terça-feira, 2 de agosto de 2022

Angra: Rebirth 20th Anniversary Tour - 25/06 Porto Alegre RS

 


Porto Alegre recebeu mais uma vez o Angra, e na capital gaúcha o grupo sempre tem garantia de boa presença de público, tanto é que suas turnês sempre tem datas por aqui. Desta vez, a banda trouxe a tour comemorativa de 20 anos do álbum "Rebirth".

"Rebirth" marcou a retomada do grupo após profundas mudanças de line-up, e foi um marco na sua carreira, que com a formação do álbum ainda lançou mais 2 trabalhos e ainda "Aqua", com Confessori no lugar de Aquiles Priester. A partir daí o Angra teve mais mudanças, mas estabilizou o line-up atual, junto desde 2015.

O tradicional Bar Opinião mais uma vez foi o palco para o Angra na capital, e o show teve seus ingressos esgotados semanas antes da data.

Mortticia

Para enriquecer ainda mais o espetáculo, tivemos ainda dois ótimos nomes do Metal gaúcho esquentando a noite para a atração principal, Mortticia e Rage in My Eyes. Ambas formadas por músicos experientes, proporcionaram doses de muito Metal tradicional e Power Metal aos presentes.

O Mortticia teve um set mais curto e aproveitou ao máximo, com seu Heavy Metal carregado de energia. Um nome muito interessante da cena do Sul.

O Rage in My Eyes, que nasceu das cinzas de uma tradicional banda daqui, o Scerelatta, já tem álbum e EP lançados, além de ter aberto show do Iron Maiden aqui no RS, e vem mostrando um trabalho de alto nível e sonoridade diferenciada. Power Metal técnico e criativo, também utilizou uso de nuances da música tradicional gaúcha, além de peças da indumentária típica do Sul.

Rage in My Eyes

Após os ótimos shows de abertura, chegava a hora da atração principal, já com a casa lotada e com o público chamando a banda!

Uma coisa muito legal foi ver uma garatoda mais jovem na plateia, mostrando que a legião de fãs da banda segue se renovando.


"Nothing to Say", umas das tradicionais faixas de abertura da banda, inicia o espetáculo, agitando a galera, seguida por uma da fase atual, "Black Widow's Web", e após, inicia-se a execução na íntegra do álbum "Rebirth", e revisitá-lo ao vivo, tanto para banda e público tenho certeza que foi especial, nos fazendo lembrar que é um grande trabalho, e que ao lado do " Aurora Consurgens", foram discos que apresentaram o Angra a uma nova geração de fãs.


Depois do revisitado, homenageado e ovacionado "Rebirth", a banda ainda mandou vários clássicos dos outros álbuns, dando para o público um gostinho de cada disco. 

Ressalva para o número final, com "Carry On", onde Lione se perdeu em alguns momentos, provavelmente por problemas no retorno, e diga-se de passagem, o alto volume, casa lotada (ficou pequena para o show, desconfortável até), tudo contribui, mas o público estava feliz, levou tudo na boa.

Foi fácil perceber o quanto a galera curtiu demais este show, terminando a noite satisfeitos e com sorrisos nos rostos. Um ótimo espetáculo, e que acredito que merecia um espaço maior.

Cobertura/fotos: Diogo Nunes

Produtora: Abstratti












terça-feira, 19 de julho de 2022

Carniça: “Na minha visão estes subgêneros somente enfraqueceram o Heavy Metal”

Por: Renato Sanson

Músico entrevistado: Mauriano Lustosa (vocal) – Banda: Carniça de Novo Hamburgo/RS

 

“A New Medium Ages” nasceu ao meio de um turbilhão pandêmico. Como foi lidar com isso para o processo de gravação?

O lance da pandemia de uma certa forma até nos ajudou. Como toda a banda respeitou o isolamento social, ficamos em nossos estúdios compondo e gravando. Tivemos tempo de sobra para a elaboração do álbum.

Para o novo álbum também tivemos a estreia do novo baixista, Kaue Muller. Que diga-se de passagem fez um excelente trabalho. A Carniça está com a sua melhor formação até o momento?

O Kaue é um excelente músico e baita parceiro. Seria injusto com os membros que passaram dizer que estamos com a melhor formação de nossa carreira. O justo é dizer que o Kaue se encaixou perfeitamente com a proposta da banda e é um músico muito, mas muito talentoso.

 


A Carniça sempre buscou trazer em suas letras o seu posicionamento contra um sistema e um país falho como o nosso. Porém em “A New Medium Ages” temos isso ainda mais forte e latente. Foi proposital ou surgiu naturalmente?

O contexto atual de país nos levou naturalmente a isto. Estamos vivenciando coisas surreais tanto na política, cotidiano, costumes sociais e religiosos. Nunca nos calamos ou tomamos partido para A ou B. Continuaremos firmes expondo a podridão e hipocrisia do ser humano.

Passados dois anos de pandemia enfim os shows retornaram e vocês voltaram aos palcos. A ansiedade estava a mil?

Estava!!!! Muito tempo longe dos palcos. Porém nos adaptamos e partimos para as lives, entrevistas online, etc. E vale ressaltar que nossas lives eram tocadas mesmo, LIVES DE FATO. Não "dublagens" que muitas bandas fizeram por aí… O retorno foi grandioso. Já fizemos muitos shows e o público está respondendo muito bem!

Musicalmente, a Carniça vem evoluindo a cada lançamento. As estruturas soam cada vez mais solidas e características. Tendo o que poucos conseguem: ouvir e sacar logo de cara de quem se trata. E vocês fazem isso com maestria. O quanto as referências musicais de cada um influenciam na hora de compor?

Não nos amarramos a fórmulas.  Não somos uma banda de Death, Thrash, Power ou qualquer subgênero. Na minha visão estes subgêneros somente enfraqueceram o Heavy Metal. Até “brincamos” que somos "Heavy Rotten Metal. Mas isso é um conceito criado justamente para exorcizar estes subgêneros. As influências ajudam muito, pois, cada integrante curte diversas VERTENTES do Heavy Metal.

 


“A New Medium Ages” seria o melhor disco da banda até agora?

Não digo que seria o melhor, pois cada álbum reflete uma época, uma situação da banda. Em todos nossos álbuns eu vejo músicas de grande potencial. “A New Medium Ages” é o álbum da vez, e nele colocamos muita energia e dedicação.

Referente a shows, o que a Carniça pretende para 2022?

Já realizamos diversos shows, inclusive em SC. Estamos planejando shows em SP e RJ. Porém com todas as adversidades que o underground tem, tudo deve ser muito bem planejado.

Uma curiosidade bastante interessante são os covers que fecham cada álbum. Venom, Slayer, Wasp, Sarcofago e agora Iron Maiden (“Powerslave”). Sabemos da importância da banda principalmente para você que é vocalista e um grande fã do Bruce Dickinson. Como surgiu a ideia e como foi esse desafio?

Isso mesmo! Sempre homenageamos bandas que gostamos em nossos álbuns e não poderia faltar NUNCA o Maiden!!!! Já tínhamos tocado a “Powerslave” em inúmeros shows no começo dos anos 2000. Sendo assim, o processo foi muito fácil e o resultado nos deixou muito, mas muito satisfeitos.

 


É sempre um prazer conversar com uma das melhores bandas de Metal do Brasil e do mundo. Que a Carniça tenha mais 100 anos de atividade e continue nos brindando com sua música verdadeira, agressiva e pesada. Obrigado e o espaço final é todo de vocês!

Primeiro muito obrigado pelo elogio. Não posso dizer que somos uma das melhores bandas, mas posso dizer que fazemos essa porra andar a 31 anos e sempre com muito prazer e satisfação! É graças a grandes parceiros como vocês que ainda nos dá gosto de seguir em frente! Muito obrigado pelo espaço sempre presente e à atenção dedicada pela Road To Metal!!!!


Fotos: Everson Krentz


Links:

https://www.facebook.com/CarnicaOfficial

https://www.instagram.com/carnicaofficial/

 

quinta-feira, 16 de junho de 2022

Carniça: evolutivo e despejando a podridão de um país

Resenha por: Renato Sanson 

Após cinco anos de seu último lançamento, eis que os gaúchos da Carniça nos brindam com seu 5° álbum de estúdio o poderoso “A New Medium Ages”. Produzido pela própria banda tendo a mixagem feita no From Hell Studio, por Henrique Fioravanti temos uma produção apurada e atual ainda que a veia old school possa imperar, a Carniça não se limita e nos apresenta um Thrash/Death Metal mais evoluído e não parado no tempo.

As composições soam enérgicas e cheias de estruturas marcantes, principalmente as melodias que se destacam da guitarra de Parahim Neto. Sem contar os riffs animalescos e pesados, que fazem dupla perfeita ao trator chamado Marlo Lustosa na bateria e ao estreante Kaue Muller nos graves, que segura muito bem a bronca. As vocalizações de Mauriano soam mais diversificadas não perdendo a agressividade, dando um toque a mais ao som.

Em termos gerais, a Carniça estabeleceu nesses 31 anos de estrada uma sonoridade bem peculiar é apertar o play e identificar logo de cara de quem se trata e isso é para poucos. Entre os destaques posso citar: “Dogs of War” (brutal), “País Sem Salvação” (com uma letra atemporal e marcante), “A New Medium Ages” (prestem atenção nesses riffs) e “Sexual Perverted” (uma letra soturna em volta de criminosos pervertidos soltos, com a dupla Mauriano e Marlo despejando raiva em seus instrumentos).

Um dos melhores lançamentos do estilo em 2022 e pode-se ser considerado o melhor trabalho da Carniça até o momento, pois os gaúchos não param de evoluir e sempre nos apresentam materiais de extrema qualidade.

Ainda há tempo de mencionar a bela intro que abre os trabalhos -“Intro The Dark”- dando um clima mais que especial a destruição apocalíptica que viria, com teclados muito bem colocados de Ramon Oliveira (Doc Jones) e a bela arte gráfica que permeia o material criada pelo excelente artista Alcides Burns. Um material gráfico de alto nível com uma capa que merecia um vinil!

Sem mais delongas, adquira sua cópia, ouça nas plataformas digitais e aprecie uma das melhores bandas do Metal nacional.

 

sábado, 28 de maio de 2022

Moonlight Haze: Criatividade em Alta


F
ormada no ano de 2018, os italianos da Moonlight Haze, mostram que a criatividade continua em alta e apresentam seu terceiro álbum “Animus”. 

Embora tenha sido fundada há poucos anos, a banda é formada por músicos veteranos, como o baterista Giulio Capone (ex-Temperance), o baixista Alessandro Jacobi (Elvenking), os guitarristas Marco Falanga (ex-Hammered) e Alberto Melinato (ex-Teodasia) e a vocalista Chiara Tricarico (ex-Temperance, ex -Teodasia).

“Animus” inicia com a impressionante e cativante “The Nothing”, com direito à um coral, samples de orquestra e vocal lírico no final. 



A seguir, a melódica “It’s Insane” tem um refrão marcante. Chiara canta lindamente em Kintsugi, variando entre um vocal mais angelical e algo mais operístico. Enfim, a faixa título, “Animus”, com um coral cantando em Latim (um ingrediente clássico do metal sinfônico) e Chiara arriscando no gutural. 

Por fim, “The Thief and the Moon”, com riffs fortes e um arranjo divertido, do tipo que te coloca para cima. Em “Midnight Haze”, eu sinto como se a voz de Chiara me levasse para uma jornada de aventuras, é uma das minhas favoritas desse álbum. 

A melodia da faixa “Tonight” é extremamente cativante e a de “Never Say Never” inspiradora. Não há o que contestar em “We’ll Be Free”, é uma música alto astral, daquelas perfeitas para se ouvir quando estamos entediados. Em seguida temos a épica Ritual of Fire”, forte e dinâmica, mas ao mesmo tempo sem exageros.



E finalmente “Horror & Thunder”, que me surpreendeu com seu breve solo de baixo, eu simplesmente não estava esperando por algo assim, fiquei realmente surpresa. 

Das bandas que surgiram recentemente, Moonlight Haze se tornou uma das minhas favoritas, apesar de ter todas as características do estilo, é perceptível que eles conseguiram criar uma identidade própria.

A interpretação de Chiara é brilhante é a sinergia com os outros músicos é perfeita. Eu não consigo botar nenhum defeito em “Animus” e prevejo que esse será um dos meus top 3 desse ano.

Texto: Raquel de Avelar
Fotos: Divulgação

Banda: Moonlight Haze
Álbum: "Animus" 2022
Estilo: Symphonic Metal/Melodic Metal
País: Itália
Selo: Scarlet Records




Track Listing:
1.) The Nothing
2.) It’s Insane
3.) Kintsugi
4.) Animus
5.) The Thief And The Moon
6.) Midnight Haze
7.) Tonight
8.) Never Say Never
9.) We’ll Be Free
10.) A Ritual Of Fire
11.) Horror & Thunder



 

 

sábado, 21 de maio de 2022

Northtale: Evolução e " Brasilidade" no Segundo Full-Lenght


Depois de vários anos de experiência tocando no exterior com bandas e artistas como Doro, Cellador, UDO, e a "família" Savatage, que foi a que lhe abriu definitivamente várias portas (Jon Oliva's Pain, Zak Stevens' Circle II Circle, TSO e inclusive tocando no show do Savatage e TSO no Wacken), o guitarrista brasileiro Bill Hudson hoje possui sua própria banda, o Northtale, que logo nos primeiros contatos já assinou com a Nuclear Blast.

O Melodic Power Metal da banda foi bem recebido pelos fãs do estilo, e embora o debut, "Welcome to Paradise" (2019), tenha recebido algumas críticas por ter uma sonoridade semelhante a grupos de Power Metal como Gamma Ray, Bill Hudson rebateu dizendo que essa era a sonoridade que ele queria, não tinha intenção de criar alguma grande novidade.


A banda lançou fim do ano passado seu segundo trabalho, "Eternal Flame", trazendo mudanças no li-ne up, com a entrada de mais um brasileiro, o vocalista Guilherme Hirose, que encaixou perfeitamente e fez um excelente trabalho.

O Melodic Power Metal segue sendo a tônica do trabalho, mas neste novo podemos sentir que as composições tiveram um tempo maior de maturação, e se vê um Northtale imprimindo suas marcas, principalmente as influências de sonoridades e elementos brasileiros.


O próprio Bill inclusive declarou que estava ouvindo muito o álbum "Holy Land" do Angra, o que foi uma inspiração forte também. E era algo que ele já queria ter feito antes, colocar essas influências brasileiras, mas somente agora foi possível.

O Power Metal veloz, melodioso e com refrãos grandiosos é feito com maestria, acima da média do que geralmente ouvimos hoje, e faixas como  "Only Human", "Eternal Flame", "Ride the Storm" e "Future Calls", a qual tem como convidado especial Kai Hansen, certamente agradarão os fãs do estilo, com seus refrãos feitos para cantar junto e melodias marcantes. 

Mas não é só Power Metal veloz que permeia o disco, há momentos em que as músicas transitam por caminhos mais melodiosos, como em "Wings of Salvation" tem melodias marcantes, flertes com a música clássica, e com refrão e coros melodiosos, e me remeteu aos primeiros trabalhos do Angra.


E em "Nature's Revenge", com seus mais de 11 minutos, que transitam por trechos velozes e outros mais cadenciados, sinfônicos e progressivos.

Bom, e tocando nesse lado da brasilidade e das inspirações em "Holy Land", temos como exemplos "The Land of Mystic Rites", com seu ritmo que traz elementos do baião, com direito a percussões e triângulo, inclusive tendo um trechinho de "Asa Branca" no instrumental. Power Metal Melódico com características brasileiras, como o Angra fez com tanta maestria.


Na "Midnight Bells", que é um Power Metal com mais peso e pegada, o tema da letra é bem brasileiro, o Exú Capa Preta. Há ainda a boa versão para "Judas be my Guide", do Iron (boa sacada, fazer versões de músicas mais "lado b") e encerrando, há a instrumental "Ivy (Outro)", com suas catacterísticas de trilha sonora épica.

Um trabalho que une qualidade técnica sem descuidar das melodias, e traz uma evolução com relação ao anterior, destacando esses novos elementos, principalmente a incorporação dessa marca mais brasileira na sonoridade, algo que provavelmente veremos mais, já que, mesmo tendo integrantes de outros países, o líder é brasileiro e teve a adição de mais um conterrâneo. 

Deixa uma ótima impressão e expectativas muito boas para o futuro da banda.

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Banda: Northtale
Álbum: "Eternal Flame"  2021
Estilo: Melodic Power Metal
País: Brasil, Suécia
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records


Tracklist:
1. Only Human
2. Wings Of Salvation
3. Future Calls (feat. Kai Hansen)
4. The Land Of Mystic Rites
5. Midnight Bells
6. Eternal Flame
7. In The Name Of God
8. Ride The Storm
9. King Of Your Illusion
10. Judas Be My Guide (Iron Maiden Cover)
11. Nature?s Revenge
12. Ivy (Outro)







segunda-feira, 9 de maio de 2022

Cobertura de Show: Metallica – 05/05/22 – FIERGS – POA/RS

Por: Renato Sanson

Fotos: Ze Carlos de Andrade

Doze anos se passaram desde a última vinda do Metallica a Porto Alegre. Falar dos americanos e de toda sua importância para a música em si, já é manjado e cansativo. São 40 anos de estrada e uma história de altos e baixos, mas sempre regada de muito sucesso e exposição.

Pois bem, no dia 05/05/22 tivemos a terceira passagem do quarteto do apocalipse pela capital gaúcha (a primeira foi em 1999 no Jóquei Clube). Inicialmente marcado para o show acontecer na Arena do Grêmio, mas logo em seguida alterado para o Estacionamento da Fiergs. O que gerou um grande descontentamento entre os fãs, já que o local em si já é famoso por sua estrutura duvidosa e localidade de difícil acesso.

Em termos de estrutura fica aqui meus questionamentos a produtora, que mesmo sabendo que receberia um público em torno de 40 mil pessoas se demonstrou despreparada mais uma vez. Já que, as filas para banheiro e alimentação eram quilométricas sem contar o espaço destinado as pessoas com deficiência (PCD), que de fato não suportava a quantidade de pessoas no local. Muitos acabaram ficando fora, pois não tinha mais espaço em uma estrutura falha e precária, e claro, em uma posição no mínimo horrível para se poder assistir ao show adequadamente. Lembrando, que tirando eu naquele espaço que sou Imprensa, os demais eram pagantes, e muitos ali pagaram a “bagatela” de muito e muitos reais. Para um local sem o mínimo de suporte.

Indo para o show em si, passado um pouco das 21h começa nos PA’s a clássica “It's a Long Way to the Top (If You Wanna Rock 'n' Roll)” do AC/DC abrindo portas para uma das introduções mais incríveis do Heavy Metal, “The Ecstasy of Gold” do gênio Ennio Morricone com os telões apresentando o clima ideal e nostálgico para a abertura com a poderosa “Whiplash” do Debut “Kill ‘Em All” (83). Levando o público sedento por shows a loucura e fazendo a alegria dos bangers da velha guarda. Que ainda foram brindados com “Ride the Lightining” do clássico homônimo de 84 (que em minha opinião poderia ser trocada por qualquer outra do mesmo disco, pois ao vivo não funciona), abrindo alas para a pesada e indigesta “Harvester of Sorrow”.

Pode-se dizer que a banda não se encontra em sua melhor forma e entrosamento, pois ficou nítido que só “engrenaram” a partir de “Seek & Destroy” e com aquele “q” de estranheza, pois quem é fã de Metallica principalmente os fãs mais antigos, devem ter estranhado o modo como um de seus maiores clássicos foi apresentado ao público, com uma interação tímida de James como se fosse só mais um som e um show protocolar de sua extensa turnê.

Poderia ficar horas discorrendo a minha tristeza em ver o Lars em tão baixa performance (há anos é fato) e também nenhum pouco preocupado se estava errando ou no tempo, ficando claro em “No Remorse” e “One” o tamanho do seu desleixo como baterista.

A falta de potência no som também é um dos pontos a se ressaltar, pois pelo menos de onde eu estava não ouvi em nada o baixo de Trujillo, a não ser em “For Whom the Bell Tolls”, mas por que será?

A pirotecnia, show de luzes e lasers estavam realmente incríveis, deixando tudo mais teatral e grandioso, assim como a estrutura de palco e seus telões intercalando diversas imagens conforme as músicas apresentadas. O show de fogos em “One” e as labaredas de fogo espalhadas pela Fiergs em “Fuel” foram de cair o queixo.

Mas o que não foi de cair o queixo foi a apresentação do quarteto. Que soou protocolar. Assim como o próprio carisma de Kirk Hammett, que apenas solava sem muita expressão.

Mas tivemos duas gratas surpresas nesta noite: “Welcome Home (Sanitarium)” (Master of Puppets” 86) e “Blackened (“..And Justice for All” 88).

Para o bis as já manjadas “Nothing Else Matters” (que acabou ganhando um sentido muito especial para a minha pessoa depois desta noite) e “Enter Sandman” levando o público a êxtase total com sua chuva de fogos de artifício.

 

BANDAS DE ABERTURA:

 

Para aquecer o público tivemos a banda nacional Ego Kill Talent e a americana Greta Van Fleet. Que fizeram bons shows em suas propostas, mas que não chegaram a tirar grandes energias dos presentes, mas mostraram vontade e empolgação de estarem diante de uma plateia gigantesca. O que certamente ajudará ainda mais em seus trabalhos e divulgações.

 

Ainda que protocolar e com certa falta de energia em palco, o Metallica entregou o que poderiam, mas é aquela história: temos que saber a hora de parar. E penso que o Metallica já deveria ter dado um “tempo” dos shows.

Saber a hora de parar é essencial e indo nessa leva, pode ser que esse seja a última cobertura desse que vós escreveis.





Setlist:

 

It's a Long Way to the Top (If You Wanna Rock 'n' Roll) (AC/DC song)

The Ecstasy of Gold (Ennio Morricone song)

 

Whiplash

Ride the Lightning

Harvester of Sorrow

Seek & Destroy

No Remorse

One

Sad but True

Moth Into Flame

The Unforgiven

For Whom the Bell Tolls

Fuel

Welcome Home (Sanitarium)

Master of Puppets

 

Encore:

Blackened

Nothing Else Matters

Enter Sandman