sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Captor: Seguindo a Luta pelo Heavy Metal



Chegando aos 18 anos de estrada a banda de San Martín (Buenos Aires-Argentina) lançou no ano passado o segundo full-lenght, "Seguir Luchando". A banda se apresenta em seu perfil como "Heavy Metal com vozes melódicas", e realmente, o que ouvimos é Heavy Metal tradicional, com doses de Hard Rock e vocais melodiosos e em tons altos, seguindo o estilo de nomes tradicionais como Iron Maiden, Dio, Black Sabbath, Judas e também seus conterrâneos do Rata Blanca.

O álbum possui uma apresentação com design simples, capinha tipo envelope e com encarte com letras e informações básicas, e acredito que um investimento um pouco maior nessa questão deveria ter sido pensado, apesar de sabermos claro, que assim como aqui, a situação econômica Argentina não é favorável. Uma curiosidade interessante sobre a arte da capa, é que é uma continuação da do álbum antecessor, "Hacia El Destino" (2013), que inclusive foi lançado em um belo digipack e com faixa multimídia com vídeos e história da banda), ambas a cargo do artista plástico Rafael Arias Romero. 


Mas se na questão do design e apresentação gráfica o Captor foi econômico, a parte sonora compensa, pois traz uma boa produção, sendo que o álbum foi mixado e masterizado nos EUA no 6K Estúdios, por Ezequiel e Martín Etcheverry, que fizeram um bom trabalho, deixando os instrumentos bem nítidos, e com um som com pegada.

São 10 faixas, cantadas em espanhol, onde temos Heavy Metal com bons riffs e melodias cativantes, com boas variações e incursões de Hard Rock, além de teclados que são utilizados em algumas músicas, contribuindo positivamente nas melodias. Logo na abertura, e um dos destaques, "Atrapados", o grupo já apresenta as armas com um Heavy Metal empolgante, mostrando uma banda segura e coesa, onde já chamam a atenção os bons vocais de Marcelo Tovares, assim como a pegada da bateria; "A Fondo Siempre", a faixa seguinte, mantém a boa impressão inicial, seguindo por um caminho mais melodioso, destacando o refrão marcante.

Captor: Martin, Mariano, Carlos e Marcelo
Encontramos um álbum com composições numa média muito boa, com variações que mantém o interesse do ouvinte por todo ele, pois temos faixas mais diretas e pesadas, mais cadenciadas e melodiosas e também faixas mais aceleradas. Além das já citadas, destaco "Voces del Hoy y de Ayer",  uma faixa com dramaticidade, andamento mais cadenciado, com peso e doses de melodia bem colocadas, inclusive com a inclusão de alguns teclados e "Seguir Luchando", Heavy Metal tradicional com pegada, grandes riffs e vocais poderosos e com gana.


O Captor não tem a intenção de inovar ou inventar a roda,  faz sim  Heavy Metal tradicional com a segurança de quem está na estrada há quase duas décadas, mostrando qualidade e força nas composições, que trazem competência nos riffs e solos, peso, melodia e uma cozinha com pegada. Um bom nome para quem aprecia o Metal Sul Americano, e  para quem deseja conhecer mais bandas de nossa vizinha Argentina.

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação


Facebook

Line-Up:
Martin Galeano: Guitarras
Mariano Binda: Bateria
Carlos Corsi: Baixo
Marcelo Tovarez: Vocais

Tracklist:
Atrapados
A Fondo Siempre
Voces Del Hoy Y de Ayer
Traicion Y Verdad
Verdades Olvidadas
Miradas Que No Miran
Gritos En La Noche
Guerreras Sin Armas
Seguir Luchando


       


       

Metal Church: "Classic Live" - Celebrando a Boa Fase



"Classic Live", como o nome sugere, traz grandes músicas do Metal Church gravadas ao vivo nessa última tour, registros dessa boa fase marcada pela volta de Mike Howe aos vocais, seguida pelo lançamento do álbum "XI" (2016), o qual trouxe de volta aquela vibração dos primeiros trabalhos da veterana banda norte americana, sendo muito bem recebido pelos fãs e imprensa especializada.

Produzido pelo líder e guitarrista Kurdt Vanderhoof, o álbum traz nove faixas ao vivo e duas em estúdio, novas versões de "Fake Healer", que traz Mike fazendo um dueto com Todd La Torre (Queensryche), e "Badlands".

"Classic Live" transmite a vibração da banda durante os shows dessa última tour, onde podemos sentir que realmente estão passando por um grande momento, tocando com gana, criando praticamente a certeza de que essa fase vai ser duradoura e gerando ótimas expectativas para futuros álbuns.


Estão no set-list músicas obrigatórias, algumas das principais criadas pela banda na fase mais áurea, com seus três primeiros álbuns, com David Wayne (RIP), no debut auto-intitulado e "The Dark" (o meu preferido,) e Mike Howe, em "Blessing in Disguise", então temos já de cara "Beyond the Black", primeira faixa do debut, e que também abre "Classic Live", e ainda "Watch the Children Pray", provavelmente o maior clássico da banda, com toda sua dramaticidade, peso e melodia, seguida da vibrante "Start the Fire" e seu marcante refrão, ambas de "The Dark".

São só músicas fortes e muito boas da carreira do Metal Church, destacando ainda, além das citadas, "Badlands", do "Blessing in Disguise". Kurdt fez um excelente trabalho na escolha das faixas, e a sonoridade está bem orgânica, de modo a passar realmente o clima quente das referidas apresentações, nada daqueles "Ao Vivo" com som muito limpinho e certinho, que ficam na cara que teve aquele arranjo posterior em estúdio. Só uma pena as músicas não terem sido captadas em uma única apresentação, mas compiladas de várias.


É praticamente um "Best of", só que com versões ao vivo, sendo não só um álbum interessante para o fã de carteirinha do Metal Church, mas uma muito boa carta de apresentação para os novos fãs a fim de conhecerem o Heavy Metal tradicional, com aquele pé no Thrash, típica sonoridade do American Metal Old School. Uma celebração dessa nova fase, que trouxe um Metal Church renovado! 

Texto: Carlos Garcia

Ficha Técnica:
Banda: Metal Church
Álbum: Classic Live (2017)
País: USA
Estilo: Heavy Metal
Selo: Rat Pak Records/Shinigami Records


Line-Up:
Mike Howe: Vocais
Kurdt Vanderhoof: Guitarras
Rick Van Zandt: Guitarras
Steve Unger: Baixo
Jeff Plate: Bateria (N. do R.: Jeff deixou a banda, sendo anunciado ano passado Stet Howland como novo baterista)

Tracklist
01. Beyond The Black
02. Date With Poverty
03. Gods Of A Second Chance
04. In Mourning
05. Watch The Children Pray
06. Start The Fire
07. No Friend Of Mine
08. Badlands
09. Human Factor
10. Fake Healer (bonus studio track) (feat. Todd La Torre)
11. Badlands (2015 studio version) 



quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Pop Javali: Continuando Seu Legado



O calor das dificuldades é algo comum nas derivadas porções dentro da vida, e por mais que perdemos e caiamos após derrotas, a vontade de querer tentar seguir em frente não abala o espirito do ser humano, analogia essa que também é cabível dentro da música, onde o mercado é bastante disputado e concorrido para poder ter reconhecimento. Driblando as dificuldades, o Pop Javali, de Americana (SP), continua querendo chegar ainda mais alto nos seus objetivos com o mais novo e terceiro disco da carreira,“Resilient”. 

A bagagem do trio não economiza experiência, pois durante esses 25 anos de carreira, o Javali coleciona abertura de shows pra grandes nomes do Rock mundial e uma bem sucedida turnê pela Europa, que resultou num material ao vivo (Live In Amsterdam, de 2016). E o Hard Rock alternativo, calcado de influências tradicionais dentro do gênero, continua rendendo em “Resilient”, só que com mais agressividade e tensões mais carregadas, mostrando que não estão parados no tempo e deixando a sonoridade da banda cada vez mais única. 

Neste trabalho, o trio contou novamente com os irmãos Andria e Ivan Busic na produção, no Busic Produções, em São Paulo, incumbido pela realização da mixagem e masterização também. E pelas mãos da dupla é captada uma sonoridade bastante moderna e densa, colocando peso e melodia em única paragem; a capa, criada pelo João Duarte, evidencia a linguagem musical do disco, diferido pelos cacos de vidro quebrados, atingidos pela energia das faixas. 


Difícil rotular a sonoridade de “Resilient”, visto que cada música nos leva a ter diferentes surpresas, e é dessa forma que o trio consegue impor um jeito musical único, determinando dinamismo que vai além do imaginado, provado de timbres ofensivos e intensos, fazendo com que o álbum soe primoroso. 

Os primeiros realces ficam por conta da pesada “Hollow Man”, flertando tempos alternados e linhas de vozes rusticas; “Drying The Memories” segue na mesma expressão, só que mais arrastada e compacta, trilhada de solos pra lá de virtuosos; “Reasonable” demonstra rastros arrojados, conduzido por uma pegada de bateria versátil e tangíveis melodias de voz; “We Had It Coming” assenta pontos mais laborados, com melodias abertas e refrão fascinante, moldado pelas sólidas linhas de guitarra e baixo; “Turn Around” obtém o clima vintage, voltado a elementos do Hard Rock setentista através de arranjos limpos e requintados.


“Broken Leg Horse” dosa características mais clássicas, cingida de vestígios que alude ao Rock N’ Roll com riffs intricados e solos bem técnicos, usufruído de intensidade e forte assimilação; “Undone” vem com atmosferas sedosas, apostando em extensões mais Progressivas sem deixar o peso de lado; “Resilient” é abastecida de agressividade, tornando-se a faixa mais Heavy Metal do disco, apesar de haver tempos mais melodiosos e vigorosos; “Renew Our Hopes” nos prende pela exuberância que a música carrega, transmitindo ações delicadas e sutis, fluido pelos puros arranjos vocais e das esmeras linhas de guitarra.
Sem mais delongas, o Pop Javali mostra competência em poder chegar ainda mais longe, e “Resilient” indica que o trio continua no caminho certo.

Texto: Gabriel Arruda
Edição/Revisão: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Pop Javali
Álbum: Resilient
Ano: 2017
País: Brasil
Tipo: Hard Rock/Progressivo
Gravadora: Voice Music
Assessoria de Imprensa: Som Do Darma

Confira entrevista com a banda AQUI

Formação
Marcelo Frizzo (Vocal / Baixo)
JaederMenossi (Guitarra)
Waldemar “Loks” Rasmussen (Bateria)

Track-List
1. A New Beginning
2. Hollow Man
3. Drying The Memories
4. Reasonable
5. We Had It Comming
6. Shooting Star
7. Turn Around
8. Broken Leg Horse
9. Undone
10. Show You The Money
11. Resilient
12. Renew Our Hopes

Contatos

     

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Accept: Fase Impecável!



Em seu quarto álbum desta fase após a entrada do vocalista Mike Tornillo, a instituição do Teutonic Metal Accept entrega mais um grande álbum, recheado de riffs poderosos e aqueles refrãos grandiosos típicos. Accept é daquelas bandas que possuem sua personalidade sonora, e sem grandes surpresas, segue entregando álbuns de qualidade e com gana, coisa que infelizmente muitas bandas da mesma época perderam.

"The Rise of Chaos" a estreia de Uwe Lulis e Christopher Williams, guitarra e bateria respectivamente, que foram efetivados em 2015, após a ruptura da banda com Herman Frank e Stefan Schwarzmann, e em nada diminuiu o poder de fogo dos alemães, que está realmente sintetizado em sua maioria no trio Hoffmann/Baltes/Tornillo, sendo que pouca parcela dos fãs ainda não aceita um Accept sem Udo. Pelo título e capa, e observando os nomes da faixa já dá para perceber que, apesar de não ser conceitual, a banda abordou temas relacionados ao caos vivido pelo mundo, com a violência, terrorismo e fanatismo religioso, por exemplo.


2017 foi um grande ano para o Accept, que antes do lançamento do álbum ainda teve um espetáculo grandioso em sua terra natal, no maior festival de Metal do planeta, o Wacken, onde tocou ao lado de uma orquestra e também apresentou faixas do novo disco. "The Rise of Chaos" foi espetacularmente bem recebido pelos fãs e imprensa especializada, povoando as listas de melhores do ano de centenas de sites e revistas.

Mais uma vez sob o selo Nuclear Blast e lançado aqui via parceria com a Shinigami Records, o disco traz 10 faixas carregadas com a sua personalidade, trazendo a aura clássica aliada ao peso. As características consagradas estão sempre ali, como os riffs e solos marcantes e os coros nos refrãos. "Die by the Sword" é uma típica faixa Accept, com a guitarra de Hoffmann disparando mais um riff genial, e os tradicionais coros no refrão, o qual já gruda de imediato na mente! A faixa título, "The Rise of Chaos" é outro dos destaques, alternando peso e mudanças de andamento, onde temos trechos dessa sonoridade contemporânea do grupo, mas as características oitentistas estão ali, como nas melodias do pré-refrão.

É um álbum facilmente degustável pelo fã da banda, pois as faixas todas possuem ganchos que prendem o ouvinte. Dentre essas primeiras 5 faixas, "Hole in the Head" e "No Regrets", que seguem a linha já conhecida da banda, destacando "Koolaid", que foi apresentada no Wacken e também foi uma das primeiras a serem divulgadas no youtube, com seu andamento mais cadenciado e melodioso. A faixa fala sobre Jim Jones, fundador do culto Templo dos Povos, tristemente famoso devido ao suicídio/assassinato em massa em novembro de 1978 de 918 dos seus membros em Jonestown (Guiana), que nos faz lembrar que o fanatismo não é algo novo, e que muitos erros e mazelas se repetem desde muito.


Mas as que mais me agradaram foram as 5 faixas finais, que me soaram mais envolventes, possuindo algumas das melodias mais cativantes e marcantes do álbum, então, apesar do álbum ser muito bem equilibrado, no vinil eu começaria sempre pelo lado B! ha ha ha! Começando a segunda parte (ou lado B!heheh) com "Analog Man", tema que fala sobre a cada vez maior imersão do homem no mundo virtual, traz um andamento naquela linha "Balls to the Wall", inclusive no refrão e coros típicos! "What's Done is Done", com refrão e ritmo cativante, típico Accept clássico!

"Worlds Colliding",andamento moderado, com a guitarra de Hoffmann soando mais melodiosa e cativante, além de entregar um dos riffs mais legais do álbum e um solo de técnica e melodia; "Carry the Weight" é mais veloz, mas mantém as melodias em evidência, principalmente no refrão cativante nas linhas vocais e da guitarra; E "Race to Extinction", o que inicia mais cadenciada e dramática, com peso e melodia se alternando, sendo que a porrada pega mesmo no refrão. 

"The Rise of Chaos", se não pode ser considerado o melhor álbum desta era do grupo, no mínimo mantém a média alta, e  mostra que definitivamente encontraram um equilíbrio perfeito entre a  sonoridade clássica dos anos 80 com a fase contemporânea e mais pesada, iniciada em 2010 com "Blood of the Nations", claramente tudo fruto do entrosamento de Andy Sneap e o coração da banda, Wolf Hoffmann e Peter Baltes. Para bater a cabeça à vontade sem medo de ser feliz!

Texto/Edição: Carlos Garcia

Ficha Técnica:
Banda: Accept
Álbum: "The Rise of Chaos" 2017
País: Alemanha
Estilo: Heavy Metal
Produção: Andy Sneap
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records


Line-up:
Mike Tornillo: Vocais
Wolf Hoffmann: Guitarras
Peter Baltes: Baixo
Uwe Lulis: Guitarras

Tracklist:
01. Die by the Sword
02. Hole in the Head
03. The Rise of Chaos
04. Koolaid
05. No Regrets
06. Analog Man
07. What's Done Is Done
08. Worlds Colliding
09. Carry the Weight
10. Race to Extinction

     

     

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

The Charm the Fury: Amadurecimento e Busca Por Sua Identidade



Em 2017, o grupo holandês de metalcore The Charm The Fury lançou o álbum "The Sick, Dumb & Happy", disponibilizado no Brasil pela Shinigami Records.

Com influências de Pantera e Metallica, a banda se destaca pelos excelentes vocais de Caroline Westendorp. O álbum inicia com a empolgante “Down on the Ropes”, logo de cara me espantei com os riffs pesados, combinados com os guturais agressivos de Caroline. Destaque para “Echoes”, com o grudento refrão de vocais limpos. 

A excelente “Weaponized” mistura Groove com Metalcore. Em “No End in Sight”, a banda mostra a que veio, mesclando peso, agressividade e atitude. Me viciei na poderosa “Blood and Salt”, com sua pegada mais Doom. Ouvindo algumas vezes o álbum, me pareceu que a banda ainda está em busca de sua identidade musical, não que isso seja ruim, afinal “The Sick, The Dumb & Happy” mostra amadurecimento nas composições comparado ao mediano primeiro álbum  "A Shade of My Former Self”. “Corner Office Maniac” é um intervalo que nos prepara para a porrada de “The Future Need Us Not”, aqui os vocais de Caroline são ao mesmo tempo agressivos e envolventes.


A bela balada “Silent War” quebra um pouco o clima agressivo do álbum, mas não se iluda, a agressividade volta com tudo em “Songs of Obscenity”, com a ousadia vocal de Westendorp se destacando mais uma vez. Se eu tivesse que indicar apenas uma música para alguém que ainda não conhece a banda eu diria para começar ouvindo “Break and Dominate”,  com o incrível trabalho da dupla de guitarras aliado à vibração da bateria. Resumindo, “The Sick, The Dumb & Happy” é um álbum moderno, criativo e diversificado. 

Se você não teve interesse em ouvir por não ter gostado do álbum de estréia, esqueça do trabalho anterior, este disco não é mais do mesmo. 

Texto: Raquel de Avelar
Revisão e Edição: Carlos Garcia

Ficha Técnica:
Banda: The Charm the Fury
Álbum: The Sick, Dumb and Happy - 2017
País: Holanda
Estilo: Alternative Metal
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records

Adquira o álbum na Shinigami

Facebook




Tracklist:
1. Down On The Ropes
2. Echoes
3. Weaponized
4. No End In Sight
5. Blood And Salt
6. Corner Office Maniacs
7. The Future Need Us Not
8. Silent War
9. The Hell In Me
10. Songs Of Obscenity
11. Break And Dominate


quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

WildeStarr: Em Seu Álbum Mais Completo e Emocional

 

"Beyond the Rain" é o terceiro álbum da banda formada em 2003 por estas duas lendas do American Metal, o guitarrista/baixista Dave Starr (baixista da formação clássica do Vicious Rumours) e a vocalista, tecladista e produtora London Wilde (conhecida por seus trabalhos de estúdio pra nomes como Chastain), e completa o power-trio o baterista Josh Foster.

Dave Starr depois de ter vencido a batalha contra o vício em álcool, tratou de focar em uma carreira com sua própria banda, e começou a também tocar guitarra, tornando-se rapidamente num exímio riffmaker, além de também um bom solista. A entrada de London Wilde na jogada foi quando Dave comentou com esta sobre as músicas que estava compondo, London gostou do que ouviu, e além de produzir, se tornou a vocalista do projeto, batizado com a junção dos nomes dos dois, que também são casados desde 2001.


São dois álbuns que antecedem "Beyond the Rain", "Arrival" (2009) e "A Tell Tale Heart" (2012), ambos muito bem recebidos pela crítica e fãs. O Heavy Metal típico Norte Americano praticado pelo trio, que se caracteriza por doses maiores de peso que o Heavy Metal Europeu - e podemos citar aí o próprio Vicious Rumours, Metal Church e Iced Earth, tem uma produção bem cuidada, destacando as camas de guitarra e rifferama de Dave ao vocais altos e melodiosos de London, que segue a tradição dos grande cantores do estilo, como Dio e Halford.

A cada lançamento o WildeStarr apresenta evolução, e o diferencial em "Beyond the Rain", e que o faz evoluir passos em relação aos anteriores, é o entrosamento cada vez mais perfeito entre o trio e também o fato de ser um álbum mais emocional, trazendo Dave ainda mais infernal em seu trabalho nas guitarras e London muito inspirada. Algo que certamente contribuiu é o fato dos temas terem sido inspirados em uma traumática experiência familiar.


Facilmente percebemos as qualidade de "Beyond the Rain" em destaques como "When the Night Falls", que foi a primeira faixa apresentada, trazendo grandes riffs e melodias, principalmente no excelente refrão, daquele tipo de música que você ouve e já cola na mente! "Down Cold", tema cadenciado e melodioso, com muita dramaticidade, sendo que as melodias da guitarra, teclado ao fundo e os vocais de London é que ditam o tom! E que vocais nesta canção!Preste atenção tanbém no solo cheio de feeling de Dave; O peso inicial dos riffs de "Double Red", que contagia pelas melodias vocais e por trechos mais melodiosos que se seguem, resultando em um Hard/Heavy que lembra a veia 80's, algo natural para a dupla.

A cadenciada e emocional "Crimson Fifths" é uma Heavy Ballad, com vocais emocionais, mas com pegada e camas de guitarra densas; e claro, a faixa título "Beyond the Rain", com seu poderoso riff inicial e principal, seguindo por variações que vão ao mais melódico Hard/Heavy, sobressaindo-se aí os vocais emocionais de London, que hora soa suave, hora alcança notas altíssimas. Dave capricha nas guitarras, alternando riffs de puro peso com bases cheias e melodiosas, sempre apoiados pela pegada e técnica de Josh.


Mais um grande trabalho da dupla Dave Starr e London Wilde, mostrando toda sua experiência de anos na estrada. 10 faixas de Heavy Metal carregado de riffs e bases poderosas, cozinha trovejante e vocais que saem do âmago, além de  melodias e refrãos marcantes, elementos imprescindíveis ao estilo, coisas que parecem tão simples, mas é preciso experiência, percepção e feeling dos músicos para que isso se concretize em música de qualidade. Com certeza um dos melhores álbuns de Metal de 2017.

Texto: Carlos Garcia

Ficha Técnica:
Banda: WildeStarr
Álbum: "Beyond the Rain" (2017)
País: USA
Estilo: Heavy Metal, American Heavy Metal
Selo: Scarlet Records



Line-Up:
London Wilde: Vocais e Teclados
Dave Starr: Guitarras e baixo
Josh Foster: Bateria

Tracklist:
01. Metamorphose
02. Beyond The Rain
03. Pressing The Wires
04. Red
05. Down Cold
06. Rage And Water
07. Crimson Fifths
08. Undersold
09. From Shadow
10. When The Night Falls