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domingo, 19 de abril de 2026

Tesla: Uma Viagem Pelas Suas Origens (Also In English)

Frontiers Records (Imp.)

Por Flavio Borges

Com mais de quatro décadas de estrada, o Tesla reafirma sua conexão com as raízes do rock em Homage, álbum previsto para 17 de julho de 2026 pela Frontiers Music Srl. Apostando em uma proposta assumidamente nostálgica, o grupo norte-americano apresenta uma coleção de covers que vai além do simples tributo, funcionando como uma declaração de influências e uma síntese da identidade musical construída ao longo de sua carreira. Ao revisitar nomes fundamentais como Elvis Presley e Freddie Mercury, a banda não apenas presta homenagem, mas também reposiciona essas referências dentro de sua própria linguagem sonora.

A única composição inédita do disco, “Never Alone”, cumpre o papel de reafirmar a essência do Tesla. Combinando violões, guitarras elétricas e o característico timbre rouco de Jeff Keith, a faixa não propõe rupturas, mas entrega exatamente o que se espera da banda — um hard rock sólido, direto e eficiente.

A abertura com “Bring It On Home”, clássico de Sam Cooke, estabelece o tom do álbum: arranjos respeitosos, com intervenções pontuais que aproximam as músicas do universo sonoro do Tesla. Essa abordagem se repete ao longo do trabalho, como em “Spread Your Wings”, do Queen, onde a banda equilibra fidelidade e releitura com inteligência, incorporando nuances próprias sem descaracterizar a composição original.

O trânsito entre gêneros é um dos aspectos mais interessantes de Homage. Em “I Wish It Would Rain”, do The Temptations, o grupo mergulha em suas influências soul, enquanto “Night Moves”, de Bob Seger, evidencia a faceta mais introspectiva e acústica da banda, com destaque para o uso de piano e arranjos mais contidos. Já “If I Can Dream” revela uma interpretação vocal mais expansiva de Jeff Keith, explorando dinâmicas que dialogam diretamente com o legado de Elvis Presley.

A incursão pelo pop britânico surge em “Come And Get It”, do Badfinger, que mantém o espírito leve e melódico da original, ainda que filtrado pela estética do hard rock. Em contrapartida, “I Got You”, de James Brown, traz uma abordagem mais energética, substituindo os metais por guitarras e teclados, sem perder o caráter reconhecível da composição.

Um dos momentos mais acessíveis do álbum aparece em “Give A Little Bit”, do Supertramp, onde os arranjos com violões de 12 cordas e a interpretação mais limpa de Keith evidenciam a versatilidade da banda. Na sequência, “I Love You”, da Climax Blues Band, aposta em uma atmosfera mais cadenciada, com harmonias vocais que remetem ao rock progressivo e ao pop britânico dos anos 1970.

O vínculo com o rock sulista e o folk norte-americano se torna evidente em “Have You Ever Seen the Rain”, do Creedence Clearwater Revival, e “The Ballad of Curtis Loew”, do Lynyrd Skynyrd — duas faixas que dialogam diretamente com a formação estética do Tesla. Em ambas, a banda opta por versões fiéis em espírito, mas com identidade própria bem definida.

Nos momentos finais, Homage amplia ainda mais seu alcance estilístico. “I’d Rather Go Blind”, eternizada por Etta James, destaca-se como um exercício de interpretação vocal, permitindo que Jeff Keith explore nuances pouco recorrentes em sua discografia. Já “Mind Your Own Business”, de Hank Williams Sr., encerra o álbum em clima descontraído, reforçando a influência do country na formação musical do grupo.

Mais do que uma coletânea de releituras, Homage funciona como um mapa das influências que moldaram o Tesla. Ao transitar com naturalidade entre soul, blues, country, pop e diferentes vertentes do rock, a banda constrói um tributo coeso, que evidencia não apenas respeito às originais, mas também uma forte identidade artística. Mesmo com apenas uma faixa inédita, o álbum se sustenta como uma obra representativa — e, acima de tudo, genuinamente alinhada à essência do Tesla.

***ENGLISH VERSION***

With over four decades behind them, Tesla reaffirm their deep-rooted connection to rock’s foundations on Homage, set for release on July 17, 2026, via Frontiers Music Srl. Embracing a deliberately nostalgic concept, the American outfit delivers a covers album that goes beyond mere tribute, functioning instead as both a statement of influence and a distillation of the band’s musical identity. By revisiting seminal artists such as Elvis Presley and Freddie Mercury, Tesla not only pay homage but reframe these inspirations through their own unmistakable sonic lens.

The album’s sole original composition, “Never Alone,” serves as a reminder of the band’s core strengths. Built on a blend of acoustic textures, electric guitar drive, and Jeff Keith’s signature raspy delivery, the track doesn’t aim to reinvent the wheel — it simply delivers what Tesla have always done best: straightforward, no-frills hard rock with conviction.

Opening with Sam Cooke’s “Bring It On Home,” Tesla set the tone early with a respectful yet subtly reworked approach. The arrangements remain largely faithful, with just enough adaptation to align the material with the band’s gritty aesthetic. This balance between reverence and reinterpretation carries through the record, notably on Queen’s “Spread Your Wings,” where Tesla inject their own character without compromising the spirit of the original.

One of Homage’s most compelling aspects is its stylistic breadth. “I Wish It Would Rain” sees the band tapping into their latent soul influences, while Bob Seger’s “Night Moves” highlights a more introspective, semi-acoustic side, enriched by piano and restrained instrumentation. On “If I Can Dream,” Jeff Keith delivers one of his most dynamic performances, navigating a broader vocal range that echoes the emotional weight of Elvis Presley’s legacy.

The album’s excursion into British pop comes via Badfinger’s “Come And Get It,” which retains its melodic lightness while being filtered through Tesla’s rock sensibility. In contrast, James Brown’s “I Got You” injects a burst of energy, replacing brass sections with guitars and keyboards without sacrificing the track’s instantly recognisable groove.

A particularly accessible moment arrives with Supertramp’s “Give A Little Bit,” where 12-string acoustic arrangements and a notably cleaner vocal approach from Keith underline the band’s versatility. Meanwhile, “I Love You” by Climax Blues Band leans into a more laid-back, groove-driven atmosphere, complete with layered backing vocals that nod toward the sophistication of ’70s British pop and progressive rock.

Tesla’s affinity for American roots music is especially evident in “Have You Ever Seen the Rain” (Creedence Clearwater Revival) and “The Ballad of Curtis Loew” (Lynyrd Skynyrd). Both tracks feel organically aligned with the band’s DNA, maintaining the essence of the originals while reinforcing Tesla’s own identity. The latter, in particular, underscores their blues foundations, even as Jeff Keith’s vocal phrasing contrasts with Ronnie Van Zant’s distinctive delivery.

In its closing stretch, Homage broadens its emotional and stylistic reach. “I’d Rather Go Blind,” immortalised by Etta James, stands out as a vocal showcase, allowing Keith to explore nuances rarely heard in Tesla’s catalogue. The album concludes on a lighter note with “Mind Your Own Business” by Hank Williams Sr., a spirited, country-infused rendition that captures a sense of looseness and celebration.

More than just a collection of covers, Homage operates as a roadmap of the influences that shaped Tesla. Seamlessly moving between soul, blues, country, pop, and multiple shades of rock, the band crafts a cohesive tribute that reflects both deep respect for the originals and a firmly established artistic identity. Even with only one new track, the album stands as a genuine and fitting representation of Tesla’s enduring essence.

Brandon Gullion

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Cobertura de Show: Monsters of Rock Cruise 2014 - Festa Hard/Metal!


O Monsters of Rock Cruise é um cruzeiro marítimo, com várias bandas, que faz o mesmo trajeto na região do Caribe passando pelas Bahamas, parando numa ilha, que é como se fosse uma praia, e os passageiros são levados por outro barco menor para passar o dia na praia e volta. 
Infra - estrutura
O navio desse ano mudou. O ano passado foi o Poesia e esse ano foi o Divina, que é um navio maior e cabe mais pessoas. A estrutura do navio é fantástica, tanto nas partes de locomoção, de elevadores, escadas e de ir para um lugar e outro até se acostumar. Com relação a parte gastronômica e de bebidas é toda completa, tem várias opções pra comer e beber,  algumas são pagas e outras não.


Bandas
O cast não altera muito nas edições. Eles tem esse problema de continuarem repetindo algumas bandas, por exemplo, nas últimas três edições, o Tesla e o Cinderella foram, entre aspas, as bandas mais importantes. Tirando o Tesla, que faz um show um pouco diferente, o Cinderella faz tudo igual. Faz 21 anos que o Cinderella faz o mesmo show, desde 91, 92 e 93... são as mesmas músicas e as mesmas coisas. O público americano vai mais pra curtir a balada e encontrar os amigos do que, propriamente dito, pra ver shows de bandas menores, que é aquilo que me agrada mais, de ver aquelas bandas que eu nem imaginei assistir.


Tom Kieffer (Cinderella)
O único problema é que eles são muito desorganizados! O que é tudo certo no Sweden Rock é totalmente ao contrario no Monster Of Rock Cruise. O schedules funciona da seguinte maneira: das 19:00 até às 19:20 hr, Tesla na piscina. Ai, às 19:45 hr, Quiet Riot no teatro. Mas se você gosta muito de Quiet Riot e Tesla, você começa a ver o Tesla e, quando é 19:40, você sai desse show pra ir ver outro. Ai você sai e esse show está atrasado, demora meia hora pra começar, e você perdeu o show do Cinderella. Em vez de começar às 19:00 hr, começa às 19:15 hr. Ai quando você vai ver tem outra banda tocando no mesmo horário. Eles não sabem fazer um schedules, porque eles não estão preocupados se alguém vai ver ou se não vai ver. 

O norte-americano não quer saber mais de assistir show, de olhar pro cara e de saber que música é, eles gostam só de uma ou duas músicas do show. Isso é bem básico! Dai a pessoa fala que gosta de Cinderella, mas eles vão lá só pra escutar "Nobody's Fool", "Shake Me" e "Don't Know What You Got", já está bom. O primeiro show do Cinderella foi lotado, isso é normal, mas o segundo já não tinha tanta gente. Os Die Hards, que estavam lá, foram pra assistir o show da Doro. A Doro tocou pra 100 pessoas, mas só que não tinha 100. Ai você pergunta: 'Cadê os americanos?' Estavam na piscina, bebendo, conversando, fazendo festa e DJ tocando "Welcome To The Jungle", "Shout Out The Devil" e esses tipos de coisa.

Primeiro dia (29 de março)
O primeiro dia inicia com o check-in no navio e depois entra com uma banda tocando, por exemplo, o Dangerous Toys, que toca em um bar do navio, onde tem os palcos menores. Logo depois o Eddie Trunk (apresentador do That Metal Show) anuncia e dá as boas vindas pra todo mundo. O Tesla faz o primeiro show na piscina. Só que eles tem um grande problema, eles insistem em errar os schedules das bandas muito em cima. 


Jason McMaster (Dangerous Toys)
Às vezes está acabando um show e começa outro ou, às vezes, você sai de um show pensando que vai começar o outro e não começa, atrasa. Curti vários shows nesse dia. O Killer Dwarfs acústico foi bem bacana! O Vixen era pra ter tocado nesse dia, porém foi adiado por causa da chuva. Mas teve um show que me impressionou, foi o do Winger, onde tocaram o primeiro disco inteiro. Mas teve vários outros shows nesse primeiro dia, como Tesla e Red Dragon Cartel, mas o melhor show foi realmente o do Winger.




Segundo dia (30 de março)
John Coraby



No segundo dia tivemos o show do Vixen, que havia sido adiado, mas foi muito legal. No mesmo dia teve o Cinderella, onde eles lotaram o teatro. No navio tem dois palcos grandes, que são no teatro e na piscina. Nesse dia também teve o show do Ron Keel acústico, que é um cara que eu adoro e piro no show dele. Teve também Tyketto, Autograf, Tuff; a Doro tocou nesse dia na piscina, mas não foi pra muita gente; o Loudness também, e foi um show maravilhoso com um puta set-list legal, com músicas do "Thunder In The East" e da época mais anos 80. 



Esses foram os grandes destaques nesse dia. Mas depois, nos outros dias, esses shows repetem, por exemplo, o Tesla, Mike Tramp e o John Corabi e o Frank Hannon fizeram um show acústico no teatro. O John Corabi é um cara muito talentoso! Ele merecia ter muito mais sucesso.



Terceiro dia (31 de março)
Nesse dia já começam a repetir os shows, todas as bandas tocam duas vezes. E se por acaso você não ver um show num dia, você poderá ver no outro. O Ted Poley fez um show bem legal; o Quiet Riot fez dois shows, no penúltimo dia eles tocaram no teatro e no último dia na piscina. Eu assisti só no teatro, porque no outro dia você deixa para assistir aquele show que você perdeu. Os únicos que eu assisti duas vezes foram o Tüff, Ron Keel e Doro.


Ron Keel
Último dia (01 de abril)
É aquele dia que você pensa e se dá conta que já está acabando, e você fica até um pouco mais tarde. O The London Quireboys fechou o cruzeiro fazendo show no teatro. Esse show eu só vi um pedaço, porque estava muito vazio e, nessa hora, o americano está muito mais preocupado em ficar bebendo e fazendo festa do que assistir o show. Então eles deixam essas bandas mais pro final; o Slaughter fez um puta show! O baterista Zoltan Chaney quebrou tudo de novo, ele parece um malabarista tocando. O Vixen fez um show acústico no último dia, também; e o Ron Keel fez um show no lobby do navio que foi fantástico!


Reb Beach, do Winger, detonando!

O que esperar pra 2015?
A mesma coisa, desde a primeira edição até agora, não tem o que esperar, eles vão pegar as mesmas bandas. Não vão chamar bandas grandes, são bandas médias e pequenas, com o intuito de reunir essa galera, mais "old-school", que curte essa música. Desse público, com certeza, Die Hard fans, conhecedores e pessoas que curtem mesmo esse navio é 10%, o resto vai pensando na festa, alegria, se divertir e pra beber.
Na primeira edição teve 7 brasileiros. No segundo teve uns 25 e esse ano teve uns 50, tinha uma galera muito grande de Manaus. Mas agora começou a ficar mais popular, mas a ideia é essa e todo mundo tem que curtir. Boa parte do cruzeiro é tomado por americanos e canadenses. Europeus, bastante gente da Inglaterra, Alemanha e da Suécia.


Da América Latina encontrei gente da Colômbia e Argentina (esse ano não tinha tantos), e do Peru, que só tem uma pessoa que comparece todos os anos, mas de toda a Americana Latina quem comparece mais são os brasileiros.


Akira Takasaki (Loudness)
E para os leitores do Road To Metal, caso queiram ir na próxima edição, podem me contatar. É bem provável que o ano que vem eu faça algum esquema com a organização do cruzeiro, eu já tenho com o Sweden Rock e o Kiss Cruise. É que eu não tenho contato com a organização desse navio, porque eu utilizo como passageiro. Mas no caso de eu não conseguir organizar, podem me contatar da mesma maneira porque eu posso auxiliar.
Edição/revisão: Gabriel Arruda e Carlos Garcia