terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Cobertura de Show: Tribulation – 14/02/2026 – Burning House/SP

Com uma aura instigante e uma sonoridade que transcende os rótulos convencionais do metal, a banda sueca Tribulation retornou ao Brasil para sua segunda passagem, prometendo uma noite gótica com peso e músicas marcantes. A expectativa era grande para ver o grupo, conhecido por sua fusão única de black, death e gothic metal, entregar mais uma performance memorável. E, apesar de um pequeno atraso no início do show e de uma mudança inesperada na formação, o público presente não demonstrou sinais de desânimo, apenas uma crescente ansiedade pela experiência que estava por vir. A apresentação, realizada na Burning House, no último dia 14, provou mais uma vez por que o grupo é reverenciado: uma performance imersiva que transforma o palco em um portal para outra dimensão.

No entanto, o maior ponto de interrogação da noite pairava sobre a bateria. Devido a problemas pessoais, o baterista Oscar Leander não pôde acompanhar a banda nesta jornada sul-americana. Para a surpresa e o deleite de muitos, a solução veio em grande estilo: Luana Dametto, baterista da banda Crypta, foi convocada para assumir as baquetas. Tratou-se de uma substituição de última hora que carregava o peso de replicar a complexidade rítmica do Tribulation, mas que, como se verificou, foi conduzida com competência, garantindo que a espinha dorsal sonora da banda permanecesse intacta e poderosa.

Logo no início, a banda demonstrou confiança e entrosamento. A qualidade do som estava impecável, permitindo que cada nuance das guitarras de Adam Zaars e Joseph Tholl, o baixo e vocal gutural de Johannes Andersson e a bateria de Luana Dametto ressoassem com clareza. A performance na bateria mostrou energia e precisão, adaptando-se ao estilo da banda e contribuindo para a solidez da apresentação.

O setlist constituiu uma viagem pela discografia do grupo, equilibrando faixas mais recentes com clássicos. A noite começou com a intensidade de “The Unrelenting Choir”, seguida pela atmosfera sombria de “Tainted Skies” e pela melancolia envolvente de “Nightbound”. A sequência continuou com “Hamartia” e “Suspiria de Profundis”, composição que se estendeu por mais de dez minutos, apresentando momentos criativos que envolveram o público de forma marcante. Não foi diferente com “In Remembrance”, na qual cada compasso construía uma atmosfera capaz de transportar a audiência a outras dimensões. A presença de palco, os movimentos teatrais e as maquiagens características complementaram a experiência auditiva, transformando o show em um verdadeiro ritual.

A segunda parte do set principal manteve a energia e a imersão. “Hungry Waters” e “Saturn Coming Down” evidenciaram a versatilidade da banda, enquanto “Murder in Red” reforçou a atmosfera gótica com vocais profundos. O clímax do set principal foi atingido com “The Lament”, faixa que sintetiza a essência dramática e melódica do Tribulation. Ao final da música, o guitarrista Joseph Tholl protagonizou um momento memorável ao entregar sua guitarra a um fã no meio da plateia, gesto de confiança que permitiu ao admirador tocar alguns acordes até a intervenção da equipe técnica.

O público clamava por mais, e a banda retornou para o aguardado bis. Com “Melancholia”, o Tribulation retomou suas raízes mais sombrias e introspectivas, preparando o encerramento com “Strange Gateways Beckon”. A apresentação deixou a certeza de que a segunda passagem da banda pelo Brasil foi exitosa, superando desafios e oferecendo uma performance que permanecerá na memória dos presentes.


Texto: Marcelo Gomes


Edição/Revisão: Gabriel Arruda 





Tribulation – setlist:

The Unrelenting Choir

Tainted Skies

Nightbound

Hamartia

Suspiria de profundis

In Remembrance

Hungry Waters

Saturn Coming Down

Murder in Red

The Lament

Melancholia

Strange Gateways Beckon 

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