quinta-feira, 23 de abril de 2026

Julia Lage e Bruno Valverde (Smith/Kotzen): "A gente está ali para servir a música"

Nathalie Smith

Por Amanda Vasconcelos 

Quando se fala em Smith/Kotzen, os holofotes naturalmente recaem sobre os dois nomes à frente do projeto: Adrian Smith, guitarrista do Iron Maiden, e Richie Kotzen, um dos mais versáteis instrumentistas do rock, com passagens marcantes pelo Mr. Big e The Winery Dogs. Mas há um detalhe que transforma essa história em algo ainda mais especial para o público brasileiro, que é a espinha dorsal rítmica do projeto, formada por dois músicos do país: a baixista Julia Lage, também conhecida pelo trabalho no Vixen, e o baterista Bruno Valverde, veterano do Angra.

Mais do que músicos de apoio, Julia e Bruno são parte da alma do Smith/Kotzen ao vivo. E é justamente essa dupla que recebemos para uma conversa franca sobre música, identidade, representatividade e a expectativa de encerrar a turnê em casa, no Bangers Open Air 2026, dia 26 de abril, no Memorial da América Latina, em São Paulo. Com humor, afeto e muita honestidade, eles falaram sobre o ambiente familiar que cerca o projeto, os desafios e conquistas de uma carreira construída palco a palco, e o que os fãs brasileiros podem esperar de um show que, nas palavras deles, vai entregar "só creme".


O Smith/Kotzen, no geral, mistura hard rock, tem uma pegada groove, traz elementos de blues rock... São muitos estilos juntos, mas com uma identidade muito definida. Tanto o Adrian quanto o Richie têm essa firmeza e clareza quanto ao estilo deles. A minha pergunta para vocês nisso é: o quanto essa junção de estilos, e até esses estilos de forma isolada, pesa na identidade de vocês como músicos? É algo que vem mais como um desafio, do tipo 'vamos ver como isso funciona', ou é algo que vocês falam simplesmente encaixa naturalmente, como uma luva? 'não, cai como uma luva, é isso mesmo?'

JL: Para mim, meio que caiu como uma luva, porque eu cresci ouvindo hard rock, rock, blues… Então tudo meio que veio dali, do blues e do jazz, e acabou virando rock. Uma coisa conversa com a outra, não é muito diferente. E a gente não está tocando blues, a gente é mais rock. Então o estilo ali, para mim, é super natural. Quando eu ouvi o álbum, ou quando tive que aprender, nada me chamou atenção do tipo 'nossa, não é progressivo', por exemplo. Apesar de que tem uma outra partizinha ali, numa música ou outra, que tem um proguizinho, né, Bruno? (risos)

BV: O senhor Richie Kotzen é o extra bar guy, eu chamo ele assim.

JL: Ele gosta de adicionar uma barra extra no nada. Você fala, por que tem uma barra? Mas, sim, para mim caiu como uma luva com certeza. Então, não sei... Para o Bruno, provavelmente também.

BV: Eu não sou muito da escola do hard rock, não foi algo que eu cresci ouvindo, para ser bem sincero. Mas eu sempre toquei, quando era mais novo, em banda cover, então estou bem familiarizado com o estilo, claro. Então acho que realmente tem um blend ali dos dois, o que é muito legal e faz todo sentido.

Vocês têm uma atmosfera de amizade muito forte, a questão de ensaiarem na casa, de conviverem juntos, a presença da Julia, mulher do Richie, e o Bruno ficando amigo dele, tipo: “O quê? Me chamaram? Como assim? Estou indo!”. Essa atmosfera que vocês criaram, vocês sentem que, de alguma forma, traz uma sensação diferente em relação às outras bandas das quais vocês já participaram?

JL: Para mim, traz, certamente. Eu sou casada com o Richie, o Adrian muitas vezes traz a esposa, a Nathalie, que vai em turnê com a gente. E o Bruno é brasileiro, é família. A gente tem um ambiente bem familiar, bem tranquilo. Eu sinto que, quando estamos sentados no ônibus, conversando, é tudo muito natural. Ninguém está numa vibe esquisita. Então acho que é por conta disso mesmo. Não sei se o Bruno sente a mesma coisa. 

BV: Eu acho que sim. Se fosse, de repente, com outro artista com quem você não tem tanta familiaridade, você acaba mantendo certos critérios. Não querendo dizer que não exista respeito, mas é um outro estilo de profissionalismo com o qual você vai lidar. Você tem muito mais barreiras. Às vezes, não tem liberdade para falar de alguns assuntos. Tanto que, nessa turnê, a gente falou sobre estilos de música que gosta e que não gosta, até de política, e tudo bem. Todo mundo ali, conversando, sem problema, sem treta nenhuma. Cada um, às vezes, colocando sua opinião sem ter essas barreiras do tipo 'não posso falar isso porque o chefe pensa assim' ou 'não dá para falar de certa coisa, como política'. Então foi bem aberto. Eu acho que realmente tem uma diferença nesse sentido. Nem todo tipo de projeto permite essa familiaridade que a gente tem ali, e isso é bem legal.

Complementando a primeira pergunta: vocês sentem que essa familiaridade pode trazer mais abertura no processo criativo? Porque, até então, normalmente são mais eles dois à frente. Vocês até contribuem com algumas coisas, mas a produção toda acaba ficando mais com eles.

JL: Eu acho que vai sempre ser dos dois, porque o projeto é deles. Então é algo em que eles sentam, entram no estúdio e ficam lá, trocando ideias, cada um tentando trazer o que vê. O Richie se apega muito à letra, ele vai, pensa bastante nisso e desenvolve a partir daí. É o projeto deles. Eu e o Bruno gravamos no álbum, mas, por exemplo, já em partes que eles tinham em mente o que queriam. Então era algo como 'vai ser mais ou menos assim, assado, estruturado'. A gente faz a nossa parte, mas já dentro de um contexto, com uma base definida tipo 'olha, é isso aqui'. Eu acho que a música é deles, o projeto é deles. Eu, pelo menos, me sinto muito grata por poder participar dos shows ao vivo e, inclusive, das gravações do álbum. Mas o processo criativo acho que fica entre os dois. Existe uma conversa aqui e ali. Talvez fosse legal, um dia, todo mundo ir para o estúdio e tentar fazer um barulho juntos. Não sei se isso vai rolar ou não, mas, a princípio, é deles.

É porque, no geral, por enquanto, está tudo bem definido, já meio que redondo. Isso talvez possa ser uma possibilidade, ali na frente, para agregar alguma coisa em um trabalho novo.

JL: É que também eu acho assim: os dois têm uma ideia de música muito clara. Então, o Richie toca bateria e baixo, o Adrian também toca baixo e sabe o que quer ouvir na bateria. Entre os dois, no estúdio, eles mesmos já vão além, sentam, pegam o baixo e constroem tudo ali. É diferente de quando, por exemplo, você tem um vocalista que talvez não toque todos os instrumentos ou não entenda tanto deles. Nesse caso, ele acaba trazendo uma banda para ajudar a criar, ou um produtor que vai lá e desenvolve com ele. Os dois entendem e sabem exatamente o que querem com os instrumentos. Então fica mais fácil para eles fazerem tudo entre os dois.

BV: E, fora isso, como a Julia falou, eles já têm muito bem definido o que querem fazer e têm uma experiência de um milhão de anos na música. Tem também essa questão de, às vezes, mandar para outra pessoa gravar, aí vem o recall, e até você mudar uma parte no meio do caminho, o cara já está em outra turnê, cada um com o seu projeto. Então, às vezes, isso não ajuda no processo de deixar tudo mais definido. Em alguns casos, o músico precisa de algo muito específico, tecnicamente, em um instrumento que não é o dele. Aí ele pensa 'opa, preciso do outro cara ali para resolver isso'. Mas, no geral, como não é uma proposta instrumental, progressiva ou maluca — é algo mais direto ao ponto —, eles conseguem resolver tudo entre eles. Então não existe muito essa expectativa de 'pô, quero sentar no estúdio com todo mundo', porque isso não faz tanto sentido para a proposta musical que eles querem seguir.

Bruno, você comentou sobre os covers que fazia. Eu te conheço da cena local, porque também sou mauaense (risos). Imagina, para alguém que é do mesmo lugar que você, ver essa sua crescente com o Angra, tendo conhecido músicos que, enquanto você ainda estava engatinhando, já estavam lá criando tantas coisas… Como é isso para você? Como você se sente? Eu sei que você já deu muitas entrevistas falando sobre isso, mas imagino que a resposta nunca seja exatamente a mesma.

BV: Não tem muito o que dizer. Obviamente, a gente cresce, como eu estava falando antes, e isso parece algo sempre muito distante de acontecer. Você cresce em um ambiente totalmente diferente e, de repente, se vê no palco com caras que você cresceu ouvindo e admirando não só pela música em si, mas como músicos também. O próprio Angra, o Kiko Loureiro, toda aquela coisa mais instrumental… E aí, depois, você vai para nomes lendários, como o Adrian Smith, e pensa 'pô, estou no palco com o cara'.

A gente até comentou daquele outro show que fizemos em Londres, nessa turnê, em que o Bruce Dickinson estava no palco. Você está ali, com o fone, ouvindo caras que, quando você nem era nascido, já estavam tocando em estádios e, de repente, você está junto ali. É algo inexplicável. É muito legal, mesmo.

É claro que teve uma evolução, não tem nem o que negar isso aí. Mas o que essencialmente você levou daquele Bruno, que fazia covers, que está até hoje com você?

BV: O que não muda é a paixão pela música em si, aquele spark de onde tudo começou. Eu nunca me vi fora da bateria. Desde que comecei, aos nove anos de idade, foi aquela coisa de 'sim, comecei na bateria' e pensei: não tem nenhuma outra coisa que eu vou fazer na minha vida a não ser estar em cima da batera. O que não muda para mim é essa paixão. Independentemente do projeto em que eu estiver ou com quem eu estiver tocando, eu vou sempre entregar o meu melhor, porque a música e a bateria estão acima de tudo. Eu estou ali para servir a música. Eu falo que sou o chão de fábrica da música, estamos ali para o negócio não parar de acontecer. Acho que a paixão pela música é algo que nunca se altera. Você muda a técnica, evolui, ganha mais experiência. O seu acabamento musical técnico, de arranjo e de percepção vai somando e melhorando ao longo do tempo, mas o que não muda é aquela paixão pela música. Isso é o mais importante para mim.

Isso foi uma entrega assim desde o início. E, nessa nova fase, você olhando de onde você está agora, olhando para trás, qual o seu principal sentimento?

BV: Gratidão. Acho que sou grato por tudo que a música me proporcionou. Sempre grato pelas grandes oportunidades que eu tive e que eu estou tendo ainda na música.

Julia, você tem a sua jornada ali desde a Barra da Saia. Você tem o Vixen também, que é um outro projeto seu. E, nessa questão do Smith/Kotzen mesmo, é a presença feminina que está ali. Isso já é enorme para o nosso país, imagina como um todo na música. Então é muito importante a gente ter essa representatividade. Nesse cenário dos espaços que a mulher ocupa — que lá atrás já tinha mulheres ocupando também, claro —, é o que a gente fala: a gente, como sociedade, como músicos, como amantes da música, progride, evolui, ou às vezes algumas coisas ficam ali no mesmo lugar. O que você sente na cena em relação a isso? Você acha que precisa evoluir muita coisa? Você acha que o espaço das mulheres está cada vez maior? Como isso funciona para você?

JL: Olha, eu vou ser bem sincera. Como o Bruno, eu comecei a tocar baixo e nunca parei. Eu comecei profissionalmente na Barra de Saia, eu tinha dezessete anos e eram só mulheres. Pra mim era normal, porque eu estou tocando música com outras musicistas, e a gente só pensava em ser musicista, não pensava se era mulher ou não, mas a banda era feminina.

A gente começou a notar isso quando fazia festas de rodeio, e alguém chegava e falava: 'Ah, mas vocês não estão tocando de verdade. Prova que você está tocando de verdade'. Aí comecei a pensar: 'Por que eles não acreditam que a gente está tocando de verdade?'. Foi aí que eu comecei a me ligar que era porque a gente é mulher. Mas nunca nos deixamos abalar ou qualquer coisa — a gente fazia o nosso. Isso faz muitos anos atrás. Eu estou nesse business há vinte e seis anos agora.

Quando eu mudei pra cá, eu integrei o Vixen, que é uma banda dos anos oitenta e noventa só de mulheres. Elas estão desde os anos oitenta fazendo rock and roll, dividiram palco com Kiss e Scorpions e estão até hoje tocando. E, pra mim, também rola esse mesmo tipo de conversa: 'Como é que é? É um monte de mulher que toca música?' A gente não pensa que é mulher primeiro, a gente pensa que toca música. A música é o que faz a gente estar ali junto, está acima de ser mulher, homem ou qualquer outra coisa.

E quando eu recebo qualquer convite com qualquer banda, eu não fico pensando: 'Será que é porque eu sou mulher?' ou 'Será que eu não recebi aquela ligação porque eu sou mulher?'. Eu nunca me coloco nessa posição, porque eu sou uma musicista. Então, talvez eu não seja competente pra entrar numa banda assim e tal, mas eu não vou colocar isso nas minhas costas por ser mulher. Eu vou pensar: 'Eu podia ter sentado mais horas e tocado melhor'. É assim que eu encaro a minha vida, não encaro pelo fato de ser mulher.

E eu acho que hoje em dia é o momento pra mulherada, porque tem Instagram, tem rede social, você consegue mostrar o seu talento de verdade. Antigamente, eu nem sei se tinham muitas mulheres que tocavam, porque eu não via. Eu estava no mercado e não via mulher tocando, ainda mais no Brasil, que tinha muita dançarina, cantora e não tinha instrumentista. Era muito difícil de achar. Hoje em dia está em qualquer esquina.

Então eu acho que é um momento bom. Eu acho que as mulheres também se ligaram: 'Ah, por que a gente também não pode?'. Então eu acho que é o momento pra ser mulher, tocar e esquecer isso. Vai tocar, que é uma coisa que te faz bem. Eu encaro a música assim.

É muito legal isso ser orgânico da sua parte. Por isso que eu falei da representatividade, porque tem muitas mulheres que, por exemplo, começam a tocar ou começam a cantar porque pensam: “Nossa, eu vi aquela cantora e me identifiquei muito, me inspirei”. Essa inspiração é importante. E, no seu caso, você ter tido isso não necessariamente por conta de uma representatividade, mas de uma forma bem mais orgânica nesse sentido, é excelente.

JL: Eu queria ser o Steven Tyler, do Aerosmith, eu queria ser o Sebastian Bach, do Skid Row, eu queria ser esses caras. E eu me inspirei neles porque eu gostava da música que saía deles quando eu era bem adolescente.

E aí foi que eu descobri que tinha mulher que tocava também naquela época, porque eu só conhecia os caras. No Brasil, tocava Guns N’ Roses, Aerosmith e Metallica. Tudo bando de homem. A única coisa que eu me sinto grata é de poder mostrar pra mulherada: 'Escuta, a gente também pode fazer'. E está tudo certo, porque é o que você falou. Acho que representar é o que é bacana.

E agora falando sobre o Brasil: claro que o público brasileiro a gente sabe que é puro calor e receptividade sempre. Qual é o sentimento de vocês em fazer parte do fortalecimento da cena a nível nacional? Porque uma coisa é vocês, sendo brasileiros, levarem isso lá pra fora; outra é tocar na terra de vocês. Querendo ou não, o DNA do Smith/Kotzen é cinquenta por cento brazuca.

BV: No palco, a gente está aí representando o nosso brasilzão. Cara, falar da expectativa para o festival já virou uma coisa rotineira pra gente, porque vai ser um grande momento.

Como estávamos conversando, a gente vê aí Mauá, não sei o quê, São Paulo ali, Júlia e tal, e, de repente, a gente volta pra casa, depois de tanto tempo morando fora, com um projeto tão bacana quanto esse. E eu acho que, falando também do ponto de vista do festival, é muito bacana ver que, com toda a coisa dispersa que existe hoje em relação à música — às vezes sendo só um objeto para outra coisa acontecer na frente —, você ter um festival dessa proporção no Brasil, em São Paulo, que está crescendo e já está consolidado é muito legal, porque é a valorização da música na veia.

Ali você vai ter tantos projetos diferentes, projetos novos. Essa própria reunião do Angra também, que é uma coisa diferente, que está todo mundo esperando um dia que acontecesse, e vai acontecer nesse festival. E é só alegria você ter música acontecendo. A gente vive pra isso, vive disso. E as pessoas precisam de mais música.

Pois é. Você aí duplamente nessa jornada.

BV: É, ali o bicho vai pegar! Jornada dupla!

Vai trabalhar nesse dia hein, cobra hora extra depois (risos).

BV: E falam que músico não trabalha, mas vou lá.

Ainda perguntam qual o seu emprego. Vê se pode...

BV: Exatamente! Eu vou terminar, tocar dois shows, aquecer três horas e as pessoas vão perguntar: você trabalha com o quê? Mas está tudo bem.

JL: Não sei se o pessoal é assim, mas teve uma época que era.

BV:  É assim até hoje. Esses dias eu vi um cara, alguma coisa assim de serviço público, falando: 'Você não precisa estudar, você pode ser músico". Tipo assim... (risos)

Puxa, que valorização (risos). 

BV: O cara é tipo vereador, um negócio assim. 'Ah, não sei o quê, não precisa estudar, você é músico', sabe assim? (N.: Júlia dando risada com o fato)

Até para tocar triângulo tem que ter uma puta técnica. Puta merda!

JL: Você tem que ter técnica pra tudo. E acho que tudo que você quer fazer bem feito, você vai ter que sentar, estudar e praticar e aprender. Mas voltando pra essa coisa do Brasil e fazer o festival, Três anos atrás, ou dois, eu toquei com a Vixen aí e já foi um super momento. Foi a primeira vez que a banda tocou no Brasil.

Só que a gente tocou na área Vip, então foi meio triste, A gente não conseguiu tocar para todo mundo que queria assistir a gente. Agora voltar para o Brasil, para São Paulo, minha terra natal, fechar a turnê lá com o Smith/Kotzen, com o meu marido do meu Lado, com o Brunão, com o Adriano... Desculpa, com o Adrian (risos). 

Já está ficando brasileirada de novo, eu gosto disso (risos). 

JL: (mais risadas) Já está sendo surreal, eu já estou com a expectativa lá nas alturas. Já sei que vai ser uma adrenalina incrível, que a gente vai ficar tudo emocionado, porque vai ser o último show da turnê. Então, contando os dias para o festival.

Eu imagino. A nível pessoal, eu já estou chorando só de pensar. Estou muito animada, vocês não têm noção. Sou muito fã.

O que, na verdade, nós, fãs, podemos esperar desse show de vocês no Bangers? É claro que, se tiver surpresa, vocês não vão falar, mas vocês acham que vai ter alguma coisa diferente?Porque vocês estão na turnê do último álbum de vocês, só que sempre tem alguma coisinha ali. Estou gostando da sua cara, vou até deixar você falar (referindo-se ao Bruno).

BV: Essa sua pergunta pegadinha, não vai colar. Surpresa, vai ter que estar lá no festival para ver.

JL: Vai pro festival ou vai pra Curitiba, sei lá...

BV: Se tiver, vai ser surpresa. Tem que estar lá para ver.

JL: A diferença que vai ser, que é óbvia, é que vai ser um show menor. O show de Curitiba vai ser o show inteiro, e o show do festival, como é só uma hora, a gente vai ter que fazer só a coisa bacana ali.

BV: Só creme!

JL: Só creme. Credo! É surpresa mesmo. O set, por sinal, a gente não sabe ainda. Eu acho que eles têm que pensar bem no que vão escolher pro show fluir legal e ainda tocar as que as pessoas esperam. Tem que ir, gente.

Qual que é a música, dentro do Smith/Kotzen, é a preferida de vocês. Qual é a música que vocês mais gostam e por que?

JL: Eu falei, na entrevista passada, que uma música que eu curti muito tocar nessa turnê foi "Blacklight", por conta da linha de baixo. É uma linha de baixo muito gostosa de tocar. (N.: Julia faz gestos da levada de bateria do refrão da música). Eu gosto muito dessa música porque ela é diferente de tocar. E, como já é bem no começo do show, já entra com todas as quatro. Então, eu acho uma música muito legal, bem funcional também para o show e para a energia da galera.

BV: Eu também gosto bastante dessa, tem essa coisa meio Funk Rock ao mesmo tempo. É bem legal! Bom, eu gosto bastante da "Blindsider". E gosto da "Hate and Love" por diversos motivos, mas um deles é que eu gosto dessa coisa do groove meio reto, mas que é meio funk também. Ao mesmo tempo, a gente consegue dar uma "funkeada" num Rock Funk que eu acho que fica bem bacana. Então, essas são minhas preferidas.

No festival, obviamente, vocês falaram que o show vai ser menor, vai ser ali uma hora de show, mais ou menos. Então, vocês falaram que ainda não sabem o set. Vocês não fazem ideia do critério que é usado para montar esse set?

JL: Algumas dessas músicas foram tocadas em algumas rádios. No Brasil eu não sei, mas eu sei que tem umas músicas que a gente sabe que não podem faltar, mesmo por nós mesmos. A gente vai querer tocar certas músicas.

Então, acho que o critério são as músicas que são óbvias para a gente: essa música não pode faltar por vários motivos, ou porque tocou em algum lugar. E provavelmente eu imagino que, por ser um festival mais metal, a gente não vai fazer muito as que são muito baladas ou mais devagar. Não sei o que o Bruno acha, porque a gente também não sabe o set ainda.

BV: Eu acho que o critério é bem esse mesmo. Primeiro, pensando em festival, é você provavelmente eliminar algumas baladas, porque você quer aquele show com um andamento mais empolgante, meio que do começo ao fim. Então acho que o critério talvez principal, inicial, seria talvez tirar um pouco de balada e pensar nisso. Obviamente vem a estrutura da produção da banda, do que tocou em rádio, o que a galera quer mais, está pedindo e tal. O pessoal monitora também o que o pessoal está pedindo para não poder faltar.

Até para manter o clima, coesão.

BV: Exatamente. É um festival, a galera não quer ir lá para dormir, o pessoal quer coisa empolgada. Então, vai entregar isso no show, com certeza.

Tem alguma que vocês acham que não pode faltar de jeito nenhum?

BV: A primeira do show, por exemplo, a Life Unchained. Eu acho que essa aí é uma que já tem que começar mesmo dando tapa na cara de todo mundo. 

JL: Provavelmente, porque ela já vai com tudo.

Então é um acordo entre vocês? É essa música mesmo?

BV: Eu acho que isso aí não vai mudar não.

JL: E tem uma íntro, que a gente entra com a intro da própria música tocando, então já dá aquela vibe. Aí o Adrian já começa e a gente já vai com tudo. É a primeira do álbum também não é Bruno, do álbum novo?

BV: Uma pergunta boa, mas acho que sim.

JL: Acho que é a primeira do álbum.

BV: Tem aquela intro, estou lembrando aqui. Isso mesmo.

JL: Essa vai ter que estar.

Só para a gente finalizar, mandem um recadinho para os brazucas, os fanzão aqui — isso me inclui. Pensa no meu gato, pensa que eu sou legal.

BV: Bom, o que eu posso dizer da minha parte é que podem esperar um show incrível. Vamos entregar o máximo que a gente tem pra entregar no palco. A expectativa está a mil. Vai ser incrível. Como a gente comentou, essa troca de energia, de empolgação do público — que a gente já sabe que o Brasil é imbatível na empolgação —, e você ter essa troca no palco, você ver aquela reação… eu já consigo imaginar o que vai acontecer. Então isso já me empolga de estar lá também. Então vai ser muito legal.

JL: E a gente quer convidar todos vocês para o dia 26 de abril, domingão, 17h15. A Amanda vem, ela vai trazer o gato...

Doritão vai estar lá. É Doritos o nome do meu gato, vai estar lá.

BV: Vai ter que colocar um protetor no animal, senão ele não vai aguentar.

Ah, ele é bem vida louca, viu?

JL: Ah, é? Mas leva o pobre Doritos. E quem puder, ouve as músicas, já vai se preparando, porque o set vai ser legal, vai ser bacana. A gente vai manter a energia lá em cima e a gente quer fazer essa troca com o Brasil, porque eu, pelo menos, faz três anos que não toco no Brasil. O Ritchie e o Adrian já estão mais acostumados, mas vamos que vamos.

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