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terça-feira, 7 de abril de 2026

Cobertura de Show: D.R.I. + Ratos de Porão – 22/03/2026 – Cine Joia/SP

Se o termo “Crossover” existe desde 1982 é exatamente por conta dessa duas bandas: DRI e Ratos de Porão! Eles foram determinantes para que o Thrash Metal ficasse bem mais pesado ao vivo, forçaram as ban das a usarem cabeçotes e equipamentos melhores, irem para estúdios melhores! Algumas dessas bandas de Thrash Metal a seguir, fizeram uma vez só um disco de Crossover na carreira no final dos anos 80: Exodus, Sepultura, Metallica, Metal Church, Testament, Forbidden, Vio-lence, Kreator, Sodom, Anthrax, Sadus, Slayer, Pestilence, Annihilator, Megadeth, Nuclear Assault, Dark Angel, Possessed, Razor e Death, poderiam ter criado o Crossover mas foram os que se aproveitaram do impacto quando chegou no Thrash. As gravações analógicas com riffs variando velocidade, peso de uma batera nunca vista antes e baixo pesado sem médio/agudo é culpa do DRI e RDP.

O último show turnê das duas bandas que se despedia no domingo na Liberdade, centro de SP, mostrou a força do estilo: uma fila gigante já se formava do lado de fora, e por outro lado, dentro do Cine Joia, um clima de exaustão que desaguou no palco.

A abertura do Imflawed e Questions teve mais disposição em relação as bandas principais. Em sua primeira passagem por SP, o Imflawed de Recife/PE fez uma apresentação curta com 7 sons muito honrosa com público chegando ao chamado do vocalista e guitarrista Arthur Santos para aproveitarem a noite. A mistrura de groove com Thrash rendeu uma boa recepção do público; destaques para “Fear, “Inner War”, “Slave New World” (cover do Sepultura) e “Fuck Your Pride”. O baixista Martin mandou muito bem mesmo escala do de última hora pra cobrir dois shows em SP.

O Questions entrou empolgado e rapidamente e fez valer seus 26 anos de estrada. Muita personalida de, som redondo, com carisma de Edu Revolback sempre agradecendo conversando com a galera, deixaram uma reperório bem agressivo. Destaque para “The Same Blood” e “The Victory Speech” com excelente de sempenho do baterista baterista Eduardo Sasaki e excelente desempenho do guitarrista Pablo Menna.

Em seguida, era a vez do RDP fazer sua parte; tocou os clássicos (quem conhece o RDP sabe o repertório) e manteve a energia de 45 anos no palco. Desta vez, com a ausência de Jão (fora dessa turnê por conta de um acidente de moto), que foi substituído por Maurício Nogueira (ex-Torture Squad) para segurar os shows. Maurício fez uma apresentação muito boa, com muita atenção nos riffs, e deixou a banda à vontade para colocar o público na roda.

Era perceptível o cansaço da turnê mencionado pela banda. Por exemplo, os perrengues com refeição estragada no Rio de Janeiro deixaram João Gordo debilitado, somados aos contratempos em Minas Gerais, ou seja, um caldeirão de incômodos antes de se despedirem da turnê e irem para casa, o que em alguns momentos também refletiu no público.

Mesmo assim, João Gordo não tirou o mérito de entregar um vocal matador aos 64 anos, junto à garra do Boka na bateria e à força da banda no evento como um todo. Destaque para músicas que não aparecem com frequência nos shows, como “Homem Inimigo do Homem”, “Colisão” e, em ano de eleições, “Alerta Antifascista”.

Pra fechar, o DRI cumpriu o repertório da turnê com a apresentação sonora arrebatadora, como sempre fez no Brasil em tempos passados, passando pelos discos Dirty Rotten, Dealing With It, Crossover, 4 of a Kind, Thrash Zone, Definition e Full Speed Ahead. Mas os bastidores para começar o rolê não saíram como o Crossover pede.

Tiveram muitos problemas, a começar pelo atraso de quase uma hora desde a retirada da bateria principal do palco para montar outra totalmente do zero, até posicionar os microfones das peças e pratos, passar o som e regular tudo. Isso quebrou o bom andamento que o RDP havia deixado. Os caras estavam sem roadies, não havia uma equipe de apoio com eles, o DRI fez tudo na raça.

O Spike usa dois cabeçotes de guitarra, um de cada lado do palco, justamente para sustentar o peso que a banda proporciona quando ele abafa o riff e produz aquele impacto que só o Crossover consegue. Mas ele fez tudo sozinho, andando de um lado para o outro com a guitarra, regulando, afinando e timbrando o som. O baixista Greg Orr também teve dificuldades de regular o baixo. Kurt subiu no palco, ele mesmo plugou seu microfone, sacado da mochila, e nada da banda começar.

Quando a banda finalmente começa, durante o repertório, por várias vezes entre as músicas, Spike recorre aos amplificadores para ajustar o som da guitarra, enquanto Kurt liga até um ventilador no palco. Era o DRI, mas não o mesmo que vi no Carioca Club em 2011, que tinha mais brilho e entusiasmo para dizer “nós estamos aqui de volta, pós-pandemia, segurando essa bandeira”.

Existe um cansaço natural após mais de quatro décadas tocando, além do desgaste de deslocamentos constantes de um lugar para outro. Se no final deu tudo certo, o público fez sua parte e participou de tudo. Ainda assim, a história da banda, cravada em eventos de grande porte pelo mundo todo, não justificava passarem por aquilo, justamente pela ausência de colaboradores para fazer o evento funcionar.


Texto: Roberto "Bertz"


Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Agência Powerline



Ratos de Porão – setlist:

Alerta antifascista

Morte ao rei

Igreja Universal

Máquina militar

Sofrer

Homem inimigo do homem

Amazônia nunca mais

Farsa nacionalista

Colisão

Expresso da escravidão

Descanse em paz

Paranoia nuclear

Não me importo

Beber até morrer

Crucificados pelo sistema

Pobreza

Caos

Conflito violento

AIDS, pop, repressão


D.R.I. – setlist: 

Who Am I

Beneath the Wheel

Couch Slouch

Thrashard

The Application

Argument Then War

Nursing Home Blues

Dry Heaves

Dead in a Ditch

Suit and Tie Guy

The Five Year Plan

Mad Man

I Don't Need Society

Syringes in the Sandbox

terça-feira, 27 de maio de 2025

Cobertura de Show: UpFront Festival – 11/05/2025 – Carioca Club/SP

O que era para ser o último show do The Exploited em solo brasileiro acabou se tornando um capítulo à parte. 

Anunciado como parte da turnê de despedida que passou por Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, o encerramento em São Paulo, no Upfront Festival (realizado no Carioca Club), foi marcado por imprevistos, adaptações e uma grande demonstração de respeito coletivo à história da banda.

No dia anterior, durante o show no Rio de Janeiro, Wattie Buchan passou mal no palco e precisou ser socorrido após vomitar sangue em plena execução do set. A cena chocou o público, e a notícia logo correu entre os fãs. Assim, em São Paulo, a expectativa já era tensa: seria mesmo a última apresentação? E Wattie conseguiria se apresentar? A resposta veio ainda antes do início do show — um video publicado  nas redes sociais por Wattie foi exibido e o vocalista não subiu ao palco. A apresentação seguiu, mesmo sem seu líder histórico. E isso, de certa forma, mudou o tom da noite.

A abertura do festival foi feita com propriedade pelas bandas nacionais Escalpo, Urutu e Punho de Mahin. O Escalpo entregou um set rápido e direto, mostrando que o crust punk brasileiro ainda pulsa com força. O Urutu trouxe uma mistura de punk com metal extremo, fazendo a ponte entre agressividade e discurso político em canções como "Parasita" e "A Pátria que nos mata". Já o Punho de Mahin levantou o público com seu punk antifascista carregado de referências afrocentradas, com destaque para "Mãe África" e "Invasores".

O line-up internacional teve uma presença marcante antes do momento do Exploited: O The Chisel, representando o punk britânico atual, trouxe uma pegada mais Oi! e street punk que agradou os fãs mais jovens — "Retaliation" e "Not the Only One" foram cantadas em coro por uma boa parte da plateia.




O Ratos de Porão, uma das maiores instituições do punk/hardcore brasileiro, pegou o horario "nobre" - sendo a penultima banda da noite, com João Gordo ainda dando conta do recado mesmo após alguns shows "cansado demais". O grupo entregou a lista de quase sempre, "Crucificados pelo Sistema","Necropolitica", "Brasil"  e etc. A performance do Ratos serviu como preparação perfeita para o que viria a seguir.



Quando chegou o momento da entrada do The Exploited, já havia um burburinho no ar sobre como seria o show sem Wattie. O que aconteceu, no entanto, foi menos um show da banda e mais uma grande jam em tributo ao legado dela. Músicos convidados assumiram os vocais em diferentes momentos. João Gordo (Ratos de Porão) puxou "Cop Cars" e "Fuck the System" com propriedade e presença de palco, fazendo jus à crueza e energia exigidas por essas faixas. Outras músicas como "Army Life", "Dead Cities" e "Sex and Violence" foram distribuídas entre vocalistas como Jão (RDP), Mark (Fang) e membros do The Chisel e do Punho de Mahin.


A banda de apoio (formada pelos membros restantes da formação atual) segurou firme a base instrumental. Mesmo sem a figura icônica de Wattie, o público respondeu com respeito, entendendo o peso simbólico do momento. Os mosh pits não pararam, e a plateia — embora frustrada pela ausência do frontman — abraçou a proposta de um encerramento coletivo, improvisado, mas digno.


O que era para ser a despedida do The Exploited virou um tributo espontâneo. E talvez esse tenha sido o único jeito possível de encerrar uma trajetória tão marcada pela urgência, pela saúde frágil e pela entrega total ao palco. Wattie não esteve ali fisicamente, mas sua presença foi sentida em cada grito, em cada acorde e em cada roda que se abriu. Foi, ao mesmo tempo, despedida e homenagem. Um fim imperfeito — como deve ser no punk.


Texto: Filipe Moriarty 

Fotos: Raíssa Corrêa (Sonoridade Underground)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Agência Sob Controle

Press: Tedesco Comunicação Mídia 


The Exploited – setlist:

Dead Cities

UK 82

Fight Back

Chaos Is My Life

Why Are You Doing This to Me

Alternative

Class War

Beat the Bastards

Never Sell Out

Fuck the System

Dogs of War

Rival Leaders

(Fuck the) U.S.A.

Punks Not Dead

Sex & Violence

segunda-feira, 14 de abril de 2025

Cobertura de Show: Matanza Ritual Fest – 28/03/2025 – Audio/SP

Ergam-se os copos! Matanza Ritual Fest fecha março com chave de ouro

O já conhecido festival organizado pela banda transforma a Audio em um verdadeiro caos.

Após ser adiado em dezembro de 2024, o tradicional festival da banda Matanza Ritual finalmente aconteceu na última sexta feira (28 de março) na Audio, zona oeste de São Paulo, com convidados de peso e seguindo a tradição de apresentar ao público novas bandas em ascensão: Allen Key  abriu  os trabalhos, seguidos por Pavilhão 9,  os veteranos do Ratos de Porão e os anfitriões da noite Matanza Ritual, que além de relembrar músicas já conhecidas pelos fãs, apresentou novidades do seu novo álbum, "A Vingança é Meu Motor", disponibilizado nas plataformas digitais a poucos dias atrás. 


A animada Allen Key

Com um público ainda tímido, a banda paulistana de Hard Rock Allen Key deu início aos trabalhos da noite pontualmente às 21h35. Animados, já que haviam se apresentado no festival Lollapalooza horas antes, eles estavam prontos para oferecer um show enérgico e especial. Mesmo com a pequena plateia e o tempo limitado, Karina Menasce (vocal), Victor Anselmo (guitarra), Pedro Fornari (guitarra), Mateus Hortêncio (bateria) e Raphael Paiva (baixo) se entregaram completamente ao momento, trazendo versatilidade e atitude. A vocalista irradiava felicidade, sempre agradecendo pela oportunidade de estar ali.

Quem já acompanha o Matanza Fest há algum tempo conhece bem a dinâmica do evento, que costuma incluir bandas em ascensão no lineup, trazendo um frescor ao festival. Com o Allen Key não foi diferente. Apesar de já estarem na cena musical há algum tempo, para muitos presentes era a primeira vez que eles tinham contato com a banda.

A vocalista Karina, muito carismática no palco, interagiu com os outros músicos em vários momentos, demonstrando um ótimo entrosamento e proporcionando um show incrível. A apresentação começou com “Granted”, uma música já conhecida pelos fãs. Em seguida, eles tocaram canções de diferentes álbuns da banda, como “Straw House”, “Death from Above” e o mais recente lançamento, “Easy Prey”. Ainda apresentaram “Get in Line” e finalizaram com “The Last Rhino”.






Pavilhão 9 representando o Rap no Fest.

Uma das apresentações mais aguardadas da noite foi da banda Pavilhão 9, que, desde os anos 90, traz em sua trajetória uma mistura inconfundível de Rap e Rock, com letras de protesto. Ao longo de sua história, a banda acumulou diversas parcerias com grandes nomes de vários gêneros. O público estava animado para ver Rhossi, o vocalista fundador, e sua trupe. Era evidente a expectativa da plateia; todos ali queriam testemunhar o Pavilhão 9 — nome que faz referência a uma torcida organizada do time de futebol Corinthians — e seu Rap com letras afiadas, complementado por solos de guitarra.

Usando uma máscara de ferro, o vocalista deixou claro, logo nas primeiras músicas, que não haveria espaço para conversas paralelas. Com uma mistura de letras politizadas, guitarra, baixo, bateria e um DJ, não demorou para que a galera se animasse e participasse ativamente do momento.

A apresentação foi especial. No palco, além dos músicos Rhossi (vocal), Beto Braz (baixo), Leco Canali (bateria), DJ MF e Doze (vocal), que tem acompanhado as raras apresentações da banda, estavam também dois ex-integrantes: o guitarrista Blindado e o respeitado baterista Fernando Schaefer (ex-Korzus), que trouxeram ainda mais força e um sentimento de nostalgia aos fãs.

O setlist, repleto de sucessos consagrados, incluía músicas como "Grito de Liberdade", "Acredita Não Dúvida" e "Vai Explodir", mostrando por que o Pavilhão 9 é uma referência quando o assunto é colocar o dedo na "ferida".






Ratos de Porão mostrando o porquê é considerado uma das maiores bandas punk/hardcore do Brasil

Ir a um festival que tem Ratos de Porão no line-up é ter a certeza de que teremos ótimos momentos com João Gordo, Jão, Boka e Juninho, com seus pulos incríveis. Cada dia mais ativa, a banda paulistana nunca decepciona, seja pela animação, pelos clássicos do setlist ou pelas letras politizadas entoadas não só pelo vocalista João Gordo, mas também pelos fãs presentes no local. E na sexta-feira não foi diferente: subindo ao palco às 23h55, sem pedir licença, já iniciaram com “Ódio”, seguido de “Anarcofobia” e “Amazônia”. Nunca mais sabíamos o que esperar; foi um show para ninguém botar defeito!

Casa cheia, público pronto para o caos que se transformava em mosh e vozes ecoando por toda a Audio. Não havia ninguém parado ou com sono, apesar do horário. Ao contrário, a cada música a resposta era imediata, confirmando o efeito Ratos de Porão. O setlist, lotado de clássicos como “Sofrer”, “Juventude Perdida”, “Alerta Antifascista”, “Crucificados pelo Sistema”, “Beber até Morrer” e com uma breve introdução de 'Bolsonaro na Cadeia', "Aids, Pop e “Repressão” deixou o clima fervendo para os anfitriões. João Gordo fazia paradas estratégicas para respirar, e quem estava na pista aproveitava para também recuperar o fôlego.

É impressionante o poder e a potência que o Ratos de Porão apresenta em seus shows. Para públicos de diversas faixas etárias, não há quem fique atônito ou quieto diante dos quatro músicos. O show do Ratos terminou às 00h45, e você acha que havia alguém desanimado, fraco ou inconsistente? Não! Estavam todos preparadíssimos para o último show da noite...



E veio aí eles... MATANZA RITUAL!

Nem mesmo o atraso de 25 minutos (com início às 1h25 da manhã) foi capaz de desanimar os fãs da banda, que entoavam com empolgação a icônica frase: "Hey Jimmy...". A ansiedade tomava conta de cada canto do local, assim como o público — o espaço do mosh já estava garantido e a animação, em nível máximo. Tinham os fãs veteranos, os +30, mas também muita gente nova, uma geração estreante no festival, que reacendia a energia dos mais antigos.

Quando as cortinas se abriram, o clima já era de pura expectativa. No palco, Antônio Araújo (guitarra), Amílcar Christófaro (bateria) e Renan Campos (baixo, substituindo Felipe Andreoli, ausente por compromissos com o Angra) já estavam a postos, aguardando o momento de explosão: a entrada de Jimmy London, a voz inconfundível do Matanza Ritual. E foi só ele pisar no palco que o público foi ao delírio. A noite começou com “Paciente Secreto”, do recém-lançado álbum A Vingança É Meu Motor, e mesmo sendo uma faixa nova, a galera já estava cantando junto como se fosse clássico.

Mas claro, o que a maioria esperava eram os hinos. E eles vieram, um atrás do outro: “Meio Psicopata”, “Remédios Demais” e “A Arte do Insulto” ecoavam pelos quatro cantos. Jimmy não parava um segundo sequer — a mesma energia que eu vi há 10 anos em outro Matanza Fest estava ali de novo, intacta. A plateia respondia à altura, em gritos e refrões cantados com a alma. Era impossível ficar parado — uma chuva de clássicos embalava a madrugada de sexta para sábado.

Com um setlist de 30 músicas, o Matanza Ritual entregou uma performance memorável, reunindo os maiores sucessos da banda, brincando com frases emblemáticas e revivendo o espírito dos antigos, insanos e inesquecíveis Matanza Fests. Às 2h da manhã, ninguém queria saber de parar — era caos completo na Áudio, do jeitinho que a gente gosta.

E aí veio “Tempo Ruim”. E como sempre, todos cantando em uníssono. Um dos maiores sucessos da banda, e, segundo Jimmy, sua música preferida — com razão. Logo depois, o caos voltou com força total com “Lei do Esforço Mínimo”, uma das novidades do novo disco. O público aproveitou a sequência seguinte, com “Melhor Sem Você” (rara nos shows), “Mulher Diabo” (que teve um probleminha técnico na guitarra) e “Nascido num Dia de Azar”, pra dar uma respirada e abastecer o copo.

Mas a trégua durou pouco. Quando chegou “Todo Ódio da Vingança de Jack Búffalo Head”, o que já era insano virou um pandemônio — o mosh cresceu, o público enlouqueceu, e a energia parecia infinita. Tinha de tudo no meio da roda: veteranos, novatos, mulheres, homens e até um Goku (!) pulando no meio do caos. Já passava das 3h da manhã e, sinceramente, se deixassem, o show só acabaria lá pelas 5h.

Quem esteve lá viveu um momento único: a prova de que o Matanza Ritual segue forte, com um público fiel, vibrante e apaixonado. O chamado não vem só do bar — vem do palco, da voz de Jimmy London, e ainda faz muito, muito barulho.

Vida longa ao Matanza Ritual.






Texto & Fotos: Raíssa Correa

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Top Link Music


Allen Key – setlist:

Granted

Straw House

Death from above

Easy Prey

Get in line

The Last Rhino


Pavilhão 9 – setlist:

Grito de Liberdade

Tudo por Dinheiro

Trabalhador

Trilha do Futuro

Acredita Não Dúvida

Lockdown

Lados Opostos

Opalão Preto

Vai Explodir

Execução Sumária

Reação

Mandando Bronca.


Ratos de Porão – setlist:

Ódio

Anarcofobia

Amazônia Nunca Mais

Sofrer

SOS País Falido

Mais

Cérebros Atômicos

Juventude Perdida

Exército de Zumbis 

Difícil de Entender

Toma Trouxa

Arranca Toco

Alerta Antifascista

Crucificados pelo Sistema

Não me Importo

Suposicollor

Beber até Morrer

Aids, Pop, Repressão

Obrigado a Obedecer


Matanza Ritual – setlist:

Paciente Secreto 

Meio Psicopata

Remédios Demais

A Arte do Insulto

Bom é Quando Faz Mal

O chamado do Bar

Eu Não Gosto de Ninguém

Tudo Errado

Carvão, Enxofre e Salitre

Assim Vamos Todos Morrer

Clube dos Canalhas

O último Bar

Maldito Hippie Sujo

Pé na porta, soco na cara

Tempo Ruim

Lei do Mínimo Esforço

A casa em frente ao Cemitério

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

Cobertura de Show: Kool Metal Fest 2024 – 11/02/2024 – Carioca Club/SP

Bandas: Vio-Lence, Exhorder, Ratos de Porão (abertura: Damn Youth, Escalpo, Cerberus Attack e Santa Muerte)

Desde o anúncio do Kool Metal Fest ano passado dizendo que seria no feriado de carnaval, muita gente se preparou para esse evento prometendo lotar o Carioca Club - tudo certo! Tanto na logística do lugar, horário e bandas, o público não perdeu oportunidade de sair de casa no primeiro encontro de thrashers de 2024 com Vio--lence, Exhorder (primeira vez no Brasil), Ratos de Porão, Damn Youth, Escalpo, Cerberus Attack e Santa Muerte.

Abertura da casa ficou por conta do thrash/crossover Santa Muerte, o trio estava apresentando prévias do seu primeiro álbum quando consegui entrar, aparentemente foi um show curto mas ouvia-se muita energia enquanto estava na fila (ouvia-se também para regularem os retornos de palco, algo que aconteceu durante o evento todo).

Em seguida, Cerberus Attack fez um repertório curto, mas uma pancada atrás da outra. O quarteto com duas guitarras liderado por Jhon França (vocal/guitarra) já tem uma estrada longa no underground, fizeram um show demolidor no festival, entretanto, os retornos de palco que não foram resolvidos na abertura com duas guitarras, saturou tudo.

O Escalpo, banda de Metal Punk aproveitou a casa ganhando público e tocou logo em seguida, faz um show consistente, direto, sem dar voltas, tudo na cara e com letras claras tratando questões sociais. Deixou o recado e marcou o evento de forma digna na íntegra.

No Damn Youth os excessos foram corrigidos (mas que voltaram depois) o quarteto teve a oportunidade para executarem o melhor som das bandas de abertura até o Vio-lence. Soltaram músicas do primeiro disco “Breathing Insanity” e focaram no lançamento “Descends into Disorder”. Aproveitaram o role em SP após o show em Santo André na sexta-feira (09/02), sábado em Americana e chegaram no Carioca Club arregaçando tudo. Realmente foi o destaque da noite com Thrash altamente técnico, marcante, postura de palco, som impecável e circle pit no set-list inteiro. É a revelação do nosso underground nordestino na linha do Violator, e os eventos daqui estão sendo um termômetro para a banda alcançar voos maiores com uma turnê sul-americana e europeia nos próximos tempos.

Em seguida, a apresentação que carrega uma frase comum pra todos que curtem os caras: “ah mano, Ratos é Ratos cara!”. É uma expressão que não deixa a desejar quando a banda se impõe sonoramente, liricamente, e o público corresponde à altura.

Em turnê do disco “Necropolítica”, assistir o Ratos de Porão é sentir que a banda não vai parar tão cedo; João Gordo colocou um vocal cuidadoso que tem lenha para mais alguns discos de estúdio, muitos shows, renovação de público, surgimento de novas bandas e contestação garantida. Transitaram por todas as fases da discografia, todos tocando em alto nível e colocando todo mundo na roda. Somente os técnicos de som pisaram na bola na guitarra do Jão numa parte do show, duplicaram a Gibson dele nas caixas de frente para o público e o som lá embaixo estava extremamente alto, atropelando os outros instrumentos. Muita gente foi para o fundo para ver se melhorava, mas não foi o que aconteceu.

O problema se estendeu no Exhorder com duas guitarras. Sendo a primeira vez no Brasil, fizeram um set-list bem curto focados no álbum de 1990, “Slaughter in the Vatican”, inclusive já abriram com esse som; apenas “Forever and Beyobd Despair” do álbum “Defectum Omnium” (2024) foi tocada. A saturação das guitarras esfriou o público que preferiu naquele momento assistir mais atentamente, bater cabeça, aplaudir, para gastar energia na última banda, porque na saideira o técnico de som não podia dar bola fora. O guitarrista Waldemar Sorychta saiu para ajustar o instrumento, tudo certo porque problemas com a guitarra acontecem, porém, fizeram uma apresentação muito honesta, bem concentrados, tudo bem executado nos instrumentais, sempre com vocalista e guitarrista Kyle Thomas agradecendo ao público.

Para fechar, Vio-lence mostrou a que veio; escalou os clássicos para garantir o show de ponta a ponta começando a festa com “Eternal Nightmare” e mantiveram a pegada até o fim. Incrível como tocaram igual aos discos de estúdio, parecia que a banda estava usando metrônomo para não sair do tempo. O vocalista Sean Killian ainda carrega o mesmo timbre, fôlego e potência após três décadas no front do microfone. A energia guardada para os caras foi refletida no público, que aproveitou da primeira à última música os mosh-pits e subidas no palco, mas que logo Sean fazia questão de empurrar de volta para pista (isso mesmo, ele empurrou todos que subiram no palco). Puxaram um cover de “California Über Alles” do Dead Kennedys com Kyle Thomas (Exhorder); fecharam com “World in a World”. Os olhos estavam voltados também para o espetacular guitarrista Phil Demmel, último show dele antes de integrar o novo projeto do Kerry King. E o som dos caras agora? Estava tudo certo!

No geral, deu para sentir o público aproveitando muito bem o feriado com as bandas fazendo sua parte nas apresentações à altura do festival, que já é tradicional em SP e está indo para outras cidades. As saturações dos instrumentos são ajustes que na passagem de som pode ser corrigido (que pelo visto não teve). Já assisti o Kool Metal Fest no Teatro Mars e foi arrebatador, porém, a estrutura do Carioca Club, que traz um espetáculo de iluminação, acomodação do público e som de primeira, infelizmente pesaram a mão na hora de regular o som das guitarras de todas as bandas (exceto Damn Youth e o Vio-lence, que foram as bandas que tiveram a melhor qualidade sonora do evento). Não foi só o público que sentiu, as bandas no palco pediram no microfone uma atenção dos técnicos. Por ser um festival, os excessos sonoros podem tirar o foco da apresentação, mas no final, as bandas conseguiram inverter e sobressaíram muito bem.


Texto: Robeto “Bertz” Oliveira

Fotos: André Tedim para o Metal na Lata

Vídeos: Loudness Vídeo Cast, Fernando Curi

Edição/Revisão: Gabriel Arruda

 

Realização: Agência Sob Controle, Loja 255 e Cospe Fogo

Mídia Press: Tedesco Comunicação & Mídia

 

Vio-Lence

Eternal Nightmare

Serial Killer

Phobophobia

Kill On Command

Calling in the Coroner

I Profit

Officer Nice

Upon Their Cross

California Über Alles (Dead Kennedys cover)

World in a World

 

Exhorder

Slaughter in the Vatican

Legions of Death

My Time

Year of the Goat

Forever and Beyond Despair

Exhorder

Desecrator

 

sábado, 4 de maio de 2019

Armageddon Metal Fest reúne 15 bandas nacionais e internacionais em Joinville





O festival Armageddon Metal Fest 2019 vai acontecer em Joinville/SC, no dia 01 de junho (sábado), no Expoville. O cast do evento reúne grandes nomes da música pesada como o Shaman, a primeira banda oficialmente confirmada; os gregos do Rotting Christ, que divulgam o novo e aclamado disco The Heretics; além de Ratos de Porão, o Saravá Metal dos cariocas do Gangrena Gasosa e o lendário grupo mineiro The Mist, que voltou recentemente a ativa.

Entre as demais atrações confirmadas está o Folk do Tuatha de Danann; o gótico anos 80 do The Secret Society, uma das grandes revelações do rock no Brasil nos últimos tempos; os equatorianos do Total Death; do Equador; o instrumental do Huey; além de Motorocker, Symmetrya, Violent Curse, Blackmass, Semblant e Flesh Grinder. A banda The Vintage Caravan, anunciada anteriormente, não integra mais o cast.



O Expoville oferece grande e confortável espaço externo e interno, enquanto que o festival terá opções de bebidas e alimentação para atender ao público. Acesse o site do parque AQUI. No total serão 15 divididas entre os palcos principais.

Hotéis nas proximidades? Veja AQUI


Ingressos
Os ingressos de meia-entrada e promocional já estão no 3º lote e custam R$ 170 (esses valores estarão em prática até o dia 31 de maio). Não há taxa de conveniência para a compra online, e os valores podem ser parcelados em até 12x. Para usufruir da entrada promocional, é obrigatório doação de 1 quilo de alimento não perecível ou de ração para gatos e cachorros.

Os ingressos estão à venda no site da Ticket Brasil, onde também é possível comprar pacotes de viagem + ingresso, para excursão saindo de Curitiba, organizada pela Mosh Travel, e também saindo de Blumenau. Nessa modalidade também há possibilidades de parcelamento.

O Armageddon Metal Fest 2019 tem realização da Mosh Productions e Metal Scream, com apoio da Opa Bier, programa Midnight Metal e rádio Mundo Livre FM.

O Armageddon Metal Fest 2019 participa do projeto #EventoAmigoPNE que proporciona a entrada gratuita de um acompanhante, na compra de um ingresso (meia/promo/inteira) junto com um PNE.

SERVIÇO
Data: 01 de junho de 2019 (sábado)
Local: Expoville (Joinville - SC)
Endereço: Rua XV de Novembro, 4315 - Glória
Horário: a partir de 14h00

Cast:
ROTTING CHRIST
SHAMAN
MOTOROCKER
TUATHA DE DANANN
RATOS DE PORÃO
GANGRENA GASOSA
THE MIST
THE SECRET SOCIETY
TOTAL DEATH

FLESH GRINDER
SEMBLANT
SYMMETRYA
BLACKMASS
HUEY
VIOLENT CURSE

Ingressos - SEM TAXA DE CONVENIÊNCIA
Pista (meia entrada - 3º lote) - R$ 170
Pista (promocional - 3º lote) - R$170 (obrigatória doação de 1KG de alimento ou ração animal)
Pista (inteira - 3º lote) - R$ 340

AMF VIP Experience (2º lote)- R$ 190,00 (ingresso + entrada antecipada no evento, às 13:00 e com direito a 2 chopp Pilsen + credencial VIP + uma edição do Fanzine Mosh + 10% de desconto na compra de itens na lojinha oficial do evento)
R$ 80,00 (excursão - saindo do centro de Curitiba, passando pelo Aeroporto Afonso Pena – com água a refrigerantes inclusos)
R$ 105 (excursão - saindo de Blumenau/SC)



Venda online CLIQUE AQUI


Apoio: Midnight Metal, Black Hole, Fanzine Mosh

Realização: Mosh Productions & Metal Scream



quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Cobertura de Show – Ratos de Porão: Celebrando o clássico “Crucificados Pelo Sistema” (19/10/15 – Bar Opinião – Porto Alegre/RS)


A noite de segunda, dia 19 de outubro, marcou uma data expressiva para os amantes da arte underground feita no Brasil. O show das bandas Ratos de Porão, realizado no bar Opinião, comemorava 30 anos de Lançamento do LP “Crucificados Pelo Sistema”. A banda contou com a mesma formação do histórico registro. A abertura do show foi da também histórica Os Replicantes, que desfilou alguns dos seus clássicos para um público ainda tímido, mas querendo entrar no espírito da coisa.

Os Replicantes fazem parte da história do punk e do hardcore brasileiro. Suas letras são inspiradas em futuros apocalípticos, festas punks, crônicas sexuais e, com a vocalista Julia Barth, alguns libelos anti-machista, o que casa bem com o estilo da banda. Fiquei chateado por não terem tocado “Astronauta” e “Sandina”, mas o Repli tem muita coisa para tocar e certamente fizeram jus ao convite de estarem juntos nessa noite de celebração do punk nacional.


Enquanto estávamos todos nos preparando para o segundo round (copa e banheiro, na correria!!) fiquei pensando que se Os Replicantes, para mim, representavam um punk meio classe média porto alegrense (suas letras são provas disso), o Ratos era pura periferia. Aquele Ratos, que junto a dezenas, centenas de outras bandas, davam a cara para bater e denunciavam as violências do cotidiano dos moradores de todas as periferias do mundo. O lançamento do LP “Crucificados Pelo Sistema” foi saudado como o primeiro do estilo na América Latina.

Certamente, antes do RAP virar o hino de toda uma geração segregada pelo capitalismo nas grandes cidades, era o punk quem dava a oportunidade para os jovens expressarem seus sentimentos e frustrações. Ouvindo algumas das canções a gente percebe que são absurdamente atuais. A polícia brasileira segue sendo uma das que mais mata no mundo, o FMI segue explorando as nações pobres do mundo e a guerra segue sendo a tônica do sistema. A história do Ratos de Porão é das mais ricas nesse cenário. Taxados de traidores do movimento desde seu primeiro álbum, eles seguiram seus instintos e são responsáveis pelos primeiros sucessos do crossover no Brasil.


Ao aproximarem-se do heavy metal criaram uma legião de fãs que estavam sedentos por velocidade, peso e crítica social, algo muito em falta no metal. De traição em traição e depois o João Gordo traiu a tudo e a todos e virou artista de TV, a banda foi em frente e conta com uma discografia de respeito nacional e internacional. As consequências disso foram vistas nessa noite.

Em torno de umas 500 pessoas no bar e seguramente a maioria trajava camisas pretas de bandas heavy: Iron, Pantera, Slayer, Metallica, Sepultura (a grande parceira do Ratos na virada dos anos 80 pros anos 90), agitavam bastante a cada porrada que a banda soltava de cima do palco. É claro que havia também os representantes legítimos do movimento punk, com suas jacas rebitadas e cabelos moicanos. Todos em uma grande confraternização, como o momento exigia.  Um cara todo suado (estropiado) sorria ao meu lado comentando que havia perdido os tênis no pogo. Outro, um guri de 19 anos, Gabriel Batista, com sua jaqueta cheia de patchs de bandas metaleiras e cabelos pela cintura bradava a importância do Ratos de Porão para a música pesada no Brasil. A rapaziada das bandas locais também deu as caras. Conversando com o Ricardo Ratão, batera da Leviaethan, ele me dizia que era o quarto show que ele assistia, além de outros 3 que participou da abertura. Não é pouca coisa. Isso demonstra a relação da banda com o público rio-grandense.


O show foi curto, intenso e divertido. O vocalista João Gordo segue sendo um carismático frontman. Particularmente eu curto muito o timbre de voz e suas rasgadas de garganta são impressionantes. Mingau (guitarra), Jabá (baixo) e Jão (bateria), formação responsável pela gravação do LP, há 30 anos, seguiram firmes no veloz hardcore da banda. Uma ratiada ou outra no início de algumas músicas deixou o clima descontraído, a galera não se importou nem um pouco.


Afinal de contas era festa e os caras merecem respeito por toda sua história. Muitos fãs das antigas estavam lá para reverenciar e relembrar, como o caso do Sergio Nos, o Aranha, que veio de Osório, de uma audiência, direto para o Opinião. Tudo para lembrar da loucura dos anos 80. Os mais jovens também não se queixaram. A Pâmela Pantera, punk de seus 18, 19 anos, nem é tão fã da banda, mas não podia perder esse encontro. Afinal, um show do Ratos de Porão em Porto Alegre é um acontecimento social!


Cobertura por: Marcelo Cougo
Fotos: Billy Valdez
Revisão/edição: Renato Sanson