segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Symptomen: Máquina do Tempo

Apostando no Metal anos 80 e com sucesso

Muito bom vermos, a cada dia que passa, que muitas jovens bandas ainda acreditam no Heavy Metal tradicional, aquele que encontrou seu auge nos anos 80, mas que, com o passar das década, acabou tendo que ceder parte do espaço para os subgêneros do Metal.

Aqui no Brasil, muitos grupos tem seguido a proposta de trazer músicas baseadas em riffs viciantes, refrões simples e fáceis de cantar, velocidade e respeito ao tradicional e, dentre os grupos que chamaram minha atenção este ano, certamente está Symptomen (Tatuí/SP), que tive oportunidade de conhecer em seu álbum “Men Against Men” (2012), que saiu via Die Fight e traz pouco mais de 35 minutos divididos em 8 faixas.


O quarteto que traz nos vocais e guitarra Iago Pedroso, na outra guitarra Tiago Floyd, além do baixista Manassés Procópio e o batera Ricardo Menezes conseguiu, num disco curto, mas eficiente, trazer o puro Heavy Metal oitentista, tanto é que a própria faixa de abertura do disco, “Back to the 80’s” já denuncia que a banda não tem medo de soar datada, nem de deixar na cara a influência da NWOBHM, por exemplo.

Tudo isso se evidencia em faixas de muito bom gosto como “Symptom Men”, bem cadenciada e que remete até a algo de Manowar, “Army of the Children”, a mais rápida (quebradeira de Menezes) e um dos destaques do álbum, assim como merecem atenção “Bad Choices” (início já te chamando pro headbanging!) e “Demean”, com um baixo que me lembrou “Killers” (Iron Maiden), mas cujo destaque são riffs bem clássicos ao longo da faixa.

Não há muito mais o que falar desse grupo, apenas que é altamente indicado para quem não gosta de inovação, mas sim aprecia o bom e clássico Heavy Metal. Afinal, quando a música é feita com o coração, quem se importa se você ficar com impressão de que já ouviu algo parecido antes? Eu não fico. Em tempo, a banda está finalizando a gravação do sucessor deste álbum, que se chamará “Into the Future” (clique e ouça o single) e deve sair em 2014.

Stay on the Road

Texto/edição: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação/Aline Boni
Assessoria: Strike Management

Ficha Técnica
Banda: Symptomen
Álbum: Men Against Men
Ano: 2012 
País: Brasil
Tipo: Heavy Metal Tradicional
Selo: Die Fight

Formação
Iago Pedroso (Vocal e Guitarra)
Tiago Floyd (Guitarra e Backing Vocals)
Manassés Procópio (Baixo)
Ricardo Menezes (Bateria)



Tracklist
1. Back to the 80 s
2. Army of the Children
3. Bad Choices
4. Demean
5. Poisoned World
6. Maybe
7. Symptom Men
8. Living in Danger

Asssita ao video clipe oficial de “Living in Danger”


Acesse e conheça mais a banda

domingo, 15 de dezembro de 2013

Perc3ption: Ampliando a Definição de Power/Prog Metal



Apesar de já muito comum a denominação Power/Prog Metal, sobretudo aqui no Brasil, onde parece que a maior aposta das novas bandas é seguir esse caminho, cada vez fica mais complicado rotular os trabalhos sempre mais complexos desta cena nacional que é, sem sombra de duvidas, a mais rica do mundo nesse seguimento.

E oriundo dessa expansão, a banda Perc3ption estreia no mercado fonográfico com “Reason and Faith” (2013) (se não contarmos o EP "Insights"), álbum que saiu pela Ms Metal Records com distribuição da grande Voice Music, que contou com a produção de Edu Falaschi (Almah, ex-Angra, Symbols), que tem mostrado tanto talento nesse tipo de trabalho quanto como vocalista. Além disso, o quinteto escolheu muito bem o Norcal Studio, de São Paulo, provavelmente o melhor estúdio para bandas de Metal do país.

A sonoridade caminha por esse tal Power/Prog Metal, mas com o grupo caprichando em composições técnicas, mas com bastante sentimento, afinal, a temática do álbum trata justamente da razão e da fé, da dicotomia entre estes dois polos, mas o disco não é conceitual, já que acaba tratando de outros temas, como sociedades secretas, vampirismo, etc. E os temas são bem representados, desde a capa, muito bela, às imagens do encarte, que, além de trazer as letras, nos brinda com belas imagens referentes a cada canção.

Com os vocais macios e corretos de Luiz Poleto, as guitarras ora nervosas, ora melódicas de Glauco Barros e Rick Leite, com o baixo na cara de Wellington Consoli, bateria bastante técnica e grooveada de Peferson Mendes, além dos teclados do próprio Edu Falaschi como participação especial, “Reason and Faith” é recheado de ótimas composições, sem abusar do peso, com produção cristalina, mas mantendo o som orgânico e apesar de ter uma veia pulsante do Metal Progressivo, não faz muitos rodeios, apesar das composições longas (a menor tem 5 minutos e meio).

Vídeo clipe de "Surrender" deve ser lançado nos próximos dias

Antes ainda do lançamento o grupo divulgou “Surrender”, single e carro-chefe do álbum, certamente aquela canção que tem tudo para ser o primeiro hit da banda e ser considerada uma das melhores canções do Metal brasileiro deste 2013 (inclusive a banda está por lançar vídeo clipe da canção). Mas o disco, como um todo, mantém a homogeneidade, sem cair a qualidade em momento algum, apenas com passagens e faixas mais destacáveis, como “Dead Man in Me”, “Feeding on Living Blood”, e a trinca final com “Masters of Illusions (The Pledge)”, “Suspension of Disbelief (The Turn) e “Beyond the End of Life (The Prestige)” são a cereja do disco, sobretudo esta última, com uma das melodias mais belas que já ouvi e mostram a ousadia da jovem banda em compor faixas bastante longas, variadas, com muita melodia e refrãos marcantes.

“Reason and Faith” vai agradar em cheio quem curte som de bandas como Mindflow, Bad Salad e Devon, até mesmo alguns nomes internacionais, como Dream Theater, mas sempre com boa dose de personalidade de quem sabe o que está fazendo. Este é Perc3ption. Grande lançamento de 2013.

Stay on the Road

Texto/edição: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação
Assessoria: Ms Metal Press

Ficha Técnica
Banda: Perc3ption
Álbum: Reason and Faith
Ano: 2013 
País: Brasil
Tipo: Power/Prog Metal
Selo: Ms Metal Records


Formação
Luiz Fernando Poleto (Vocal)
Rick Leite (Guitarra) 
Glauco Barros (Guitarra) 
Wellington Consoli (Baixo)
Peferson Mendes (Bateria)




Tracklist
01. Trust Yourself
02. Nonexistence
03. Surrender
04. Dead Man in Me
05. Feeding On Living Blood
06. Illuminati  
07. Master of Illusions
08. Suspension of Disbelief
09. Beyond the End of Life 

Ouça "Surrender"

Ouça "Nonexistence"


Acesse e conheça mais sobre a banda

sábado, 14 de dezembro de 2013

Resenha de Shows: Cauldron e Bandas Nacionais Incendeiam o Rio de Janeiro

Apesar do baixo público, Rio teve noite de puro Metal

Com os portões do Odisséia abrindo depois do previsto, as poucas pessoas que ali se encontravam se preparavam para ver a primeira das três bandas de abertura da noite: a Tamuya Thrash Tribe. Apesar do nome, a banda liricamente influenciada por cultura indígena tem um gênero musical indefinido, e talvez classificá-la apenas como “metal extremo” seja o mais eficiente, uma vez que os riffs, melodias e solos têm diferentes variações de velocidade, agressividade e clima, caracterizando um som puxado para o Thrash/Death, mas com muitas características de Black, Groove e Doom Metal. 

Tamuya Thrash Tribe iniciou as apresentações da noite com muito peso

Muito pesada, o som da banda foi tirado não apenas dos dois álbuns gravados da banda, mas também de inéditas que se farão presentes em um trabalho futuro. Começando com “Last Ball”, o curto setlist se estendeu com a melódica “Agonising and Insufferable”. “Aqui, deus do trovão não é Thor, é Tupã!”, anunciava-se, pouco antes da intro da música homônima à banda. Embora a bela “Immortal King” não tenha se feito presente, a banda impressionou o público, que lentamente crescia, terminando com a música “Zumbi”.

Forkill apresentou seu excelente disco "Breathing Hate"

O público crescia, mas de forma dolorosamente lenta, e ainda era um público tímido e pouco animado. Mesmo assim, subia no palco a Forkill, apresentando seu excelente disco “Breathing Hate” (2013). A banda trazia um Thrash muito rápido e pesado, e, ainda tendo uma pegada brasileira moderna em seu som, a banda faz um som com claras influências do Thrash americano dos anos oitenta... aquele que na época nem sequer era considerado Thrash, por ser demasiado rápido e denso.  A agressividade musical se evidenciou quando a banda chamou um amigo ao palco para assumir os vocais de um excelente clássico: “Seasons in the Abyss”! Ainda que a escolha pareça um pouco incomum, a banda executou perfeitamente uma das maiores pirações de Jeff Hanneman e Tom Araya (Slayer), com o som seguinte, ainda, tendo sido precedido pela intro de “Raining Blood”.

Still Alive contrastou com as demais bandas, apresentando Heavy Metal com melodia

Contrastando com as bandas extremas que precediam, subia então no palco a grandiosa do Power Metal carioca Still Alive. Apesar do contraste supracitado, a banda trazia vocais muito limpos, mais próximos aos da banda principal. Abusando de teclados e solos extra-melódicos, a banda trazia também influências diretas do Heavy tradicional, algo muito Maiden, principalmente nos vocais e contrabaixo, em uma excelente interpretação das músicas de seu disco, “Kyo”.

Primeira passagem da banda canadense em solo brasileiro

Cerca de meia-hora depois do previsto, o Cauldron entrou em cena, agora com um público maior – mas definitivamente decepcionante, tendo em vista a grandiosidade do show, com cara de mini-festival. Mas os canadenses ainda foram energéticos e furiosos, começando com a perfeita introdução que precedia a faixa-título do último disco, o ótimo “Tomorrow’s Lost”! Apesar de seu som marcar, para muitos, uma forma moderna do Heavy Metal tradicional, a velocidade de seus riffs era tão grande quanto à de muitas bandas de Speed Metal, com impressionantes solos que perfaziam boa parte da música como a música seguinte, ainda do “Tomorrow’s Lost”, “Burning Fortune”, uma faixa curta, mas com uma grandiosa intensidade. Mas se ainda havia pessoas que não estivessem batendo cabeça, a maior pedrada do último álbum estaria vindo: “Nitebreaker”, totalmente com cara de Metal tradicional, com seus riffs grudentos e solos melódicos e extensivos, fez todos os presentes descobrirem o porquê do Cauldron ser uma banda aclamada.

Apesar de um setlist que deixou de fora algumas ótimas composições, Cauldron tocou seus clássicos

Para descansar um pouco, a banda trouxe uma música muito mais lenta, com uma pegada quase Doom, do disco anterior, “Burning Fortune”: “Queen of Fire”. Foi um testamento para as habilidades na guitarra de Ian Chains. Já as habilidades na bateria de Myles Deck seriam provadas na faixa seguinte, a deveras veloz “Rapid City”. A faixa seguinte, voltando ao “Burning Fortune”, seria talvez a faixa que mais traz o aspecto de Metal tradicional à banda da noite: “Miss You to Death”, um petardo em velocidade moderada com vários riffs, um ritmo feito principalmente com o contrabaixo de Jason Decay, que canta aqui com uma voz mais grave que antes, às vezes deixando os backing vocals quase desnecessários. 

O que viria a seguir traria uma surpresa para os que não acompanham o repertório da banda: um cover da clássica “Digital Bitch”, do Black Sabbath, mais precisamente do disco com Ian Gillan, “Born Again”! Não é a toa que seja uma das faixas mais bem faladas do disco em questão, pois é completamente Heavy Metal, e combina com o som veloz e limpo do Cauldron – ainda que os riffs sejam incrivelmente densos combinados com a distorção de forma que só Tony Iommi sabe compor. E para continuar com um clima rápido e intenso, a música emendada fora nada menos que “All or Nothing”, um já clássico da banda, cheia de solos rapidíssimos, questionando aspectos da vida que a todos irritam, e tendo, de longe, o refrão mais grudento da história da banda.

A última faixa a ser tocada do “Tomorrow’s Lost” no show talvez fosse ser um pouco morna, já que não é uma das mais populares, mas “Fight For Day”, além de ser a faixa mais bem balanceada entre contrabaixo e guitarra do disco, trazia riffs excelentes que praticamente pediam abuso dos pratos por parte do baterista, o que até suavizava o grito no final, que logo antecedeu um som muito menos limpo: a clássica titular de um antigo EP, “Into the Cauldron”, usando riffs mais diretos e vocais rasgados, baseada em graves tons da bateria. Apesar dos solos menos técnicos e maduros, era definitivamente o melhor som da banda para preceder o cover que viria a seguinte, de uma das bandas que mais influenciavam a banda desde o início: a super clássica do Venom: “Die Hard”!

O Venom nunca foi uma banda técnica, fazendo com que seu som ao vivo sempre parecesse diferente a cada concerto, algo aberto a interpretações até mesmo de bandas de estilos diferentes, como o Cauldron. Com os mesmos vocais rasgados e distorções sujas de “Into the Cauldron”, a música foi claramente um dos picos do show, e mostrava que a banda não se limitava a influências menos pesadas. Muito embora a música que fecharia o show fosse diferente, tinha um clima muito pesado: “Chained Up in Chains” tem um ritmo comercial no refrão, mas ao vivo, a música passa de atmosférica a monstruosamente densa e pesada, uma das pérolas da noite. Com partes soladas que deixavam o ritmo pesado a trabalho do baixo e bateria, a relativamente depressiva mudança de temporização entre os riffs, uma música tão sentimental parece um grande mix de estilos. Por ser a última faixa de um setlist curto, deixou-se o público querendo mais, e isso se enfatizava pelo fato de que outros clássicos absolutos do “Chained to the Nite” não entraram pro repertório... e não apenas “Dreams Die Young” e a popular “Conjure the Mass” ficaram de fora, como “Taken By Desire” e a visceral “Frozen in Fire”, ambas do rancoroso “Burning Fortune”, também não tiveram seu lugar na noite.
O público mais do que diminuto talvez não tenha sido um tributo merecido à memorável noite, ainda mais considerando que parte dele estava com uma fria atuação diante de uma calorosa performance de um dos atos que melhor demonstram o reavivamento do Metal tradicional em tempos modernos.

Texto/fotos: Lucas Cottica
Edição/revisão: Eduardo Cadore

Nossos agradecimentos à pessoa da Miky Ruta (Fame Entreprises) pelo credenciamento do nosso redator e total profissionalismo. Agradecemos a confiança.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Kataclysm: Do Underground Canadense para o Mundo

Novo disco do grupo canadense deve agradar fãs antigos

Vindo do Canadá, o Kataklysm já percorre duradouros 22 anos de estrada, sempre mergulhado no Death Metal tradicional, muitas vezes brutal, beirando também o melódico. Muitas vezes rotulado como “hyperblast” pela rapidez de sua música, o Kataklysm vem do underground canadense para o mundo, com seu novo lançamento, “Waiting for the End to Come” (2013).

Esse é o décimo primeiro full-lenght da banda, que já contém em sua discografia os clássicos “Sorcery” (1995) e “Shadow and Dust” (2002) e outros não menos apreciáveis, como “In the Arms of Devastation” (2006) e “Prevail”(2008). Nesse novo lançamento a banda conseguiu unir todos seus elementos de anos de experiência para criar um ótimo álbum, tendo como seu antecessor o criticado “Heaven’s Venom” (2010), o qual desagradou muito fãs antigos.

Desde o álbum “Shadow andDust”(2002) tenho acompanhado a banda com mais atenção e até então sempre de olho na careira dos caras. A parte técnica sempre foi um dos diferenciais desses canadenses, e justamente na bateria, que sofre com as constantes trocas, é sempre substituída por um grande músico, com suas batidas na velocidade da luz.

Liderada por Maurizio Iacono, vocal, e por Jean-François Dagenais, guitarra, membros fundadores, a banda nos brinda com um ótimo instrumental e melodias. O player já começa com “Fire” que tem uma introdução bem melódica, criando um suspense para o que está por vir. É ai que a banda já da as caras como de costume, entrando com o pé na porta já despachando blast beats muito rápidos, riffs absurdamente empolgantes e um vocal arrasa quarteirão de Maurizio. A próxima começa com uma introdução do filme “Livro de Eli” e já despeja riffs ultra velozes e novamente os blast beats de entrada, seguindo com um bumbo duplo de ficar de boca aberta. Como a velocidade cai bem na música do Kataklysm, incrível! O baixo está na medida certa, destacado e “turbilhando” a cozinha, perfeita para um grande mosh.

Aqui está uma das minhas preferidas do álbum, “Like Animals”. Com um riff marcante e um vocal muito bem executado por Maurizio, já lembrando que isso é de praxe pelo álbum inteiro. A seguir “Kill the Elite” que inicia com uma melodia que não havia estado presente nas anteriores e que marca o som da banda. Após a rápida introdução, Jean-François nos apresenta seu repertório de riffs, caindo numa cozinha destruidora de Stéphane Barbe no baixo e Olivier Beaudoin na bateria. Que música, meus amigos!

“Under Lawless Skies” tem uma levada um pouco diferente das outras, se diferenciando na qualidade das demais. A competência de Maurizio nos vocais sempre faz com que a música se torne atraente, variando seu gutural e rasgado. “Dead and Buried” já começa com mais melodia e uma levada mais cadenciada com algumas levadas parecidas com a música anterior, também não merecendo muito destaque. “The Darkest Days of Slumber” começa uma bateria bem técnica, com levadas interessantes dos tambores com o chimbal, seguindo com uma ótima condução. Entra ótimos riffs, fazendo com que nenhuma cabeça fique parada.

Após o "fraco" (para muitos) "Heaven's Venom", Kataklysm aposta na velocidade e peso

“Real Blood, Real Scars” nos lembra algo do Thrash Metal com bastante melodia, com um vocal rasgado, mas é outra música que não chega a empolgar. Seguindo a sequencia que nos priva da velocidade costumeira, “The Promise” vem cadenciada, com uma boa cozinha e a técnica de Oliver nessa música impressiona, principalmente pelo andamento dos tempos e troca de ritmos, com bastante quebradas.

Agora sim, a velocidade voltou aos trilhos, despejando riffs e um baixo mais uma vez empolgante, rápida e cadenciada na medida certa, uma das melhores, remetendo boas partes de Thrash Metal. A próxima é a já conhecida “Elevate” que é o carro chefe do play, já apresentada dias antes do lançamento. Ótima pedida para conhecer a banda, lembrando muito os tempos antigos mais melódicos.

Em modo geral, é um grande lançamento desses canadenses que estavam devendo aos deathbangers depois do fraco “Heaven’s Venom” (2010). A produção é limpa, impecável, coisa que o Kataklysm dá muita atenção, com cada instrumento sendo ouvido perfeitamente do começo ao fim. Aqui cabe um grande elogio para arte da capa. Há duas versões para o encarte: uma que há um ser saindo de uma construção cheia de ossos, em direção a uma cidade, com detalhes em preto e branco; e a melhor, no qual uma criança parece literalmente caminhando para a morte, com a Terra atrás sendo devastada por uma chuva de meteoros. Fantástica!

Conheça o Kataklysm e entenda que brutalidade e melodia podem sim caminhar juntas, desde que aplicadas com enorme competência e maestria. Bem vindo ao mundo do Kataklysm e espere pelo fim para voltar ao começo!

Texto: André Luiz Sauer
Edição/revisão: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Kataklysm
Álbum: Waiting for the End to Come
Ano: 2013
País: Canadá
Gravadora: Nuclear Blast

Formação
Maurizio Iacono (Vocal)
Jean-François Dagenais (Guitarra)
Stéphane Barbe (Baixo)
Olivier Beaudoin (Bacteria)



Tracklist
1 – Fire
2 – If I Was God... I’d Burn It All
3 – Like Animals
4 – Kill the Elite
5 – Under Lawless Skies
6 – Dead and Buried
7 – The Darkest Days of Slumber
8 – Real Blood, Real Scars
9 – The Promise
10 – Empire of Dirt
11 – Elevate

Assista ao vídeo clipe oficial "Elevate"


Mais informações

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Andragonia: Nova Formação, Nova Fase

Grupo apresenta nova formação em vídeo clipe de música inédita
 
No início deste mês de dezembro, os paulistanos do Andragonia quebraram o silencio de meses, já que desde que a banda anunciou várias mudanças drásticas na formação (a saída de dois integrantes, incluindo o vocalista), o grupo fez mistério sobre quem passaria a integrar a banda.

Bom, o silêncio foi dilacerado com o lançamento do vídeo clipe oficial para a inédita “The Challenger” e, como todo grupo que quer mostrar que não está para brincadeira, a banda de Thiago Larenttes e Cauê Leitão voltou mais pesada e agressiva, exaltando bastante a técnica, algo que destaca a banda até mesmo no famigerado game Guitar Flash.

Banda aposta no virtuosismo dos seus guitarristas e no vocal agressivo de seu novo frontman

“The Challenger” também é o nome do vindouro EP do grupo que será lançado em 2014, ainda sem o suporte de gravadora. Não sei o que as principais gravadoras estão esperando. Banda digna de fechar contrato com grandes empresas de nível internacional.

No vídeo clipe, gravado em um hangar (produzido pela Movie3 e dirigido Mess Santos), a nova formação se consolida com ninguém menos que Raphael Dantas (Caravellus, Soulspell Metal Opera) e Alex Cristopher na bateria, que substituíram, respectivamente, Ricardo DeStefano e Daniel de Sá, que participaram dos, até então, dois discos completos de estúdio, ambos aclamados, “Secrets In The Mirror” (2010) e “Memories” (2013). Toni Laet, baixista, segue na banda, mas entrou para o grupo em 2012.

Raphael Dantas é o novo frontman da banda e traz postura mais agressiva ao som

A nova proposta sonora da Andragonia, que não foge muito do que foi feito em “Memories”, tem dividido opiniões, sobretudo acerca da grande exploração do virtuosismo dos guitarristas que, para quem não sabe, possuem carreiras solos e são reconhecidos dois grandes nomes da guitarra do Brasil. Porém, a maior mudança fica na parte dos vocais, já que DeStefano havia caído nas graças da galera, com um vocal mais melódico e agudo, algo que, pelo menos em “The Challenger”, não é o caminho trilhado por Dantas, que é reconhecido pelo seu vocal mais rasgado, agressivo e direto.

Vídeo clipe beira 8 mil visualizações em apenas uma semana!

De modo geral, uma nova fase se anuncia. Talento e fãs por todo o mundo essa galera já tem e, com um bom trabalho de divulgação, shows e mais material inédito de qualidade, tem tudo para se firmar com esta nova formação. Agora é aguardar ansiosamente pelo EP para sabermos o que esperar do 3º disco. 

Stay on the Road

Texto/edição: Eduardo Cadore
Fotos: Juliana Salles/Divulgação

Andragonia agora é:
Raphael Dantas (Vocal)
Thiago Larenttes (Guitarra)
Cauê Leitão (Guitarra)
Toni Laet (Baixo)
Alex Cristopher (Bateria)


Assista ao vídeo clipe aqui


segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Malefactor: Álbum Marcando Ápice do Unholy Metal

De Salvador/BA, Malefactor oferta o maior trabalho da sua carreira

Lutar no underground para ter seu nome reconhecido é algo bastante árduo e, na maioria das vezes, não traz o retorno desejado. Fico muito contente quando uma banda com história segue mostrando que, apesar das dificuldades, até mesmo geográficas, é possível compor um trabalho digno dos mais altos elogios.

“Anvil of Crom”, lançado em abril de 2013 via Eternal Hatred Records, é o trabalho mais primoroso da carreira de cinco discos da Malefactor que, nascida em Salvador/BA, ainda lá no início dos anos 90 (época ingrata), conseguiu sintetizar a sonoridade auto-denominada Unholy Metal, que mescla passagens agressivas, com guturais, mescladas com momentos mais melódicos, tudo de forma tão encaixada, que não faz você pensar que trata-se de apenas mais uma banda sem identidade definida.

Pelo contrário, acho que poucos grupos realmente conhecidos apostam numa proposta assim. Um dos nomes que me vem à mente é o Septic Flesh (embora este seja definido por muitos como Black Metal Sinfônico).
Mais de duas décadas dedicadas ao Metal

Rótulos a parte, o sexteto por Lord Vlad (vocal), Danilo Coimbra (guitarra), Jafet Amoedo (guitarra), Roberto Souza (baixo), Alexandre Deminco (bateria) e Chris Macchi (teclados) oferta, já na parte física do material, muita qualidade. Um digipak de luxo, contendo a bela ilustração de Marcelo Almeida conta com encarte com todas as letras, fotos e informações precisas, mostrando respeito aos fãs e a imprensa, que não precisa dar uma de investigador para saber informações simples do trabalho.

Colocado o trabalho a rodar, a impressão que fica é que estamos diante de um disco ousado, marcante, de ótima produção (méritos da banda e de Mattos e Franco) e, quiçá, futuro clássico nacional. Pensará que é exagero só quem não conhece músicas como “Black Road of Burning Souls” (que começa com teclados surpreendentes e termina com riffs e solos de encher os ouvidos), “Elizabathory” (com o coro de arrepiar, riffs inspirados e a cozinha dando um show a parte), a faixa-título, uma das épicas do trabalho, também vai mostrar a experiência e talento desse grupo. Vale mencionar, ainda, a sensacional “666 Steps To Golgotha” (com participação do grande Eregion, vocalista do Unerathly), provavelmente a mais pesada, sonora e liricamente falando. É de arrepiar ouvir sons de alguém sendo torturado à chibatadas.

Como para abrilhantar ainda mais o trabalho, uma faixa em português. Trata-se de “A Guerra Virá” (conta com Susane Hécate, da banda Miasthenia), literalmente um prelúdio da derradeira guerra contra o cristianismo. Empolgante do início ao fim, apesar de que fica um pouco difícil entender algumas passagens sem ter que conferir a letra no encarte. 

“Anvil of Crom” é um daqueles discos que você ouve, sai cantando trechos, lembrando de riffs, tudo embalado em um belo material e que, se há justiça na cena nacional, será um divisor de águas não apenas para a Malefactor, mas para a proposta de mudança no Metal Extremo. Que mais bandas vejam que é possível fazer um disco pesado e agressivo, sem apostar só em elementos repetitivos. 

Stay on the Road

Texto/edição: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação
Assessoria: Ms Metal Press

Ficha Técnica
Banda: Malefactor
Álbum: Anvil of Crom
Ano: 2013
País: Brasil
Tipo: Unholy Metal
Selo: Eternal Hatred Records
Assessoria: MS Metal Press

Formação:
Lord Vlad (Vocal)
Danilo Coimbra (Guitarra)
Jafet Amoedo (Guitarra)
Chris Macchi (Teclado)
Roberto Souza (Baixo)
Alexandre Deminco (Bateria)



Tracklist:
01 Into the Black Order
02 Elizabathory
03 666 Steps to Golgotha (com Eregion)
04 Anvil of Crom
05 Black Road of Burning of Souls
06 Blood of Sekhmet
07 Trevas
08 A Guerra Virá (com Susane Hécate)
09 The Mirror
10 Into The Catacombs (Goat of Mendes)

Assista ao video clipe official de “Blood of Sekhmet

Teaser do disco


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Compre o CD enviando email para lordvlad666@hotmail.com