas próprias fragilidades. Esse conceito atravessa todo o disco e ajuda a explicar a intensidade emocional presente em cada composição.

O álbum abre com "Welcome to the Pattern", uma introdução narrada construída sobre as camadas atmosféricas dos teclados de Vikram Shankar. A frase "Where chaos meets order, we rise as architects" funciona como um convite para a jornada que se inicia, preparando o ouvinte para um disco carregado de emoção e dramaticidade.

A transição para "The Shadow Self" acontece de forma explosiva. Os riffs marcantes conduzem a faixa enquanto Tom Englund demonstra toda a força interpretativa que o tornou um dos vocalistas mais respeitados do metal moderno. O refrão, enriquecido por harmonias vocais e corais, amplia a sensação de grandiosidade e mostra com clareza o equilíbrio entre peso e melodia que define o álbum.

A faixa-título, "Architects of the New Weave", aprofunda a veia progressiva da banda sem abrir mão da acessibilidade. Energética e envolvente, possui um refrão daqueles feitos para serem cantados a plenos pulmões, sustentado por uma instrumentação robusta e dinâmica.

Lançada como single, "The World Is on Fire" reúne tudo aquilo que faz o Evergrey soar tão único atualmente. A música transita entre vulnerabilidade e agressividade, apoiada por guitarras densas e uma atmosfera moderna que reforça seu caráter dramático.

Em "Heaven", o vocal mais rasgado de Englund acrescenta ainda mais peso à composição. A faixa remete à fase mais clássica do metal progressivo dos anos 2000, mas sem soar presa ao passado, preservando a abordagem moderna adotada pela banda.

"The Script" surge com elementos eletrônicos e uma atmosfera cinematográfica construída com paciência, permitindo que a emoção conduza a música antes de sua explosão sonora. A faixa cresce de forma gradual, revelando novas camadas a cada passagem e mostrando mais uma vez a habilidade do Evergrey em equilibrar intensidade e sensibilidade. O resultado é uma das composições mais envolventes e atmosféricas do álbum.

"Leaving the Emptiness" injeta uma nova dose de energia na sequência do álbum. Com ritmo contagiante e refrão marcante, a música carrega uma mensagem inspiradora que dialoga diretamente com o título, transformando o vazio em movimento e propósito.

Após momentos tão intensos, "Longing" surge como um momento de respiro em meio à intensidade do álbum. A composição assume contornos de balada moderna, destacando a sensibilidade dos arranjos e, principalmente, o excelente solo de Stephen Platt, que amplia ainda mais a profundidade emocional da faixa.

"A Burning Flame" traz a participação especial de Mikael Stanne (Dark Tranquillity e The Halo Effect). O encontro entre os dois vocalistas funciona de maneira natural, criando um diálogo carregado de sentimento e enriquecendo ainda mais a atmosfera melódica da composição.

Já "OXYGEN!" figura entre os grandes destaques do álbum. Com guitarras pesadas, texturas modernas e uma produção ampla e cinematográfica, a faixa cresce gradualmente até alcançar um refrão gigantesco. A interpretação de Englund transita da vulnerabilidade à força com enorme naturalidade, resultando em um dos momentos mais impactantes do disco e com potencial para se tornar um dos pontos altos dos shows ao vivo.

Para quem busca a experiência completa, a versão Deluxe reserva um encerramento especial com "One Heart". A faixa adiciona influências de hard rock à fórmula da banda, enquanto o solo bem construído e a energia contagiante da composição complementam a identidade progressiva do grupo, encerrando a audição de forma consistente e memorável.

Com Architects of the New Weave, o Evergrey entrega um álbum visceral, melancólico e emocionalmente intenso. Pesado quando precisa ser delicado nos momentos certos e sempre carregado de personalidade, o disco mostra uma banda que continua evoluindo sem perder aquilo que a tornou especial. Entre passagens cinematográficas, refrões marcantes e letras que falam sobre transformação e superação, o grupo constrói uma experiência que vai além da música. É um álbum que prende a atenção do início ao fim e permanece ecoando muito depois da última nota.

***ENGLISH VERSION***

Evergrey Reaffirms Its Identity on Architects of the New Weave

Formed in 1995, Evergrey has built a solid legacy within progressive metal by combining technical skill, heaviness, and an emotional depth rarely found in the genre. Led by Tom S. Englund, one of the most expressive voices in modern progressive metal, the Swedish band has always found its strength in balancing melancholy, introspection, and aggression, crafting grandiose songs without sacrificing the sensitivity that has become its trademark.

With Architects of the New Weave, the band returns alongside guitarist Stephen Platt, while the mix is handled by Adam "Nolly" Getgood. The result is an album that reinforces the identity Evergrey has built over decades while embracing modern elements within its sound.

More than just a collection of songs, Architects of the New Weave is an album about transformation. Throughout its tracks, Evergrey explores themes of self-discovery, resilience, identity, and the difficult task of breaking free from patterns that keep us tied to the past. The idea of the "architects of a new weave" serves as a metaphor for those who choose to rebuild their own story, turning chaos into order and finding strength within their vulnerabilities. This concept runs throughout the entire album and helps explain the emotional intensity present in every composition.

The album opens with "Welcome to the Pattern", a narrated introduction built upon the atmospheric keyboard layers of Vikram Shankar. The line "Where chaos meets order, we rise as architects" acts as an invitation to the journey ahead, preparing the listener for an album filled with emotion and drama.

The transition into "The Shadow Self" is explosive. Striking riffs drive the song forward while Tom Englund showcases the interpretative power that has made him one of the most respected vocalists in modern metal. The chorus, enriched by vocal harmonies and choir-like arrangements, amplifies the sense of grandeur and clearly demonstrates the balance between heaviness and melody that defines the album.

The title track, "Architects of the New Weave", further embraces the band's progressive side without sacrificing accessibility. Energetic and engaging, it features a chorus seemingly designed to be sung at the top of one's lungs, supported by a dynamic and powerful instrumental performance.

Released as a single, "The World Is on Fire" brings together everything that makes Evergrey sound so distinctive today. The song moves seamlessly between vulnerability and aggression, supported by dense guitar work and a modern atmosphere that enhances its dramatic character.

On "Heaven", Englund's harsher vocal approach adds even more weight to the composition. The track recalls the classic progressive metal sound of the early 2000s without feeling trapped in the past, preserving the band's contemporary approach.

"The Script" emerges with electronic elements and a cinematic atmosphere built with patience, allowing emotion to guide the song before its eventual sonic explosion. The track unfolds gradually, revealing new layers with each passage and once again demonstrating Evergrey's ability to balance intensity and sensitivity. The result is one of the album's most immersive and atmospheric compositions.

"Leaving the Emptiness" injects a fresh burst of energy into the album. Driven by an infectious rhythm and a memorable chorus, the song carries an uplifting message that directly reflects its title, transforming emptiness into movement and purpose.

After so many intense moments, "Longing" arrives as a welcome moment of reflection. The song takes on the contours of a modern ballad, highlighting the sensitivity of its arrangements and, above all, Stephen Platt's excellent guitar solo, which further deepens the track's emotional impact.

"A Burning Flame" features a special guest appearance from Mikael Stanne (Dark Tranquillity and The Halo Effect). The meeting of the two vocalists feels completely natural, creating a dialogue filled with emotion while enriching the song's melodic atmosphere.

"OXYGEN!" stands among the album's highlights. Built upon heavy guitars, modern textures, and a vast cinematic production, the song gradually builds toward a massive chorus. Englund's performance moves effortlessly from vulnerability to strength, resulting in one of the album's most powerful moments and a track that seems destined to become a live favorite.

For those seeking the complete experience, the Deluxe Edition offers a special closing chapter with "One Heart". The song introduces notable hard rock influences into the band's formula, while its well-crafted solo and infectious energy complement Evergrey's progressive identity, bringing the listening experience to a memorable and satisfying conclusion.

With Architects of the New Weave, Evergrey delivers a visceral, melancholic, and emotionally intense album. Heavy when it needs to be, delicate when the moment calls for it, and always full of character, the record shows a band that continues to evolve without losing what made it special in the first place. Between cinematic passages, memorable choruses, and lyrics centered on transformation and perseverance, Evergrey crafts an experience that goes beyond music itself. It is an album that captures the listener's attention from beginning to end and continues to resonate long after the final note has faded.

Divulgação 



segunda-feira, 11 de maio de 2026

Cobertura de Show: Bangers Open Air – 25/04/2026 – Memorial da América Latina/SP

[ATUALIZADO]

O Brasil sempre teve uma forte tradição em grandes festivais de rock. Desde 1985, o Rock in Rio –ainda ativo – ajudou a impulsionar eventos como Hollywood Rock e Monsters of Rock. Esses festivais abriram caminho para outros, como Lollapalooza Brasil e Best of Blues and Rock, consolidando o país como um dos principais polos de eventos musicais da América Latina.

Apesar da relevância desses festivais e da presença constante de grandes atrações (ainda que nem todas agradem a todos os públicos), existia uma lacuna quanto a um festival totalmente dedicado ao heavy metal. Em sua quarta edição, o Bangers Open Air destacou-se novamente nos dias 25 e 26 de abril, oferecendo mais de 12 horas de música pesada, com bandas nacionais e internacionais distribuídas em quatro palcos bem estruturados, com excelente qualidade de som.

Novamente realizado no Memorial da América Latina, em São Paulo, o festival, como nas três edições anteriores, proporcionou não só espetáculos memoráveis, mas também o reencontro de amigos, a formação de novas amizades e a realização de negócios que fortalecem cada vez mais a cena e abrem novos capítulos para o futuro que nos aguarda. Um exemplo disso foi a presença de Thomas Jensen, criador do Wacken Open Air, maior festival de metal do planeta, e que esteve presente nos dois dias circulando a todo momento pelo recinto.

A estrutura e o aspecto visual foram mantidos, com leves ajustes que aprimoraram o que já era bom, além da presença do forte calor, que já se tornou garantida em todas as edições. 


ENTRE FILAS QUILOMÉTRICAS E SOMBRAS SETENTISTAS, LUCIFER HIPNOTIZA NO SUN STAGE

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

O primeiro dia, 25, apresentou variações entre os subgêneros. Diferente das outras vezes, em que eu sempre me dirigia aos palcos Hot ou Ice, desta vez a minha primeira parada foi o Sun Stage, que nesta edição inaugurou uma área VIP, onde o lado oculto da Alemanha me chamava. Só por essas palavras, já dá para saber que estamos falando do Lucifer, banda que vem obtendo uma ascensão muito forte nos últimos anos.

Nesta terceira passagem pelo país, a banda, que agora conta com nova formação, conseguiu dar uma leve esfriada no calor com seu som amedrontador, mas que também tem um lado mais intenso graças à influência do hard rock setentista. Johanna Sadonis, vocalista e líder da banda, mostrou-se mais comunicativa e empática do que na última vez – e, ao que parece, o divórcio com Nick Anderson, ex-baterista da banda, fez bem a ela.

Infelizmente, muitos não não conseguiram entrar no Memorial para vê-los, pois a fila para entrar era quilométrica, ocasionando atraso e diversas reclamações. Quem entrou, teve a sorte de curtir " Riding Reaper", " At The Mortuary " e " California Son", além de um cover de "Goin’ Blind", do Kiss, e da já clássica " Fallen Angel", do último álbum, que encerrou a apresentação, sem exageros, magistral.


EVERGREY LEVA RIFFS MATADORES E EMOÇÃO AO HOT STAGE

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

Rumo aos palcos principais, ainda deu tempo de pegar um pouco dos momentos finais do Korzus, que vive uma nova fase com a entrada dos guitarristas Jean Patton (ex-Project46) e Jessica Di Falchi (ex-Crypta) – esta última, inclusive, nem era nascida quando a banda foi fundada, em 1983. Vale também um parabéns à organização: pela primeira vez, uma banda brasileira abriu um dos palcos principais, e não poderia ser outra senão uma tão importante quanto o Korzus, que em breve lançará novo álbum, depois de doze anos.

Sem muita demora, foi a vez de conferir, no Hot, os suecos do Evergrey. A expectativa era grande para vê-los, já que, na primeira edição – ainda sob o nome de Summer Breeze Brasil –, a banda havia tocado apenas para o público que comprou o ingresso com acesso à área VIP, onde atualmente fica o palco Waves Stage. Dessa vez, o grupo pôde mostrar um pouco de suas ótimas composições para um público mais amplo.

Apesar de serem rotulados como prog metal, vejo que o quinteto fura a bolha e quebra protocolos do estilo, geralmente marcado pela alta complexidade. Não que o grupo de Gotemburgo não seja, pois quem é fã sabe bem que a banda experimenta de tudo um pouco, indo do death metal ao hard rock e até mesmo flertando um pouco com o pop.

A princípio, achei que o público não daria muita atenção, mas logo na abertura com Falling From the Sun – uma escolha perfeita para iniciar o show – essa impressão caiu por terra. O set ainda contou com as clássicas Call Out the Dark e King of Errors, que agradaram aos presentes e fizeram a felicidade dos fãs, já que ambas são consideradas verdadeiros hinos. O que se viu foi um grupo com sangue nos olhos, despejando riffs matadores e linhas vocais melódicas conduzidas pelo competente Tom S. Englund.


A ESTREIA TRIUNFAL DO FEUERSCHWANZ NO BRASIL

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

Ainda à tarde, o Ice trouxe uma estreia em terras brasileiras e uma grata surpresa, algo que já é de praxe em todas as edições do festival. Escalado inicialmente para tocar no Sun Stage, mas, devido ao cancelamento do Fear Factory às vésperas do evento, o Feuerschwanz – sim, é meio difícil de pronunciar o nome – mostrou, sem desmerecer as outras bandas, que realmente não era uma banda para o palco Sun.

Com visual viking e um som que mistura folk com power metal, os alemães não demoraram a conquistar o público, que se divertiu durante as doze músicas apresentadas. A maior parte do repertório veio dos trabalhos mais recentes, Knightclub e Fegefeuer, mas ainda houve espaço para um inusitado cover de Dragostea Din Tei, que aqui no Brasil ficou famosa na versão do Latino, e que ajudou a tornar o show ainda mais divertido.

Merecem destaque também os músicos, especialmente a violista Johanna von der Vögelweide, que não parava um segundo no palco; os vocalistas Hauptmann Feuerschwanz e Prinz R. Hodenherz, que demonstraram excelente entrosamento vocal; e as simpáticas Mieze Myu e Mieze Musch-Musch, que realizaram um ótimo trabalho de performance.

Fica a torcida para que eles voltem o mais breve possível, pois, pelo tempo em que estão na ativa – desde 2004 –, já mereciam uma vinda ao Brasil. A despedida foi ao som de “Gangnam Style”, do cantor coreano PSY, encerrando o show com uma dose de humor. 


ENTRE O PESO E A PRECISÃO, JINJER TRANSFORMA O CALOR DO BANGERS OPEN AIR 2026 EM INTENSIDADE PURA!

Texto: Michelle F. Santana

Fotos: Edu Lawless

O show do Jinjer carregava um peso especial e a banda fez jus à expectativa. Às 15h20 em ponto, em plena tarde, sob um sol de quase 30 °C incidindo diretamente sobre o palco, o grupo subiu a um dos palcos principais, Hot Stage do Bangers Open Air e entregou uma performance tão técnica quanto visceral. Formada em 2009, na Ucrânia, a banda se consolidou no metal moderno com uma sonoridade que mescla metalcore, groove e elementos progressivos. Parte da turnê do álbum “Duél” (2025), o setlist foi majoritariamente focado nas faixas mais recentes, mas soube equilibrar bem com clássicos que funcionam ao vivo como poucos: “Vortex”, “Disclosure”, “Teacher, Teacher!” e “I Speak Astronomy”.

A sintonia entre os integrantes é evidente, mas a presença de palco fica a cargo de Tatiana Shmayluk, que sustenta esse protagonismo com naturalidade. Vestida com um vestido rosa e corset vermelho, sua estética delicada e romântica,  contrasta diretamente com o peso do som e talvez seja justamente aí que mora parte do impacto. Alternando vocais limpos e guturais com impressionante controle, ela mantém interação constante com o público: dança, manda corações e conduz a plateia com segurança. Em um momento leve, brinca antes de “Pieces” ao dizer que se tratava de uma música inédita, arrancando risos e preparando o terreno para um coro potente de um público já completamente envolvido.

Enquanto isso, os demais integrantes seguem mais contidos, com visual simples, mas longe de passarem despercebidos, especialmente o baixista Eugene Kostyuk, que sustenta presença firme em cada linha. Ao final, ainda há espaço para um gesto direto e humano de Tatiana: “thank you for being so strong in the sun” (“obrigada por serem fortes sob o sol”). E foi exatamente isso que o show exigiu: resistência em meio ao calor intenso, entrega e conexão.

Em cerca de uma hora, a apresentação passou rápido e deixou um gostinho claro de quero mais. Mais do que técnica, o Jinjer entregou uma experiência que permanece daquelas que ficam no corpo e na memória.


KILLSWITCH ENGAGE TRANSFORMA O BANGERS OPEN AIR EM CAMPO DE GUERRA!

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

Assim como o Jinjer, que não poupou brutalidade no palco Ice, o Killswitch Engage seguiu na mesma linha e, mais uma vez, não decepcionou, entregando um show ainda melhor do que o da segunda edição de 2024. Um grande número de fãs prestigiou um repertório matador, que incluiu pedradas como Fixation on the Darkness, In Due Time, The End of Heartache e My Curse – esta última, o maior hit da banda e um dos hinos do metalcore.

Também impressiona a adrenalina dos músicos. O guitarrista Adam Dutkiewicz surgiu como se estivesse pronto para uma maratona: o visual – camiseta regata, bermuda dry-fit, faixa rosa na cabeça e a bandeira do Brasil como capa –  explicava bem isso. Já Jesse Leach é aquele vocalista com “sangue nos olhos”, que canta como se estivesse encarando cada pessoa da plateia. Essa atitude, que também demonstra carinho, ficou evidente em My Last Serenade, quando ele desceu do palco para sentir de perto a vibração de quem estava na grade do lounge, antes de encerrar com o cover de Holy Diver, do Dio.

PESO, REPRESENTATIVIDADE E CONEXÃO: CRYPTA REAFIRMA SUA FORÇA

Texto: Michelle F. Santana

Fotos: Marcos Hermes

No Sun Stage do Bangers Open Air, às 17h20 em ponto, a Crypta entregou um show que reforça porque é uma das bandas mais respeitadas do death metal nacional e cada vez mais reconhecida fora do Brasil. Com uma atmosfera densa, mas ao mesmo tempo acolhedora, o público chamou atenção pela diversidade: crianças, idosos, mulheres e homens dividindo espaço em um ambiente de respeito e troca genuína. Mesmo com bandas maiores tocando simultaneamente, como Black Label Society no palco principal, a Crypta reuniu uma audiência expressiva e engajada. O setlist focou no álbum Shades of Sorrow (2023), mas também abriu espaço para momentos marcantes com faixas como “Death Arcana” e “Under the Black Wings”, do Echoes of the SouL (2021), garantindo conexão imediata com os fãs.

No palco, Fernanda Lira conduz tudo com segurança e presença. Seu vocal se mantém impecável ao vivo, enquanto o baixo é executado com naturalidade e peso, acompanhado de expressões faciais performática, as famosas caretas que já se tornaram sua marca registrada. A banda, agora com a guitarrista solo Victoria Villareal, mostra coesão e entrega. 

O mosh refletia exatamente o espírito da plateia: intenso, mas respeitoso, com pessoas se ajudando e participando juntas, independentemente de idade ou gênero. Caminhando para o final da apresentação, Fernanda perguntou ao público se ainda dava tempo para uma “mais uma rápida”. A resposta veio imediata, em coro, e assim a banda iniciou um de seus grandes sucessos, “Starvation”, do álbum Echoes of the Soul (2021), levando a plateia a um dos momentos mais intensos do show. Ao final, Fernanda agradeceu diversas vezes ao público, destacando a importância de fortalecer o metal nacional e reconhecendo quem escolheu estar ali. Mais do que um bom show, a Crypta reafirma seu papel em uma cena ainda marcada por barreiras  e preconceitos, provando, na prática, que qualidade e representatividade feminina caminham lado a lado.


ZAKK WYLDE TRANSFORMA O FESTIVAL EM TERRITÓRIO DO BLACK LABEL SOCIETY

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

Quem ficou entre os palcos Hot e Ice presenciou shows de tirar o fôlego – era preciso preparo físico para aguentar as pauladas que vieram pela frente. Encerrando a dobradinha americana iniciada pelo Killswitch Engage, o Black Label Society reuniu não só fãs de Zakk Wylde, líder da banda, mas também artistas que tocaram naquele dia e no seguinte, como integrantes do Lucifer, Rafael Bittencourt (Angra), Jimmy London (Matanza Ritual) e Paulo Xisto Jr. (Sepultura), em uma das apresentações mais aguardadas do dia. Já era hora de a banda tocar para um público mais amplo no Brasil, já que a única vez que isso aconteceu foi em sua primeira visita ao país, em 2008, ao lado de Korn e do saudoso Ozzy Osbourne, no então Palestra Itália (hoje Allianz Parque).

Quando se fala em Black Label Society, é inevitável pensar em Zakk Wylde. Sua presença, como esperado, foi reverenciada – assim como cada riff e solo que saía de sua guitarra estilizada, para o delírio de muitos que estavam vestidos coletes com o tradicional crânio do logo da banda.

Infelizmente, não foi possível contemplar grandes momentos de todos os álbuns da discografia. Ficou a expectativa – minha e dos fãs – de que a abertura fosse com New Religion, do ótimo Shot to Hell (2006). Ainda assim, Funeral Bell, do The Blessed Hellride (2003), abriu os trabalhos. Name in Blood, Destroy & Conquer, A Love Unreal e Heart of Darkness destacaram os lançamentos mais recentes da banda – bons trabalhos, embora muitos sentissem falta de algo do 1919 Eternal (2002), considerado um de seus melhores disco.

Por ter sido guitarrista de Ozzy Osbourne, Zakk prestou sua primeira homenagem ao Madman com uma versão mais estendida e repleta de fritação de No More Tears. O clima seguiu emocionante com a clássica In This River, executada ao piano – uma declaração de amor ao seu melhor amigo, Dimebag Darrell (ex-Pantera), que também passou a homenagear seu irmão, Vinnie Paul, após sua morte em 2018. Nada mais justo do que exibir a imagem dos dois no telão durante a música.

The Blessed Hellride apareceu em uma versão mais pesada do que a de estúdio, que tem uma pegada mais limpa. Set You Free, do ótimo Doom Crew Inc. (2021), levantou o público e preparou o terreno para a dobradinha do álbum Mafia (2004), favorito dos fãs, com Fire It Up e Suicide Messiah.

Já na reta final, o telão exibiu a imagem do eterno Ozzy Osbourne, falecido em julho do ano passado. Só isso já indicava que a próxima seria “Ozzy’s Song”, presente no recém-lançado Engines of Demolition (2026). Muitos ainda não a conheciam, o que resultou em reações emocionadas. O encerramento veio com a clássica Stillborn, consolidando o Black Label Society como um dos grandes destaques do dia.


ENTRE MARES, MITOS E EMOÇÃO: SEVEN SPIRES CRIA UM REFÚGIO INTIMISTA

Texto: Michelle F. Santana

Fotos: Edu Lawless

Às 18h40 do primeiro dia de Bangers Open Air, o Seven Spires subiu ao palco Waves e transformou o espaço em algo raro dentro de um festival: um ambiente íntimo, quase teatral, onde cada nota parecia contar uma história. Formada em 2013, em Boston, a banda construiu sua identidade misturando metal sinfônico, power metal e elementos do metal extremo, criando narrativas densas e cinematográficas . A abertura com “Songs Upon Wine-Stained Tongues” já mergulhou o público nesse universo, evocando paisagens que lembram aventuras marítimas e fantasias épicas,  uma trilha sonora que facilmente dialoga com o imaginário de quem cresceu assistindo histórias como Piratas do Caribe. Desde os primeiros minutos, os fãs estavam completamente imersos, acompanhando cada passagem com entusiasmo e emoção visível.

No centro de tudo, Adrienne Cowan se impôs como uma força magnética, dona de uma versatilidade impressionante, ela transitou entre voz limpa, lírico e gutural com precisão e sentimento, reforçando porque é considerada uma das vozes mais promissoras do metal atual. Atualmente, Adrienne também realiza um trabalho elogiado ao lado de Tobias Sammet no Avantasia e de Roy Khan, ex-Kamelot, algo que reforça ainda mais a dimensão do seu talento e presença dentro do metal atual. Já o guitarrista Jack Kosto surge como um verdadeiro espetáculo à parte, entregando solos marcantes e técnica impressionante, elevando ainda mais a intensidade da apresentação.


Adrienne tem uma performance que carrega elementos do teatro musical, criando a sensação de uma personagem mítica, quase uma "sereia", conduzindo o público por essa jornada. A conexão era imediata: entre interações carinhosas e constantes elogios à plateia (“You’re amazing!”), Adrienne demonstrava uma entrega genuína que se refletia no público, visivelmente emocionado. O baixista Peter de Reyna também reforçou essa proximidade, lembrando que a presença da banda ali era resultado direto do apoio dos fãs brasileiros.

Com um repertório que passeou por diferentes fases da carreira, incluindo faixas de Solveig (2017), Emerald Seas (2020), Gods of Debauchery (2021) e A Fortress Called Home (2024). O show equilibrou técnica, narrativa e emoção. Músicas como “Almosttown”, “Every Crest”, “Succumb” e “Love’s Souvenir”. Antes de cantar “Architect of Creation” Adrienne diz que a próxima canção seria aquela do clipe em que ela é crucificada em meio a uma nevasca, uma das músicas mais pesadas do último álbum, deixando o público ainda mais entusiasmado.

A banda reforça a sua força criativa, marcada por composições longas, ricas e carregadas de significado. Mais do que uma apresentação, o Seven Spires entregou uma experiência sensorial e emocional, daquelas que não dependem do tamanho do palco para serem grandiosas. Ao final, ficou a sensação de ter testemunhado algo especial: um show encantador, intenso e profundamente envolvente, que conquistou até quem ainda não conhecia a banda. Pelo que apresentaram no palco e pela resposta do público, o Seven Spires aponta para um futuro extremamente promissor, daqueles que inevitavelmente levam a banda a ocupar palcos maiores e posições de destaque em grandes festivais, porque potencial, definitivamente, não falta. Como bons contadores de histórias ou "piratas", eles não apenas passaram pelo festival: roubaram corações e deixaram um inevitável gosto de quero mais.


O ICE EM "IN FLAMES"

Texto: Erick Azevedo 

Fotos: Edu Lawless 

No último sábado, 25/04, São Paulo viveu uma noite de pura intensidade com o show do In Flames. Vindos diretamente da Suécia, os pioneiros do melodic death metal, seguem como um dos nomes mais respeitados do gênero e deixaram claro que sua conexão com o público brasileiro continua mais forte do que nunca.


Com pontualidade, a apresentação começou às 19:15 com “Pinball Map”, abrindo o show de forma intensa e imediatamente levando o público ao delírio. A partir daí, o Ice Stage do Bangers Open Air 2026, colocando o festival literalmente "In Flames": moshs intensos tomaram conta da pista, sinalizadores acesos coloriram o ambiente e milhares de vozes em coro criaram uma atmosfera envolvente do início ao fim.


A presença de palco de Anders Fridén foi incrível, carismático e totalmente conectado com o público, o vocalista conduziu o show com maestria, alternando momentos de intensidade com interações cheias de energia. A qualidade do som e o peso das músicas contribuíram para uma experiência incrível, que conquistam até quem ainda não é fã.


O momento mais triste foi o anúncio do fim, mas valeu a pena cada minuto. Em uma hora de show, a banda sueca trouxe nostalgia e atualidade, com um setlist mesclando sucessos arrepiantes. (Menção honrosa para "Only For The Weak", "Cloud Connected", "Deliver Us", "I Am Above", "In The Dark" e "Take This Life"). Nessas, o público representou muito com um coro impressionante. 


A entrega superou todas as expectativas: muita energia, qualidade audiovisual impecável e um final triunfal. Deixaram aquele "gostinho de quero mais". Foi um show simplesmente incrível, mas não poderíamos esperar menos vindo do In Flames.

A VOZ DO POVO CONSAGRA O ARCH ENEMY COMO HEADLINER PERFEITO!

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

Sabe aquele clichê “a voz do povo é a voz de Deus” Isso cai perfeitamente para o headliner de sábado.

Quando foi anunciada a quarta edição do festival, no final do ano passado, o nome confirmado era o Twisted Sister, que retornaria aos palcos após nove anos. Muita gente – inclusive este que vos escreve – comprou ingresso só para ver Dee Snider, Jay Jay French e Eddie Ojeda. Porém, devido a problemas de saúde de Dee, esse sonho foi por água abaixo.

A solução? Apostar na banda mais pedida pelo público: Arch Enemy. E a escolha não poderia ter sido melhor.

Uma das maiores bandas de melodic death metal entregou um show devastador no fim do dia, com excelente produção de palco, pirotecnia e uma performance extremamente afiada – uma verdadeira locomotiva. Michael Amott e Joey Concepcion dispararam riffs e solos matadores, enquanto Sharlee D'Angelo e Daniel Erlandsson seguraram uma base pesada e precisa.

Mas o centro das atenções foi mesmo Lauren Hart, que em poucos meses já mostra ser uma escolha certeira para dar continuidade ao legado da banda. Isso ficou evidente em músicas como “Yesterday Is Dead and Gone”, “The World Is Yours” e “Ravenous”, que já incendiaram o público com rodas e sinalizadores – algo que não se via desde o show do Anthrax na segunda edição.

O repertório foi um verdadeiro passeio pela carreira dos suecos, com destaque para a fase de Alissa White-Gluz em faixas como “War Eternal”, “Dream Stealer”, “Blood Dynasty” e “The Eagle Flies Alone”, sem deixar de olhar para o presente e o futuro com “To the Last Breath”, música que recentemente gerou polêmica por suposta semelhança com “Falling Dreams”, de Kiko Loureiro.

Uma surpresa foi a inclusão de “No Gods, No Masters”, do álbum Khaos Legions (2011), último com Angela Gossow nos vocais. Clássicos como “I Am Legend/Out for Blood”, “Dead Bury Their Dead” e “Nemesis” reforçaram a força dessa fase, mostrando como essas músicas também funcionam muito bem com a voz de Lauren. O encerramento com “Fields of Desolation” foi uma escolha certeira, resgatando os primórdios da banda na era de Johan Liiva.

O carinho do público brasileiro foi algo fora do normal, e a banda retribuiu com a mensagem “tamo junto, Brasil” no telão, em verde e amarelo. Um show para ficar na história e fazer valer todo o esforço.

O primeiro dia terminou exatamente como eu imaginava: grande presença de público, ingressos praticamente esgotados e atrações dos mais variados estilos dentro da música pesada, contemplando fãs de thrash, prog e sonoridades mais modernas. Infelizmente, não foi possível assistir a tudo ,algo praticamente impossível diante da magnitude do festival, mas essa diversidade é extremamente válida, pois mostra que o evento consegue atender aos mais diferentes gostos sem qualquer tipo de desrespeito entre públicos e estilos. No geral, todos saíram satisfeitos com esse início e com energia de sobra para o dia seguinte, que prometia ainda mais emoção.


Realização: Bangers Open Air

Press: Agência Taga


Lucifer – setlist:

Anubis

Crucifix (I Burn for You)

Riding Reaper

Lucifer

Wild Hearses

At the Mortuary

Slow Dance in a Crypt

The Dead Don't Speak

California Son

Bring Me His Head

Goin' Blind (KISS cover)

Fallen Angel


Evergrey – setlist:

Falling From the Sun

Where August Mourn

Weightless

The World Is on Fire

Eternal Nocturnal

Call Out the Dark

King of Errors

Architects of the New Weave

Leaving the Emptiness

OXYGEN!


Feuerschwanz – setlist:

Drunken Dragon

Memento Mori

Untot im Drachenboot

Knightclub

Bastard von Asgard

Name der Rose

Ultima Nocte

Testament

Berzerkermode

Dragostea din tei (O‐Zone cover) 

Valhalla

Das Elfte Gebot


Killswitch Engage – setlist:

Fixation on the Darkness

In Due Time

The End of Heartache

Aftermath

Rose of Sharyn

This Is Absolution

Broken Glass

Hate by Design

Forever Aligned

The Signal Fire

I Believe

The Arms of Sorrow

Strength of the Mind

This Fire

My Curse

My Last Serenade

Holy Diver (Dio Cover)


Crÿpta – setlist:

Death Arcana

Lullaby for the Forsaken

Poisonous Apathy

The Outsider

I Resign

Stronghold

Under the Black Wings

Dark Clouds

The Other Side of Anger

Trial of Traitors

Dark Night of the Soul

Starvation

Lord of Ruins

From the Ashes


Black Label Society – setlist:

Funeral Bell

Name in Blood

Destroy & Conquer

A Love Unreal

Heart of Darkness

No More Tears (Ozzy Osbourne cover)

In This River

The Blessed Hellride

Set You Free

Fire It Up

Suicide Messiah

Ozzy’s Song

Stillborn


Seven Spires – setlist:

Songs Upon Wine-Stained Tongues

Almosttown

No Words Exchanged

Oceans of Time

Unmapped Darkness

Succumb

Shadow on an Endless Sea

Portrait of Us

Architect of Creation

Love's Souvenir


Arch Enemy– setlist:

Yesterday Is Dead and Gone

The World Is Yours

Ravenous

War Eternal

Dream Stealer

To the Last Breath

Blood Dynasty

My Apocalypse

Bury Me an Angel

The Eagle Flies Alone

No Gods, No Masters

I Am Legend/Out for Blood

Dead Bury Their Dead

Snow Bound

Nemesis

Fields of Desolation

sábado, 25 de abril de 2026

Cobertura de Show: Evergrey – 22/04/2026 – Manifesto/SP

No dia 22 de abril de 2026, os Suecos do Evergrey voltaram ao Brasil para dois shows, um no Manifesto (que é o que falaremos hoje) e outro no Bangers Open Air. 

O sideshow que rolou dia 22 veio acompanhado da banda Silver Dust, da Suíça, em sua primeiríssima passagem no Brasil. Então, falemos da banda de abertura de uma vez, pra que esse texto não fique do tamanho de uma bíblia. 

O Silver dust entrou no palco com sua costumeira teatralidade, que acompanha esteticamente o som da banda. Os primeiros acordes de Fire! abriram a noite de forma bem interessante. Nos primeiros momentos, já tenho que lançar um elogio a banda: o som estava CRISTALINO. Não sei se a banda trouxe o próprio soundtech ou era o da casa, mas seja quem for, um ótimo trabalho. 

Confesso a vocês que o Silver Dust não faz um tipo de som que apela muito pro meu gosto, mas não há como negar que o som dos caras tem uma energia. Mr. Killjoy, o baterista da banda, foi a grande estrela da noite. O jovem rapaz estava exalando energia e sua performance foi muito satisfatória.

I am Flying e Dying Dance seguiram o espetáculo sem deixar a energia baixar. Era evidente que a banda estava curtindo a apresentação em solo brasileiro. O vocalista, Lord Campbell, com sua cartola a la Dr. Jekyll (da forma mais excêntrica possível) cantava algo entre uns vocais meio góticos, uns drives e também arriscava uns fry screams meio Death Metal assim. 

Depois de Dying Dance veio um solo de guitarra terrível do vocalista que poderia ter se mantido só nos microfones mesmo. Momento encheção de linguiça, mas né.... Espetáculos. 

Seguimos com Salve Regina e Lucifer’s Maze logo em sequência. Aqui faço um adendo: apesar de não ser chegado no som da banda, os riffs em afinação baixa e super groovados funcionam bem ao vivo. Me peguei em vários momentos acompanhando os pseudo-breakdowns que era alguma coisa entre riffs New Metal meio Korn das ideia, bebendo bem na fonte dessas bandas, mas com um twist moderno. Realmente bem divertido. 

Após isso, o “Mr. Killjoy” lançou um solo de bateria em cima de uma backing track pré-gravada, que seria bem mais legal se tivesse sido tocado pela banda mesmo. Mas novamente, tenho que elogiar a qualidade do som da casa no dia. 

Aproximando-se no final do show, tivemos No Matter How Far Away e Symphony of Chaos. Na última, o vocal fez a plateia toda agachar-se e pular quando a música voltou. O pessoal em peso atendeu a demanda do nosso cartoleiro vampírico, que se jogou no meio do público neste momento. 

Com o fim do show, a energia da galera estava lá em cima. Foi um show muito legal, confesso que esperava bem menos e fico muito feliz de ter sido surpreendido positivamente!

Em sequência, após uma breve pausa, o Evergrey subiu aos palcos para seu retorno as Terras Brasileiras, depois de sua passagem pelo país em 2024. Agora, posso me gabar que eu já havia visto o Evergrey SEIS vezes, sendo a noite do dia 22 minha sétima presença nos shows deles. 

A banda passou por uma mudança substancial de formação, onde membros de longa data, Henrik Danhage e Jonas Ekdahl, foram substituídos por Stephen Platt e Simen Sandnes respectivamente, sendo a estreia deles no Brasil. 

Confesso que meu ceticismo com a nova formação vem de um lugar de fã antigo e nostálgico, mas tenho que admitir que a banda parece revitalizada com a presença dos novos membros. 

O show começa com Falling The Sun, sendo esta uma das melhorzinhas do sem graça Theories of Emptiness. A sensacional Where August Mourns veio em sequência, com destaques para a bela voz de Tom Englund nesse dia. Algumas das apresentações que vi do Evergrey, ele não estava tão afiado como nessa noite. 

Weightless em sequência colocou a casa para baixo. O Riff inicial com um groove moderno fez jus na entrega da faixa do espetacular The Atlantic, que é, facilmente, meu álbum favorito da banda desde o Torn de 2008. 

Say veio em sequência. É uma música morna, mas não é de todo o ruim. Aqui, aparentemente o som começou a apresentar problemas. O sistema de PA tinha alguns cortes breves, mas bem notáveis, onde o som sumia por um ou 2 segundos. O problema não cessou até o fim do show, mas não comprometeu a experiência de forma geral. 

Depois, a banda debutou a canção The World Is On Fire do vindouro Architects of a New Weave, que ainda não foi lançado. Eternal Noctural veio em seguida. Uma música bem emocional que foi muito bem recebida pelo público. O Evergrey é uma banda muito curiosa nesse sentido. A primeira vez que eu os vi ao vivo foi em 2008 na turnê do Torn. Casa vazia, ninguém conhecia os caras. É super legal ver que a banda teve um crescimento constante e substancial desde então. A casa, neste dia, estava relativamente cheia e a plateia conhecia boa parte do repertório.

Call out the Dark e King of Errors vieram, com destaque a última que, a este ponto, é um clássico da banda. Temo dizer que uma música com peso na carreira dos caras similar às A Touch of Blessing da vida. Refrão cantado em uníssono e muito bem recebida.

Cabe destacar agora a performance do guitarrista Stephen Platt, que ficou a cargo de substituir o insubstituível Henrik Danhage. O legal foi que, aparentemente, Stephen não executou os solos de Henrik exatamente como foram gravados, mas manteve os temas e melodias mais memoráveis, mantendo a característica dos solos, mas aplicando sua própria roupagem.

Não tenho elogios o suficiente para falar de A Silent Arc. Queria muito que o Evergrey tivesse mantido mais a linha do The Atlantic nos álbuns posteriores. A música é uma bomba absoluta ao vivo. Que bela canção, meus amigos. O destaque nessa faixa for para Simen Sandnes. O jeito mais “moderno” (dessa escola meio prog/djent) de Simens caiu como uma luva para A Silent Arc. 

Aqui foi o momento que eu me emocionei fortíssimo no show. Como já mencionei, sou fã de Evergrey de longa data. Mais precisamente, desde o ano de 2002, onde meu pai me trouxe o In Search of Truth depois de uma visita à Hellion lá na galeria. Ouvir Words Mean Nothing, ironicamente, significou muito para mim (trocadilho pretendido). A versão dessa música no piano e ter a oportunidade de ver as coisas mais antigas da banda que, infelizmente, parece que eles esqueceram que têm uma discografia antes de Hymns for the Broken, foi belíssima. Não obstante, para a felicidade de muitos (eu incluso), eles lançaram I’m Sorry em sequência. Também uma versão somente voz e piano. Sensacional, só posso dizer isso. 

Por incrível que pareça, o ponto mais baixo ficou para o final do show. A sem graça Misfortune foi seguida pela igualmente sem graça Architects of a New Weave, que debutou ao vivo. 

O clássico absoluto da banda veio no Encore com A Touch of Blessing. Mas olha, tenho uma crítica às últimas 3 ou 4 vezes que ouvi essa música ao vivo. Parece que eles fazem uma versão mais felizinha e rapidinha. Mata total a atmosfera da música, francamente. Leaving the Emptiness fez sua estreia absoluta para o mundo. Honestamente, queria que eles tivessem tocado qualquer outra música. Eu acho que, de verdade, é a pior música que eu já ouvi vinda do Evergrey, e olha que eu posso dizer que não sou, nem de perto, fã dos últimos dois lançamentos da banda. 

OXYGEN! Encerrou a noite deixando aquele gostinho um pouco amargo na boca, considerando que a banda tem tantos discos fantásticos pré-Hymns for the Broken que dá uma tristeza considerar quão poucas músicas eles inserem hoje em dia nos show.

Óbvio que toda banda quer tocar e divulgar seu novo álbum ao vivo, mas um aceno um pouco mais substancial a fãs antigos como eu seria muito bem vindo. No geral, o Evergrey é uma ótima banda ao vivo e entregou um show super legal, com ótimos momentos, sem dúvidas. Quem sabe numa próxima, possamos ouvir Mark of the Triangle ou Blackened Dawn. Mas até lá, somente a esperança. 


Texto: Rosano Matiussi


Edição/Revisão: Gabriel Arruda 





Silver Dust – setlist:

Fire!

I Am Flying

Devil's Dance

Salve Regina

Lucifer's Maze

No Matter How Far Away

Symphony of Chaos


Evergrey – setlist:

Falling From the Sun

Where August Mourn

Weightless

Say

The World Is on Fire

Eternal Nocturnal

Call Out the Dark

King of Errors

A Silent Arc

Words Mean Nothing

I'm Sorry (Dilba cover) 

Misfortune

Architects of the New Weave

Bis

A Touch of Blessing

Leaving the Emptiness

OXYGEN!