Novamente com produção de Andrew Watt, os Rolling Stones lançaram dia 10/07 seu novo álbum, o 25° da carreira, e reduzindo o tempo de lançamento de um álbum de inéditas para o outro.
É sempre difícil resenhar um novo trabalho de uma lenda, então coloquei para ouvir e dae as minhas impressões como um bom ouvinte de Rock & Roll e Classic Rock. Parece mesmo que os Stones retomaram o gosto e o sentido em fazer novas canções, e encontramos bons momentos, onde eles desfilam por algumas de suas facetas.
“Foreign Tongues” também traz vários convidados ilustres, como Paul McCartney, Robert Smith, Bruno Mars e Chad Smith, dando essa cara de celebração, e de quem realmente está fazendo isso por prazer, entre amigos.
Temos vários Rocks enérgicos e com a assinatura Stones, priorizando as guitarras, algo notável neste álbum, e “Rough and Twisted” traz essa levada Rock & Roll e Blues, que eles dominam, carregada de riffs, slides, piano e harmônica; Nessa pegada, temos também “In the Stars”, Rock and Roll de andamento e backings agradáveis e “assoviáveis”;
“Divine Intervention”, cativante e com as guitarras brilhando; e ainda “Hit Me in the Head”, enérgica e direta, em uma gravação resgatada de 2021, trazendo ainda Charlie Watts na batera.
Nos momentos mais “baladeiros”, e que estão as minhas favoritas do álbum, temos “Ringing Hollow”, que tem nuances Country e Blues, guitarras cobertas de feeling, onde Richards e Wood “duelam” e desfilam sua classe e identidade; e “Some of Us”, com uma vibe bem emocional, tendo Keith Richards nos vocais principais. Parece uma música simples, mas só caras desse calibre para criarem algo tão bonito e fazer parecer fácil.
E “Foreign Tongues” se torna uma audição agradável, e embora valorize as guitarras e a essência Rock e Blues dos Stones, encontramos algumas outras facetas que eles já apresentaram em sua carreira, diversificando seus trabalhos, e temos aí o balanço da “funkeada” “Jealous Lover”, onde Mick usa vocais em falsete, e também “Never Wanna Lose You”, dançante e com influências de Black Music e Disco.
Outros momentos interessantes são a versão de “You Know I’m no Good”, de Amy Winehouse, em que Jagger coloca seu estilo vocal, usando tons altos e ar de “deboche”. E falando em deboche, há “Mr Charm”, com seu Groove e letra ácida. Aliás, eles alfinetam o atual American Way, autocratas e bilionários em vários momentos. É o espírito rocker, contestador, da contracultura e pronto a atacar as injustiças.
Ressalto ainda o fechamento com “Beautiful Delilah”, de Chuck Berry, uma de suas inspirações, lembrando que o primeiro single dos Rolling Stones foi um cover de Berry, “Come On”.
Uma das últimas grandes bandas de Rock & Roll vem fazendo jus a sua história nesses últimos álbuns, e vejo uma vibe tipo: “não precisamos provar nada para ninguém, mas vamos fazer o nosso melhor e o que se espera de um álbum dos Stones!”. É o foco no que importa.
Tenho minhas restrições à alguns aspectos das produções de Andrew Watt, mas apesar de sentir um pouco de falta de “sujeira” no álbum, ele soa bem, e não há um excesso de “modernidade”, respeitando-se as características da banda, e creio que “Foreign Tongues” agradará os fãs e se apresenta um trabalho, se não apto a futuramente ser chamado de essencial, digno de sua discografia, soando verdadeiro em um tempo de muita música "plastificada", proporcionando bons momentos de Rock & Roll e críticas mordazes, no estilo Stones e Jagger.
Fotos: Divulgação
Lançamento: Universal Music
Tracklist:
1. Rough & Twisted
2. In The Stars
3. Jealous Lover
4. Mr. Charm
5. Divine Intervention
6. Ringing Hollow
7. Never Wanna Lose You
8. Hit Me In The Head
9. You Know I’m No Good
10. Some Of Us
11. Covered In You
12. Side Effects
13. Back In Your Life
14. Beautiful Delilah

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