domingo, 26 de julho de 2026

Cobertura de Show: Roland Grapow – 17/06/2026 – Blood Rock Bar/CWB

Uma noite de metal melódico e memória: Roland Grapow em Curitiba

Em turnê pela América Latina, Roland Grapow, que desde 2001 segue com o grande Masterplan. Entretanto, nesta vinda ao Brasil, o foco passa a ser sua fase áurea no Helloween, mais especificamente a comemoração dos 30 anos de The Time Of The Oath. E desta vez, Curitiba não ficou de fora, Roland e banda desembarcaram na capital paranaense para uma única apresentação no Blood Rock Bar, localizado no centro histórico de Curitiba. Inclusive, o Blood Rock é reduto de bandas nacionais autorais e covers da melhor qualidade, e não é raro, talentos brasileiros que tocaram lá, serem exportados para o mundo. Exemplo da noite, a segunda banda de abertura, o Royal Rage, que recentemente fez uma turnê na Europa.

Um show no meio da semana acabou não animando o curitibano, mas aos poucos a casa foi dando espaço ao público, que aguardou para dar as caras durante o show principal da noite. Uma pena pois as duas bandas de abertura foram muito competentes no esquenta da noite, contornando com muito jogo de cintura alguns problemas técnicos aparentes. Quando cheguei ao local, alguns minutos após a abertura das portas, a banda Evil Politicians já estava com tudo no palco, e sem cerimônia destilou seu som para os poucos presentes na pista principal. 

Já o Royal Rage ganhou um pouco mais de público, entretanto ainda havia muitas pessoas aproveitando o happy hour com muita comida e bebida, coisa que o Blood Rock se sai muito bem, diga-se de passagem. A casa noturna com decoração voltada para o cinema de horror, que parece um calabouço moderno, conta com vários ambientes, inclusive um segundo andar e área aberta, tudo com mesas, sofás e poltronas (sim, sofás!!!), cadeiras e área gamer com máquinas clássicas dos anos 90. Enfim, fica fácil se entreter em um local assim.

Após o show do Royal Rage, o próprio Roland Grapow apareceu entre o público para trocar uma ideia e tirar fotos, tudo com a máxima cortesia que só o curitibano consegue (kkkkk contém ironia). Inclusive, na minha tentativa de pedir uma foto educadamente, acabei "chupando dedo", mas tudo bem, o show iria ser muito intimista mesmo, pois não há separação entre público e banda, somente o palco um pouco mais elevado. Portanto, a experiência da plateia é a melhor possível.

O show começou no horário correto, com uma banda pouco à vontade, e ainda tentando acertar os detalhes técnicos. Mas os anos de estrada do guitarrista deram a ele o jogo de cintura para conversar e brincar com o público presente. Inclusive, era o único dentre os músicos com uma cerveja em mãos, motivo para mais entretenimento ao estilo "good vibes". Acredito que seja uma característica herdada dos tempos de Helloween, pois nunca vi músicos tão animados como eles. Falo com propriedade de quem esteve presente em 1996, no Couto Pereira para assistir o "Monsters Of Rock" curitibano, que contou ainda com Iron Maiden (com Blaze nos vocais), Motorhead e Skid Row. Após este dia, nunca mais perdi uma turnê no Helloween.

A banda de apoio do guitarrista alemão contou com um escalão de músicos de primeira do cenário nacional, são eles Marcos Dotta na bateria, Fabio Carito no baixo, Affonso Junior na guitarra e João Luiz nos vocais. Com o time formado, o show foi se desenrolando em um misto de euforia do público, piadas do carismático Roland, que ficou sem o microfone (sim, isto aconteceu devido a um problema técnico, que não foi solucionado) mas nada que tirasse o bom humor do alemão, que de tempos em tempos pegava o instrumento dos colegas de palco, para falar com os fãs. Inclusive, a pista ficou lotada rapidamente e os fãs de metal melódico, principalmente de Helloween, são muito apaixonados, era um desfile de tatuagens personalizadas, gritos, choros e aspirantes a vocalistas em todos os cantos.

Agora, vamos falar da parte mais técnica da apresentação, não há que se negar que foi um ótimo show, mas pecou em vários aspectos, em vários momentos o som e os equipamentos não estavam em sincronia, o vocalista, apesar de ter uma voz impecável, não conseguiu o mesmo efeito ao interpretar o estilo melódico. Inclusive, achei que eram coisas da minha cabeça, mas algumas músicas foram bem prejudicadas em sua interpretação. Só para esclarecer, no final do show, consegui trocar uma ideia com algumas pessoas que também acompanham a banda e tiveram a mesma percepção. Mas o carisma e postura de João Luiz compensaram, conseguiu uma ótima pegada no hino Power e sabemos de sua competência, então, tudo deu certo.

Destaque para a participação especial do músico curitibano Cassiano Chamma, que interpretou as músicas Mr. Torture, Eagle Fly Free e I Want Out em perfeita sintonia com a banda, especialmente com Roland Grapow, que o aplaudiu algumas vezes. A participação também gerou uma espécie de nostalgia, onde em alguns momentos relembrou a química de outrora.

Por fim, apesar das trapalhadas, a competência dos músicos, o fervor dos fãs e o amor ao Heavy Metal tornaram a noite de quarta-feira um sucesso. “Happy Happy Helloween”.




Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: TC7 Produções


Roland Grapow – setlist:

We Burn

Steel Tormentor

Wake up the Mountain

Power

Forever and One

Before the War

Million to One

The Departed

The Dark Ride

The Chance

Mr. Torture

Eagle fly free

I Want Out

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