Mostrando postagens com marcador Dynahead. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dynahead. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Dynahead: Desafiador, Perturbador e Impressionante

Lançado 3º álbum de um dos maiores nomes da cena do Distrito Federal


Dynahead, na minha visão de fã, é uma das bandas mais promissoras que o Metal nacional apresentou nos últimos tempos, foi assim quando ouvi “Antigen” (2008) e tive a certeza absoluta que “Yourniverse” (2011) era um trabalho de evolução, porém nada se compara a sensação de ouvir “Chordata I” (2013), pelo qual arrisco a dizer que se esse álbum não levar o grupo ao status que merece o Metal nacional é realmente injusto.

Caio Duarte, a mente pensante por trás do monstro Dynahead

Para quem ainda não conhece, vale dizer que o grande diferencial do Dynahead é a quebra de barreiras, ou seja, os caras transitam por um leque de influências de uma maneira tão profissional que até mesmo assusta o ouvinte mais distraído: do Jazz ao samba, mas sempre lembrando que aqui é uma banda de Metal, então ao lado de harmonias progressivas o som cai para um esporrento Death Metal (lembrando Opeth antigo, isto é, a fase boa). “Abiogenesis”, é a prova disso, abrindo os trabalhos com uma pseudo balada que logo dá espaço para um bate cabeça visceral. Logo depois temos “Bred Patterns” com doses cavalares de peso e “Collective Skin” do Thrash Metal ao Jazz e só estamos nas 3 primeiras faixas.

“Echoes of the Waves” me levou a seguinte afirmação: existem vocalistas no Metal nacional que merecem destaque, mas o senhor Caio Duarte é um monstro, nem parece que o mesmo vocalista que urra na faixa anterior poderia cantar em um duo de piano e voz, além de ter segurado a bronca para o batera (na época Deth Santos) e feito a produção do CD, assim como responsável foi pelas guitarras maravilhosas da obra.


Ouça alto e muitas vezes e descubra detalhes implícitos como “Hallowed Engine” e seus flertes com o samba e a quebradeira de “Foster”. É interessante até ver como a ordem das musicas faz sentido, deixando o ouvinte preso ate o final da audição.

Não poderia deixar de citar a parte temática do álbum onde a origem da vida e seus conceitos biológicos e religiosos são colocados em debate, uma temática forte e muito bem explorada. Enquanto aguardamos a parte dois dessa obra o jeito é curtir esse que é um dos trabalhos mais significativo do Metal nacional em anos.

Texto: Luiz Harley
Revisão/edição: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação
Assessoria: Ms Metal Press

Ficha Técnica
Banda: Dynahead
Álbum: Chordata I,
Ano: 2013
Pais: Brasil
Tipo: Prog Metal

Formação
Caio Duarte (Vocal, Bateria, Teclado)
Diego Teixeira (Baixo)
Diogo Mafra (Guitarra)
Pablo Vilela (Guitarra)
Jorge Macarrão (Percussão) (Convidado)



Tracklist
01. Abiogenesis
02. Bred Patterns
03. Collective Skin
04. Dawn Mirrored in Me
05. Echoes of the Waves
06. Foster
07. Growing in Veins
08. Hallowed Engine
09. Inevitable

Acesse e conheça mais sobre a banda
Site Oficial
Facebook
Myspace
Youtube
Twitter

Confira algumas músicas do CD nos vídeos abaixo




domingo, 1 de janeiro de 2012

Road to Metal: Melhores e Piores de 2011 (Luiz Harley)

Seguindo as postagens dos colaboradores regulares do Road to metal, temos aí a lista dos melhores discos, músicos, fato marcante do ano e os piores do mesmo.

Harley (dir.) com Marcus D'Angelo (Claustrofobia) 
Entramos em 2012 agora com muitos planos e ideias para apoiar a cena Heavy Metal, tendo a certeza de que, à exemplo de 2011, teremos grandes lançamentos surgindo.

A terceira lista divulgada é do nosso colaborador Luiz Harley Caires, que entrou para o time em fevereiro e, de lá para cá, tem contribuído grandemente para o crescimento do nome Road to Metal, sobretudo com entrevistas e resenhas de discos e eventos relacionados ao underground extremo nacional.

Obs: cada autor teve total liberdade para suas escolhas, não sendo, necessariamente, a posição dos demais membros da equipe ou do Road to Metal como um todo.


Redator:   Luiz Harley Caires

Terceiro disco dos brasileiros Shadowside entre os melhores do ano

10 melhores álbuns de 2011
Shadowside:  Inner monster Out
Krisiun: Great Execution
Dynahead: Yourniverse
Machine Head: Unto the Locust
Dream theater: A Dramatic Turn of  Events
Sepultura: Kairos
Claustrofobia: Peste
Destruction: Day of Reckoning
Deicide: To Hell with the God
Rhapsody of Fire: From Chaos to Eternity

Caio Duarte (Dynahead) destacou-se como vocalista e produtor

10 melhores músicos de 2011 (baixo, vocal, bateria, guitarra e teclado)
Dani Noldein (vocal - Shadowside)
Max Kolesne (bateria - Krisiun)
Aquiles Priester (bateria - Hangar)
Vitor Rodrigues (vocal - Torture Squad)
Michael Amott (guitarrista - Arch Enemy)
Caio Duarte (vocal - Dynahead)
André Leite (vocal - Hangar)
Raphael Dantas (vocal - Caravellus)
Castor (baixo - Torture Squad)
Paulo Schroeber (guitarrista – Astafix/Almah)

Entrevista exclusiva com Violator deu o que falar...

05 melhores entrevistas do Road To Metal no ano de 2011

Obs: clique nos nomes das bandas para ler as entrevistas.

O maior fracasso de 2011
Os pities do Edu Falaschi e o novo álbum do Morbid Angel.

Fracasso total após a espera de um disco clássico do Morbid Angel

Fato mais marcante de 2011
A volta do Black Sabbath; Andreas Kisser tocando com o Anthrax no big four representando o metal nacional.
Eu entrei para equipe do Road to Metal (brinks).

03 melhores shows de 2011
Gama Bomb; Claustrofobia; Dark Funeral no Zoombie Ritual Festival

Melhor capa de 2011
Bywar: Abduction 


quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Retrospectiva 2011: Os Melhores Vídeos Clipes Mostrando a Qualidade do Metal Brasileiro

É inegável: a banda que possui um vídeo clipe bem feito, baseado em uma música com certo aspecto comercial (ótimas melodias e refrão grudento), se destaca mais do que aquelas que ou não optam por essa forma de divulgação, ou realmente não possuem ainda a estrutura necessária e o apoio para tanto.

Dentro do nosso país, durante o ano de 2011, várias foram as bandas que lançaram vídeos promocionais, geralmente promovendo seus discos mais recentes e, dessa forma, chegamos ao final de 2011 com grandes produções brazucas e das principais bandas do gênero.

A lista é imensa e convido a todos a irem até o final.



Podemos começar comentando o vídeo “Shoot Me Down”, da banda Hibria. Saiu para divulgar seu terceiro álbum, “Blind Ride” (2011), sucesso absoluto no Japão e aqui já configura entre os melhores discos do ano nas principais listas da mídia especializada.

A banda já lançara outros vídeos oficiais, mas é com este citado que vemos que o Heavy Metal dos caras não precisa de muitas firulas. Com uma produção bastante eficiente, não tivemos dessa vez um enredo. É a banda em cima de um palco, pura e simplesmente detonando com seu Metal. Soco na cara!



Mas houve também quem optou por lançar canções mais calmas, com certo apelo comercial, como no caso do Hangar e do Almah. O primeiro lançou a inesperada “Haunted By Your Ghosts” para divulgar seu CD de acústicas (“Acoustic, But Plugged In!”) que é um dos mais vendidos do ano, sem dúvidas. A música inédita (que ficou por muitos dias no top do nosso player) traz a faceta mais calma (afinal, acústica!) da banda e arrematou muitas pessoas que não conheciam o som do grupo liderado por Aquiles Preister (ex-Angra). Além de ser uma bela canção, o vídeo clipe (dirigido pelo Daniel Piquê) é simples, mas cercado de uma aura de novidade. Ponto para a banda que teve sua melhor cartada do ano.



Já o Almah foi mais longe. Dividiu-se em um vídeo mais “porrada”, com a grande “Trace of Trait” (Falaschi raivoso!) e a balada nostálgica “Late Night in 85’” (ambas de seu novo disco “Motion”), esta mais recente, mostrando a faceta mais melódica dessa banda que há dois álbuns deixou de ser apenas o projeto do vocalista do Angra (e até quando ostentará esse título?) para se tornar um dos grandes nomes dessa safra de Prog/Power Metal. Há muita lenha para queimar nesse baita time! Vale lembrar que a música fala do próprio Edu Falaschi e de seu pai que morreu no final de 1985.




Do lado mais pesado, tivemos o Torture Squad detonando com “Holiday in Abu Ghraib” (do disco "AEquilibrium") que à exemplo de sua música, é direta e empolgante, não precisando de grandes efeitos. É para bangear ligado no monitor.


De Brasília vieram grandes bandas dos últimos anos. Dentre elas a Dynahead é uma das que mais tem investido em divulgação visual, tanto na parte gráfica dos discos e fotos promocionais, quanto em seus vídeos. Do novo trabalho “Youniverse” (2011), a banda tirou dois vídeos: um quase curta-metragem ao som de “Circles” (produção do faz-tudo Caio Duarte) e o mais “pegada” com “Eventide”, dentro da temática do novo disco e ficou genial.




Voltando ao Thrash Metal, tivemos uma enxurrada de grandes vídeos. Da lendária banda Korzus, “I Am Your God” saiu este ano, mesmo sendo um som do perfeito “Discipline of Hate” (2010). E como não basta apenas ótimos riffs, o vídeo trata de um problema muito sério: violência contra a mulher. Isso mostra que o Metal brasileiro tem conteúdo sério.

Das terras gaúchas, a Sacrario quebrou tudo com “God Against God”, num vídeo que, não podia ser diferente, é simples mas bem gravado, sendo a canção muito bem escolhida. Uma das grandes pedradas do álbum “Stigma of Desilusion” (2010).



Ainda do Rio Grande do Sul, talvez a maior banda de Thrash do estado já com seus mais de 25 anos de carreira, Distraught, também presenteou o mundo com seu Thrash raivoso e qualificado no vídeo para a viciante “Hellucinations”, do marcante “Unnatural Display of Art” (2009). A banda caprichou nos efeitos visuais mais que merecidos depois de tantos anos de luta.




Subindo um pouco, voltando à São Paulo, o estado nos brindou com grandes clipes de grandes bandas, como Shadowside, Suprema, Shaman e Ecliptyka (que está estreando mas já arrancando admiração dos headbangers mais ligados), que não mediram esforços para mostrar a todos que é possível, sim, termos também qualidade na divulgação através de vídeos promocionais.




Shadowside dispensa maiores apresentações. Mas caso você ainda não conheça a banda da linda Dani Nolden, que sabe cantar como ninguém (confira entrevista com a vocalista aqui), apresentando junto aos demais integrantes uma sonoridade calcada no Heavy Metal (esqueça as passagens líricas), uma boa pedida é conferir o vídeo de “Angel With Horns”, do novo e aclamadíssimo álbum “Inner Monster Out” (2011).

Das novas bandas, Suprema irá te surpreender. Numa época em que montar uma banda de Prog Metal não é mais novidade, os paulistanos conseguiram colocar um peso absurdo, beirando o Thrash, mas com melodia (que refrão!) e com um vocal forte de Pedro Nascimento e os riffs do grande Douglas Jens, junto à dupla que completa o time, dão mostra do que será seu debut “Traumatic Scenes”, que será lançado em breve.



Figura carimbada quando o assunto é qualidade de áudio e vídeo, o Shaman segue divulgando seu 4º disco de estúdio “Origins” (2010), bem recebido pelos fãs e críticas quando de seu lançamento e, após dois belos vídeos clipes com “Finally Home” e “Ego (Part I & II)”, muitos que não estavam aceitando a nova fase e formação da banda (apenas o Ricardo Confessori continua desde o início), especialmente os vocais mais amenos e melódicos de Tiago Bianchi, precisaram tirar o chapéu para essas duas belas produções.



Por fim, já tendo me estendido demais, não pode ficar de fora o clipe “We Are the Same” (do debut "A Tale of Decadence") dos santistas Ecliptyka. É digno de nota a preocupação da banda com o destino do planeta Terra, da vida como um todo. Mesclando elementos de várias vertentes, no vídeo, que é o primeiro da banda, a postura política da banda fica bastante clara e o peso instrumental e do convidado especial Marcelo Carvalho se une perfeitamente com o vocal de Helena Martins, bastante melódico. A banda escolheu uma das melhores do CD e caprichou também, num dos melhores vídeos nacionais do ano.




Se você chegou até o final, é porque sabe valorizar o que de melhor temos no Metal brasileiro. Muitas outras bandas poderiam ser citadas e terem seus vídeos destacados aqui, mas com certeza as que mais marcaram este redator neste ano de 2011 estão aí com seus respectivos e de alta qualidade vídeo clipes. Deixe comentário falando de mais alguns que não tenham aparecido aqui. Valeu e um feliz 2012!

Stay on the Road

Texto: Eduardo Cadore

Agradecimentos: aos meus colegas de equipe que me ajudaram a "lembrar" dos grandes vídeos do ano.


Veja os demais vídeos citados no texto.

Dynahead - Circles 

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Entrevista: Dynahead - Complexidade e Feeling

Dynahead está em processo de divulgação de seu disco "Youniverse"

A admiração que a equipe Road to Metal tem bela banda brasiliense Dynahead não é a toa. Um grupo que com apenas dois discos já se destaca por uma sonoridade verdadeiramente única, ao mesmo tempo que mescla inflências que vão do Heavy Metal, passando pelo Thrash, pisando firme no Metal Progressivo, além de elementos como o Jazz e a música brasileira, numa sonoridade tão complexa, mas que nos capta justamente pelo feeling.

Não é fácil uma banda misturar técnica com groove. Mas a banda formada por Caio Duarte (Vocal), Pablo Vilela (Guitarra), Diogo Mafra (guitarra), Diego Teixeira (Baixo) e o recem chegado Deth Santos (Bateria) mostra que isso é possível, desde sua primeira gravação, passando pelo debut album “Antigen” (2008) (aclamado internacionalmente) e agora o segundo e mais recente trabalho, “Youniverse” (2011), que segue a proposta da banda com novos elementos e maior complexidade e peso.

Na entrevista que segue, Caio Duarte nos conta um pouco sobre a banda, dando uma geral na carreira e falando sobre a nova formação, novo disco e a cena brasileira, entre outras coisas, como seu trabalho como produtor. Confira!


RtM: Vamos começar pela fase atual. “Youniverse” saiu este ano, numa ótima versão digipak e, à exemplo do primeiro trabalho completo, tem obtido grandes e positivas impressões. Qual é o atual momento da banda em relação ao disco? Estão em turnê, tem alguma nova música de trabalho, etc?

Caio Duarte: Saudações aos leitores, e muito obrigado por nos receber! Estamos naquele bom e velho processo de divulgação do disco. Infelizmente não é um lance assim tão estruturado, pois no mercado de hoje é meio impossível de se falar em turnês ou música de trabalho sem que se esteja, digamos, 'pagando o preço'. Assim vamos buscando meios de continuar tocando e espalhando nossa música, colhendo os frutos pouco a pouco.

RtM: Na época do lançamento do debut “Antigen” (2008), a banda declarou que o álbum tem um eixo em comum, mas que não pode ser visto como conceitual. Essa mesma declaração serviria para “Youniverse”?

Caio Duarte: Não seria o caso, pois o 'Youniverse' é um álbum conceitual pra valer. Ele não segue uma narrativa com personagens, mas as músicas obedecem a uma ordem natural e se interrelacionam diretamente.


Disco tem recebido criticas positivas de fãs e mídia especializada em todo o mundo


RtM: A faixa “Circles” não ganhou um vídeo clipe comum, e sim um filme. Como veio essa idéia, e a banda pretende repetir essa experiência em lançamentos futuros?

Caio Duarte: É um desejo nosso que o trabalho do Dynahead seja uma experiência além da música. Sempre falamos sobre fazer versões audiovisuais de músicas nossas, como uma forma de surpreender e aumentar a profundidade do trabalho. Infelizmente uma banda de classe trabalhadora como nós não pode se dar a tantos luxos, mas quando surgiu a oportunidade de inserir uma música da banda em um filme experimental, não pensei duas vezes. Sinceramente torço para que no futuro possamos fazer mais e mais experiências como essas.


RtM: No canal do Youtube da banda encontramos alguns vídeos sobre o processo de gravação de “Youniverse”. É notável a integração do grupo e o interesse de todos pelo disco. Dá para sentir o tesão que toda a banda sente ao falar desse grande trabalho. É isso que toda banda precisa para ter sucesso na criação de um disco?

Caio Duarte: Com certeza! Outra coisa importante é respeito mútuo, e manter a mente aberta às experiências e idéias mais loucas de todos. É um privilégio trabalhar com músicos tão talentosos e criativos, por isso procuramos sempre explorar tudo o que cada um pode oferecer.


RtM: Quem acompanha a carreira do Dynahead foi pego de surpresa com a saída de Rafael Dantas, que foi brilhantemente substituído por Deth Santos. Como foi esse processo de transição? E qual o perfil de um músico do Dynahead? Acredito que o ecletismo é uma peça fundamental, certo?

Caio Duarte: Foi um choque para todos, mas não chegou a ser triste pois o motivo foi bom, um passo importante para o futuro do Rafael. Ficamos preocupados diante da necessidade de substituir um baterista tão competente e que contribuiu tanto para criar o som da banda, mas tivemos a sorte de encontrar o cara certo na hora certa. Ele tem o ecletismo, a autenticidade e a personalidade tranquila que são essenciais para tocar com a gente. E ser tecnicamente foda não atrapalha também (risos)!


Nova formação em foto bastante descontraída


RtM: “Unknown”, a primeira demo, já mostrava um trabalho único, mas muitas criticas apontavam como uma banda que exagera na dosagem de vários estilos musicais. Isso em algum ponto chegou a preocupar vocês, o fato de muitos bangers não entenderem a proposta do grupo inicialmente?

Caio Duarte: Tanto não nos preocupa que de lá pra cá só aumentamos nosso experimentalismo (risos). Gostamos de confrontar essa mentalidade conservadora, o rock e o metal nunca foram provincianos! Todos os estilos musicais surgiram da experimentação, do ímpeto criativo. Infelizmente muita gente acha que esse trabalho não deve continuar, e que a função da música no século XXI é reproduzir os padrões do século passado, mas isso não passa de um pensamento colonial criado pelo mercado.


RtM: Ainda citando “Antigen” como vocês chegaram em James Murphy (Testament, Death) para fazer a mixagem ao lado da Dynahead? Um cara de fora auxilia ou atrapalha nesse momento tão importante para uma banda?

Caio Duarte: Conheci o James em fóruns pela internet, e fiquei surpreso com a qualidade do trabalho dele como engenheiro de som. Naquele momento foi crucial contar com o trabalho de alguém de fora, pois não sentia segurança para cuidar da masterização de um trabalho que já tinha tanto de mim. Aprendi muito de lá para cá e hoje sinto mais firmeza e confiança, por isso cuidei eu mesmo da masterização do 'Youniverse'.
Recentemente fiquei muito triste ao saber que o tumor cerebral do James, que havia sido contido anos atrás, está voltando. Ele é freelance e não tem plano de saúde, então sua família está fazendo uma campanha online para arrecadar fundos. Caso o leitor deseje ajudar com uma doação, pode obter informações neste link.


RtM: O mercado internacional soa muito mais receptivo para a sonoridade do Dynahead, certo? O que justifica essa triste realidade? Sendo você, Caio Duarte, um produtor, como você avalia o mercado musical nacional que ignora bandas excelentes e engole verdadeiras aberrações coloridas?

Caio Duarte: Muitas coisas justificam essa realidade, mas a principal é a submissão cultural do brasileiro à mídia e ao que vem de fora. A mídia pode fazer praticamente qualquer coisa vender se quiser: Agora são os coloridinhos, mas poderia ser qualquer outra coisa. A cultura popular é totalmente dominada pelo corporativismo.

Como produtor eu enxergo que existe música enquanto mercadoria: Os emos, duplas sertanejas, pop stars, são produtos fabricados e vendidos como sapatos ou brinquedos. Isso é música que movimenta a economia e alimenta famílias, e mesmo discordando muito dos mecanismos pelos quais isto é 'injetado' no gosto popular, não posso culpar um músico que toca algo assim para pagar as contas.

Mas também existe música artística, feita por paixão, criatividade: Antigamente esse nicho também era rentável, agora não é mais. O que me incomoda é que nesse universo ainda tem muita gente com mentalidade comercial, querendo ganhar dinheiro e colocando o mercado acima da música, o que no underground chega a ser estúpido. São essas pessoas que geram as modinhas, rivalidades, e a longo prazo afundam tudo.

RtM: É engraçado quando lhes pedem para citar influências que são abrangentes, já que os nomes vão de System of a Down, passando por Alice in Chains, Dream Theater e Pantera, além da música brasileira e do jazz. Na hora de compor existem bandas que de certa forma influenciam vocês diretamente, ou vocês não pensam nisso claramente?

Caio Duarte: No começo até que pensávamos, mas não fazemos mais isso... É muito limitante. Claro que sempre pinta um riff que a gente dá risada e fala "caramba, isso é muito X banda", mas nunca procuramos aludir a nenhum artista ou estilo. Compor assim se torna muitíssimo mais difícil e desafiador, mas é daí que surgem os momentos verdadeiramente criativos. Infelizmente isso não é muito valorizado no mercado, que confunde cópias bem feitas com qualidade, mas não nos impede de continuar desafiando o ouvinte.

RtM: Caio, você é conhecido pelo seu trabalho como produtor, tendo tido importante papel na produção dos discos da sua própria banda, além de outros nomes da cena brasileira. Como andam os trabalhos da BroadBand Productions? E qual álbum recente você gostaria de ter masterizado?

Caio Duarte: Ultimamente tenho trabalhado principalmente mixando e masterizando álbuns de bandas de outras cidades ou países. Já tive o privilégio de trabalhar com grandes bandas, e espero poder continuar fazendo isso por um bom tempo! Um disco que gostaria de ter masterizado é a versão em CD do último do Foo Fighters, "Wasting Light". O disco é brilhante, a mixagem maravilhosa, mas a masterização ficou tão exageradamente comprimida que a audição chega a ser dolorosa. Infelizmente as gravadoras têm exigido isso, o que é uma pena.


RtM: Quando quero apresentar o Dynahead para alguém que nunca ouviu a banda, mostro canções como “Layers of Days” e “Inception” que são fantásticas. Se alguém pedisse uma dica, quais são as músicas que melhor apresentam a sonoridade do Dynahead?

Caio Duarte: Acho essas bem representativas pois mostram duas facetas bem diferentes do nosso som: A "Layers of Days" mostra nosso lado direto, simples até, é bem pesada mas melodicamente inusitada. Já a "Inception" mostra um lado experimentalista, maluco e complicado, apesar de ter algumas partes quase 'comerciais'. Se fosse para juntar tudo em uma música só, diria que talvez a mais representativa seja a "Ylem".


Formação que gravou "Youniverse"


RtM: Sendo as músicas do grupo complexas, algumas deixam de ser executadas nos shows por isso, ou vocês compõem já pensando na possibilidade de tocá-las em um palco?

Caio Duarte: Nenhuma das nossas músicas são impossíveis, particularmente não sou muito fã da abordagem "Pro-Tools Metal" tão comum hoje... Mas não deixa de ser verdade que algumas dão muito trabalho (risos). Muitas vezes o que determina se uma música vai entrar no set list ou não são coisas como tempo de show, ou o quão bem ensaiada ela está. Gostamos de fazer shows intensos, por isso acabamos dando prioridade a músicas mais diretas... Mas quando pinta uma chance, é legal tocar um disco na íntegra por exemplo.

RtM: Quais são os planos do Dynahead para esse fim de ano e início de 2012?
Caio Duarte:
Continuar tocando, divulgando nosso novo álbum e levando o trabalho da banda para o máximo de pessoas possível. Também temos um videoclipe estreiando na TV, merchandise novo, entrevistas e muitas coisas para nos ocupar até o ano que vem. Estamos super empolgados para trabalhar em material novo, e se tudo der certo 2012 será um ano fantástico!


RtM: Obrigado pela entrevista e pela sua parceria Caio, que sempre se mostra bastante aberto a contatos. Gostaria de deixar um recado para os leitores do Road to Metal?

Caio Duarte: Sempre é um enorme prazer. Muito obrigado pelo interesse e por apoiar a patrimônio nacional, espero que tenham um sucesso cada vez maior! Ao leitor que tiver curiosidade, conheça, ouça, baixe e adquira nosso material no nosso site - www.dynahead.com.br - aonde você encontra também links para nossos canais nas redes sociais. Um grande abraço a todos, e força sempre!


Entrevista: Harley e Eduardo Cadore

Fotos: Divulgação


Acesse os links abaixo e conheça mais o grande trabalho da Dynahead:

Site Oficial

Myspace

Twitter

Youtube

Facebook