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segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Requiem’s Sathana: “[...]para um disco com músicas tão longas e experimentais, está sendo até agora tudo muito bom e caloroso”


Entrevista por: Renato Sanson


Músico entrevistado: Rex Mendax (baixo) – Projeto: Requiem’s Sathana de Novo Hamburgo/RS

O Requiem’s Sathana tem como base o Black Metal, porém os experimentos musicais são latentes nas composições. Como surgiu esta ideia?

Da própria ideia do projeto. Ele foi concebido para ser experimental. Quando convidei Rex Inferii e Rex Gutture para este projeto, a única condição que coloquei foi justamente essa: de que não ficaríamos presos a uma fórmula, nem seriamos reféns a uma forma de tocar. Claro que houve certa desconfiança no início. Mas eu sempre soube que isso não impediria de que criássemos uma identidade própria agindo assim. E acredito que tem funcionado.

Conte-nos sobre o processo criativo da banda.

Eu componho as músicas e as letras. Quando tenho a parte instrumental pronta, passo para Rex Inferii que faz uma primeira pré-básica bem simples com pelo menos duas linhas de guitarras, baixo e bateria. Assim já podemos ter uma ideia de como será a forma da música. Ele me devolve e vejo se está tudo certo, já fazendo um pré-encaixe das letras. Na sequência, a música retorna para ele que daí começa a trabalhar nos arranjos. Essa é parte mais demorada, pois a partir desse momento começamos a dar a forma final à música. Como ele tem autonomia total no processo criativo, além de criar todas as bases melódicas, às vezes sugere algum corte ou acréscimo, uma mudança de andamento, palhetada, onde eu não havia planejado assim. Ficando legal, seguimos adiante até a finalização. Por último, nos reunimos com Rex Gutture para fazer os ajustes dos vocais. Depois é só se reunir com o produtor do estúdio, definir os timbres e as datas e iniciar as gravações. Pode-se perceber que somos meio maníacos em planejamento, mas isso é bom, pois entramos em estúdio sabendo exatamente o que queremos. Rex Inferii também contribui com música dele. No primeiro disco tivemos somente uma, mas no futuro haverá mais. Apenas as letras que são monopólio meu (risos).



O Debut autointitulado apresenta apenas cinco faixas, mas com composições longas e cheias de variações, pegando de surpresa o ouvinte. Essa era a intenção desde o início?

No início não era. Apenas aconteceu de as mesmas saírem assim. Mas depois achei que se fizéssemos desta forma, teríamos mais liberdade de trabalhar. Óbvio que não significa que temos que sempre fazer assim. Mas se acontecer, pelo menos não precisamos ficar preocupados!  “Perfect Silence”, por exemplo, na minha primeira versão era bem mais longa. Rex Inferii sugeriu mudanças que acabaram encurtando ela um pouco. Das quatro novas composições que já tenho prontas, pelo menos três possuem duração “normal”. Então, basicamente, dependerá também muito da inspiração.

Em relação às críticas do material como tem sido a recepção mediante público e imprensa?

Olha, para um disco com músicas tão longas e experimentais, está sendo até agora tudo muito bom e caloroso. Só posso dizer que estamos muito orgulhosos do que fizemos. Na verdade, até nos preparamos para eventuais críticas, mas os elogios tanto de imprensa como do público em geral estão provando que estamos no caminho certo. E quando digo que estamos orgulhosos, não me refiro somente a nós músicos do projeto, mas todo o time de caras excepcionais que trabalharam conosco como o Daniel Villanova que tocou a bateria, a Doomed Art que fez o logo e capa, o Douglas da Zabauros que cuidou de toda a parte gráfica e nos auxiliou nas mídias de streaming, o Maurício Cappel na parte fotográfica, o Mozart Leon que cuidou das filmagens na gravação, o mestre dos magos Henrique Fioravanti da From Hellcords que nos gravou, o Gil Dessoy da Cianeto Discos que nos deu todo apoio, e mais o Aires e o Tiago da Caos Extremo que tem cuidado de nossa assessoria. A todos vocês, meu profundo respeito e agradecimento.

O projeto Requiem’s Sathana será apenas de estúdio ou apresentações ao vivo fazem parte dos planos?

Apenas de estúdio. Entretanto, estou planejando fazer algumas apresentações esporádicas, bem promocionais. Como também promovo de vez em quando alguns festivais como o Old School Festival, quem sabe toquemos nele. Até para as pessoas verem que somos capazes de tocar aquelas músicas ao vivo também (risos).


A ideia é sempre lançar materiais com poucas faixas?

A ideia é essa, mas é a mesma questão como em relação às músicas longas, ou seja, depende muito de como as músicas saírem. Mas sendo sincero, de minha parte eu prefiro com poucas faixas. Até mesmo os discos de outras bandas eu prefiro aqueles não muito longos. Não tenho muita paciência para discos de uma hora de duração!

De onde nascem as influências para os temas líricos das músicas?

Depende muito o que estou lendo ou estou vivenciando no momento das composições. Sou colecionador de livros antigos e professor de história, então se não estou com meu baixo na mão estou com um livro. Tudo que é oculto me atrai. Os antigos ensinamentos são fascinantes, mas requerem estudo profundo. Geralmente gosto também de xingar as religiões kkkkkkkk, mas os xingamentos podem se aplicar tranquilamente para todas as esferas de nossa sociedade. Na verdade, a sociedade me cansa, e sinto que quanto mais velho vou ficando, mais vou me afastando dela. Trato disso em “Mordgier” e em “Perfect Silence”. Quero apenas ficar no meu silêncio perfeito!

Estamos sendo amassados pelo Covid-19. 2020 praticamente poderia ser riscado do calendário. Como vocês enxergam está situação caótica? E para 2021 – se tudo amenizar – o que Requiem’s Sathana vai preparar?

Eu prefiro não me manifestar sobre o que eu acho sobre isso tudo que está acontecendo. Simplesmente não estou a fim de comprar briga simplesmente por divergências de opinião. Por favor, apenas me deixem no meu “silêncio perfeito”. Em relação aos planos para 2021 (se porventura normalizar), tentar realizar pelo menos uma edição do Old School Festival e continuar promovendo o disco. Tentaremos fazer um clipe já este ano e quem sabe ano que vem mais um. O próximo disco ainda vai levar um tempo para ser lançado, então também vamos aproveitar para já ir trabalhando nas novas músicas.


Links:


domingo, 12 de julho de 2020

Requiem’s Sathana: obscuro, experimental e brutal


Resenha por: Renato Sanson


O Black Metal em si é visto não apenas como um estilo musical, mas sim como uma filosofia de vida, trazendo o impacto em sua sonoridade ríspida com letras desafiadoras para muitos. Mas engana-se quem pensa que o estilo se limita, e muito já vimos o experimentalismo se aliar ao som negro e pútrido.

A Requiem’s Sathana de Novo Hamburgo do Rio Grande do Sul traz essa proposta, com a faceta do Black Metal, a velocidade do Death e o experimentalismo, com passagens intrincadas e progressivas, o que deixa o Debut autointitulado – lançado neste ano (20) – bem diversificado.

O trio gaúcho se uniu em 2017, porém experiência é o que não falta em suas lacunas já que os músicos são figurinhas carimbadas do underground extremo com passagens por bandas como: Bloodwork e Dyingbreed.

São apenas cinco faixas com o trabalho tendo a duração de um pouco mais de quarenta minutos, o que você já pode imaginar o que terá das composições ao apertar o play, pois esqueça aquele som sujo e muitas vezes tosco do Black Metal old school de meados dos anos 90, mas sim hinos longos e cheios de variações, tendo até mesmo flerte com o Heavy Metal Tradicional, mantendo a estética obscura, mas com diversificações que fazem toda a diferença em sua sonoridade que vai na contramão do estilo.

A produção do álbum é de alto nível e muito cristalina. Não deixando você perder nenhuma alternância entre as músicas, além é claro, do peso na dose certa para a proposta. A parte gráfica com uma arte em preto e branco traz essa obscuridade e intensidade que a Requiem’s Sathana mostra em sua musicalidade, casando perfeitamente com sua estética.

Fãs de Enslaved, Dimmu Borgir, Paradise Lost e afins, deleitem-se, pois é mais que um prato cheio.

Ótima estreia!


Links:

Formação:
Rex Mendax (baixo)
Rex Guture (vocal)
Rex Inferii (guitarra)

Tracklist:
01 Legion
02 Perfect Silence
03 Now It’s War
04 Mordgier
05 Requiem’s Sathana

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Broken & Burnt: Qualidade ímpar!


Peso, morbidez e melancolia. Essa é a primeira impressão que o Broken & Burnt passa em seu segundo disco, “It Comes to Life” (2016).

Um álbum carregado e temperamental, assim como suas letras, já que as mesmas são baseadas no clássico “Frankenstein”, e seguindo como a obra literária, temos os momentos fúnebres, agressivos, tensos e porque não violentos, expressados de forma ímpar e de maneira bem peculiar.

O quarteto de Espirito Santo investe numa sonoridade mais grooveada, mas que carrega consigo a atmosfera do Doom Metal e grandes influencias experimentais, como podemos notar logo de cara na faixa título ou nas intensas “Bestowings Animation” e “Eve” (faixa instrumental, mas carregada de muito sentimento).

As linhas vocais são muito bem colocadas e variam entre partes agressivas e outras mais limpas de forma mais fúnebre, que junto aos riffs arrastados e o peso martelado da cozinha transbordam um som poderoso e diferenciado. A produção sonora acertou em cheio junto a proposta do grupo, o peso é latente e predominante, mas soa clara e muito bem timbrada, deixando na cara o que queriam passar ao ouvinte. A parte gráfica carregada em tons cinzas, brancos e amarelados soa bem abstrata, mas que combina com a proposta lírica e deixou um ar mais vintage ao belo Digipack que embala o disco.

De fato, não é um álbum de fácil assimilação e pode soar azedo aos ouvidos não iniciados, mas que escutado com atenção você encontrará um grande trabalho além de uma qualidade sonora absurda e porque não original, pois não se é necessário ter técnica exuberante ou variações e quebras de tempo a todo instante para se reinventar e trazer uma sonoridade mais peculiar, e o Broken & Burnt prova isso.


Resenha por: Renato Sanson

Links de acesso:

Formação:
Hugo Ali (Guitarra/Vocal)
César Schroeder (Guitarra)
Denis Coelho (Baixo/Vocal)
Apache Moons (Bateria)

Tracklist:
Músicas:
Parte I:
1. It Comes to Life
2. Bestowing Animation
3. Unexpected Dirge

Parte II:
4. Along The Way
5. Eve
6. Dead Womb

Parte III:
7. Deep Inside the Void
8. Cold Letters
9. Darkness & Distance

domingo, 28 de junho de 2015

Vegas: Mistérios, Hardcore e experimentalismos

Read the review here in ENGLISH


Uma banda misteriosa que não se sabe muito de seu local de origem, apenas de um integrante, o vocalista e líder chamado de T, que vem da Alemanha.

O Vegas apresenta um som nada convencional, pelo contrário, uma mistura de Hardcore, experimentalismo e Metal, mas que soa de uma forma um tanto estranha, primitiva e atordoante.

Pois bem, em 2015 o Vegas lançou seu novo disco, que chegou ao Brasil, mas de forma limitadíssima (apenas 50 cópias), sendo um lançamento exclusivo para a América do Sul, tendo desde o nome do álbum, as letras e o nome das músicas traduzidas para o português.

Intitulado de “Quanto mais o nada, melhor...” temos um som agressivo, sujo e posso dizer que bem peculiar, as vocalizações de T são gritadas e com alguns efeitos, o que torna impossível entender o que está cantando, não sabendo dizer se é em alemão ou inglês.

T, a misteriosa figura por trás do Vegas
As guitarras são simples, assim com as linhas de baixo-bateria, um clima experimental fica em torno das 10 composições (até mesmo inclusões acústicas aparecem), mas o que pesa no trabalho, e de forma negativa é a produção, a ideia estrutural das músicas é bem sacada, mas a produção sonora soa desconexa, como se a banda tivesse gravado o disco ao vivo em estúdio, o que prejudicou o resultado final do trabalho.

Mas é interessante como a banda leva suas composições, pois sim, são cheias de feeling e energia, e com a tradução das letras, podemos notar a mensagem forte que a banda quer passar, que soa até mesmo um pouco abstrata, mas de grande relevância para quem tiver a oportunidade de ter o material e lê-las.

Hardcore, Metal e experimentalismo, uma união suja e pesada, que bem dosada pode sim trazer boas coisas, no caso do Vegas se mostraram competentes no que se propõem, porém, tendo que melhorar ainda a produção de seus lançamentos.


Resenha por: Renato Sanson


Link de acesso:




sábado, 7 de setembro de 2013

Scibex: Criativo, Intenso e Surpreendente


Realmente o Metal nacional nos surpreende cada vez mais, seja pelo lado mais Old School ou pelo lado experimental, sem medo de ousar. E nesse quesito "ousar" podemos dizer que os mineiros do Scibex passam na prova com sobras, pois em "Path to Omors" (2013) o que temos é um misto de ousadia, experimentalismo e muito Metal.

A faceta principal é o Black Metal, porém a banda não se prende só a isso, pois temos quebras de tempo, guitarras acústicas, variações rítmicas, vocais limpos que se alternam com rasgados, além de técnica e muito bom gosto.

A produção do disco ficou a cargo de Rodrigo Nepomuceno e a masterização foi de Brendan Duffey, onde realizaram um belo trabalho, deixando tudo audível e com uma boa dose de sujeira, sem tirar o peso das composições. A parte gráfica foi feita por Edgar Franco, que fez um belo trabalho, com uma das capas mais sensacionais de 2013, com seu misto de cores e seres dúbios.


Musicalmente temos um disco de alto nível, pois a cada faixa é uma surpresa, sendo que todas musicas são longas com partes intrincadas e diferentes, um verdadeiro quebra-cabeça, que ao monta-lo você se depara com uma obra do Metal nacional. 

Certamente faixas como "Cryptic Comfort Zone" (variada e complexa, com destaque aos riffs), "Built to Collapse" (com bela alternância nos vocais, além de ser bruta e quebrada), "Mermaid Serpent" (com seus momentos progressivos e agressivos) e "Path to Omors" (com muita variação e quebras de ritmos), farão você viciar no trabalho, e não sairá do seu play tão cedo.

Complexo e instigante, certamente um dos trabalhos mais criativos já lançados no Brasil, além de ser empolgante, agressivo e poderoso, como toda banda de Metal deve soar. Ao ouvir um trabalho como esse fico me perguntando: é real que os bangers do nosso país não levam nossas bandas a sério?

Texto e edição: Renato Sanson
Revisão: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Scibex
Álbum: Path to Omors
Ano: 2013
País: Brasil
Tipo: Black Metal/Experimental

Assessoria: Metal Media

Formação:
Diogo Bald (Vocal)
Thales Valente (Guitarra/Guitarras Acústica)
Lennon Oliveira (Guitarra)
João Paulo (Baixo)


Tracklist:
01 Cryptic Comfort Zone
02 Built to Collapse
03 Embrace of Silicon
04 Static  
05 Mermaid Serpent
06 Being
07 Heralds of Noosphere
08 Path to Omors 
09 Vast & Secular (instrumental)

Acesse e conheça mais a banda