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domingo, 1 de janeiro de 2012

Road to Metal: Melhores e Piores de 2011 (Luiz Harley)

Seguindo as postagens dos colaboradores regulares do Road to metal, temos aí a lista dos melhores discos, músicos, fato marcante do ano e os piores do mesmo.

Harley (dir.) com Marcus D'Angelo (Claustrofobia) 
Entramos em 2012 agora com muitos planos e ideias para apoiar a cena Heavy Metal, tendo a certeza de que, à exemplo de 2011, teremos grandes lançamentos surgindo.

A terceira lista divulgada é do nosso colaborador Luiz Harley Caires, que entrou para o time em fevereiro e, de lá para cá, tem contribuído grandemente para o crescimento do nome Road to Metal, sobretudo com entrevistas e resenhas de discos e eventos relacionados ao underground extremo nacional.

Obs: cada autor teve total liberdade para suas escolhas, não sendo, necessariamente, a posição dos demais membros da equipe ou do Road to Metal como um todo.


Redator:   Luiz Harley Caires

Terceiro disco dos brasileiros Shadowside entre os melhores do ano

10 melhores álbuns de 2011
Shadowside:  Inner monster Out
Krisiun: Great Execution
Dynahead: Yourniverse
Machine Head: Unto the Locust
Dream theater: A Dramatic Turn of  Events
Sepultura: Kairos
Claustrofobia: Peste
Destruction: Day of Reckoning
Deicide: To Hell with the God
Rhapsody of Fire: From Chaos to Eternity

Caio Duarte (Dynahead) destacou-se como vocalista e produtor

10 melhores músicos de 2011 (baixo, vocal, bateria, guitarra e teclado)
Dani Noldein (vocal - Shadowside)
Max Kolesne (bateria - Krisiun)
Aquiles Priester (bateria - Hangar)
Vitor Rodrigues (vocal - Torture Squad)
Michael Amott (guitarrista - Arch Enemy)
Caio Duarte (vocal - Dynahead)
André Leite (vocal - Hangar)
Raphael Dantas (vocal - Caravellus)
Castor (baixo - Torture Squad)
Paulo Schroeber (guitarrista – Astafix/Almah)

Entrevista exclusiva com Violator deu o que falar...

05 melhores entrevistas do Road To Metal no ano de 2011

Obs: clique nos nomes das bandas para ler as entrevistas.

O maior fracasso de 2011
Os pities do Edu Falaschi e o novo álbum do Morbid Angel.

Fracasso total após a espera de um disco clássico do Morbid Angel

Fato mais marcante de 2011
A volta do Black Sabbath; Andreas Kisser tocando com o Anthrax no big four representando o metal nacional.
Eu entrei para equipe do Road to Metal (brinks).

03 melhores shows de 2011
Gama Bomb; Claustrofobia; Dark Funeral no Zoombie Ritual Festival

Melhor capa de 2011
Bywar: Abduction 


quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Retrospectiva 2011: Os Melhores Vídeos Clipes Mostrando a Qualidade do Metal Brasileiro

É inegável: a banda que possui um vídeo clipe bem feito, baseado em uma música com certo aspecto comercial (ótimas melodias e refrão grudento), se destaca mais do que aquelas que ou não optam por essa forma de divulgação, ou realmente não possuem ainda a estrutura necessária e o apoio para tanto.

Dentro do nosso país, durante o ano de 2011, várias foram as bandas que lançaram vídeos promocionais, geralmente promovendo seus discos mais recentes e, dessa forma, chegamos ao final de 2011 com grandes produções brazucas e das principais bandas do gênero.

A lista é imensa e convido a todos a irem até o final.



Podemos começar comentando o vídeo “Shoot Me Down”, da banda Hibria. Saiu para divulgar seu terceiro álbum, “Blind Ride” (2011), sucesso absoluto no Japão e aqui já configura entre os melhores discos do ano nas principais listas da mídia especializada.

A banda já lançara outros vídeos oficiais, mas é com este citado que vemos que o Heavy Metal dos caras não precisa de muitas firulas. Com uma produção bastante eficiente, não tivemos dessa vez um enredo. É a banda em cima de um palco, pura e simplesmente detonando com seu Metal. Soco na cara!



Mas houve também quem optou por lançar canções mais calmas, com certo apelo comercial, como no caso do Hangar e do Almah. O primeiro lançou a inesperada “Haunted By Your Ghosts” para divulgar seu CD de acústicas (“Acoustic, But Plugged In!”) que é um dos mais vendidos do ano, sem dúvidas. A música inédita (que ficou por muitos dias no top do nosso player) traz a faceta mais calma (afinal, acústica!) da banda e arrematou muitas pessoas que não conheciam o som do grupo liderado por Aquiles Preister (ex-Angra). Além de ser uma bela canção, o vídeo clipe (dirigido pelo Daniel Piquê) é simples, mas cercado de uma aura de novidade. Ponto para a banda que teve sua melhor cartada do ano.



Já o Almah foi mais longe. Dividiu-se em um vídeo mais “porrada”, com a grande “Trace of Trait” (Falaschi raivoso!) e a balada nostálgica “Late Night in 85’” (ambas de seu novo disco “Motion”), esta mais recente, mostrando a faceta mais melódica dessa banda que há dois álbuns deixou de ser apenas o projeto do vocalista do Angra (e até quando ostentará esse título?) para se tornar um dos grandes nomes dessa safra de Prog/Power Metal. Há muita lenha para queimar nesse baita time! Vale lembrar que a música fala do próprio Edu Falaschi e de seu pai que morreu no final de 1985.




Do lado mais pesado, tivemos o Torture Squad detonando com “Holiday in Abu Ghraib” (do disco "AEquilibrium") que à exemplo de sua música, é direta e empolgante, não precisando de grandes efeitos. É para bangear ligado no monitor.


De Brasília vieram grandes bandas dos últimos anos. Dentre elas a Dynahead é uma das que mais tem investido em divulgação visual, tanto na parte gráfica dos discos e fotos promocionais, quanto em seus vídeos. Do novo trabalho “Youniverse” (2011), a banda tirou dois vídeos: um quase curta-metragem ao som de “Circles” (produção do faz-tudo Caio Duarte) e o mais “pegada” com “Eventide”, dentro da temática do novo disco e ficou genial.




Voltando ao Thrash Metal, tivemos uma enxurrada de grandes vídeos. Da lendária banda Korzus, “I Am Your God” saiu este ano, mesmo sendo um som do perfeito “Discipline of Hate” (2010). E como não basta apenas ótimos riffs, o vídeo trata de um problema muito sério: violência contra a mulher. Isso mostra que o Metal brasileiro tem conteúdo sério.

Das terras gaúchas, a Sacrario quebrou tudo com “God Against God”, num vídeo que, não podia ser diferente, é simples mas bem gravado, sendo a canção muito bem escolhida. Uma das grandes pedradas do álbum “Stigma of Desilusion” (2010).



Ainda do Rio Grande do Sul, talvez a maior banda de Thrash do estado já com seus mais de 25 anos de carreira, Distraught, também presenteou o mundo com seu Thrash raivoso e qualificado no vídeo para a viciante “Hellucinations”, do marcante “Unnatural Display of Art” (2009). A banda caprichou nos efeitos visuais mais que merecidos depois de tantos anos de luta.




Subindo um pouco, voltando à São Paulo, o estado nos brindou com grandes clipes de grandes bandas, como Shadowside, Suprema, Shaman e Ecliptyka (que está estreando mas já arrancando admiração dos headbangers mais ligados), que não mediram esforços para mostrar a todos que é possível, sim, termos também qualidade na divulgação através de vídeos promocionais.




Shadowside dispensa maiores apresentações. Mas caso você ainda não conheça a banda da linda Dani Nolden, que sabe cantar como ninguém (confira entrevista com a vocalista aqui), apresentando junto aos demais integrantes uma sonoridade calcada no Heavy Metal (esqueça as passagens líricas), uma boa pedida é conferir o vídeo de “Angel With Horns”, do novo e aclamadíssimo álbum “Inner Monster Out” (2011).

Das novas bandas, Suprema irá te surpreender. Numa época em que montar uma banda de Prog Metal não é mais novidade, os paulistanos conseguiram colocar um peso absurdo, beirando o Thrash, mas com melodia (que refrão!) e com um vocal forte de Pedro Nascimento e os riffs do grande Douglas Jens, junto à dupla que completa o time, dão mostra do que será seu debut “Traumatic Scenes”, que será lançado em breve.



Figura carimbada quando o assunto é qualidade de áudio e vídeo, o Shaman segue divulgando seu 4º disco de estúdio “Origins” (2010), bem recebido pelos fãs e críticas quando de seu lançamento e, após dois belos vídeos clipes com “Finally Home” e “Ego (Part I & II)”, muitos que não estavam aceitando a nova fase e formação da banda (apenas o Ricardo Confessori continua desde o início), especialmente os vocais mais amenos e melódicos de Tiago Bianchi, precisaram tirar o chapéu para essas duas belas produções.



Por fim, já tendo me estendido demais, não pode ficar de fora o clipe “We Are the Same” (do debut "A Tale of Decadence") dos santistas Ecliptyka. É digno de nota a preocupação da banda com o destino do planeta Terra, da vida como um todo. Mesclando elementos de várias vertentes, no vídeo, que é o primeiro da banda, a postura política da banda fica bastante clara e o peso instrumental e do convidado especial Marcelo Carvalho se une perfeitamente com o vocal de Helena Martins, bastante melódico. A banda escolheu uma das melhores do CD e caprichou também, num dos melhores vídeos nacionais do ano.




Se você chegou até o final, é porque sabe valorizar o que de melhor temos no Metal brasileiro. Muitas outras bandas poderiam ser citadas e terem seus vídeos destacados aqui, mas com certeza as que mais marcaram este redator neste ano de 2011 estão aí com seus respectivos e de alta qualidade vídeo clipes. Deixe comentário falando de mais alguns que não tenham aparecido aqui. Valeu e um feliz 2012!

Stay on the Road

Texto: Eduardo Cadore

Agradecimentos: aos meus colegas de equipe que me ajudaram a "lembrar" dos grandes vídeos do ano.


Veja os demais vídeos citados no texto.

Dynahead - Circles 

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

“Inner Monster Out”: Um Divisor de Águas no Heavy Metal Nacional

3º disco da banda forte candidato a melhor álbum de 2011

Desde que entrevistamos a belíssima Dani Nolden (vocal) estava claro que o terceiro trabalho do Shadowside não seria apenas um álbum marcante na discografia da banda, mas sim para toda a cena nacional, isso porque ele veio quebrando paradigmas.

Entre os paradigmas estão aquele de que Metal não pode ter uma produção moderna (não leia New Metal) e ao mesmo tempo peso, sem soar forçado. Além disso, é provado de uma vez por toda que vocal feminino não é necessariamente lírico e vamos combinar que Dani cantando deixa muitos marmanjos no chinelo.

A vocalista Dani Nolden liderando a banda ao vivo

A qualidade dessa banda vinda de Santos/SP não é novidade para ninguém, afinal de contas a cada novo trabalho lançado sempre ficávamos na expectativa do que estaria vindo depois. Foi assim com “Theatre Of Shadows” (2006) que apresentava a banda como uma promissora promessa, sendo que “Dare to Dream” (2009) dá uma reduzida no peso mas acrescenta novos elementos e mostra uma banda buscando sua própria sonoridade.

É nesse paradigma que se apresenta “Inner Monster Out” (2011) que merece aplausos primeiramente pela arte gráfica que consegue chamar a atenção e ao mesmo tempo ter relações com a temática do trabalho. Outros elogios para a produção que ficou aos cuidados do mago Fredrik Nordstrom responsável pela produção de grupos como Firewind e Dimmu Borgir, mas como Dani disse na entrevista já citada, o cara cobrou muito, mas a banda respondeu, ou seja, as músicas em si são ótimas e a produção só ajudou a enaltecer isso.

Focando nas músicas, a primeira coisa que me chama a atenção é o pouco número de baladas, ponto positivo para a banda que investiu sim no peso e em muitas passagens um peso absurdo, cortesia de toda a banda, mas a versatilidade de Raphael Mattos (guitarras) é impressionante, apoiado por uma cozinha altamente técnica composta por Ricardo Picolli (baixo) e Fabio Buitvidas (bateria).

Seria até incoerente apontar essa ou aquela faixa, mas “Gag Oder” vem provar as questões da produção e o peso das guitarras que já foram citadas acima, “Angel With Horns” virou a música de trabalho e é a mais grudenta do CD, impossível não ouvir e sair cantando. “Habitchual” e “In the Name Of Love” são arrasa quarteirões e disputam com a faixa titulo a minha preferência, sendo que essa possui participações mega especiais de Björn Strid (Soilwork), MIkael Stanne (Dark Tranquillity) e Niklas Isfeldt (Dream Evil) que ao lado de Dani fazem um contra ponto entre as vozes deixando o resultado surpreendente. Com certeza uma das musicas mais fortes do ano.

Consistência, peso, maturidade, técnica e garra: isso tudo é o que esperamos de uma banda de Heavy Metal e nesses quesitos o Shadowside se confirma como uma das melhores bandas do país, que com certeza vais seguir o caminho natural, ou seja, conquistar os headbangers do mundo todo. ÁLBUM DO ANO, SEM DÚVIDA.



Texto: Harley

Revisão/edição: Eduardo Cadore

Fotos: Divulgação



Ficha Técnica

Banda: Shadowside

Álbum: Inner Monster Out

Ano: 2011

País: Brasil

Tipo: Heavy Metal



Formação

Dani Nolden (Vocal)

Raphael Matos (Guitarras)

Ricardo Piccoli (Baixo)

Fabio Buitvidas (Bateria)


Tracklist

1. Gag Order
2. Angel with Horns
3. Habitchual
4. In the Name of Love
5. Inner Monster Out
6. I m Your Mind
7. My Disrupted Reality
8. A Smile Upon Death
9. Whatever Our Fortune
10. A.D.D.
11. Waste of Life

Bonus Track:
12. Inútil (Ultrage a Rigor Cover)

No Youtube assista o vídeo oficial de "Angel With Horns"

Site Oficial

Myspace

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Compre o CD na Die Hard aqui.

Leia nossa entrevista exclusiva com a banda aqui.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Entrevista: Shadowside, Somando Conquistas


Impossível não gostar do Shadowside. Desde a sua formação em 2000 até o lançamento do seu mais recente trabalho, a banda vem agraciando cada vez mais conquistas, entres elas abrindo para lendas como Helloween e Iron Maiden, além de turnês pela Europa e Estados Unidos.
A banda formada por Dani Nolden (vocal), Fábio Buitvidas (bateria), Raphael Matos (guitarra) e Ricardo Piccoli (baixo), prepara o lançamento de seu terceiro disco de estúdio, o esperadíssimo “Inner Monster out”, que tem previsão de lançamento para este semestre de 2011.
Mas o novo trabalho não é o único foco do grupo, que para o disco contou com grandes participações especiais. A banda prepara uma superturnê e conta com a ajuda dos fãs Brasil afora para tocarem em qualquer lugar que queriam os ouvir. Aliás, além de uma das principais revelações do Metal nacional dos últimos anos, fãs e críticos do mundo todo apontam a Shadowside como a nova grande banda brasileira, o que não é pouco.
Quem conversou com a gente foi a vocalista Dani Nolden que, muito simpática, mostra que dedicação e perseverança podem fazer com que uma brincadeira de criança se torne uma das maiores promessas do Metal brasileiro.


Porém, essas vitórias são fruto de dedicação, talento, muita garra e amor pelo Heavy Metal, exatamente por isso que o Road to Metal teve a honra de entrevistar a banda que não é mais uma revelação e sim uma força do Metal nacional. Com vocês, Shadowside!
Road to Metal: Hail Shadowside. Primeiramente, obrigado por conseguir um tempinho para conversar com a gente, pois essa época de lançamento de um novo trabalho é complicada. Antes de colocarmos o “Inner Monster Out” (novo trabalho da banda) na roda, vamos conversar um pouquinho sobre os primórdios da banda, afinal de contas, como foram os primeiros ensaios e shows que levaram ao nascimento da primeira demo e do primeiro álbum “Theatre Of Shadows”?

Dani Nolden: O começo foi uma verdadeira bagunça (risos). Ninguém sabia direito o que fazer, a ideia era apenas fazer algumas músicas, tocar e falar que um dia seríamos rockstars (risos). Acho que nenhum de nós levava a banda muito a sério, queríamos apenas nos divertir, mas nossos amigos começaram a enfiar na nossa cabeça que nosso barulho era bom... (risos). Nós decidimos gravar uma demo e deixar a coisa acontecer. Sem grandes pretensões, apenas ver o que as pessoas falariam e eternizar nossas pequenas ideias. O público e mídia gostaram tanto daquele material que logo nos vimos fazendo shows pelo Estado de São Paulo, abrindo para o Nightwish e pessoas se considerando nossos fãs, pedindo por um álbum completo, foi quando começamos a criar o primeiro CD, Theatre of Shadows. Alguns da banda não agüentaram a pressão e acharam que éramos mais do que uma simples banda nova em ascensão, outros não quiseram lidar com música como trabalho e acabaram abandonando a carreira quando a coisa começou a ficar mais séria. Mas felizmente pudemos usar tudo isso, até mesmo o sucesso rápido, para amadurecermos e aplicarmos isso aos trabalhos novos, que buscamos sempre mais qualidade que no anterior.
RtM: “Theatre Of Shadows” teve um nascimento difícil com falência de gravadora e outros problemas. Diante dessas dificuldades todas, que lições a banda conseguiu tirar desse período?

Dani: Que paciência é fundamental nessa carreira. Nem sempre as coisas acontecem como o esperado ou planejado e é importante saber como lidar com isso. Quando a gravadora faliu, nós buscamos a liberação do contrato e então terminamos o disco dentro das nossas possibilidades, especialmente financeiras. Levamos quase dois anos para terminá-lo, porque não tínhamos como pagar estúdio e produtor. Foi pior que um parto (risos). Mas nós continuamos em frente e quando ele finalmente ficou pronto, encontramos uma nova gravadora e valeu a pena toda a espera, pois logo em seguida fizemos a turnê brasileira com o Helloween, esse álbum nos abriu as portas nos Estados Unidos e foi o responsável por muitas coisas legais na carreira da banda. Hoje, ele não está nem perto da qualidade do novo álbum Inner Monster Out, mas eu o acho excelente para a época e para uma banda inexperiente como nós éramos.

RtM: Sabemos que existem milhares de bandas com vocais femininos, sobretudo no Gothic e Symphonic Metal. Mas vocês apostam em outra sonoridade, sem vocais líricos ou guturais (depois de Ângela Gossow, a mulherada quer cantar agressivamente, rs). Como é para você Dani e para o resto da banda apostar nessa formação?

Dani: Para mim não é algo como apostar em uma formação assim. Eu sou o que sou, não posso mudar isso, seja isso bom ou ruim (risos). Quando eu comecei a cantar, não existiam bandas de Metal com vocais femininos, exceto a Doro, porém eu não a conhecia... eu escutava inicialmente bandas como Guns n’ Roses, Skid Row e depois Judas Priest, Deep Purple, Iron Maiden e como eu gostava dessas coisas, eu tentava cantar como eles. Antes da Angela Gossow aparecer, eu fazia alguns vocais guturais em minha banda anterior ao Shadowside (NE: Dark Eden). Eu simplesmente era livre de preconceitos... eu não sabia o que era normal ou comum para uma mulher fazer, então eu fazia o que me dava vontade. Então nunca foi para ir contra uma tendência ou seguir alguma banda... e acredito que os rapazes se sentem da mesma forma. Nós fazemos Metal e escrevemos músicas que achamos que fica legal na minha voz, como qualquer banda formada apenas por homens. Eles não pensam em mim como uma mulher e sim, como a pessoa que canta na banda deles. Eu adoro que é assim... dessa forma não preciso limitar o que minha voz pode fazer.
RtM: O álbum “Dare to Dream” foi produzido por Dave Schiffman (System of a Down, Audioslave, Avenged Sevenfold e outros). Qual foi a diferença entre as duas gravações e na época a mídia especializada tinha dito que vocês teriam deixado um pouco o lado mais agressivo e mesclado influências do Hard, por exemplo. Vocês concordam com essa diferença entre seus trabalhos?

Dani: Eu acho que as influências de Hard Rock sempre estiveram lá, mas realmente o Dare to Dream é um pouco menos agressivo que o Theatre of Shadows. Dare to Dream é mais balanceado, tem partes bem mais pesadas que qualquer música do Theatre, porém no geral ele é menos intenso e mais musical. Nós não queríamos fazer o Theatre parte II, queríamos fazer um novo disco do Shadowside, explorar coisas que tínhamos vontade e que não apareceram no trabalho anterior.

A bela e talentosa Dani Nolden: "Nós fazemos Metal e escrevemos músicas que achamos que ficam legal na minha voz, como qualquer banda formada apenas por homens"

RtM: Uma pergunta que sempre quis fazer para vocês: “Dare to Dream” pode ser considerado como um álbum conceitual? Pois aparentemente as faixas e até mesmo o clipe de “Hideaway” possuem uma temática em comum...

Dani: Não, apesar de muitas músicas terem de certa forma o tema de sonhos, de buscar o que você quer, muitas outras não se encaixam nisso, como Nation Hollow Mind, que foi uma crítica ao povo brasileiro, que tem fome de má notícia, porém as esquece rapidamente, assim que aparece uma festa como o Carnaval, por exemplo. Ou Memories, que é sobre as memórias da minha vida que eu gostaria de esquecer, porém me são úteis porque me transformaram em quem eu sou hoje. Mas sem dúvida, o tema “Dare to Dream” é o que eu mais queria transmitir... um dia, a banda Shadowside foi apenas um sonho de criança. Quando a banda nasceu, gravar um CD era apenas um sonho, então fazer um show grande era apenas um sonho, depois uma turnê internacional... até que estamos aqui, depois de shows em 19 países europeus, várias cidades dos Estados Unidos e uma base de fãs bem fiel no Brasil. E eu era apenas uma menina de Santos, de família comum, sem músicos profissionais na família.
RtM: Hoje o Shadowside possui uma carreira muito bem estruturada, tanto no país como no exterior, mas qual foi o marco zero dessa conquista do público internacional? E qual foi a sensação de vencer o concurso norte-americano “Air Play Direct All Things Digital Hard Rock / Heavy Metal” (disputando com mais de 1000 bandas do mundo todo)?
Dani: Acho que o marco zero foi exatamente esse concurso. Antes de vencermos o All Things Digital, tudo o que tínhamos no exterior eram bons comentários, alguns fãs nos pediam turnês, mas vencer o concurso nos abriu as portas para o mercado norte-americano que nós nem pensávamos que prestaria atenção a uma banda como Shadowside. Parte do prêmio era abrir o festival Indianapolis Metal Fest e fomos tão bem aceitos que marcamos uma turnê que começou dois meses depois dessa apresentação, que nos rendeu outra para o verão seguinte e outro convite para o Indianapolis Metal Fest, dessa vez como banda principal ao lado de Kittie e Divine Heresy. Vencer foi uma surpresa e tanto... eu tinha certeza que uma banda americana venceria, até mesmo pela facilidade de se trabalhar uma banda de lá. Fomos informados que uma das bandas participantes estava com contrato assinado com a Universal Music, porém eles não podiam nos dizer quem era. Se nós não quiséssemos o prêmio por qualquer motivo, eles seriam os vencedores. Eu inscrevi a Shadowside e não contei para ninguém (risos). Não pensei que tínhamos chance. Então quando informei a todos que o prêmio era nosso, tive que explicar a história inteira (risos).
RtM: Vocês já participaram de grandes festivais internacionais ao lado de grandes bandas como Warrant, ou W.A.S.P. No quesito “reação do público”, quais as diferenças comparando com os bangers brasileiros?

Dani: Com o W.A.S.P., foi uma turnê inteira... foram quase dois meses de shows diários durante o inverno europeu. Eu sinceramente não vejo diferenças entre as reações dos europeus e brasileiros. Eles são tão intensos, malucos e apaixonados por Metal quanto nós. Não sei onde outras bandas tocaram, mas conosco eles pareciam enlouquecidos o tempo todo (risos). Os alemães e finlandeses levam mais tempo para “esquentar”, afinal tantas boas bandas tocam por lá, então você precisa realmente convencê-los antes que eles passem a realmente agir com a banda e não apenas observar o show para ver do que se trata. Depois de 20 minutos de show, eles já estavam tão animados quanto o público do leste europeu ou os espanhóis e britânicos. Os americanos são bem diferentes. Nós fizemos shows para maiores e menores de idade nas turnês pelos Estados Unidos. Nos shows que menores podem entrar, não há venda de bebida alcoólica. Portanto pudemos observar bem as diferentes gerações...os mais velhos observam o show e cantam mais do que gritam... nas partes mais pesadas e nervosas das músicas, eles também batem cabeça, mas na maior parte do tempo, eles querem escutar a música e você sabe que agradou porque na saída, ele compra tudo que puder encontrar pela frente com o nome da banda escrito. Os garotos são mais malucos... bem malucos (risos). Eles faziam rodas nas nossas músicas mais leves! É muito legal ver todas essas reações diferentes nos shows. Mas o que importa mesmo é ver o público se divertindo.

RtM: Falando em aberturas, o Shadowside já é especialista. Mas qual foi aquela que despertou mais adrenalina? E existe alguma banda em especial que vocês gostaria de ser open act?

Dani: Iron Maiden! Sem dúvida alguma, Iron Maiden! E gostaria de ser open act deles de novo (risos). Tocar com o Iron Maiden impressiona qualquer um (risos). Até outros músicos de bandas bem experientes, como nosso produtor Fredrik, ficam surpresos com um acontecimento desses. Não é uma banda qualquer... é uma das bandas favoritas, se não a favorita, da maioria dos headbangers e lá estávamos nós, tocando para um público que está ansioso para vê-los. Dá medo (risos). Mas uma vez que eles te recebem bem, é diversão do começo ao fim e algo inesquecível. Se tiver que escolher uma banda que ainda não tivemos a oportunidade de abrir o show, eu gostaria de ter a honra de tocar com o Motörhead também, já que fizemos um cover de Ace of Spades que só está disponível para audição no site da Pledge Music.

RtM: Sem dúvidas “Inner Monster Out” é um dos álbuns mais aguardados do ano. Poderiam falar um pouquinho da sonoridade dele e qual foi o papel da produção feita pelo monstro Fredrik Nordstron?

Dani: Fredrik foi nosso conselheiro o tempo todo. Ele é perfeccionista, direto e sincero, então se algo está ruim, ele vai falar que está ruim, sem dó e isso é excelente. Te faz confiar nele, porque quando ele fica satisfeito com algo, significa que ele não está tentando te agradar com um tapinha nas costas. Nós fizemos todas as músicas e enviamos para ele antes de entrar em estúdio, pela internet. Eles nos dizia o que não tinha gostado e então nos deixava criar a alternativa pra isso. Mas não bastava uma alternativa “apenas” melhor que a primeira, tinha que ser algo bom. Não era como substituir uma nota 6 por 7, ele buscava o 10 o tempo todo, o que foi perfeito porque era exatamente isso que nós queríamos. Mas o controle criativo sempre foi nosso, então ele apenas estava empurrando a banda para o melhor possível, enquanto ele buscava o melhor som possível. O álbum tem uma sonoridade bem atual, cristalina e muito pesada. Eu vejo esse novo trabalho como uma mistura das melhores coisas do Theatre of Shadows e Dare to Dream, com novidades e muito mais maduro.

Capa do aguardado novo disco da banda

RtM: Quando estiverem fazendo o show de lançamento desse novo trabalho, como ficará dividido o set list? Afinal, tem músicas que não podem ficar de fora de um show como “Nation Hollow Mind” ou “In the Night”. Como serão executadas as músicas que possuem participações especiais como a faixa titulo desse novo CD?

Dani: Além de pedirmos a ajuda dos fãs para escolher que músicas antigas e novas devem entrar no set list, nós também vamos basear um pouquinho nas nossas preferências... está começando a ficar complicado fazer o set list (risos). Sempre vamos tentar tocar várias músicas novas, afinal estamos orgulhosos do que conseguimos alcançar no Inner Monster Out, com as melhores músicas dos discos antigos, talvez com uma ou outra que não tocamos há muito tempo. Na faixa-título, que tem as participações, faremos com o que temos (risos). Algumas partes serão cantadas pelo Raphael, outras por mim mesma. Pretendemos fazer os guturais juntos, vamos ver o que eu serei capaz de fazer (risos). Quem sabe, um dia, não encontraremos uma forma de reunir todos para um show especial.

RtM: Falando nas participações especiais, vocês terão gente de peso e muita qualidade. Os vocalistas Mikael Stanne (Dark Tranquillity), Björn "Speed" Strid (Soilwork) e Niklas Isfeldt (Dream Evil) possuem história no Metal mundial. Como surgiu o contato e ideia de tê-los juntos no disco e o que podemos esperar dessa união, já que os dois primeiros, sobretudo, cantam agressivamente?

Dani: Nossa manager, Rhea Calaveras fez o contato com Björn e eu fiz contato com Niklas através do próprio Fredrik. Eles eram fundamentais para essa música, porque eu fiz aquelas melodias pensando especificamente neles. Tínhamos algumas alternativas caso eles não aceitassem, porém felizmente os dois quiseram emprestar suas excelentes vozes para nós. Mikael veio como uma maravilhosa surpresa, pois durante as gravações, fizemos amizade com Anders, baterista do Dark Tranquillity. Ele veio nos visitar no estúdio e trouxe Mikael junto. Observando as gravações, de repente ele se levanta e me pergunta se pode cantar. Eu adoro a voz dele e ele só não foi um convidado planejado porque eu não tinha como contatá-lo, eu adoraria ter feito mais partes para ele. Achei que ficou uma mistura muito interessante de vozes bem diferentes e a intenção era tirar todos eles da zona de conforto deles, então pedimos coisas diferentes das quais eles costumam fazer, porém também deixamos que eles mudassem o que achassem necessário, porque queríamos a personalidade deles.


RtM: O novo álbum está sendo bem pré-divulgado. Como vocês tem sido assessorados e o que a atual gravadora tem lhes oferecido?

Dani: Nós trabalhamos com a mesma assessoria desde 2002. Agora temos no time a Fresno Media dos Estados Unidos, porém continuamos trabalhando com as mesmas pessoas desde o começo, apenas acrescentamos nossos “membros” de acordo com a necessidade. É importante ter uma equipe na qual você possa confiar. A gravadora parece bem empolgada, eles nos passaram uma estratégia de promoção do disco que vai até 2012. Fred Sherman, o presidente da SHP Records, trabalhou na Universal Music por muitos anos, então ele sabe o que está fazendo. Até o momento, estamos contentes com o trabalho deles e ansiosos pelo que virá depois do lançamento.

RtM: Ainda sobre esse trabalho inédito, a versão nacional sairá com o cover para “Inútil”, da banda Ultrage a Rigor. É uma escolha, no mínimo inusitada, mas acredito que essa era a intenção. Quem teve essa ideia e como foi regrava-la?

Dani: Eu queria muito gravar uma música em português, porém a ideia de fazer uma letra em português não agradava aos meninos, nem a mim mesma. Escrever letras em português sem ficar algo idiota não é simples e nenhum de nós tem qualquer experiência com isso... a probabilidade de um desastre era grande (risos). Pensei em tentar mesmo assim para ver o que sairia, se ficasse ruim eu simplesmente faria algo em inglês, mas o tempo foi ficando cada vez mais curto, uma vez que eu ainda tinha um disco inteiro de letras para elaborar, então decidi deixar a ideia mais pra frente. Até que Raphael, tocando com uma outra banda em Santos, faz um cover de Inútil... e então pensamos “por que não Ultraje a Rigor?” A letra de Inútil foi escrita nos anos 80, mas ainda é atual. É uma música divertida, irreverente, com atitude e isso combina muito bem com Metal. Pedimos a autorização do Roger, fizemos a versão e então mostramos a ele, perguntando se ele queria participar. Ele topou e gravamos a voz dele em São Paulo, assim que voltamos ao Brasil. Foi uma honra pra mim, ele é um dos meus grandes ídolos brasileiros.
RtM: Cada um de nós sempre tem um álbum de cabeceira, um trabalho em especial que foi marcante em nossa vida. Assim, que trabalho seria esse para os músicos do Shadowside?

Dani: Não posso falar pelos rapazes, mas sei que Fabio adora Slayer e Tears for Fears, Raphael gosta de Pantera e Duran Duran... acho que dá pra perceber como nossos gostos vão de um extremo ao outro (risos). Se eu tiver que escolher apenas um trabalho, vou escolher o Greatest Hits II do Queen, que eu ganhei quando era criança. Aquelas músicas mudaram minha vida e eu passava dias e noites tentando cantá-las.



RtM: Como estão os planos para 2011? Teremos a chance de ver a banda aqui na região sul do pais?

Dani: Eu espero que sim! Faz muito tempo que não temos a oportunidade de tocar no sul, estamos ansiosos para voltar, depende apenas de organizadores de shows interessados em levar a Shadowside. O público pode ajudar fazendo pedidos pela internet, fazer barulho online é a melhor forma de convencer organizadores de eventos. No momento, estamos trabalhando bastante na promoção do Inner Monster Out e queremos tocar onde for possível. Se tudo correr de acordo com a nossa vontade, vamos visitar todos os lugares que já nos viram antes, além de tocar em alguns lugares novos. Queremos ficar bastante ocupados em 2011/2012!


RtM: Obrigado pela entrevista e gostaríamos que deixassem algum recado para os leitores do blog Road to Metal.
Dani: Muito obrigada pelo espaço e apoio, soltem seus monstros com o Inner Monster Out, espero que gostem e batam bastante cabeça ouvindo esse novo disco! Até logo!

Entrevista: Harley
Introdução: Harley/Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação

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Veja o vídeo oficial de “Hideaway”, um dos sucessos de “Dare to Dream”