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sexta-feira, 8 de agosto de 2025

No More Death: Thrash em Album Conceitual e Inspirado pelos Titãs do Estilo

 



O No More Death é o novo  projeto de Tiago Torres, fundador, guitarrista e vocalista da extinta Mad Dragzter, que entre 2001 e 2015 lançou três álbuns, conquistando um espaço bem considerável no cenário nacional, participando inclusive de edição do saudoso festival BMU.

O que temos aqui é praticamente uma continuação do que Tiago produziu anteriormente, ou seja , Thrash Metal inspirado em pilares como Metallica, Exodus e Slayer.

O projeto e álbum, "The Death is Dead", começou a tomar forma em 2024, e mostra o quanto Tiago estava inspirado e ansioso por este retorno, pois podemos sentir a gana e pegada, despejando riffs e mais riffs.


A parte sonora, gráfica, o conceito e o release para imprensa, inclusive com informações faixa a faixa, são muito bem cuidados, mostrando o profissionalismo com que o projeto é tratado, coisa que muitas vezes falta na cena, e daí o povo não sabe porque não sai do lugar.

O álbum traz um conceito central, e os próximos trabalhos darão continuidade à narrativa lírica iniciada nele, a qual Tiago explica no release: "O tema é o mais complexo e profundo de toda a raça humana em todos os tempos: a Morte. Como lidar com ela. Como escapar dela. Como exterminá-la. Como viver para sempre? Isso é possível? Contamos no álbum como isso não só é possível como já foi resolvido".


Tiago Torres gravou todas as guitarras, vocais e baixos do disco, e contou com a coprodução de Demis Kohler, que ficou responsável pela engenharia de som, timbres, mixagem, masterização e ainda gravou todos os solos de guitarra.

O trabalho tem ênfase nas guitarras e riffs, que estão bem “na cara”, e a cozinha sem firulas está bem encaixada na proposta.



Conforme já explicitado acima, a sonoridade é inspirada pelo Thrash Metal forjado na década de 80 pelos titãs do estilo, com velocidade, agressividade, riffs - muitos riffs - e refrãos que prendem de imediato, além de boas doses de melodia.

São 8 petardos Thrash de qualidade bem uniforme, mas destaco aqui algumas que no meu ver se sobressaem e darão uma tônica do trabalho para quem vai pegar para ouvir, e já na abertura, com a faixa título, a No More Death apresenta suas credenciais, com riffs em profusão, refrão forte e pegajoso, velocidade e agressividade, convidativa a abrir rodas de mosh e bater cabeça.


Temos também os tradicionais riffs “cavalgados” em “Forever Young”, faixa  menos acelerada e com solos melodiosos; e destaque extra para o encerramento com “Love is Immortal”, com seu início de atmosfera melodiosa, trazendo várias mudanças de andamento, com peso e melodia, além de um refrão grandioso.

O certo é que em “The Death is Dead” o ouvinte vai se deparar com um álbum consistente, com tudo que espera de um bom disco de Thrash, e que agradará os fãs do estilo. Bem-vindo de volta à cena Tiago, com certeza tem muito a contribuir com o Metal e Thrash brasileiro.

Texto: Caco Garcia 
Fotos: Divulgação 

Tracklist 
The Death is Dead
Thy Glory
Great White Thrones
Forever Young 
Sons of Light
Annihilated 
Dreams About Eternity 
Love is Immortal 








quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Sacrifix: Peso, Técnica e Paixão pelo Thrash Metal

Por Guilherme Freires

Fevereiro trouxe boas novidades para os fãs de bandas como Sodom, Megadeth, Destruction, Slayer e Exodus. A banda paulistana de Thrash Metal Sacrifix lançou, no dia 12 de fevereiro de 2025, seu mais novo EP, "Let's Trash", já disponível em todas as plataformas digitais como Spotify, YouTube e Deezer.

Formada por Frank Gasparotto (vocal e guitarra), Diego Domingos (guitarra), Filippe Tonini (baixo) e Fábio Moisés (bateria), a banda entrega neste novo trabalho toda a brutalidade visceral e a técnica do seu Thrash Metal "old school". Gravado ao vivo no Tori Studios, em Diadema/SP, o EP funciona como um prelúdio para o terceiro álbum da banda, previsto para o final de 2025. As faixas contam ainda com registros de ensaios no Armazém Studio e produção, mixagem e masterização assinadas por Marco Nunes. A arte de capa é de Emerson da Silva Maia, com contracapa e layout de Johnny Z.

O EP "Let's Trash" possui 6 faixas e foi lançado de forma independente.

A faixa-título, "Let's Trash", abre o EP com uma linha de baixo pesada e bem marcada por Filippe Tonini, acompanhada por levadas rápidas de bateria, com destaque para os pedais duplos e o uso do chimbal. Os riffs são agressivos e os solos de guitarra, impressionantes. A composição é coletiva e a letra presta uma verdadeira homenagem ao Thrash Metal clássico, contando ainda com a participação especial de Pedro Zupo (Livin Metal) nos vocais.

"Sacrifix" inicia com riffs pesados e bateria marcada no bumbo duplo, com um toque de cowbell por Fábio Moisés e um baixo consistente. O destaque vai para o vocal intenso e os solos de guitarra afiados.

"Raped Democracy" é uma faixa veloz e brutal, com riffs densos e uma base de bateria similar à da música anterior. O cowbell se destaca novamente, assim como o groove pesado do baixo e o solo de guitarra insano em escala. O vocal rasgado de Frank Gasparotto reforça a agressividade da música.

"Rotten" traz riffs intensos e solos furiosos das guitarras de Frank e Diego, com bateria bem marcada no pedal duplo e baixo poderoso. Os solos são um verdadeiro show à parte.

"Mundo Nojento", única faixa em português, vem com uma pegada brutal. Os solos de guitarra são bem elaborados, a bateria é veloz e técnica, e o vocal entrega a intensidade necessária. É uma faixa que mostra a banda confortável em sua língua nativa sem perder a essência do estilo.

Fechando o EP, temos novamente "Let's Trash", agora em versão ao vivo gravada durante o ensaio no Armazém Studio. A performance reafirma a potência e brutalidade da faixa com execução técnica e precisa.

"Let's Trash" apresenta uma sonoridade poderosa, capturando com fidelidade a energia da banda ao vivo, sem perdas na qualidade sonora. É um lançamento que mostra a força do Thrash Metal nacional e consolida o Sacrifix como uma das grandes apostas do estilo.

O EP já está disponível em todas as plataformas digitais.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Siegrid Ingrid : Um Legado de Brutalidade no Live Álbum "Massacre em Lorena" (2024)

Por Guilherme Freires

Gravadora: Independente

A lendária banda de Death e Thrash Metal do nacional Siegred Ingrid, atualmente formada por Mauro Punk (vocal), André Gubber (guitarra), Luiz Berenguer (baixo) e Rômulo “Minduim” (bateria) nos brindou no dia 13 de dezembro de 2024 com o lançamento de seu mais recente álbum ao vivo, intitulado "Massacre in Lorena".

Seu último álbum de estúdio, “Back From Hell”, foi disponibilizado em 5 de novembro de 2023, após um intervalo de mais de 24 anos desde o notável “The Corpse Falls”, lançado em 1999.

“Massacre em Lorena”, que saiu sob um selo independente, foi gravado ao vivo no Ferrovia Estúdio na cidade de Lorena (SP), no dia 14 de novembro de 2024, durante uma turnê pelo interior de São Paulo e Minas Gerais junto com a renomada banda Nervochaos. 

O projeto teve produção, masterização e mixagem a cargo de Martin Pent, com a arte da capa criada por Artur Fontenelle. O álbum contém 11 faixas que fazem uma fusão dos dois discos da trajetória da banda.

A faixa "Murder", que inicia o álbum "The Corpse Falls" (1999), arranca com uma energia avassaladora, impulsionada pelos pedais duplos da bateria de Rômulo. Os vocais intensos de Mauro Punk e os riffs agressivos da guitarra de André Gubber se destacam. A canção é brutal e pesada, recheada de momentos acelerados.

Em "Nojo", as linhas de bateria mantêm a mesma cadência rápida dos pedais duplos. O chinbal se sobressai, enquanto o baixo forte e marcante se combina com riffs robustos e solos de guitarra, tudo isso acompanhado pelo impressionante vocal rasgado de Marcelo Punk.

A faixa "Force" apresenta uma introdução mais lenta, mas em certos trechos explode em uma intensidade ardente. Destacam-se o groove poderoso e incrível do baixo de Luiz Berenguer, além das pentatônicas e solos guitarreados.

Por outro lado, “Never Again” possui solos de guitarra que são meticulosamente elaborados, criando um contraste com a fúria e a brutalidade da bateria, junto ao peso do baixo.

A música "The Falsity is True” apresenta um excelente trabalho de bateria, especialmente nas viradas e no pedal duplo, complementado por riffs pesados e solos de guitarra marcantes.

“Templo dos Vermes”, do álbum mais recente, “Back From Hell”, traz uma cadência envolvente, com linhas de guitarra e bateria bem elaboradas

“Drásticas Consequências” inicia de forma explosiva, com um solo de guitarra impressionante, ressaltando a brutalidade da bateria, riffs poderosos e solos insanos em escala.

“Demência” se destaca por um interlúdio ágil e uma sonoridade intensa e visceral, com ênfase na bateria, riffs agressivos de guitarra e um gutural de grande impacto.

A faixa “Enéias” faz referência ao falecido político brasileiro Enéias Carneiro (1938 - 2007) do Partido Liberal (PL). A canção é bastante veloz, com uma bateria poderosa e um gutural intenso, trazendo à tona o famoso bordão do político: “Meu nome é Enéias”.

"Suicide" finaliza o álbum com excelência e intensidade, apresentando solos alucinantes de guitarra, vocais intensos, um baixo extremamente pesado e uma bateria avassaladora.

A icônica banda Siegred Ingrid traz à tona o ápice de seu legado no Thrash e Death Metal, executado com perfeição neste álbum ao vivo repleto de brutalidade. Recomendo fortemente para aqueles que apreciam uma boa dose de agressividade musical. O disco está acessível em todas as plataformas digitais, como Spotify, YouTube e Deezer.


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Press: JZ Press

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Cobertura de Show: Torture Squad – 29/11/2024 – Gravador Pub/RS

Cobertura: Renato Sanson

Fotos: Glauco Malta

Após 10 anos de sua última passagem pela capital gaúcha, o “Esquadrão da Tortura” retorna a Porto Alegre, desta vez para um show mais que especial, pois, se reconstruir após uma enchente não é nada fácil. Porém, aos poucos vamos recolocando a casa em ordem e a vida segue.

Originalmente o Torture Squad tocaria somente em Santa Maria, mas o show acabou sendo adiado para o dia 30/11 devido ao nosso problema climático e em contra partida a data do dia 29/11 foi adicionada para a capital gaúcha.

O local escolhido foi o excelente Gravador Pub, que também foi assolado pelas águas, mas ressurgiu das cinzas em um novo endereço, mas com a mesma proposta.

Disponibilizando uma estrutura muito boa, tendo acessibilidade e uma qualidade de som acima de muitas casas consagradas. Um local de médio porte que se torna um caldeirão com a presença dos fãs.

E na noite do dia 29/11 não foi diferente, pois o que presenciamos foi uma aula de Thrash/Death Metal e com o público presente inflamado!

Com a formação estabilizada desde 2015 com May “Undead” nos vocais, Rene Simionato nas guitarras e os incansáveis Castor (baixo) e Amilcar (bateria), o TS trazia a tour do seu mais novo álbum, “Devilish”, aclamado pela critica e fãs.

Iniciamos a noite (passado um pouco das 19h) com a banda porto-alegrense Phornax. Comemorando seus 15 anos de estrada e apresentando também sua nova formação.

Capitaneada pelo vocalista Cristiano Poschi, a banda apresentou as musicas do seu primeiro EP “Silent War” lançado em 2012, mas trouxe as novidades que teremos em 2025, as músicas novas que estarão em seu vindouro debut.

Uma apresentação sólida e um time de músicos invejáveis e muito bem entrosados. Com destaque ao poder da voz grave e potente de Cristiano. Um Heavy Metal cru, técnico e cheio de feeling. O Phornax tem tudo para conquistar o público se manter essa pegada.

Vale destacar também a qualidade de som que estava impecável, outro ponto positivo do Gravador Pub, se você é a banda de abertura ou não, isso não importa. Você tocará com uma qualidade de som decente.

O palco do Torture Squad já estava montado e com uma estrutura linda e em volta do mais recente lançamento, com um pano de fundo incrível e painéis as suas laterais que só engrandeciam ainda mais.

Então era hora do “Esquadrão” entrar em cena e aos poucos os músicos foram tomando seus lugares para iniciarem com “Hell Is Coming” e toda a sua expansão sonora que o Torture construiu nesses últimos anos e mostra o poder dessa formação já consolidada. 

Não é preciso dizer que levou os presentes a loucura e a presença de Mayara é insana, fazendo você sentir vergonha de estar curtindo o show sem bater cabeça.

Sem tempo para respirar: “Flukeman” e “Buried Alive” chegam como arrasa quarteirões e as primeiras rodas já se formam! É incrível como estas composições novas soam ainda melhores ao vivo, além de mostrar um leque de influencias em sua sonoridade já característica.

Mas foram 10 anos longe, então o set transitou por boa parte da discografia da banda e o primeiro clássico a tomar forma foi a poderosa “Hellbound” levando a casa abaixo!

Para após o excelente single “The Fallen Ones” com um show a parte de May e Rene, outro clássico entra em cena: “Abduction Was The Case” e sua destruição sonora.

Podemos dizer sem medo de errar que a dupla Castor e Amilcar formam uma das melhores “cozinhas” do meio Heavy Metal mundial é um entrosamento e técnica absurdas! Com essa reformulação da banda em 2015, podemos também afirmar que o Torture vive o seu melhor momento desde então, pois se em estúdio já provaram a sua capacidade é ao vivo que temos o teste de fogo e tanto May quanto Rene não devem em nada a seus antecessores.

Soando como se estivessem no Torture Squad desde sempre.

Ao meio do show tivemos um fato inusitado, pois o bairro em que o Gravador Pub é localizado (bairro São Geraldo) teve uma falta de luz inesperada com a banda em palco e com Amilcar tocando mesmo no escuro devido à adrenalina que estava sentindo (fato dito pós show em mais um bate-papo com o mesmo).

O que parecia que estragaria uma noite durou apenas alguns minutos,  e felizmente a luz foi reestabelecida para o massacre sonoro que teríamos em sequência com: “Storms”, “Horror And Torture”, “Chaos Corporation” e finalizando com “The Unholy Spell”.

Um show sensacional e lavando a alma dos fãs que aguardavam seu retorno a terras gaúchas.

Fica aqui o meu agradecimento a M.A.D Produtora pela ótima produção, ao Gravador Pub por ter se reconstruído e continuar com a qualidade de sempre e a todos que compareceram e brindaram juntos ao Torture Squad. Uma banda mais que consolidada e que merece muito mais holofotes e reconhecimento.



 

 





quarta-feira, 3 de abril de 2024

Entrevista - Alchimist: “Painkiller” do Judas Priest é o álbum que mais traduz o que é heavy metal

Por: Renato Sanson

Músico entrevistado: João Lobo (baixista)

A ideia sonora do Alchimist vai além do Thrash Metal em si. Tendo uma linha bem tênue com o Heavy Metal mais tradicional. O que deixa a sonoridade bem interessante. A ideia sempre foi essa?

Primeiramente, obrigado pela oportunidade dessa conversa e sim, a ideia inicial era mesclar várias vertentes do heavy metal fazendo com que o nosso sonho fosse o mais autêntico possível. Para que pudéssemos criar uma identidade forte e até hoje essa identidade ela é bem reconhecida pelos fãs e tem dado bons frutos.

Quais influências tiveram para criar a arquitetura sonora?

Nossa influência não foge muito das bandas mais tradicionais de heavy metal. Adicionado claro, as bandas do metal nacional e musicalmente nós temos muita influência da música brasileira na parte melódica e em outros elementos, que giram em torno do metal.

Em 2016 nascia o debut “The Wisher”. Com uma gama sonora forte e marcante. Conte-nos a respeito da parte criacional do mesmo.

Na época nós não tínhamos tanta experiência em composições e gravações então estávamos à procura desse formato, dessa identidade, dessa forma de compor e dessa forma de expressar. Desde lá até aqui fomos criando experiência e fomos também gravando com outras bandas, tocando com outros projetos e ampliando a nossa gama sonora.

Como foram as críticas do trabalho na época? Acredito, que até hoje repercute positivamente para a banda.

Em geral positivas! A análise girou em torno do que realmente parece ser o “The Wisher” como trabalho que é: uma mistura entre metal progressivo e power metal. Então na época essas não eram as nossas influências mais presentes, mas temos muito orgulho de ter feito dessa forma. 

Na época próxima ao lançamento saímos em muitos sites e atendemos a muitas entrevistas então a repercussão foi bem positiva e logo após o lançamento nós fizemos muitos shows, principalmente no ano seguinte em outras cidades perto da nossa cidade Natal.

Oito anos se passaram do primeiro álbum. Existe uma previsão de lançamento para o sucessor?

Durante todos esses anos estivemos compondo e fazendo músicas novas. Nosso próximo trabalho sairia durante a pandemia ali em 2020, no entanto, pelo próprio acontecimento da pandemia nós tivemos que postergar tudo isso e só agora em 2024 temos previsão para lançar um novo álbum. Com single novo saindo durante o mês de abril. 

Tivemos também algumas mudanças de formação na banda e tudo isso leva bastante tempo para reestruturar e consolidar o que já tem como trabalho. O próximo álbum será um trabalho conceitual muito robusto e que traduz verdadeiramente o momento atual da banda.

Em 2023 foi lançado o live “The Ritual”. Tocando na integra “The Wisher” com a adição da composição “Obsessed”. Comentem sobre a ideia de lançar um disco ao vivo. Eu particularmente sou muito fã dos lives.

O disco ao vivo sempre expressa bem o som de uma banda e eu também sou muito fã de trabalhos ao vivo, e a ideia foi justamente aproveitar o momento de lives e shows ao vivo pela internet para fazermos um registro e deu muito certo! O material ficou com uma qualidade decente (não ficou extremamente profissional), mas o registro é muito válido e a ideia é fazer com que todos os álbuns tenham álbum ao vivo após o lançamento em estúdio.

 Eu particularmente gostei bastante do resultado e acho que mostrou bem a pegada do Alchimist. A faixa “Obsessed” já era tocada ao vivo e estará presente no próximo álbum e decidimos colocar no trabalho ao vivo por mostrar esse nosso lado mais atual.

Em relação aos shows, vocês tocarão com o Angra em breve. Como está a expectativa? O que estão planejando para este grande momento?

A expectativa é a melhor possível! Vamos tocar duas músicas novas e além de trocar experiência com a equipe do Angra e experimentar um novo setlist nesse segundo show com um novo baterista o Pedro Isaac. Vai ser um grande show e esperamos fazer isso mais e mais vezes.

Finalizando, gostaria de saber os próximos passos da banda e se pudesse criar um ranking dos cinco melhores álbuns de Heavy Metal de todos os tempos, quais seriam? Obrigado pela participação!

É difícil criar um ranking dos 5 melhores álbuns, mas vale a tentativa: Iron Maiden (The Number of the Beast), Black Sabbath (Paranoid), Sepultura (Beneath the Remains), Angra (Temple of Shadows) e em primeiro lugar tem que ser o “Painkiller” do Judas Priest que em minha opinião é o álbum que mais traduz o que é heavy metal.



 

 

domingo, 9 de outubro de 2022

Losna: “...somos uma banda old school e não abrimos mão de lançar o material físico”

Por: Renato Sanson


Músicos entrevistados: Fernanda (vocal/baixo) / Débora (guitarra) – Banda Losna de POA/RS

 

2020/2021 marcou o lançamento do novo álbum “Absinthic Wrangles” (4° da carreira) e também a primeira mudança de formação na banda desde 2004, onde agora o dono dos tambores é o baterista Mateus Michelon. Como foi esta mudança e a adaptação do novo integrante?

Fernanda - Felizmente conhecemos o Mateus há muito tempo e sempre acompanhamos a carreira dele tanto como super batera da Inheritours quanto como atleta. Sempre cultivamos a amizade e parceria nos palcos, com vários shows memoráveis. Além disso tudo, o Mateus tem muito bom gosto musical, nós curtimos as mesmas bandas! Um entrosamento muito fácil e facilitado belo bom humor desse cara fantástico!


“Absinthic Wrangles” traz a Losna na melhor forma possível. Esse seria o trabalho mais consistente da banda até o momento?

Débora - Complicado afirmar que é o mais consistente, até porquê isso soa muito subjetivo. O “Absinthic Wrangles” é um álbum feito com muito ódio amargo, feito num período difícil de nossas vidas, por isso ele é conceitual, sobre lutas... porque a vida é uma constante e infinita batalha!

Fernanda - Estamos preparando novas composições e mais uma vez com temática conceitual. Nossa formação está super bem integrada e estamos fluindo o processo com facilidade. Estamos discutindo se iremos primeiramente lançar um single pra comemorar essa formação ou se iremos juntar tudo no próximo álbum. Precisamos fazer um videoclipe também!


Como foi o processo de composição do mesmo?

Fernanda - Nós costumamos reservar um tempinho no final dos ensaios para ir lançando as ideias e contribuindo para a evolução da melodia. Geralmente nós iniciamos com um riff de guitarra que a Débora ia apresentando. Depois de irmos incorporando a bateria e o baixo trecho a trecho, finalizamos a parte instrumental e só depois eu preparo as letras e daí as linhas vocais. Mas é todo mundo envolvido e divertido, a gente deixa que a emoção da agressividade, violência e amargura vá sendo destilada às novas composições com naturalidade.

Débora - O processo de composição dos sons da Losna sempre é de forma democrática e neste álbum não foi diferente. Geralmente lanço os riffs, a Nanda acompanha com frases diabólicas tanto nas quatro cordas quanto nas letras e a bateria encaixa tudo daí.

Apesar de contarem com uma mudança de formação bem significativa, vocês caíram na estrada logo em seguida. Musicalmente falando, o que Mateus agrega a Losna?

Débora - Mateus é conhecido pelo codinome de “Extremo” e realmente condiz com isso. Dono de uma técnica impecável e velocidade absurda nos bumbos, ele, com certeza, vai somar ainda mais peso e amargura ao som da Losna. Além do que tem um humor formidável e tudo flui melhor, tanto nos ensaios quanto nos shows.


Falando em retorno aos palcos ainda mais de uma banda tão atuante e presente na cena. Como foi lidar com o período pandêmico?

Débora - Realmente foi um período bem complicado ficar sem tocar ao vivo, foi terrível, ainda mais que recém tínhamos lançado o “Absinthic Wrangles” bem na época do “Lock Down” do Coronavírus. Mas não ficamos parados, produzimos vários vídeos ao vivo para participar de Fests Online. Foi a saída, e espalhamos o nosso som amargo por Fests de vários Estados brasileiros e, inclusive, no exterior também. Focamos em divulgar os sons do “Absinthic Wrangles”. Claro que não é a mesma coisa que tocar ao vivo, mas foi uma saída muito produtiva com feedback excelente neste período tão obscuro da vida.


Qual foi a sensação de tocarem ao vivo após dois anos sem shows?

Débora - Foi formidável! Ainda mais que era a estreia do Mateus! Estávamos bem empolgados e com muita energia amarga acumulada para dissipar. E foi um show memorável, público compareceu e curtiu! Foi em São Leopoldo na nova Embaixada do Rock que infelizmente já fechou.

Foto: Uillian Vargas

Em termos de recepção e alcance “Absinthic Wrangles” está atingindo o que vocês esperavam?

Débora - Com certeza, ainda mais como uma banda underground como nós. Já divulgamos o “Absinthic Wrangles” até no Paraná e Paraguai, locais que nunca tínhamos tocado e foram experiências excelentes. Público compareceu e comprou o merchan. Mas todas essas experiências incríveis só foram possíveis com o ótimo trabalhado desempenhado pelo grande Flávio Soares da True Metal Records que lançou nosso álbum e faz nossa assessoria de forma exemplar, nos divulgando por aí. Em breve estaremos em São Paulo e até no Chile.

Fernanda - Sim, apesar de termos lançado em plena pandemia, conseguimos obter bastantes frutos com ele. Pudemos participar de várias lives, inclusive ao lado de bandas estrangeiras, ou seja, com um alcance bem generoso. Logo que que permitiram o retorno aos shows presenciais, pudemos, justamente contando com o grande Mateus, fazer shows empolgantes! Grande satisfação poder vivenciar isso tudo novamente, essa energia de encarar a plateia olho no olho. Isso não tem preço. Já poderemos agora fazer aqueles shows que teriam acontecido bem no período que veio a maldita pandemia. Agora sim estamos tendo a recepção que tanto esperávamos.


Muita coisa mudou desde a pandemia até o presente momento. Qual o pensamento de vocês sobre as lives e collabs é algo que devesse manter ou tiraria o alcance dos shows presenciais?

Débora - Acho que agora o momento é outro. Fests online não terão mais impacto como na época sem shows presenciais. A maioria das criaturas ainda curtem ver e ouvir a banda no modo ao vivo. Mas as lives e collabs são interessantes, já que as lives são mais na proposta de entrevistas e isso deu muito certo na época da pandemia, até hoje. Muito embora a audiência tenha baixado por conta da vida ter retornado ao normal. As pessoas já não ficam tanto tempo na frente de computadores como costumavam com o Coronavírus. As collabs são super interessantes, há várias uniões de músicos inusitadas que dão muito certo. Eu mesma participei de duas e minha irmã de outra. É bem interessante trocar figurinhas e percepções com outros músicos. Em breve faremos uma collab com as irmãs Losna e mais uma batera... hehehe.

Algo que chamou muito a atenção foi que inicialmente “Absinthic Wrangles” não foi lançado nas plataformas digitais logo de cara, mas sim a preferência foi o lançamento físico. Vemos cada vez menos os lançamentos físicos onde a maioria das bandas lançam seu material apenas no digital. É entendível, pois sabemos dos gastos e do pouco retorno também. Mas entendo que a consolidação do lançamento é ter o material em mãos! Como vocês enxergam está questão?

Débora - Ah... somos uma banda old school e não abrimos mão de lançar o material físico ainda. Para nós é essencial tocar no CD, sentir, ver o encarte com fotos e letras, sentir o aroma do CD, é algo insubstituível! Ainda bem que existem selos como o True Metal Records que prezam por isso. Ainda temos que tornar real o sonho de lançar um álbum da Losna no formato de vinil, será lindo! Mas, fazemos questão de estar em todos os meios possíveis de divulgação, como nas plataformas digitais. O importante é destilar muito som amargo por aí!

 

Links:

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domingo, 7 de agosto de 2022

FullRage: raiva, técnica e qualidade

Por: Renato Sanson

Uma formação clássica que gera discos clássicos sempre será reverenciada. Exemplos temos aos montes, principalmente de bandas que retornam com essas formações ou incorporam parte dela no line up atual.

Falar do Leviaethan e de sua formação clássica que lançou os antológicos “Smile” (1990) e “Disturbed Mind” (1992) é praticamente uma heresia, pois são obras consolidadas que todo headbanger que se preze tem que conhecer e ter em sua coleção.

Pois bem, essa formação (não contando apenas com o finado guitarrista Alexandre Colleti) resolveu voltar ao estúdio, mas não como Leviaethan, mas sim como FullRage para nos destilar uma dose cavalar de Thrash Metal com seu Debut, “Resurrection Denied” (21).

Em suas lacunas temos o trio clássico: Flavio Soares, Carlos Lots e Danilo Pizzato. Com a adição do baixista e não menos lenda Marcelo Cougo, já que nesse álbum em questão Flavio ficou a cargo somente dos vocais.

E que excelentes linhas vocais “Resurrection Denied” apresentam. Seja pela ferocidade ou pelas melodias das linhas que casam perfeitamente com o instrumental técnico e agressivo da bolacha. Uma curiosidade, Flavio gravou as vozes alguns meses após ter se curado da Covid-19 e mostrou que o pulmão está a todo vapor!

Para embalar as linhas de vozes temos a guitarra de Lots que exala riffs e mais riffs monstruosos, assim como solos virtuosos que se encaixam a proposta e as batidas não menos técnicas e agressivas de Danilo Pizzato, com Cougo segurando a bronca com o grave de seu baixo que soa mais como um trovão de tanto peso.

Thrash Metal no mais alto nível, mas sem soar datado. A produção feita por Renato Osório tira o melhor do quarteto com timbres e peso adequados. Deixando tudo ainda mais grandioso. Méritos também da mixagem e masterização feita por Benhur Lima.

Todo esse cuidado sonoro resplandeceu na parte gráfica e seu layout. Tendo a arte concebida pelo genial Marcelo Vasco. Impactante e atemporal. Embrulhado em um Slipcase envernizado que te permite escolher o logo em duas cores: roxo ou verde.

Um dos melhores álbuns de 2021 com toda a certeza, pois você aperta o play e não para de bangear um só minuto. Que voltem ao estúdio o quanto antes e continuem nos presenteando com essas maravilhas sonoras!


Links:

https://www.facebook.com/fullrageofficial

 

 

 

sábado, 12 de junho de 2021

Dark Asylum: Um Recomeço e a Celebração da Primeira Fase


Antes de comentar sobre o EP " Deep in the Madness", do Dark Asylum, um pouquinho de história e o porquê de somente agora o disquinho ser lançado, quase 15 anos depois de ser gravado.

O Dark Asylum surgiu em 2003, em Porto Alegre, fruto das ideias e concepções de seu fundador, o vocalista Aparício "Dark" Neto, completando a formação com Leonardo "Babyface" e Vilmar "The Teacher" nas guitarras e Jonas "Devil Son" no baixo, mas nunca pode contar com um batera fixo. 

A banda foi uma árdua trabalhadora no underground, e até seu fim precoce em 2008, participou de diversos festivais e fez muitos shows pelo RS, capital e interior, sempre entregando um espetáculo, que além do Thrash Metal/Heavy Metal vigoroso e empolgante, também não poupava suor para trazer um algo mais ao público, um impacto visual, com algumas surpresas como Ets e camisas de força.

Em 2007 gravaram 2 EPs no estúdio Marquise 51, tendo Everson Krentz como baterista convidado. Porém, antes do lançamento oficial, a banda acabou, por uma série de motivos.

Anos depois, Aparício Neto resolve reativar o Dark Asylum e prosseguir o sonho que ficou incompleto. Com uma nova formação e novo material a caminho, era justo lançar de maneira adequada e oficial os registros da primeira fase, onde foram gravadas 8 músicas, divididas em 2 EPs, e o primeiro, "Deep in the Madness", chegou este ano nas plataformas e em formato físico via selo True Metal Records. 

Dark Asylum em 2004 no bar Opinião em POA

São 4 músicas e mais uma intro, com o Thrash Metal empolgante da banda, o qual tem nuances do Heavy Metal Tradicional, trazendo elementos do Thrash dos 80's e também da geração seguinte, como Nevermore e Hatebreed. A produção sonora é muito boa, bem orgânica, onde podemos sentir a energia da banda, quase como se fosse ao vivo.

Os vocais de Neto também trazem uma característica interessante, soando bem nítido e articulado, seguindo uma linha tradicional do estilo, por vezes soando mais limpos, e outras mais agressivos e meio falados.

Depois da intro "Brainwash", em que ouvimos a voz de uma menina, aparentemente contando suas impressões sobre o que presenciou em um culto religioso, entra "Final Link", que discorre justamente sobre as relações do homem e religião, levantando questões polêmicas, e algumas com comprovada razão. 

Quanto a sonoridade, "Final Link" é um Thrash de riffs marcantes e andamento vibrante, pesada e melódica, naquela linha dos nomes surgidos nos anos 80 nos EUA e nuances do Heavy tradicional.

Uma das ilustrações inspiradas nas músicas, as quais a banda divulgou no seu instagram

"Factory of Fools" é a seguinte, com andamentos mais quebrados, aqueles vocais mais falados e muito peso na cozinha; em seguida "Feel the Heat" alternando trechos mais rápidos com outros cadenciados, breaks e o peso das guitarras, que possuem timbres bem "gordos";

Fechando, "Highest Force", mostrando mais uma vez o bom trabalho das guitarras, sempre com riffs marcantes, peso e solos competentes. Aqui temos também alternância nos andamentos, com trechos com groove, além de alternar vocais mais agressivos.

Uma boa maneira de honrar o passado, lançando esses EPs, que mereciam ver a luz do dia de maneira adequada. Com certeza "Deep Inside the Madness" está sendo bem recebido pelos antigos fãs, e serve como uma apresentação aos novos. Em 2022 a banda lançará o segundo EP, "Underground Warriors",  e esperamos para breve novo material para se juntar a estes. Thrash orgânico, pesado e melódico.

Texto: Caco Garcia
Fotos: arquivo da banda

Formação Atual:
Aparício "Dark" Neto: Vocais
William "The axe Murdered" Leite: Guitarras
Ângelo "Angel of Death" Gobbi: Guitarras
John "Doomslayer" Xavier: Baixo

Assessoria: Wargods Press