Por Flavio Borges
O AOR segue vivo — e em excelente forma. Em Midnight Transmission, o Transatlantic Radio surge como um supergrupo que une experiência, sofisticação e profundo respeito pela tradição do rock melódico oitentista, sem abrir mão de uma produção contemporânea e vibrante.
Idealizado pelo baixista e produtor sueco Victor Brodén (Dokken, John Norum, entre outros), o projeto reúne o vocalista Mattias Osbäck (Locomotive Breath, Mountain of Power), o versátil guitarrista R.J. Ronquillo (Santana, Stone Sour, Chaka Khan), o tecladista Fred Kron e o baterista Chris Reeve (Avril Lavigne, Tom Morello). O resultado é uma fusão elegante entre a finesse europeia e a energia norte-americana — combinação que sempre esteve no DNA dos grandes clássicos do gênero.
Repleto de refrões expansivos, camadas generosas de teclados e arranjos vocais cuidadosamente trabalhados, Midnight Transmission soa como uma carta de amor à era de ouro do AOR, ao mesmo tempo em que reafirma sua relevância no cenário atual.
Impacto imediato
A abertura com “That’s What You Get (For Falling In Love)” estabelece o tom do álbum: melodias cativantes, harmonias vocais bem distribuídas e guitarras com timbres cristalinos, típicos do AOR clássico, mas com peso e definição modernos. É o tipo de faixa que traduz perfeitamente a proposta do projeto — acessível, grandiosa e radiofônica.
“City Of Angels” remete à sonoridade de arena rock do final dos anos 80, especialmente na introdução, evocando aquela atmosfera glam/hard melódico que dominava as FMs da época. A música evolui com variações vocais marcantes e culmina em um solo expressivo de R.J. Ronquillo, reforçando a identidade guitarrística do álbum.
Equilíbrio entre peso e melodia
“Wide Awake” adiciona um leve aumento de intensidade logo nos primeiros acordes, mas sem perder a característica essencial do disco: refrões memoráveis e estrutura dinâmica. O baixo de Brodén assume papel de destaque, conduzindo a faixa com firmeza e elegância.
Já “Fever Dream” assume o posto de grande balada do trabalho. Inspirada na tradição das power ballads oitentistas, a faixa apresenta vocais mais rasgados de Osbäck e um clima emocional crescente, culminando em um solo de guitarra que equilibra técnica e sentimento.
A festa continua
“The Good Times” devolve a energia festiva ao repertório, com andamento pulsante, refrão expansivo e um elemento surpreendente: um solo de sax que adiciona textura e charme à composição. É uma das faixas mais descontraídas e radiofônicas do álbum.
“First To Be The Last” mergulha sem reservas na estética dos anos 80 — dos timbres de teclado aos arranjos de bateria com referências claras à produção da década. O cuidado nos arranjos vocais chama atenção, evidenciando uma abordagem sofisticada pouco comum nas produções atuais.
Em “All For You”, a interpretação de Mattias Osbäck remete diretamente à escola clássica do AOR norte-americano, evocando a dramaticidade e o alcance emocional dos grandes vocalistas do gênero. O diálogo entre guitarra e teclado reforça o caráter épico e melódico da composição.
Arranjos elaborados e produção refinada
“Against All The Odds” destaca-se pelo trabalho de teclados em camadas densas e pela dinâmica rítmica que valoriza o baixo de Brodén antes de desembocar em um refrão amplo, sustentado por harmonias vocais bem construídas.
Encerrando o álbum, “Born To Rise” começa de maneira intimista, conduzida pelo piano, mas rapidamente evolui para um final energético e otimista. A bateria de Chris Reeve assume protagonismo no refrão, fechando o disco com a sensação de que o Transatlantic Radio ainda tem muito a oferecer.
Midnight Transmission é mais do que um exercício de nostalgia. Trata-se de um trabalho que entende profundamente a linguagem do AOR clássico e a transporta para 2026 com produção refinada, execução segura e composições eficazes.
Se depender deste debut, o Transatlantic Radio tem potencial para se consolidar como um projeto duradouro dentro do cenário melódico contemporâneo. Em tempos de revisitações ao passado, o grupo prova que tradição e modernidade podem coexistir com autenticidade e identidade própria.
Arranjos elaborados e produção refinada
“Against All The Odds” destaca-se pelo trabalho de teclados em camadas densas e pela dinâmica rítmica que valoriza o baixo de Brodén antes de desembocar em um refrão amplo, sustentado por harmonias vocais bem construídas.
Encerrando o álbum, “Born To Rise” começa de maneira intimista, conduzida pelo piano, mas rapidamente evolui para um final energético e otimista. A bateria de Chris Reeve assume protagonismo no refrão, fechando o disco com a sensação de que o Transatlantic Radio ainda tem muito a oferecer.
Midnight Transmission é mais do que um exercício de nostalgia. Trata-se de um trabalho que entende profundamente a linguagem do AOR clássico e a transporta para 2026 com produção refinada, execução segura e composições eficazes.
Se depender deste debut, o Transatlantic Radio tem potencial para se consolidar como um projeto duradouro dentro do cenário melódico contemporâneo. Em tempos de revisitações ao passado, o grupo prova que tradição e modernidade podem coexistir com autenticidade e identidade própria.
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***ENGLISH VERSION***
A Modern Celebration of the Golden Era of AOR
AOR is alive — and thriving. On Midnight Transmission, Transatlantic Radio emerges as a supergroup that blends experience, sophistication and a deep respect for the traditions of ’80s melodic rock, while embracing a vibrant, contemporary production aesthetic.
Conceived by Swedish bassist and producer Victor Brodén (Dokken, John Norum, among others), the project brings together vocalist Mattias Osbäck (Locomotive Breath, Mountain of Power), acclaimed guitarist R.J. Ronquillo (Santana, Stone Sour, Chaka Khan), keyboardist Fred Kron and drummer Chris Reeve (Avril Lavigne, Tom Morello). The result is a seamless fusion of European finesse and American arena-rock energy — a combination that has long defined the genre’s most enduring classics.
Packed with soaring choruses, cinematic keyboard layers and meticulously crafted vocal harmonies, Midnight Transmission plays like a love letter to AOR’s golden age while firmly reasserting its relevance in today’s melodic rock landscape.
Immediate Impact
Opening track “That’s What You Get (For Falling In Love)” sets the tone with infectious melodies, expansive harmonies and crystal-clear guitar tones rooted in classic AOR tradition — yet delivered with modern weight and clarity. It perfectly encapsulates the band’s mission statement: accessible, grandiose and radio-ready.
“City Of Angels” channels late-’80s arena rock spirit, particularly in its intro, evoking the glam-infused melodic hard rock that once dominated FM airwaves. The track evolves through dynamic vocal shifts before culminating in a tasteful and expressive solo from R.J. Ronquillo, reinforcing the album’s strong guitar identity.
Balancing Drive and Melody
“Wide Awake” raises the intensity slightly without sacrificing the album’s core strengths: memorable hooks and dynamic songwriting. Victor Brodén’s bass work stands out, driving the song with both power and refinement.
“Fever Dream” claims its place as the album’s standout power ballad. Rooted in the grand tradition of ’80s slow-burn anthems, the track showcases a grittier edge in Osbäck’s vocal delivery, building toward an emotionally charged guitar solo that balances technique with feel.
The Celebration Continues
“The Good Times” restores the album’s celebratory energy with a pulsating groove, a stadium-sized chorus and a surprising yet perfectly placed saxophone solo that adds warmth and texture. It’s one of the most radio-friendly and instantly engaging moments on the record.
“First To Be The Last” dives headfirst into unapologetic ’80s aesthetics — from its shimmering keyboard tones to its era-authentic drum production. The carefully layered vocal arrangements highlight a level of sophistication rarely found in contemporary releases.
On “All For You,” Osbäck’s performance evokes the emotional resonance and melodic command associated with classic American AOR frontmen. The interplay between guitar and keyboards enhances the song’s epic quality, while another undeniably infectious chorus anchors the track.
Refined Arrangements and Polished Production
“Against All The Odds” stands out for its dense keyboard textures and rhythmic shifts that spotlight Brodén’s bass work before launching into a harmony-rich chorus. The attention to tonal detail once again reflects the musicians’ seasoned approach.
Closing track “Born To Rise” begins on a more intimate note, guided by piano, before expanding into an uplifting and energetic finale. Chris Reeve’s dynamic drumming drives the climactic chorus, bringing the album to a confident and optimistic close — and leaving the listener wanting more.
Midnight Transmission is far more than a nostalgic exercise. It is a record that deeply understands the language of classic AOR and successfully translates it into 2026 with polished production, assured performances and consistently strong songwriting.
If this debut is any indication, Transatlantic Radio has the potential to become a lasting presence in the contemporary melodic rock scene. In an era increasingly fascinated with revisiting the past, the band proves that tradition and modernity can coexist — authentically and convincingly.
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| Enzo Mazzeo |


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