segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Cobertura de Show: Corrosion Of Conformity – 17/01/2026 – Burning House/SP

O Corrosion of Conformity é uma das principais bandas de stoner rock já criadas. Tiveram seu início em 1982, com músicas mais voltadas ao hardcore punk, com álbuns como “Animosity”, mas com o tempo, foram ficando cada vez mais lentos e mais pesados, gravando alguns dos principais álbuns de stoner, como “Deliverance” e “Wiseblood”.

E com mais de 40 anos de carreira é fácil de imaginar que a banda já passou por diversas mudanças de line-up. Membros importantes pra história da banda como Mike Dean, baixista e vocalista, saiu da banda e Reed Mulin, baterista, infelizmente morreu. A formação atual conta com Woody Weatherman, guitarrista fundador e único membro constante, Pepper Keenan, guitarrista e vocalista, Stanton Moore na bateria, e Bobby Landgraff no baixo.

A banda já pisou no Brasil algumas vezes, com shows em 2013 e em 2018. E agora, em 2026, voltaram para fazer mais um show, em São Paulo, na Burning House, um pouco antes do primeiro aniversário da casa. O show era pra ter acontecido em setembro de 2025, mas devido a uma oferta irrecusável de abrir shows para Judas Priest e Alice Cooper nas mesmas datas, adiaram para janeiro.

O evento não contou com banda de abertura, sendo apenas o COC, e foi completamente sold out. Ao entrar na casa, já era possível ver os instrumentos de todos eles no palco, e ver as marcas de uso nas guitarras de Pepper e Woody, que provavelmente estão com esses instrumentos há uns belos anos.

O show foi marcado para começar as 20 horas, e a produtora Dark Dimensions fez questão de dizer que iria começar as 20 em ponto. E, com uma pontualidade difícil de acontecer no Brasil, as 20 horas começa a introdução do show vindo das caixas de som, enquanto um a um seus integrantes sobem ao palco.

Logo de cara todos os integrantes já demonstram um enorme carisma em palco, com eles entrando todos sorridentes e brincando com a plateia que aguardava ansiosamente pelo show. Então, começaram a tocar, com a sequência “Bottom Feeder” e “Paranoid Opioid”, sendo a primeira tocada apenas parcialmente. E desde o começo, o COC já incendiou a Burning House.

E, pra aumentar ainda mais o ar lendário da banda, Woody estava bem na frente do ventilador da casa, que fez seu cabelo voar durante todo o show, parecendo um mago enquanto tocava sua guitarra.

Pra quem ouve os álbuns da banda, já deve considerar a banda extremamente pesada, mas ao vivo o peso é ainda maior, com todas as músicas surpreendendo até os maiores fãs com sua brutalidade.

Com toda a energia da plateia e dos amplificadores da Orange do COC, e a casa completamente lotada, a Burning House começou a queimar mesmo, com bastante gente comentando do calor, ao ponto de Pepper comentar no palco que eles aguentavam o calor, afinal, eles eram do sul dos EUA, já estavam acostumados com isso, e apenas pediu pra plateia se hidratar bem.

Após isso, seguiram com possivelmente uma das músicas mais pesadas da história, a “Broken Man”, do “Deliverance”, e na sequência “Wiseblood”, do álbum com o mesmo nome. Foram algumas das músicas mais amadas pelo público.

Pouco antes de tocarem “Who’s got the fire?”, do “America’s Volume Dealer”, alguém disse ao Pepper que o amava, e ele brincou dizendo que era mentira, ninguém o amava. E na sequência, tocaram “My Grain”, onde toda a casa começou a bater palmas no ritmo da música, enquanto o Corrosion começava uma jam improvisada no palco, começando com solos alternados de guitarra, solo de bateria, e riffs de baixo. Uma viagem perfeita pra quem quisesse levar o sentido da palavra “stoner” ao pé da letra durante o show. 

Por mais que a plateia estivesse animada, muitas das músicas eram bem lentas, mas a sequência “final” contou com 3 músicas que começaram a rolar mosh. “Shake like you”, “King of the Rotten” e a clássica “Vote With a Bullet”. A última, sendo do primeiro álbum com Pepper, “Blind”, é uma crítica a políticos que são corruptos, e diz que ao invés de desperdiçar seus votos, ele iria votar com uma bala. Com toda a situação política atual, Keenan até brinca que atualmente nem sabe mais em quem ele deve atirar. Após a “Vote”, saíram do palco para “finalizar” o show. Mas todos sabiam que iria ter um Bis.

O COC tem um novo single lançado, “Gimme Some Moore”, do próximo álbum da banda, planejado para lançar em abril. E por mais que estava marcado no setlist, e que estivessem vendendo o compacto do single no merch do show, cortaram a música do set, junto com a “Is it that way”, do álbum “In the Arms of God”.

Ao voltarem pro palco para o bis, vemos que a banda voltou atrás na fala de que aguentariam o calor, com eles brincando que estava quente até demais, e Woody soltando um “calor” em português. Então, apresentaram a primeira música do bis, que é do álbum “Animosity”, que seria “Mad World”, com Pepper elogiando Weatherman pela sua longa história com a banda. E como ele ainda não estava na banda na época, passou o microfone para Woody. Por ser a música mais hardcore do show, foi também a que teve o maior mosh de todos, com porradaria por todo lado.

Em seguida, tocaram uma das músicas mais aguardadas do show, a clássica “Albatross”, onde todos presentes cantaram a música junto do COC, com Bobby até elogiando o público pela sua energia. E, antes de iniciarem a última música, Keenan agradeceu a todos por terem ido ao show, e disse que pretende voltar na tour do novo álbum da banda, e fez apenas um pedido: que seus fãs levem ventiladores para o show da próxima vez.

Então, para a alegria de todos, começaram a tocar “Clean My Wounds” para finalizar o show. A música também contou com uma outra jam improvisada no meio, onde cada um teve o seu momento de brilhar no palco, enquanto Pepper os introduzia. Até Stanton e Bobby, que são membros que tem menos história com a banda, tiveram seus momentos, e mostraram o motivo de terem sido escolhidos como novas partes fundamentais do quarteto. Durante toda a jam, Woody estava fazendo uma dancinha de vaqueiro no palco, que parecia que estava num show de sertanejo. Ao se apresentar pra plateia, Keenan se apresentou a todo mundo como “dickhead”, e finalizaram a música, e por consequência, o show.

O show do COC mostrou que, ainda que não sejam uma banda tão grande no Brasil, ainda tem um público forte, que continuou aguardando ansiosamente o show, mesmo após ser adiado. A banda também mostra que mesmo com tanto tempo de carreira, ainda consegue entregar alguns dos melhores shows atualmente, abrangendo sua carreira inteira no set, e com carisma difícil de ver em artistas. Esperamos que a volta da banda não demore mais 8 anos, como foi essa última vez.




Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Dark Dimensions

Press: JZ Press


Corrosion Of Conformity – setlist:

Bottom Feeder (El que come abajo)

Paranoid Opioid

Seven Days

Broken Man

Wiseblood

Born Again for the Last Time

Stonebreaker

Who's Got the Fire

My Grain

Shake Like You

King of the Rotten

Vote With a Bullet

Bis 

Mad World 

Albatross

Clean My Wounds

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