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quarta-feira, 14 de maio de 2025

Cobertura de Show: Bangers Open Air – 04/05/2025 – Memorial da América Latina/SP

O último dia de festival chegou com um sentimento ambíguo: alegria e tristeza. Alegria porque muitas das bandas escaladas para este dia eram consideradas verdadeiras lendas, e a ansiedade para ver nomes como W.A.S.P, Blind Guardian, Kerry King (Slayer), Avantasia e Destruction era palpável. Por outro lado, a melancolia do último dia já pairava no ar, antecipando a saudade e a expectativa pela próxima edição, confirmada para os dias 25 e 26 de abril do ano que vem.

Assim como na jornada anterior, iniciei o dia no Sun Stage, acompanhando a apresentação do Black Pantera. A banda vem solidificando sua crescente base de fãs no Brasil com uma poderosa fusão de Hardcore, Punk e Heavy Metal. Esse crossover explosivo, aliado a letras que abordam conflitos sociais e a luta antirracista, cria uma experiência única. A oportunidade de tocar no Bangers Open Air representou mais um marco na trajetória de mais de uma década do Black Pantera.

O trio – formado pelos irmãos Charles Gama (guitarra/baixo) e Chaene da Gama (vocal), e Rodrigo “Pancho” Augusto (bateria) – incendiou o público com faixas como “Perpétuo”, “Fogo nos Racistas” e “Sem Anistia”, esta última agraciada com o mosh das minas Outro momento emocionante foi a “Tradução”, composta em homenagem à mãe dos irmãos Gama e já indispensável em qualquer apresentação da banda.

Black Pantera – setlist:

Candeia

Provérbios

Padrão é o Caralho

Seleção Natural

Ratatatá

Mosha

Perpétuo

Fogo nos Racistas

Sem Anistia

Tradução

Revolução é o Caos

Boto pra Fuder




No Hot Stage, a primeira banda que consegui prestigiar foi a alemã Lord of the Lost, seguida pela apresentação do Beyond the Black, que despertou grande curiosidade, especialmente por conta da carismática vocalista Jennifer Haben.

Sobre o Lord of the Lost, a banda já havia marcado presença na primeira edição do festival, ainda sob o nome Summer Breeze. Conhecidos por sua versatilidade sonora, que mescla elementos do industrial e do gótico e pelo visual impactante, os alemães entregaram uma performance cativante, contrastando a energia da música com a estética sombria de seus integrantes.

Lord of the Lost – setlist:

The Curtain Falls

The Future of a Past Life

Loreley

Destruction Manual

For They Know Not What They Do

Raining Stars

Six Feet Underground

Born With a Broken Heart

Live Today

Die Tomorrow

Drag Me to Hell

We're All Created Evil

Blood & Glitter



Mesmo sob o calor intenso do início da tarde, similar ao dia anterior, o som denso e melancólico dos americanos do Paradise Lost ecoou pelo festival. Considerada uma das pioneiras do Doom Metal e dona de três álbuns que considero clássicos do gênero – Draconian Times, One Second e Symbol of Life – a banda presenteou os fãs com as memoráveis "Enchantment", a faixa-título "One Second", o cover de "Small Town Boy" (Bronski Beat) e "The Last Time", apesar de eventuais problemas de equalização que fizeram o som soar estourado em alguns momentos.

Certamente, foi uma apresentação que gerou muitos comentários e elogios, especialmente por marcar o retorno da banda ao Brasil após cerca de sete anos, o que explica a calorosa recepção.

Paradise Lost – setlist:

Enchantment

Forsaken

Pity the Sadness

Faith Divides Us - Death Unites Us

Eternal

One Second

The Enemy

As I Die

Smalltown Boy (Bronski Beat cover)

The Last Time

No Hope in Sight

Say Just Words


Mais uma vez no Sun Stage, palco onde aconteceram os shows mais intensos do dia, o Vader, uma das maiores forças do Death Metal europeu, deixou os fãs completamente empolgados. 

Durante a apresentação, houve rodas de pogo e moshes bem animados a cada música do repertório, incluindo "Wings", "Triumph of Death" e "Unbending". No mesmo palco, o lendário Nile também fez uma apresentação inesquecível, embora eu tenha perdido por causa de um conflito de horários. Antes deles, também teve uma banda nacional importante tocando no mesmo palco: o Dorsal Atlântica.






O Kamelot voltou, dessa vez no Hot Stage, ao palco para substituir o I Prevail, que cancelou sua participação no festival com apenas duas semanas de antecedência. Dessa vez, eles não fizeram o mesmo show do dia anterior, trazendo algumas mudanças no setlist, como a inclusão de músicas como "Opus of the Night (Ghost Requiem)", "The Human Stain" e a clássica "Center Of The Universe". 

A abertura foi com "Phantom Divine (Shadow Empire)", que contou com a participação de Adrienne Cowan, que mais tarde cantou com o Avantasia.

Kamelot – setlist:

Phantom Divine (Shadow Empire)

Rule the World

Opus of the Night (Ghost Requiem)

Insomnia

Sacrimony (Angel of Afterlife)

The Human Stain

Center of the Universe

New Babylon

Forever

March of Mephisto






Uma grande expectativa pairava sobre o Ice Stage, onde o público aguardava ansiosamente por Kerry King e sua nova banda, um dos shows mais aguardados do dia e de todo o festival.

Apesar do hiato do Slayer, o icônico guitarrista não permaneceu inativo e formou um novo grupo com nomes de peso do Thrash Metal, como o vocalista Mark Osegueda (do Death Angel), o baixista Kyle Sanders (do Hellyeah), o guitarrista Phil Demmel (ex-Machine Head) e seu ex-companheiro de Slayer, Paul Bostaph, na bateria. Foi com essa formação estelar que Kerry lançou o álbum From Hell I Rise.

O álbum, que considero superior aos últimos trabalhos do Slayer, foi executado quase integralmente. As músicas levaram um breve tempo para engajar completamente o público, mas, no geral, a apreciação em vê-las ao vivo foi notável. Os clássicos do Slayer vieram em seguida: "Disciple", seguida por "Killers" do Iron Maiden em homenagem ao saudoso Paul Di'Anno, elevaram ainda mais a energia do show. Outros hinos como "Raining Blood" e "Black Magic” proporcionaram o ápice do caos na apresentação. Insano, em resumo.

Kerry King – setlist:

Where I Reign

Rage

Trophies of the Tyrant

Residue

Two Fists

Idle Hands

Disciple (Slayer)

Killers (Iron Maiden cover)

Shrapnel

Raining Blood (Slayer)

Black Magic (Slayer 

From Hell I Rise






Mal houve tempo para respirar e a multidão se dirigiu em massa para o Hot Stage, onde o Blind Guardian se preparava para subir ao palco. A banda alemã integrou a programação juntamente com seus compatriotas do Destruction, após o cancelamento do Knocked Loose e do We Came as Romans. Essa mudança inesperada se revelou uma ótima surpresa, sem desmerecer as bandas que tiveram imprevistos em suas agendas, naturalmente.

A recepção não poderia ter sido mais efusiva, demonstrando o profundo apreço do público brasileiro pelo grupo. O vocalista Hansi Kürsch exibiu sua habitual gentileza, enquanto o restante da banda demonstrou uma sintonia impecável e uma entrega impressionante. O show também reservou um momento especial, com o público cantando parabéns para o guitarrista André Olbrich, que celebrou mais um ano de vida no dia anterior.

Comparado à primeira edição, o setlist passou por alterações significativas. Naquela ocasião, o grupo executou o álbum Somewhere Far Beyond na íntegra. Desta vez, apenas a icônica “The Bard's Song - In the Forest” foi mantida, e cantada em uníssono pela plateia. Além dela, foram resgatadas “Mordred's Song” e “Tanelorn (Into the Void)”, ausentes dos shows da banda por quase uma década, além das indispensáveis “Imaginations from the Other Side” – que frequentemente abre suas apresentações –, “Valhalla” e “Mirror, Mirror”, músicas que reafirmam o status do Blind Guardian como uma das bandas mais importantes do gênero.

Blind Guardian – setlist:

Imaginations From the Other Side

Blood of the Elves

Mordred's Song

Violent Shadows

Into the Storm

Tanelorn (Into the Void)

Bright Eyes

Time Stands Still (At the Iron Hill)

And the Story Ends

The Bard's Song - In the Forest

Mirror Mirror

Valhalla





Após seis longos anos de espera, finalmente uma das maiores bandas de Hard Rock da história, o W.A.S.P., estava de volta ao Brasil.

Apesar dos comentários sobre a performance vocal de Blackie Lawless – em parte justificáveis, dado o uso ocasional de playback em algumas músicas –, isso não diminuiu a intensidade da apresentação, que, sem dúvida, foi o ponto alto não apenas do dia, mas de todo o festival. E o motivo? A banda entregou tudo, absolutamente tudo o que os fãs ansiavam. O primeiro álbum, um dos pilares do Hard Rock, foi executado quase integralmente com maestria. De "I Wanna Be Somebody" a “The Torture Never Stops”, não houve um sequer espectador que não cantasse junto e demonstrasse reações de incredulidade, o que resume a magnitude do momento.

A formação atual conta com os talentosos Doug Blair (guitarra), Mike Duda (baixo) e o baterista brasileiro Aquiles Priester (bateria). A convite de Blackie, Aquiles foi ao centro do palco para um breve bate-papo com o público em vez de fazer um tradicional drum solo. Foram poucos minutos, mas suficientes para testemunhar sua felicidade em tocar em seu país natal com uma das bandas mais lendárias da história.

Após a execução quase completa do álbum de estreia, a banda presenteou o público com mais alguns clássicos, como "Forever Free", “The Headless Children", "Wild Child" e "Blind in Texas", adicionando ainda mais emoção a um show pelo qual todos esperavam há anos.

W.A.S.P – setlist:

I Wanna Be Somebody

L.O.V.E. Machine

The Flame

B.A.D.

School Daze

Hellion

Sleeping (in the Fire)

On Your Knees

Tormentor

The Torture Never Stops

The Real Me

Forever Free / The Headless Children

Wild Child

Blind in Texas






As duas últimas atrações do dia vieram diretamente da Alemanha. O caos retornou ao Sun Stage com o Destruction, banda seminal do Thrash Metal alemão, ao lado de outros gigantes do "Big 4" teutônico como Kreator, Sodom e Tankard. Ainda fresco na memória dos fãs brasileiros, já que se apresentaram aqui há menos de um ano, o Destruction preparou uma apresentação especial no Bangers, executando na íntegra seu álbum de estreia, Infernal Overkill, além de sucessos como “Nailed to the Cross”, “Mad Butcher” e “Thrash ‘Til Death”. Não há palavras para descrever a energia que Schmier (vocal, baixo e único membro original) – acompanhado por Damir Eskic e Martin Furia (guitarras) e Randy Black (bateria) – emanou, contagiando a todos.

Para não deixar passar a oportunidade, assisti a uma parte da apresentação do Avantasia, a ópera metal idealizada pelo vocalista do Edguy, Tobias Sammet. A banda cresceu significativamente nos últimos anos, tanto musical quanto visualmente. Seus shows costumam apresentar cenários elaborados, que reforçam a narrativa lírica de cada tema abordado nos álbuns – sendo o mais recente Here Be Dragons, lançado neste ano.

Além disso, o grupo é acompanhado por músicos e cantores de excelência, incluindo participações de artistas que já haviam se apresentado no festival, como Tommy Karevik (do Kamelot), que cantou “The Witch”; Ronnie Atkins (do Pretty Maids), que emprestou sua voz a “Twisted Mind”, “The Scarecrow” e “Let the Storm Descend Upon You”, e Eric Martin (do Mr. Big) em “Dying for an Angel”. A novidade ficou por conta da presença de Jeff Scott Soto, que substituiu Kenny Leckremo, ausente devido a compromissos com o H.E.A.T na América Latina.

O setlist incluiu ainda a inédita “Creepshow”, “The Toy Master”, a belíssima “Farewell” e “Death Is Just a Feeling”, preparando o terreno para o bis com as icônicas “Lost in Space”, “Sign of the Cross” e “The Seven Angels”, com todos os vocalistas reunidos no palco em um momento apoteótico.

Enfim, mais uma edição inesquecível chega ao fim. Assim como nas anteriores, os elogios e a satisfação, tanto pelo line-up, organização e todos os demais aspectos envolvidos foram evidentes, o que nos deixa ainda mais animados e ansiosos pela quarta edição no ano que vem. Que 2026 nos reserve mais uma experiência incrível, repleta de emoção, pois o Bangers Open Air não é apenas um festival, é a válvula de escape para os verdadeiros amantes da música pesada.






Texto: Gabriel Arruda 

Fotos: Edu Lawless

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Consulado do Rock

Press: Agência Taga


Avantasia – setlist:

Creepshow

Reach Out for the Light (com Adrienne Cowan)

The Witch (com Tommy Karevik)

Devil in the Belfry (com Herbie Langhans)

Dying for an Angel (com Eric Martin)

Twisted Mind (com Ronnie Atkins e Eric Martin)

Avalon (com Adrienne Cowan)

The Scarecrow (com Ronnie Atkins)

The Toy Master

Shelter from the Rain (com Jeff Scott Soto)

Farewell (com Chiara Tricarico)

Let the Storm Descend Upon You (com Ronnie Atkins e Herbie Langhans)

Death Is Just a Feeling

Bis

Lost in Space

Sign of the Cross / The Seven Angels

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

W.A.S.P.: "Dominator" - Peso, Melodia e Personalidade (Relançamento)


Abrindo uma série de relançamentos dos álbuns do W.A.S.P. (que agora possui contrato com o selo austríaco Napalm Records), inclusive alguns pela primeira vez em edição nacional,  a Shinigami Records, que já soltou no mercado "Golgotha" (leia matéria AQUI), o mais recente trabalho dos norte americanos, disponibiliza o ótimo "Dominator", lançado originalmente em 2007. Uma ótima oportunidade de adquirir o álbum em edição nacional, o que significa uma boa economia, além de também de apresentar e disponibilizar um material de qualidade a novos fãs.

"Dominator" é um álbum com conteúdo lírico forte,  ainda sob influência do terrível atentado do 11 de setembro, com críticas ao sistema político e ao imperialismo Norte Americano e as táticas de "bully" que impõe, além da decepção com os rumos tomados e arrogância do então presidente dos EUA, G. Bush, e alguns aliados, que sob a suposta intenção de combater e punir atos de terrorismo, acabaram gerando conflitos como a Guerra do Golfo, onde muitas coisas não foram bem claras, além de subjugar países menores e menos influentes (preste atenção na metafórica "Mercy", que abre o álbum).


Mas acima de tudo é um álbum com composições muito boas, apresentado aquele Heavy Metal que por vezes flerta com o Hard, com muita melodia e bons refrãos. É o W.A.S.P. que foi moldando-se a partir de "Headless Children", pois a partir de que Blackie Lawless começou a mudar sua forma de ver as coisas, um crescimento natural de qualquer ser humano (ou que pelo menos todos deveriam ter), e por consequência, a banda sendo uma extensão da personalidade de seu mentor, também evoluiu musicalmente.

O timbre peculiar da voz de Lawless, o coros e o Heavy Metal com músicas carregadas de melodias, refrãos marcantes, características marcantes do W.A.S.P. estão presentes, além de uma banda extremamente competente, e como Lawless mesmo diz, com os melhores músicos que o grupo teve desde seu início, sendo que dessa formação somente o baterista Mike Dupke recentemente se desligou por motivos pessoais. 


Peso e melodia é o que já se houve em "Mercy" (que comentei antes, onde Lawless fala sobre a questão de um grande país subjugar os menores), que começa com riffs "cavalares" e uma melodia marcante da guitarra, e assim que entra o vocal, já se reconhece que é W.A.S.P., algo que um seleto grupo pode dispor, a tal "personalidade"; "Long, Long Way to Go" traz crítica explícita à Bush e a guerra pelo petróleo, em uma música feroz, traduzindo o sentimento de Lawless, com grande trabalho de bateria de Dupke, além de solos matadores de Doug Blair, aliás, um detalhe marcante no álbum são os solos bem em destaque.

São nove faixas muito boas, mas destaco "The Burning Man", com trabalho muito bom nas melodias de guitarra, base cavalgada, arranjos de teclado (simulando um hammond) também aparecem, e além do refrão pra lá de pegajoso (sem falar nos "oh oh oh", perfeitos para cantar junto ao vivo), Blair destila mais um belo solo.


E o grande momento  "Heaven's Hung in Black", aquela típica Power Ballad que Lawless sabe fazer tão bem, dando a dramaticidade que o tema da letra precisa, onde ele pegou a ideia de um discurso do presidente Lincoln, onde ele fala sobre a batalha de Gettysburg, onde 10 mil homens foram mortos, e a frase "Surely tonight the heavens are hung in black" serviu de inspiração para Lawless criar a história sob a visão de um soldado durante a guerra no Iraque, em algum lugar entre a vida e a morte. Vale também mencionar a "Deal With the Devil", bem rock and Roll tradicional e com participação de Darrel Roberts (ex W.A.S.P. e Five Finger Death Punch) na guitarra, fechando o álbum de forma mais leve, depois de um álbum com conteúdo mais tenso.

Um álbum bem balanceado, forte, com peso e melodia, um trabalho muito consistente desta verdadeira instituição chamada W.A.S.P., comandada por Blackie Lawless, uma figura de destaque na história do Metal, sem dúvida. Se não tem o álbum, aproveite a oportunidade de adquiri-lo agora, ao novo fã, fique atento a estes relançamentos! 

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação


Banda: W.A.S.P.
Álbum: Dominator (2007) relançamento
País: Eua
Estilo: Heavy Metal
Produção: Blackie Lawless
Selo: Napalm Records/Shinigami Records


Banda:
Blackie Lawless: Vocais, Guitarra e teclados
Mike Duda: Baixo
Mike Dupke: Bateria
Doug Blair: Guitarra




Track List
1. Mercy
2. Long, Long Way To Go
3. Take Me Up
4. The Burning Man
5. Heaven's Hung In Black
6. Heaven's Blessed
7. Teacher
8. Heaven's Hung In Black (Reprise)
9. Deal With The Devil

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

W.A.S.P. - "Golgotha": Digno do Top 5 da Banda, e Disponível no Brasil via Shinigami Records



Comemorando o lançamento de "Golgotha" no Brasil, álbum muito esperado pelos fãs do W.A.S.P., reeditamos nossa matéria, porém "vitaminada" por mais algumas informações, detalhes e links! Confira:
 
O W.A.S.P. é sem dúvidas uma banda que ainda possui relevância na cena Metal, e segue lançando álbuns de qualidade e com músicas capazes de empolgar os fãs, ou seja, é daqueles grupos que o tempo não lhes tirou a gana, ao contrário de muitos que parecem lançar álbuns apenas para cumprir contrato, ou por saber que com o apelo "comercial" que possuem, vão vender os discos e os produtos como água no deserto!

Com o tempo, aquela banda com visual e letras mais chocantes, com direito a shows repletos de exageros, efeitos pirotécnicos, carne crua e modelos nuas, que tanto incomodou puristas e órgão como a PMRC nos anos 80, foi amadurecendo, e tanto o visual como o conteúdo das letras também foi mudando, e podemos colocar aí o álbum "The Headless Children" (89) como um divisor, marcando essa mudança na sonoridade e atitude (embora seguindo uma linha mais "comercial", um bom álbum), claro, tudo isso em função do seu mentor, Blackie Lawless, pois o WASP é Lawless, não podemos negar. No mesmo ano a banda se separou, e em 1992, o que era para ser um álbum solo de Lawless, foi lançado sob o nome WASP, tornando-se a sua obra-prima, o aclamado "Crimson Idol", trabalho conceitual.



Desde então, entre diversas trocas de integrantes, Lawless vem lançando álbuns regularmente, e mantendo a banda relevante, com bons álbuns como as duas partes de "The Neon God" (2004) e "Babylon" (2009), o último álbum de estúdio até 2015, onde finalmente vê a luz do dia o novo trabalho, "Golgotha", que vem sendo produzido desde 2011 (nesse ínterim Lawless ainda teve que se submeter a uma cirurgia, devido a fratura na perna).

Sobre o processo de composição, abro parênteses para algumas palavras bem legais de Blackie Lawless: "Uma coisa que você aprende ao longo dos anos no processo de composição, é que depois das músicas começarem a tomar forma, elas começarão a falar com você e elas vão te dizer onde elas querem ir. O truque é aprender a ouvir quando elas falam."


Lutando contra a ansiedade e expectativa de ouvir um novo trabalho de pois de 6 anos, hora de colocar a bolacha rodar. Pois bem,  nos primeiros acordes de "Scream", a faixa de abertura de "Golgotha", já é possível identificar que é W.A.S.P. que está tocando, as melodias, a voz característica de Lawless, os backing vocals, o refrão ganchudo e uma pegada pesada, ótima escolha para abertura. Nada de invenções ou complicações, é W.A.S.P.! e é muito bom! 


"Last Runaway" tem uma melodia mais "leve", numa levada bem Hard Rock, agradável e cativante, e a na letra Lawless fala a respeito dos tempos que passou dificuldades em Hollywood, sendo praticamente um sem-teto por um período; "Shotgun" também vem bem "comercial", com melodias até bem manjadas, porém muito legais, e mostrando que o velho Lawless forjou uma bela coleção de melodias e refrãos "grudentos" nesses últimos tempos, coisa que sempre foi um mestre.

"Miss You" é o que podemos chamar de "baladaça", interpretada com bastante emoção, naquela conhecida fórmula das baladas Metal, começa melodiosa, e cresce no refrão, aquele solo mais longo, melódico e profundo, aliás, um belo solo de autoria de Doug Blair. Uma curiosidade, conforme o vocalista conta no site oficial, ela foi a primeira música que escreveu para "Crimson Idol", que junto a mais duas outras, não entrou no álbum, e agora foi a primeira a ser gravada para este novo álbum.


"Fallen Under" soa introspectiva e vai ganhando em emoção e peso, destacando um belo trabalho de Dupke na bateria, bom...do refrão nem preciso falar; "Slaves of the New World Order"  começa com melodias de vocais acompanhadas pelo teclado (tem uns hammonds bem colocados, que aliás, aparecem em várias faixas), para em seguida entrar em um andamento cavalgado, riffs, bases e alternância de ritmos bem tradicionais, e até um coro "hey hey! hey hey!", com certeza você já ouviu algo assim, inclusive em álbuns do próprio WASP, mas é isso, é feito por quem sabe!

"Eyes of My Maker", traz mais boas melodias e refrãos, e também um ar "saudosista", presente por todo o trabalho, o que quero reafirmar é o que disse no início, é WASP, com todas aquelas características que conhecemos. Cadenciada, a música segue o padrão do álbum, que é mais introspectivo num todo, com as canções seguindo esse ritmo mais cadenciado, mais "balada", mas jamais sendo cansativo, assim como "Hero of the World", que segue uma levada semelhante.



"Golgotha", a faixa título, é épica, praticamente uma "power ballad", com estrutura e melodias de certa forma simples, assim como as demais músicas do álbum, porém com um senso melódico feito por quem realmente sabe, destacando o grande refrão e os vocais marcantes de Lawless, que, se não tem grandes variações ou recursos, tem o principal que é a personalidade e o feeling.

Um álbum em que o fã do WASP vai encontrar tudo o que espera, refrãos e melodias cativantes, Heavy/Hard sem invenções ou instrumental mirabolante, afinal, quem disse que música boa precisa ser complicada? Muito pelo contrário! E 33 anos de carreira não são 3! Obrigado Blackie Lawless por nos dar o que esperamos, mais um grande álbum do velho e bom W.A.S.P.!

Texto: Carlos Garcia

Banda: W.A.S.P.
Álbum: Golgotha (2015)
País: EUA
Estilo: Heavy/Hard
Selo: Napalm Records - Licenciado para Shinigami Records
Adquira o álbum AQUI


Line-up:
Blackie Lawless - Vocals, Guitarist
Mike Duda - Bass Guitar
 Doug Blair - Lead Guitar
Mike Dupke - Drums

Track listing
Scream
 Last Runaway
 Shotgun
 Miss You
 Fallen Under
 Slaves Of The New World Order
 Eyes Of My Maker
 Hero Of The World
 Golgotha




Álbuns de Estúdio

Ano       Álbum

1984      W.A.S.P.

1985      The Last Command

1986      Inside the Electric Circus

1989      The Headless Children

1992      The Crimson Idol

1995      Still Not Black Enough

1997      Kill Fuck Die

1999      Helldorado

2001      Unholy Terror

2002      Dying for the World

2004      The Neon God: Part 1 – The Rise

The Neon God: Part 2 – The Demise

2007      Dominator

2009      Babylon

2015      Golgotha



Live Álbuns

    Live...In the Raw (1987)

    Double Live Assassins (1998)

    The Sting: Live at the Key Club L.A. (2000)

 
Coletâneas

    First Blood Last Cuts (1993)

    The Best of the Best 1984-2000 vol. 1 (2000)

    The Best of the Best (2007)

 
Videos

    Live at the Lyceum, London (1984)

    Videos... In The Raw (1987)

    First Blood Last Visions (1993)

    The Sting: Live at the Key Club L.A. (2000)
 



Assista aos lyric vídeos oficiais nos links abaixo: 

Scream

Golgotha