O Blue Öyster Cult, formado no final dos anos 60, em Long Island (EUA), foi um grupo que, segundo Albert Bouchard (baterista), antes de ser criado, já possuía seu conceito pronto, tendo criado em torno de si uma aura misteriosa, seja devido a sua música, o nome de batismo, o misterioso símbolo da cruz com um ponto de interrogação invertido (na alquimia seria o símbolo dos metais pesados, mas existem outras histórias a respeito), criado pelo excêntrico desenhista Bill Gawlik, e outras histórias que permeiam a biografia da banda. O certo é que essa aura e esses mistérios em muito ajudaram a carreira do BÖC.
Contratados pela Columbia Records, segundo reza a lenda, porque a gravadora procurava uma banda que tivesse um impacto no mercado, a exemplo dos concorrentes, como a Warner, que tinha o Black Sabbath em seu cast, e a London, que tinha os Stones.
Com um começo tímido, aos poucos a banda foi ganhando público, e veio o grande sucesso comercial, a música "(Dont' Fear) The Reaper", de "Agents of Fortune" (1976), o quarto disco do BÖC, sucessor da chamada trilogia preto e branco, formada pelos 3 primeiros álbuns, que possuem as capas, logicamente, totalmente em p&b.
A formação clássica nos anos 70
E em 1978, é lançado o maior sucesso de vendas até hoje da banda, o ao vivo "Something Enchanted Evening", que não era o primeiro "live", que foi "On Your Fett On Your Knees" (1975).
Primeiramente, era para ser um álbum duplo, mas devido aos resultados abaixo do esperado das vendas de "Spectres" (1977), acabou saindo na versão simples, e, mais tarde, relançado com vários bônus.
Até o fato de, no final ter saído em versão simples, ficando mais curto, é um ponto a favor, pois deixa o ouvinte com aquele gostinho de quero mais.
Contendo sete faixas, sendo duas delas covers, "Something Enchanted..." é um álbum que possui uma energia fantástica, sendo seguramente um dos melhores "Live" da história. Já conhecida muito mais pelas apresentações ao vivo, explosivas e com efeitos de lasers, inclusive o famoso efeito que lançava lasers dos pulsos de Eric Bloom, que rendeu até algum falatória na imprensa, dizendo que podia ser prejudicial aos olhos de quem estava nos shows.
Em "Something Enchanted...", a banda era formada por Donald "Buck Dharma" (guitarra e vocal), Eric Bloom (guitarra e vocal), Allen Lanier (teclados), Albert Bouchard (Bateria) e Joe Bouchard (baixo e vocal). A formação mais clássica do BÖC, que já tinha nas costas mais de 200 shows, com um entrosamento perfeito, captados nessas faixas, compiladas de diversos shows da banda pelos EUA e Inglaterra.
A capa, que traz o "ceifador" cavalgando, em um corcel negro, que traz o símbolo da banda, em um cenário lunar, ilustração feita pelo artista T.R. Shorr. Uma bela e misteriosa arte, embalagem mais do que perfeita para um álbum marcante na carreira da banda, ou seja, a bolacha tinha todos os requisitos para ser um clássico.
Nesta época a banda também excursionou com vários gigantes dos anos 70, como os shows ao lado do Rush e Kiss.
"SEE", abre com "R.U. Ready To Rock", um rockaço enérgico e já pegando o ouvinte, lhe transportando literalmente pra dentro do show, perfeita abertura, pelo seu refrão pegajoso; "E.T.I. (Extra Terrestrial Intelligence)", do álbum "Agents of Fortune", tem uma sonoridade Rock & Roll/Progressivo, tendo do meio pro fim um belo "duelo" instrumental; "Astronomy", que ganhou uma cover do Metallica, inclusive, traz aquela característica misteriosa que o BÖC sempre carregou, sabendo-se também da fascinação por ficção científica, principalmente por Eric Bloom, climática e melódica, vai aos poucos crescendo. Épica, é a palavra para defini-lá! Verdadeiro clássico.
"Kick Out the Jams", cover do MC5, vem também cheia de energia, uma excelente versão executada pelo BÖC! Quebra tudo! Destaque para as guitarras alucinadas! "Godzilla", mais um hit do BÖC, cujo riff, Donald "Buck Dharma" diz ter criado em um quarto de Hotel, e fala que "O que poderia ser mais pesado que Godzilla?" esclarecendo a inspiração para o peso da canção. Vale lembrar que a banda usava um "Godzilla" nos shows, com olhos vermelhos e que soltava fumaça, sendo provavelmente um dos maiores efeitos de palco que usaram;
O maior hit do BÖC vem em seguida, "(Dont' Fear) The Reaper", também do "Agents of Fortune", mais do que idolatrada através dos anos, é só aquele riff inicial começar para que o público venha ao delírio. Mais um épico. A faixa foi alvo de polêmicas, com acusações de que fazia apologia ao suicídio, com o uso dos personagens centrais da letra, Romeu e Julieta, com Buck explicando que a música tem dois conceitos, o primeiro de que um romance poderoso pode levar a morte física e o outro de que a morte é algo inevitável, e que devemos enfrentá-la sem medo, tendo confiança na continuidade do espírito. A versão contida no álbum, provavelmente seja a versão definitiva da música. Perfeita.
Fechando, mais um cover, uma maravilhosa versão de "We Gotta Get Out Of This Place", do "The Animals", uma canção icônica, imensamente popular entre as forças armadas os EUA durante a guerra do Vietnã. Grande versão, fechando com chave de ouro este clássico que não pode faltar na coleção de nenhum amante do Classic Rock/Metal, que este ano vai completar 35 aninhos de idade, um dos belos exemplos de que música boa não envelhece!
Texto e edição: Carlos Garcia
Revisão: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação
Anualmente pipocam bandas ótimas no cenário nacional, com grandes lançamentos, uma verdadeira enxurrada que enlouquece qualquer headbanger que queira conhecer tudo o que acontece no universo da música pesada brasileira.
Já conhecida dos Roaders e de vocês, leitores, a LandWork, banda de Blumenau, Santa Catarina, lançou “Stand” em 2012, primeiro álbum do quarteto que aposta em um Groove/Stoner Metal de alta qualidade, tudo feito na raça e quase sem apoio (o que não é novidade).
Quarteto segue divulgando "Stand", seu álbum de estreia
Já para divulgar o álbum, o grupo havia lançado o vídeo clipe para a música “Fight”, que até o momento ultrapassou as 7 mil visualizações no Youtube. Agora, após série de shows, inclusive fora do estado de origem (confira resenha da apresentação do grupo em Porto Alegre/RS aqui), o grupo lança o aguardado vídeo clipe para “Fly Away”, retirada do debut álbum.
Gravado com imagens de Victor Padrela e editado por Daniel Lima, o vídeo clipe independente une a simplicidade com tomadas enérgicas, passando ao telespectador o espirito de uma apresentação ao vivo do grupo.
O guitarrista Jhony Israel comentou o vídeo clipe: "'HOW DID YOU LOVE ME? LIKE YOU DID? HOW YOU SAVED ME!' Estamos caminhando focados em nossa meta e cada sonho realizado é uma grande vitória e esse clipe é mais uma!".
Confira o vídeo clipe e conheça mais sobre a banda no nosso site e nos links relacionados abaixo. Apoie a cena do seu país!
Formada em 1996 e, contando o ao vivo "Live Rituals", tendo seis álbuns cultuados pelos seguidores do Metal Extremo, passagens bem sucedidas pelo exterior, são 17 anos ininterruptos de batalha, o que lhes dá respaldo para saber o que querem, quais os caminhos a tomar, e que fazer música extrema e a vida na estrada não é para qualquer um.
Prontos para, no mínimo mais 17 anos de Metal, a Nervochaos comemora uma nova fase, com o lançamento de "To The Death" pela tradicional Cogumelo Records e a solidez e entrosamento da nova formação. O baterista Edu Lane recebeu o Road para conversar sobre tudo isso e muito mais! Confira a seguir!
Road to Metal: Tanto no álbum "Battalions Of Hate", quanto no novo "To The Death", existem passagens mais cadenciadas e muito mais trabalhadas. Esse é o caminho para os futuros lançamentos da NervoChaos? E como a nova formação contribui para esse direcionamento musical cada vez mais apurado, porém sem perder mão da agressividade em si?
Edu Lane: Acredito que sim. Nós estamos na constante busca pela nossa sonoridade própria. Nós nunca quisermos ser a banda mais rápida ou mais gore do planeta, e sempre iremos permanecer fiéis as nossas raízes e a nossa proposta inicial. Não nos prendemos a rótulos pré-estipulados e conseguimos transitar livremente entre as diversas vertentes da música extrema.
Fazemos somente aquilo que gostamos sem nos preocupar em agradar um determinado segmento musical. Queremos sempre evoluir como banda e como músicos, e é algo natural esta evolução e esse amadurecimento. A nova formação esta bastante entrosada, sólida e com uma participação ativa de todos os integrantes no processo de composição, o que eu acredito ser extremamente positivo e contribui bastante para esta sonoridade mais trabalhada.
RtM: Confesso que assim que soube que a NervoChaos assinou com a Cogumelo Records meu primeiro pensamento foi: "até que enfim"! E para vocês, qual a sensação de estar no cast de uma das gravadoras mais significativas do Metal Extremo nacional? E qual a importância de um selo hoje em dia com essa era de downloads?
E.L.: Para nós é uma tremenda honra fazer parte do cast da Cogumelo. Todas as bandas que curtimos e que nos influenciam fizeram ou fazem parte da Cogumelo. A Cogumelo tem uma excelente distribuição, não só no Brasil, mas no exterior também. Tem sido muito bom trabalhar junto com eles e esperamos que essa parceria seja duradoura. A Cogumelo é a única gravadora nacional totalmente dedicada e focada na cena nacional, fazendo história há mais de 30 anos. Apesar de vivermos uma era de downloads e pirataria, acredito que é essencial para uma banda ter o apoio de uma boa gravadora.
RtM: Para algumas pessoas, o título "To The Death" pode remeter diretamente ao Death Metal, porém desde sua formação o NervoChaos sempre passeou por vários estilos da música extrema. Se fosse necessário encaixar a sonoridade de vocês em um estilo, qual seria? E qual a ligação da banda com a temática do satanismo: ideologia ou apenas tema lírico?
E.L.: Como mencionei anteriormente, nós nunca nos prendemos a rótulos pré-estipulados e sempre tivemos liberdade de passear pelas diversas vertentes da música extrema, mas sem deixarmos de ser fieis a nossa proposta inicial e as nossas raízes. Se tivermos que rotular a nossa sonoridade, diria que somos uma banda de música extrema. O título do novo CD é uma declaração que iremos permanecer nesta banda e com esta proposta até o fim. É muito interessante ver e saber as diferentes interpretações de nossas letras e títulos de CD. Não há espaço para modismos nessa banda e a nossa temática sempre teve conteúdo satânico, obscuro e anticristão. Eu não tenho isso como apenas tema lírico.
RtM: Realmente a safra de música extrema no Brasil está muito boa. Na visão de vocês que estão na batalha há muito tempo, o que falta para o fortalecimento de uma cena no Brasil?
E.L.:Ser underground não é aceitar qualquer coisa, não é ser tosco e sim é viver plenamente este estilo de vida. Infelizmente, no Brasil, ainda há uma visão errada do que é ser underground e muitas vezes nos deparamos com o descaso de produtores locais e com prática não saudáveis. A mudança que desejamos deve partir de nós mesmos e o Brasil é certamente um dos mais importantes berços da música extrema mundial. Há dificuldades como em qualquer lugar do planeta, talvez algumas vezes um pouco mais especifica em alguns pontos, mas acredito estarmos caminhando para um maior fortalecimento.
RtM: “Quarrel in Hell" trazia uma lista de convidados ilustres, agora "To The Death" repete a dose. Essas parcerias são pensadas ou surgem espontaneamente E alguma vez já rolou algum estresse com algum músico convidado?
E.L.: Nada é por acaso e todas as participações que tivemos em nossos CDs foram planejadas cautelosamente. É uma forma de presentear os nossos fãs com algo especial e único e essa sempre foi a nossa intenção. Nunca tivemos nenhum problema com os convidados, até porque, convidamos músicos que são nossos amigos e que tem afinidade com a nossa proposta e com a banda. Houveram convidados que não puderam participar, tanto no 'Quarrel in Hell' como no 'To The Death', mas mais por uma questão de incompatibilidade de agenda.
RtM: A parte gráfica é um elemento bastante importante, até mesmo para chamar atenção àqueles que não conhecem a banda. Em “To the Death” vocês deram um passo além, ao terem como responsável pela capa o ilustre artista internacional Joe Petagno. Ele teve total liberdade para cria-la, ou vocês passaram as informações de como a desejavam? Conte um pouco sobre esse processo.
E.L.: Sempre sonhei em ter algum trabalho nosso com a arte do Joe Petagno e para o novo CD resolvi arriscar. Entrei em contato com ele e ele prontamente me respondeu dizendo que tinha interesse em fazer o trabalho conosco e que havia gostado da banda e da nossa sonoridade. Demos total liberdade para ele no processo de criação, enviamos as letras e o título do novo CD, e ele criou a arte em cima disto. Ficamos totalmente satisfeitos com o resultado final, até porque é algo bem orgânico (pois o Joe não utiliza computador para criação de suas artes) e casou por inteiro com a proposta deste novo CD.
RtM: A banda já tem uma certa experiência em shows pelo exterior. Como são as condições que vocês encontram, em termos de estrutura em geral (locais dos shows, equipamentos, hospedagem, transporte)? Muitas bandas comentam que, várias vezes, não traz um retorno e muitos acabam se aventurando, tocando em locais e condições precárias apenas para dizer que tocaram no exterior.
E.L.: No geral tivemos boas experiências tocando no exterior. Sempre há uma ou outra dificuldade mas a cultura no exterior trata o underground de forma bem mais adequada do que aqui no Brasil. Nunca tivemos problemas com transporte ou equipamentos, pois sempre viajamos com um backline e um transporte próprio (ou seja não é fornecido pelo organizador local), mas já enfrentamos alguns problemas com hospedagem (o que as vezes enfrentamos por aqui também) e/ou cancelamento de datas. Nenhuma banda tem 100% de garantia de que não encontrará problemas ou dificuldades em uma turnê, seja no Brasil ou no exterior, mas é possível reduzir bastante esse risco. Estamos sempre aprendendo e evoluindo com essas experiências.
RtM: Ainda sobre essas experiências lá fora, vocês devem ter muitas histórias curiosas. Poderia contar alguma? E calote? Já levaram algum lá fora, ou entraram em alguma roubada, tipo prometerem algo e depois vocês chegarem ao local e as coisas não eram bem as combinadas?
E.L.: É verdade, existem muitas histórias destas turnês, algumas engraçadas, muitas boas e outras ruins, mas é sempre um aprendizado onde assimilamos as coisas positivas e procuramos aprender e crescer com os erros e as coisas negativas que rolaram.
Nunca tomamos um calote financeiro no exterior, mas já enfrentamos roubadas do tipo cancelarem um show quando chegamos na cidade ou do local de hospedagem não ser o que havia sido combinado. Estar numa banda e em turnê é bem mais difícil do que parece e certamente não é algo para qualquer pessoa.
RtM: Edu, recentemente você publicou um comunicado encerrando as atividades da Tumba Records. Nos conte um pouco mais sobre o por que de encerrar as atividades da produtora? Você acredita que o Metal no Brasil tende à se profissionalizar ou cair no "ostracismo"?
E.L.: Após 17 anos agendando shows e turnês pelo Brasil e pela América Latina conclui o meu ciclo. Todos os objetivos traçados foram atingidos e percebi que era o momento certo para encerrar as atividades da Tumba. O Metal no Brasil já se profissionalizou bastante e torço para que continue nesse caminho e evolua ainda mais.
RtM: É inevitável entrarmos num ponto polêmico. Muito desconforto foi gerado, especialmente entre os headbangers gaúchos, com algumas postagens entendidas como ofensivas de um membro da banda em relação à tragédia em Santa Maria/RS. Queremos dizer que foi muito digno e respeitoso por parte do Edu Lane se manifestar contra tal comportamento e por ter lembrado que já tocaram na cidade algumas vezes. Sabemos que na cena extrema do Brasil temos certos radicalismos (muitos músicos geram comentários polêmicos nas redes sociais). Como é, para você, Edu, como líder do grupo, quando o nome da banda pode ficar associado à um comentário infeliz de um integrante? Qual a linha divisora entre o comportamento individual/pessoal de um membro e o nome da banda como um todo?
E.L.: Realmente foi um fato muito infeliz o comentário feito por ele sobre o assunto de Santa Maria/RS. Por isso resolvi publicar no site da banda uma nota sobre o acontecido e deixar claro a posição da banda sobre o assunto. A banda atualmente é composta por 4 pessoas e todos nós temos os mesmos direitos e as mesmas obrigações dentro dela. Sou uma pessoa de mente aberta e com bastante bom senso, mas a partir do momento que um integrante começa a interferir na política da banda ou no bom andamento dela, eu me sinto na obrigação de intervir, justamente para não ficar associando coisas que batem de frente com a proposta e a postura que adotamos.
Somos todos brasileiros e temos muito orgulho disso. Não somos (e nem nunca fomos) uma banda política ou com preconceito de qualquer tipo. É claro que existem diferenças de opiniões e de pensamentos entre os integrantes da banda e trato isso como algo positivo e benéfico, mas não posso compactuar quando é algo totalmente fora da nossa linha de pensamento e da nossa postura, como por exemplo foi o comentário feito. Todos nós somos passiveis de erro e isso faz parte da natureza humana, mas quando isso acontece, o que eu espero é que haja o reconhecimento e a compreensão do erro cometido para que o mesmo não se repita e haja uma evolução, uma melhora. Se isso não ocorre com a franqueza e a sinceridade necessária, foi invadida a linha divisora entre o comportamento individual de um membro e a banda como um todo.
RtM: Um dos argumentos mais presentes de crítica ao Metal nacional, sobretudo por pessoas de fora da cena, é de que as bandas cantam em inglês e não na língua materna. Levando em consideração que vocês cantam em inglês, qual a opinião do NervoChaos sobre tal argumento e sobre bandas que cantam em português, algumas inclusive usando esse argumento de “obrigação” de cantar em português? E vocês visam o mercado externo ou é uma questão de estética musical?
E.L.: Não acredito que seja uma obrigação cantar em sua língua materna. Acho louvável e bem interessante o trabalho que algumas bandas fazem e isso não impede que elas atinjam o mercado no exterior. A nossa proposta nunca foi cantar em português e formatamos a nossa estética musical em cima da língua inglesa. Desde o inicio vejo bandas vindas de países como a Alemanha, Suécia, Holanda, Bélgica, Noruega, Japão, México, Colômbia, Brasil, e etc...cantando em inglês e algumas outras em sua língua materna. Acredito que tudo depende da proposta inicial da banda e da estética musical adotada. Fodam-se os dogmas do Metal, faça o que tu queres pois há de ser tudo da Lei.
RtM: Sabendo que a banda está em pleno processo de divulgação do novo álbum, gostaríamos de agradecer pelo tempo dispendido e deixamos o espaço final para uma última mensagem da banda ao público.
E.L.: Muito obrigado pela excelente entrevista, pelo espaço cedido e pelo apoio dado ao NervoChaos. Para saber mais sobre a banda visitem: www.nervochaos.com.br Vejo vocês na estrada! To the death!
Já se passaram quatro anos do último lançamento dos americanos do W.A.S.P., o polêmico "Babylon" (2009), que aborda o Livro das Revelações e a Bíblia, justamente na época em que seu membro fundador Blackie Lawless expôs ao público suas convicções religiosas.
Polêmicas a parte (diga-se de passagem, sempre foi algo que acompanhou a carreira da banda), "Babylon" está longe de ser um álbum ruim, apesar de soar em muitos momentos como clássicos do nível de "Last Command" (1985) e "The Crimson Idol" (1992), é um álbum relevante e empolgante, que soaria melhor se não tivesse dois covers no repertório principal, "Burn" do Deep Purple e "Promised Land" do Chuck Berry.
Com uma qualidade sonora cristalina e limpa, "Babylon" apresenta excelentes momentos, como na abertura com "Crazy", que mostra os acordes característicos do grupo, além do vozeirão de Lawless, que sempre mantem o alto nível do trabalho.
O polêmico líder e fundador Blackie Lawless
"Babylon's Burning" (primeiro clipe do álbum) e "Seas Of Fire" mantem a pegada, com riffs empolgantes e refrões marcantes, que fazem você sair cantando na primeira audição. E como estamos falando de W.A.S.P., não poderia faltar suas famosas baladas, e "Into The Fire" e "Godless Run" fazem um excelente trabalho, com Lawless despejando emoção em ambas, roubando a cena literalmente.
Um bom álbum, ainda longe da grandeza do nome W.A.S.P., mas que com certeza agradou em cheio aos fãs. Agora é aguardar por um novo lançamento e torcer para que a banda volte em alto nível com seu Hard Metal.
Em uma cena em ascensão, com muitas bandas dos mais variados estilos buscando seu espaço, sobretudo através da internet, não é difícil de se imaginar que grupos ousados, que saem da zona de conforto comum a maioria das bandas, estejam se saindo bem. Dentre as bandas, certamente a Silent Cell merece uma atenção especial.
A banda paulista, que embora tenha lançado apenas um álbum completo, mas bem recebido “The Absence of Hope” (2012), falou com exclusividade ao Road to Metal nas pessoas de Marco “Horror” De Sordi (bateria e vocal) e Michael Matt (vocal), que contaram os planos do grupo, como o relançamento do álbum de estreia e turnê europeia, além de bater um papo a mais sobre seu trabalho.
Road to Metal: Primeiramente, agradecemos à banda pela entrevista. O álbum de estreia “The Absence of Hope” foi lançado em 2012 e está para ser relançado agora via Ms Metal Records. Qual a importância para a banda em, apenas um ano, ter o álbum relançado nesta época onde o download está instalado na cena fonográfica mundial?
Horror: O motivo principal é aumentar a abrangência e distribuição do nosso álbum em mercado nacional. Sendo que a MS vai colocar o álbum em algumas lojas grandes, como submarino, Fnac, entre outras. Recebemos uma porrada de e-mails e mensagens de gente procurando pelo álbum em outras partes do país desde o lançamento, mas até então o único jeito de adquiri-lo era via download digital. E felizmente, apesar de todo esse lance de downloads e pirataria, ainda tem muita gente que gosta te der o álbum em mãos mesmo, ler o encarte, ver as fotos. É ai que a MS entra.
Álbum recebeu várias críticas positivas quando do seu lançamento em 2012
Road to Metal: A banda se prepara para uma turnê europeia no segundo semestre deste ano de 2013. Há alguma coisa que pode ser adiantada, como países onde se apresentarão, bandas com as quais tocarão, etc.? Ainda sobre a tour, quais as expectativas em levar a sua música para o Velho Mundo?
Michael Matt
Michael: É muito cedo pra dizer ainda, mas já temos uma ideia dos países. Estamos acertando algo em torno de 20 datas, passando pela Alemanha, Polônia, Bélgica entre outros mais. Não podemos divulgar nada em relação a datas ou bandas que estarão juntas por enquanto, mas logo logo teremos tudo isso em mãos pra passar pro público.
Horror: A expectativa é de aumentar o nosso público, criar uma fanbase mais forte pela Europa e curtir o rolê, de preferência tomando umas cervejas aqui e ali no processo (risos)!
Road to Metal: A banda chama atenção já desde a imagem e o figurino dos integrantes. Contem-nos um pouco mais sobre a proposta visual da banda. Está mais relacionada a divulgação do álbum ou o grupo se identificou como figurino como uma marca da banda?
Horror: Ambas. O contexto inteiro do álbum se baseia em contrastes, desde a sonoridade até as letras, então fez sentido que o figurino seguisse uma linha parecida. E tem todo o lance da Silent Cell ter bandas como Slipknot, Mudvayne, Alice Cooper e Kiss como grandes influências. Todas essas bandas tem um apelo visual bem forte.
Road to Metal: O Metal Alternativo no Brasil sofre, além das dificuldades inerentes do underground, com certo preconceito pelos headbangers mais radicais, afinal, bandas como o Silent Cell trazem elementos outros ainda, para muitos, incompatíveis com a alcunha “Metal”, como efeitos eletrônicos. Em “The Absence of Hope” isso fica muito evidente, especialmente em músicas como a “In the Absence of Hope” e o cover de “What's On Your Mind (Pure Energy)”. A banda recebe muitas críticas por optar por essa sonoridade?
Michael: Já recebemos alguns dedos do meio em diferentes ocasiões. Mas isso já era algo esperado. A gente sabe onde pisa, e sabemos que o brasileiro leva o Heavy Metal muito a sério. Às vezes a sério até demais. O que é bom e ruim ao mesmo tempo.
Assista ao cover "Pure Energy" ao vivo no Manifesto Bar em São Paulo/SP
A grande verdade é que poucas bandas fazem um som como o nosso atualmente. Esse lance todo de mesclar elementos eletrônicos, vocais melódicos e outros temas mais habituais do Pop com elementos de Thrash, Hard e Heavy Metal é até um pouco perigoso na verdade. E mesmo assim, a resposta tem sido de longe, muito mais positiva do que negativa.
Road to Metal: Vocês já devem ter respondido esta pergunta várias vezes, mas é inevitável que a faça: Como vocês escolheram “What's On Your Mind (Pure Energy)”, uma música pop dos anos 80, para figurar no álbum, e não como bônus, mas dentro do próprio contexto do álbum?
Horror: Eu sou o grande culpado por trás disso (risos)!
Sempre fui fã assíduo de bandas de synth pop e industrial dos anos 80 como Depeche Mode, Tears For Fears, Skinny Puppy, entre tantas outras. E sempre tive vontade de fazer um cover dessa música em particular, que é uma das minhas preferidas da época, então foi fácil escolher.
E o fato dela não aparecer como bônus track é exatamente pra ilustrar que temos esse tipo de som como uma forte influência, ela tinha que ficar ali no meio mesmo, pois encaixa perfeitamente no contexto do CD como um todo.
Road to Metal: Em poucas palavras, como a banda definiria sua sonoridade para quem nunca a ouviu e está lendo esta entrevista agora?
Michael: Levando em conta as influências, estilos e mistura de sons diferentes que incorporamos no nosso trabalho, eu diria que somos uma banda de Metal Alternativo. Existem elementos de sobra do Metal e suas vertentes, mas existem elementos de tantos vários outros estilos. É a definição que melhor se encaixa.
Horror: Mas até ai também, vai da interpretação de cada um.
Road to Metal: Quais os planos para a banda após a turnê europeia? Teremos o sucessor de “The Absence of Hope” em 2014 ou é muito cedo para dizer?
Horror: Com certeza! Inclusive já começamos a pensar individualmente em riffs, estruturas, linhas de batera. Eu costumo gravar ideias e riffs usando o gravador do celular mesmo, já devo ter material pra uns 300 CDs (risos)!
Michael: Já estamos pensando em começar a colocar as ideias em prática antes mesmo da turnê, pra já ter algo engatilhado pra quando voltar e já começar o trabalho. Somos uma banda muito nova, não pensamos em férias, descanso ou qualquer coisa relacionada a isso por um bom tempo.
Novo álbum em breve: "já começamos a pensar individualmente em riffs, estruturas, linhas de batera"
Road to Metal: Agradecemos o tempo investido nesta entrevista, sempre desejando que a Silent Cell obtenha o sucesso que o trabalho de vocês merece. Este espaço final é todo seu.
Horror: Obrigado a vocês da Road to Metal, por nos dar esse espaço e ajudar na divulgação do nosso trabalho. Segue abaixo nossos links pra quem tiver interesse e quiser ouvir algo diferente.
8º disco completo em estúdio da Donzela de Ferro completa 21 anos de grande sucesso
Se você perguntar para praticamente qualquer pessoa se esta conhece o nome de alguma música do Iron Maiden, por mais que ela não goste de Heavy Metal, tampouco de Iron Maiden, há grande probabilidade de responder “Fear of the Dark”.
Isso tudo devido ao grande sucesso, tanto entre os fãs, quanto comercialmente falando, do álbum homônimo lançado em 1992, que é especial por vários motivos.
Em 1992 saia o último álbum com Dickinson (antes da sua volta) e o 2º com Janick Gers
Primeiro, pois foi o último álbum de estúdio com Bruce Dickinson (até sua volta e o disco “Brave New World” de 2000), após mais de uma década como frontman de grande sucesso da banda. Em segundo lugar, tivemos, pela primeira vez em um álbum, um Eddie (mascote da banda) criado por outro artista que não o original Derek Riggs. Na ocasião, Melvyn Grant deu vida a uma versão bem diferente, mas ainda “macabra” de Eddie. Em terceiro, a banda se reergueu após o fraco (comercialmente falando) “No Prayer For the Dying” (1990), e a proposta de voltar ao Heavy Metal “mais básico” (após os discos do grupo virem se complexando a cada lançamento), passou a ser bem aceita, já que dessa filosofia surgiram 12 grandes canções que preenchem “Fear of the Dark”.
Turnê do álbum trouxe a banda pela 2º vez ao Brasil
De músicas rápidas, como a faixa de abertura “Be Quick or Be Dead”, que se equipara a “Aces High” em termos de velocidade, passando por músicas mais cadenciadas como “Afraid to Shoot Strangers” (que a banda está tocando na atual turnê que passará pelo Brasil em setembro), além de uma balada que transpira anos 90, uma mistura perfeita de Hard Rock com Heavy Metal em “Wasting Love”, até faixas que caíram nas graças dos fãs, mas ficaram de fora dos shows, como “Chains of Misery” e “Judas Be My Guide”, fechando com a seminal faixa-título, “Fear of the Dark” é, disparadamente, um dos 5 grandes álbuns de toda carreira da banda e, para muitos, o fim de uma era de sucesso, já que os outros dois lançamentos da década de 90 pós partida de Bruce não obtiveram a aceitação e o sucesso que se esperaria de uma banda de mega porte como a Donzela.
Cena do vídeo clipe de "Wasting Love"
Embora apenas “Fear of the Dark”, a música, seja executada religiosamente nos shows, é inevitável reconhecer que as faixas citadas no parágrafo anterior, por exemplo, mostram uma banda em grande forma, com uma produção melhor (méritos de Martin Birch (R.I.P.) em seu último trabalho antes da aposentadoria), sons mais orgânicos (raros efeitos de teclados foram utilizados), refrãos ótimos para cantar ao vivo (o que sempre foi um ponto forte do grupo). Enfim, adjetivos não são suficientes para descrever esta obra que, mesmo passados mais de duas décadas, segue em alta, está na pele da galera (camisetas, tatuagens) e é toda especial para os fãs brasileiros, afinal, foi na turnê desse LP que a banda veio ao país pela segunda vez, com shows em Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.
Agora é aguardar os shows da banda no Rio de Janeiro (Rock in Rio), São Paulo/Sp e Curitiba/PR em setembro e poder conferir, além de tantos outros cla´ssicos da carreira, duas faixas deste álbum que hoje completa 21 anos de uma história de grande sucesso.