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sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Cobertura de Show: Esquenta RockFun Fest – 13/07/2024 – Centro Esportivo Tietê/SP

No último dia 13 de julho, São Paulo viveu um dia memorável no Centro Esportivo Tietê com a realização do Esquenta RockFun Fest. Este evento não só antecedeu o renomado RockFun Fest, mas também se transformou em uma celebração do Dia Mundial do Rock, reunindo uma multidão de aproximadamente 15 mil pessoas, beneficiadas com ingressos gratuitos.

Com produção da Funlive Concerts, o festival - anteriormente conhecido como Rock na Praça -, acontece desde 2015 na capital paulista. Reunindo milhares de pessoas, o evento sempre se destacou por promover a música de forma gratuita, agregando culturalmente e dando oportunidade de todos participarem do evento. Esse ano marca a entrada do festival no calendário oficial de São Paulo, sendo o único evento de rock no mesmo.

Apesar do tempo frio e as ameaças de chuva, nada impediu que os fãs comparecessem em massa desde cedo. Os portões abriram pontualmente às 10:30, e os presentes se acomodaram estrategicamente próximos à grade, em busca de conseguir um bom lugar para receber o destaque da noite: Suicidal Tendencies.

A estrutura contava com praça de alimentação, algumas mesas e bancos, food trucks e, o problema relatado ano passado da falta de caixas para compra de créditos, dessa vez foi solucionado com “caixas ambulantes”. Além disso, haviam não somente pontos fixos de bar como também ambulantes.

Rockfun Legends

A primeira banda a subir ao palco, às 11 horas, foi a Rockfun Legends, formada pelo line up fixo de Dino Verdade na bateria, Alexandre Fabbri na guitarra e vocal e Rey Sky no baixo. O diferencial desta banda é a participação de convidados especiais a cada apresentação, e desta vez não foi diferente. Com Mayara Puertas (Torture Squad), Ciça Moreira (Six Continents Band) e Mi Vieira (Gloria) ao microfone, a Rockfun Legends fez jus ao seu nome, entregando uma apresentação arrebatadora que revisitou clássicos do rock e do metal. No repertório, sucessos de bandas icônicas como Rage Against the Machine, System of a Down e, é claro, Sepultura, levaram o público à euforia.

Corja!

Às 12:30 era a vez da Corja!, banda vencedora do concurso No Corre. O concurso tinha como principais regras a presença de pelo menos uma mulher em sua formação e ter músicas autorais e, além disso, os jurados se basearam em criatividade, originalidade e técnica. Foram 16 bandas escolhidas pelos jurados e nas etapas seguintes, a escolha foi por votação popular.

Vindo de Fortaleza, a Corja! é formada por Haru Cage (vocal), Pedro Felipe Leal (baixo) - na ocasião substituído por Rob do Inraza -, Helder Jackson (bateria) e Silvio Romero (bateria). Com letras que “exploram conflitos humanos, autocrítica e política”, unidos a riffs pesados e um vocal gutural impressionante da vocalista Haru, a banda que, já tem seunome consolidado na cena nordestina, provou com sua performance que não vai demorar muito para seu nome ecoar pelos quatro cantos do mundo.

Inocentes

O Inocentes, representante do punk rock paulistano, subiu ao palco às 13:50. Com muitos fãs presentes, o setlist trouxe clássicos como “Pânico em S.P.”, “Cala a Boca”, “Pátria Amada” e o cover do 365, “São Paulo”. Aqui já começaram a surgir, ainda que tímidas, as primeiras rodas. Apesar de alguns problemas técnicos no som, a apresentação foi leve e descontraída, com direito a uma homenagem ao grande Nelson Brito, da banda Golpe de Estado, falecido na última sexta-feira (12/07).

Enquanto muitos se perguntavam porque a escolha do Inocentes de tocar tão cedo no festival e, não ter um local de maior destaque no line up, o próprio Clemente afirmou - em encontro rápido - que teria outros compromissos durante o dia e que teria ainda mais um show a fazer mais tarde com a Plebe Rude.

Cali

Na sequência, o supergrupo Cali, subiu ao palco às 15:20. A banda, formada em 2017, possui dois álbuns de estúdio lançados e surgiu com a proposta de inserir seu toque em clássicos do rock nacional e internacional. O setlist teve vários momentos marcantes, incluindo músicas autorais, mas foram os covers, como as músicas do Tihuana (que inclusive acabou de anunciar seu retorno), “Pula”, “Tropa de Elite” e “Que Ves”, e também covers de Sepultura, Turnstile, Rage Against the Machine, Charlie Brown Jr, que animaram os presentes. A recepção do show foi ótima, com alguns moshes e bastante nostalgia.

Korzus

Com seus bem sucedidos 40 anos de carreira, a lenda do thrash metal, Korzus, trouxe peso ao dia. Em aproximadamente uma hora de apresentação, a banda passou por seus maiores clássicos, como “Never Die”, “Respect” e “Correria”, levantando completamente o público e até conquistando novos fãs. Aqui, voltaram a aparecer falhas técnicas no som, mas nem isso desanimou os headbangers, que abriam cada vez mais - e maiores - moshes. Assim como o Inocentes, o Korzus fez uma homenagem ao baixista Nelson Brito.

Oitão

Antecedendo os headliners da noite, o Oitão, banda do agora sócio da Funlive Concerts, Henrique Fogaça, subiu ao palco com seus integrantes mascarados e, com os problemas de som voltando. Para quem estava mais ao fundo do local, principalmente passando da torre de controle, era bastante difícil de entender as letras e até mesmo, a nitidez do som dos instrumentos. Isso impactou diretamente na performance da banda, que pediu para que o público interagisse mais e não obteve resposta. A iluminação também impactou na resposta do público, visto que o palco estava tão escuro que, certos aspectos podem até ter passado despercebidos. O cover de “Vida Ruim” do Ratos de Porão conseguiu alguma reação do público, que se quebrava em rodas como se não houvesse amanhã.

Em outro momento, parte do motoclube Insanos, o qual o músico e chef Fogaça faz parte, adentrou ao palco, onde permaneceu de braços cruzados enquanto a música “Tiro na Rótula” foi executada. Entretanto, o combo luz e som ruim + insatisfação dos músicos gerou uma receptividade negativa, o que ecoaria mais tarde, com vaias e risos ao fim da apresentação.

Suicidal Tendencies

Na sua turnê exclusiva no Brasil intitulada "Nós Somos Família", o Suicidal Tendencies realiza sua 10ª visita ao país. Além de São Paulo, a turnê inclui paradas em outras quatro cidades. A formação atual da banda apresenta Mike Muir nos vocais, o único membro original, além de Dean Pleasants e Tim Stewart – esse último substituindo Ben Weinmann, que não veio por conta de outros compromissos –nas guitarras. No baixo, Tye Trujillo, filho de Robert Trujillo do Metallica, e recentemente adicionado à formação, Jay Weinberg na bateria, ex-membro do Slipknot, no lugar de Greyson Nekrutman, que foi para o Sepultura.

Exceto por Mike, os outros membros realizaram a passagem de som, o que empolgou o público, que pensou que o show estava prestes a começar. No entanto, houve um engano, pois este foi o primeiro atraso do dia.

Com "You Can’t Bring Me Down", a banda deu início ao seu set, levando os fãs ao delírio. Rapidamente, os primeiros mosh pits se formaram e, sim, apesar da rigorosa revista na entrada, houve sinalizadores nas rodas.

O Suicidal Tendencies tem uma enorme base de fãs, muitos usando a bandana azul característica do vocalista Mike Muir. Ele corre incansavelmente de um lado para o outro do palco, incentivando o público a agitar e cantar sem parar, sempre recebendo uma resposta entusiástica. Contudo, nem mesmo a atração principal escapou de problemas técnicos, principalmente o guitarrista Dean, que enfrentou dificuldades com seu retorno e, posteriormente, com seu amplificador durante as primeiras músicas.

“Lost Again”, “I Shot the Devil”, “Send Me Your Money” e “War Inside My Head” mantiveram o clima caótico. Passando por outros clássicos de sua carreira, o auge foi em “Nós Somos Família”, música recém-lançada que conta com a participação de grandes nomes do rock nacional, na ocasião cantada por Alex Palaia (La Raza), Mayara Puertas (Torture Squad), Haru Cage (Corja), Egypcio (Cali), Antonio "Novato" Marques (Lado Direito do Palco), Yasmin Amaral (Eskröta), entre outros.

Outros clássicos como "Cyco Vision" e "How Will I Laugh Tomorrow" mantiveram o público completamente envolvido. Ao se aproximar do final com "Pledge Your Allegiance", Mike Muir chamou uma criança do público para subir ao palco, o que resultou em uma situação que rapidamente saiu do controle, com centenas de pessoas invadindo o palco e até mesmo impedindo os músicos de se moverem, ocorrido também nos shows do RJ e Curitiba. Lógico que em SP foi mais caótico pela quantidade de pessoas, mas é algo já "esperado" e "organizado" pela banda. 

Devido ao atraso inicial de 20 minutos e à necessidade de cortar duas músicas do setlist, a banda concluiu sua apresentação. O horário limite do Centro Esportivo Tietê era às 22 horas e precisava ser rigidamente respeitado.

O Suicidal Tendencies, veterano de estrada, mostra que ainda tem a mesma energia e apelo a seu público e segue sendo referência do thrash metal crossover.

O Rockfun Fest está agendado para o dia 31 de agosto no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Diferentemente das edições anteriores, neste ano haverá cobrança de ingresso, embora a produtora tenha afirmado que haverá edições gratuitas no futuro. O Esquenta serviu como um excelente ensaio, e espera-se que as críticas do público sejam consideradas na organização do festival principal. Questões como problemas de som, falta de bebedouros sinalizados e, principalmente, a escassez de banheiros adequados para atender à grande quantidade de pessoas são aspectos cruciais a serem resolvidos. No entanto, além desses desafios, o festival possui todos os elementos para continuar sendo um sucesso.


Texto: Jessica Tahnne Valentim 

Fotos: André Santos (Roadie Crew)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda / Antonio "Novato" Marques (Lado Direito do Palco)


Realização: FunLive Concerts 


Rockfun Legends

Não Viva em Vão (Charlie Brown Jr. cover)

Tarde de Outubro (CPM 22 cover)

Minha Paz (Gloria cover)

Eu Quero Ver o Oco (Raimundos cover)

Toxicity (System of a Down cover) (feat. Ciça Moreira)

Man in the Box (Alice in Chains cover) (feat. Ciça Moreira)

Enter Sandman (Metallica cover) (feat. Ciça Moreira)

Aces High (Iron Maiden cover) (feat. Ciça Moreira)

Bring Me to Life (Evanescence cover) (feat. Mayara Puertas)

Walk (Pantera cover) (feat. Mayara Puertas)

Roots Bloody Roots (Sepultura cover) (feat. Mayara Puertas)

Killing in the Name (Rage Against the Machine cover) (feat. Ciça Moreira)


Corja!

Alter Ego

O Jogo

Muros Altos

Insulto

Segunda Pele


Inocentes

Nada pode nos Deter

Nada de novo no Front

A cidade não Pára

Rotina

Expresso Oriente

Garotos do Subúrbio

Ele disse Não

Eu vou ouvir Ramones

São Paulo (365 cover)

Aprendi a Odiar

Medo de Morrer

4 segundos

Miséria e Fome

Restos de nada (Restos de Nada cover)

Desequilíbrio

Cala a Boca

Pátria Amada

Pânico em SP


Cali

Tarantino Vibe's

Hardcore e Festa

Sobre Nós

Que Ves? (Tihuana cover)

Eu Vou Olhar Pro Céu

A Cera (O Surto cover)

Longa Estrada

Bulls On Parade (Rage Against the Machine cover)

Quebra-mar (Charlie Brown Jr. cover)

Liberdade acima de tudo (Charlie Brown Jr. cover)

Holiday (Turnstile cover)

Refuse/Resist (Sepultura cover)

Pula (Tihuana cover)

Tropa de Elite (Tihuana cover)

Bella Ciao (Giovanna Daffini cover)

Céu azul (Charlie Brown Jr. cover)


Korzus

Guilty Silence

Raise Your Soul

You Can't Stop Me

Never Die

Vampiro

Catimba

Discipline of Hate

Respect

Agony

The World Is a Stage / P. F. Y. L. / Lost Man

What Are You Looking For

Correria

Guerreiros do Metal


Oitão

Borderless

Pobre Povo

Trevas

4º mundo

Proteste

Podridão Engravatada

Doença

Vida Ruim (Ratos de Porão cover)

Instinto sujo

Tiro na Rótula

Chacina


Suicidal Tendencies

You Can't Bring Me Down

Lost Again

I Shot the Devil

Send Me Your Money

War Inside My Head

Memories of Tomorrow

Freedumb

Subliminal

Possessed to Skate

Lovely

Nós Somos família

Cyco Vision

I Saw Your Mommy

How Will I Laugh Tomorrow

Pledge Your Allegiance

domingo, 12 de novembro de 2017

Cobertura de Show – Rock Na Praça 5: (08/10/2017 – Vale do Anhangabaú – SP)



Andre Matos, Supla, Krisiun, Malta, Claustrofobia, Kiara Rocks, Oitão, Sioux 66, Pomparça, Trayce e Screams Of Fate

O mês de setembro foi movimentando de grandes shows pelo Rock In Rio e na São Paulo Trip, realizado no Alianz Parque. Sem perder o ritmo da coisa, só que mais diferente, o mês de outubro iniciou pesado com mais uma edição do Rock Na Praça, mantendo a tradição, desde 2015, de promover shows de grandes nomes do Rock/Heavy Metal nacional em caráter gratuito e ao ar livre, marcando a sua 5º edição de grandes renovações perceptíveis e elevadas.

Pra edição desse ano, o idealizador Fabricio Ravelli e o vocalista Marcello Pompeu (Korzus) resolveram ampliar o conceito do evento tanto na parte de produção e do casting de bandas participantes, que nas edições anteriores, eram concentradas apenas 4 bandas num só palco. Mas esse número cresceu, trazendo 11 bandas reunidas em 2 palcos, novamente realizado no Vale do Anhangabaú e apontando um feito inédito ali pelas redondezas, já que nem a Fifa Fan Fest, na Copa Mundo de 2014, conseguiu impor tal logística.

O mais interessante nessa tentativa é a união de grupos de diferentes estilos, o que nos leva a ter respeito com os diversos gostos musicais. E a seleção de bandas partia de nomes do underground até o mais ‘main-stream’, podendo conferir de tudo e pouco em apresentações que duravam em torno de 1h30. E pra quem esteve presente, não teve do que reclamar, sabendo lidar com as diferenças de um e de outro numa civilidade orgânica, fator que sempre chama atenção em se tratando de Rock Na Praça.

Screams of Fate
Agraciados por um favorável e sem qualquer ameaça de chuva, Fabricio deu a largada na festa às 13h55, chamando ao palco os caras do Screams Of Fate, sendo a surpresa do dia. Formado por Clayton Bartalo (vocal), Alexandre Bovo (guitarra), Vicente Moreno (baixo e vocal) e Marcelo Toselli (bateria), o quarteto, de Guarulhos, agradou o publico (que já era grande) através de groove e peso, onde o repertório foi baseado no mais recente trabalho, “Neorganic” (2016), com as faixas “Evil” e “Spilling Hate”. “Depression”, do EP “Corrupted”, animou todos, contando com a participação do vocalista Marcelo Carvalho (ex-Trayce).

Pulando rapidamente para o palco Anhangabaú, Glauber Barreto, vocalista e guitarrista do Válvera, anunciou a próxima atração do dia: o Trayce, vencedora da seletiva que o evento organizou para as bandas terem oportunidade de tocar no dia, subindo ao palco às 14h25. A apresentação pecou um pouco pela baixa qualidade de som, mas que não comprometeu no aspecto intenso e vigoroso, destacando as faixas “Réus”, “Corpo Fechado” e “Domadores”. O mais legal foi ver o quarteto vestido com as camisetas das bandas que participaram da seletiva, atitude bastante respeitosa por parte da banda.

Trayce
Novamente ao palco Rocks, chegou à vez da exclusividade do festival entrar em cena, às 14h50. O Pomparças, formado por conhecidos nomes da cena, entre eles Marcello Pompeu (vocal, Korzus), Heros Trench (guitarra, Korzus), Marcelo Soldado (guitarra, Coração de Heroi, ex-Korzus), Fabio Romero (baixo, Threat) e Henrique Pucci (bateria, ex-Project46), desfilaram clássicos do Rock e Heavy Metal que balançaram todo o Vale do Anhangabaú, indo de “HighwayToHell” (AC/DC), “War Machine” (Kiss), “Orgasmatron” (Motörhead, participação de Milena Monaco, Sinaya) e de hits do Slayer, como “South Of Heaven” e “Raining Blood”.

Pomparças
O Thrash Metal deu lugar para o Hard Rock, e quem teve a missão de cumprir esse dever foi do Sioux 66, às 15h20, no palco Anhangabaú. Recebendo a benção de Victor Guilherme (Mattilha), o quinteto, montado por Igor Godoi (vocal), Mika Jaxx e Bento Mello (guitarras), Fabio Bonnies (baixo) e Gabriel Haddad (bateria) se mostraram estáveis e convictos, cativando quaisquer tipos de fãs de Hard Rock ali presentes, evidenciando às memoráveis “Porcos”, “O Calibre” (releitura do Os Paralamas do Sucesso) e “Outro Lado”.

Sioux 66
Chegando à metade do casting, às 15h55, Vini Castellari (Project46) convocou o pessoal do Oitão, sucedido por uma das apresentações mais quentes da tarde, lançando o foda-se em tudo com músicas de puro protesto e revolta contra o governo. E Henrique Fogaça (vocal, conhecido também por ser "chef" e da comissão de jurados do programa MasterChef Brasil), Ciero (guitarra), Ed Chavez (baixo) e Marcelo BA (bateria) não deixou fúria e raiva em falta com os resquícios de Thrash Metal, Crossover e Hardcore, salientando a paulada “Tiro na Rótula”, a violenta “Trevas” e a frenética “Chacina”, tendo a participação de Marcão (ex-Lobotomia), ultimando dignamente com “Imagem da Besta” e “Podridão Engravatada”.

Oitão
Às 16h30, o Kiara Rocks reativou os falantes do palco Anhangabaú, que ainda apresentava um som bem abaixo do esperado. Voltando de um hiato que quase resultou no fim da banda, Cadu Pelegrini (vocal/guitarra), Bruno Carmo (guitarra), Raul Barroso (baixo) e Junior Van Loon, demonstraram uma aparição meio morna, mas sólida, demostrando uma volumosa carga em músicas como “Marcas e Cicatrizes”, “Sinais Vitais” e “Não Vai Adiantar”, com Marcelo de Carvalho roubando mais uma vez a cena, além do cover de “Ace Of Spaces” (Motörhead).

Kiara Rocks
Quase impossível de se locomover e mudar de lugar, o Claustrofobia implantou uma peleja que arruinou as extremidades do palco Rocks, colidindo todos os que estavam perto do outro palco para formar fustigas rodas. E o trio, formado por Marcus D’Angelo (guitarra e vocal), Daniel Bonfogo (baixo) e Caio D’Angelo (bateria) correspondeu com o calor do publico por intermédio do ‘Metal Maloka’, jargão inventado pela banda, executando momentos mais recentes da carreira como “Generalized Word Infection”, “Paulada” e “Pino da Granada”, e ainda uma versão mais pesada de “Rapante”, dos Raimundos.

Claustrofobia
Encarando qualquer tipo de ironia e superando os obstáculos, o Malta entrou no palco no fim da tarde com um set de poucas músicas próprias, apostando num repertório praticamente montado de covers do Rock mundial e nacional, passando por “Highway To Hell” (AC/DC), “Killing In The Name” (Rage Against The Machine), “In The End” (Linkin Park), “Até Quando Esperar” (Plebe Rude) e “Que País é Esse?” (Legião Urbana), realçado das exclusivas “Igual a Ninguém” e “Indestrutível”. Vencedora do reality show global “Superstar”, o quarteto, que da formação original estão presentes Thor Moraes (guitarra), Diego Lopes (baixo) e Adriano Daga (bateria), vem atravessando uma nova fase, com Luana Camarah assumindo o posto de ‘front-woman’ da banda.

Malta
Enquanto o Malta tocava no palco Anhangabaú, o Krisiun dava os últimos ajustes pra, logo em seguida, infernizar o palco Rocks. O clamor do público era forte, vindo de ovações e delírio. E o trio, composto por Alex Camargo (vocal e baixo), Moyses Kolesne (guitarra) e Max Kolesne, inaugurou a noite atirando brutalidade e energia, mostrando que hoje é o nome mais pertinente do Death Metal, abrangendo toda intensidade para as clássicas “Combustion Inferno”, “ViciousWrath”, “Blood Of Lions”, “Killing of Killing” e “Ace Of Spades” (Motörhead).


Krisiun
O Punk Rock fechou as atividades do palco Anhangabaú com uma apresentação pra lá de festiva e animada, surpreendendo com a produção de palco e do time coeso que vem acompanhando o Supla, que tem nomes conhecidos como Bruno Luiz (guitarra, Command6, Storm Sons), Henrique Baboom (baixo, Storm Sons) e Ed Avian (bateria, Tales From The Porn). O set foi recheado de clássicos, tendo no repertório “Garota de Berlin”, “Green Hair (Japa Girl)” e “O Charada Brasileiro”, além de releituras de “Imagine” (John Lennon) e “Pet Sematary” (Ramones), destacando também a irrelevante “TripScene”, que fez parte do projeto Psycho 69.


Tristemente, o fechamento do festival causou certa decepção e deslizes, e Andre Matos, ao lado de Hugo Mariutti (guitarra), Bruno Ladislau (baixo) e Rodrigo Silveira (bateria), encerrou a 5º edição do Rock Na Praça com um show muito abaixo do esperado, vendo o vocalista não tão disposto e fora da sua forma ideal de voz, além do som ruim, culminando com uma falha geral durante uma das músicas. Já que a parte técnica transgrediu de maneira esdruxula, o set pelo menos era interessante, com clássicos do Angra, como “Nothing To Say” e “Lisbon”. “Fairy Tale” e “Time Will Come”, relembrando a fase áurea do Shaman; “I Will Return” e “Liberty”, salientando a fase solo do Andre, e “Inside” e “Sign Of The Cross”, presentes na Opera Metal Avantasia, encerrando com a magistral “Carry On”.


O Rock Na Praça vem se tornando obrigatoriedade no calendário cultural e Rock In Roll de São Paulo, garantindo, pelo Fabricio Ravelli, a 6º edição para o ano que vem. E em conversa com este redator, o próprio revelou que o evento pode se espalhar em mais cidades paulistanas. Aguardemos as surpresas para 2018...

Texto: Gabriel Arruda
Fotos: Edu Lawless / Dener Ariani

Edição Revisão: Carlos Garcia