quarta-feira, 27 de maio de 2020

Entrevista: Cacau Pinheiro - Vencedora Concurso "Quarentena King" do Soulpell



Com o intuito de fazer sua parte pelo Metal Nacional nessa quarentena, a banda SOULSPELL METAL OPERA anunciou no fim de abril a promoção “QUARENTENA KING", uma versão virtual de seu tradicional concurso, que já revelou grandes talentos na cena Metal brasileira. O prêmio para o vencedor seria gravar um vídeo com o Soulspell, além da exposição na mídia especializada, participando de entrevistas em diversos sites e canais.

O concurso foi realizado de forma on-line, tendo 3 etapas. Foram 212 inscritos!! Os candidatos enviaram vídeos que foram avaliados por um júri composto por membros da imprensa especializada em Heavy Metal, críticos musicais, professores de canto, vocalistas renomados e músicos da Soulspell. Além do júri de 32 pessoas, ainda teve o voto do público a partir da segunda etapa. 

Dentre os 212 incritos inicialmente, restaram 15 finalistas na terceira e última etapa. Todos mostrando grande qualidade e personalidade, trazendo uma grande dificuldade para os jurados e a decisão final sendo muito apertada, e a vencedora, CACAU PINHEIRO, se destacou pela versatilidade, cantando inicialmente um clássico do Kansas e depois músicas de bandas mais contemporâneas, Killswitch Engage e Jinjer, onde alternou vocais limpos e guturais. 

Conversamos com a grande vencedora, Cacau Pinheiro, paulista de Santos, nascida em 02/03/1996, e que canta desde os 5 anos de idade, tendo como grande influência e incentivador o seu pai, que também é cantor. Praticamente uma autodidata, que sente que nasceu para isso, Cacau recebeu muitos elogios dos jurados e público, mostrando um futuro promissor, e nos conta um pouco sobre suas influências, planos e como foi participar desse disputado concurso!

"Ainda não caiu a ficha! Tô muito feliz e ansiosa em relação aos meus próximos passos "
RtM: Antes de mais nada, parabéns pela conquista, e nos conte como está se sentindo quanto a repercussão da sua vitória no concurso realizado pelo Soulspell? Teve um corpo de jurados bem diversificado e experiente e 212 inscritos!
Cacau Pinheiro: Ainda não caiu a ficha! Tô muito feliz e ansiosa em relação aos meus próximos passos. De começo confesso que não sabia quem eram os jurados, entrei despretensiosamente no concurso. Quando fiquei sabendo de nomes como Régis Tadeu e Paulo Baron, o coração tremeu! 

RtM: O vídeo que você enviou para a final, interpretando uma música do Jinjer, causou excelente impressão,  legal que até a banda repostou seu vídeo!
Cacau: hahaha Sim, o baixista da banda (Eugene) viu meu vídeo através das hashtags que eu coloquei na publicação que fiz no Instagram, de um trechinho do vídeo da final. Postei e larguei o celular... quando eu voltei, tomei um puta susto! hahahaha Muita gente curtindo - majoritariamente gringos - e quando fui descendo a listinha vi as curtidas do Eugene e também da conta oficial da banda, que compartilhou o vídeo no story. Ganhei meu ano!

RtM: Como surgiu o seu interesse pela música, quem foram suas primeiras influências e principais incentivadores?
Cacau: Meu interesse surgiu através do meu maior incentivador, meu pai, também cantor. Eu canto desde os 5 anos e as minhas primeiras influências além de MPB - Elis Regina, Milton Nascimento, Secos e Molhados - foram bandas clássicas dos anos 70, como o Grand Funk Railroad, Led Zeppelin, Black Sabbath, Deep Purple, etc. 

"O que preenche meu coração e que me faz vibrar sempre foi a música! "
Antes da pré adolescência adorava um Nu Metal - Linkin Park, Korn, Incubus, também a mistura de rap com rock - Rage Against The Machine e já puxando pro groove/funk rock, pirava no Red Hot Chilli Peppers. Já no auge da minha adolescência bebi da fonte do Alice in Chains, Nirvana, Pearl Jam, Kittie, Bikini Kill, The Breeders, The Runaways, Sex Pistols, Megadeth, Slayer, entre muitos outros!

RtM: E especificamente vocalistas, cite alguns que você se inspira. 
Cacau: Gosto muito da versatilidade do Mike Patton (Faith No More), ele vai do gutural ao melódico em várias tessituras! Também não posso deixar de citar a Joan Jett, grande influência pra mim como figura principalmente, por todo o impacto que ela causou através da sua personalidade e música. Brody Dalle (The Distillers) - voz rasgada de punk, eu amo! 

Tatiana Shmailyuk (Jinjer) também, grande referência por mesclar gutural com melódico - e falando nisso, Howard Jones (Killswitch Engage) é um deus da voz né! Angela Gossow (Arch Enemy) que ruge como uma leoa hahaha! Janis Joplin, Aretha Franklin, Tina Turner - grandes vozes do Soul. Tem realmente muitos... mas por último citarei o Mark Farner, do Grand Funk Railroad, que foi minha influência desde pivete através do meu pai, ele faz a guitarra base e solo excepcionalmente, toca gaita e teclado e de quebra tem um timbre de voz e execução perfeitos!

RtM: E quando você começou a levar mais a sério, tipo "eu quero fazer isso profissionalmente"? 
Cacau: Na verdade eu sempre quis (risos). Além do incentivo do meu velho, eu sempre soube que eu nasci pra fazer isso. Eu amo desenhar, amo cozinhar, tenho uma pontinha no Design Gráfico. Enfim... Faço mil coisas. Mas o que preenche meu coração e que me faz vibrar sempre foi a música! Eu tentei ser profissional com 13/14 anos, mas o medo me impediu de seguir em frente. 

Como eu via grandes nomes, como o Michael Jackson por exemplo, que desde criança já estava na mídia e não teve uma infância e adolescência tranquilas pela exposição, meu medo era esse! O tempo foi passando e eu fui ficando desesperada hahahaha "24 anos e eu ainda não fiz nada!". Daí surgiu a oportunidade desse concurso através do meu ex-professor de guitarra que me indicou e agora estou aqui, pronta pra qualquer desafio!

"Tenho ambição de estudar e evoluir tanto como vocalista quanto na guitarra."
RtM: Nos conte um pouco sobre sua formação, como é sua rotina de estudos, o que você faz para cuidar da voz e para buscar uma evolução como musicista? 
Cacau: Eu cheguei a fazer aula de canto com a ex-professora do meu pai, naquela época em que eu talvez fosse engatinhar pro profissional - com 13/14 anos - mas foram apenas 2 meses. Eu já sabia cantar e ela era professora de canto lírico. Pedi pra que ela me ensinasse as técnicas em canto popular (apesar de ter potencial pro lírico eu não me interessava). Acabei saindo da aula pois era em São Paulo (capital), toda quinta feira meus pais me levavam lá! Apesar de amar a professora eu comecei a achar cansativo o fato de ter que "viajar" e resolvi parar. 

Anos depois, fiz 1 ano de aula de guitarra - já sabia tocar violão também e aprendi sozinha - com o ex-professor de guitarra que me indicou pro concurso Quarentena King - grande Luiz Oliveira, guitarrista excepcional. E desde então nunca mais estudei, apenas treino em casa. Recebendo uns toques do meu pai, lógico, mas na grande maioria das vezes, fui e sou autodidata. Sempre gostei de fazer gravações e harmonizações caseiras!Quanto aos cuidados da voz, sinceramente eu não cuido muito não (risos). Preciso mudar isso! Com certeza tenho ambição de estudar e evoluir tanto como vocalista quanto na guitarra. Pretendo voltar aos estudos assim que possível!

RtM: E o que você ouve em casa? Conte-nos um pouco do que você está ouvindo atualmente. 
Cacau: Atualmente eu estou digerindo bastante Death, Slayer, Megadeth, Mastodon, Lamb of God, Hatebreed, Walls of Jericho, Whitechapel, Cannibal Corpse, Jinjer (claro, hahaha) e tem muitas outras. Alice in Chains por exemplo não sai da minha playlist desde a minha adolescência hahaha! São subgêneros diferentes, mas todos muito bons!

RtM: Ah, é legal abrir o leque e ouvir vários estilos, amplia horizontes. Falando nisso, que critérios você usou para escolher as músicas para sua participação no concurso? Foi bem interessante você iniciar com uma banda mais clássica, como o Kansas, e depois ir diversificando, mostrou bastante competência ao interpretar estilos diferentes.
Cacau: Primeiramente, obrigada ️ Eu quis começar com o melódico/drive que digamos que é a minha língua fluente hahaha! Mas depois quis arriscar no gutural pra mostrar um pouco de versatilidade. Essas duas primeiras escolhi, porque além de amar as duas canções, eu achei que supriria a impressão vocal que eu queria passar. 

Somente a última (Perennial - Jinjer) que eu realmente pensei no conceito geral, sobre o que a letra fala - que tem tudo a ver com o que estamos vivendo agora - além da dificuldade em executar gutural e melódico simultaneamente, o que a segunda (My Curse - Killswitch Engage) já tinha, também é uma canção forte e com um pouco mais de dificuldade no melódico. Deve ter sido um choque pros jurados (?) sair de um Kansas, ir pra um Killswitch Engage e depois embalar num Jinjer! hahaha!  (VEJA O VÍDEO ABAIXO)

                                           
                                         
RtM: Analisando sua participação e fazendo uma autoanálise, quais você acredita serem seus pontos fortes e em quais pontos você quer buscar uma melhora? 
Acho que meu ponto forte é o melódico com certeza, apesar de eu ter me destacado por ter feito gutural também. Quero melhorar minha presença, interpretação e também meus guturais - que comecei não faz muito tempo, de uns 3 anos pra cá.

RtM: Se você fosse chamada para um show com o Soulspell, que músicas você gostaria de cantar e que você acha que se encaixariam melhor ao seu estilo? 
Cacau: A Soulspell tem um estilo bem específico e eu me dispus a entrar na onda em que eles quiserem surfar (risos). Apesar disso, temos coisas em comum também. Por mim (e acredito que por eles também), com certeza alguma do Arch Enemy, Dream Theater, Slayer ou do Sepultura entraria pra lista!

RtM: Você, que almeja entrar no cenário musical, como você vê a situação atual para as bandas autorais de Heavy Metal? 
Cacau: Com o vírus complicou geral né? O que realmente sustenta as bandas hoje em dia são os shows! E agora nem show dá pra fazer. Uma saída nesse atual momento é criar conteúdo digital pra colher no futuro. E principalmente as bandas underground da cena apoiarem umas às outras.

RtM: Com o mercado atual, onde as vendas de discos reduziram, as plataformas digitais, por um lado servem de divulgação, mas por outro, dão pouquíssimo retorno financeiro, e shows também é um mercado difícil. 
Cacau: Realmente não tem muito pra onde correr no quesito 'retorno financeiro'... somente Merch - venda de camisetas, CD físico, posters e patches - mas mesmo assim, não sei se é possível sustentar os projetos com isso (principalmente se a banda não tem muito reconhecimento ainda). Temos que ter paciência nesse momento... Quando tudo voltar ao normal (o que também não temos previsão) as agendas de shows vão voltar com tudo. Espero que todos se levantem quando essa hora chegar e que o meu futuro projeto só com mulheres já esteja em andamento!

RtM: Pra finalizar, um joguinho de respostas rápidas:

3 vocalistas que você gostaria de dividir o palco:
Joan Jett (The Runaways/& the Blackhearts)
Tatiana Shmailyuk (Jinjer)
Morgan Lander (Kittie)

3 bandas que você gostaria de abrir um show:
Nervosa
Lamb of God
Jinjer

3 álbuns que você mais ouviu na vida:
Vou ter que citar 4, mas tá valendo vai. Dois são da mesma banda hahaha!
Dirt - Alice In Chains
New American Gospel e Ashes of The Wake - Lamb Of God
Torture - Cannibal Corpse

3 lugares ou festivais que você sonha em tocar um dia:
Dynamo Metal Fest
Download Festival
Wacken Open Air

No mais, agradeço à Road to Metal pela entrevista!

Rtm: Obrigado e sucesso na sua caminhada Cacau!




Entrevista: Carlos Garcia

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Veja abaixo os demais vídeos que Cacau Pinheiro concorreu e também vídeo do anúncio dos finalistas, com comentários de Heleno Vale:

                                         
       


       


       


                                   

                                         


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