sábado, 2 de outubro de 2010

Os Clãs Ainda Marcham: Grave Digger Comemora 30 Anos de Volta à Escócia


Uma das bandas mais antigas do Metal alemão retorna com a força e temática que os colocaram como um dos grandes nomes do Metal Épico e Power Metal mundiais.

O Grave Digger lança mundialmente seu 16º disco de estúdio, quando completa três décadas de muito Heavy Metal.



O álbum chama-se “The Clans Will Rise Again” (2010) e marca, talvez não uma nova era para a banda, mas com certeza a retomada do que de melhor os alemães tem a oferecer aos fãs: músicas marcantes, riffs grudentos, letras folclóricas,instrumentos escoceses, e todo o clima épico que os fãs encontraram nos discos clássicos “Excalibur”(1999), “Tunes of War”(1996) e “Knights of the Cross”(1998).

A banda passou por uma mudança na formação que deixou muitos fãs de cabelo em pé. Trata-se da saída de Manni Schimtd (ex-Rage), guitarrista que acompanha a banda desde 2000, e foi um dos principais membros do grupo desde então.



No álbum anterior (confira a resenha de “Ballad of a Hangman” aqui no blog), a banda também mudou ao incorporar mais um guitarrista. Por motivos pessoais ambos deixam a banda e esta se vê sem seu guitarrista de anos.

Encontram em Axell Ritt (Domain) o substituto e acertaram em cheio. O novo músico não incorporou muitos elementos próprios, remetendo muito aos riffs de seus antecessores, o que para este que vos escrever, foi um alívio. Aliás, ele já estava tocando com a banda como músico provisório e os brasileiros já puderam vê-lo ao vivo.



Mas em relação ao álbum dos experientes Chris Boltendahl (Vocal), Jens Becker (Baixo), Hans-Peter Katzenburg (Teclados), Axel Ritt (Guitarras) e Stefan Arnold (Bateria) será provavelmente um dos últimos e, talvez para recuperar o espírito dos maiores discos da banda, voltam com a temática das guerras escocesas, desta vez focando mais no folclore local do que em aspectos históricos reais, a banda simplesmente detona.



Nos últimos álbuns precisei de algumas audições para começar a gostar do material inédito dos alemães. Desta vez foi diferente, e desde a abertura, passando pela inicial “Paid in Blood” (rápida e refrão com coro), seguindo com a pesada e rápida “Hammer of the Scots” (com a representação de batalha num dos trechos), já fui capturado pelo novo trabalho desse grupo histórico.



Mas foi com “Highland Farewell” (antes mesmo de ver o vídeo clipe do grupo), que meu coração disparou de vez. Lá estava ela, a gaita de fole, com todo seu esplendor, perdida no meio de riffs desconcertantes, o vocal magnífico de Boltendahl, e a cozinha da banda ritmicamente perfeita. Essa música certamente se tornará mais um dos clássicos do grupo, tamanha a forma que cativa na primeira audição. Vale a pena conferir o vídeo clipe, que como sempre na banda é bem simples, e combinou muito bem com a música.

Mas ainda faltam 9 faixas para o fim do disco (o álbum contem 13 ao total), e eis que chegamos numa das mais “arrastadas” do disco, com um trabalho especial de H.P. nos teclados. A música é a faixa-título, e dá uma acalmada no álbum, que até ali estava fervoroso, rápido e pesado. Embora uma boa música esperava mais de uma faixa-título da banda, muito abaixo de mega clássicos como “Excalibur” e “Knight of the Cross”. Mas ta valendo.



O negócio melhora e derruba tudo com “Rebels”, numa performance de Bothendal de se tirar o chapéu. O refrão traz novamente os coros e uma melodia legal das guitarras. É um dos melhores refrões para se cantar (o que ao vivo fica melhor ainda).

“Valley of Tears” lembra bastante outras músicas da banda. Aliás, quem espera originalidade em relação aos trabalhos anteriores, melhor não ouvir o disco. Os elementos são os á citados e damos graças pela banda não desejar mudar seu som. Outra canção que melhora muito no refrão. “Execution” começa calma, mas tensa, para estourar numa faixa parecida com as demais.



Como é de praxe, uma balada. Bom, na verdade são duas no álbum. A primeira é “Whom the Gods Love” mas não traz nenhum elemento acústico, mas certo peso, mas uma melodia que até minha mãe iria adorar no refrão (não é de surpreender, ela adora “The Clansman” do Iron Maiden, rs). A segunda é “When Rain Turns to Blood”. Na verdade, ela é a balada por excelência do disco: dedilhados de guitarra, vocal ainda rouco mas mais calmo e melódico (aliás, Chris quase não usa mais seu vocal limpo, uma pena), clima triste, mas uma das melhores da banda em anos.

O ponto fraco fica para “Spider”, que poderia ser, quem sabe, o lado B de algum single do álbum e não constar nesse lançamento. O ponto mais forte, dentre muitos, é a dobradinha “The Piper McLeod” que conta apenas com o fole e os teclados (dando um clima de arrepiar) (de emocionar quem queria ver tais elementos de volta) como introdução para “Coming Home”, que além de abusar (eba!) da gaita, traz o coro novamente e um clima emocionante, que qualquer bardo tiraria o chapéu (eles usavam chapéus?!) para a composição. Até os apreciadores de Folk Metal adorariam.



Enfim, mais um concorrente à clássico da banda. A tentativa de voltar ao passado, com um som mais “simples”, focados nos vocais e riffs de guitarra, foi um sucesso e, mesmo que não possamos dizer que é melhor que os álbuns dos finais dos anos 90, não tenho medo de afirmar que é muito superior pelo menos aos quatro últimos álbuns que contabilizam quase 10 anos.

Altamente indicado aos fãs do Grave Digger, apreciadores de um Metal Épico e pesado, quem curte uma boa história folclórica e, como os caras parecem amar a Escócia, este é seu disco. Um dos grandes lançamentos do ano e da discografia do grupo. Esperamos que haja um álbum seguinte (há alguns anos a banda anunciou seu término em 6 anos, o que bate com esta data de 2010) e que consiga, no derradeiro final, superar ainda este trabalho. É, os clãs ainda marcham...

Stay on the Road

Texto: EddieHead

Ficha Técnica

Banda: Grave Digger
Álbum: The Clans Will Rise Again
Ano: 2010
País: Alemanha
Tipo: Power Metal/Epic Metal

Formação

Chris Boltendahl (Vocal)
Jens Becker (Baixo)
Hans-Peter Katzenburg (Teclados)
Axel Ritt (Guitarras)
Stefan Arnold (Bateria)



Tracklist

1. Days Of Revenge
2. Paid In Blood
3. Hammer Of The Scots
4. Highland Farewell
5. The Clans Will Rise Again
6. Rebels
7. Valley Of Tears
8. Execution
9. Whom The Gods Love Die Young
10. Spider
11. The Piper Mcleod
12. Coming Home
13. When Rain Turns To Blood

Confira Video Clipe Oficial da banda

Highland Farewell

Um comentário:

wimerson disse...

Grave Digger continua com a mesma força e pegada ... a cada dia melhores e esta virtude tem sido vista em poucas bandas da atualidade ... parabéns