sexta-feira, 8 de agosto de 2025
No More Death: Thrash em Album Conceitual e Inspirado pelos Titãs do Estilo
quinta-feira, 7 de agosto de 2025
Sacrifix: Peso, Técnica e Paixão pelo Thrash Metal
Por Guilherme Freires
Fevereiro trouxe boas novidades para os fãs de bandas como Sodom, Megadeth, Destruction, Slayer e Exodus. A banda paulistana de Thrash Metal Sacrifix lançou, no dia 12 de fevereiro de 2025, seu mais novo EP, "Let's Trash", já disponível em todas as plataformas digitais como Spotify, YouTube e Deezer.
Formada por Frank Gasparotto (vocal e guitarra), Diego Domingos (guitarra), Filippe Tonini (baixo) e Fábio Moisés (bateria), a banda entrega neste novo trabalho toda a brutalidade visceral e a técnica do seu Thrash Metal "old school". Gravado ao vivo no Tori Studios, em Diadema/SP, o EP funciona como um prelúdio para o terceiro álbum da banda, previsto para o final de 2025. As faixas contam ainda com registros de ensaios no Armazém Studio e produção, mixagem e masterização assinadas por Marco Nunes. A arte de capa é de Emerson da Silva Maia, com contracapa e layout de Johnny Z.
O EP "Let's Trash" possui 6 faixas e foi lançado de forma independente.
A faixa-título, "Let's Trash", abre o EP com uma linha de baixo pesada e bem marcada por Filippe Tonini, acompanhada por levadas rápidas de bateria, com destaque para os pedais duplos e o uso do chimbal. Os riffs são agressivos e os solos de guitarra, impressionantes. A composição é coletiva e a letra presta uma verdadeira homenagem ao Thrash Metal clássico, contando ainda com a participação especial de Pedro Zupo (Livin Metal) nos vocais.
"Sacrifix" inicia com riffs pesados e bateria marcada no bumbo duplo, com um toque de cowbell por Fábio Moisés e um baixo consistente. O destaque vai para o vocal intenso e os solos de guitarra afiados.
"Raped Democracy" é uma faixa veloz e brutal, com riffs densos e uma base de bateria similar à da música anterior. O cowbell se destaca novamente, assim como o groove pesado do baixo e o solo de guitarra insano em escala. O vocal rasgado de Frank Gasparotto reforça a agressividade da música.
"Rotten" traz riffs intensos e solos furiosos das guitarras de Frank e Diego, com bateria bem marcada no pedal duplo e baixo poderoso. Os solos são um verdadeiro show à parte.
"Mundo Nojento", única faixa em português, vem com uma pegada brutal. Os solos de guitarra são bem elaborados, a bateria é veloz e técnica, e o vocal entrega a intensidade necessária. É uma faixa que mostra a banda confortável em sua língua nativa sem perder a essência do estilo.
Fechando o EP, temos novamente "Let's Trash", agora em versão ao vivo gravada durante o ensaio no Armazém Studio. A performance reafirma a potência e brutalidade da faixa com execução técnica e precisa.
"Let's Trash" apresenta uma sonoridade poderosa, capturando com fidelidade a energia da banda ao vivo, sem perdas na qualidade sonora. É um lançamento que mostra a força do Thrash Metal nacional e consolida o Sacrifix como uma das grandes apostas do estilo.
O EP já está disponível em todas as plataformas digitais.
terça-feira, 25 de fevereiro de 2025
Siegrid Ingrid : Um Legado de Brutalidade no Live Álbum "Massacre em Lorena" (2024)
Por Guilherme Freires
Gravadora: Independente
A lendária banda de Death e Thrash Metal do nacional Siegred Ingrid, atualmente formada por Mauro Punk (vocal), André Gubber (guitarra), Luiz Berenguer (baixo) e Rômulo “Minduim” (bateria) nos brindou no dia 13 de dezembro de 2024 com o lançamento de seu mais recente álbum ao vivo, intitulado "Massacre in Lorena".
Seu último álbum de estúdio, “Back From Hell”, foi disponibilizado em 5 de novembro de 2023, após um intervalo de mais de 24 anos desde o notável “The Corpse Falls”, lançado em 1999.
“Massacre em Lorena”, que saiu sob um selo independente, foi gravado ao vivo no Ferrovia Estúdio na cidade de Lorena (SP), no dia 14 de novembro de 2024, durante uma turnê pelo interior de São Paulo e Minas Gerais junto com a renomada banda Nervochaos.
O projeto teve produção, masterização e mixagem a cargo de Martin Pent, com a arte da capa criada por Artur Fontenelle. O álbum contém 11 faixas que fazem uma fusão dos dois discos da trajetória da banda.
A faixa "Murder", que inicia o álbum "The Corpse Falls" (1999), arranca com uma energia avassaladora, impulsionada pelos pedais duplos da bateria de Rômulo. Os vocais intensos de Mauro Punk e os riffs agressivos da guitarra de André Gubber se destacam. A canção é brutal e pesada, recheada de momentos acelerados.
Em "Nojo", as linhas de bateria mantêm a mesma cadência rápida dos pedais duplos. O chinbal se sobressai, enquanto o baixo forte e marcante se combina com riffs robustos e solos de guitarra, tudo isso acompanhado pelo impressionante vocal rasgado de Marcelo Punk.
A faixa "Force" apresenta uma introdução mais lenta, mas em certos trechos explode em uma intensidade ardente. Destacam-se o groove poderoso e incrível do baixo de Luiz Berenguer, além das pentatônicas e solos guitarreados.
Por outro lado, “Never Again” possui solos de guitarra que são meticulosamente elaborados, criando um contraste com a fúria e a brutalidade da bateria, junto ao peso do baixo.
A música "The Falsity is True” apresenta um excelente trabalho de bateria, especialmente nas viradas e no pedal duplo, complementado por riffs pesados e solos de guitarra marcantes.
“Templo dos Vermes”, do álbum mais recente, “Back From Hell”, traz uma cadência envolvente, com linhas de guitarra e bateria bem elaboradas
“Drásticas Consequências” inicia de forma explosiva, com um solo de guitarra impressionante, ressaltando a brutalidade da bateria, riffs poderosos e solos insanos em escala.
“Demência” se destaca por um interlúdio ágil e uma sonoridade intensa e visceral, com ênfase na bateria, riffs agressivos de guitarra e um gutural de grande impacto.
A faixa “Enéias” faz referência ao falecido político brasileiro Enéias Carneiro (1938 - 2007) do Partido Liberal (PL). A canção é bastante veloz, com uma bateria poderosa e um gutural intenso, trazendo à tona o famoso bordão do político: “Meu nome é Enéias”.
"Suicide" finaliza o álbum com excelência e intensidade, apresentando solos alucinantes de guitarra, vocais intensos, um baixo extremamente pesado e uma bateria avassaladora.
A icônica banda Siegred Ingrid traz à tona o ápice de seu legado no Thrash e Death Metal, executado com perfeição neste álbum ao vivo repleto de brutalidade. Recomendo fortemente para aqueles que apreciam uma boa dose de agressividade musical. O disco está acessível em todas as plataformas digitais, como Spotify, YouTube e Deezer.
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Press: JZ Press
segunda-feira, 2 de dezembro de 2024
Cobertura de Show: Torture Squad – 29/11/2024 – Gravador Pub/RS
Cobertura: Renato Sanson
Fotos: Glauco Malta
Após 10 anos de sua última passagem pela capital gaúcha, o “Esquadrão da Tortura” retorna a Porto Alegre, desta vez para um show mais que especial, pois, se reconstruir após uma enchente não é nada fácil. Porém, aos poucos vamos recolocando a casa em ordem e a vida segue.
Originalmente o Torture Squad
tocaria somente em Santa Maria, mas o show acabou sendo adiado para o dia 30/11
devido ao nosso problema climático e em contra partida a data do dia 29/11 foi
adicionada para a capital gaúcha.
O local escolhido foi o excelente
Gravador Pub, que também foi assolado pelas águas, mas ressurgiu das cinzas em
um novo endereço, mas com a mesma proposta.
Disponibilizando uma estrutura
muito boa, tendo acessibilidade e uma qualidade de som acima de muitas casas
consagradas. Um local de médio porte que se torna um caldeirão com a presença
dos fãs.
E na noite do dia 29/11 não foi
diferente, pois o que presenciamos foi uma aula de Thrash/Death Metal e com o
público presente inflamado!
Com a formação estabilizada desde
2015 com May “Undead” nos vocais, Rene Simionato nas guitarras e os incansáveis
Castor (baixo) e Amilcar (bateria), o TS trazia a tour do seu mais novo álbum, “Devilish”,
aclamado pela critica e fãs.
Iniciamos a noite (passado um pouco das 19h) com a banda porto-alegrense Phornax. Comemorando seus 15 anos de estrada e apresentando também sua nova formação.
Capitaneada pelo vocalista
Cristiano Poschi, a banda apresentou as musicas do seu primeiro EP “Silent War”
lançado em 2012, mas trouxe as novidades que teremos em 2025, as músicas novas
que estarão em seu vindouro debut.
Uma apresentação sólida e um time de músicos invejáveis e muito bem entrosados. Com destaque ao poder da voz grave e potente de Cristiano. Um Heavy Metal cru, técnico e cheio de feeling. O Phornax tem tudo para conquistar o público se manter essa pegada.
Vale destacar também a qualidade de som que estava impecável, outro ponto positivo do Gravador Pub, se você é a banda de abertura ou não, isso não importa. Você tocará com uma qualidade de som decente.
O palco do Torture Squad já
estava montado e com uma estrutura linda e em volta do mais recente lançamento,
com um pano de fundo incrível e painéis as suas laterais que só engrandeciam
ainda mais.
Então era hora do “Esquadrão” entrar em cena e aos poucos os músicos foram tomando seus lugares para iniciarem com “Hell Is Coming” e toda a sua expansão sonora que o Torture construiu nesses últimos anos e mostra o poder dessa formação já consolidada.
Não é preciso dizer que levou os presentes a loucura e a presença de Mayara é
insana, fazendo você sentir vergonha de estar curtindo o show sem bater cabeça.
Sem tempo para respirar: “Flukeman”
e “Buried Alive” chegam como arrasa quarteirões e as primeiras rodas já se
formam! É incrível como estas composições novas soam ainda melhores ao vivo,
além de mostrar um leque de influencias em sua sonoridade já característica.
Mas foram 10 anos longe, então o set transitou por boa parte da discografia da banda e o primeiro clássico a tomar forma foi a poderosa “Hellbound” levando a casa abaixo!
Para após o excelente single “The
Fallen Ones” com um show a parte de May e Rene, outro clássico entra em cena: “Abduction
Was The Case” e sua destruição sonora.
Podemos dizer sem medo de errar
que a dupla Castor e Amilcar formam uma das melhores “cozinhas” do meio Heavy
Metal mundial é um entrosamento e técnica absurdas! Com essa reformulação da banda
em 2015, podemos também afirmar que o Torture vive o seu melhor momento desde
então, pois se em estúdio já provaram a sua capacidade é ao vivo que temos o
teste de fogo e tanto May quanto Rene não devem em nada a seus antecessores.
Soando como se estivessem no
Torture Squad desde sempre.
Ao meio do show tivemos um fato inusitado, pois o bairro em que o Gravador Pub é localizado (bairro São Geraldo) teve uma falta de luz inesperada com a banda em palco e com Amilcar tocando mesmo no escuro devido à adrenalina que estava sentindo (fato dito pós show em mais um bate-papo com o mesmo).
O que parecia que estragaria uma
noite durou apenas alguns minutos, e felizmente a luz foi reestabelecida para o massacre
sonoro que teríamos em sequência com: “Storms”, “Horror And Torture”, “Chaos
Corporation” e finalizando com “The Unholy Spell”.
Um show sensacional e lavando a
alma dos fãs que aguardavam seu retorno a terras gaúchas.
Fica aqui o meu agradecimento a
M.A.D Produtora pela ótima produção, ao Gravador Pub por ter se reconstruído e
continuar com a qualidade de sempre e a todos que compareceram e brindaram
juntos ao Torture Squad. Uma banda mais que consolidada e que merece muito mais
holofotes e reconhecimento.
quarta-feira, 3 de abril de 2024
Entrevista - Alchimist: “Painkiller” do Judas Priest é o álbum que mais traduz o que é heavy metal
Por: Renato Sanson
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| Músico entrevistado: João Lobo (baixista) |
A ideia sonora do Alchimist vai além do Thrash Metal em si. Tendo uma linha bem tênue com o Heavy Metal mais tradicional. O que deixa a sonoridade bem interessante. A ideia sempre foi essa?
Primeiramente, obrigado pela
oportunidade dessa conversa e sim, a ideia inicial era mesclar várias vertentes
do heavy metal fazendo com que o nosso sonho fosse o mais autêntico possível. Para
que pudéssemos criar uma identidade forte e até hoje essa identidade ela é bem
reconhecida pelos fãs e tem dado bons frutos.
Quais influências tiveram para criar a arquitetura sonora?
Nossa influência não foge muito
das bandas mais tradicionais de heavy metal. Adicionado claro, as bandas do
metal nacional e musicalmente nós temos muita influência da música brasileira na
parte melódica e em outros elementos, que giram em torno do metal.
Em 2016 nascia o debut “The Wisher”. Com uma gama sonora forte e
marcante. Conte-nos a respeito da parte criacional do mesmo.
Na época nós não tínhamos tanta
experiência em composições e gravações então estávamos à procura desse formato,
dessa identidade, dessa forma de compor e dessa forma de expressar. Desde lá
até aqui fomos criando experiência e fomos também gravando com outras bandas,
tocando com outros projetos e ampliando a nossa gama sonora.
Como foram as críticas do trabalho na época? Acredito, que até hoje
repercute positivamente para a banda.
Em geral positivas! A análise girou em torno do que realmente parece ser o “The Wisher” como trabalho que é: uma mistura entre metal progressivo e power metal. Então na época essas não eram as nossas influências mais presentes, mas temos muito orgulho de ter feito dessa forma.
Na época próxima ao lançamento saímos em muitos sites e atendemos
a muitas entrevistas então a repercussão foi bem positiva e logo após o
lançamento nós fizemos muitos shows, principalmente no ano seguinte em outras
cidades perto da nossa cidade Natal.
Oito anos se passaram do primeiro álbum. Existe uma previsão de
lançamento para o sucessor?
Durante todos esses anos estivemos compondo e fazendo músicas novas. Nosso próximo trabalho sairia durante a pandemia ali em 2020, no entanto, pelo próprio acontecimento da pandemia nós tivemos que postergar tudo isso e só agora em 2024 temos previsão para lançar um novo álbum. Com single novo saindo durante o mês de abril.
Tivemos também algumas mudanças de formação na banda e tudo isso leva bastante
tempo para reestruturar e consolidar o que já tem como trabalho. O próximo
álbum será um trabalho conceitual muito robusto e que traduz verdadeiramente o
momento atual da banda.
Em 2023 foi lançado o live “The Ritual”. Tocando na integra “The
Wisher” com a adição da composição “Obsessed”. Comentem sobre a ideia de lançar
um disco ao vivo. Eu particularmente sou muito fã dos lives.
O disco ao vivo sempre expressa bem o som de uma banda e eu também sou muito fã de trabalhos ao vivo, e a ideia foi justamente aproveitar o momento de lives e shows ao vivo pela internet para fazermos um registro e deu muito certo! O material ficou com uma qualidade decente (não ficou extremamente profissional), mas o registro é muito válido e a ideia é fazer com que todos os álbuns tenham álbum ao vivo após o lançamento em estúdio.
Eu particularmente gostei bastante do resultado e acho que mostrou
bem a pegada do Alchimist. A faixa “Obsessed” já era tocada ao vivo e estará
presente no próximo álbum e decidimos colocar no trabalho ao vivo por mostrar
esse nosso lado mais atual.
Em relação aos shows, vocês tocarão com o Angra em breve. Como está a
expectativa? O que estão planejando para este grande momento?
A expectativa é a melhor
possível! Vamos tocar duas músicas novas e além de trocar experiência com a
equipe do Angra e experimentar um novo setlist nesse segundo show com um novo
baterista o Pedro Isaac. Vai ser um grande show e esperamos fazer isso mais e
mais vezes.
Finalizando, gostaria de saber os próximos passos da banda e se pudesse
criar um ranking dos cinco melhores álbuns de Heavy Metal de todos os tempos,
quais seriam? Obrigado pela participação!
É difícil criar um ranking dos 5
melhores álbuns, mas vale a tentativa: Iron Maiden (The Number of the Beast),
Black Sabbath (Paranoid), Sepultura (Beneath the Remains), Angra (Temple of
Shadows) e em primeiro lugar tem que ser o “Painkiller” do Judas Priest que em
minha opinião é o álbum que mais traduz o que é heavy metal.
domingo, 9 de outubro de 2022
Losna: “...somos uma banda old school e não abrimos mão de lançar o material físico”
Por: Renato Sanson
Músicos
entrevistados: Fernanda (vocal/baixo) / Débora (guitarra) – Banda Losna de
POA/RS
2020/2021 marcou o
lançamento do novo álbum “Absinthic Wrangles” (4° da carreira) e também a
primeira mudança de formação na banda desde 2004, onde agora o dono dos
tambores é o baterista Mateus Michelon. Como foi esta mudança e a adaptação do
novo integrante?
Fernanda - Felizmente
conhecemos o Mateus há muito tempo e sempre acompanhamos a carreira dele tanto
como super batera da Inheritours quanto como atleta. Sempre cultivamos a
amizade e parceria nos palcos, com vários shows memoráveis. Além disso tudo, o
Mateus tem muito bom gosto musical, nós curtimos as mesmas bandas! Um
entrosamento muito fácil e facilitado belo bom humor desse cara fantástico!
“Absinthic
Wrangles” traz a Losna na melhor forma possível. Esse seria o trabalho mais
consistente da banda até o momento?
Débora - Complicado
afirmar que é o mais consistente, até porquê isso soa muito subjetivo. O “Absinthic
Wrangles” é um álbum feito com muito ódio amargo, feito num período difícil de
nossas vidas, por isso ele é conceitual, sobre lutas... porque a vida é uma
constante e infinita batalha!
Fernanda - Estamos
preparando novas composições e mais uma vez com temática conceitual. Nossa
formação está super bem integrada e estamos fluindo o processo com facilidade.
Estamos discutindo se iremos primeiramente lançar um single pra comemorar essa
formação ou se iremos juntar tudo no próximo álbum. Precisamos fazer um
videoclipe também!
Como foi o processo
de composição do mesmo?
Fernanda - Nós costumamos
reservar um tempinho no final dos ensaios para ir lançando as ideias e
contribuindo para a evolução da melodia. Geralmente nós iniciamos com um riff
de guitarra que a Débora ia apresentando. Depois de irmos incorporando a
bateria e o baixo trecho a trecho, finalizamos a parte instrumental e só depois
eu preparo as letras e daí as linhas vocais. Mas é todo mundo envolvido e
divertido, a gente deixa que a emoção da agressividade, violência e amargura vá
sendo destilada às novas composições com naturalidade.
Débora - O processo de
composição dos sons da Losna sempre é de forma democrática e neste álbum não
foi diferente. Geralmente lanço os riffs, a Nanda acompanha com frases
diabólicas tanto nas quatro cordas quanto nas letras e a bateria encaixa tudo
daí.
Apesar de contarem com uma mudança de formação bem significativa, vocês caíram na estrada logo em seguida. Musicalmente falando, o que Mateus agrega a Losna?
Débora - Mateus é
conhecido pelo codinome de “Extremo” e realmente condiz com isso. Dono de uma
técnica impecável e velocidade absurda nos bumbos, ele, com certeza, vai somar
ainda mais peso e amargura ao som da Losna. Além do que tem um humor formidável
e tudo flui melhor, tanto nos ensaios quanto nos shows.
Falando em retorno
aos palcos ainda mais de uma banda tão atuante e presente na cena. Como foi
lidar com o período pandêmico?
Débora - Realmente foi um
período bem complicado ficar sem tocar ao vivo, foi terrível, ainda mais que recém
tínhamos lançado o “Absinthic Wrangles” bem na época do “Lock Down” do
Coronavírus. Mas não ficamos parados, produzimos vários vídeos ao vivo para
participar de Fests Online. Foi a saída, e espalhamos o nosso som amargo por
Fests de vários Estados brasileiros e, inclusive, no exterior também. Focamos
em divulgar os sons do “Absinthic Wrangles”. Claro que não é a mesma coisa que
tocar ao vivo, mas foi uma saída muito produtiva com feedback excelente neste
período tão obscuro da vida.
Qual foi a sensação
de tocarem ao vivo após dois anos sem shows?
Débora - Foi formidável!
Ainda mais que era a estreia do Mateus! Estávamos bem empolgados e com muita
energia amarga acumulada para dissipar. E foi um show memorável, público
compareceu e curtiu! Foi em São Leopoldo na nova Embaixada do Rock que
infelizmente já fechou.
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| Foto: Uillian Vargas |
Em termos de
recepção e alcance “Absinthic Wrangles” está atingindo o que vocês esperavam?
Débora - Com certeza,
ainda mais como uma banda underground como nós. Já divulgamos o “Absinthic
Wrangles” até no Paraná e Paraguai, locais que nunca tínhamos tocado e foram
experiências excelentes. Público compareceu e comprou o merchan. Mas todas
essas experiências incríveis só foram possíveis com o ótimo trabalhado
desempenhado pelo grande Flávio Soares da True Metal Records que lançou nosso
álbum e faz nossa assessoria de forma exemplar, nos divulgando por aí. Em breve
estaremos em São Paulo e até no Chile.
Fernanda - Sim, apesar de
termos lançado em plena pandemia, conseguimos obter bastantes frutos com ele.
Pudemos participar de várias lives, inclusive ao lado de bandas estrangeiras,
ou seja, com um alcance bem generoso. Logo que que permitiram o retorno aos
shows presenciais, pudemos, justamente contando com o grande Mateus, fazer
shows empolgantes! Grande satisfação poder vivenciar isso tudo novamente, essa
energia de encarar a plateia olho no olho. Isso não tem preço. Já poderemos
agora fazer aqueles shows que teriam acontecido bem no período que veio a
maldita pandemia. Agora sim estamos tendo a recepção que tanto esperávamos.
Muita coisa mudou
desde a pandemia até o presente momento. Qual o pensamento de vocês sobre as
lives e collabs é algo que devesse manter ou tiraria o alcance dos shows
presenciais?
Débora - Acho que agora o
momento é outro. Fests online não terão mais impacto como na época sem shows
presenciais. A maioria das criaturas ainda curtem ver e ouvir a banda no modo
ao vivo. Mas as lives e collabs são interessantes, já que as lives são mais na
proposta de entrevistas e isso deu muito certo na época da pandemia, até hoje.
Muito embora a audiência tenha baixado por conta da vida ter retornado ao
normal. As pessoas já não ficam tanto tempo na frente de computadores como
costumavam com o Coronavírus. As collabs são super interessantes, há várias
uniões de músicos inusitadas que dão muito certo. Eu mesma participei de duas e
minha irmã de outra. É bem interessante trocar figurinhas e percepções com
outros músicos. Em breve faremos uma collab com as irmãs Losna e mais uma
batera... hehehe.
Algo que chamou muito a atenção foi que inicialmente “Absinthic Wrangles” não foi lançado nas plataformas digitais logo de cara, mas sim a preferência foi o lançamento físico. Vemos cada vez menos os lançamentos físicos onde a maioria das bandas lançam seu material apenas no digital. É entendível, pois sabemos dos gastos e do pouco retorno também. Mas entendo que a consolidação do lançamento é ter o material em mãos! Como vocês enxergam está questão?
Débora - Ah... somos uma
banda old school e não abrimos mão de lançar o material físico ainda. Para nós
é essencial tocar no CD, sentir, ver o encarte com fotos e letras, sentir o
aroma do CD, é algo insubstituível! Ainda bem que existem selos como o True
Metal Records que prezam por isso. Ainda temos que tornar real o sonho de
lançar um álbum da Losna no formato de vinil, será lindo! Mas, fazemos questão
de estar em todos os meios possíveis de divulgação, como nas plataformas
digitais. O importante é destilar muito som amargo por aí!
Links:
Facebook: https://pt-br.facebook.com/losnametal/
Perfil no Facebook: https://www.facebook.com/losna.banda
Instagram: https://www.instagram.com/losnametal/
Spotify: https://open.spotify.com/artist/3gBBB9excgljju91WbXl3b
domingo, 7 de agosto de 2022
FullRage: raiva, técnica e qualidade
Por: Renato Sanson
Uma formação clássica que gera discos clássicos sempre será reverenciada. Exemplos temos aos montes, principalmente de bandas que retornam com essas formações ou incorporam parte dela no line up atual.
Falar do Leviaethan e de sua formação clássica que lançou os antológicos “Smile” (1990) e “Disturbed Mind” (1992) é praticamente uma heresia, pois são obras consolidadas que todo headbanger que se preze tem que conhecer e ter em sua coleção.
Pois bem, essa formação (não contando apenas com o finado guitarrista Alexandre Colleti) resolveu voltar ao estúdio, mas não como Leviaethan, mas sim como FullRage para nos destilar uma dose cavalar de Thrash Metal com seu Debut, “Resurrection Denied” (21).
Em suas lacunas temos o trio clássico: Flavio Soares, Carlos Lots e Danilo Pizzato. Com a adição do baixista e não menos lenda Marcelo Cougo, já que nesse álbum em questão Flavio ficou a cargo somente dos vocais.
E que excelentes linhas vocais “Resurrection Denied” apresentam. Seja pela ferocidade ou pelas melodias das linhas que casam perfeitamente com o instrumental técnico e agressivo da bolacha. Uma curiosidade, Flavio gravou as vozes alguns meses após ter se curado da Covid-19 e mostrou que o pulmão está a todo vapor!
Para embalar as linhas de vozes temos a guitarra de Lots que exala riffs e mais riffs monstruosos, assim como solos virtuosos que se encaixam a proposta e as batidas não menos técnicas e agressivas de Danilo Pizzato, com Cougo segurando a bronca com o grave de seu baixo que soa mais como um trovão de tanto peso.
Thrash Metal no mais alto nível, mas sem soar datado. A produção feita por Renato Osório tira o melhor do quarteto com timbres e peso adequados. Deixando tudo ainda mais grandioso. Méritos também da mixagem e masterização feita por Benhur Lima.
Todo esse cuidado sonoro
resplandeceu na parte gráfica e seu layout. Tendo a arte concebida pelo genial
Marcelo Vasco. Impactante e atemporal. Embrulhado em um Slipcase envernizado
que te permite escolher o logo em duas cores: roxo ou verde.
Um dos melhores álbuns de 2021 com toda a certeza, pois você aperta o play e não para de bangear um só minuto. Que voltem ao estúdio o quanto antes e continuem nos presenteando com essas maravilhas sonoras!
Links:
https://www.facebook.com/fullrageofficial
sábado, 12 de junho de 2021
Dark Asylum: Um Recomeço e a Celebração da Primeira Fase
Antes de comentar sobre o EP " Deep in the Madness", do Dark Asylum, um pouquinho de história e o porquê de somente agora o disquinho ser lançado, quase 15 anos depois de ser gravado.
O Dark Asylum surgiu em 2003, em Porto Alegre, fruto das ideias e concepções de seu fundador, o vocalista Aparício "Dark" Neto, completando a formação com Leonardo "Babyface" e Vilmar "The Teacher" nas guitarras e Jonas "Devil Son" no baixo, mas nunca pode contar com um batera fixo.
A banda foi uma árdua trabalhadora no underground, e até seu fim precoce em 2008, participou de diversos festivais e fez muitos shows pelo RS, capital e interior, sempre entregando um espetáculo, que além do Thrash Metal/Heavy Metal vigoroso e empolgante, também não poupava suor para trazer um algo mais ao público, um impacto visual, com algumas surpresas como Ets e camisas de força.
Em 2007 gravaram 2 EPs no estúdio Marquise 51, tendo Everson Krentz como baterista convidado. Porém, antes do lançamento oficial, a banda acabou, por uma série de motivos.
Anos depois, Aparício Neto resolve reativar o Dark Asylum e prosseguir o sonho que ficou incompleto. Com uma nova formação e novo material a caminho, era justo lançar de maneira adequada e oficial os registros da primeira fase, onde foram gravadas 8 músicas, divididas em 2 EPs, e o primeiro, "Deep in the Madness", chegou este ano nas plataformas e em formato físico via selo True Metal Records.
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| Dark Asylum em 2004 no bar Opinião em POA |
São 4 músicas e mais uma intro, com o Thrash Metal empolgante da banda, o qual tem nuances do Heavy Metal Tradicional, trazendo elementos do Thrash dos 80's e também da geração seguinte, como Nevermore e Hatebreed. A produção sonora é muito boa, bem orgânica, onde podemos sentir a energia da banda, quase como se fosse ao vivo.
Os vocais de Neto também trazem uma característica interessante, soando bem nítido e articulado, seguindo uma linha tradicional do estilo, por vezes soando mais limpos, e outras mais agressivos e meio falados.
Depois da intro "Brainwash", em que ouvimos a voz de uma menina, aparentemente contando suas impressões sobre o que presenciou em um culto religioso, entra "Final Link", que discorre justamente sobre as relações do homem e religião, levantando questões polêmicas, e algumas com comprovada razão.
Quanto a sonoridade, "Final Link" é um Thrash de riffs marcantes e andamento vibrante, pesada e melódica, naquela linha dos nomes surgidos nos anos 80 nos EUA e nuances do Heavy tradicional.
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| Uma das ilustrações inspiradas nas músicas, as quais a banda divulgou no seu instagram |
"Factory of Fools" é a seguinte, com andamentos mais quebrados, aqueles vocais mais falados e muito peso na cozinha; em seguida "Feel the Heat" alternando trechos mais rápidos com outros cadenciados, breaks e o peso das guitarras, que possuem timbres bem "gordos";
Fechando, "Highest Force", mostrando mais uma vez o bom trabalho das guitarras, sempre com riffs marcantes, peso e solos competentes. Aqui temos também alternância nos andamentos, com trechos com groove, além de alternar vocais mais agressivos.
Uma boa maneira de honrar o passado, lançando esses EPs, que mereciam ver a luz do dia de maneira adequada. Com certeza "Deep Inside the Madness" está sendo bem recebido pelos antigos fãs, e serve como uma apresentação aos novos. Em 2022 a banda lançará o segundo EP, "Underground Warriors", e esperamos para breve novo material para se juntar a estes. Thrash orgânico, pesado e melódico.
Formação Atual:
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