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domingo, 29 de junho de 2014

Entrevista: Ricardo Batalha Fala Sobre o Evento e a Campanha "Super Peso Brasil"


Ricardo Batalha é um nome muito conhecido e respeitado no cenário metálico brasileiro, e, claro, também lá fora, principalmente pelo seu trabalho na Roadie Crew, o garoto que entrou de cabeça no Metal depois de "descobrir" o álbum "Vol 4" do Sabbath, e como muitos profissionais da área, começou fazendo fanzines, e, o sonho que tinha, tornou-se realidade, com a RC sendo hoje a principal publicação de Classic Rock e Metal no Brasil, e uma das melhores do mundo com certeza, sem querer ser "bairrista". Além disso, Batalha também possui uma assessoria de imprensa, colabora com programas de TV e rádio.

Muito ativo em prol da cena, sempre está, com o perdão do trocadilho, "batalhando" por alguma causa nobre, como o projeto "Peso Brasil", que depois transformou-se no "Super Peso Brasil", evento que reuniu 5 grandes nomes do Metal brasileiro, que surgiram nos anos 80 e voltaram as atividades, lançando novos trabalhos e fazendo shows. Esse evento foi gravado e como forma de viabilizar o lançamento do material para o público, juntamente com André Bighinzoli, do Metalmorphose, foi criado o projeto de crowdfunding no site Catarse, e agora está na sua reta final. Conversamos com Batalha para contar um pouco mais sobre a ideia, e também levar aos fãs a oportunidade de, faltando poucos dias, não perderem a oportunidade de adquirir esse material, e também para os que não estão acostumados com esse tipo de projeto, ou se sentirem inseguros, verem que é algo seguro e sério.  Confira!



RtM: No começo do ano passado, você idealizou um projeto que até então era chamado de “Peso Brasil”. Conforme foram passando os meses, surgiu a ideia de fazer uma edição, que de “Peso Brasil” passou para “Super Peso Brasil”, chamando os principais nomes do Heavy Metal nacional pra tocarem no mesmo dia. O que passou pela tua cabeça de montar toda essa celebração que, imagino, deve ter sido muito difícil?

Batalha: A ideia simplesmente veio porque eu via com frequência as pessoas falando do trabalho das bandas pioneiras com entusiasmo, recordando aquele início do Metal brasileiro e mencionando sempre discos que se tornaram clássicos. Muitas delas retomaram as atividades, começaram a fazer shows e lançaram material novo. Apesar disso tudo, eu nunca tinha visto uma celebração, uma homenagem a elas e daí veio a ideia de fazer o 'Super Peso Brasil'. O evento foi o nosso 'muito obrigado' aos que abriram caminho para as gerações que vieram depois. A concepção foi minha e a produção executiva foi do André Bighinzoli do Metalmorphose, que viabilizou a ideia para sair do papel para o palco. Todas as bandas ajudaram e entenderam o sentido do evento, que foi muito legal! Uma pena que quando você ajuda a organizar não dá tempo de ver. (risos)


RtM: Colocar o Stress, Metalmorphose, Taurus, Salário Mínimo e Centurias pra tocar no mesmo dia não é uma coisa que acontece sempre, afinal essa reunião, até mesmo nos anos 80, nunca aconteceu, conforme declararam os próprios músicos.  Fazer uma reunião inédita dessas te deu uma motivação extra?

Batalha: A motivação foi a mesma desde quando surgiu a ideia. Eu precisava agradecer todos que deram início ao que temos hoje. O motivo foi este, simplesmente este. Eu queria e precisava dar o 'muito obrigado' aos pioneiros e mostrar que eles estão vivos e atuantes.


RtM: Como a maioria sabe, antes do “Super Peso Brasil” ser realizado você já estava reunindo bandas pra tocas nos domingos no Manifesto Bar, com a ajuda do Silvano, proprietário do local, e que levava o nome de “Peso Brasil”. Mas no caso do Super Peso Brasil, a situação já era outra e teria que ser realizado em um local mais amplo. Aqui no Brasil, onde tem vários shows internacionais acontecendo, foi complicado achar um lugar para realizar o evento, que no final acabou sendo o Carioca Club?

Batalha: Não, porque tudo foi feito com muita antecedência. A partir do momento que fechamos o cast, o André Bighinzoli foi ao Carioca Club e fechou a data em um sábado. O 'Peso Brasil' era no Manifesto Bar, mas a organização do 'Super Peso Brasil' não teve relação com a casa. Aquele foi um encerramento do ano em grande estilo, com a presença de bandas autorais pioneiras.

RtM: O evento foi um sucesso de críticas e opiniões, com o Carioca Club tendo a lotação máxima, e para muitos, foi um dia histórico do Metal nacional. Até hoje eu me arrependo em poder não ter ido, porque estava meio que sem condições. Mas devido algumas pessoas morarem distantes, ou em outros Estados, os shows foram registrados para um futuro DVD, que só vai depender dos fãs para ser lançado, pois, juntamente com o André, da Metalmorphose, foi criado o projeto de crowdfunding no site Catarse. Conte um pouco de como surgiu a ideia.

Batalha: Bem, a ideia do crowdfunding no site Catarse, a concepção do material e da campanha foram do André Bighinzoli, já que não houve interesse por parte de gravadoras para lançar o material. As bandas se reuniram e como o material já estava gravado em vídeo, o Bighinzoli criou a campanha e colocou no ar (http://www.catarse.me/pt/superpesobrasil). Isto não é algo tão novo, porque o Velhas Virgens, Raimundos, Dorsal Atlântica, Hugo Mariutti e muitos outros artistas brasileiros lançaram material através do financiamento coletivo.


RtM: Também conversamos com o Ravache e o China Lee, em entrevista para o Road, e comentamos também que acreditamos que o projeto Super Peso Brasil também servirá para mostrar algumas coisas, como o quanto os fãs de Metal no Brasil realmente apóiam as grandes bandas que temos, e que também para termos uma noção de como o público está reagindo a iniciativas e caminhos diferentes, como é o caso do crowdfunding. O que você pensa a respeito?

Batalha: Uma coisa não tem a ver com outra porque ninguém é obrigado a participar de nada. Quem quer comparece aos shows, assim como quem se interessa compra o material das bandas. Existem pessoas que entendem mais a profundidade de ações como esta, mas não acredito que as pessoas que não apoiam estejam contra o Metal brasileiro. Por outro lado, acredito que muitos ainda não têm conhecimento do que seja esta modalidade de financiamento coletivo. Não se trata de 'dar esmola', mas de viabilizar um lançamento. Se a pessoa tiver interesse, ela entra no projeto e recebe o material em casa. É até bem simples.

RtM: Bom, obrigado Batalha, fica o espaço para sua convocação final aos Headbangers!!! 

Batalha: Vou mudar aqui a letra da 'Rock Na Cabeça' do Centúrias: 'Não deixe o Metal faltar / Neste caso, ele é como o ar!'.

Facebook do Projeto


Entrevista: Gabriel Arruda
Colaborou: Carlos Garcia
Introdução/edição: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

                                  É Até dia 06/07!!!!!!
Vamos lá pessoal! é a arrancada final para garantir este material histórico! O Road to Metal está nessa também!  Abaixo o link, só para refrescar a memória, e também o caminho de forma ilustrada! E como diz a música "Sobreviver", do Centurias, "A máquina não vai parar!"

ACESSE AQUI E PARTICIPE







sexta-feira, 27 de junho de 2014

Entrevista - Salário Mínimo: Pioneiros e Realistas





Formada em meados dos anos 80, o Salário Mínimo faz parte daquela primeira geração do Metal brasileiro, que trazia a característica de cantar na língua natal, assim como várias de suas contemporâneas, como Stress, Centurias e Metalmorphose. Também fez parte das lendárias coletâneas SP Metal e chegou a lançar seu primeiro álbum, "Beijo Fatal", por uma gravadora "major". Com sonoridade mesclando com maestria o Hard e o Metal, a banda também se destacava por uma performance explosiva no palco, além de um visual no estilo bem característico do Hard Rock oitentista.

Após uma longa pausa, a partir de 2002 a banda começa a ensaiar seu pleno retorno, com o vocalista China Lee reformulando a banda. Em 2010 lançam "Simplesmente Rock" de forma independente, e recentemente lançaram o single "Fatos Reais", uma faixa pesada e com letra bem crítica, lançada às vésperas da Copa do Mundo, que já mostra o que podemos esperar daqui pra frente, pois o Salário pretende lançar o melhor álbum de sua carreira. Falamos com China Lee e Daniel Beretta para saber mais sobre o single, a abordagem crítica e realista da letra, os planos, e também sobre o projeto "Super Peso Brasil", campanha de crowdfunding para viabilizar o lançamento do DVD do evento, que ocorreu no final do ano passado, reunindo o Salário, Stress, Metalmorphose, Centurias e Taurus. Confira a seguir:


 RtM: A nova música  “Fatos Reais” é realmente uma das mais fortes que eu ouvi nesses últimos anos! Riffs fortes, bumbos matadores e uma letra que pra mim foi como um “tapa-na-cara” da sociedade em geral, foi uma sacada genial já que estamos em ano de Copa do Mundo e Eleições. Conte-nos um pouco como foi o processo de composição, como surgiu a ideia da letra?
Beretta : O Júnior veio com essa letra há uns 3 meses antes da copa, logo depois do carnaval, ficamos bem motivados pois a letra tinha muito a ver com o momento que passamos hoje.

Então Eu e Marcelo Campos decidimos tornar a música uma das mais marcantes da nossa carreira a fim de mostrar todo potencial que essa formação tinha e começamos a musicar e fazer os arranjos, logo Diego Lessa, China Lee e Junior Muzzili se empolgaram com o trabalho e tornamos “Fatos Reais” realidade.
Ficamos com pouco tempo para gravações então começou a correria. Gravar, mixar, masterizar, fazer o Lyric Vídeo, quase não deu tempo de lançar antes da copa, mas enfim, está ai!!




RtM: Vocês já puderam sentir como foi o impacto dela entre os fãs? Vocês tinham em mente algum objetivo quanto a essa canção com esse teor mais crítico? 
China Lee: Foi impressionante o resultado dos primeiros dias. Tivemos 2000 acessos em 24 horas, um grande recorde para a banda.
Tivemos muita gente a favor e acho que umas 6 pessoas contra nesse momento, sendo assim, entendo que a crítica está bem positiva para nosso lado. Apenas 6 alienados e praticamente 9000 pessoas comprando a ideia!!!
  
RtM: Acredito também que ela está atingindo outros públicos e meios além do Metal.
China Lee: Acho que tem sim muita gente de fora do Metal curtindo. O tema é atual e popular, apesar do peso da música, acho que conseguimos cair no gosto de todos!



RtM: A banda mostrou que está em sua plena forma e “Fatos Reais” está entre meus tops do ano. Essa nova música pode ser considerada um “prenúncio”...portas se abrindo para em breve termos um CD novo do Salário Mínimo?
China: O novo CD está a caminho, porém, não está fechado ainda. Temos hoje 6 músicas que consideramos fechadas para o próximo álbum, mas temos muito trabalho ainda para deixá-las como “Fatos Reais”, mas estamos com uma previsão de entrar em estúdio mais para o final do ano e lançá-lo nos primeiros meses de 2015.
Não queremos apenas mais um CD de Metal e sim o MELHOR que já fizemos!


 RtM: E quanto a essas manifestações contra Copa do Mundo? Acredito que algumas até perdem o sentido, pois já teriam que ser feitas anos atrás, aproveitando o momento pra se exigir aplicações também em setores que precisamos,  fora, claro, muitos baderneiros que não estão fazendo um protesto consciente e que seja produtivo.
Beretta: acho que as manifestações seguem em virtude dos excessos de gastos financeiros na Copa do Mundo, acho que no Brasil ninguém seria realmente contra a Copa ser feita aqui.
Entendo que a indignação popular foi contra as 12 sedes para os jogos, sendo que algumas delas provavelmente tenham pouco uso para o tamanho vs público do estado, que provavelmente pela falta de manutenção devido baixos ganhos anuais com os mesmos fiquem rapidamente deteriorados e sem uso.

Contra 25,6 bilhões de reais com 83% dos gastos saindo dos cofres públicos, a copa mais cara do Mundo, contra 18 milhões gastos na abertura da copa, da qual, não vimos tamanho espetáculo em equivalência, contra reformas e construção dos 12 estádios do Mundial, totalizando 7,09 bilhões de reais e contra os 4 bilhões de reais que a FIFA ganharia com a copa de 2014 com isenção fiscal do Governo Federal, que neste momento nega a declaração! Fora  o que não sabemos por de baixo dos panos!!

Acho protestos sempre válidos quando nos sentimos roubados, ou quando nosso dinheiro é mal administrado pelo governo, só acho que sempre tem que ser apartidário e popular, de preferência espontâneo sem interferência de emissoras pretensiosas. Torço por um Brasil melhor... mas os “Fatos Reais” são outros.


RtM: 2014  também marca 10 anos da volta do Salário Mínimo à ativa, marca também a entrada de Marcelo Campos na bateria da banda, e por sinal “Fatos Reais” foi a primeira gravação oficial dele na bateria. Como foi esquematizar essa volta? E como é ter nas fileiras um dos melhores bateristas do Brasil?
China: Ter o Marcelo Campos é incrível, não só pela técnica, mas pela soma musical com os outros integrantes e a ajuda na formatação das novas músicas. Mas o que realmente vemos nesse momento é a união que nunca existiu nessa proporção em nossa banda, todos nos tornamos muito amigos, acho que vamos eternizar essa formação, não só musicalmente como em amizades que levaremos para toda nossa vida.

RtM: No álbum “Simplesmente Rock”, vocês regravaram a faixa “Delírio Estelar”, que está no SP Metal, já pensaram em regravar alguma, por exemplo a “Anjos da Escuridão”, num próximo álbum?
Beretta: Sim pensamos, não exatamente em "Anjos da Escuridão", mas provavelmente iremos regravar uma música do "Beijo Fatal" que no momento fica em segredo! A não ser que pra saber queira morrer (risos).
  
Anos 80!
RtM: “Simplesmente Rock” também foi lançado na Europa. Como foram os resultados e se abriu portas para lançar lá fora futuros trabalhos?
China Lee: Tivemos ótimos resultados e ainda estamos tendo, recentemente foi lançado o "Tributo ao Stress", banda pioneira do Heavy Metal nacional, da qual participamos com a música “Vale o que Tem” e claro que lançaremos novos projetos pela Metal Soldiers Records.

Abraços para no amigo Fernando Roberto!

Banner do projeto Super Peso Brasil
RtM: Vocês ano passado, juntamente com Taurus, Centúrias, Stress e Metalmorphose , participaram do Festival Super Peso Brasil, um evento histórico, com bandas pioneiras. E agora, foi lançado o projeto de crowdfunding a fim de viabilizar o lançamento em DVD desse histórico show. Gostaria que você falasse um pouco de como nasceu essa iniciativa.
China Lee: O projeto Super Peso Brasil já é um sucesso, o show foi maravilhoso, o público foi notável, compareceu em massa e curtiu como nunca vimos. O Metal Nacional merecia uma show à altura de nosso público e isso aconteceu, então nada mais justo do que esse grande evento ser documentado em DVD, mas como o evento foi totalmente independente esse DVD também teria que ser, e devido aos altos custos do evento ficamos meio carentes financeiramente para a sua produção, então o “André Bighinzoli” do “Metalmorphose” teve essa grande ideia de usar o “Catarse”.


RtM: E as expectativas quanto aos resultados?
China Lee: Acredito que conseguiremos, pois precisamos a grosso modo de 1000 pessoas contribuindo com apenas R$ 45.00 sendo o pacote mais baixo, fora os outros pacotes disponíveis. A campanha está muito legal e seria um desperdício aos fãs de Heavy Metal deixar esse momento no esquecimento.

RtM: Também conversamos com o Ravache do Centúrias, em entrevista para o Road, e comentamos também que acreditamos que o projeto Super Peso Brasil também servirá para mostrar algumas coisas, como o quanto os fãs de Metal no Brasil realmente apóiam as grandes bandas que temos e que também possuem uma mente aberta a iniciativas e caminhos diferentes, como é o caso do crowdfunding. O que vocês pensam a respeito?
China Lee: Ainda acho muito novo no Brasil esse tipo de inciativa, acredito que por falta de informação ou medo muitas pessoas não contribuam, o maior problema encontrado até o momento é o “como faço”, “se não acontecer recebo meu dinheiro de volta”. Acho que com o tempo esse paradigma ira ser quebrado, mas no momento ainda é difícil para muitas pessoas entenderem e efetuem pagamentos on-line ou terem que sair de casa para pagar boletos do tipo em bancos. Mas estamos confiantes, divulgando e esclarecendo essas duvidas para que alcancemos o objetivo.


RtM: Obrigado China Lee, Beretta e a todos da Salário Mínimo, foi um prazer ter esta oportunidade, somos fãs da banda antes de tudo, fica o espaço para sua mensagem aos fãs!
Beretta: Vida Longa para o Metal Nacional, só depente de nós! Abraço a todos nossos fãs e vão sempre em shows! (risos)

China Lee: Grande abraço a todos nossos fãs, sem vocês não existiríamos!!
Contribuam com o Cartarse do Superpeso Brasil, conheçam mais sobre o projeto e os produtos oferecidos em:


Ouçam e Assistam ao nosso novo Single “Fatos Reais” em:


Revisão/Edição: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação/Arquivo da banda

O Salário no Facebook
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domingo, 22 de junho de 2014

Entrevista - Centúrias: A Máquina Não Vai Parar!


Criada no ano de 1980, o Centúrias é uma das mais antigas e tradicionais bandas do Metal nacional, tendo participado das lendárias coletânea SP Metal (do selo Baratos Afins), que em seus dois volumes, além do Centúrias, trazia Korzus, Salário Mínimo e outras importantes bandas de uma cena pioneira, que, embora inspirada nos grandes nomes que já dominavam a cena mundial, apresentava características bem próprias, como as letras em português, adotadas pela maioria dos nomes surgidos naquela época.  (Read the english version HERE)

Lançaram dois grandes álbuns, "Última Noite" (EP de 1986) e "Ninja" (1988), encerrando as atividades após o lançamento deste último, aliás, várias bandas daquela leva acabaram encerrando as atividades, porém, aos poucos, vários daqueles pioneiros foram retomando as atividades, e podemos citar aí o Stress, Metalmorphose e Salário Mínimo, e o Centúrias também, sendo que a banda chegou a fazer alguns shows de reunião, e sempre existia o pedido dos fãs por uma volta, em 2012 retornam em definitivo.

No final do ano passado, juntamente com outras pioneiras (Salário Mínimo, Metalmorphose, Taurus e Stress), participou do projeto Super  Peso Brasil, que foi um show reunindo essas bandas, o qual foi filmado e gravado, e agora as bandas participantes lançaram um projeto de crowdfunding para viabilizar o lançamento. Conversamos com Ricardo Ravache, baixista do Centúrias (também ex-membro do Harppia, tendo gravado o clássico EP "A Ferro e Fogo"), para falar sobre esse projeto, o retorno e também do excelente single "Rompendo o Silêncio", o qual já teve algumas edições esgotadas, e muito mais, pois, como diz o refrão de "Sobreviver", uma das faixas do single: "a máquina não vai parar!"

RtM: O single “Rompendo o Silêncio” é um aviso que a banda ainda tem muita lenha pra queimar e  que em breve teremos um álbum completo? O que vocês podem nos adiantar quanto aos planos futuros?

Ricardo Ravache: É verdade! Temos muito combustível no reservatório (kkkkk). Estamos lapidando o material novo, trabalhando nos arranjos. O plano, sem dúvida, é lançar um novo álbum. Não vou arriscar a definir uma data, porque temos uma responsabilidade grande para com esse lançamento. O sucesso do single nos obriga a manter pelo menos o mesmo nível de qualidade!

Ricardo Ravache em ação!
RtM: As duas faixas estão excelentes, riffs e refrãos fortes!  E, claro, além de várias Características tradicionais da banda, e as letras em português também. Vocês acreditam que ainda há uma certa resistência de parte do público com bandas que cantam na língua natal? No início daquela geração da época das coletâneas SP Metal lembro que também havia isso, mas por outro lado, tem uma parte que ama essa característica.

RR: Sendo bem sincero, desde a volta do Centurias, em meados de 2012, não cheguei a ouvir um único questionamento negativo sobre as letras em português. Muito pelo contrário. A visão que eu tenho é que esse assunto não é mais discutido. O idioma português mostrou ter força suficiente, quando bem empregado.  A preocupação em atingir o mercado internacional não nos preocupa. Mantemos nosso estilo e nos esforçamos na busca do melhor resultado.


RtM: “Sobreviver”, que é a segunda faixa do single, já é praticamente um hino, nasceu clássica! É uma música forte, com riffs e refrão marcante. Foi só eu ouvi-la e já fiquei cantando: “A máquina não vai paraaaar!!! Eu vou sobreviveeer!!” Gostaria que você falasse um pouco mais sobre ela, e a letra que é bem forte.

RR: Essa música, da qual nos orgulhamos, foi trazida pelo Julio Príncipe, nosso batera. A ideia central é dar uma injeção de ânimo a todos nós, que enfrentamos uma luta diária, seja pela sobrevivência, seja pela concretização de nossos sonhos. Cada um sabe as dificuldades que enfrenta... Atribuo a força que ela transmite à inspirada interpretação vocal do Cachorrão, principalmente à ideia e execução do refrão assim como as dobras na gravação. O melhor é que ao vivo essa força é multiplicada pela colaboração dos nossos irmãozinhos, que agitam junto conosco nos shows!


RtM: Em 2012 o Centurias voltou definitivamente à ativa. Conte um pouco como se deu essa volta, de quem partiu a iniciativa?

RR: Foi mais ou menos assim: eu participei de algumas edições do evento Stay Heavy Metal Stars evento organizado pelo Programa Stay Heavy, com apoio da Revista Roadie Crew, onde músicos do Metal participavam de jams.e, em 2011, a temática foi o Metal Nacional. Convidei o Cachorrão para ir assistir e, quando foi rolar a Metal Comando (faixa do álbum Ninja, do Centurias, de 1988), ele foi chamado para subir no palco. 

Como o Ricardo Batalha, editor chefe da Roadie Crew estava presente, nos chamou e deu o ultimato "vocês não têm desculpa para não voltar". Pronto, foi dada a largada. Conversamos com o Paulão Thomaz, fundador da banda, mas ele já estava por demais comprometido com outros projetos (Baranga, Kamboja, entre outros), porém nos deu a "bênção" pra tocar a banda pra frente. A opção natural para a bateria foi o Julio Príncipe que, além de excepcional músico, se revelou um compositor de primeira qualidade e para assumir a guitarra, resgatamos o Roger Vilaplana, amigo desde os anos 80 e colaborador em cinco faixas do Ninja. Pronto. A banda já estava montada de novo.


RtM: Além do Centurias, várias bandas contemporâneas a vocês também já estavam voltando a fazer shows, gravar, se envolver com relançamentos. Podemos citar aí o Stress e Metalmorphose, que também participaram do evento “Super Peso Brasil” ano passado. Você acredita que esses retornos se devem, além da paixão pelo Metal, o fato de ter ficado uma lacuna deixada por essas bandas pioneiras e clássicas, e existia uma demanda dos fãs? Algo, inclusive, que vem ocorrendo pelo mundo, com diversas bandas dos anos 80 que retornaram as atividades.

RR: Eu entendo que houve o fim de um ciclo de falta de criatividade, dos anos 90 a 2000. A internet teve atuação relevante na atual retomada. A troca rápida de informação, o compartilhamento de arquivos, o resgate de álbuns que não seriam relançados, de histórias e imagens das bandas pioneiras, tudo isso ajudou a reconstruir o que se passou naquela época. 

O que mais ouço e vejo (nas redes sociais) é o lamento do pessoal mais novo que gostaria de ter vivido nos anos 80. Sempre dou minha opinião de que foi um período mágico, mas os dias de hoje são ótimos também. Vamos curtir tudo o que a tecnologia oferece, honrar o passado e construir o futuro a partir de agora.

O Centurias, na época do álbum "Ninja"
RtM: Falando no Super Peso, vocês, juntamente com Taurus, Salário Mínimo, Stress e Metalmorphose, participaram do Festival, um evento histórico, com bandas pioneiras. E agora, foi lançado o projeto de crowdfunding a fim de viabilizar o lançamento em DVD desse histórico show. Gostaria que você falasse um pouco de como surgiu a ideia e as suas expectativas quanto a essa campanha.

RR: No início de 2013, o Ricardo Batalha tomou a iniciativa de promover shows com bandas nacionais. Deu o nome de Peso Brasil. A partir disso, o André Bighinzoli, baixista do Metalmorphose (RJ), se lançou ao projeto em maior dimensão, que levou o nome de Super Peso Brasil. Foi um trabalho árduo que contou com a dedicação, além do André, que teve a coragem de assumir o risco do empreendimento, do Batalha, que se dedicou dia e noite ao projeto e das bandas, que deram o melhor de si no dia do evento e usaram de suas capacidades de divulgação.

Moral da história: lotamos o Carioca, casa de eventos de qualidade, exclusivamente com bandas pioneiras do Metal Nacional, com letras em português! Cada banda contou com seus convidados mais que especiais. O evento foi gravado e está sendo oferecido ao público pelo sistema de crowfunding.


RtM: Acredito que o projeto Super Peso Brasil também servirá para mostrar algumas coisas, como o quanto os fãs de Metal no Brasil realmente apóiam as grandes bandas que temos e que também possuem uma mente aberta a iniciativas e caminhos diferentes, como é o caso do crowdfunding. O que vocês pensam a respeito?

RR: Penso que o crowdfunding é uma oportunidade para a comunidade de headbangers, do público e das bandas, estarem próximos e unidos no ideal. É uma luta em que todos podem e devem batalhar e tenho certeza de que vamos provar que o Metal Nacional é uma manifestação forte e duradoura. O sucesso do lançamento depende exclusivamente ao engajamento do público. Mas acho que o próprio site fala por si mesmo. É muito fácil participar! O link pra acesso é:
http://www.catarse.me/pt/superpesobrasil.


 RtM: Bem, foi um prazer fazer esta entrevista, esperamos em breve fazer outra falando sobre o novo álbum e sobre o lançamento do DVD do Super Peso Brasil! Fica o espaço para vocês mandarem sua mensagem aos fãs! Inclusive de fora, pois esta entrevista vai sair numa versão em inglês também. A máquina não vai parar!!!!!

RR: É um prazer muito grande participar do Road to Metal, de ver a cena forte, o Metal sendo honrado com bandas, músicos de excelente qualidade, agentes da imprensa competentes, produtores, fotógrafos incríveis, mas, principalmente, um público formado por headbangers exigentes e bem informados e, o que é melhor, que vão se tornando mais e mais nossos amigos. Esse é o nosso combustível (o público) e é com ele que a máquina não vai parar.


Entrevista por: Carlos Garcia e Patrick Rafael
Fotos: Arquivo da banda e divulgação

O Centurias é:
Nílton "Cachorrão" Zanelli: Vocais
Ricardo Ravache: Baixo
Júlio Príncipe: Bateria
Roger Vilaplana: Guitarra

Contatos: contato@centurias.com.br

Ouça o single e mais no Soundcloud
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Site Oficial