O Corrosion of Conformity é uma das principais bandas de stoner rock já criadas. Tiveram seu início em 1982, com músicas mais voltadas ao hardcore punk, com álbuns como “Animosity”, mas com o tempo, foram ficando cada vez mais lentos e mais pesados, gravando alguns dos principais álbuns de stoner, como “Deliverance” e “Wiseblood”.
E com mais de 40 anos de carreira é fácil de imaginar que a banda já passou por diversas mudanças de line-up. Membros importantes pra história da banda como Mike Dean, baixista e vocalista, saiu da banda e Reed Mulin, baterista, infelizmente morreu. A formação atual conta com Woody Weatherman, guitarrista fundador e único membro constante, Pepper Keenan, guitarrista e vocalista, Stanton Moore na bateria, e Bobby Landgraff no baixo.
A banda já pisou no Brasil algumas vezes, com shows em 2013 e em 2018. E agora, em 2026, voltaram para fazer mais um show, em São Paulo, na Burning House, um pouco antes do primeiro aniversário da casa. O show era pra ter acontecido em setembro de 2025, mas devido a uma oferta irrecusável de abrir shows para Judas Priest e Alice Cooper nas mesmas datas, adiaram para janeiro.
O evento não contou com banda de abertura, sendo apenas o COC, e foi completamente sold out. Ao entrar na casa, já era possível ver os instrumentos de todos eles no palco, e ver as marcas de uso nas guitarras de Pepper e Woody, que provavelmente estão com esses instrumentos há uns belos anos.
O show foi marcado para começar as 20 horas, e a produtora Dark Dimensions fez questão de dizer que iria começar as 20 em ponto. E, com uma pontualidade difícil de acontecer no Brasil, as 20 horas começa a introdução do show vindo das caixas de som, enquanto um a um seus integrantes sobem ao palco.
Logo de cara todos os integrantes já demonstram um enorme carisma em palco, com eles entrando todos sorridentes e brincando com a plateia que aguardava ansiosamente pelo show. Então, começaram a tocar, com a sequência “Bottom Feeder” e “Paranoid Opioid”, sendo a primeira tocada apenas parcialmente. E desde o começo, o COC já incendiou a Burning House.
E, pra aumentar ainda mais o ar lendário da banda, Woody estava bem na frente do ventilador da casa, que fez seu cabelo voar durante todo o show, parecendo um mago enquanto tocava sua guitarra.
Pra quem ouve os álbuns da banda, já deve considerar a banda extremamente pesada, mas ao vivo o peso é ainda maior, com todas as músicas surpreendendo até os maiores fãs com sua brutalidade.
Com toda a energia da plateia e dos amplificadores da Orange do COC, e a casa completamente lotada, a Burning House começou a queimar mesmo, com bastante gente comentando do calor, ao ponto de Pepper comentar no palco que eles aguentavam o calor, afinal, eles eram do sul dos EUA, já estavam acostumados com isso, e apenas pediu pra plateia se hidratar bem.
Após isso, seguiram com possivelmente uma das músicas mais pesadas da história, a “Broken Man”, do “Deliverance”, e na sequência “Wiseblood”, do álbum com o mesmo nome. Foram algumas das músicas mais amadas pelo público.
Pouco antes de tocarem “Who’s got the fire?”, do “America’s Volume Dealer”, alguém disse ao Pepper que o amava, e ele brincou dizendo que era mentira, ninguém o amava. E na sequência, tocaram “My Grain”, onde toda a casa começou a bater palmas no ritmo da música, enquanto o Corrosion começava uma jam improvisada no palco, começando com solos alternados de guitarra, solo de bateria, e riffs de baixo. Uma viagem perfeita pra quem quisesse levar o sentido da palavra “stoner” ao pé da letra durante o show.
Por mais que a plateia estivesse animada, muitas das músicas eram bem lentas, mas a sequência “final” contou com 3 músicas que começaram a rolar mosh. “Shake like you”, “King of the Rotten” e a clássica “Vote With a Bullet”. A última, sendo do primeiro álbum com Pepper, “Blind”, é uma crítica a políticos que são corruptos, e diz que ao invés de desperdiçar seus votos, ele iria votar com uma bala. Com toda a situação política atual, Keenan até brinca que atualmente nem sabe mais em quem ele deve atirar. Após a “Vote”, saíram do palco para “finalizar” o show. Mas todos sabiam que iria ter um Bis.
O COC tem um novo single lançado, “Gimme Some Moore”, do próximo álbum da banda, planejado para lançar em abril. E por mais que estava marcado no setlist, e que estivessem vendendo o compacto do single no merch do show, cortaram a música do set, junto com a “Is it that way”, do álbum “In the Arms of God”.
Ao voltarem pro palco para o bis, vemos que a banda voltou atrás na fala de que aguentariam o calor, com eles brincando que estava quente até demais, e Woody soltando um “calor” em português. Então, apresentaram a primeira música do bis, que é do álbum “Animosity”, que seria “Mad World”, com Pepper elogiando Weatherman pela sua longa história com a banda. E como ele ainda não estava na banda na época, passou o microfone para Woody. Por ser a música mais hardcore do show, foi também a que teve o maior mosh de todos, com porradaria por todo lado.
Em seguida, tocaram uma das músicas mais aguardadas do show, a clássica “Albatross”, onde todos presentes cantaram a música junto do COC, com Bobby até elogiando o público pela sua energia. E, antes de iniciarem a última música, Keenan agradeceu a todos por terem ido ao show, e disse que pretende voltar na tour do novo álbum da banda, e fez apenas um pedido: que seus fãs levem ventiladores para o show da próxima vez.
Então, para a alegria de todos, começaram a tocar “Clean My Wounds” para finalizar o show. A música também contou com uma outra jam improvisada no meio, onde cada um teve o seu momento de brilhar no palco, enquanto Pepper os introduzia. Até Stanton e Bobby, que são membros que tem menos história com a banda, tiveram seus momentos, e mostraram o motivo de terem sido escolhidos como novas partes fundamentais do quarteto. Durante toda a jam, Woody estava fazendo uma dancinha de vaqueiro no palco, que parecia que estava num show de sertanejo. Ao se apresentar pra plateia, Keenan se apresentou a todo mundo como “dickhead”, e finalizaram a música, e por consequência, o show.
O show do COC mostrou que, ainda que não sejam uma banda tão grande no Brasil, ainda tem um público forte, que continuou aguardando ansiosamente o show, mesmo após ser adiado. A banda também mostra que mesmo com tanto tempo de carreira, ainda consegue entregar alguns dos melhores shows atualmente, abrangendo sua carreira inteira no set, e com carisma difícil de ver em artistas. Esperamos que a volta da banda não demore mais 8 anos, como foi essa última vez.
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