quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Cobertura de Show: Dark Dimensions Fest II – 08/02/2026 – Burning House/SP

Uma noite pra não esquecer 2026! Essa foi a sensação quando acabou o evento que trouxe a tríplice do metal violento, que ainda não havia se encontrado no mesmo palco: Forbidden, Vio-Lence e Venom Inc. Essa combinação são situações de eventos que nunca imaginaríamos acontecer e assistir, vindo de encontro muito propício para o Brasil. O impacto de presenciar de perto e vivenciar essas bandas tocando fielmente aos discos que as consagraram no passado é uma experiência que talvez não possa acontecer mais nos próximos anos, onde as bandas sentem isso também quando estão no palco pra tocar diante do público brasileiro. Estamos diante de momentos únicos dentro da cena, testemunhando esses acontecimentos, como se viu por aqui entre 2000 e 2010.

A abertura ficou por conta do quinteto mineiro New Democracy, formado da cidade de Varginha/MG em 2012, que trazia Rafael Lourenço (guitarra e vocal), Fabrício Fernandes (guitarra), Marcus Vinícius (baixo), Vinícius “Banzai” (teclados) e Iago “Barstuk” (bateria). Com o público chegando ao local e alguns ajustes no som, conseguiram mandar um death metal melódico, transitando entre bases cadenciadas com bastante groove, alternando a velocidade dos sons, tudo com muito bom entrosamento e dando espaço para convidados em duas músicas: Iara Vilaça e Fábio Seterval, que deu uma chamada na galera: “vamo aeee, vocês estão morreeendo?”. Destaque para Zumbi, Born to Suffer, Unexpected e Creation, no qual fizeram uma apresentação muito honesta na noite.

Na sequência, Venom Inc. mostrou novamente porque não deve nada para a formação original e está entre uma das melhores bandas de metal do século passado, que continuam um legado primitivo de fazer metal insano, com pegada, entusiasmo, energia, carisma, identidade e fidelidade às raízes do passado. Cobri o Kool Metal Fest em 2024, abrindo para o Possessed, e Tony ‘Demolition Man’ está mais revigorado; aos 62 anos de idade, o cara se impõe ao vivo como o saudoso Lemmy se colocava, honra o legado da banda com identidade própria e dá aula de como fazer um verdadeiro show de metal pesado, na postura de palco, sustentando um baixo pesado bem tocado, vocais furiosos, agressivo na sua presença visual e total no controle do público.

O som estava redondo, o desempenho do guitarrista Curran Murphy (com passagens pelo Nevermore e Annihilator) subiu o patamar da qualidade e ficou muito à vontade pra executar os riffs e solos, com total apoio do baterista Marc Jackson, que assumiu as baquetas ano passado e simplesmente massacrou tudo. As músicas transitaram do disco “Avé”, de 2017, e There’s Only Black, de 2022, como “Ave Satanas”, “There’s Only Black”, “Inferno”, e as clássicas “Parasite”, “Black Metal” e “Countess Bathory”. A banda agitou, curtiu, se divertiu muito mais que a última apresentação deles há dois anos... incrível!

Em seguida, e pela segunda vez aqui na Road to Metal, o Vio-Lence volta a São Paulo e não decepciona. A entrada de Sean Killian e seu vocal incrivelmente igual a 40 anos atrás, sendo único membro da formação original, trouxe consigo uma roupa laranja de prisioneiro, quando é ovacionado pelo público logo na intro de Eternal Nightmare. Seguindo com Serial Killer, dá-se então o início a um desfiladeiro de riffs, com circle pits, moshes, stage dives, tudo maravilhoso de se ver num show de thrash!

Mesmo tendo um começo caótico, de uma microfonia desgraçada vindo da mesa e som mecânico tocando junto com a banda, todos no palco se mantiveram firmes e seguiram o repertório, que passou praticamente quase todo Eternal Nightmare (1987) e alguns sons do incrível Oppressing the Masses (1990), como “I Profit” e “Officer Nice”. Entre a terceira e quarta música é que as coisas se ajeitaram na mesa de som, e a banda se impôs por completo no show; foi um regaço até a última nota, sem descanso.

Toda banda entusiasmada por estar ali, e Sean mantendo a violência ininterrupta no microfone enrolado no braço. Destaques para a formação que contava com o baterista Nick Souza, filho de Steve “Zetro” Souza (ex-Exodus), Claudeous Creamer, guitarrista do Possessed, além de Jeff Salgado no baixo e Ira Black (ex-Heathen) destruindo na guitarra; todos entregaram tudo no palco, público cantando todas as músicas, o som muito fiel ao andamento dos discos da carreira; emocionante revê-los com essa qualidade.

Pra fechar, o Forbidden subiu ao palco e não precisaram regular nada, estava tudo perfeito — o perrengue que o Vio-Lence passou no começo do show não apareceu nenhuma fagulha com os caras! Era a oportunidade pra quem não assistiu ou viu a estreia da banda no Brasil, no Summer Breeze — atual Bangers Open Air — de 2024, presenciar de muito perto o som de extrema competência de todos os integrantes. Foi aula de thrash metal, sem sombra de dúvidas!

Impressionante a execução das músicas dos dois primeiros discos (basicamente foi o Forbidden Evil (1988) e Twisted Into Form (1990) que deram a modulação do repertório), por sua vez, não havia uma nota fora, nenhuma trave no instrumental; uma das qualidades técnicas mais incríveis de se assistir. O público agitou todas as músicas, não teve um som ruim, mas fica o destaque para “Infinite”, “Out of Body (Out of Mind)”, “March Into Fire”, “Twisted Into Form”, “Forbidden Evil”, “Step by Step”, “R.I.P.”, tocada pela primeira vez, mais de 7 minutos de thrash que passou voando o tempo, “Through Eyes of Glass”, um regaço ouvir isso ao vivo, “Divided By Zero” (single lançado de 2025) e “Chalice of Blood” pra acabar com tudo.

O vocalista Norman Skinner estava muito à vontade, dilacerando agressividade, passando por partes de melodia onde mostrou uma segurança absurda na banda, sem contar a comunicação e carisma no qual o público sentiu-se mais próximo ainda da banda. É o cara certo pra fazer o Forbidden seguir em frente ao vivo e gravando discos.

No baixo, veterano da formação original Matt Camacho fez a cozinha na medida certa, sem passar ou diminuir nada, peso perfeito para o baterista Chris Kontos, um monstro tocando de luvas e uma pegada fantástica pra executar um thrash metal com tantas variações, mudanças de tempo e andamentos. O estreante na guitarra Jeremy Von Epp teve sua entrada ano passado, mas parece que está na banda há muito tempo, totalmente entrosado, tocou perfeitamente todos os sons.

E, por fim, o criador de clássicos que nenhuma banda conseguiu repetir, Craig Locicero, responsável por tudo que aconteceu no Forbidden até os dias atuais com esta formação. Os discos de estúdio ultrapassam técnica, mas, ao vivo, tem mecanismos na mão desse cara que soa quase uma metodologia particular de tocar, que não havia presenciado até então.

No ano do anúncio da aposentadoria do Dave Mustaine, Locicero não deixa morrer um legado da história de guitarristas que estão parando, que se foram, podem surgir, e ele sendo influência para milhares continuarem. Mostrou, junto com a banda, que é possível hipnotizar alguém que assiste a uma clássica, com guitarristas tocando thrash metal vivo, totalmente em alta performance.

Demorei alguns dias pra entender o que aconteceu quando acabou o show e o que eu estava presenciando nesse dia. O Forbidden é algo que não pode parar, assim como a ousadia e coragem das bandas dessa noite manterem esse espírito vivo. Tem coisas que o Metal não consegue explicar, e precisamos cada vez mais disso mesmo: de coragem e determinação de organizadores assim pra colocar no mesmo dia uma avalanche sonora dessas, que é pra ficar na memória e causar isso nas pessoas... de uma noite pra não esquecer 2026!


Texto: Roberto "Bertz" Vagner


Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Dark Dimensions 

Press: JZ Press 


New Democracy – setlist:

Zumbi 

Born To Suffer

Not & Ever

Unexpected 

Modernization 

Creation

101


Venom Inc. – setlist:

War

Parasite

Bloodlust

Ave Satanas

There's Only Black

In Nomine Satanas

Cursed

Inferno

Live Like an Angel (Die Like a Devil)

Metal We Bleed

In League With Satan

Black Metal

Countess Bathory


Vio-Lence – setlist:

Eternal Nightmare

Serial Killer

I Profit

Officer Nice

Phobophobia

Kill on Command

Calling in the Coroner

Bodies on Bodies

Upon Their Cross

World in a World


Forbidden – setlist:

Infinite

Out of Body (Out of Mind)

March into Fire

Twisted into Form

Forbidden Evil

Divided by Zero

Step by Step

R.I.P.

Through Eyes of Glass

Chalice of Blood

Nenhum comentário: