quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Dorian Sorriaux (Blues Pills): O Lado Mais Intimista em EP Solo



Desde muito jovem ligado à música, o guitarrista francês Dorian Sorriaux vem galgando uma bem sucedida carreira na banda sueca Blues Pills, grupo ao qual juntou-se no ano de sua formação, em 2011, aos seus 16 anos de idade. O jovem quarteto (atualmente contam com um quinto membro para as tours e sessões de estúdio, Ryckard Nygren, guitarra e órgão) logo foi chamando atenção pela sua performance de palco e pela sonoridade, influenciada pela música dos anos 60 e 70. Desde então, lançaram vários EPs e Singles, assinaram com a Nuclear Blast, lançando dois Full-Lenghts de estúdio e dois álbuns ao vivo(em novembro do ano passado foi lançado o DVD/Blu-Ray "Lady in Gold - Live in Paris"), além de extensas tours, passando por vários países como headliners e diversos festivais.  (English Version)

Enquanto o grupo dá uma pausa após cerca de um ano e meio divulgando o mais recente álbum, "Lady in Gold" (2016), o guitarrista Dorian Sorriaux encontrou tempo para trabalhar em seu projeto solo. Conversamos com Dorian para saber mais a respeito desse trabalho, e também sobre sua carreira e claro, o Blues Pills. Confira a seguir:


RtM: Você está lançando seu trabalho solo, então, para começar esta entrevista, conte-nos o que os fãs podem esperar deste EP, chamado "Hungry Ghost", em termos de sonoridade e também as diferenças com relação ao seu trabalho no Blues Pills? Percebi que é mais intimista e acústico. 
Dorian Sorriaux: O projeto solo é bastante diferente do Blues Pills, o que de início também me deixou um pouco receoso de lançá-lo. Eu me inspirei em música Folk dos anos 60, e é muito mais íntimo para mim. Somos 5 pessoas no palco no Blues Pills, e ás vezes, tipo você pode meio que se esconder atrás dos outros musicalmente. É muito mais intimista, pois são músicas que eu escrevi e a música folk é mais suave, soa mais pessoal. Eu escrevi um demo uma vez e enviei a um amigo com o título de "vulnerable as fuck" como uma piada (risos), porque era algo muito vulnerável.
Quando toco sozinho não sinto a vibração tipo "bebendo uma cerveja num show de rock". É mais calmo, com uma audiência às vezes sentada. Ainda adoro tocar com o Blues Pills, claro, ambas as coisas são realmente divertidas!

"O projeto solo é bastante diferente do Blues Pills, o que de início também me deixou um pouco receoso de lançá-lo."
RtM: E para os fãs e interessados, como o EP será disponibilizado? Será lançado por algum selo? Sairá em formato físico e digital? 
DS: Será lançado, assim espero, em abril, nos formatos digital e físicos regulares. Naturalmente, haverá vinil também. Ele será lançado através de um selo, mas não posso dizer mais sobre isso ainda, estou finalizando os detalhes do lançamento no momento. Haverá mais informações muito em breve!

RtM: Você vinha sentindo a necessidade de fazer um trabalho solo? E quais fatores positivos você gostaria de apontar para a oportunidade de um artista lançar um trabalho nesse formato?
DS: Sim, acho que senti a necessidade de fazê-lo. Estive ouvindo música folk há anos e comecei a escrever músicas nesse estilo alguns anos atrás. É divertido, e quando eu escrevo músicas sozinho, elas geralmente são mais "folky". Então eu sabia que queria fazer algo nesse estilo em algum momento.
Então, depois de viajar por 1,5 anos com a tour do álbum "Lady in Gold", decidimos fazer uma pausa de turnês com o Blues Pills. Então, senti que era o momento perfeito para iniciar o projeto solo, típico sentimento  de "agora ou nunca" por algum motivo.

RtM: Eu vejo que você também mostrou sua qualidade como vocalista em seu solo, então eu gostaria que você nos dissesse também se é algo que você deseja desenvolver mais e quais os vocalistas que você mais admira?
DS: Obrigado. Eu costumava cantar quando adolescente, mas parei por alguns anos quando entrei no blues. Então eu comecei a lentamente a cantar novamente, mas foi quando eu comecei a cantar Folk. Eu parei de tentar ter uma voz  mais rock, senti-me mais natural em canções folk e mais suaves.
Alguns dos meus cantores favoritos são Van Morrison, Terry Reid, Curtis Mayfield, John Martyn, Donny Hathaway ..
É muito sobre as músicas e sobre as emoções que eles colocam nelas. Neil young é definitivamente um dos meus cantores favoritos. Não é que ele tenha voz mais incrível do mundo, mas ele escreveu algumas das músicas mais incríveis que ouvi.

RtM: Como foi escolhido o track-list? Quais fatores pesaram na escolha de músicas que estão no EP?
DS: Ele veio de forma bastante natural. Eu sabia qual música deveria ser a primeira e qual deveria ser a última. Então, daí, foi muito fácil finalizar o track-list.
Eu tinha muitas músicas para escolher e acabei não gravando somente duas, que inicialmente pensei que gravaria. Eu e Zach, que produziu o EP, fomos ouvindo minhas músicas e escolhendo aquelas que sentimos que eram as mais fortes à primeira vista. Também sentimos que essas 4 músicas ficavam bem juntas.

"Quando eu escrevo músicas sozinho, elas geralmente são mais "folky", então eu sabia que queria fazer algo nesse estilo em algum momento."
RtM: E você poderia falar um pouco de cada uma das músicas no EP?
DS: Claro!
"Huitoto" foi escrita no meu sofá, veio muito rápida. Tipo, eu simplesmente toquei toda a música enquanto gravava no meu telefone e essa foi a demo. As letras desta música são um pouco mais vagas, o que eu também gosto, para que as pessoas possam colocar seu próprio significado nela. Para mim, é uma música sobre a perda, mais como se perder ao fazer coisas em sua vida que não o fazem feliz.

"Hungry Ghost" ("Fantasma Faminto") também foi escrita no meu sofá! Lembro-me de ter que passar um pouco de tempo descobrindo a parte do refrão, mas uma vez que veio, a música estava completa. O título é inspirado em um livro de Gabor Maté. Para mim, fantasmas famintos é onde estão os desejos intermináveis. É o fantasma faminto em nós que sempre procura mais. Mais dinheiro, mais sucesso, mais bebidas ... É uma coisa diferente para todos e, obviamente, é muito mais forte para algumas pessoas. O fantasma faminto opta por esconder a dor e ter o prazer temporário, então você não consegue parar de procurar esse sentimento temporário e você fica preso naquele caminho.

Eu tive a ideia de "Need to Love" ("Preciso Amar") em Porto (Portugal) enquanto eu estava em turnê com Blues Pills. Acabei andando por uma rua sombria da cidade e passei por sem-teto fumando crack. Essa imagem ficou comigo, não planejei gravar esta música, mas Zach gostou quando mostrei os demos. Então terminamos no estúdio e estou muito feliz com a forma como foi finalizada.

"Hello my Friend" ("Olá meu Amigo") sinto que é a música mais pessoal do EP. É sobre um amigo que estava passando por problemas psicológicos. Costumávamos sair muito e tocar música e, de repente, não pude mais lhe ajudar. Então eu ouvi que ele estava em um hospital mental. Então a música tornou-se mais sobre alguns dos meus amigos que sofreram, alguns que não aguentaram viver mais nesse sofrimento. Então, bastante pesada e pessoal.


RtM: Você tem planos para fazer um álbum completo e talvez para fazer alguns shows ou uma pequena tour para promover seu trabalho solo?
DS: Sim eu quero! Gostaria de lançar um full-lenght este ano. Eu  comecei alguns shows solo, e estou planejando uma tour próxima do lançamento do EP.

RtM: Falando um pouco em influências, gostaria que você nos conte sobre o seu começo na música, quais eram suas principais influências e como o seu interesse pela música e tocar violão e guitarra começou?
DS: ZZ TOP foi minha principal influência quando era um garotinho. Eles se tornaram minha banda favorita em torno de 4/5. Então eu descobri os primeiros álbuns do Status Quo, AC/DC, Rory Gallagher, Jimi Hendrix, Eric Clapton ..

RtM: E quando você adquiriu sua primeira guitarra?
DS: Eu tinha 9 anos, era uma guitarra clássica que minha mãe me comprou em uma loja de artigos usados. Eu ainda a tenho!

RtM: Atualmente, existem muitas novas bandas que fazem música influenciadas pelos clássicos dos anos 70, usando essa sonoridade e até mais visuais "vintage". Há sempre aqueles que seguem esta estrada para tirar proveito de algum movimento ou tendência, mas há bandas que fazem esse tipo de música realmente espontaneamente, como podemos sentir no seu caso e nos Blues Pills. Gostaria que você comentasse sobre isso e como o interesse nesse som clássico surgiu e quais os fatores que você acha que contribuíram para ser tão natural para você compor e tocar este estilo vintage?
DS: Todos nós, no Blues Pills, fomos fortemente inspirados pela música dos anos 60 e 70, e aquelas gravações soavam como uma guitarra ou bateria gravada direta em fita e isso é o que é. Não havia samples, nenhuma edição louca, sem bateria digital ou amplificadores falsos.
Então, queríamos criar um sentimento semelhante e usávamos instrumentos vintage, gravados em fita ...

"Eu acreditei no Blues Pills desde o primeiro dia, mas eu realmente não imaginei esse tipo de 'sucesso'".
RtM: Uma das coisas que chamou a minha atenção para o seu trabalho e dos Blues Pills é o modo como vocês se entregam no palco, é maravilhoso, e esse sentimento e verdade que vocês transmitem é o que também os diferencia de outras bandas que também produzem um som "vintage". Vejo que vocês dão muita importância ao desempenho nos shows, algo que falta em muitos novos grupos, que só soam bons no estúdio.
DS: Obrigado! Os shows ao vivo são realmente importantes para nós.

RtM: Você ficou surpreso com a receptividade e o sucesso com os Blues Pills? Conte-nos um pouco do que é de repente ter sua banda com 2 álbuns lançados em todo o mundo, sendo convocados para grandes festivais. Penso que é muito importante contar com uma equipe para confiar quando uma banda começa a ter uma maior repercussão, com muitos detalhes a serem atendidos, desde o cronograma de shows e entrevistas até os financeiros.
DS: Eu acreditei no Blues Pills desde o primeiro dia, mas eu realmente não imaginei esse tipo de "sucesso". Eu acho que não pensei em como seria o sucesso. Eu só sabia que tinha muito potencial e foi muito divertido tocar!
Tivemos muita sorte em conhecer as pessoas certas e criar uma boa equipe de pessoas dignas de confiança a nossa volta. Também nós sempre apoiamos e cuidamos uns dos outros nos momentos difíceis, o que realmente ajudou.

RtM: Com a excelente receptividade ao Blues Pills, vocês conseguiram tocar em vários países, eu gostaria que você nos contasse quais foram os shows mais memoráveis ​​para você e qual país você ainda não teve a chance de tocar e você gostaria de visitar em uma próxima turnê? 
DS: Rock Werchter no verão passado foi demais! Uma das maiores plateias para as quais tocamos. Também a última vez que fomos headliners em Londres, no início de dezembro, foi um dos meus shows favoritos que eu posso lembrar. Era um local pequeno, meus favoritos, e a energia da multidão e na sala era simplesmente incrível! Nós nunca tocamos na América do Sul, mas eu realmente adoraria!

RtM: E o que você pode nos contar sobre os planos dos Blues Pills para 2018? 
DS: Nós vamos tocar em alguns festivais neste verão, incluindo Wacken e Woodstock, na Polônia. Provavelmente também trabalharemos em novas músicas.

RtM: Obrigado pelo seu tempo Dorian, esperamos vê-los logo aqui na América do Sul!
DS: Obrigado! Espero logo poder estar aí e tocar para vocês.

Entrevista: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação e Arquivo do artista


Dorian Sorriaux FB Fanpage

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