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domingo, 3 de novembro de 2019

Entrevista - Hellish War: "Nada Mais do Que Metal..."



Com mais de duas décadas de estrada o Hellish War segue firme em seu propósito, desde a criação da banda, que é fazer Heavy Metal à maneira clássica. Nessa caminhada já são 4 álbuns de estúdio, um ao vivo (com gravações de sua tour na Alemanha), duas viagens ao velho mundo, onde ampliou sua base de fãs, mudanças de formação, um pequeno hiato e outras dificuldades dessa batalha que é fazer arte, música e principalmente Metal.  (English Version)

Conversamos com o baixista JR para falar um pouco dessa história, e principalmente sobre o novo álbum, "Wine of Gods", que já está disponível em formato físico e digital, e ainda vai receber uma edição limitada em LP, que será lançada pela gravadora Abigail Records. Confira!


RtM: O Hellish War foi formado numa época que o mercado musical estava mudando, os anos 90, algumas bandas tentaram inclusive mudar o estilo para se encaixar no mercado, mas em contrapartida surgiram novos nomes, inclusive um revival do Metal dos anos 80, usando o termo “True Metal”, com nomes como o Hammerfall, e o próprio Hellish War aqui. Um movimento que renovou e recuperou aquela sonoridade do Heavy Metal 80’s. Gostaria que você comentasse a respeito disso, e sobre como você vê o espaço no cenário hoje para as bandas que seguem essa linha mais 80’s?
JR - Acredito que tem espaço para todo mundo. Obviamente algumas modas vão e vem, alguns estilos ora em alta tendem a cair na semana seguinte e assim por diante. Este lance do revival chega a ser engraçado, pois nosso principal compositor nasceu na década de 70 e viveu a aura dos anos 80 in loco. Então mais do que normal que essa influência se refletisse nas composições. Entendo o ponto jornalístico da questão, mas pra nós, isso nada mais é do que Metal. Metal que nós ouvimos e curtimos no dia a dia. É nosso background e influência, o revival quem faz geralmente são os fãs e a mídia em geral.



RtM: Para este novo álbum vocês contaram com apoio importante, com financiamento pelo Proac Editais, o que certamente, devido as dificuldades para uma banda brasileira poder investir, é uma saída muito interessante, para seguir lançando novo material, podendo investir mais na produção, consequentemente podendo ser mais competitivo. Gostaria que vocês comentassem a respeito desse apoio e o que mais isso trouxe e poderá trazer de resultado.
JR -  O PROAC foi uma porta gigantesca para tentarmos um novo approach. É legal ver que uma banda de Metal, do underground nacional foi contemplada com este projeto. Mostra que de certa forma ainda existe abertura para a cultura, seja ela qual for. Foi muito importante termos este apoio e isso acrescenta e muito para a história do Hellish War. A liberdade financeira foi essencial neste projeto, além de ter ajudado no nosso ego. A auto estima foi lá em cima.

RtM: Algo que achei muito interessante é a contrapartida ao projeto que a banda dará, que são as realizações de oficinas musicais. Ou seja, o estado investiu em cultura, e a população recebe também o retorno. Inclusive o Show de lançamento também é com entrada franca não é? Então, é muito importante tudo isso, pois muitos parecem não ver o Heavy Metal como algo que mereça um investimento maior por parte de órgãos de incentivo à cultura. Gostaria que vocês comentassem a respeito.
JR- Sim, fizemos três shows de forma gratuita. É muito legal isso, pois, acabamos por alcançar pessoas que não são do metal e até sendo possível melhorar a imagem do estilo perante a sociedade em geral. Em nossos shows abertos ao público sempre tem crianças, famílias inteiras. Esta contrapartida é essencial para disseminarmos a cultura, e sendo uma cultura que vivemos e respiramos, melhor ainda. 


RtM: E com relação à produção de “Wine of Gods” e aos trabalhos anteriores, visto o apoio com o financiamento, acredito que vocês conseguiram dispor de mais recursos, mais alternativas e mais tempo para a produção. Poderia nos destacar as principais diferenças da produção deste álbum para os anteriores?
JR - A diferença principal foi a verba mesmo, porque tempo não tivemos. O projeto tinha um deadline bem menor do que estamos acostumados a trabalhar, então foi bem tenso o processo de composição e gravação. Mas com a verba, foi possível avaliarmos mais de um produtor, mais de uma forma de lançar, etc.

RtM: “Wine of Gods” com certeza será apontado por muitos como o melhor trabalho da banda, trazendo composições muito fortes e bem trabalhadas, e claro, produção cristalina. Gostaria que vocês comentassem a respeito do processo de composição, inclusive vocês se isolaram em um sítio durante o processo não é?
JR - Sim, nos isolamos por alguns dias em um sítio no interior. Foi legal termos este espaço, longe dos problemas corriqueiros do dia a dia. Longe de trabalho, família, etc. A criatividade flui. Tínhamos a aparelhagem ligada o tempo todo, então era só chegar e tocar a qualquer momento. Cansou? Era só dar um pulo na piscina, fazer um churrasco. Nossa composição segue uma linha uniforme em todos os álbuns, o Vulcano e o Job geralmente apresentam as ideias e vamos lapidando com a banda toda. Com o lance do sitio isso aflorou, e até eu que nunca compus nada acabei assinando uma das músicas.

RtM: Um dos destaques, que inclusive teve um lyric-video lançado recentemente, é “Warbringer”, que traz como convidado Chris Botendahl (Grave Digger), gostaria que vocês nos contassem mais a respeito de como surgiu essa ideia e oportunidade de convidá-lo, e que critério foi usado para decidir em qual faixa iriam utilizá-lo?
JR - Tínhamos a ideia de convidar alguém do Metal. Fizemos a lista dos que mais gostamos e entramos em contato. Tinham alguns outros, mas o Chris foi muito simpático e prestativo desde o início. Mostrou interesse e respondeu quase de imediato. A escolha da música foi bem óbvia pra gente, este som tem a cara dele e já imaginávamos ele cantando. Mas ele fez um trabalho excelente e contribuiu muito pro som. Somos muito fãs de Grave Digger, é uma realização ter ele no álbum.


RtM: Uma das grandes dificuldades é o espaço para shows, ainda mais em um país enorme como o nosso, aliadas a dificuldades econômicas. Na sua visão, o que pode ser feito para termos melhorias nesse sentido?
JR - Olha, são tantos anos na estrada e respondi tanto sobre esse assunto que já nem sei mais por onde ir. Mas, sendo objetivo, acredito que falte incentivo mesmo. Dinheiro é o que gira o mundo e se não nos unirmos para prestigiar as bandas nacionais que aparecessem por aí, dificilmente este cenário irá mudar. O incentivo de um projeto estadual mostra que a realidade pode ser alterada, temos que levar isso para a cena como um todo também.

RtM: E suas expectativas para shows no Brasil e também expectativas de novamente um trabalho da banda ser lançado por um selo estrangeiro, além de voltar para uma tour maior na Europa, um dos grandes mercados do Heavy Metal?
JR - Para o Brasil já fizemos três shows de lançamento, como parte do projeto para o Proac: Sorocaba, Santos e Campinas. Os demais serão divulgados em breve. Tem coisa legal vindo por aí, o Hellish irá quebrar algumas barreiras daqui pra 2020. Quanto a Europa, o álbum sairá em vinil pela Abigail Records de Portugal e estamos procurando parceiros para lançar o disco lá. O mesmo vale para um nova tour por lá. Nada definido, mas está no nosso radar.

RtM: Obrigado pela atenção! Espero vê-los conquistando mais reconhecimento, e também ver um show da banda aqui no RS ano que vem. Fica o espaço para sua mensagem aos leitores.
JR - Seria um prazer irmos para o RS. Só falta o convite!! Quero agradecer pelo espaço concedido e agradecer a todos os leitores e fãs da banda! Ouçam o novo álbum, sigam nossas redes sociais, compartilhem com os amigos e em breve nos vemos na estrada!!

Entrevista: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Line-Up:
Bill Martins: Vocals
Vulcano: Guitar
Daniel Job: Guitar
JR: Bass

Daniel Person: Drums

Agradecimentos: Som do Darma

Discografia:
Defender of Metal - 2001
Heroes of Tomorrow – 2008
Live in Germany - 2010
Keep It Hellish - 2013
Wine Of Gods - 2019


       



       

terça-feira, 17 de abril de 2018

Appice: Irmandade de Peso



O projeto Appice é a junção dos dois irmãos e influentes bateristas, Carmine e Vinny Appice. Carmine, o mais velho e experiente, é uma referência no instrumento, criando muitas técnicas e possuindo um estilo bem marcante, tendo no currículo bandas e artistas como Cactus, Rod Stuart, Vanilla Fudge, King Kobra, além de projetos como Beck, Bogert & Appice. Vinny, não menos importante, com sua pegada e técnica, tem em sua história grupos como Black Sabbath, Dio e Heaven and Hell, o que bastaria para ter um lugar de destaque no hall da fama do Rock pesado.

O álbum “Sinister” não traz surpresas em termos sonoros, felizmente! Pois o que ouvimos é Classic Rock, Hard e Heavy Metal clássico de qualidade, na veia de Whistesnake, Dio, Blue Murder e outros. As novidades ficam mesmo por conta dos irmãos se dividindo entre as músicas e também em algumas tocando juntos, sendo que podemos ouvir cada um deles em um canal diferente. Dessa forma fica muito legal perceber o estilo de cada um deles, que embora praticamente sigam a mesma escola, possuem suas personalidades, com Carmine mais clássico, rápido e técnico, e Vinny com mais pegada e muito groove, embora também muito técnico.

Carmine e Vinny
Outro atrativo são os convidados que aparecem durante as 13 faixas do álbum, como Craig Goldy, Joel Hoekstra, Paul Shortino, Tony Franklin, Erick Norlander e Phil Soussan. A cada faixa temos então sempre um time de músicos de categoria, e todos esses pontos culminam em um álbum de Hard/Heavy muito bom, e ainda com algumas faixas que se sobressaem. A capa também ficou muito legal, com um lado de cada face dos irmãos costurada, no melhor estilo “Frankenstein”.

A faixa título abre o álbum com muito peso e pegada, e, principalmente, quebradeira "baterística". Carregada de energia, alternando trechos cadenciados e rápidos. Para falar já sobre as faixas de destaque,  a segunda faixa, “Monsters and Heroes” merece ser citada, pela bela homenagem a Ronnie James Dio, amigo pessoal dos irmãos. Um Hard/Heavy com groove e com um grande refrão. E claro, uma letra repleta de citações. Destaque para os vocais de Paul Shortino e o vídeo bem legal, em que os irmãos ficam fazendo alguns malabarismos, como trocar baquetas um com o outro.

Sobra groove na cadenciada "Killing Floor", e aqui os irmãos contam com Craig Goldy na guistarra e Chas West nos vocais. Nestas 3 primeiras os brothers se dividem na bateria, e podemos ouvir Vinny  canal esquerdo e Carmine no direito; em "Danger", Vinny assume a batera, destacando os vocais de Jim Crean, neste Heavy clássico, numa linha bem Dio.


Em "Drum Wars", faixa praticamente instrumental, destaca o  "duelo" dos irmãos, onde podemos ouvir mais claramente cada um mostrando suas habilidades, com Carmine podendo ser ouvido no canal direito e Vinny no esquerdo; Carmine assume as baquetas solo em "Riot", que relembra os tempos de Blue Murder, nesta faixa composta por John Sykes e que abriu o álbum homônimo do grupo de Carmine e Sykes. Os vocais aqui ficaram a cargo de Robin McAuley. 

"Suddenly" é bluesy e cheia de groove, numa linha bem Whitesnake clássico, com Shortino lembrando bastante o estilo de Coverdale. Aqui Vinny inicia e Carmine assume depois, para em seguida se alternarem na bateria; O Heavy/Hard de "In the Night" tem uma pegada contagiante, com refrão pegajoso, e traz Ron Bumblefoot esmerilhando a guitarra. A bateria aqui ficou por conta do irmão mais velho; Em "Future Past" Vinny assume a bateria, em uma faixa cadenciada, pesada, com teclados ao fundo, que segue uma linha bem Dio. Craig Goldy marca presença nas guitarras e algumas linhas de baixo.


"You Got Me Running" Carmine, além da bateria, assume os vocais, mostrando bastante competência. Classic Rock com suingue; "Brother in Drums" soa bem setentista, destacando a voz rouca de John Carridi; em "War Cry" a classe de Joel Hoekstra se faz presente, neste Hard 70's composto em parceria com os irmãos Appice e Paul Shortino. Os irmãos novamente se alternam, e temos vários momentos com muito groove; fechando o álbum, "Sabbath Mash", que como o nome dá pistas, é uma homenagem a um dos pais do Rock pesado, onde Vinny e banda, tendo Jim Crean nos vocais, apresenta um mash up com clássicos do Sabbath.

Um álbum onde além de mostrarem sua técnica e estilo, os irmãos Appice proporcionam excelentes momentos de prazer aos ouvidos, com "Sinister" trazendo Hard/Heavy e Classic Rock bem feito, contando com um time de grandes músicos convidados, nos dando momentos bem interessantes semeados entres as 13 faixas. Parece ter sido feito em um clima de descontração, o que traz uma atmosfera muito boa.

Texto: Carlos Garcia



Tracklist
1. Sinister
2. Monsters And Heroes
3. Killing Floor
4. Danger
5. Drum Wars
6. Riot
7. Suddenly
8. In The Night
9. Future Past
10. You Got Me Running
11. Bros In Drums
12. War Cry
13. Sabbath  Mash      

Canais Oficiais:
Carmine Appice
Vinny Appice


     

terça-feira, 10 de abril de 2018

Bruno Sutter: Diversas Facetas e Metal de Qualidade



Versatilidade, que palavra definiria melhor Bruno Sutter? O cantor e humorista que foi revelado pelo programa Hermes e Renato, exibido pela MTV entre o final dos anos 90 e começo de 2000, já mostrou que seu talento vai muito além do humor. Vale lembrar também que há mais de 3 anos Bruno apresenta o bem sucedido “Bem que se Kiss”, na rádio Kiss FM de São Paulo.

Recentemente Sutter lançou seu primeiro álbum ao vivo, “Alive in Hell”. A capa do disco foi feita por Eduardo Francisco (artista que já fez trabalhos para Marvel e Hi-Rez), que já havia trabalho nas capas do EP “Detonathor” e de seu auto-intitulado álbum solo. 

As músicas foram capturadas de shows ao vivo em casas como Tom Brasil e Tropical Butantã, durante o ano de 2016. Ao lado de Bruno, músicos de grande capacidade, como Attílio Negri (guitarra), Guilherme Mateus (guitarra), Christian Oliveira (bateria) e dividindo o baixo, Gustavo Mateus e o experiente (e ícone) Luís Mariutti (About to Crash, ex - Angra e ex - Shaman).

A sonoridade do repertório é variada, logo de cara o show começa com “Stalker”, uma canção bem heavy metal, onde Bruno mostra sua “verdadeira voz”, sem os gritos e exageros do personagem Detonator. Em seguida “Grattitude” com uma ótima introdução, ficou ótima ao vivo. Os arranjos bem construídos de “Facing Temptation” me chamaram muito a atenção. 


Em seguida, “My Boss is a Corpse”, uma das músicas mais pesadas do repertório. Destaque para “Socorro” que Bruno diz ser “uma poesia que seu pai fez”. A seguir, a música "Troll", mais uma faixa com uma temática bem atual, aliás, nada é clichê no trabalho solo de Bruno. Na impactante “Rebuilding Destruction”, Sutter agita a galera e impressiona com a versatilidade vocal. Dando continuidade, a cativante “I Bloody Love to Love You” e em seguida a animada “Haters Gonna Hate”. A faixa “Hipócrita” agitou o público que cantava com muita energia. 

Já quase no fim do disco, “Provoke Yourself” me faz imaginar que não dá pra ficar parado em um show do Bruno Sutter. Sem perder a agitação é a vez de “The Best Singer in The World”, primeiro single do primeiro álbum. E para dividir opiniões, a divertidíssima versão heavy metal para a música “Galopeira”. Teoricamente este seria o fim do disco, mas Bruno nos presenteia com a impecável faixa bônus de “The Evil That Man Do” (presente somente para aqueles que adquirem o CD), cover do Iron Maiden. Particularmente eu achei o resultado do registro ao vivo melhor do que do álbum de estúdio.


Muita gente pode até torcer o nariz para Bruno Sutter, mas conseguir vender mais 20.000 cópias ( contando trabalho solo e Detonator ) de forma totalmente independente, são frutos de um trabalho árduo operacionalizando desde o marketing, até a logística de entrega dos produtos da loja virtual. Sutter tem nos surpreendido sempre, agora nos resta aguardar qual será sua próxima faceta.

Texto: Raquel de Avelar
Edição/Revisão: Carlos Garcia


"Alive In Hell" Tracklist:

01- Stalker
02- Gratittude
03- Facing Temptation
04- My Boss Is A Corpse
05- Socorro
06- Troll
07- Rebuilding Destruction
08- I Bloody Love To Love You
09- Haters Gonna Hate
10- Hipócrita
11- Provoke Yourself
12- The Best Singer In THe World

13- Galopeira

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segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Accept: Fase Impecável!



Em seu quarto álbum desta fase após a entrada do vocalista Mike Tornillo, a instituição do Teutonic Metal Accept entrega mais um grande álbum, recheado de riffs poderosos e aqueles refrãos grandiosos típicos. Accept é daquelas bandas que possuem sua personalidade sonora, e sem grandes surpresas, segue entregando álbuns de qualidade e com gana, coisa que infelizmente muitas bandas da mesma época perderam.

"The Rise of Chaos" a estreia de Uwe Lulis e Christopher Williams, guitarra e bateria respectivamente, que foram efetivados em 2015, após a ruptura da banda com Herman Frank e Stefan Schwarzmann, e em nada diminuiu o poder de fogo dos alemães, que está realmente sintetizado em sua maioria no trio Hoffmann/Baltes/Tornillo, sendo que pouca parcela dos fãs ainda não aceita um Accept sem Udo. Pelo título e capa, e observando os nomes da faixa já dá para perceber que, apesar de não ser conceitual, a banda abordou temas relacionados ao caos vivido pelo mundo, com a violência, terrorismo e fanatismo religioso, por exemplo.


2017 foi um grande ano para o Accept, que antes do lançamento do álbum ainda teve um espetáculo grandioso em sua terra natal, no maior festival de Metal do planeta, o Wacken, onde tocou ao lado de uma orquestra e também apresentou faixas do novo disco. "The Rise of Chaos" foi espetacularmente bem recebido pelos fãs e imprensa especializada, povoando as listas de melhores do ano de centenas de sites e revistas.

Mais uma vez sob o selo Nuclear Blast e lançado aqui via parceria com a Shinigami Records, o disco traz 10 faixas carregadas com a sua personalidade, trazendo a aura clássica aliada ao peso. As características consagradas estão sempre ali, como os riffs e solos marcantes e os coros nos refrãos. "Die by the Sword" é uma típica faixa Accept, com a guitarra de Hoffmann disparando mais um riff genial, e os tradicionais coros no refrão, o qual já gruda de imediato na mente! A faixa título, "The Rise of Chaos" é outro dos destaques, alternando peso e mudanças de andamento, onde temos trechos dessa sonoridade contemporânea do grupo, mas as características oitentistas estão ali, como nas melodias do pré-refrão.

É um álbum facilmente degustável pelo fã da banda, pois as faixas todas possuem ganchos que prendem o ouvinte. Dentre essas primeiras 5 faixas, "Hole in the Head" e "No Regrets", que seguem a linha já conhecida da banda, destacando "Koolaid", que foi apresentada no Wacken e também foi uma das primeiras a serem divulgadas no youtube, com seu andamento mais cadenciado e melodioso. A faixa fala sobre Jim Jones, fundador do culto Templo dos Povos, tristemente famoso devido ao suicídio/assassinato em massa em novembro de 1978 de 918 dos seus membros em Jonestown (Guiana), que nos faz lembrar que o fanatismo não é algo novo, e que muitos erros e mazelas se repetem desde muito.


Mas as que mais me agradaram foram as 5 faixas finais, que me soaram mais envolventes, possuindo algumas das melodias mais cativantes e marcantes do álbum, então, apesar do álbum ser muito bem equilibrado, no vinil eu começaria sempre pelo lado B! ha ha ha! Começando a segunda parte (ou lado B!heheh) com "Analog Man", tema que fala sobre a cada vez maior imersão do homem no mundo virtual, traz um andamento naquela linha "Balls to the Wall", inclusive no refrão e coros típicos! "What's Done is Done", com refrão e ritmo cativante, típico Accept clássico!

"Worlds Colliding",andamento moderado, com a guitarra de Hoffmann soando mais melodiosa e cativante, além de entregar um dos riffs mais legais do álbum e um solo de técnica e melodia; "Carry the Weight" é mais veloz, mas mantém as melodias em evidência, principalmente no refrão cativante nas linhas vocais e da guitarra; E "Race to Extinction", o que inicia mais cadenciada e dramática, com peso e melodia se alternando, sendo que a porrada pega mesmo no refrão. 

"The Rise of Chaos", se não pode ser considerado o melhor álbum desta era do grupo, no mínimo mantém a média alta, e  mostra que definitivamente encontraram um equilíbrio perfeito entre a  sonoridade clássica dos anos 80 com a fase contemporânea e mais pesada, iniciada em 2010 com "Blood of the Nations", claramente tudo fruto do entrosamento de Andy Sneap e o coração da banda, Wolf Hoffmann e Peter Baltes. Para bater a cabeça à vontade sem medo de ser feliz!

Texto/Edição: Carlos Garcia

Ficha Técnica:
Banda: Accept
Álbum: "The Rise of Chaos" 2017
País: Alemanha
Estilo: Heavy Metal
Produção: Andy Sneap
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records


Line-up:
Mike Tornillo: Vocais
Wolf Hoffmann: Guitarras
Peter Baltes: Baixo
Uwe Lulis: Guitarras

Tracklist:
01. Die by the Sword
02. Hole in the Head
03. The Rise of Chaos
04. Koolaid
05. No Regrets
06. Analog Man
07. What's Done Is Done
08. Worlds Colliding
09. Carry the Weight
10. Race to Extinction

     

     

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Manilla Road: 40 Anos de Epic Metal em Grande Estilo



Completando 40 anos de estrada os lordes do Epic Metal lançam seu 18º álbum, "To Kill a King", seguindo uma sequência incrível de novos álbuns, relançamentos e shows por vários cantos do mundo (e ainda tem um documentário vindo aí). Mark "The Shark" Shelton me falou em uma entrevista um tempo atrás, quando lhe pedi para fazer uma comparação entre os anos 80 e a época atual da banda, que prefere a atual, pois a banda jamais recebeu tanta atenção quanto agora, e pela quantidade de material lançado e pela quantidade de shows, não há o que discordar!  (English Version)

Com data marcada de lançamento para 30 de junho, pelos selos Golden Core Records/Zyx Music, "Kill the King" traz 10 faixas do Epic Metal característico do Manilla Road, aquelas peças épocas, os riffs, solos e melodias de Mark, além dos vocais, que agora divide com Bryan Patrick, e possuem timbres bem parecidos. Mas além dos elementos tradicionais e Old-School, tem a assinatura atual da banda, destacando melhores produções e a bateria de Neudi Neuderth, com sua pegada Rock/Progressiva, e agora contando como parceiro o baixista Phil Ross (e já tocou em todas as músicas do novo álbum, menos em "In the Wake"), que substituiu Joshua Castillo, tendo a primeira mudança de formação desde 2011. 


O álbum foi produzido e mixado por Mark em seu estúdio, e a masterização no Cornerstone Studio, de Steve Falke, que já trabalhou em álbuns recentes da banda, então temos a mesma pegada, com aquele som verdadeiro e orgânico, e com qualidade muito boa, que tivemos também em "Mysterium" e "The Blessed Curse". Time que está ganhando não se mexe!

As músicas? ah, Metal épico com a rifferama rasgando e o excelente trabalho de Neudi com suas viradas e breaks, acompanhado agora pela pegada e técnica de Phil Ross, que parece que deixou ainda mais encorpado o som da banda. As 10 faixas alternam a pegada mais Old-School e às vezes mais direta, com nuances mais trabalhadas e técnicas, e a sonoridade épica transita por caminhos ora mais progressivos e melodiosos, ora por mais pesados e diretos.

O disco abre com a faixa título, "To Kill a King", que com seus mais de 10 minutos, é uma daquelas que os fãs vão querer ouvir ao vivo, uma música que mostra o que é o Metal Épico que nasceu lá em Wichita. Em um andamento meio tempo, um riff épico e marcante já toma de assalto a música, que vai alternando trechos mais acústicos(um teclado discreto dá um ar neoclássico), transitando por passagens quase progressivas, destacando a quebradeira de Neudi no seu kit, e solos melodiosos de Mark.

Phil, Mark, Bryan and Neudi: Manilla 2017
"The Conquerer" é mais direta e mais rápida, e que punch! desnecessário citar que os riffs cortantes de Mak tomam conta do terreno; "Never Again" é uma daquelas baladas épicas, mais acústica e melodiosa, com mais uma bela performance de Neudi, um cara que merece ser mais reconhecido pela qualidade de seus trabalhos; "The Arena" é outra peça carregada de punch, mais veloz e com breaks bem inseridos, cozinha pesada, bem grave e agressiva, com os bumbos socando o peito do ouvinte. As linhas vocais também alternam entre o épico e agressivo.

Logo na sequência, seguindo essa alternância entre faixas épicas e mais "balada" com mais rápidas e agressivas, temos "In the Wake", que inicia mais lenta e melodiosa, inclusive temos alguns teclados ao fundo, para depois ir crescendo, ganhando peso e com mais uma das viagens guitarrísticas de Mark (gostei bastante dos timbres no solo), devidamente acompanhado por mais um excelente trabalho de Neudi, com pegada e técnica;  "The Talisman" é outra com essa pegada mais crua e direta, e o baixo de Phil se destaca. O riff marcante e os vocais mais roucos são outra característica marcante dela, juntamente com a boa alternância entre tempos rápidos e mais lentos.


Em "The Other Side" o clima mais melodiosos e épico retorna, destacando as passagens acústicas e melodiosas, mas claro, há variações mais pesadas e velozes; "Castle of the Devil" se destaca pelo peso dos riffs em pal-mute, tem um andamento mais moderado, mas bastante pesado; "Ghost Warriors", está entre minhas preferidas do álbum, com riffs e linhas melódicas cativantes e "Blood Island" fecha o disco, e traz um andamento mais veloz, com muto punch e aqueles riffs épicos característicos, uma faixa bem na veia do Manilla dos anos 80, ainda mais que Mark faz todos os vocais nesta.

O Manilla Road de Mark Shelton chega aos 40 anos e atravessando um grande momento, com uma formação forte e entrosada, nos entregando um álbum que traz aqueles elementos tradicionais e Old-School, porém com uma sonoridade atual, trazendo variações mais trabalhadas e técnicas, com a adição produções melhores, mas sem jamais perder o punch. Up the Hammers!

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica:
Banda: Manilla Road
Álbum: "To Kill a King" 2017
País: EUA
Estilo: Heavy Metal, Epic Metal
Produção e Mixagem: Mark Shelton (Midgard Sound Labs)
Masterização: Cornerstone Studios
Selo: Golden Core Records/ZYX Music
Press: CMM Consulting (iris_klabunde@cmm-online.de)

O álbum está disponível já na pré-venda, e poderá ser adquirido em vinil, CD ou Box limitado, que vem com bandeira, palheta, adesivo e um single.
Order the album here

Manilla Road Official Site
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Line-up:
Bryan Patrick: Vocals
Mark "The Shark" Shelton: Guitars and Vocals
Phil Ross: Bass
Neudi Neuderth: Drums and Percussion

Guest Musician:
E.C. Hellwell: Bass on "The Wake"


   

Tracklist:
1. To Kill a King
2. Conqueror
3. Never Again
4. The Arena
5. In the Wake
6. The Talisman
7. The Other Side
8. Castle of the Devil
9. Ghost Warriors
10. Blood Island



terça-feira, 25 de abril de 2017

Inner Call: Maturidade Em Primeiro Lugar



O Metal tradicional aqui no Brasil vem persistindo desde os seus prelúdios dos anos 80, com bandas que ainda estão presentes nos palcos e gravando novos trabalhos. Não será preciso citar nomes, pois com certeza muitos de vocês que estão lendo essa resenha já devem ter visto este que vos escreves falando sobre elas em algum texto que escrevi ou num bate papo informal e deleitado. Antes tarde do que nunca, eis que o primeiro trabalho dos baianos do Inner Call, lançado pela MS Metal Records, chega às minhas mãos

Aproximando-se da marca de 10 anos de atividade, o quinteto não esconde as influências do Metal tradicional, preservando o ambiente e a textura marcante do estilo dentro proposta sonora do grupo. Mas, além disso, eles conseguem ser sortidos em suas ideias, adicionando agressividade e melodia numa divisão simultânea e fresca, levando-os a ter uma personalidade própria e um jeito único de compor músicas.

Houve trajetos para cuidar da parte sonora e deixá-la nos seus devidos conformes, com gravações realizadas em São Paulo/Salvador e mixagem/masterização em Porto Alegre, controlado pelo Pablo Nechi, visando um som bem claro e intacto, com cada timbre dos instrumentos soando de maneira forte e pesada; o trabalho visual sintetiza o que passa nas letras de cada faixa, onde Matheus Silva e o baterista Luiz Omar fizeram uma obra bem feita e criativa.


Em nenhum momento os rapazes se encurvam e sabem o que fazem no ‘debut’ disco, acertando a mão com ótimos momentos que  impressionam positivamente, com cada um mostrando talento e dosando técnica no momento certo, gerando muito bons resultados no final, resultando em grandes canções.

O peso do grupo já aparece em “The Dark Ages”, possuindo um trabalho rítmico forte, adicionando backing-vocals femininos no refrão; “Ride From Hell” traz linhas de guitarras meio tempo, cheias de melodias abrangedoras; “Reason” destaca-se pela técnica e das esmeras melodias, envolto por solos harmoniosos; a longa “Inner Call”, talvez, a mais tradicional, onde guitarra, baixo e bateria seguem uma linha bem direta. Traz também um refrão memorável.


Demais destaques ficam por conta da rápida e intensa “Bad Minds” (tendo certo DNA de Thrash Metal), assim como a derradeira “I’m Back (This Is Rock N’ Roll)”, evidenciado mais vitalidade e atitude, como o próprio título alude.
Esperando o mais recente disco chegar até mim, que deve ainda melhor que o primeiro.

Texto: Gabriel Arruda
Edição/Revisão: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Inner Call
Álbum: Inner Call
Ano: 2015
País: Brasil
Gravadora: Ms Metal Records
Assessoria de Imprensa: Ms Metal Agency

Formação
Fábio Lima (Vocal)
Rafael Pereira (Guitarra)
Renato Passero (Guitarra)
Regis Farina (Baixo)
Luiz Omar (Bateria)

Track List:
1. Intro / The Dark Ages
2. Ride from Hell
3. Reasons
4. Inner Call
5. The Payment
6. Living in the War
7. Bad Minds
8. I'm Back (This is Rock'n'Roll)
 
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terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Orquídea Negra: Clássico "Who's Dead" pela Primeira Vez em CD


Fundada em Santa Catarina no ano de 1986, o Orquídea Negra carrega em sua essência o Metal Tradicional oitentista, como Picture, Metal Church, principalmente da NWOBHM (e é inevitável não citar o Iron Maiden dos primeiros álbuns), e em 1992 gravou em São Paulo seu primeiro LP (contendo 9 faixas), "Who's Dead", que já nascia com status de clássico, sendo o primeiro álbum de Metal de uma banda catarinense.  (English Version)

Lançado pela gravadora gaúcha Acit, e vendendo mais de 5 mil cópias, "Who's Dead" recebeu vários elogios e excelente repercussão, principalmente com faixas como a já clássica "Surrender", Hard/Heavy de melodias e refrão marcantes, além de faixas carregadas dos melhores elementos do Metal Tradicional dos anos 80, como guitarras dobradas, grandes riffs e muita pegada, como em "Wonderful and Lost" e "Hunting Devil". A balada "Heavy"  "Miss You" também teve destaque.

Apesar de ser o primeiro álbum do grupo, e a primeira experiência em estúdio, o Orquídea superou as adversidades colocando muita garra, pegada e honestidade nas gravações, onde contaram com a produção dos irmãos Garcia, da banda argentina Garcia e Garcia (que contava com Ricardo Confessori na formação), no estúdio Macan, em SP.


Agora finalmente o álbum é relançado e recebe sua primeira versão em CD, trazendo 15 faixas, sendo as 9 originais com som remasterizado, e como bônus tracks 03 regravações, destacando a ótima "The Darkness, composição da época que ganhou uma roupagem mais atualizada, e versões para "Heaven and Hell" do Black Sabbath e para a Marcha Fúnebre - 3º movimento da Sonata nº2 de Chopin,  "Who's Dead". O CD vem envolto num belo slipcase e também traz um booklet com 24 páginas, com muitas informações e fotos inéditas.

A tiragem é de apenas 1.000 cópias, e o selo responsável por este importante lançamento é o Dies Irae, portanto, ótima oportunidade para os fãs da banda, além de admiradores do Metal Tradicional e do Metal nacional em geral, adquirirem esta pequena pérola.

Vale lembrar que a banda também segue divulgando o novo álbum, "Blood of the Gods", que saiu no exterior, pelos selos Secret Service (Inglaterra) e Metal Soldiers (Portugal).

Texto: Carlos Garcia


Line Up (da época da gravação track-list original)
Andre Graebin: Vocais
Fernando Tavares: Baixo
Vinicius Porto: Guitarras
Robson Anadon: Guitarras e Teclados
Marcelo Menegotto: Bateria



Track-List
01. Surrender
02. Christmas Night
03. I'm Calling For Your Soul
04.Wonderful And Lost
05. It's Easy To Remember
06. Run To The Hell
07. Mr. Powerful
08. Hunting Devil
09. Miss You
Bônus Tracks
10. The Darkness (original)
11. Wonderful and Lost (regravação 2014)
12. Hunting Devil (regravação 2014)
13. The Darkness (2013)
14. Heaven and Hell
15. Who's Dead?


segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Entrevista: Primator - Heavy Metal Clássico e o Caos dos Dias Atuais



O Primator é mais uma ótima revelação do Metal nacional, que vinha já galgando degraus de forma rápida, lapidando seu Heavy Metal poderoso, mostrando já seu potencial com o EP "Primator" (2012), e já em 2013 iniciou as gravações do seu primeiro Full-Lenght, "Involution", que foi lançado no ano passado, mostrando uma banda ainda mais madura e coesa, com um Metal clássico, que remete aos ícones do estilo, com grandes riffs, guitarras dobradas, cozinha esmagadora, vocais altos, soando atual e poderoso.

Para falar dos bons resultados e repercussão do seu debut, além de falar um pouco mais sobre as composições, o trabalho de divulgação que segue, os próximos passos, inclusive já apresentando recentemente uma nova música que já foi composta para o próximo álbum, conversamos com o vocalista Rodrigo Sinopoli, e o resultado você confere a seguir:


RtM: Olá pessoal! Obrigado pela oportunidade de conversarmos um pouco sobre seu trabalho.
Rodrigo Sinopoli: Olá Carlos! Quem vos concede a entrevista é o Rodrigo Sinopoli e sou muito grato pela oportunidade e abertura de espaço.

RtM: Bom, gostaria que nos contassem a respeito de como foi esse trabalho de maturação da banda e das composições, que iniciou lá com o EP “Primator”, e culminou nesse full-lenght, o “Involution”, que mostra, não tendo nada a ver com o título do álbum, uma bela evolução da banda. Que fatores, além da experiência de estrada, claro, você acredita que contribuíram para esse processo, e a qualidade vista no álbum?
Rodrigo Sinopoli: Foi algo natural e continua em constante evolução.No caso do álbum, não foi muito difícil contextualizar as faixas que já existiam com as novas, pois todas abordam o mesmo tema, que de tão amplo que é, nos possibilitou linkar a incapacidade do homem em aceitar suas falhas e defeitos com o caos que vivemos hoje. A base para a composição do Involution veio do próprio cotidiano e situações que vivenciamos todos os dias.

"Não seria interessante falarmos sobre como a humanidade está realmente evoluída tecnologicamente ou avançada em termos científicos, mas o que foi degradado para que chegássemos a tal estágio."
RtM: Gostaria que você contasse um pouco mais do conceito de “Involution”, que trata dessa questão do homem estar pagando pelos seus erros, que a “evolução” parece ter nos tornado mais primitivos em vários aspectos.
Rodrigo: É justamente isso! Toda a matéria prima do Involution saiu do que observamos no mundo atual. O que tentamos mostrar, é como esta imagem famosa da escala evolutiva de Darwin pode ser interpretada de formas diferentes. Não seria interessante falarmos sobre como a humanidade está realmente evoluída tecnologicamente ou avançada em termos científicos, mas o que foi degradado para que chegássemos a tal estágio. Tudo aquilo de destrutivo que ficou pelo caminho e nos condicionamos a ignorar.

RtM: As letras todas possuem uma ligação? Pode ser considerado um álbum conceitual tradicional?
Rodrigo: Elas não possuem ligação direta entre si, mas se encaixam no contexto do álbum, que pode sim ser considerado conceitual, porém não da maneira tradicional como algumas bandas, principalmente de metal progressivo, costumam fazer.

RtM: A faixa de abertura, “Primator”, que também dá nome à banda, e foi título do EP, foi a fagulha inicial do conceito que você abordou no álbum?
Rodrigo: Talvez seja a mais “primitiva” do álbum. Foi a primeira a ser escrita e composta. Acredito sim, ter sido o ponta pé inicial para fecharmos o tema abordado.


RtM: “Let me Live Again” é uma “balada pesada”, e que me lembrou bastante os trabalhos solo de Bruce Dickinson, especialmente os vocais.  E “Erase the Rainbow” eu acredito que traz bem fortes as influências de Judas Priest, além dos riffs excelentes, também tem uma letra muito forte. “Release the anger, this is the way for you and me”. Comente pra gente um pouco mais dessas duas músicas.
Rodrigo: A "Let me live Again" foi escrita há muito tempo, fruto de um fim de relacionamento que me trouxe muito sofrimento e tudo o que eu queria naquele momento, era justamente conseguir viver a minha vida novamente. No ano passado, com o falecimento do meu pai, me dei conta de como ela também funciona em outros casos de perda. Hoje, quando a interpreto nos shows, sequer me lembro da ex, mas não tiro o amor e a saudade pelo meu velho da cabeça. Isso é muito doido! Mesmo assim, eu e o Linhares escrevemos juntos uma canção onde homenageio diretamente minha figura paterna e que estará presente no próximo trabalho da banda. Quanto à "Erase the Rainbow", posso dizer que é uma manifestação contra a poluição visual e a sujeira que nos condicionamos a ignorar com o passar do tempo e em como é bizarro vivermos num mundo onde, por mais que tentemos tornar colorido e alegre, é cinza e caótico.
Gosto muito desta música também!

“Praying for Nothing” é outra que se destaca a meu ver, gosto muito do peso e atmosfera dela, com conteúdo lírico bem forte também, que traz um sentimento de abandono e pessimismo. Gostaria que comentasse mais sobre ela. E acredito ser bem atual mesmo, pois as pessoas andam muito incrédulas, vendo um mundo cheio de incertezas, ameaças como violência e pobreza crescente, injustiças, etc.
Rodrigo: Pois é! Ela trata da indiferença da crença e em quão justo este Deus pode ser, quando ajuda alguém a trocar de carro, por exemplo, mas ignora uma criança passando fome sob um viaduto qualquer. Não existe uma forma sútil pra falar sobre isso, então precisávamos de um clima pesado e hostil, de algo que realmente nos é incômodo.

E sobre a “To Mars”, que é também seu mais recente vídeo oficial,  música que não está no álbum, resultado de parceria com o Mário Linhares (Dark Avenger)? Conte pra gente mais sobre essa parceria com o Mário? Renderá mais frutos? Inclusive ele foi seu vocal coach, não é?
Rodrigo: A "To Mars" nada mais é do que uma faixa do nosso próximo álbum, que será integralmente produzido pelo Mario, que também é meu coach para este trabalho.
A diferença é que ela é de fato uma música feita para o Dark Avenger, mas que não se encaixava no tema do novo disco deles. Foi um presente do Linhares para o Primator, que recebemos com muita satisfação. Ele é um cara fantástico, que conhece Heavy Metal como poucos e é um enorme prazer poder contar com a parceria dele.


Parceria com Mário Linhares (Dark Avenger) já rendeu frutos
RtM: Em termos de Brasil, como você vê os frutos colhidos até agora, e os planos para ampliar os horizontes da banda, aqui e lá fora?
Rodrigo: No início do ano tivemos uma oportunidade para tocar no exterior, porém não conseguimos sincronizar nossas férias e acabamos desistindo da ideia naquele momento.
Acredito que retomaremos este caminho, que é hoje um dos nossos focos, assim que o próximo álbum for lançado. Hoje, no Brasil, o público dá muito mais valor quando a banda se “internacionaliza” e é sobre esta ideia que estamos trabalhando. Acredito que uma turnê fora do país nos traria muito mais respaldo aqui dentro também, onde, por enquanto, lidamos com fãs que pagam R$700 para assistir ao show de uma banda gringa que vem todo ano, mas não gasta R$20 num CD nacional.

RtM: O Primator é uma banda que, a meu ver, representa bem o Heavy Metal Clássico com roupagem atual. O que você me diz a respeito? E sobre essa questão de haver tantos rótulos e sub-estilos hoje em dia, ajuda ou atrapalha?
Rodrigo: Tocamos o que nos agrada escutar, que é de fato o Metal Tradicional Clássico. Aquele que, na verdade, não precisaria de rótulo, pois foi o que deu origem a todas as outras vertentes. Não gosto desse excesso de sub-gêneros e isso só nos traz mais desunião à cena. Atrapalha para casar shows e misturar públicos. Acredito que Metal é Metal!

RtM: E o lançamento da mídia física? Você vê o fã de Metal ainda como um consumidor fiel dos produtos, ou tem um receio quanto ao futuro e quanto a investir em produtos como CD, DVD, etc?
Rodrigo: CD e DVD é o mínimo que uma banda precisa ter para ser levada a sério, principalmente as novas. Ninguém quer escrever uma resenha de um CD-R. Então até nisso caímos nas garras do mercado. Precisamos gravar da forma que ele julga correto e torcer para o público receber bem e comprar o material. Mas é notório que o consumo de mídia física caiu com tanta opção digital. O que nos resta é tentar produzir algo que valorize o CD e o DVD e isto, definitivamente, está em nossas metas.

"As bandas mais velhas continuam sendo reconhecidas pelos trabalhos antigos e, de uma forma geral, não tiveram uma aceitação tão boa em seus álbuns mais recentes"
RtM: Justamente, tentar agregar maior valor ao produto. Vejo as bandas, principalmente lá fora, investindo em produtos diferenciados, como boxes, digipacks, earbooks, edições com bônus e coisas extras, como produtos personalizados. Claro que nossa realidade é diferente, mas talvez o fã opte por comprar o produto de fora por oferecer esses diferenciais. Pode ser uma saída.
Rodrigo: Sim, com certeza!

RtM: O envelhecimento das bandas pioneiras, e essa facilidade que temos hoje para difundir a informação, é algo que está dando espaço para mais bandas ocuparem um lugar de destaque, mesmo tendo uma divisão maior do público? Pois muitas bandas têm um grande destaque em alguns países, fazendo grandes shows, e em outros lugares, não há demanda ou tocam em lugares menores.
Rodrigo: As bandas mais velhas continuam sendo reconhecidas pelos trabalhos antigos e, de uma forma geral, não tiveram uma aceitação tão boa em seus álbuns mais recentes. Acredito que exista sim espaço, mas está sendo mal ocupado, pois o rádio, que é ainda hoje um meio de formação de opinião, toca as mesmas músicas sempre. Deixando o Heavy Metal fadado a pequenas aparições em programas e horários específicos.

RtM: Diante desse cenário atual, como você vê o futuro de novos nomes como o Primator, e o que você vê como necessário para buscar um destaque, e assim uma longevidade?
Rodrigo: Vejo o Primator tocando metal de qualidade, pesado, direto e que acima de tudo nos agrade. O que acontecer no futuro, dependerá exclusivamente de como seremos vistos pelo público e tendo isso em mente, nos resta apenas trabalhar e continuar produzindo coisas novas.

RtM: Obrigado pela entrevista e por nos contar um pouco mais do seu trabalho e também sua opinião sobre esses assuntos muito em comum dentro do cenário musical. Fica o espaço também para sua mensagem final. Abraço.
Rodrigo: Muito obrigado pela oportunidade e pelo teor das perguntas. Foi um prazer!
Quero agradecer também ao nosso público fiel, que nos acompanha pelas mídias sociais e nos shows. Vocês são incríveis e não perdem por esperar o que vem por aí. Grande abraço a todos!



Entrevista: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação
Assessoria de Imprensa: Som do Darma


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