quinta-feira, 16 de julho de 2026

Cobertura de Show - Brazilian Metal Forces: A celebração da força e do peso do Metal Brasileiro!

 


Texto e Fotos: Vinny Vanoni
Edição/Revisão: Caco Garcia 

No dia 28 de Junho de 2026 foi realizado no Bar Opinião e, Porto Alegre a terceira apresentação do festival Brazilian Metal Forces, produzido pela Arena Produções com intenção de mostrar que o Metal e suas vertentes estão mais fortes do que nunca! 

O festival realizou três apresentações que englobaram o sul do Brasil, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul contando com as excelentes apresentações de grandes nomes do Metal Brasileiro como Phornax, Viper e Korzus, além da banda de abertura, Xakol, projeto do baixista Saulo Xakol da já consagrada banda brasileira Noturnall. 

O Brazilian Metal Forces chegou para mostrar aos fãs brasileiros que além das bandas que se apresentaram, o nosso Metal Brasileiro Nacional tem muito fôlego, potência  e cada vez mais força não somente no cenário nacional como no mundial, provando que temos muita capacidade e técnica para confrontar as bandas gringas!

Mas chega de “lero lero” gurizada até porque vocês querem saber sobre as bandas e como foi o show de cada uma, então, bora pra matéria! 


*****Xakol*****


Começando com a banda de abertura, Xakol! Esta é uma daquelas bandas que podem ser consideradas “uma gema rara” dentro do cenário nacional já que são tantas boas boas que as vezes passam despercebidas a nível nacional mesmo com integrantes altamente qualificados, já que em muitas situações são conhecidas mais regionalmente principalmente pelos compromissos dos músicos que a integram. 

Para dar um contexto, Xakol é um projeto catarinense de Metal Melódico e Progressivo idealizada e concebida por Saulo “Xakol” Castilho, atual baixista da renomada banda Noturnall. 

Iniciou suas atividades com a Xakol em 2013 e contatou ninguém menos do que Edu Falaschi, vocalista que ficou famoso por entrar no lugar de Andre Matos no Angra e já integrou bandas como Mitrium, Venus, Symbols e Almah, e atualmente está em atividade com seu projeto solo Mi’Raj, para produzir seu álbum chamado “Chaos Lit A Soul”.

Em 2015 convidou amigos de longa data para comemorar seu aniversário, momento este que seria o embrião da Xakol e em 2016 entram para a banda Gil Lima, Thiago Moser e André Freitas. Também já colaborou com outros vocais e músicos famosos na cena do metal Brasileiro, como Bruno Sutter (Detonator, Massacration), Thiago Bianchi (Noturnall, ex-Shaman), Aquiles Priester (Hangar, All Metal Stars, W.A.S.P, Midas Fate, ex-Angra, ex- Primal Fear). 

Atualmente a banda possui em sua formação Rafael Azevedo (Guitarra), André Freitas (Guitarra), Gil Lima (Bateria), Thiago Moser (Baixo), Thiago Gonçalves (Teclado) e Saulo Xakol (Vocais). 

A Xakol se apresentou com quatro músicas próprias, duas delas foram lançadas em 2017 em formato físico, Rise of a New Sun e Metal for Demons (Está a qual conta com a participação de Detonator. Dois anos depois, Xakol lançou mais duas músicas de forma digital. 

Estes hiatos de tempo entre apresentações, tours e poucas músicas lançadas se devem a Saulo, e demais integrantes da Xakol, estarem com diversos compromissos, principalmente a partir de 2019 por Saulo ter assumido o posto de baixista na Noturnall, porém, mesmo com estes contratempos, a Xakol continua ativa no tempo disponível e mesmo que tenha tocado apenas suas quatro músicas já lançadas até 2019, fez um show excelente de abertura para as bandas Phornax, Viper e Korzus! 

A Xakol consegue trabalhar bem com os estilos melódico, progressivo e até mesmo com uma pegada heavy metal em suas musicas, mesmo que por enquanto sejam poucas, porém, existe a intenção de ainda lançar um álbum completo e alçar a Xakol ao sucesso, segundo a conversa que ocorreu com Saulo em meio ao show da Phornax, onde estava um som alto (é o Opinião, qualidade e volume de som é o que não falta) e em alguns momentos, mal conseguíamos nos entender.

Mas mesmo assim conseguimos trocar uma ideia, onde me foi revelado que mesmo que demore 10 anos (por causa dos compromissos pessoais dos integrantes ) este álbum será lançado! E desejo boa sorte e sucesso para a Xakol! Batia banda gurizada, baita banda!



*****Phornax*****


Já a Phornax que fez o segundo show da noite teve um detalhe especial, muito especial na verdade, já que após um hiato de mais de 14, quase 15 anos, a banda volta não somente com uma nova formação com Eduardo Martinez na guitarra e Sfinge Lima no baixo (dois monstros do metal nacional com carreiras consolidadas e técnicas poderosas) mas também pelo lançamento de seu novo álbum, “Hellforge”, que será lançado neste mês de julho! 

No show, a banda tocou as músicas Silent War, Dare of Destruction, Ghosts from the Past e Final Beat de seu álbum lançado em 2011, Silent War, juntamente com as músicas Forged in Metal, Hell’s Paradise, Seeds of Strife, Blood for Blood, A Matter of Time e Between Fear and Hope que integram o "Hellforge". 

E gurizada, eu tenho que ser sincero, que show! QUE SHOW! A impressão que tenho, sem desmerecer os integrantes antigos que não estão mais na banda, com esta nova formação a Phornax  está mais... técnica, afiada por assim dizer. O primeiro álbum é muito bom, mas o Hellforge minha gente, é sensacional! 

O som parece que ganhou uma profundidade e peso maiores, os instrumentos mais trabalhados, a conexão entre os integrantes está mais, intima dentro do palco, eu não sei explicar exatamente, porém o que eu vi e escutei no Brazilian Metal Forces foi algo que me surpreendeu muito em relação a qualidade técnica e musical desta nova fase, a qual também agradou e muito não somente aos fãs da banda como também a todos que estavam presentes no Bar Opinião! 

E tem mais um detalhe, a banda agora conta com uma mascote, a “Phornaceia” uma feiticeira mística que encanta a todos e captura os olhares e almas com sua dança do ventre nas apresentações da Phornax, interpretada pela estonteante e talentosa Aline Mesquita, pois segundo o vocalista Cristiano Poschi “Se o Iron tem o Ed, nós temos a Phornaceia”!


É com grande satisfação que digo, a Phornax está novamente no jogo e com uma qualidade ABSURDA para voar além das fronteiras brasileiras e alcançar as “Big Leagues”! 



*****Viper*****


A banda que tocou antes do Korzus foi a Viper. Como muitos, ou ao menos quase todos que gostam de Metal Melódico, Power Metal e Heavy Metal brasileiros sabem, Viper foi a banda criada pelo nosso eterno Maestro do Metal, Andre Matos, Pit Passarel, Yves Passarel, Felipe Machado e Marcos Kleine em 1985 e que já lançou álbuns icônicos para o Metal Nacional, inclusive ouso dizer que alguns deles, como Soldiers of Sunrise e Theatre of Fate inclusive ajudaram a moldar o metal melódico e (me permitam utilizar esta expressão) “Óperatico” Brasileiro. 

Inclusive com muitos de nós tentando cantar imitando os agudos e falsetes de Matos e falhando miseravelmente (momento gargalhada em alto e bom som lembrando de experiências próprias)! 


Após a saída de Matos por divergências musicais, Pit Passarel assumiu os vocais e em 1992 lançam o álbum mais vendido até agora da história do Viper, “Evolution”, onde com Pit nos vocais a direção musical se alterou um pouco, do melódico e orquestral que foi o Theatre of Fate, Evolution adotou uma linha mais... crua, por assim dizer, onde é possível notar a identidade pessoal de cada música, umas mais puxadas para um metal melódico, mas de leve, outras já vão para um caminho Heavy Metal e outras possuem aquela pegada Rock’n’Roll, além de acordes com outras influencias. 

Porém admito, na época em que descobri Viper, nos idos anos 2000, eu acompanhei até o Theatre of Fate e fiquei um tempo sem escutar e voltei em 2020, começando com o álbum Coma Rage, o qual no início por ter uma pegada mais “Punk Hardcore” acabei estranhando devido a mudança bruta de estilo em relação ao Fate porém um álbum fantástico! 

E foi uma grata surpresa ao descobrir que continuavam na ativa e mais fortes do que nunca com Leandro Caçoilo nos vocais (descobri apenas este ano que ele já era vocal desde 2017 no Viper), dando não somente um suspiro novo para a banda, mas um oxigênio muito necessário para esta nova fase.

Mas, nem tudo são rosas, em 2019 perdemos nosso eterno Maestro do Metal. Não somente para mim que era um fã quase fanático de Viper, Angra, Shaman e carreira solo de Matos, mas para todos o que o conheciam, seja apenas como artista, seja como pessoa, amigos, familiares, colegas de banda e de trabalho e parcerias, ficamos em choque ao saber da morte prematura de Andre Matos.

E para o Viper o choque foi ainda maior, já que haviam voltado a conversar frequentemente com Andre inclusive realizando parcerias em álbum, musicas e shows em diversos períodos como 2004, 2007, 2017, além de ter retornado a banda no período de 2012 a 2016, e planejavam até mesmo a gravação de um álbum inteiro novamente com o ex-vocalista. 

Em 2020, em meio a pandemia, o Viper lança uma regravação da musica The Spreading Soul, do álbum Evolution de 1992 reintitulada como The Spreading Soul Forever, com vocais de Andre Matos, em sua homenagem. Em 2024, outro integrante infelizmente se vai antes da hora, Pit Passarel vem a óbito por complicações de um câncer no pâncreas, novamente deixando o Viper, familiares, amigos e fãs devastados.

A banda possuía um show em Bogotá que decidiu manter, chamando o irmão de Andre, Daniel Matos no baixo, o qual logo após foi confirmado como baixista oficial do Viper. 

E neste show, neste festival que ocorreu no Bar Opinião, Brazilian Metal Forces, a banda com a formação contando com Felipe Machado (Guitarra, acústica, violão e backing vocals), Guilherme Martins (bateria desde 2012), Kiko Shred (Guitarra desde 2021), Daniel Matos (Baixo desde 2024) e Leandro Caçoilo nos vocais desde 2017, o Viper realizou um mais do que belo show, realizou para os fãs, para mim, o melhor show que já tive a honra de assistir em minha vida.

O Viper grandes sucessos de toda sua carreira como Soldiers of Sunrise (Soldiers of Sunrise), To Live Again, Prelude to Oblivion, A Cry From the Edge e Living for the Night (Theatre of Fate), Evolution em homenagem à ao grande e saudoso Pit Passarel, Dead Light, Rebel Maniac e The Spreading Soul Forever em homenagem à Pit e Matos (Evolution), Coma Rage (Coma Rage), Under the Sun e Timeless (Timeless). 

Durante o show admito cantei junto (se alguém pudesse me escutar teria me expulsado do Opinião a pancadas por estar assisando as músicas), me emocionei, só não me esbugalhei em lagrimas em alguns momentos por ter que trabalhar (fotografar com olhos marejados não funciona nem um pouco). 

Viper entregou uma performance tanto de presença de palco quanto técnica instrumental e vocal impecável! A galera cantou junto, chorou junto, e penso que não havia quase ninguém dentro do Opinião que não tenha se emocionado, principalmente durante as homenagens realizadas a estes dois gigantes e magníficos músicos que se foram cedo demais. 

Porém o Viper conseguiu fazer algo que poucas bandas conseguem em momentos que perdem algum integrante, que é encontrar músicos a altura dos que já não se encontram mais na banda. 

Dani Matos e Caçoilo não somente estão à altura como estão carregando o legado de Pit e Andre com perfeição absoluta! Talvez por eu ser nostálgico e saudosista, me chamou a atenção que Caçoilo ao cantar ao vivo consegue se aproximar muito, mas MUITO mesmo de Matos nos vocais, tom, timbre, alcance, potência, tudo! 

Claro que temos que considerar que na época, o Maestro era adolescente e Caçoilo hoje já é mais experiente, porém é difícil encontrar alguém que se aproxime tanto dos músicos anteriores como o Viper conseguiu, e posso dizer com certeza, embora nunca tenham deixado de existir apesar dos hiatos, com esta formação que honra o legado e os “calçados” das duas lendas do rock e metal brasileiros, o Viper se encontra mais do que pronto para conquistar, novamente, seu espaço na cena do Rock e Heavy Metal  mundiais! GO AND SHRED THE WORLD APART “MA GUYS”!   




*****Korzus*****


Finalmente a atração principal da noite, Korzus! Senhores, senhoras, rapazes e senhoritas! Que show FODA! Primeiro que a Korzus é uma das potências e lendas do thrash metal nacional e juntos com Sepultura e Sarcófago foram os responsáveis por mostrar ao mundo que no Brasil também sabemos tocar e fazer Thrash Metal e dos bons! 

Em 2026 a banda passou por duas mudanças de integrantes, Antônio Araújo anunciou o desligamento da banda em 2024 após dezesseis anos de atuação por motivos de questões logísticas já que iria retornar para Recife, além de focar de forma integral em sua outra banda, Matanza Ritual. 

Já em 2025, Heros Trench também se desligou banda por querer buscar uma renovação criativa e artística e por mais que as duas saídas tenham ocorrido de forma amigável, deixaram um vácuo no Korzus que agora precisava buscar novos integrantes para ocupar os papeis de guitarra solo e guitarra base.

Em 2026 outras duas feras do metal nacional passam a integrar a banda, Jean Patton (Ex-Project46) e Jéssica Falchi (ex-Crypta) que trouxeram a renovação harmônica que o Korzus estava buscando, principalmente agora que estão em processo de produção de seu novo álbum que está sendo divulgado através da turnê “Flesh Machine Era” através do single “No Light Within”, o qual foi tocado no Bar Opinião juntamente com alguns dos maiores sucessos da banda que já conta com mais de quatro décadas de história, existência e correrias. A performance desses gigantes do Thrash Metal Brasileiro, e mundial, foi arrebatadora, simplesmente SENSACIONAL! 

Como todos que já estiveram presentes em um show do Korzus bem sabem, o carisma e presença de palco de Marcello Pompeu é fantástico, pois além de apenas cantar e performar, ele chama a galera para participar do show cantando junto, fazendo comentários até mesmo cômicos em relação a muitas situações.

Sim! é quase um show de metal misturado com show de comédia stand up em alguns momentos), responde a algumas falas, ou berros, dos fãs, principalmente os que se declaram para Falchi! Inclusive foi revelado por Pompeu que Jéssica recebe de 3 a 5 pedidos de casamento por show, o que levou o publico a gargalhadas e destruiu sonhos de outros (risadas internas). 

“Mas vem cá o pangaré, tu não vais falar da performance dela e do Patton não, ô arrombado???”. Acalmem o coraçãozinho jovens padawans, irei sim! Como não poderia deixar de ser, ambos são experientes e excelentes no que fazem, tanto que apenas pela “No Light Within” todos os presentes, inclusive “moizinho” (momento mistura de francês com brasileiro debochado) aqui, perceberam o peso e a tempestade harmônica que chegaram ao Korzus com a entrada de Patton e Falchi. 


Todas as músicas da carreira são excelentes, porém nesta nova fase o Korzus parece que está com sangue nos olhos para trazer a vida o que talvez  possa vir a ser considerado o seu melhor álbum! 

Porém não irei fazer suposições tão cedo, afinal de contas, existem mais diversos processos, risadas e talvez tretas a serem realizadas para que chegue o novo álbum, e podem ter certeza de que nós enquanto fãs estamos ansiosos para que o Korzus não dê à luz, mas sim um curto-circuito (“No Light WIthin”, captaram? Hein, hein?) a este novo álbum que aguardamos com ansiedade! CHEERS GUYS (and girl) AND KEEP ROCKING!





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