sábado, 6 de junho de 2020

Crushing Axes: “Sempre achei importante para ajudar na criatividade a diversidade”


Entrevista por: Renato Sanson


Músico entrevistado: Alexandre Rodrigues (Vocal/Guitarra/Baixo/Bateria) – Banda: Crushing Axes de São José dos Campos/SP.

OUÇA TODA A DISCOGRAFIA DO CRUSHING AXES AQUIhttps://www.palcomp3.com.br/crushingaxes/




O Crushing Axes é uma one-man-band. Formada em 2008 e destilando um som extremo e diversificado. Como surgiu a ideia do projeto?

Tive bandas entre 1997 e 2008, porém no geral as bandas preferem covers, sempre quis tocar as minhas composições, minhas músicas são consideradas estranhas pela maioria, acho que isso também ajudou na ideia de montar algo em que pudesse dar vazão a criatividade.


De 2008 para cá foram 17 discos completos e 3 EP’s. De onde surge tanta inspiração para compor? Além das vozes e guitarras, você também grava os demais instrumentos?

Boa parte das temáticas vem da mitologia nórdica, sempre achei que é o tema perfeito para transparecer a agressividade. Outro tema recorrente é a misantropia, alguns discos são conceituais como o “Black Book” ou o “Undead Warrior”. “Frozen Soul” é um disco completamente voltado a misantropia, em outros discos tentei fugir um pouco como em “Evoking The Power of Chaos” onde a temática é Mitologia Suméria. “Sons of Fire” é baseado na Divina Comédia de Dante Alighieri. Mas basicamente as principais fontes de inspiração são livros e filmes.

Além das guitarras e vozes eu gravo o baixo e a bateria na maioria dos discos é programada, em alguns trabalhos com elementos de orquestra eu também faço a programação dos instrumentos virtuais.


Alexandre, falando da guitarra em si, você é um grande estudioso do instrumento. Quais são suas principais influências? E no que essas influencias impactam diretamente o Crushing Axes?

Gosto muito do metal tradicional, Iron Maiden, Judas Priest, Black Sabbath, as principais influências em termos de composição são o Slayer, Claustrofobia, Kreator, Megadeth, Nuclear Assault, Bathory, Mirrothrone, Myrkgrav, Darkthrone, Windir.

Além das influências das bandas que geralmente influenciam nas estruturas e sonoridade, também me inspiro muito em guitarristas como Randy Rhoads, Zakk Wylde, Jake E Lee, Andy LaRocque, Steve Vai, Joe Satriani, Paul Gilbert, Nuno Mindelis, Yamandu Costa.

Sempre achei importante para ajudar na criatividade a diversidade, fora das influências mais óbvias, sempre ouvi muita música clássica, Beethoven, Bach, Corelli, Strauss, Vivaldi, Händel.


Para este ano você lançou o EP “Blackwater Lake”. Conte-nos mais sobre o mesmo.

Acabei não divulgando tanto esse EP por falta de tempo, tive alguns problemas e não consegui fazer a devida divulgação, embora seja um trabalho curto é um trabalho conceitual sobre uma bruxa que é afogada em um lago e retorna alguns anos depois para se vingar. Com exceção do “Undead Warrior” e algumas participações especiais, todos os trabalhos foram gravados em São José dos Campos – SP, no meu próprio homestudio, o “Blackwater” foi o primeiro gravado totalmente fora da minha cidade natal, foi gravado em Itanhaém no Litoral sul de SP.

Apesar da variação constante de equipamentos nos trabalhos anteriores, esse foi o primeiro que gravei com um set completamente diferente. Foi um bom desafio para sair da zona de conforto.


Tem uma particularidade que me chamou bastante atenção neste lançamento que foi a inclusão de certas falas em português nas faixas em momentos distintos. Como surgiu está ideia e porquê?

Basicamente tenho gravações com quase todos os músicos que tive banda, as gravações funcionam mais ou menos como fotos, constantemente tento escrever algo em português, mas infelizmente sempre achei o inglês mais sonoro, alguns dos meus amigos são bem criativos, algumas das ofensas trocadas por aplicativo são tão criativas que resolvi encaixar em algumas músicas. Geralmente entre um take e outro em estúdio sempre rende algum tipo de áudio engraçado, seja o músico xingando ou até mesmo uma conversa inusitada, a ideia basicamente veio desses takes.


São doze anos lançando materiais e 20 lançamentos ao total. Qual o seu preferido? E qual aquele que você gostaria de mudar algo?

Essa pergunta não poderia vir em melhor hora, estou agora mesmo terminando a etapa final para lançar uma música que foi gravada em 2013 no disco “Frozen Soul” remixada e remasterizada.

É uma tarefa realmente complicada escolher um trabalho favorito, um amigo de infância chamado Rafael Coelho fez a capa de dois álbuns “Viking Winter” (2009) e “Back to North” (2017) gosto bastante desses dois, acho que o trabalho que resume o Crushing Axes é o “Undead Warrior” (2014), esse trabalho foi gravado, mixado e masterizado no VibeVale em Taubaté pelo Rodolfo Bittencourt, a bateria ficou a cargo do Gledson Gonçalves (ex-Primal Rage), o baixo foi gravado pelo Fernando Molinari, e a capa do disco foi feita pelo Rafael Tavares que fez capas para bandas como Ophiolatry e Chaos Synopsis.


Pode parecer controverso, porém eu gosto muito do som rústico dos primeiros álbuns, da dissonância de algumas partes orquestradas, eu não mudaria por fazer parte de uma evolução ao mesmo tempo que a ideia sempre foi fazer um som mais original e menos comercial, gosto muito de bandas como Darkthrone e Burzum, e da sonoridade mais crua e honesta do Black Metal visceral.  

Uma das ideias que sempre estão comigo é convidar algum baterista e regravar algumas das músicas, mas sempre acho melhor trazer músicas novas. Não gosto muito da ideia de ficar remoendo as músicas antigas. Em geral fora raras exceções as bandas que tentaram fazer um retorno a origem sempre carregam uma sonoridade falsa e fraca.


Teremos mais algum lançamento para 2020 ou o próximo full somente em 2021?

A Princípio o próximo full seria recheado com participações, mas a situação atual com o COVID complicou um pouco as coisas, estou reavaliando e pensando em alternativas, mas é 99% de certeza que sai algum full esse ano.



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