domingo, 17 de abril de 2011

Resenha de Show: Iron Maiden (05/04/11) – “Scream For Me Curitiba... Scream For Me Brazil!”

Iron Maiden se apresentou para 11 mil pessoas no último show no Brasil em 2011

Não há nada mais especial para mim do que ter estado em algum show daquela que é, foi e sempre será a minha banda favorita de todos os tempos: Iron Maiden!Como fã do grupo há muitos anos, tive a oportunidade de assistir à apresentação dos ingleses em 2008, em Porto Alegre/RS, num show superlotado e que quase “derrubou” o inadequado Gigantinho; em 2009, na edição daquele ano do Quilmes Rock Fest, em Buenos Aires/ARG, com 42 mil pessoas e um show com a estrutura completa (o que não houve no show anterior).

Passados dois anos, era a chegada a hora da terceira apresentação da banda que eu iria presenciar. Dessa vez, a capital paranaense de Curitiba foi a escolha possível. Mais precisamente, Pinhais, na grande Curitiba e que, no dia 05 de abril de 2011, receberia o Iron Maiden pela quinta vez. O local foi abominado por muitos que o conheciam. Tratou-se da Expotrade, mal vista principalmente após os problemas graves de organização e estrutura no show do Scorpions (ainda mais na sua turnê de despedida!).

A verdade é que eu, juntamente com 24 fanáticos gaúchos pelo Maiden, nos deslocamos mais de 1000 km (do noroeste do RS) num apertado (mas que agüentou o tranco) micro-ônibus, chegando por volta das 10 da manhã do dia do show na Expotrade.

Fora o fato de ter curtido a estrutura montada (com cartazes e muitos vendedores ambulantes com materiais sobre a banda), as várias horas esperadas na fila serviram para conhecer uma galera muito legal e hospitaleira, pessoal esses vindos de todo o Paraná, que nos receberam com muita admiração, afinal, não é qualquer pessoa que atravessa dois estados para um único show (e que já havia visto outras vezes).

Dou aqui meus parabéns pelo quase insignificante atraso na abertura dos portões (marcadas para as 17 horas), pela segurança que “colocava ordem” na fila, barrando aqueles espertinhos (e olha que são muitos) que chegavam às 17 horas e queriam ir para frente da fila (esta que já tinha uma extensão de centenas de metros) e pela estrutura do local (para quem não conhece a Pedreira Leminski, a Expotrade fez muito bem seu serviço).

Antes do show esperado do Iron Maiden, que seria o último da passagem pelo Brasil da The Final Frontier World Tour (a banda tocou anteriormente em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belém, Recife), nos colocamos em frente ao palco, curtindo o pré-show ouvindo muitos clássicos do Rock e Metal mundial, especialmente Led Zepellin, Deep Purple e AC/DC.

Foto oficial do público no show: temos nela dois colaboradores do Road to Metal!

Por volta das 19:30 subiu ao palco a banda de abertura local, a Motorocker. Nós, que não conhecíamos a banda ao vivo, esperávamos ansioso pela apresentação. Mas, infelizmente, vimos algumas pessoas vaiando o grupo (mas que era “abafada” pela ovação que os demais faziam à banda).

Quanto à música, os caras detonam. A presença de palco remete muito ao AC/DC, afinal, a banda começou como grupo cover dos australianos. No palco, o vocalista Marcelus não cansava de reiterar o quão maravilhoso e foda era estar num palco abrindo a apresentação “da maior banda de Heavy Metal de todos os tempos”. Só com isso, quem torcia a cara para a escolha da abertura, teve que concordar e prestar mais atenção ao grupo.

A banda no final de 2010 lançou seu segundo disco. “Rock na Veia” (cuja resenha você confere aqui) e, como não poderia deixar de ser, executou algumas canções do disco, como a faixa-título, “Pra Porrada Eu Vou” e “Vamo Vamo” (que já havia sido lançada em single). Mas, claro, foram os clássicos “Igreja Universal do Reino do Rock” e “Salve a Malária” que mais agitaram a galera. Para fechar, “Let There Be Rock” (AC/DC) foi a escolhida, mas, infelizmente, acredito que ainda havia muita gente que não sabia se tratar de uma música do AC/DC. Para quem estava vendo os caras pela primeira vez, talvez a mais que clássica e batida “Back in Black” tivesse tido maior aceitação.

Chega da a vez da banda que levou 11 mil pessoas para a Expotrade. Ecoa nos auto-falantes “Doctor, Doctor” (UFO) e, por incrível que pareça, na pista VIP, houve menor movimentação do que a esperada. Claro, isso apenas até começar a introdução “Satellite 15...”, com cenas espaciais, mescladas com explosões, criaturas e Eddie, além de Bruce Dickinson numa gravação que dá todo o clima para a chegada de “The Final Frontier”.

E é aqui que tudo vem abaixo. A entrada da banda com a música, toda a estrutura do show à pleno funcionamento, fizeram desse momento um dos destaques da noite.

Com muita energia, Bruce Dickinson (vocal), Steve Harris (baixo), Adrian Smith (guitarra), Dave Murray (guitarra), Janick Gers (guitarra) e Nicko McBrain (bateria) emendam “El Dorado”, não antes de ouvirmos um “obrigado” até que bem pronunciado pelo vocalista.

Dave Murray (esquerda) e Janick Gers (dupla dos anos 90) executam "The Trooper"

Como é de praxe, infelizmente a banda mantêm exatamente o mesmo set list de show a show. Assim, sabíamos que o primeiro clássico da noite seria a já “batida” “2 Minutes to Midnight” que, mesmo assim, causou furor nos presentes, especialmente pelos pedidos de Bruce: “Scream For Me Curitiba, Scream For Me Brazil!”.

Bruce troca algumas poucas palavras para introduzir “Coming Home”, a balada do novo disco. Pessoalmente, acredito que haveria outras canções melhores do álbum para os shows. Mas, mesmo assim, tive que me calar diante da beleza da canção ao vivo.

Como a proposta da banda na nova turnê era de valorizar a última década (já que as duas últimas turnês mundiais, fora outras limitadas, focaram os anos 80), seguiu-se “Dance of Death”, com Janick no seu conhecidíssimo violão negro.

Mas foi em “The Trooper”, como não podia deixar de ser, que tivemos a maior agitação da galera. Incrível como esse clássico da banda consegue “levantar” mais o público nos shows do que “The Number of the Beast”, por exemplo.

Bruce, com sua já tradicional bandeira da Inglaterra (queimada nas pontas) e vestido como soldado, corria de um ponto ao outro do palco, enquanto podíamos ver Nicko McBrain nos telões apenas, afinal, aquela bateria dele mais parece um tanque de guerra (o cobre todo).

Com o fim desta, Bruce brinca sobre o fato de um o lance de caixas de som de um dos lados do palco foi “estourado” (o que havíamos percebido, pois o som ficou um pouco mais baixo). Mas, falando sério, discursa sobre os fãs do Iron Maiden de todo o mundo, especialmente para aqueles que estão passando por grandes problemas, como no Japão (contando que por pouco se livraram da catástrofe), Líbia e Nova Zelândia. Termina dizendo que os fãs são as pessoas mais importantes para a banda e fazem parte da família e que, assim, dedicava a próxima canção aos fãs com tamanhas dificuldades.

Bruce discursando sobre os fãs da banda que estão sofrendo com guerras e catástrofes naturais

Muito ovacionados, a banda começa com a esperada por muitos “Blood Brothers”, primeira música da noite do clássico “Brave New World” (2000) e que, assim como “Dance of Death”, estava sendo executada pela primeira vez em Curitiba (as turnês desses álbuns não passaram pela capital).

Definitivamente, nessa canção tivemos os momentos mais bonitos do show. Primeiramente pela letra e música em si, que são perfeitas e nos colocam a refletir sobre a condição humana e o que temos feito uns aos outros, sobretudo pelas guerras. Mas o público ficou de parabéns, com seus celulares iluminando toda a extensão à frente do palco da Expotrade.

Sem espera, a guitarra de Adrian Smith soa executando um dos maiores riffs da banda e da música que é considerada, por muitos, a melhor música da atual formação: “The Wicker Man”. Aqui, quase como em “The Trooper”, tivemos que fazer muita força para agüentar em pé e sem perder nosso lugar, pois todas as 11 mil pessoas foram á loucura. O trecho “Your Time Will Come...” soava insudercedor.

O pano de funda muda da capa do single “The Wicker Man” para um cenário meio pós-apocaliptico, meio espacial. O som de uma brisa que toma força ecoa por todo o local e, sabemos bem, segue-se “When the Wild Wind Blows”, para muitos a melhor canção de “The Final Frontier” e que, não menos, foi um dos pontos destaques da apresentação.

Aqui, se alguém tinha dúvida quanto a teatralidade de Bruce Dickinson, faicou com a certeza que, além de ser o melhor frontman da história do Heavy Metal, o cara sabe colocar emoção na interpretação da música.

Essa foi a quinta apresentação da banda em Curitiba

Com quase uma hora de shows, seguiu-se a última novidade da noite, a grande “The Talisman”. Pessoalmente, fiquei insatisfeito com a escolha dela para a turnê, porém, vendo-a ao vivo, tive que reconhecer e agradecer pela escolha, pois é uma das mais empolgantes feitas pelo Maiden naquele molde mais progressivo, com dedilhados acústicos no início e estourando no meio.

Sem demora, “The Evil That Men Do” veio na seqüência e, com ela, a certeza de que não teríamos o Eddie de 8 metros (usado nos shows de SP e RJ), já que não tivemos o tradicional nessa canção.

Encaminhando-se para o final da primeira parte do show, nada menos que “Fear of the Dark” e as luzes são apagadas. Essa canção é, definitivamente, o maior clássico da banda nos anos 90 e, apor isso, única daquela década que ainda é executada (e assim será até o fim). Milhares de luzes iluminam o local enquanto todos cantam a canção do início ao fim (na maioria das demais canções, pessoal cantava apenas o refrão).

“Scream for Me Curitiba... The Iron Maiden” anuncia a última canção antes do bis e aquela que é o hino da banda, a homônima canção do primeiro álbum de 1980!

Mas a grande atração, sempre é o mascote Eddie, que caracterizado com a temática do álbum, veio ao palco, sendo que sua “visão” era transmitida pelos telões. Enquanto rolava a música (na sua segunda parte), Janick Gers (que não parava nenhum momento de ficar “dançado” daquele jeito maluco dele) “brigava” com Eddie e este se despediu empunhando uma guitarra, para delírio dos 11 mil ali presentes.

Uns cinco minutos de espera, e seguiu-se “The Number of the Beast”, que, novamente, levou o público a loucura total, com um gigante pano de fundo com o novo Eddie e quase apenas seus olhos. Infelizmente, não tivemos uma produção especial para a canção no show (senti falta do “Baphomet”, presente na turnê anterior).

No detalhe, Bruce Dickinson e Adrian Smith executando a clássica "The Number of the Beast"

Também do álbum de 1982, “Hallowed Be Thy Name” nos anuncia que estamos acabando o show e, com muita energia, a banda segue agitando no palco, com Steve chamando o público a cantar e pular.

Para fechar, “Running Free”, uma das mais antigas músicas da banda (datada dos anos 70) finaliza o show, com Bruce apresentando um a um dos cinco integrantes (excluindo a si mesmo, claro) e pedindo para todos gritarem o refrão “I’m Running Free Yeah!”.

Findo o show, Bruce foi ao primeiro a se retirar, enquanto os demais (inclusive Nicko, que pode ser visto no palco finalmente) jogavam baquetas, palhetas, munhequeiras para a sorte da galera da área VIP (eu mesmo cheguei a tocar numa munhequeira do Steve).

Luzes acessas e “Always Look the Bright Side of Life” já nos deixam nostálgicos, pensando que acabávamos de ver a maior banda de Heavy Metal de todos os tempos na nossa frente (fiquei à três metros dos músicos) e que devemos repetir a dose. Por mais que já tenha visto a banda antes, estar diante de um palco como aquele e, depois, com a banda nele, é como se fosse a primeira vez. Não há nada melhor para este cara que vos escreve que um show de Heavy Metal e, ainda mais, com uma banda como Iron Maiden. Simplesmente perfeito!

UP THE IRONS


Texto: Eduardo “EddieHead” Cadore

Fotos: Iron Maiden Official Facebook, Débora Reoly, Giordana

Set List

01. Satellite 15... The Final Frontier
02. Eldorado
03. 2 Minutes To Midnight
04. Coming Home
05. Dance Of Death
06. The Trooper
07. Blood Brothers
08. The Wickerman
09. When The Wild Wind Blows
10. The Talisman
11. The Evil That Men Do
12. Fear Of The Dark
13. Iron Maiden
14. The Number Of The Beast
15. Haloweed Be Thy Name
16. Running Free

Confira alguns vídeos amadores do show

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=yO_0QL_hBHs (abertura e The Final Frontier)

http://www.youtube.com/watch?v=pSwZ7_kR41g&feature=related (introdução de Blood Brothers)

http://www.youtube.com/watch?v=Awzs9B9xrDI (Fear of the Dark)

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=1X2TSLnPgUI (Eddie no palco)

http://www.youtube.com/watch?v=TGWS1MOCJSM&feature=related (Apresentação da banda em Running Free)


Agradecimentos aos amigos que me acompanharam nessa viagem e estiveram comigo no show, em especial à Débora Reoly e Thiago Dahlem que me estimularam e ajudaram a estar nesse show! UP THE IRONS

8 comentários:

jhonatan disse...

PO...
gostei pa karai da resenha
mando "V" fico muito bom...
esse show foi demais....
vlews....

Débora Reoly disse...

Bah, que legal, soube a pouco que aparecemos nestas fotos na pagina oficial do Maiden no Facebook.
Dudu, tu merecia muito estar lá, com a gente. E foi tão maravillhoso, todos nós juntos, assistirmos este show! Fico feliz em estar perto de vc e do Tiago, neste show! E que venha mais shows do Maiden pela frente!! E virão, com certeza!

Gustavo Fiorentin disse...

Muito boa a Resenha, foi exatamente isso que nós vimos lá, sem esquecer que tinha alguns Catarinenses junto, kkkkkk,
Valeu abraço.

Marcus Vinícius disse...

Correção: The Talisman foi logo após Two Minutes To Midnight. No mais, ótima resenha! Show perfeito :)

EddieHead disse...

Vlw galera por conferirem a resenha.

Marcus, gafe minha. Realmente está certo. Mas, sei lá porque, não consigo lembrar da "The Talisman" depois da "2 Minutes...", mas foi isso mesmo! Vlw pela errata.

Para minha querida amiga Débora, com certeza foram momentos especiais, desde nossa saída daqui do RS até a volta, todos moídos mas muito felizes.

Até mais pessoal

Anônimo disse...

Creio que ouve outro erro... a sequencia foi 2 minutes, coming home e the talisman... como no set-list em todos os outros lugares. abraço

Maycon S Lima disse...

Gostei da resenha, apenas acho que tocou Blood Brothers já aqui em nossa cidade, na Pedreira...Abraço!Up the Irons!

Daniel Pissetti disse...

so uma correção, esse foi o 4º show do Maiden em Curitiba!!!