domingo, 12 de novembro de 2017

Cobertura de Show – Rock Na Praça 5: (08/10/2017 – Vale do Anhangabaú – SP)



Andre Matos, Supla, Krisiun, Malta, Claustrofobia, Kiara Rocks, Oitão, Sioux 66, Pomparça, Trayce e Screams Of Fate

O mês de setembro foi movimentando de grandes shows pelo Rock In Rio e na São Paulo Trip, realizado no Alianz Parque. Sem perder o ritmo da coisa, só que mais diferente, o mês de outubro iniciou pesado com mais uma edição do Rock Na Praça, mantendo a tradição, desde 2015, de promover shows de grandes nomes do Rock/Heavy Metal nacional em caráter gratuito e ao ar livre, marcando a sua 5º edição de grandes renovações perceptíveis e elevadas.

Pra edição desse ano, o idealizador Fabricio Ravelli e o vocalista Marcello Pompeu (Korzus) resolveram ampliar o conceito do evento tanto na parte de produção e do casting de bandas participantes, que nas edições anteriores, eram concentradas apenas 4 bandas num só palco. Mas esse número cresceu, trazendo 11 bandas reunidas em 2 palcos, novamente realizado no Vale do Anhangabaú e apontando um feito inédito ali pelas redondezas, já que nem a Fifa Fan Fest, na Copa Mundo de 2014, conseguiu impor tal logística.

O mais interessante nessa tentativa é a união de grupos de diferentes estilos, o que nos leva a ter respeito com os diversos gostos musicais. E a seleção de bandas partia de nomes do underground até o mais ‘main-stream’, podendo conferir de tudo e pouco em apresentações que duravam em torno de 1h30. E pra quem esteve presente, não teve do que reclamar, sabendo lidar com as diferenças de um e de outro numa civilidade orgânica, fator que sempre chama atenção em se tratando de Rock Na Praça.

Screams of Fate
Agraciados por um favorável e sem qualquer ameaça de chuva, Fabricio deu a largada na festa às 13h55, chamando ao palco os caras do Screams Of Fate, sendo a surpresa do dia. Formado por Clayton Bartalo (vocal), Alexandre Bovo (guitarra), Vicente Moreno (baixo e vocal) e Marcelo Toselli (bateria), o quarteto, de Guarulhos, agradou o publico (que já era grande) através de groove e peso, onde o repertório foi baseado no mais recente trabalho, “Neorganic” (2016), com as faixas “Evil” e “Spilling Hate”. “Depression”, do EP “Corrupted”, animou todos, contando com a participação do vocalista Marcelo Carvalho (ex-Trayce).

Pulando rapidamente para o palco Anhangabaú, Glauber Barreto, vocalista e guitarrista do Válvera, anunciou a próxima atração do dia: o Trayce, vencedora da seletiva que o evento organizou para as bandas terem oportunidade de tocar no dia, subindo ao palco às 14h25. A apresentação pecou um pouco pela baixa qualidade de som, mas que não comprometeu no aspecto intenso e vigoroso, destacando as faixas “Réus”, “Corpo Fechado” e “Domadores”. O mais legal foi ver o quarteto vestido com as camisetas das bandas que participaram da seletiva, atitude bastante respeitosa por parte da banda.

Trayce
Novamente ao palco Rocks, chegou à vez da exclusividade do festival entrar em cena, às 14h50. O Pomparças, formado por conhecidos nomes da cena, entre eles Marcello Pompeu (vocal, Korzus), Heros Trench (guitarra, Korzus), Marcelo Soldado (guitarra, Coração de Heroi, ex-Korzus), Fabio Romero (baixo, Threat) e Henrique Pucci (bateria, ex-Project46), desfilaram clássicos do Rock e Heavy Metal que balançaram todo o Vale do Anhangabaú, indo de “HighwayToHell” (AC/DC), “War Machine” (Kiss), “Orgasmatron” (Motörhead, participação de Milena Monaco, Sinaya) e de hits do Slayer, como “South Of Heaven” e “Raining Blood”.

Pomparças
O Thrash Metal deu lugar para o Hard Rock, e quem teve a missão de cumprir esse dever foi do Sioux 66, às 15h20, no palco Anhangabaú. Recebendo a benção de Victor Guilherme (Mattilha), o quinteto, montado por Igor Godoi (vocal), Mika Jaxx e Bento Mello (guitarras), Fabio Bonnies (baixo) e Gabriel Haddad (bateria) se mostraram estáveis e convictos, cativando quaisquer tipos de fãs de Hard Rock ali presentes, evidenciando às memoráveis “Porcos”, “O Calibre” (releitura do Os Paralamas do Sucesso) e “Outro Lado”.

Sioux 66
Chegando à metade do casting, às 15h55, Vini Castellari (Project46) convocou o pessoal do Oitão, sucedido por uma das apresentações mais quentes da tarde, lançando o foda-se em tudo com músicas de puro protesto e revolta contra o governo. E Henrique Fogaça (vocal, conhecido também por ser "chef" e da comissão de jurados do programa MasterChef Brasil), Ciero (guitarra), Ed Chavez (baixo) e Marcelo BA (bateria) não deixou fúria e raiva em falta com os resquícios de Thrash Metal, Crossover e Hardcore, salientando a paulada “Tiro na Rótula”, a violenta “Trevas” e a frenética “Chacina”, tendo a participação de Marcão (ex-Lobotomia), ultimando dignamente com “Imagem da Besta” e “Podridão Engravatada”.

Oitão
Às 16h30, o Kiara Rocks reativou os falantes do palco Anhangabaú, que ainda apresentava um som bem abaixo do esperado. Voltando de um hiato que quase resultou no fim da banda, Cadu Pelegrini (vocal/guitarra), Bruno Carmo (guitarra), Raul Barroso (baixo) e Junior Van Loon, demonstraram uma aparição meio morna, mas sólida, demostrando uma volumosa carga em músicas como “Marcas e Cicatrizes”, “Sinais Vitais” e “Não Vai Adiantar”, com Marcelo de Carvalho roubando mais uma vez a cena, além do cover de “Ace Of Spaces” (Motörhead).

Kiara Rocks
Quase impossível de se locomover e mudar de lugar, o Claustrofobia implantou uma peleja que arruinou as extremidades do palco Rocks, colidindo todos os que estavam perto do outro palco para formar fustigas rodas. E o trio, formado por Marcus D’Angelo (guitarra e vocal), Daniel Bonfogo (baixo) e Caio D’Angelo (bateria) correspondeu com o calor do publico por intermédio do ‘Metal Maloka’, jargão inventado pela banda, executando momentos mais recentes da carreira como “Generalized Word Infection”, “Paulada” e “Pino da Granada”, e ainda uma versão mais pesada de “Rapante”, dos Raimundos.

Claustrofobia
Encarando qualquer tipo de ironia e superando os obstáculos, o Malta entrou no palco no fim da tarde com um set de poucas músicas próprias, apostando num repertório praticamente montado de covers do Rock mundial e nacional, passando por “Highway To Hell” (AC/DC), “Killing In The Name” (Rage Against The Machine), “In The End” (Linkin Park), “Até Quando Esperar” (Plebe Rude) e “Que País é Esse?” (Legião Urbana), realçado das exclusivas “Igual a Ninguém” e “Indestrutível”. Vencedora do reality show global “Superstar”, o quarteto, que da formação original estão presentes Thor Moraes (guitarra), Diego Lopes (baixo) e Adriano Daga (bateria), vem atravessando uma nova fase, com Luana Camarah assumindo o posto de ‘front-woman’ da banda.

Malta
Enquanto o Malta tocava no palco Anhangabaú, o Krisiun dava os últimos ajustes pra, logo em seguida, infernizar o palco Rocks. O clamor do público era forte, vindo de ovações e delírio. E o trio, composto por Alex Camargo (vocal e baixo), Moyses Kolesne (guitarra) e Max Kolesne, inaugurou a noite atirando brutalidade e energia, mostrando que hoje é o nome mais pertinente do Death Metal, abrangendo toda intensidade para as clássicas “Combustion Inferno”, “ViciousWrath”, “Blood Of Lions”, “Killing of Killing” e “Ace Of Spades” (Motörhead).


Krisiun
O Punk Rock fechou as atividades do palco Anhangabaú com uma apresentação pra lá de festiva e animada, surpreendendo com a produção de palco e do time coeso que vem acompanhando o Supla, que tem nomes conhecidos como Bruno Luiz (guitarra, Command6, Storm Sons), Henrique Baboom (baixo, Storm Sons) e Ed Avian (bateria, Tales From The Porn). O set foi recheado de clássicos, tendo no repertório “Garota de Berlin”, “Green Hair (Japa Girl)” e “O Charada Brasileiro”, além de releituras de “Imagine” (John Lennon) e “Pet Sematary” (Ramones), destacando também a irrelevante “TripScene”, que fez parte do projeto Psycho 69.


Tristemente, o fechamento do festival causou certa decepção e deslizes, e Andre Matos, ao lado de Hugo Mariutti (guitarra), Bruno Ladislau (baixo) e Rodrigo Silveira (bateria), encerrou a 5º edição do Rock Na Praça com um show muito abaixo do esperado, vendo o vocalista não tão disposto e fora da sua forma ideal de voz, além do som ruim, culminando com uma falha geral durante uma das músicas. Já que a parte técnica transgrediu de maneira esdruxula, o set pelo menos era interessante, com clássicos do Angra, como “Nothing To Say” e “Lisbon”. “Fairy Tale” e “Time Will Come”, relembrando a fase áurea do Shaman; “I Will Return” e “Liberty”, salientando a fase solo do Andre, e “Inside” e “Sign Of The Cross”, presentes na Opera Metal Avantasia, encerrando com a magistral “Carry On”.


O Rock Na Praça vem se tornando obrigatoriedade no calendário cultural e Rock In Roll de São Paulo, garantindo, pelo Fabricio Ravelli, a 6º edição para o ano que vem. E em conversa com este redator, o próprio revelou que o evento pode se espalhar em mais cidades paulistanas. Aguardemos as surpresas para 2018...

Texto: Gabriel Arruda
Fotos: Edu Lawless / Dener Ariani

Edição Revisão: Carlos Garcia 

Um comentário:

Dener Ariani/House of Bootleg disse...

Mais uma vez. Show de cobertura.
Parabéns Gabriel Arruda e toda equipe Da Road to Metal.