sexta-feira, 3 de abril de 2026

Cobertura de Show: Kadavar – 21/03/2026 – Carioca Club/SP

A banda Kadavar retornou ao Brasil para um show exclusivo no Carioca Club, em São Paulo. Promovendo o último trabalho, I Just Want To Be A Sound (2025), o evento marcou o retorno dos alemães após uma espera de oito anos e contou com dois nomes de peso da cena nacional, Hammerhead Blues e Espectro, que transformaram as apresentações em um portal direto aos anos 70.

A responsabilidade de abrir a noite coube ao Hammerhead Blues, e a banda paulistana cumpriu a tarefa com maestria. Com seu blues rock carregado de peso e psicodelia, o trio formado por Otavio Cintra (vocal e baixo), Luiz Cardim (guitarra) e Willian Paiva (bateria) entregou um setlist coeso e envolvente. Desde a abertura com "Hero", a banda demonstrou um entrosamento incrível, com riffs marcantes e uma cozinha que comandava o ritmo. Faixas como "Roger’s Cannabis Confusion" e "Black Abyss" solidificaram a atmosfera psicodélica, enquanto "Traveller", "Age of Void" e "Around The Sun" mostraram a versatilidade do grupo em construir climas que transitam entre o arrastado e o energético, deixando claro que o grupo sabe entregar uma boa performance ao vivo.

Na sequência, o Espectro elevou a intensidade com uma pegada mais sombria e agressiva. A banda, conhecida por seu doom/stoner metal com letras em português, trouxe uma intensidade visceral ao palco. O line up com Reinaldo Zonta (vocal), João Wegher (guitarra), Luan Bremer (guitarra), Felipe Rippervert (baixo) e Karina D’Alessandre (bateria) trouxe um setlist que incluiu "The Ritual", "Twist the Knife" e "Death Dealing", foi uma sucessão de riffs arrastados, vocais agressivos e uma atmosfera que beirava a um ritual. A performance de "Wicked Life", "1000 Nights" e "Lost in the Aether" demonstrou a capacidade do Espectro de criar um ambiente sonoro denso e hipnótico, com passagens que alternavam momentos de pura fúria com outros de contemplação sombria, deixando o público completamente imerso em sua música.

Era hora e o Kadavar tomou o palco alguns minutos antes do previsto e, logo que iniciaram a apresentação com “Goddess of Dawn”, transformou o Carioca Club em uma catedral do rock psicodélico dos anos 70. O quarteto alemão, com sua formação minimalista e presença magnética, entregou uma performance impecável, cheia de energia vintage e riffs que pareciam saídos de um vinil antigo, assim como seus figurinos setentistas. "Lies" e "Doomsday Machine" seguiram com a mesma intensidade, com o som massivo e cru que é a marca registrada do Kadavar, fazendo o público vibrar desde as primeiras notas.

A performance dos alemães é um testemunho da força do rock old school e da autenticidade. Christoph "Lupus" Lindemann na guitarra e vocal, Simon "Dragon" Bouteloup no baixo, Christoph "Tiger" Bartelt na bateria e Jascha Kreft na guitarra formam uma máquina sonora impecável. O som era colossal, com o timbre da guitarra de Lupus preenchendo cada canto do ambiente junto com Jascha Kreft, o baixo de Dragon pulsando com um groove hipnótico e a bateria de Tiger ditando o ritmo com precisão e potência avassaladoras. A banda não precisa de grandes artifícios de palco; sua presença é magnética, e a música fala por si.

“Last Living Dinosaur” e “Black Sun” aprofundaram a atmosfera setentista que define o Kadavar. Os riffs soavam pesados sem perder a fluidez, enquanto a banda explorava bem as dinâmicas das músicas. “The Old Man” manteve o ritmo frenético, daqueles que fazem o público balançar a cabeça quase automaticamente. Com uma dinâmica diferente, “Explosions in the Sky” expôs uma aura à la Beatles, meio psicodélica, para dar uma aliviada em meio a tantos riffs. Mas durou pouco: logo mandaram “Total Annihilation”, a música mais rápida da banda e talvez uma das mais pesadas do catálogo deles, que não deixou ninguém parado.

A reta final do set principal foi sensacional, com "Scar on My Guitar" e "Purple Sage" demonstrando a maestria da banda em criar riffs memoráveis junto a atmosferas densas em meio a uma psicodelia alucinante. O ápice veio com "Die Baby Die", que encerrou essa parte com uma explosão de energia, deixando o público sedento por mais. Os aplausos e gritos de "Kadavar! Kadavar!" tomaram conta do Carioca Club, clamando pelo retorno do quarteto.

O encerramento foi épico. “Regeneration” trouxe uma sonoridade mais moderna sem perder a identidade da banda. “Come Back Life” veio com uma carga emocional forte, e o grand finale com “All Our Thoughts” fechou a noite de forma perfeita, deixando o ar carregado de fumaça, suor e satisfação. Em suma, as apresentações foram um triunfo para o rock pesado. Desde as performances sólidas e envolventes de Hammerhead Blues e Espectro, que aqueceram o público com suas respectivas doses de groove e peso, até a apresentação magistral do Kadavar, que entregou um espetáculo de rock setentista com uma energia contagiante. Durante o show, o Kadavar se permitiu alongar as músicas, brincar com texturas e criar momentos imersivos e imprevisíveis. Diante de tudo isso, pode-se dizer que foi uma experiência completa, que celebrou a força e a vitalidade do gênero, deixando a certeza de que o bom e velho rock and roll está mais vivo do que nunca. 


Texto: Marcelo Gomes 


Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Agência Sob Controle



Hammerhead Blues – setlist:

Hero
Roger’s Cannabis Confusion
Black Abyss
Traveller
Age of Void
Around The Sun

Espectro – setlist:

The Ritual
Twist the Knife
Death Dealing
Wicked Life
1000 Nights
Lost in the Aether

Kadavar – setlist:

Goddess of Dawn

Lies

Doomsday Machine

Last Living Dinosaur

Black Sun

The Old Man

Explosions in the Sky

Total Annihilation

Scar on My Guitar

Purple Sage

Die Baby Die

Regeneration

Come Back Life

All Our Thoughts

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