Dois anos se passaram desde a última passagem do Grave Digger pelo Rio Grande do Sul. Se em sua 2° visita tocaram na capital gaúcha no tradicional Beco, desta vez os alemães invadiram Novo Hamburgo, mais precisamente o Rock And Roll Sinuca Bar no dia 09/05 (sábado), onde promoveram a turnê de divulgação de seu mais recente trabalho “Return of the Reaper” (2014).
Uma ótima escolha, já que o local
é de fácil acesso, sendo que o horário do show também colaborou para o
deslocamento e volta para casa (pois consentiu com os horários do transporte
público).
O que notamos ao chegar no local era o pouco público, que infelizmente não compareceu em peso. O show estava
marcado para iniciar as 21h, antes de seu começo o organizador do evento fez um pedido, para que ninguém subisse ao palco, pois em São Paulo um fã subiu e praticamente “enforcou” o vocalista Chris Boltendahl, então se
alguém subisse o show iria parar.
Após esse pedido (e claramente
respeitado pelos presentes) a intro “Return of the Reaper” ecoa nos PA’s e o
primeiro a entrar em cena é o “novo” tecladista Marcus Kniep (que substitui H.P.
Katzenburg), que chega vestido de morte causando euforia nos bangers.
Não demora muito para Stefan
Arnold (bateria), Jens Becker (baixo), Axel Ritt (guitarra) e Chris Boltendahl
(vocal) assumirem seus postos e logo de cara despejarem “Hell Funeral” (de seu
novo álbum), deixando os fãs enlouquecidos.
E para manter o nível lá em cima
o clássico “The Round Table” (“Excalibur” – 99) chega, e transforma a casa em
um verdadeiro caldeirão, assim como “Witch Hunter” (“Witch Hunter” – 85),
mostrando que a noite seria mais do que especial.
Os músicos do Grave Digger são
realmente fantásticos, se divertem em palco, conquistando cada fã e não poupando
energia, se entregando ao mais puro Heavy Metal. E é isso que eles entregaram sem
piedade e “The Dark of the Sun” (“Tunes of War” – 96) vem para todos cantarem
seu refrão épico e marcante.
O som da casa desta vez não
estava muito bom, principalmente em seu começo, que foi sendo ajustado ao
decorrer do show. Mas nada que comprometesse a apresentação. Já a estrutura de
palco estava excelente assim como o jogo de luzes.
Chris é um frontman espetacular,
além de ser extremamente carismático interage com os fãs, conversa, se demonstra
muito bem-humorado, e com toda essa simpatia apresenta uma das melhores músicas
criadas pela banda nos anos 2000, a poderosa “Ballad of Hangman” e seu refrão
pomposo e grudento. Sem contar sua velocidade estonteante, fazendo os presentes
irem ao headbanging até o seu final.
Então era hora de uma sequência
bem oportuna, com “Seasons of the Witch”, “Lionheart” e “The Last Supper”, deixando
muito marmanjo com os olhos marejados, mas a um ponto que devemos ressaltar, o
Grave Digger sempre teve uma mudança constante de guitarristas, mas sempre
manteve músicos de qualidade, não que Axel não seja um ótimo músico, porém essa
mudança excessiva que ele faz nos solos tira toda a característica das
músicas, pois sim o Digger é daquelas bandas que se decora até os solos e você
espera por eles ansiosamente, mas se decepciona, pois atualmente com Axel tomam
um rumo “diferente”.
“Hammer os the Scotts” do bom “The
Clans Will Rise Again” (2010) também deu suas caras, assim como “Tattooed Rider”
do novo disco, o que deu uma certa esfriada nos fãs.
Mas após a ótima “The Curse of
Jaques” uma trinca que valeu a noite: “Excalibur”, “Knights of the Cross” e “Rebellion
(The Clans Are Marching)”, certamente seus maiores clássicos, fazendo todos
cantarem a plenos pulmões. Mostrando que nesses mais de 30 anos a serviço do Heavy
Metal não foram em vão, criando clássicos que passaram no teste do tempo, e
mantendo uma sonoridade relevante e poderosa.
O show chegava ao seu fim, e
antes do já famoso “final fake”, tivemos “Highland Farewell” e a inesperada “Morgane
Le Fay”. Para então retornarem ao palco e “Heavy Metal Breakdown” fazerem todos
cantarem junto com punho erguido, um dos clássicos mais tradicionais do Heavy
Metal mundial.
Mais um grande evento feito pela
Ablaze Productions, onde trazem ao Sul mais um gigante do Heavy Metal.
Fica nosso pesar pelo público, que infelizmente dá “sinais” de
fraqueza, pois sem público não se há espetáculo, e aquela frase manjada que muitos
músicos e produtores usam faz total sentido: “São vocês (público) que fazem o
show”.
Cobertura por: Renato Sanson
Fotos: Diogo Nunes
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