segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Accept: Fase Impecável!



Em seu quarto álbum desta fase após a entrada do vocalista Mike Tornillo, a instituição do Teutonic Metal Accept entrega mais um grande álbum, recheado de riffs poderosos e aqueles refrãos grandiosos típicos. Accept é daquelas bandas que possuem sua personalidade sonora, e sem grandes surpresas, segue entregando álbuns de qualidade e com gana, coisa que infelizmente muitas bandas da mesma época perderam.

"The Rise of Chaos" a estreia de Uwe Lulis e Christopher Williams, guitarra e bateria respectivamente, que foram efetivados em 2015, após a ruptura da banda com Herman Frank e Stefan Schwarzmann, e em nada diminuiu o poder de fogo dos alemães, que está realmente sintetizado em sua maioria no trio Hoffmann/Baltes/Tornillo, sendo que pouca parcela dos fãs ainda não aceita um Accept sem Udo. Pelo título e capa, e observando os nomes da faixa já dá para perceber que, apesar de não ser conceitual, a banda abordou temas relacionados ao caos vivido pelo mundo, com a violência, terrorismo e fanatismo religioso, por exemplo.


2017 foi um grande ano para o Accept, que antes do lançamento do álbum ainda teve um espetáculo grandioso em sua terra natal, no maior festival de Metal do planeta, o Wacken, onde tocou ao lado de uma orquestra e também apresentou faixas do novo disco. "The Rise of Chaos" foi espetacularmente bem recebido pelos fãs e imprensa especializada, povoando as listas de melhores do ano de centenas de sites e revistas.

Mais uma vez sob o selo Nuclear Blast e lançado aqui via parceria com a Shinigami Records, o disco traz 10 faixas carregadas com a sua personalidade, trazendo a aura clássica aliada ao peso. As características consagradas estão sempre ali, como os riffs e solos marcantes e os coros nos refrãos. "Die by the Sword" é uma típica faixa Accept, com a guitarra de Hoffmann disparando mais um riff genial, e os tradicionais coros no refrão, o qual já gruda de imediato na mente! A faixa título, "The Rise of Chaos" é outro dos destaques, alternando peso e mudanças de andamento, onde temos trechos dessa sonoridade contemporânea do grupo, mas as características oitentistas estão ali, como nas melodias do pré-refrão.

É um álbum facilmente degustável pelo fã da banda, pois as faixas todas possuem ganchos que prendem o ouvinte. Dentre essas primeiras 5 faixas, "Hole in the Head" e "No Regrets", que seguem a linha já conhecida da banda, destacando "Koolaid", que foi apresentada no Wacken e também foi uma das primeiras a serem divulgadas no youtube, com seu andamento mais cadenciado e melodioso. A faixa fala sobre Jim Jones, fundador do culto Templo dos Povos, tristemente famoso devido ao suicídio/assassinato em massa em novembro de 1978 de 918 dos seus membros em Jonestown (Guiana), que nos faz lembrar que o fanatismo não é algo novo, e que muitos erros e mazelas se repetem desde muito.


Mas as que mais me agradaram foram as 5 faixas finais, que me soaram mais envolventes, possuindo algumas das melodias mais cativantes e marcantes do álbum, então, apesar do álbum ser muito bem equilibrado, no vinil eu começaria sempre pelo lado B! ha ha ha! Começando a segunda parte (ou lado B!heheh) com "Analog Man", tema que fala sobre a cada vez maior imersão do homem no mundo virtual, traz um andamento naquela linha "Balls to the Wall", inclusive no refrão e coros típicos! "What's Done is Done", com refrão e ritmo cativante, típico Accept clássico!

"Worlds Colliding",andamento moderado, com a guitarra de Hoffmann soando mais melodiosa e cativante, além de entregar um dos riffs mais legais do álbum e um solo de técnica e melodia; "Carry the Weight" é mais veloz, mas mantém as melodias em evidência, principalmente no refrão cativante nas linhas vocais e da guitarra; E "Race to Extinction", o que inicia mais cadenciada e dramática, com peso e melodia se alternando, sendo que a porrada pega mesmo no refrão. 

"The Rise of Chaos", se não pode ser considerado o melhor álbum desta era do grupo, no mínimo mantém a média alta, e  mostra que definitivamente encontraram um equilíbrio perfeito entre a  sonoridade clássica dos anos 80 com a fase contemporânea e mais pesada, iniciada em 2010 com "Blood of the Nations", claramente tudo fruto do entrosamento de Andy Sneap e o coração da banda, Wolf Hoffmann e Peter Baltes. Para bater a cabeça à vontade sem medo de ser feliz!

Texto/Edição: Carlos Garcia

Ficha Técnica:
Banda: Accept
Álbum: "The Rise of Chaos" 2017
País: Alemanha
Estilo: Heavy Metal
Produção: Andy Sneap
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records


Line-up:
Mike Tornillo: Vocais
Wolf Hoffmann: Guitarras
Peter Baltes: Baixo
Uwe Lulis: Guitarras

Tracklist:
01. Die by the Sword
02. Hole in the Head
03. The Rise of Chaos
04. Koolaid
05. No Regrets
06. Analog Man
07. What's Done Is Done
08. Worlds Colliding
09. Carry the Weight
10. Race to Extinction

     

     

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

The Charm the Fury: Amadurecimento e Busca Por Sua Identidade



Em 2017, o grupo holandês de metalcore The Charm The Fury lançou o álbum "The Sick, Dumb & Happy", disponibilizado no Brasil pela Shinigami Records.

Com influências de Pantera e Metallica, a banda se destaca pelos excelentes vocais de Caroline Westendorp. O álbum inicia com a empolgante “Down on the Ropes”, logo de cara me espantei com os riffs pesados, combinados com os guturais agressivos de Caroline. Destaque para “Echoes”, com o grudento refrão de vocais limpos. 

A excelente “Weaponized” mistura Groove com Metalcore. Em “No End in Sight”, a banda mostra a que veio, mesclando peso, agressividade e atitude. Me viciei na poderosa “Blood and Salt”, com sua pegada mais Doom. Ouvindo algumas vezes o álbum, me pareceu que a banda ainda está em busca de sua identidade musical, não que isso seja ruim, afinal “The Sick, The Dumb & Happy” mostra amadurecimento nas composições comparado ao mediano primeiro álbum  "A Shade of My Former Self”. “Corner Office Maniac” é um intervalo que nos prepara para a porrada de “The Future Need Us Not”, aqui os vocais de Caroline são ao mesmo tempo agressivos e envolventes.


A bela balada “Silent War” quebra um pouco o clima agressivo do álbum, mas não se iluda, a agressividade volta com tudo em “Songs of Obscenity”, com a ousadia vocal de Westendorp se destacando mais uma vez. Se eu tivesse que indicar apenas uma música para alguém que ainda não conhece a banda eu diria para começar ouvindo “Break and Dominate”,  com o incrível trabalho da dupla de guitarras aliado à vibração da bateria. Resumindo, “The Sick, The Dumb & Happy” é um álbum moderno, criativo e diversificado. 

Se você não teve interesse em ouvir por não ter gostado do álbum de estréia, esqueça do trabalho anterior, este disco não é mais do mesmo. 

Texto: Raquel de Avelar
Revisão e Edição: Carlos Garcia

Ficha Técnica:
Banda: The Charm the Fury
Álbum: The Sick, Dumb and Happy - 2017
País: Holanda
Estilo: Alternative Metal
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records

Adquira o álbum na Shinigami

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Tracklist:
1. Down On The Ropes
2. Echoes
3. Weaponized
4. No End In Sight
5. Blood And Salt
6. Corner Office Maniacs
7. The Future Need Us Not
8. Silent War
9. The Hell In Me
10. Songs Of Obscenity
11. Break And Dominate


quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

WildeStarr: Em Seu Álbum Mais Completo e Emocional

 

"Beyond the Rain" é o terceiro álbum da banda formada em 2003 por estas duas lendas do American Metal, o guitarrista/baixista Dave Starr (baixista da formação clássica do Vicious Rumours) e a vocalista, tecladista e produtora London Wilde (conhecida por seus trabalhos de estúdio pra nomes como Chastain), e completa o power-trio o baterista Josh Foster.

Dave Starr depois de ter vencido a batalha contra o vício em álcool, tratou de focar em uma carreira com sua própria banda, e começou a também tocar guitarra, tornando-se rapidamente num exímio riffmaker, além de também um bom solista. A entrada de London Wilde na jogada foi quando Dave comentou com esta sobre as músicas que estava compondo, London gostou do que ouviu, e além de produzir, se tornou a vocalista do projeto, batizado com a junção dos nomes dos dois, que também são casados desde 2001.


São dois álbuns que antecedem "Beyond the Rain", "Arrival" (2009) e "A Tell Tale Heart" (2012), ambos muito bem recebidos pela crítica e fãs. O Heavy Metal típico Norte Americano praticado pelo trio, que se caracteriza por doses maiores de peso que o Heavy Metal Europeu - e podemos citar aí o próprio Vicious Rumours, Metal Church e Iced Earth, tem uma produção bem cuidada, destacando as camas de guitarra e rifferama de Dave ao vocais altos e melodiosos de London, que segue a tradição dos grande cantores do estilo, como Dio e Halford.

A cada lançamento o WildeStarr apresenta evolução, e o diferencial em "Beyond the Rain", e que o faz evoluir passos em relação aos anteriores, é o entrosamento cada vez mais perfeito entre o trio e também o fato de ser um álbum mais emocional, trazendo Dave ainda mais infernal em seu trabalho nas guitarras e London muito inspirada. Algo que certamente contribuiu é o fato dos temas terem sido inspirados em uma traumática experiência familiar.


Facilmente percebemos as qualidade de "Beyond the Rain" em destaques como "When the Night Falls", que foi a primeira faixa apresentada, trazendo grandes riffs e melodias, principalmente no excelente refrão, daquele tipo de música que você ouve e já cola na mente! "Down Cold", tema cadenciado e melodioso, com muita dramaticidade, sendo que as melodias da guitarra, teclado ao fundo e os vocais de London é que ditam o tom! E que vocais nesta canção!Preste atenção tanbém no solo cheio de feeling de Dave; O peso inicial dos riffs de "Double Red", que contagia pelas melodias vocais e por trechos mais melodiosos que se seguem, resultando em um Hard/Heavy que lembra a veia 80's, algo natural para a dupla.

A cadenciada e emocional "Crimson Fifths" é uma Heavy Ballad, com vocais emocionais, mas com pegada e camas de guitarra densas; e claro, a faixa título "Beyond the Rain", com seu poderoso riff inicial e principal, seguindo por variações que vão ao mais melódico Hard/Heavy, sobressaindo-se aí os vocais emocionais de London, que hora soa suave, hora alcança notas altíssimas. Dave capricha nas guitarras, alternando riffs de puro peso com bases cheias e melodiosas, sempre apoiados pela pegada e técnica de Josh.


Mais um grande trabalho da dupla Dave Starr e London Wilde, mostrando toda sua experiência de anos na estrada. 10 faixas de Heavy Metal carregado de riffs e bases poderosas, cozinha trovejante e vocais que saem do âmago, além de  melodias e refrãos marcantes, elementos imprescindíveis ao estilo, coisas que parecem tão simples, mas é preciso experiência, percepção e feeling dos músicos para que isso se concretize em música de qualidade. Com certeza um dos melhores álbuns de Metal de 2017.

Texto: Carlos Garcia

Ficha Técnica:
Banda: WildeStarr
Álbum: "Beyond the Rain" (2017)
País: USA
Estilo: Heavy Metal, American Heavy Metal
Selo: Scarlet Records



Line-Up:
London Wilde: Vocais e Teclados
Dave Starr: Guitarras e baixo
Josh Foster: Bateria

Tracklist:
01. Metamorphose
02. Beyond The Rain
03. Pressing The Wires
04. Red
05. Down Cold
06. Rage And Water
07. Crimson Fifths
08. Undersold
09. From Shadow
10. When The Night Falls

     

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Melhores 2017 na Opinião dos Redatores do Road to Metal




Para não perder a tradição após findado mais um ciclo, onde sites, revistas virtuais ou físicas, blogs, fan pages, apresentam suas votações e listagens de "Melhores do Ano", trazemos a nossa matéria, que aguardamos até esta segunda quinzena de janeiro, para fazermos um levantamento mais apurado de todo o 2017, e uma escolha com calma, e até porque muitos bons lançamentos acabam saindo no final do ano, assim como também abrimos espaço para álbuns que saíram ao final do ano anterior.

Em cada listagem dos colaboradores que participaram você irá notar seus gostos pessoais dentro do Metal, pendendo para este ou aquele sub-gênero, pois tentamos valorizar bastante essa diversidade de opiniões, buscando distribuir as matérias com o colaborador que mais se identifica ou tem uma afinidade e conhecimento maior de cada estilo, a fim de apresentarmos uma resenha, matéria ou entrevista mais condizente, justa e informativa. Mas dentro disso tudo,  com certeza alguns títulos vão se repetir em algumas das listas.

2017 foi um ano interessante, com algumas bandas nacionais lançando álbuns novos, inclusive com distribuição no exterior, como é caso de nomes consagrados como Sepultura, e também Cavalera Cospiracy, além de Noturnall, Dark Avenger e Freaky Jelly, que tiveram seus álbuns lançados lá fora pelo selo italiano Rockshots Records. Caminhos se abrindo ao Metal nacional. Foi muito bom também ver a quantidade de lançamentos por aqui, mesmo em tempos de crise financeira e política, com selos como a Shinigami Records e Hellion Records, por exemplo, lançando uma boa quantidade de títulos, licenciando lançamentos dos principais selos mundiais, além de, no caso da Shinigami, distribuindo também muitos trabalhos de bandas brasileiras.

No campo geral, alguns veteranos dos anos 70 como Deep Purple (que pode ter lançado o seu último trabalho de estúdio) e Alice Cooper também apresentaram ótimos álbuns, assim como o pessoal dos anos 80, e podemos citar o Accept, que segue impecável na era Tornillo, e ainda fez um grande espetáculo no Wacken. O circuíto independente também segue com coragem e perseverança, com muitas bandas lançando seus trabalhos auto-financiados ou com ajuda de crowdfundings. 2018 começa interessante, e com certeza um dos mais esperados lançamentos é "Fire Power", do Judas Priest e com certeza "Omni", do Angra, também é cercado de expectativa. 

Sem mais delongas, segue a nossa matéria trazendo os melhores do ano segundo a opinião dos colaboradores do Road to Metal, cada um listando 20 álbuns, sem distinção de "nacional" e "internacional".


Gabriel Arruda (redator)

Eclipse - Monumentum
Dark Avenger - The Beloved Bones: Hell
Noturnall - 9
Kreator - Gods Of Violence
Sepultura - Machine Messiah
Revolutions Saints - Light In The Dark
Deep Purple - InFinite
Art Of Anarchy - The Madness
Iced Earth - Incorruptible
Adrenaline Mob - We The People 
Tales From The Porn - H.M.M.V
Pop Javali - Resilient
La Raza - Bem Vindos a La Raza
Torture Squad - Far Beyond Existence
Nervochaos - Nyctophilia
Body Count - Bloodlust



Marcello Camargo (redator)

Motörhead – Under Cöver 
Lifeless – The Occult Mastery 
Azarath – In Extremis 
Immolation – The Atonement 
Havukruunu - Kelle Surut Soi 
Sinister – Syncretism 
Cavalera Conspiracy –Psychosis 
Bloodwork – Feed on the Dead 
Patria – Magna Adversia 
Memoriam – For the Fallen 
Entrails – World Inferno 
Ex Dementia – Crack The Coffin 
Pillorian – Obsidian Arc 
Broken Hope - Mutilated and Assimilated 
Solstafir – Berdreyminn 
Danheim – Munarvagr 
Incantation – Profane Nexus 




Raquel de Avelar (redatora)

Cellar Darling - This is the sound
The Birthday Massacre - Under your Spell
Battle Beast - Bringer of Pain
Arch Enemy - Will to Power
Xandria - Theater of Dimensions
Exit Eden - Rhapsodies In Black
Liv Sin - Follow Me
Amberian Dawn - Darkness of Eternity



VUUR - In This Moment We Are Free - Cities
Ayreon - The Source
Edenbridge - The Great Momentum
The Dark Element - The Dark Element
Secret Rule - The Key to the World
Linkin Park - One More Light
Evanescense - Synthesis
Tarja - From Spirits and Ghosts




Carlos Garcia (Editor/Redator)

Deep Purple - InFinite
Ayreon - The Source
Vuur - In This Moment We Are Free - Cities
Dark Avenger - The Beloved Bones: Hell
Accept - The Rise of Chaos
Scherer/Batten: Battlezone
WildeStarr - Beyond the Rain
Alice Cooper - Paranormal
Pastore - Phenix Rising
Boulevard - IV Luminescence
The Night Flight Orchestra - Amber Galactic
Avatarium - Hurricanes and Halos
Kadavar - Rough Times
EZoo - Feeding the Best
Venom Inc - Avé
Europe - Walk the Earth
Rage - Seasons of the Black
Iced Earth - Incorruptible
Phil Lanzon - If You Think I'm Crazy
Moonspell - 1755




Renato Sanson (Editor/Redator)

Municipal Waste - Slime and Punishment
Carniça – Carniça
Metallica - Hardwired... to Self-Destruct
Cavalera Conspiracy – Psychosis
Warbringer - Woe to the Vanquished
Exorddium – Leviatã
Mess Excess – From Another World Pt 01
Wael Daou – Sand Crusader
The Night Flight Orchestra – Amber Galactic
Embrio – Karmadoom
Dust Commando – Between Chaos And Grace
The Cross – The Cross
The Unity – The Unity
Dark Avenger – The Beloved Bones
Worsis – Blinded By The System
Quintessente - Songs From Celestial Spheres
Grey Wolf – The Beginning
Ex Deo – The Immortal Wars
Nervochaos – Nyctophilia
Venom Inc. – Avé




Mais Votado entre os redatores:

Dark Avenger - "The Beloved Bones: Hell"

Leia a resenha no Road

     


     

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Killepsia: procurando o trilho correto

Resenha: Renato Sanson


As nuances progressivas são bem-vindas quando impostas com cuidado, até mesmo para não cair em um mar sem volta ou em repetições técnicas enjoativas.

O quarteto porto-alegrense Killepsia soltou no mercado em 2017 seu primeiro EP autointitulado, que traz essa mescla progressiva com outros elementos que vão além do Rock, mas sim tento misturas de MPB e Jazz.

A faixa que abre os trabalhos, “Role Model”, mostra uma perspectiva diferente, pois além de ser cantada em inglês (a única do trabalho) mostra boa variação e elementos interessantes, o que no decorrer do trabalho acaba não acontecendo, tendo um emaranhado de influencias e variações que lembram momentos de bandas como Yes e Fates Warning, mas nada que fique marcado na sua cabeça, assim como sua parte lírica e também pelas linhas vocais que não encaixam com a proposta.

A produção é satisfatória e para uma estreia está em bom nível. O que falta é um pouco mais de identidade e saber dosar esse trilho chamado Prog Metal ou Rock Progressivo.

Links:

Formação:
Ian Ge Eff - Vocais, baixo
Vicente Telles - Vocais, guitarras
Giuseppe Oppelt - Guitarras
Rafael Severo – Bateria

Tracklist:
1. Role Model
2. Bordado
3. Império
4. Incertezas

sábado, 13 de janeiro de 2018

Angra: União e Audácia! (Resenha do Novo Álbum "OMNI)



Na vida talvez o fundamento mais importante pra se manter produtivo e motivado é a união entre as pessoas, principalmente em engrenagens que precisam funcionar conjuntas, ligando convicções e ideias num elemento único, a fim de levar determinados trabalhos adiante e com sucesso. Ha sempre o risco de perder peças essenciais em uma equipe, sendo necessário acertar as novas peças para seguir ganhando. Totalmente pronto para buscar novas conquistas, mostrando-se não satisfeito pelo sublime passado, o Angra chega em mais uma nova fase em “ØMNI”, 9º lançamento da carreira da banda.
English Version

Em se tratando de uma banda com nome consolidado, muitos costumam esperar coisas semelhantes aos primeiros trabalhos até o “Temple Of Shadows” (2004). Sem desviar do que foi experimentado no passado, o exercito liderado pelo guitarrista e fundador Rafael Bittencourt (único membro original da banda) se submete a buscar a novidade, com doses de audácia, incrementando tudo o que a banda aprendeu ao longo dos seus 26 anos de carreira de maneira consciente, levando muito peso e diversas rotas progressivas em elogiosa harmonia.

O tema é conceitual, abordando histórias curtas de ficção científica, que acontecem em vários lugares no tempo simultaneamente. Uma ficção sobre um futuro, mais precisamente em 2046, onde a humanidade terá mudanças profundas causadas por uma inteligência artificial, o que possibilitará uma comunicação entre pessoas do presente e do futuro.



Mais uma vez, o quinteto foi levado para a Fascination Street Studios na Suécia para produzir o álbum com o produtor Jens Bogren, que também produziu o antecessor da banda, "Secret Garden" (2015). E a parte sonora do trabalho é cheia de qualidades vigorosas, de timbres claros, trazendo instrumental, orquestração e percussão em requintada mixagem e masterização.

A capa foi criada pelo artista americano Daniel Martin Diaz, especialista em esboços que abordam ciência e conceitos relacionados à biologia, recebendo a melhoria final de Gustavo Sazes, baseando a ilustração na parte lírica do álbum.

Digerir imediatamente "ØMNI" não é uma das aulas mais fáceis, porque cada música possui personalidades diferentes que o levam a diferentes rotas. Heavy Metal hoje tem muitas ramificações, tornando cada vez mais difícil manter um rótulo particular, mas posso dizer que a banda mistura o melhor do Prog e do Thrash Metal, sem deixar as influências da música clássica europeia, música típica brasileira e latina de lado.



E na questão de performance, a banda soa justa, partido das guitarras agressivas (Marcelo Barbosa caindo como uma luva) e da base rítmica quente, seguradas pela técnica do baixista Felipe Andreoli e da soberania de Bruno Valverde na bateria. E pra encerrar, nada mais integro do que destacar a magnifica interpretação de voz do mago Fabio Lione, que vem consolidando de vez sua permanência no grupo, onde se sente cada vez mais a vontade diante da proposta da banda.

As honras de abertura da bolacha são com “Light Of Transcendence”, a qual reflete o caráter único do Angra, realçado por um Speed Metal rápido, melodioso, mas com dose extra de peso nas guitarras, colorida também por elementos orquestrais; “Travelers Of Time” traz traços de música brasileira logo de começo, posicionado ponte e refrão em equilíbrio, seguido de nuances progressivas, sinfônicas e modernas, traz também bastante peso nas guitarras; “Black Widow’s Web” avança em um andamento em meio tempo, externando numa destra pegada rítmica e riffs cerrados, tornando-se estrondosos quando chega o refrão. Nela temos as participações das cantoras Alissa White-Gluz (Arch Enemy) – dividindo os seus vocais urrados em dueto com o Lione – e da brasileira Sandy, que inicia e termina a música modulando versos cristalinos.

“Insania” impacta logo de início por seus épicos corais, brindado-nos também com um refrão marcante e grudento. Marcada também pelas guitarras cadenciadas e as variantes levadas de bateria; “The Bottom Of My Soul” liga a elegância do Folk Metal com a carga das guitarras e solos envolventes, ocupada pela agradável voz de Rafael Bittencourt, que a cada dia vem evoluindo como vocalista.


“War Horns” é outra que apresenta ações abundantemente rápidas, usufruindo de fartas variações de tempo, ganhando o reforço de Kiko Loureiro, que esteve na linha de frente da banda por muitos anos, agora um convidado, nos solos; “Caveman” se desenha com substâncias de música brasileira, advindo de um clamoroso ritual, congeminando esses recursos em atmosferas suaves e únicas; “Magic Mirror” particiona timbres que ora são climatizantes e densos, seduzindo pelas transformações líricas do Lione, passando por vocais melódicos aos agressivos; o ar de graça vem à tona em “Always More”, a única balada do disco, permeada por cativantes harmonias doces e românticas.

A faixa título, “ØMNI” ("todas as coisas", em latim, um título simboliza a verdade universal de que tudo que aconteceu, leva ao que a banda é hoje) é dividida em duas partes. A primeira é para a longa peça “Silence Inside”, juntando múltiplos arranjos no que diz respeito à musicalidade da banda, partindo de grandes orquestrações e esmeras linhas de música latina, em perfeita coesão com o lado progressivo dos cinco integrantes. Lione e Rafael se alternam, dando um show de feeling nos vocais. E pra encerrar, “Infinite Nothing” resume todo o disco com lindos arranjos de cordas e orquestrações. Os fãs de “Temple Of Shadows” vão entender o que estou falando.

“ØMNI” mostra que o Angra passa por outro momento positivo de sua carreira, onde as coisas tendem a ficar cada vez melhores se eles manterem essa essência, união e força, independente de quem esteja integrando a banda.

Esperem muitas emoções e surpresas!

Texto: Gabriel Arruda
Edição/Revisão/informações adicionais: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Angra
Álbum: “ØMNI”
Ano: 2018  - data prevista de lançamento 16 de fevereiro
Estilo: Power/Progressive Metal
Gravadora: Shinigami Records (Nac.)/Ear-Music (Imp.)
Assessoria de Imprensa: Hoffman & O’ Brian


Formação:
Fabio Lione (Vocal)
Marcelo Barbosa (Guitarra)
Rafael Bittencourt (Guitarra/Vocal)
Felipe Andreoli (Baixo)
Bruno Valverde (Bateria)

Track-List
1.    Light of Transcendence
2.    Travelers of Time
3.    Black Widow’s Web (feat. Alissa White-Gluz & Sandy)
4.    Insania
5.    The Bottom of My Soul
6.    War Horns (feat. Kiko Loureiro)
7.    Caveman
8.    Magic Mirror
9.    Always More
10. ØMNI – Silence Inside
11. ØMNI – Infinite Nothing



     


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