segunda-feira, 27 de julho de 2026

Phornax – A fornalha mais viva do que nunca!

Resenha por: Renato Sanson

Algumas bandas parecem simplesmente nascer no momento certo. Outras, no entanto, precisam atravessar anos de silêncio até encontrarem a formação ideal e a maturidade necessária para entregar aquilo que sempre foram capazes de fazer. É exatamente esse o caso da gaúcha Phornax, de Porto Alegre, que retorna após um longo hiato com "Hellforge", seu aguardado álbum de estreia, e o resultado não poderia ser mais convincente.

Depois do promissor EP "Silent War", lançado em 2012, a banda permaneceu longe dos holofotes por um bom tempo. O retorno aos palcos veio acompanhado de uma nova formação e de um disco que não apenas justifica a espera, como coloca a Phornax entre os grandes nomes do Metal Tradicional nacional da atualidade.

Um dos pilares desse trabalho está na produção impecável assinada por Renato Osório. O músico e produtor entrega um som encorpado, cristalino e pesado na medida certa. Cada instrumento encontra seu espaço na mixagem, permitindo que a riqueza dos arranjos seja percebida sem sacrificar o impacto das músicas. É uma produção moderna, mas que preserva a essência orgânica do Heavy Metal.

Musicalmente, "Hellforge" caminha com segurança entre o Heavy Metal Tradicional e o Speed Metal, incorporando discretos elementos progressivos que enriquecem as composições sem torná-las excessivamente complexas. O álbum flui de forma natural, alternando momentos de velocidade, peso e melodias marcantes, sempre com excelente senso de construção.

A chegada do guitarrista Eduardo Martinez representa um enorme salto qualitativo para a banda. Seus solos são criativos, extremamente inspirados e carregados de personalidade, demonstrando técnica apurada sem cair no exibicionismo. Martinez ao lado de Deivid Moraes (mestre dos riffs por trás dos pilares) acrescentam novas cores ao som da Phornax e transforma cada faixa em uma experiência dinâmica, fazendo do álbum um verdadeiro desfile de grandes momentos para os amantes da guitarra.

Outro destaque absoluto é o vocalista Cristiano Poschi, que apresenta uma evolução impressionante em relação ao EP de 2012. Sua interpretação ganhou maturidade, confiança e controle. O drive continua sendo sua principal marca registrada, mas agora aparece muito mais refinado, alternando com passagens limpas sempre que a música exige. O resultado é uma performance intensa, convincente e cheia de personalidade, sem recorrer a exageros.

As músicas originalmente presentes em "Silent War" também merecem destaque. Longe de serem apenas reaproveitadas, elas receberam uma nova roupagem que evidencia toda a evolução técnica e artística da banda. Soam mais pesadas, mais maduras e perfeitamente integradas ao restante do repertório, mostrando que a espera realmente valeu a pena.

A cozinha da Phornax também impressiona. A bateria dispara verdadeiras metralhadoras de viradas e levadas, sempre variando sem perder a precisão, enquanto o baixo constrói linhas marcantes que reforçam o peso das composições e dialogam constantemente com as guitarras. O resultado é uma base sólida que impulsiona cada música com enorme competência.

Mais do que um simples álbum de estreia, "Hellforge" demonstra uma banda plenamente consciente de sua identidade. As composições exibem estruturas inteligentes, mudanças de dinâmica muito bem executadas e um nível de maturidade que normalmente se espera de grupos com vários discos na bagagem.

No fim das contas, a Phornax não apenas retorna: ela retorna em grande estilo. "Hellforge" é um trabalho consistente do início ao fim, repleto de riffs memoráveis, excelentes performances individuais e composições inspiradas. Para quem aprecia Heavy Metal, Speed Metal e pequenas nuances progressivas, este é um lançamento obrigatório.

Sem exagero, "Hellforge" já figura entre os grandes lançamentos do Metal brasileiro em 2026 e certamente merece um lugar na lista dos melhores álbuns do ano. Se este disco representa o novo ponto de partida da Phornax, o futuro da banda promete ser tão sólido quanto o aço forjado que dá nome ao álbum.

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