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segunda-feira, 20 de julho de 2026

Motionless In White: Vinte anos de evolução sem abrir mão da própria identidade (Also In English)

Roadrunner Records (Imp.)

Por Michelle F. Santana - @mii.santanna

Celebrar duas décadas de carreira é um privilégio reservado a poucas bandas dentro do metal moderno. Desde sua formação em 2005, na Pensilvânia (EUA), o Motionless In White construiu uma identidade própria ao combinar metalcore, industrial, nu metal, metal alternativo e elementos eletrônicos sob uma estética inspirada no horror, no gótico e na cultura pop sombria. Ao longo dos anos, o grupo liderado por Chris Motionless refinou sua sonoridade sem abandonar a agressividade que conquistou sua base de fãs. Em Decades, lançado pela Roadrunner Records para celebrar os 20 anos da banda, o quinteto apresenta um trabalho que revisita sua trajetória enquanto aponta para o futuro, reunindo peso, melodias marcantes e participações especiais que ampliam ainda mais a experiência do álbum.

O conceito de Decades funciona como uma homenagem à própria história do Motionless In White. O encarte reforça esse caráter comemorativo com uma direção artística impecável, repleta de referências visuais à estética sombria que acompanha a banda desde seus primeiros lançamentos. É um material que dialoga diretamente com os fãs de longa data, mas que também serve como porta de entrada para quem está conhecendo o grupo.

Na parte técnica, a produção assinada por Drew Fulk e Justin DeBlieck é um dos grandes triunfos do álbum. Ambos encontram um equilíbrio admirável entre brutalidade e acessibilidade, entregando uma mixagem extremamente limpa, poderosa e moderna. Cada instrumento ocupa seu espaço sem comprometer a intensidade das composições, enquanto os elementos eletrônicos são incorporados de forma orgânica, enriquecendo as músicas sem jamais ofuscar o peso das guitarras.

Chris Motionless vive um dos melhores momentos de sua carreira. Sua interpretação é intensa e convincente, transitando naturalmente entre vocais limpos extremamente melódicos e guturais rasgados carregados de emoção e agressividade. A dinâmica vocal acrescenta dramaticidade às composições e reforça o caráter cinematográfico presente em boa parte do repertório.

As guitarras entregam riffs encorpados, grooves impressionantes e uma quantidade generosa de camadas que tornam cada faixa rica em detalhes. São aqueles grooves que fazem qualquer headbanger bater cabeça naturalmente. O baixo aparece firme, preenchendo a sonoridade com profundidade e sustentação, enquanto a bateria alterna precisão técnica, peso e criatividade, acompanhando perfeitamente as constantes mudanças de atmosfera do disco.

O grande mérito de Decades está justamente em sua capacidade de fundir diferentes estilos sem soar exagerado. Nu metal, industrial, metal alternativo, metalcore e música eletrônica convivem em perfeita harmonia, resultando em um álbum extremamente envolvente, energético e moderno. Os refrões são explosivos, memoráveis e fáceis de assimilar, tornando o trabalho acessível inclusive para quem normalmente não acompanha o metalcore. O Motionless In White demonstra maturidade artística ao refinar sua técnica sem sacrificar a essência que definiu sua carreira.

A faixa-título, "Decades", sintetiza perfeitamente a proposta do álbum. Combinando peso, melodias marcantes e uma atmosfera grandiosa, ela funciona como uma verdadeira declaração de identidade da banda e representa com competência o espírito comemorativo do trabalho.

Em "R.I.P.", a participação de Skylar Grey acrescenta uma dimensão emocional impressionante. A introdução conduzida por sua voz delicada cria um contraste marcante antes da explosão instrumental comandada pelo Motionless In White. O resultado é uma das músicas mais cinematográficas do álbum, alternando momentos de vulnerabilidade e intensidade com enorme eficiência.

"Fight Like Hell" aposta fortemente na influência do nu metal, trazendo grooves pesados, refrão explosivo e uma energia contagiante. Chris Motionless conduz a faixa com autoridade, transformando-a em um dos momentos mais empolgantes do disco.

"Playing God", com a participação especial de Corey Taylor, certamente figura entre os grandes destaques de Decades. A química entre os dois vocalistas é impressionante. As alternâncias entre vocais limpos e guturais elevam ainda mais a intensidade da composição, enquanto Corey entrega uma performance agressiva, raivosa e extremamente carismática, acrescentando ainda mais peso ao resultado final.

Em "Blood Rave", com participação de Anthony Martinez, a banda surpreende ao explorar uma atmosfera de balada gótica moderna. Hipnótica, envolvente e bastante diferente do restante do repertório, a música aposta em sintetizadores, batidas eletrônicas e um refrão dançante que permanece na memória após poucas audições. Aqui, os elementos eletrônicos assumem o protagonismo, demonstrando a versatilidade do grupo.

"Love At First Bite" mergulha de vez na temática vampiresca que sempre permeou parte da estética do Motionless In White. A composição incorpora influências da música dos anos 1980 sem abrir mão da produção moderna, criando uma atmosfera elegante, sedutora e divertida.

Em "Afraid Of The Dark", a banda entrega um dos momentos mais emocionantes do álbum. A abertura com guturais rasgados estabelece imediatamente um clima dramático que logo dá lugar a passagens melódicas extremamente marcantes. O refrão é envolvente, grandioso e reforça o equilíbrio entre agressividade e sensibilidade que caracteriza o disco.

A atmosfera retrô retorna em "Sunglasses At Night", que flerta com o AOR e o synth rock dos anos 1980 sem perder o peso contemporâneo. O resultado é uma faixa divertida, nostálgica e surpreendentemente dançante, capaz de agradar tanto aos fãs de metal quanto ao público que aprecia a estética das tradicionais baladas góticas.

Fechando a edição com uma energia extra, a bonus track "Fight Like Hell", desta vez com participação do Outlier, oferece uma nova leitura para uma das músicas mais fortes do álbum, encerrando Decades com a mesma intensidade que acompanha toda sua execução.

Decades não é apenas uma celebração dos 20 anos do Motionless In White, mas também uma demonstração clara de maturidade artística. A banda encontrou um equilíbrio raro entre agressividade, melodia, experimentação e apelo comercial, entregando um álbum que respeita sua identidade enquanto amplia seus horizontes musicais. Com produção impecável de Drew Fulk e Justin DeBlieck, performances inspiradas e composições repletas de refrões marcantes e grooves irresistíveis, o disco reafirma por que o Motionless In White continua sendo uma das principais forças do metal moderno.

Divulgação

***ENGLISH VERSION***

Celebrating two decades of a band's career is a privilege reserved for only a handful of acts in modern metal. Since forming in 2005 in Pennsylvania, USA, Motionless In White has forged a distinctive identity by blending metalcore, industrial, nu metal, alternative metal, and electronic elements under an aesthetic inspired by horror, gothic culture, and dark pop culture. Over the years, the band led by Chris Motionless has refined its sound without sacrificing the aggression that won over its loyal fanbase. With Decades, released through Roadrunner Records to commemorate the band's 20th anniversary, the quintet delivers a record that honors its past while looking firmly toward the future, combining crushing heaviness, memorable melodies, and high-profile guest appearances that elevate the listening experience.

The concept behind Decades serves as a tribute to Motionless In White's own legacy. The album booklet reinforces its commemorative nature through impeccable artistic direction, packed with visual references to the dark aesthetic that has accompanied the band since its earliest releases. It is a package that speaks directly to longtime fans while also serving as an inviting gateway for newcomers.

From a technical standpoint, the production by Drew Fulk and Justin DeBlieck stands as one of the album's greatest strengths. The duo achieves an admirable balance between brutality and accessibility, delivering a mix that is exceptionally clean, powerful, and modern. Every instrument occupies its own space without compromising the intensity of the compositions, while the electronic elements are seamlessly integrated, enhancing each track without ever overshadowing the crushing guitar work.

Chris Motionless delivers one of the finest vocal performances of his career. His interpretation is both powerful and convincing, moving effortlessly between soaring clean vocals and raw, emotionally charged screams. This dynamic vocal approach adds dramatic weight to the compositions and reinforces the cinematic atmosphere that defines much of the album.

The guitars unleash thick riffs, infectious grooves, and multiple layers that make every song feel rich and detailed. These are the kind of grooves that naturally make every headbanger bang their head with a smile. The bass provides a solid and commanding foundation, adding depth and fullness to the overall sound, while the drums combine technical precision, power, and creativity, perfectly complementing the album's constant shifts in mood and intensity.

Decades truly shines in its ability to merge different musical styles without ever sounding forced or excessive. Nu metal, industrial, alternative metal, metalcore, and electronic music coexist in remarkable harmony, resulting in an album that feels energetic, immersive, and refreshingly modern. The choruses are explosive, instantly memorable, and highly accessible, making the record appealing even to listeners who are not typically fans of metalcore. Motionless In White demonstrates remarkable artistic maturity by refining its craft without sacrificing the essence that has defined its career.

The title track, "Decades" perfectly encapsulates the album's overall vision. Combining crushing heaviness, memorable melodies, and a grand cinematic atmosphere, it serves as a powerful statement of identity while capturing the celebratory spirit of the record.

On "R.I.P." Skylar Grey brings an impressive emotional dimension to the song. Her angelic vocal introduction creates a striking contrast before Motionless In White unleashes its instrumental intensity. The result is one of the album's most cinematic moments, effortlessly balancing vulnerability and sheer power.

"Fight Like Hell" fully embraces its nu metal influences through heavy grooves, an explosive chorus, and infectious energy. Chris Motionless commands the song with confidence, turning it into one of the album's most adrenaline-fueled highlights.

"Playing God" featuring Corey Taylor, is undoubtedly among the standout tracks on Decades. The chemistry between both vocalists is undeniable. Their interplay between clean vocals and guttural screams elevates the song's intensity, while Corey delivers a fierce, aggressive, and emotionally charged performance that adds even more weight to the final result.

On "Blood Rave" featuring Anthony Martinez, the band surprises listeners by exploring the atmosphere of a modern gothic ballad. Hypnotic, immersive, and unlike anything else on the album, the song relies on lush synthesizers, electronic textures, and a danceable chorus that lingers long after it ends. Here, the electronic arrangements take center stage, highlighting the band's impressive versatility.

"Love At First Bite" fully embraces a vampiric atmosphere that has long been part of Motionless In White's artistic identity. The song incorporates clear influences from 1980s music while maintaining a thoroughly modern production, resulting in an elegant, seductive, and highly entertaining composition.

With "Afraid Of The Dark" the band delivers one of the album's most emotionally impactful moments. The opening guttural screams immediately establish a dramatic tone before giving way to soaring melodic passages. Its captivating chorus reinforces the balance between aggression and emotion that defines the record.

The retro influences return on "Sunglasses At Night" a track that flirts with AOR and 1980s synth rock without sacrificing contemporary heaviness. The result is an irresistibly fun, nostalgic, and danceable song that is likely to appeal not only to metal fans but also to listeners who appreciate the atmosphere of classic gothic club anthems.

Closing the special edition with an extra burst of energy, the bonus version of "Fight Like Hell" featuring Outlier, offers a fresh interpretation of one of the album's strongest tracks, bringing Decades to an intense and satisfying conclusion.

Decades is far more than a celebration of Motionless In White's twenty-year career; it is a compelling demonstration of artistic maturity. The band has achieved a rare balance between aggression, melody, experimentation, and mainstream appeal, delivering an album that remains faithful to its identity while confidently expanding its musical horizons. Backed by the outstanding production of Drew Fulk and Justin DeBlieck, inspired performances, unforgettable choruses, and irresistible grooves, Decades reaffirms why Motionless In White continues to stand among the leading forces in modern metal.



domingo, 22 de julho de 2018

Ministry: Mais Um Capítulo da Louca Mente de Al Jourgensen



Do Pop Eletrônico ao peso do Thrash/Industrial, o Ministry de Al Jourgensen teve seus altos e baixos, pois nem sempre suas “mutações” surtiram efeito ou caíram no gosto do público. Eu fui prestar atenção na banda quando esta iniciou sua fase mais Metal, com “Psalm 69” (1992), e descobri o grupo através dos vídeos de “Just one Fix” e da insana “Jesus Built My Hot Rod”, onde Ministry também estreava o guitarrista Mike Scaccia (também do Rigor Mortis, e falecido em 2012). Aquele peso e loucura era algo que valia a pena em meio a tanta coisa, digamos, estranha que surgia nos anos 90.

Passado o tempo, o grupo seguiu entre altos e baixos, sem, em minha opinião, jamais chegar a chegar perto da revolução que foi “Psalm 69”. Jourgensen imerso em problemas com substâncias ilícitas e a perda do parceiro de longa data, Paul Barker, que deixou a banda para dedicar-se a outros projetos, até chegou a trazer o peso e agressividade de volta, mas nada de excepcional foi criado. Vez por outra, cheguei a conferir os novos trabalhos, mas nada que realmente empolgasse, inclusive o show no Rock in Rio, foi um tanto quanto chato.


“Amerikkkant”, é o mais novo trabalho de Al, e mais uma vez trata de atacar duramente a política dos EUA, além de abordar outros assuntos/problemas da sociedade norte americana, como racismo e elitismo. Com uma excelente produção do próprio Jourgensen e músicos de competência, como Roy Mayorga (bateria), Sin Quirin (Guitarra) e Burton C. Bell (vocal convidado em algumas faixas), o álbum, que também traz bastante sarcasmo, mostra-se muito interessante. Ao final, sumindo, podemos ouvir "I Want You...Get Out" (Eu quero Você...Fora Daqui).

O peso do Thrash/Industrial em passagens caóticas, pesadas e atmosféricas está bem pulverizado, e já traz a sensação de que o álbum não é mais do mesmo, como poderás perceber em destaques como a irada e metálica “We’re Tired of It”, que nos incita a uma revolução contra a opressão. Outra coisa positiva, é, se você der uma passada de olho nas letras, vai perceber um sendo de humor bem ministrado, como em “I Know Words”, onde pode ser ouvida a voz do atual presidente dos EUA falando em construir um muro.


Burton C. Bell, do Fear Factory, faz as vozes em “Wargasm”. Os efeitos eletrônicos, guitarras ultra distorcidas e batidas do industrial seguem sendo elementos constantes, e em faixas mais longas como em “Twilight Zone”, podem causar certo desinteresse aos ouvidos menos acostumados, face à dezenas de samples, além do uso de Cello e Dj Scratchs, mas o vídeo é muito legal! “Victims of a Clown”, também uma faixa mais longa, as estruturas mais atmosféricas e as camas de teclado e guitarras distorcidas, trazem uma variação mais interessante, me lembrando muito os melhores momentos da banda. Destaque para o final, onde há o sampler do discurso de Chaplin no filme “O Grande Ditador”.

A épica “Amerikkka”, a faixa títulos, tem de ser destacada, e claro, você percebeu a referência nos 3 “K’s”. Jourgensen vocifera que “isto é como os nazistas em 39, como os romanos à beira do declínio, como os russos em 68, como isto supostamente pode fazer a América grande?”, atacando o governo atual, em meio ao peso dos riffs, da bateria (sendo que temos batidas programadas e também o peso da mão de Mayorga) e samples, os mais de 8 minutos são digeridos com tranquilidade, graças às criativas variações e a liderança das guitarras.


“Amerikkkant” mantém o Ministry no jogo, se mostrando novamente uma experiência musical interessante, com seu Metal Industrial, com boas variações, transitando por passagens pesadas, sombrias, frenéticas e caóticas. Al Jourgensen mostra aqui que sua mente ainda é capaz de produzir música carregada de peso e fúria, e se seu discurso já não é tão chocante, com certeza ainda é relevante, trazendo à tona todas essas agruras e podres do cenário político e do caos social atual.

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica:
Banda: Ministry
Álbum: "Amerikkkant" 2018
País: EUA
Estilo: Thrash Metal, Industrial Metal
Produção: Al Jourgensen
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records

Curtiu? Adquira o álbum AQUI


Tracklist:
1. I Know Words
2. Twilight Zone
3. Victims Of A Clown
4. TV5-4 Chan
5. We’re Tired Of It
6. Wargasm
7. Antifa
8. Game Over
9. AmeriKKKa



              



             

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Fear Factory: Identidade Mais Acessível


O FEAR FACTORY forjou um estilo no início dos anos 90, lançando um dos discos mais emblemáticos daquela época: ‘Soul Of A New Machine’. A mistura de Death Metal com Industrial lhes garantiu uma boa exposição, servindo de influência para inúmeras bandas na sequência. Passaram-se anos e, a despeito de várias trocas na line-up do grupo, absorção de novas tendências, chega-se a este “Genexus”. Sem traçar parâmetros com os álbuns anteriores, percebo uma banda atualizada com o que de mais moderno rola no cenário do Metal, mas nem por isso no que existe de melhor. Refiro-me às tendências exageradas de flertar com o Metalcore. O FEAR FACTORY não precisa deste expediente para se destacar, haja vista que são músicos experientes numa banda consolidada. Mas enfim... Acho que está faltando um pouco da atmosfera fria característica do Industrial, algo cético, denso; não se vislumbra isso aqui. Ao passo que partes eletrônicas se tornam presentes sem agregar nada de produtivo ao som.

 
Tudo bem que a guitarra de Dino Cazares ainda despeja riffs e mais riffs pesados na linha ‘robotizada’, algo que é uma marca registrada do FEAR FACTORY. Não poderia ser diferente. Ele ainda gravou o baixo no álbum e fez um ótimo trabalho. Nota-se um incremento no quesito bateria. Mike Heller agregou uma potência maior às músicas e uma pegada voraz, ainda que tenha mantido os mesmos timbres de sempre. Deen Castronovo faz uma participação especial na música “Soul Hacker”. Os vocais de Burton C. Bell continuam na mesma linha, altenam-se entre o urrado e o limpo, que parece estar ainda mais melódico. De qualquer forma, são bem feitos e um ponto peculiar da banda, certamente.

Dentre as dez músicas de ‘Genexus’ posso mencionar que “Dieletric” (que tem um vídeo bem legal), “Protomech” e “Regenerate” são algumas que se destacam positivamente em relação às demais. Mas o que realmente chama a atenção no álbum é “Expiration Date”, uma espécie de balada eletro-industrial, em que temos um leve clima ‘romântico’ e vocais melodiosos. É algo que realmente foge à regra do que a banda faz, mas pra quem curte esse tipo de proposta não é de todo ruim. É, sim, improvável.


De qualquer modo, não se trata de um disco ruim, porém acredito que o FEAR FACTORY deveria investir em partes mais pesadas e densas em detrimento da melodia e partes ‘pula-pula’. No entanto, não creio que isso aconteça, e é somente uma opinião deste que vos escreve. No que tange à produção e mixagem, ambas ficaram a cargo de Andy Sneap, que naturalmente soube extrair o melhor da banda e deixar o disco na medida certa. A bonita arte da capa ficou por conta de Anthony Clarkson (LEGION OF THE DAMNED, KATAKLYSM, BLIND GUARDIAN, outras).

Texto: Marcello Camargo
Edição: Carlos Garcia

Lançamento:Nuclear Blast - 

Line-up:
Burton C. Bell – vocals
Dino Cazares – guitars, bass
Mike Heller – drums

Track-List:
"Autonomous Combat System"
"Anodized" 
"Dielectric" 
"Soul Hacker" 
"ProtoMech" 
"Genexus" 
"Church of Execution" 
"Regenerate" 
"Battle for Utopia" 
"Expiration Date"





quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Kissin’ Dynamite: Explosão de estilos em seu 4° disco!


Uma pergunta? O que é colocado na água em que os alemães bebem? Sim, porque o que surge e já surgiu de grandes bandas desse lado do mundo é incrível! E o que chama atenção é a qualidade em muitos estilos, não se abstendo apenas há um ou outro.

Vindos da cidade de Tübingen, os alemães do Kissin’ Dynamite colocaram no mercado seu mais recente trabalho, o diversificado “Megalomania” (2015 – 4° de estúdio da banda), que traz influencias do Glam ao Heavy Metal, passando até mesmo pelo Metal Industrial.


O som é melodioso, grudento, mas não genérico, tendo ótimas guitarras, assim como certas inserções de teclados e partes eletrônicas, que caíram muito bem ao som do grupo. As linhas vocais estão muito bem encaixadas e apresentam ótimas variações, assim como os arranjos, que apesar de grudentos não são nada simples, e mostram ótimas construções melódicas.

A produção é de alto nível, com todos os detalhes bem equalizados, sem tirar nem pôr, com o som gorduroso e sem buracos.


Uma mescla intensa e que pode agradar ou não os mais saudosistas, mas o que fica é qualidade e profissionalismo com o que fizeram, não deixando o som soar datado, mas não esquecendo de suas influências. Uma grande banda que merece maior atenção dos bangers, ouça e apaixone-se!



Resenha por: Renato Sanson

Acesse e conheça mais a banda:



Tracklist:
01 DNA
02 Maniac Ball
03 VIP in Hell
04 Fireflies
05 Deadly
06 God in You
07 Running Free
08 Legion of the Legendary
09 The Final Dance
10 Ticket to Paradise

Formação:
Hannes Braun (Vocal)
Jim Müller (Guitarra)
Ande Braun (Guitarra)
Steffen Haile (Baixo)

Andreas Schnitzer (Bateria)

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Device: Draiman (Disturbed) Recheia CD de Estreia com Nomes Variados da Música Pesada

Nova banda do vocalista lançou em abril "Device"


Não mais um projeto qualquer, o Device, que surgiu a partir do hiato da banda Disturbed e da amizade e ideias de David Draiman (vocal da citada banda) e Geno Leonardo (ex-Filter), já chama atenção no seu autointitulado debut.

“Device” (2013), lançado agora em abril, traz uma proposta calcada no Metal Industrial, obviamente lembrando, em certos momentos, o trabalho do Disturbed, só que com mais efeitos eletrônicos, peso e melodia.

Mas o grande achado do álbum é o time convidado para participar. De nomes clássicos da música pesada mundial, a rostos mais “jovens”, mas também mundialmente reconhecidos.

A primeira é Lzzy Hale (Halestorm), que participa na versão de “Close My Eyes Forever”, música de Ozzy Osbourne e Litta Ford, lá dos anos 80, que, assim como a versão original, não traz grandes atrativos.

A coisa melhora da água pro vinho com a faixa seguinte “Out of Line”, disparada a melhor faixa do disco, seja pelo seus elementos bem industriais, seja pela participação de ninguém menos que Geezer Butler (baixista do Black Sabbath), que deixa seu imponente baixo prevalecer, e Serj Tankian (vocalista do System of a Down), uma real união do moderno com duas lendas do Metal (e o dueto de Serj com David ficou épico).

Tom Morelo (Rage Against the Machine) e M. Shadows (Avenged Sevenfold) também participam, respectivamente, nas faixas “Opinion” (nada mais sugestivo) e “Haze”. Particularmente, não admiro nenhum dos músicos citados, então, pouca atenção me chamou, mas certamente agradará aos fãs das bandas.

Após 16 anos com dedicação total ao Disturbed, David lidera nova banda
Outra grata participação e, confesso, uma grande surpresa, foi Glenn Hughes, que fez história com Deep Purple, passou pelo Black Sabbath, além de carreira solo e outras tantas bandas. Ele canta divinamente (como sempre) em “Through it All” (cuja letra é uma carta de Draiman a sua esposa), minha segunda faixa preferida.

Amizade de anos entre Tankian e Draiman rendeu uma das melhores músicas do ano até agora

Mas o disco não limita-se a boas canções apenas com participações especiais, já que faixas como “Vilify” (single do disco e vídeo que você assiste abaixo), “Hunted” (música composta para ser trilha sonora do filme Underworld) e “A Part of Me” (esta uma das mais pesadas de todo o disco). Cito também “Wish”, tributo a banda Nine Inch Nails e que ficou bem legal.

A Device começou com tudo, num disco de alta qualidade, com composições cheias de energia, críticas e raiva canalizada, tudo isso complementado com grandes nomes da cena Rock/Metal mundial. Ouça sem medo.

Stay on the Road

Texto e edição: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação
Revisão: Renato Sanson

Ficha Técnica
Banda: Device
Álbum: Device
Ano: 2013 
País: EUA
Tipo: Metal Industrial/Alternativo
Gravadora: Warner Bros. Records

Formação
David Draiman (Vocal)
Geno Leonardo (Guitarra)

Ao vivo
Will Hunt (Bateria)
Virus (Guitarra)



Tracklist
1. You Think You Know
2. Penance
3. Vilify
4. Close My Eyes Forever (com Lzzy Hale)
5. Out Of Line (com Serj Tankian e Terry “Geezer” Butler)
6. Hunted
7. Opinion (com Tom Morello)
8. War Of Lies
9. Haze (com M. Shadows)
10. Through It All (com Glenn Hughes)
11. Wish (Nine Inch Nails Cover)
12. A Part of Me
13. Recover (Bônus)

Acesse e conheça mais sobre a banda

Assista ao vídeo clipe do primeiro single “Vilify”


Ouça “Out of Line” com Tankian e Geezer Butler


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Hammer 67 Mostrando a Qualidade do Metal Industrial

Contrastando com a cena mais tradicional, Hammer 67 tem se destacado no Rio Grande do Sul


Mais uma grata surpresa do nosso underground gaúcho, estou falando da banda de Metal Industrial Hammer 67 natural de Caxias do Sul e fundada pelo guitarrista Paulo Schroeber (Almah e Astafix) que lançaram no ano de 2009 seu primeiro full lenght “Mental Illness”.

Confesso que não sou um grande fã de Metal Industrial, mas o que me chamou atenção nesta banda são as qualidades das composições que, apesar de toda a parte experimental, tem como base muito peso e criatividade aliado a um vocal “panteristico” que lembra em muito Phil Anselmo (Pantera, Down) até mesmo nas partes mais calmas.

Hammer 67

Mas não pense que isso é ruim, pois o vocalista Niuton Paganella despeja vociferações incríveis com uma potência absurda e alternando muito bem seu vocal entre o limpo e o rasgado. Ouça em “Reaction” que abre o álbum e “1984” a grande voz de Niuton.

Mas o destaque do álbum fica para Paulo que além de ser o único guitarrista da banda e assinar a excelente produção do disco, mostra todo seu poder de composição e linhas de guitarras muito criativas como em “Time To Burn” (que virou o mais novo vídeo clipe da banda) ou “Blindness”, que Paulo explora muito bem os efeitos em sua guitarra.

A Hammer 67 está de parabéns pelo ótimo álbum de estréia que realmente é muito moderno e cheio de elementos, mas que de forma alguma tira o brilho das composições que te surpreendem a cada faixa e sem falar da parte gráfica que é muito bela. O álbum ainda fecha com uma versão inusitada da musica “Martelinho 67” da banda Aliança Rebelde que ficou realmente muito pesada e agressiva.

Mais uma banda trazendo orgulho para nossa terra, que com certeza tem tudo para estourar e se tornar uma das grandes do Brasil.

Texto: Renato Sanson
Edição/revisão: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Hammer 67
Álbum: Mental Illness
Ano: 2009
País: Brasil
Tipo: Metal Industrial
Gravadora: Independente

Formação
Niuton Paganella (Vocal)
Paulo Schroeber (Guitarra)
Marcio Venz (Baixo)
Rodrigo Zorzi (Bateria)



Tracklist
01 Reaction
02 Drawn By The Tides
03 1984
04 Time To Burn
05 Dance Of The Madman
06 Blindness
07 Entombed
08 Fire In The Eyes
09 Going Down
10 I Am A Warrior
11 Take Your Soul Away
12 Martelinho 67 (Bonus Track – Cover Aliança Rebelde)

Assista aos dois vídeos clipes do álbum

Acesse e conheça mais sobre a banda

Assessoria e Shows: hammer67@wargodspress.com

sexta-feira, 26 de março de 2010

O Zumbi está de Volta


Há pessoas no cenário do Rock e Metal que, por si só, já chamam atenção, ainda mais quando inovam em sua música, circulando por vários estilos de se fazer música, além de terem projetos pessoais em outras artes fora da música.

Uma das figuras carimbadas é Rob Zombie. O cara e sua primeira banda de renome White Zombie marcaram o Rock e Metal ao mesclarem o som pesado, com efeitos eletrônicos e letras críticas e de “foda-se” que inovaram o mundo mais alternativo.


Porém, descontente com o que estava fazendo no grupo, Rob resolve tentar carreira solo e obteve êxito. Aliás, em termos de sucesso e reconhecimento, estando sozinho sua música configurou em trilhas sonoras de jogos e filmes, desde produções independentes até aquelas vindas de Hollywood.

O músico, desenhista e produtor de cinema lança o segundo volume de seu clássico “Hellbilly Deluxe” (1998): “Hellbilly Deluxe 2 - Noble Jackals, Penny Dreadfuls And The Systematic Dehumanization Of Cool” (2010). Extravagância é o sobrenome desse cara e quem conhece seu trabalho, tanto na música quanto no cinema, sabe do que estou falando.


O disco em questão traz 11 faixas puro Rob Zombie, algumas maiss pesadas, outras menos, mas todas com a características de ser algo beirando o caos. O disco começa com “Jesus Frankenstein”, com uma atmosfera mais obscura, que mescla inclusive passagens acústicas.

Destaques também para “Werewolf, Baby”, com aquela coisa toda parecida saída de um filme Trash e com um riff de guitarra pra lá de texano, dá até para imaginar a banda tocando em um saloon. Muito engraçado. Agrada também “Sick Bubble-Gum”, “Burn”(single do álbum) e “Death and Destiny Inside the Dream Factory”.


Rob Zombie está de volta. Não que ele tenha parado com seu Metal Industrial, mas com certeza sua pausa para se dedicar mais exclusivamente às produções na sétima arte acabou fazendo com que este disco tenha saído apenas 4 anos depois de seu último material inédito, “Educated Horses” (2006).

Este “Hellbilly...” pode não ser tão marcante e intenso quanto o primeiro volume de 1998, mas com certeza ainda traz muito daquele cara e banda que gravaram um dos discos mais malucos do Metal. Vale a pena conferir.

Stay on the Road

Texto: EddieHead

Ficha Técnica

Banda: Rob Zombie
Álbum: Hellbilly Deluxe 2 - Noble Jackals, Penny Dreadfuls And The Systematic Dehumanization Of Cool
Ano: 2010
Tipo: Alternative Metal
País: EUA



Formação

Rob Zombie (Vocal)
John 5 (Guitarra)
Piggy D. (Baixo)
Tommy Clufetos (Bateria)



Tracklist

01 - Jesus Frankenstein
02 - Sick Bubble-Gum
03 - What?
04 - Mars Needs Women
05 - Werewolf, Baby
06 - Virgin Witch
07 - Death and Destiny Inside the Dream Factory
08 - Burn
09 - Cease to Exist
10 - Werewolf Women of the SS
11 - The Man Who Laughs

domingo, 31 de janeiro de 2010

Uma Volta Regada a Peso e Melodia



Quando o assunto é o que se costumou chamar de Metal Industrial vem à tona, um dos nomes mais referenciados é dos norte-americanos do Fear Factory. Aliás, é lá principalmente que a banda conseguiu carregar muitos fãs para esse gênero, tornando-se referência à muitas bandas, inclusive de New Metal.

Porém, como quase sempre acontece, alguns egos inflados dentro da banda fez com que ela encerrasse as atividades logo após o disco “Digimortal” (2001). A partir daí o que se viu foi um sumiço dos integrantes e uma “guerra” declarada entre os dois principais membros, o guitarrista Dino Cazares e o vocalista Burton Bell.

A banda retornou com nova formação, com um álbum um pouco mais pesado que o anterior mas ainda assim muito diferente do que se espera ver. O álbum, “Transgression”, sai em 2005 e desde lá a banda não havia lançado material inédito algum, embora tenha feito parte da grande turnê chamada Gigantur, ao lado de lendas como Megadeth e Dream Theater.

Entretanto, é em 2009 que boatos correm e logo se confirmam de que a banda estaria gravando o primeiro álbum depois de 5 anos e, o que era mais espantoso mas inevitável de que Cazares estaria de volta à banda. Com ele, recrutaram o baterista Gene Hoglan (conhecido rodie do Slaver, baterista em vários álbuns do Dark Angel e em um do Death)), no lugar de Raymond Herrera, membro desde o inicio da banda em 1991.

A banda realizou uma turnê, e nela apresentaram algumas canções inéditas que viriam fazer parte do seu novo álbum, ainda para chegar às lojas. O nome, “Mechanize” (2010), traz 10 faixas de bastante peso, superando as expectativas de quem vos escreve. Além disso, o dedo (ou melhor, dedos) de Cazares se faz sentir nesse disco, trazendo uma atmosfera do auge da banda, afinal, o cara é um guitarrista singular.

Além dele, Burton Bell dá um show, algumas vezes arriscando algo mais gutural do que de costume, mas não esquecendo de aproveitar a deixa da banda para impor seu estilo melódico que sempre faz arrepiar quando se ouve. O novo batera não deixa a desejar, embora a falta de Herrera e suas batidas não tão repetitivas se façam sentir.

Ainda é cedo para falar sobre o que os fãs e a mídia em geral pensarão do álbum, mas uma coisa eu digo: agora o Fear Factory está de volta. E me alegra muito ouvir um álbum como este e notar que a mesma banda que gravou álbuns clássicos da história, como “Demanufacture” (1995) ainda pode fazer um som como de antigamente sem deixar de parecer novo e surpreendente.

Destaques do álbum para “Power Shifter”, “Mechanize” e “Final Exit”, esta última de arrepiar e que fecha o álbum.

A banda esteve no fim de ano no Brasil e é de se esperar que em 2010 eles retornem com seus clássicos e inéditas, com essa dupla de egos inflados mais interessada em trabalhar pelos fãs do que por seus nomes apenas.

Stay on the Road

Texto: EddieHead

Ficha Técnica

Banda: Fear Factory
Álbum: Mechanize
Ano: 2010
Tipo: Metal Industrial
País: EUA



Formação

Burton C. Bell (Vocal)
Dino Cazares (Guitarra)
Byron Stroud (Baixo)
Gene Hoglan (Bateria)



Tracklist

1 Mechanize
2 Industrial Discipline
3 Fear Campaign
4 Powershifter
5 Christploitation
6 Oxidizer
7 Controlled Demolition
8 Designing the Enemy
9 Metallic Division
10 Final Exit