terça-feira, 10 de junho de 2025

Cobertura de Show: Carcass – 15/05/2025 – Carioca Club/SP

Que o mês de maio foi uma loucura para o metaleiro paulistano todos nos sabemos. Com muitos ainda se recuperando do absurdo que foi abril, que trouxe o Monsters of Rock, maio não ficou para trás, começando com os pés na porta, três dias de Bangers Open Air pós feriado, aí na semana seguinte simplesmente o retorno do System of a Down (além do Upfront Fest para os punks), respirar naquele mês estava difícil. Imediatamente após a aula de show que os armênio-americanos proferiram no autódromo de Interlagos, presenciaríamos mais uma aula, mas deste vez, de metal extremo, pois os lendários britânicos do Carcass estariam passando por São Paulo em uma quinta feira à noite, pouco mais de um ano depois de sua apresentação no Summer Breeze Open Air.

Chegando no Carioca Club, a casa estava bem mais cheia do que o esperado, considerando que era quinta, a quantidade insana de shows que rolaram na mesma época e tinham anunciado a apresentação apenas no final de março, os fãs haviam aparecido em peso, a fila dobrava a rua. Tudo isso não era à toa, visto que os outros garotos de Liverpool tem uma história extensa, tanto aqui no Brasil, quanto no metal no geral, totalizando 10 apresentações em nossas terras e sendo conhecidos como os inventores do goregrind e grande influência para o mundo do death metal melódico. Como sempre, deixo aqui meus parabéns à produção da Overload, que há anos vem trazendo eventos extremamente pontuais e organizados, e desta vez, não foi diferente.

O quarteto assumiu o palco (adornado com uma  faca do lado esquerdo e um garfo do direito) pontualmente às 20:30, e com precisão cirúrgica, Bill Steer tocou os acordes iniciais de “Unfit for Human Consumption”, faixa de seu álbum de retorno, “Surgical Steel”, que desde seu lançamento, nunca saiu do repertório dos shows. Uma roda punk de tamanho considerável dominou o meio da pista desde os primeiros segundos, e simplesmente não parou. Seguiram logo com “Buried Dreams”, uma das joias da coroa do brilhante “Heartwork”, que logo no primeiro riff já praticamente enfartou os fãs. Indo contra os padrões do death metal, o mestre Jeff Walker até conseguiu levar o público a bater palmas no ritmo; estava com a galera realmente na palma da mão. Mostrando as habilidades de Dan Wilding com as baquetas, veio “Kelly’s Meat Emporium”, primeira representante do seu trabalho mais recente, “Torn Arteries” (2021), introduzida com uma virada estonteante.

Pularem de era em era, trazendo “Incarnated Solvent Abuse”, de seu terceiro álbum, lançado 30 anos antes do mais recente. Vale ressaltar que independente da era da banda, o som sempre foi dinâmico, apresentando a mescla de peso e brutalidade que tornou os uma das maiores lendas do metal, e ao vivo, isto transparecia perfeitamente, o peso dos riffs era absurdo, mas Bull Steer também tinha uma finesse incrível nos solos, estavam realmente dando aulas de metal. “Heartwork” voltou com “No Love Lost”, e figurou novamente no bloco seguinte, quando juntaram “Tomorrow Belongs to Nobody” e “Death Certificate” em versões reduzidas, uma atrás da outra. “Dance of Ixtab” viu o retorno das palminhas, mas a energia era tanta que até rolaram alguns crowdsurfs. 

A casa não era das maiores, mas os fãs estavam usufruindo de cada milímetro do Carioca Club, como em “Keep on Rotting in the Free World”, emendada com “Black Star”, onde boa parte dos fãs pularam juntos, fazendo o bairro de pinheiros tremer.A interação direta com o público era pouca, não falavam entre uma música e outra, mas a conexão entre público e banda era mais que evidente, como ocorreu logo após “Rotting” com a casa dominada por gritos de “Carcass, Carcass, Carcass”. Jeff retribuiu arriscando um “obrigado”, rapidamente voltando ao inglês com um “how are you doing”, justificando que seu português era muito ruim. A nostalgia veio forte com a sequência da instrumental “Genital Grinder” com a clássica “Pyosisified (Rotten to the Gore)”, as duas vindas de seu disco de estreia, “Reek of Putrefaction”. 

“Pyosisified” também foi lançada como parte do EP “Tools of the Trade” 4 anos depois, ao lado da já contemplada “Incarnated”, que com a faixa-título compunham o lado A, além dela e “Hepatic Tissue Fermentation II” do lado oposto. Depois dos últimos acordes de “Tools”, a entrada sinistra de “The Scythe’s Remorseless Swing”, um dos destaques do último LP. Vale destacar o trabalho que fizeram com o fundo do palco, que estava adornado com um backdrop fino de uma caixa torácica, e em certas músicas, no telão aparecia o coração da capa de “Torn Arteries” justamente onde estaria posicionado um coração no corpo humano, e a iluminação era feita de um jeito que aparecesse o backdrop também. Fica difícil de explicar, mas na hora estava incrível. Fora isso, a iluminação era inconsistente, sendo difícil de ver a banda em certos momentos, mas nada que detraísse da experiência do show no geral.

Este bloco do show foi concluído com uma trinca de peso, simplesmente a pesadíssima “316L Grade Surgical Steel”, executada com precisão esperadamente cirúrgica, “This Mortal Coil”, praticamente um Iron Maiden em versão metal extremo, fechando com uma das mais icônicas da primeira fase da banda, “Corporal Jigsaw Quandary”. Antes de iniciar esta última, Walker jogou algumas águas para o público, provavelmente após flashbacks do que aconteceu com ele no Summer Breeze do ano passado. Para os que não lembram, pelo calor, o vocalista passou mal, e teve que fazer boa parte do show com um pacote de gelo em sua cabeça. Assim que desceram do palco, o público voltou a gritar o nome deles - havia passado aproximadamente uma hora e 10 de show, mas não havia nenhum sinal de cansaço. O “Carcass, Carcass, Carcass” rapidamente virou “olê, olê olê olê, Car-cass, Car-cass”, e atendendo aos pedidos de muitos, Walker ressurgiu, perguntando se queriam ouvir mais uma música.

Puxando o resto da banda, voltaram em definitivo para o palco, e Walker relatou que mesmo tendo viajado para um lugar há mais de 3 mil milhas de distância, ele estava se divertindo demais. “Querem uma música mais devagar, vamos fazer uma mais devagar.” Se “Captive Bolt Pistol” é devagar, não sei em que velocidade toca uma banda de doom metal, pois captive é vertiginosa, dando aquela sensação de ser atropelado por um trem. Se os corações já não estavam batendo mais fortes, seria com a última sequência que pulariam para fora do corpo de cada um dos fãs de lá, trouxeram um pouco da “old shit” com “Ruptured em Purulence”, que se assemelha a sensação de fazer wakeboard no chão de asfalto com a testa e simplesmente “Heartwork”. Quando aquele riff ecoou pelo sistema de PA do Carioca, parecia que São Paulo iria entrar em erupção, foi um momento de euforia pura. O público cantava cada nota da melodia a plenos pulmões, em uníssono, era algo grandioso, épico. Terminado o momento de catarse, soltaram um “we, Carcass, love you so much, make some fucking noise”, enquanto executavam o final de “Carneous Cacophony”, e foi ao som de “Have a Cigar” do Pink Floyd pelos alto-falantes que desceram do palco.

Não é todo dia que temos a oportunidade de ver uma das bandas mais influentes do metal extremo em uma casa intimista em uma quinta-feira à noite, especialmente fazendo um show praticamente impecável, como foi o caso da aula que os britânicos proferiram naquele dia 15. Quem viu, quem esteve presente, certamente não esquecerá desta apresentação, enquanto quem não foi, perdeu uma performance histórica. Agora, esperamos que o retorno deles seja em um final de semana, algo um pouco mais digno.



Fotos: Leandro Almeida (Rock Brigade)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Overload



Carcass – setlist:

Unfit for Human Consumption

Buried Dreams

Kelly’s Meat Emporium

Incarnated Solvent Abuse

No Love Lost

Tomorrow Belongs to Nobody/Death Certificate

Dance of Ixtab

Black Star/Keep on Rotting in the Free World

Genital Grinder

Pyosisified (Rotten to the Gore)

Tools of the Trade

The Scythe’s Remorseless Swing

316L Grade Surgical Steel

This Mortal Coil

Corporal Jigsaw Quandary

Bis

Captive Bolt Pistol

Ruptured in Purulence/Heartwork

Carneous Cacophony (final)

sábado, 7 de junho de 2025

Cobertura de Show: Tarja Turunen – 24/05/2025 – Tokio Marine Hall/SP

Sábado, 24 de maio, foi marcado por uma noite cheia de surpresas na vinda de Tarja Turunen e Marko Hietala a São Paulo em sua turnê no Brasil. E quando falamos de surpresas, não é eufemismo, começando pela banda de abertura Madzilla, vinda de Las Vegas que nos trouxe um show pra cima, melódico e com a apresentação de sua nova guitarrista e de um arriscado português demonstrando seu respeito ao público brasileiro.




Infelizmente, ao final da abertura, tivemos a notícia de que Marko Hietala não poderia fazer seu show acústico devido a problemas médicos, mas quem decidiu desistir do show e receber o reembolso não esperava que Marko iria se recuperar a ponto de conseguir subir ao palco ao lado de Tarja na parte final e encerramento de seu show.

Tarja subiu ao palco junto a sua orquestra impecável fazendo o público vibrar com seu vocal potente e sua simpatia, sem falar de sua beleza impactante e sua desenvoltura em cima do palco relembrando clássicos de sua carreira solo. 

Para quem vêm acompanhando seus shows ao Brasil, já sabe que Tarja fez uma homenagem a Rita Lee cantando seu grande sucesso Ovelha negra, mas o que não estávamos esperando era a participação de seu amigo, Kiko loureiro, o que deixou fez o chão do Tokio Marine Hall tremer. Importante lembrar que Kiko Loureiro, já considerado um dos melhores guitarristas do mundo estará no mesmo palco no dia 7 de junho.

Após esse dueto Tarja volta ao seu show e o que todos esperavam aconteceu, Marco entra ao palco para fazer sua participação e nos surpreende cantando boa parte do show, incluindo sucessos do Nightwish da época em que estavam juntos na primeira formação.

Tarja encerra seu show com um dos seus maiores sucessos da carreira solo I Walk Alone e com um discurso emocionante se despedindo da sua turnê e de São Paulo. Não precisamos dizer o quanto tudo foi incrível, a orquestra, músicos, os duetos, mas nada próximo a luz e força que Tarja Turunen nos trouxe nesta noite.


Texto: Cristina De Mouras

Fotos: Rogério Talarico

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Top Link Music


Tarja Turunen – setlist: 

Eye of the Storm

In for a Kill

Undertaker

Sing for Me

Deliverance

Demons in You

Victim of Ritual

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Acústico

Ovelha Negra (Rita Lee cover) (com Kiko Loureiro)

The Crying Moon / Feel for You / Eagle Eye (com Marko Hietala)

Higher Than Hope (com Marko Hietala)

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Left on Mars (com Marko Hietala)

Slaying the Dreamer (com Marko Hietala)

Silent Masquerade (com Marko Hietala)

Wishmaster (com Marko Hietala)

I Walk Alone

Bis

Dead Promises

Wish I Had an Angel (com Marko Hietala)

Until My Last Breath

quarta-feira, 4 de junho de 2025

Cobertura de Show: Buzzcocks – 24/05/2025 – Carioca Club/SP

Na noite de 24 de maio de 2025, o Carioca Club, em São Paulo, recebia um show de peso: Buzzcocks. O público lotou a casa para assistir ao retorno triunfal dos veteranos britânicos em uma apresentação histórica que reafirmou o legado da banda no gênero.

Antes do show principal, o palco foi dominado por duas representantes brasileiras e autorais de peso: Excluídos e Sweet Suburbia, que deram início à noite com energia e atitude, mostrando que o punk nacional segue vivo e pulsante.

Sweet Suburbia

O Sweet Suburbia trouxe uma fusão de melodia e rebeldia, apresentando composições que remetem ao pop punk dos anos 90. A banda demonstrou entrosamento e presença de palco, conquistando a plateia com sua energia contagiante. Com uma performance segura, o Sweet Suburbia provou ser mais que uma banda de abertura: foi um dos pontos altos da noite, deixando claro que o punk feito no Brasil pode sim dialogar com o melhor da escola britânica – com muita personalidade própria.

Excluídos

O grupo trouxe um repertório direto, combativo e carregado de crítica social – marca registrada de sua trajetória no cenário underground, visto que eles estão na cena desde 1998. A banda trouxe um set recheado de clássicos e covers bem conhecidos, que fizeram a galera vibrar e cantar junto do inicio ao fim. Mesmo com um set mais curto, os Excluídos deixaram sua marca. Com décadas de estrada, a banda mostrou que continua relevante, fiel às suas raízes e com munição de sobra para provocar e inspirar novas gerações.



Buzzcocks 

E após quinze anos, o Buzzcocks retorna a São Paulo. A banda britânica subiu ao palco do Carioca Club trazendo sua turnê "Buzzcocks are Coming". Em sua primeira visita ao Brasil desde 2009, a banda de Manchester foi recebida por uma plateia multigeracional que provou que o espírito do punk ainda pulsa com força.

Liderados por Steve Diggle, único membro remanescente da formação clássica, o Buzzcocks mostraram que continuam afiados, mesmo após quase cinco décadas de estrada. O setlist eletrizante passeou por toda a carreira do grupo, com foco nos clássicos da era de ouro do punk britânico. “What Do I Get?” e “Fast Cars” foram recebidas com gritos e punhos erguidos, enquanto o hino romântico-desesperado “Ever Fallen in Love (With Someone You Shouldn't’ve)” , que marcou e marca muitas pessoas até hoje e provavelmente para sempre. A formação atual – com Danny Farrant na bateria, Chris Remington no baixo e o reforço do guitarrista Mani Perazzoli –sustentaram o peso do legado com competência e muito entusiasmo!

Com um cenário simples, o que faltou em produção sobrou em atitude. O som direto, seco e honesto reafirmou o DNA “faça-você-mesmo” da banda que, em 1977, lançou um dos primeiros discos independentes do punk britânico.

O público respondeu com fervor desde a primeira música, cantando cada verso, formando rodas e transformando o Carioca Club em uma pequena e barulhenta caixa. Entre veteranos de camiseta surrada e jovens que descobriram a banda pela internet, o sentimento era unânime: estávamos diante de uma história viva.

Steve Diggle, no auge de seus 70 anos, deu um baile em muito músico na casa de seus 20 e poucos anos. Sempre sorrindo, falando e agradecendo sempre pelas pessoas presentes no local para vê-los, ele arrasou. Rolou até uma camisa do Santos e o público ficou completamente alvoroçado por conta disso, acredita?

E sinceramente, estamos em tempos que muitas bandas vivem de nostalgia, mas o Buzzcocks provaram que ainda há fogo de verdade sob as cinzas do passado. Não foi apenas um reencontro com os clássicos do punk, foi um lembrete de que certas músicas e certas atitudes continuam relevantes enquanto houver corações acelerados e guitarras distorcidas. Em São Paulo, naquela noite, o espírito do “do it yourself” não só sobreviveu – ele brilhou com força.

E esperamos que não demore para voltarem.


Texto: Mayara Dantas

Fotos: Raíssa Corrêa

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Agência Sob Controle | New Direction Productions

Press: Tedesco Comunicação & Mídia 


Buzzcocks – setlist:

What Do I Get?

Harmony in My Head

I Don't Mind

Everybody's Happy Nowadays

Senses Out of Control

Fast Cars

Sick City Sometimes

Isolation

Autonomy

Bad Dreams

Why Can't I Touch It?

Destination Zero

Love You More

Orgasm Addict

Manchester Rain

Bis

Love Is Lies

Promises

Why She's a Girl From the Chainstore

Just Got to Let It Go

Boredom

Chasing Rainbows

Ever Fallen in Love (With Someone You Shouldn't've)

terça-feira, 3 de junho de 2025

Ready To Be Hated: Vencendo Antes Mesmo do Jogo Começar!

Por Eduardo Okubo Junior

Para quem acha que supergrupos de rock e metal é coisa da gringa já pode tratar de mudar seus paradigmas: A Ready To Be Hated está pronta para ser adorada, ao contrário do que o nome da banda sugere.

Formado por Luis Mariutti (Angra, Shaman) no baixo, que dispensa apresentação; Thiago Bianchi (Shaman e Noturnall) nos vocais e na produção, Fernando Quesada, responsável pelas guitarras e violões e Rodrigo Oliveira (Korzus, ex-Oitão) na bateria, a banda mistura de maneira hábil e talentosa elementos musicais do Metal com sons modernos em seu álbum de estreia, uma evolução necessária para o estilo musical, criando por vezes algo realmente inovador.

Em "The One", a primeira música já começa com os dois pés na porta, bem pesada, uma bela amálgama entre Heavy Metal e Power Metal. A cozinha de Luis Mariutti e do baterista Rodrigo Oliveira é contagiante, e seguirá assim até o final do álbum. O refrão cola no ouvido; e um toque oriental (world music!) adicionado quase no fim da música dá um tempero especial.

"Something to Say" inicia com um toque moderno e quase progressivo, onde Luis Mariutti brilha novamente com sua técnica impressionante. Os solos de Fernando Quesada estão presentes na medida certa, são cheios riffs pesados e engrandecem a música.

Em "Forgettable", Rodrigo Oliveira mostra sua precisão e peso na bateria, encontrando um parceiro perfeito em Luis Mariutti. Thiago Bianchi começa a mostrar toda sua versatilidade como vocalista nesta faixa.

"The Old Becomes the New" é uma bela balada, com um solo de guitarra lindo que coroa essa bela composição.

"For the Truth!" é um dos dos destaques do álbum. Começa como uma balada, mas rapidamente estamos ouvindo um power metal moderno, acelerado e pesado. De repente, chegamos numa melodia orquestral e...Bachianas Brasileiras nº5! Lindo!

A faixa-titulo "The Game of Us" trás Thiago Bianchi fazendo gutural - uma performance incrível! Um vocalista que poderia estar facilmente mostrando seu talento em uma banda internacional, mas ainda bem que está mostrando aqui mesmo em nossas casa.

"Searching for Answers" é a minha música preferida. Ela chega a flertar com rock alternativo, com um som bem moderno, cheio de groove e uma pegada contagiante. É curta, direto ao ponto, e apostaria todas as minhas fichas para ser o cartão de visita para o sucesso internacional da banda.

"Us Against Them" de início me lembrou uma fusão de Slayer com blues - talvez loucura minha, mas é uma música com vida própria e com todos os integrantes da banda mostrando seu virtuosismo e talento. Outra das minhas faixas preferidas.

"The Great Gift of Now", a última música do álbum, tem uma introdução folk com um toque místico. Ela cresce até o final, fechando o álbum com chave de ouro.

O Ready to Be Hated é uma nova empreitada para seus integrantes - músicos já consolidados na cena do Metal nacional, que buscam iniciar um novo capítulo da musica pesada brasileira.



Rising Nymph: Opera Rock Fora da Curva

 


O preço da vanguarda pode ser o reconhecimento tardio de uma obra, mas a arte e a inovação são para os destemidos, os que se desafiam constantemente em busca de evolução e novos caminhos.

Para Alex Voorhees, vanguarda não é um campo estranho, tendo em seu currículo álbuns sempre desafiadores com o Imago Mortis, como o seminal “Vida”, e com o Dust From Misery, onde fundiram o Metal com música indiana, só para citar alguns exemplos, pois o músico e produtor não para de criar música de diversos estilos, em projetos próprios e para outros artistas, passando pelo Metal, Pop, Synth, Clássico e outros.


A mais recente obra a qual Alex Voorhees novamente buscou desafios, deixando a arte falar por si, sem temer as armadilhas do vanguardismo, é a inovadora ópera rock "RISING NYMPH". 

A Ópera Rock vem sendo desenvolvidas desde 2020, e foi concebida para abordar a urgência das mudanças climáticas, essa obra pioneira oferece uma jornada emocionante através da história de Yanisse, uma figura alegórica que se transforma em uma guardiã da natureza, unindo poderes sobrenaturais à sua existência.

Desenvolvida como o primeiro projeto de ópera rock no mundo utilizando a inteligência artificial , "RISING NYMPH" foi dividida em 12 videoclipes, os quais estão sendo disponibilizados aos poucos no canal do YouTube da cantora Julia Crystal. 

Cada um dos vídeos conta uma parte crucial da narrativa, retratando a crua realidade das adversidades ambientais.  



Os vocais de Julia Crystal foram previamente gravados, preservando sua autenticidade e organicidade. As guitarras, conduzidas com maestria por Luke Oliveira (Imago Mortis) e pelo norte-americano Warren J. Maniak, enriquecem a composição com profundidade e expressão. 

Os demais instrumentos foram cuidadosamente arranjados por Voorhees, um verdadeiro mestre das sequências MIDI e dos VSTis, garantindo uma sonoridade sofisticada e envolvente.

A parceria de Alex Voorhees e a emotiva performance da cantora Julia Crystal cria uma simbiose visceral entre música e imagens, fundindo elementos reais e CGI para oferecer uma experiência audiovisual imersiva e inesquecível. 

Rising Nymph prova que a IA pode ser usada como elemento complementar, mesmo que jamais poderá substituir a criatividade e feeling humanos, elementos os quais afloram nesta obra.



O projeto, além de entreter, busca educar e catalisar mudanças positivas na relação da sociedade com o meio ambiente.

Já estão disponíveis os seis primeiros capítulos no canal do YouTube de Julia Crystal, além de um resumo fazendo um apanhado da história até aqui, e você confere os links no final desta matéria.

Esta obra destaca o patrimônio artístico e cultural de nosso país, incorporando elementos da cultura brasileira e mundial, incluindo influências das religiões de matriz africana e
entidades folclóricas globais. 

A convergência entre inovação tecnológica e patrimônio cultural promove um diálogo transformador, estimulando reflexões sobre a sustentabilidade ambiental.


Acompanhe essa jornada única! Seja parte desse movimento que une música, arte e conscientização ambiental para um mundo mais sustentável.


Veja o que alguns jornalista e artistas já disseram sobre Rising Nymph:

Sensacional, Julia Crystal canta muito…Projeto do grandíssimo Alex Voorhees, tenho certeza que vocês vão gostar muito.” Ederson Leão (Canal YouTube Ederson Leão)

Alex Voorhees sempre mostrando sua qualidade como compositor, um artista que não se impõe limites quanto a estilos ou estéticas. Ópera Rock que traz melodias elaboradas e cativantes, nuances de música brasileira e World Music, momentos introspectivos e de peso. Acompanhem, é uma ótima surpresa.” Carlos Garcia (site Road to Metal)

Alex Voorhees é um artista fora da curva e um grandíssimo compositor.Heleno Vale (Soulspell)

"Letras interessantes com temas existenciais e crítico…encadeamentos melódicos e harmônicos inusitados para sons pesados. Os vocais estão ok quanto a expressividade e afinação, assim como a produção e mixagem. 

Gostei muito dos arranjos…embora eu preferisse analisar essa canção não isoladamente, mas no contexto todo. Certamente ganha mais força se contextualizada dentro do álbum completo.” Régis Tadeu, sobre a canção “Nobody Believes Me"



(Para fãs de Ayreon, Within Temptation, Enya, Sabrina Carpenter, Charlotte Wessel’s Phantasma, Soulspell)

Informações: 
A Moon Productions
amoonproductions@gmail.com



Texto: Caco Garcia e Alexandre Machado 






segunda-feira, 2 de junho de 2025

Marko Hietala: Provando Que Possui Cacife para uma Carreira Solo

 



Marko Hietala tornou-se um nome conhecido mundialmente com seu trabalho marcante no gigante finlandês Nightwish, mas o vocalista e baixista já tinha um respeito na cena escandinava, com a sua cultuada banda Tarot, onde sua voz de “gralha” e timbre característico, eram marca registrado. 

Tão cultuado que Tuomas, líder do Nightwish, o convidou para fazer parte do line-up, decisão acertada, tornando-o uma parte essencial da sonoridade da banda, e muitos fãs lamentam sua saída, tanto quanto a de Tarja na época do doloroso rompimento com o Nightwish. 



Mas, com a recente colaboração de Tarja e Marko na sua tour conjunta e inclusive compondo músicas, o coração dos fãs receberam alento, podendo reviver a eletrizante performance dos dois juntos novamente no palco e estúdio.

Bom, enquanto há expectativa de um álbum conjunto da dupla, Marko Hietala lançou "Roses From The Deep", seu mais recente álbum solo, mergulhando em sonoridades densas e emocionalmente carregadas que em alguns momentos dialogam com sua trajetória no Tarot e no Nightwish, trazendo um direcionamento mais Metal, mesclando suas influências clássicas, como Purple, Alice Cooper, Rainbow, com nuances modernas e sinfônicas.

Hietala e seus companheiros, que são a mesma formação do álbum anterior, sentiram-se mais livres e confortáveis do que em seu trabalho anterior, mais conservador e de sonoridades mais sombrias e introspectivas.


Podemos perceber  a influência do heavy metal melódico e sombrio que marcou sua carreira no Tarot, banda que fundou nos anos 1980 e onde seu vocal rouco e poderoso se consolidou como assinatura. 

Os momentos em que as orquestrações sutis, os arranjos mais etéreos e a melancolia épica lembram sua fase como baixista e vocalista do Nightwish, a partir de álbuns como "Once" (2004) e "Dark Passion Play" (2007), como a faixa "Two Soldiers".

A canção "Roses From the Deep", que dá nome ao álbum, é um bom exemplo dessa intersecção, e é uma bela balada sinfônica com letras introspectivas e vocais dramáticos.

“Frankenstein Wife” creio também ser um bom exemplo, Metal Melódico de levada cativante, com nuances modernas, riffs pesados, melodias e refrãos marcantes, riff pesados; e claro, não podemos deixar de citar a parceria com Tarja em “Left on Mars”, seguindo essa mesma proposta, ou seja, Metal Melódico cativante, arranjos sinfônicos e melodias que grudam no cérebro e dão vontade de assoviar. 


Destaques também para a “Zeppeliniana” “The Devil you Know”; a épica, pesada e carregada de mudanças de climas "The Dragon Must Die" e o Hard agradável de “Rebel of The North”, mostrando a versatilidade de Marko e dando uma dinâmica ao álbum que não o torna cansativo.

A produção do álbum é meticulosa, com destaque para os arranjos vocais — Hietala alterna entre o grave “cavernoso” e o agudo rasgado com domínio técnico e expressividade. As letras exploram temas como sofrimento, identidade, vício e superação, refletindo o afastamento do músico da indústria e sua luta pública contra a depressão.

Marko inclusive declarou em releases e entrevistas que passou por um período “sabático” e de reinvenção, e "Roses From The Deep" não é apenas um retorno musical, mas uma declaração de autonomia artística, no qual ele prova que tem cacife para seguir uma carreira solo. É Marko Hietala em sua forma mais crua, sincera e mostrando todas suas facetas.

Uma obra verdadeira, que mostra por que Hietala continua sendo uma das vozes mais icônicas e respeitadas do metal escandinavo. 

Texto: Caco Garcia 
Fotos: Divulgação 

Artista: Marko Hietala 
Álbum: "Roses From The Deep" 2025
Estilo: Metal Melódico
País: Finlândia 

Links Relacionados:

TRACKLIST
1. Frankenstein’ s Wife
2. Left On Mars
3. Proud Whore
4. Two Soldiers
5. The Dragon Must Die
6. The Devil You Know
7. Rebel Of The North
8. Impatient Zero
9. Tammikuu
10. Roses from The Deep

FORMAÇÃO
Marko Hietala - vocal, baixo
Tuomas Wäinölä - guitarra
Vili Ollila - teclados
Anssi Nykänen - bateria