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segunda-feira, 1 de julho de 2024

Cobertura de Show: Conception - 09/06/2024 - Carioca Club/SP

Conception faz primeiro show no Brasil de forma alegre e encanta um Carioca Club não totalmente ocupado, mas animado

Evento definiu noite de Power Metal e Metal Progressivo com aberturas de Ego Absence, Armiferum e Maestrick; falhas técnicas são superadas por entrega dos músicos ao vivo

O debute da banda norueguesa Conception no Brasil transformou a noite do último domingo (09) numa miscelânea de momentos bonitos e marcantes para o grupo e para seus fãs no palco do Carioca Club, Zona Oeste de São Paulo, apesar de uma pista não totalmente ocupada e pontuais falhas no sistema de som. O evento, organizado pela Far Music Entertainment, contou com as aberturas das bandas Ego Absence, Armiferum e Maestrick.

Tal apresentação ocorreu após o adiamento feito pela banda nas datas da América Latina. Inicialmente, a data paulistana seria em 08 de março e haveria uma apresentação em Curitiba, no dia 10 do mesmo mês, além de apresentações em Santiago, no Chile, e na Cidade do México, capital mexicana. Com o remanejamento, somente a capital paranaense teve o evento cancelado.

No palco, todas as bandas de abertura deram o melhor de si dentro de suas características musicais que englobam principalmente o Power Metal e o Metal Progressivo. E foram essas diferenças entre cada grupo que tornaram a noite mais interessante e levaram a destaques musicais coletivo ou momentaneamente individuais. Além disso, a aposta em músicas inéditas, no caso do Maestrick, e as participações especiais nos shows do Ego Absence e Armiferum foram outros diferenciais de destaque da noite.

Já o Conception entregou um pacote completo para seus fãs, com musicalidade, carisma, bons diálogos e interações constantes com a plateia, principalmente de Roy Khan (ex-Kamelot) e Tore Østby (ex-Ark). O guitarrista, inclusive, realizou um momento icônico ao caminhar pelo mezanino e pela pista do Carioca Club, cumprimentando fãs e posando para fotos enquanto executava um solo na reta final do show. O setlist de 17 faixas (duas delas como bis) englobou sucessos dos lançamentos da banda nos anos 90 e do mais recente álbum de estúdio, “State of Deception” (2020).

 

Do início da noite às bandas de abertura

O início da noite daquele sábado, quente e sem nuvens, permitiu uma ida tranquila ao local. A pequena parcela de pessoas que esperavam na fila logo entrou e, minutos depois, todos os membros da Imprensa.

Apesar de menos de um terço da pista estar ocupada no início, não houve empecilhos para a primeira banda da noite se apresentar com tudo.

 

Ego Absence

O grupo de Power Metal, formado em 2014 e composto por Raphael Dantas (vocal), Vandre Nascimento (guitarra e substituindo Guto Gabrelon, que não pôde fazer o show), André Fernandes (baixo) e Augusto Bordini (bateria), abriu a noite no Carioca Club com um setlist de seis faixas, sendo quatro delas de seu primeiro álbum de estúdio, “Serpent’s Tongue” (2020), e dois outros lançamentos, sendo um deles o single “Colibri”, de 20 de fevereiro deste ano.

Logo de cara, os instrumentistas do Ego Absence estavam postos após o abrir as cortinas. Após o início da introdução de “The Fools Trap Symphony”, Raphael apareceu ao fundo do palco, saudando o público e executando a faixa “Serpent’s Tongue”. Sua voz só ficou evidente após a correção inicial do microfone, ao longo da música, que inibiu o volume temporariamente. Nesse meio tempo, o instrumental da banda foi o destaque, com as linhas de pedal duplo de Augusto e a condução das cordas de André e Guto.

Em “I am Free”, os gritos de “Hey” comandados por Raphael trouxeram mais ânimo ao show. O vocalista do Ego Absence passou grande tempo apoiado a um joelho no chão, o que provavelmente auxiliou na boa execução vocal ao longo da faixa. Da mesma forma, ele passou por todos os membros de banda para interagir de algum modo, inclusive no solo de Guto, muito bem executado. Um detalhe importante durante a faixa foi a forma como uma das barras de iluminação se postou: com luz branca direcionada para o palco e com parte na direção do público, como uma encenação espiritual.

Raphael também brincou ao final da música anterior, alegando que “a barra de power já estava na metade”. Apesar disso, de nada atrapalhou nas músicas seguintes, inclusive em “Wake Up to Life”. Nela, o destaque ficou para um trecho em que André, no baixo, e Augusto, na bateria, tocam como se fosse uma jam.

Outro grande momento de evidência da apresentação – e da noite – ocorreu no mais recente single da banda, “Colibri”. Çiça Moreira, que participa da faixa na versão de estúdio, não pôde comparecer e a banda trouxe a cantora Priscila Reimberg para participar da faixa. O público aplaudiu e muito durante a parte cantada por ela, assim como no final da faixa, após o dueto com Raphael e um ótimo instrumental – lento e que combinou com o potencial lírico das vozes no palco.

A última música do Ego Absence tocada na noite foi “G.O.D.”, que retomou o ritmo veloz da banda. O pedal duplo da bateria, somado às linhas de baixo e guitarra, deram um ótimo peso à faixa, assim como o grande solo de guitarra de Guto. Na finalização do show, Raphael ainda brincou com o público na hora da foto, pedindo para que não olhassem o seu “cofrinho”. Foi a brecha para que a galera rissem da pista gritasse “Aí, Dantas, bela bunda”, em tom de brincadeira. Uma finalização descontraída e que de nada atrapalhou o ótimo show do Ego Absence.

 

Armiferum

O sexteto de São Paulo, composto por Ian Gonçalves (vocal), Augusto Cardozo (guitarra), Fred Barros (guitarra), Vithor Moraes (teclado), Rafael Bochnia (baixo) e Ivan Macedo (bateria) iniciou a apresentação às 19h54, num repertório de cinco faixas que engloba o primeiro álbum da banda, “Reach for the Light” (2023).

O grupo, um pouco mais apertado pela quantidade de membros, conseguiu aproveitar os espaços durante a apresentação para os momentos de destaque ou condução da música.

A introdução “Ad Lucem”, assim como no primeiro álbum do Armiferum, emendou para “Climb The Mountain”, faixa que deu as primeiras boas impressões da voz de Ian Gonçalves.

Já “Hellfire” mostrou o melhor do poderio técnico dos instrumentistas. Fred Barros, por exemplo, solou com sua guitarra de oito cordas.

“Heavy Heart” foi anunciada por Ian Gonçalves como “a favorita de muitos”. A faixa foi recheada de solos dos guitarristas e do tecladista Vithor Moraes. Na sequência, “Bring The Light” contou com mais da técnica dos membros, incluindo um Vithor mais solto no palco, com um teclado móvel e a ótima condução de pedal duplo do baterista Ivan Macedo.

Por fim, sob agradecimentos às bandas e a organização, o Armiferum chamou Pedro Zupo, vocalista do Living Metal, para a música “Titans of Steel”. Zupo entrou com uma espada de metal temática, o que chamou a atenção dos presentes durante a faixa, principalmente quando Ian a pegou para imitar um solo de guitarra. Ótimo fechamento para o clima já animado da abertura.

 

Maestrick

Os paulistas de São José do Rio Perto optaram por um setlist diferenciado: foram cinco faixas do próximo álbum da banda, “Espresso Della Vita: Lunares”, previsto para o primeiro bimestre de 2025. No lineup estavam Fábio Caldeira (vocal e piano), Renato Somera (baixo), Heitor Matos (bateria), e Guilherme Henrique (guitarra).

O início, às 20h42, contou com um Carioca Club mais cheio que nas faixas anteriores. Na primeira faixa, “Upside Down”, a falha de som foi quase que generalizada, mas corrigida em questão de segundos. A capacidade vocal de Fábio e o potencial instrumental dos demais membros foi melhor percebida a partir da segunda faixa, “Boo!”..

A terceira, “Lunar Vortex”, foi anunciada com muitas palmas após Fábio afirmar que ela terá a participação de Roy Khan, vocalista do Conception, na versão de estúdio.

Em seguida, Fábio assumiu o piano e tocou “Dance of Hadassa”, uma faixa que, segundo eles contará com um coral de sobreviventes do Holocausto. O destaque ficou para o solo de guitarra de Guilherme, que combinou com o vocal de Fábio.

Por fim, o Maestrick tocou “Ethereal”, única faixa que foi lançada anteriormente, em fevereiro deste ano Ela também foi a única do setlist que não foi tocada pela primeira vez ao vivo. A energia positiva do público foi dividida com as falhas do microfone de Fábio que, no meio da apresentação, teve que trocar com um dos microfones de backing vocal. Ainda assim, foram ovacionados no final.

 

Momentos antes de Conception

A rápida desmontagem dos instrumentos usados na abertura logo deu um espaço maior para o palco e destacou ainda mais o kit da banda principal.

Com a pista metade cheia, metade vazia, às 21h27, as luzes se apagaram e as cortinas se abriram para o início do primeiro show do Conception no Brasil. Naquele momento, um fã referenciou Roy Khan com gritos de “O deus vai cantar!”, que logo pararam com a entrada dos integrantes do Conception.

 

Conception

A introdução “Re: Conception”, que também introduz o EP “My Dark Symphony” (2018), foi a trilha para a entrada dos membros. Primeiro vieram Arve Heimdal (bateria) e Lars Andre Kvistum (teclado), seguidos de Ingar Amlien (baixo) e Tore Østby (guitarra) e da tímida entrada de Aurora Amalie Heimdal (backing vocal) Roy Khan (vocal principal) entrou por último e concluiu a abertura, emendada na primeira faixa, “Grand Again”, do mesmo álbum da trilha anterior e que deu início ao setlist de 17 faixas deste show.

Na primeira faixa, Roy Khan deu as primeiras boas impressões de sua performance, com a voz impecável e uma postura corporal dançante, da mesma forma que demonstrou sua gratidão a quem compareceu - bateu palmas - quando finalizou a faixa batendo em seu peito. Já Tore Østby deu a letra do poderio de seus solos já nessa música.

Em “A Virtual Lovestory”, primeira música representante do álbum “Flow” (1997), os membros do Conception se mostraram mais soltos no palco. Roy Khan fez questão de realizar suas primeiras aproximações a quem estava na frente da pista, algo que o baixista Ingar Amlien também fez durante alguns momentos da faixa.

Roy, após a faixa anterior, fez sua saudação em discurso, afirmando que aquela noite seria de arrasar: “Tonight Is gonna F*cking rock!”, disse o frontman. Após isso, o grupo tocou “Waywardly Broken”, que compõe o álbum mais recente do Conception, intitulado “State of Deception” (2020). Nela, há um misto de linhas de guitarra mais calmas e de notas mais pesadas, além de mais um solo marcante por parte de Østby.

A situação fica mais animada com “No Rewind”. O riff estridente da guitarra se somou à performance de joelhos de Khan, que também voltou a interagir com o público ao se aproximar dos que estavam nas extremidades laterais. Apesar deste ânimo e de conseguir os primeiros saltos de grande parte de quem estava na pista, era possível ver o frontman do Conception pedir pela correção do retorno algumas vezes, em meio à performance.

Foi após a terceira música que Roy Khan se queixou do calor que fazia no local, fruto não somente de seu sobretudo e de sua performance, como também da noite quente que fez em São Paulo. Nada que o impedisse de seguir o show e, também, de elogiar a plateia: “You are Special” - “Vocês são especiais”, em tradução livre.

Com isso, Khan chamou o público para cantar alto a faixa seguinte, “The Mansion”, que fechou a sequência de três faixas do último álbum lançado pela banda. Ela, na versão de estúdio, tem a participação da cantora sueca Elize Ryd - vocalista da banda Amaranthe e que já fez backing vocals para o Kamelot durante diversos momentos da década de 2010. No entanto, quem fez sua voz durante a faixa e, consequentemente, teve um momento de grande destaque, foi a backing vocal Aurora Amalie Heimdal que, nas partes em que cantou e após isso, foi muito ovacionada pelos fãs presentes.

Roy Khan, mesmo que ainda no começo do show, fez questão de afirmar que o Conception voltará ao Brasil em breve. Estes e outros elogios foram seguidos de um pedido de barulho para a faixa seguinte.

“A Million Gods”, única faixa do álbum “In Your Multitude” (1995) que foi tocada na noite, veio carregada das poderosas linhas iniciais da guitarra de Tore Østby e do baixo de Ingar Amlien - este um pouco mais alto que nas faixas anteriores. Ambos ainda fizeram outros bons momentos individuais e em dupla na faixa, assim como Arve Heimdal trouxe boas viradas de bateria. Os fãs presentes fizeram um grande coro para o refrão e ainda se divertiram com o retorno ao palco de Roy após o solo de Tore, pois o vocalista trouxe uma câmera portátil para gravá-los. Ao fundo, Aurora também realizou gravações com o celular junto com um dos roadies da banda e atrás da bateria de Arve, focando nos integrantes da banda e na plateia. O resultado de tudo isso foi uma salva de palmas calorosa no final da música em questão.

A vibe alegre do público se manteve na faixa seguinte, “Quite Alright”, um retorno ao repertório do EP “My Dark Symphony”, por ter sido muito comemorada e cantada ao longo da execução da banda. Já para os membros do Conception, foi mais uma faixa para manter o elo com o público: Roy voltou a se aproximar da galera e chegou a pegar, pela primeira vez no show, um celular de um fã da grade, no qual gravou rapidamente o palco e os membros. Da mesma forma, o vocalista do Conception fechou os olhos durante o solo de guitarra de Tore Østby, numa demonstração de que estava “sentindo a energia” da faixa. No final da música, o vocalista “fincou” o tripé do microfone no chão, encerrando a música na melhor forma performática possível.

A apresentação do Conception chegou a um momento acústico quando Tore Østby pegou o violão e Arve Heimdal foi à frente com uma caixa e um chocalho. Dentro do discurso de Roy, mais uma menção à energia positiva do público e felicitações à promotora do show no Brasil, que estava na pista. E depois das menções, a banda veio a tocar a clássica “Silent Crying”, do segundo álbum de estúdio da banda, “Parallel Minds” (1993). O coro do público voltou às alturas, principalmente no refrão da faixa, incrementando o instrumental perfeito da banda e o lindo vocal de Roy Khan.

A situação acústica seguiu com a faixa “Sundance”, que compõe o disco “Flow” e que tem uma pegada latina dançante. Não somente o violão de Tore ditou o ritmo, como também as palmas dos presentes na casa de eventos em determinados momentos da faixa. Alguns até arriscaram algumas dancinhas, mesmo que timidamente e, claro, todos aplaudiram calorosamente no final.

O retorno dos membros do Conception aos seus postos veio em meio à iluminação vermelha no palco e uma longa introdução do teclado de Lars Andre Kvistum, de modo sintetizado. Logo, veio o reconhecimento da também clássica “Gethsemane” devido aos toques da bateria e do baixo. Durante o riff de Tore, Roy Khan novamente subiu à posição da backing vocal e admirou o guitarrista. Os fãs, claro, colaboraram com tudo ao pular e cantar junto com Khan durante a música e, além disso, receberam mais um ato de carinho do vocalista quando o mesmo apertou a mão de vários dos que estavam nas partes frontais da pista.

Na sequência, Roy não somente agradeceu o público novamente e os denominou como “os melhores”, como emendou para a música “Parallel Minds”, do álbum de mesmo nome. O frontman do Conception guiou o público a gritar “hey” no começo e, em outro momento da faixa, voltou a se aproximar de Aurora para cantar algumas partes e, ao final, ainda brincou afirmando que voltaria no sábado seguinte para mais um show, tamanha a energia do público presente. Tore, como se tornou costume no show, executou incrivelmente o solo de guitarra da faixa.

O show foi levado a um ritmo mais lento - apesar da forte iluminação no palco - com “Feather Moves”, mas foi justamente nessa faixa que o principal acontecimento de toda a noite de apresentações ocorreu: as idas de Tore Østby e Roy Khan para o público. E isso ocorreu depois de ótimas execuções instrumentais dos membros da banda e do vocal de Roy. Østby foi o primeiro e caminhou por meio do mezanino, cumprimentou os fãs de cada cabine e, depois, desceu para a pista, por onde caminhou enquanto era rodeado por grande parte dos fãs que, de alguma forma, tentavam um cumprimento, uma foto ou a captação de um vídeo com o membro do Conception. Tudo isso enquanto solava com a guitarra. Roy foi mais discreto e caminhou apenas pelo mezanino.

Na volta ao palco, Tore foi amplamente ovacionado pelo público, assim como Roy. Eles finalizaram a faixa e partiram para a dançante “By the Blues”, marcada pela guitarra contagiante e também pela falha do microfone de Roy, que causou um ruído mais agudo no final da faixa.

A reta final do show, anunciada pelo frontman do Conception, veio com as faixas “Reach Out” e “She Dragoon”. Na primeira, a introdução narrada numa ambientação de rádio, o instrumental mais “eletrônico” do início e o semblante animado de Ingar Amlien e Arve Heimdal deram o ar da música em questão. Já na segunda mencionada, o público voltou a um agito mais evidente por meio dos pulos que a faixa, ainda mais agitada, demandou. Aurora voltou a ter uma posição de destaque no show quando, na reta final, fez o dueto com Roy dessa que foi a décima quinta música tocada na noite.

Durante o encore, as palmas logo viraram ovações quando Aurora apareceu com seu celular para gravar o público. Em questão de segundos, Roy voltou com sua Câmera para mais gravações, junto aos outros membros da apresentação e banda.

Os agradecimentos do frontman do Conception antecederam a introdução da faixa “My Dark Symphony”, que encerra o EP de mesmo nome e que teve seu refrão como principal foco de canto dos presentes no Carioca Club.

A última música da noite foi “Roll the Fire”, que compõe o álbum “Parallel Minds”. Roy a apresentou como “a música que todos esperavam”, algo que ficou evidente com a comemoração ao riff de guitarra de Tore e aos pulos e cantos coletivos que a plateia deu em peso durante a faixa. Os membros da banda entregaram tudo o que podiam nessa faixa final, seja pelos solos de guitarra ou pela voz afiada de Roy no refrão, seja pelas interações entre o baixista e o guitarrista da banda.

O final do show seria perfeito, com Tore Østby apontando o braço de sua guitarra para que os fãs tocassem, com as fotos de fim de show e o jogar de palhetas e baquetas pelos membros da banda. Seria, não fosse o princípio de briga causado na disputa de alguns fãs pelo que parecia uma baqueta. Foram poucos, mas o suficiente para se questionar o porquê de ter uma briga em um show de Metal Progressivo. O bom foi que não passou de uma discussão e uma troca branda de empurrões e, principalmente, que ninguém da banda viu e que isso se tornou muito, mas muito pequeno comparado à entrega e a qualidade instrumental de todas as bandas naquela noite.

 

Texto: Tiago Pereira

Fotos: Amanda Vasconcelos

Edição/Revisão: Gabriel Arruda

 

Realização: Far Music Entertainment

Mídia Pres: Tedesco Comunicação & Mídia

 

Ego Absence

The Fools Trap Symphony

Serpent’s Tongue

I am Free

Wake Up to Life

Colibri (com participação de Priscila Reimgerg)

G.O.D.

 

Armiferum

Ad Lucem

Climb the Mountain

Hellfire

Heavy Heart

Bring the Light

Titans of Steel (participação de Pedro Zupo, vocalista do Living Metal)

 

Maestrick

Upside Down (estreia ao vivo)

Boo! (estreia ao vivo)

Lunar Vortex (estreia ao vivo)

Dance of Hadassa (estreia ao vivo)

Ethereal

 

Conception

Re:Conception / Grand Again

A Virtual Lovestory

Waywardly Broken

No Rewind

The Mansion (com Aurora Amalie)

A Million Gods

Quite Alright

Silent Crying (acústico)

Sundance

Gethsemane (com introdução estendida no teclado)

Parallel Minds

Feather Moves (versão estendida devido ao solo de Tore Østby enquanto caminhava pelo mezanino e pista do Carioca Club)

By the Blues

Reach Out

She Dragoon

***Encore***

My Dark Symphony

Roll the Fire

 

 

 

 

 

 

 

sábado, 10 de julho de 2021

Road Crossover - Um Encontro de Mentes Geniais - Episode One: Voorhees/Caldeira



A ideia do Road Crossover surgiu ano passado, em uma conversa com o Alex Voorhees, que sugeriu que fizessemos algumas lives em conjunto com outros veículos dedicados ao Metal. Uma ótima ideia, que ainda queremos realizar, mas a sugestão do Alex me fez pensar em usar o formato entrevistando dois músicos de bandas diferentes, com suas particularidades e características próprias, estilos diferentes, mas ao mesmo tempo com coisas em comum. (English Version)

Surgiu então o Road Crossover, que terá também alguns formatos diferentes (entrevista publicada no site, podcasts e lives), e que estreia com esta entrevista com duas mentes brilhantes do Metal nacional, Alex Voorhees (Imago Mortis, fundado em 1995, RJ) e Fábio Caldeira (Maestrick, fundado em 2006, São José do Rio Preto - SP).

Gerações diferentes, artistas que não se impoem limites, tendo em suas influências, além do Rock e Metal, música clássica e folclórica, MPB, Synth/Pop, Progressivo, cinema e literatura, por exemplo. E aqui também ressaltamos mais um objetivo desta série, que é mostrar que o Metal precisa ser menos fechado e mais cabeça aberta.

E nesta entrevista você poderão saber um pouco mais destes grandes músicos, seus gostos pessoais, inspirações, suas visões sobre alguns assuntos, sua música e o trabalho um do outro. Ficou incrível, sem falsa modéstia, pois com o nível dos entrevistados era impossível ser diferente.

Com vocês então, o primeiro Road Crossover, com ALEX VOORHEES (IMAGO MORTIS) E FABIO CALDEIRA (MAESTRICK):

 

 
RtM: Passados mais de 2 anos dos últimos full-lenghts do Imago e do Maestrick, vocês acreditam que o público assimilou o conceito? Vocês sentiram que feedback de público e imprensa foi dentro daquilo que vocês esperavam?

Alex: Da imprensa nacional especializada, sim. Do público e do cenário musical em si? Não! Pouca gente entendeu. Mas eu me importo muito menos com isso e mais em tentar atingir a excelência musical, artística, é isso o que eu busco. Eu projeto continuar aprendendo e evoluindo a cada obra.
Mas devo destacar que algumas pessoas realmente mergulharam no nosso conceito! 

Vou citar um exemplo:
Quinze anos depois de seu lançamento, o álbum “VIDA” foi tema de uma dissertação de mestrado, “A Morte Como Acontecimento Semiótico – A Perspectiva Simbólica da Banda de Heavy Metal Imago Mortis”, de Bruno Pael dos Santos, pela Universidade Federal da Grande Dourados (Dourados – MS). Ao longo das 158 páginas de sua dissertação, o mestrando Bruno analisou minuciosamente muitas das mensagens secretas que a banda achava que nunca ninguém iria sequer notar.


Fábio: Sim. Creio que o conceito geral tratado no disco a grande maioria do público assimilou. O feedback foi e ainda é o melhor possível. Claro que existem muitos detalhes que as vezes levam mais tempo para serem percebidos. Isso depende muito da jornada individual de cada um ao ouvir uma música e do que buscam. Mas eu garanto, quem procurar, sempre vai encontrar.
 

RtM: E sobre o conceito de "LSD" e "Espresso Della Vita:Solare", gostaria que vocês falassem um pouco de onde vocês buscaram inspiração para os conceitos.

Alex: Em meados de 2010 eu tomei conhecimento dos estudos da antropóloga Helen E. Fisher e seu livro "Anatomia do Amor". Este livro explica (vou resumir aqui) que somos meras marionetes da natureza no sentido de que nascemos para nos reproduzir. E que o amor romântico se trata apenas de um mito. Simples assim. Junto com isso, buscamos a filosofia clássica (Schopenhauer, Platão, Nietzsche), arte, cultura, poesia, além de nossas próprias indagações existenciais e experiências pessoais para dissertar sobre esse tema.
LSD no contexto do álbum significa “Love, Sex and Death”, fazendo alusão às substâncias químicas que provocam a “paixão”.


Fábio: O Maestrick sempre procura “pintar o que está no seu quintal”, e no Solare não foi diferente. A ideia do conceito veio de um café da tarde com a minha mãe. Estávamos falando do meu avô Antônio que tinha feito sua passagem há pouco tempo e tanto ele como meu avô paterno, Eduardo, trabalharam na FEPASA (antiga empresa ferroviária do Estado de São Paulo), e eu cresci ouvindo histórias das suas rondas durante a madrugada. 
Minha mãe fez uma analogia linda, da vida como uma viagem de trem, onde embarcamos ao nascer e vamos vivendo até chegar nosso dia de descer. Eu levei a ideia pro Heitor e o Montanha, eles gostaram e aí já tínhamos a ideia base pra desenvolvermos juntos o que veio a ser o Solare e o que será o Lunare, com histórias que ouvimos de pessoas próximas ou que nós mesmos vivenciamos.

 

RtM: Vocês também exploraram elementos de vários estilos nesses álbuns, "LSD", por exemplo, tem até uma balada, com vocais femininos e elementos 80's, a "Promise", e em "Espresso...",  "Penitência", com percussões e peso beirando o Thrash. Elementos que provavelmente surpreendem o ouvinte, principalmente que vai ouvi-los pela primeira vez, e isso é uma característica das duas bandas. Gostaria que vocês comentassem sobre isso, coisas que talvez muitos "puristas" possam estranhar também.

Alex: Eu sou véio (5.1) portanto eu vivi os 80s e foi um período das “baladas românticas”. Não passei incólume, claro, sou um fã assumido. Portanto, como é um álbum temático e acontece um momento romântico nele, achei justo evocar o sentimento de inocência até juvenil que havia naquela década. Já os outros elementos, podemos dizer que o Imago Mortis nunca ficou paralisado dentro de limites impostos por rótulos, sempre exploramos sonoridades porém ampliamos um pouco mais o leque. 

Sem nunca perder a essência, a coluna dorsal ainda é o doom. Mas um fã de doom metal linear tende a ouvir o nosso trabalho e não entender nada, pois temos muitas influências do Heavy Metal clássico, Thrash e Prog e nossos músicos são muito técnicos, o que ajuda bastante. Seríamos atualmente prog doom? As definições eu deixo para vocês.


Fábio: Embora nós tenhamos alguns gostos em comum, no Maestrick, cada um tem suas predileções musicais e artísticas. Nós só buscamos explorar essa individualidade de forma espontânea e natural. Estamos mais preocupados em acertar do que com a direção que estamos mirando. Se julgarmos que é o melhor para o disco, estaremos lá. Não importa se for uma música pop vaudeville como a Daily View, um hard rock faroeste como a Far West, ou um repente thrash metal com maracatu em português, com participação da minha avó paterna, como a Penitência.
 

RtM: A mistura de estilos, fugir de rótulos, quais seriam os prós e contras? Muitas bandas que mudaram sua sonoridade, como um Anathema, por exemplo, acabam perdendo fãs, mas ganhando outros. Mesmo que desagrade alguns no caminho, eu entendo que o artista não deve se colocar limites.

AlexOs prós é que não ficamos presos, podemos experimentar mais, variar mais. Eu, por exemplo, acho chato fazer sempre o mesmo estilo de som. Eu tenho então, essa veia “noventista”, daquele começo dos 90 onde era comum ver crossover de estilos musicais dentro do metal, introdução do groove e bandas mais experimentais, eu gosto muito dessa época. E eu venho de bandas como “Dust From Misery” e “Alquimia”, que eram basicamente isso. Os outros músicos da banda, idem. Eles vem de estilos musicais diferentes, são versáteis então acaba que contempla o gosto de todo mundo pois em comum, o principal que nós temos é isso: ser uma banda versátil e musical. 

A característica própria acaba aparecendo naturalmente, pois o Imago Mortis já possui essa marca. Sabemos exatamente o que queremos atingir com cada música. Quanto a perder fãs, cara. A gente se importa muito pouco com isso, inclusive por conta disso que somos uma banda com poucos (mas muito fiéis) fãs. Não trocamos a integridade artística do Imago por nada. E quem gosta do Imago, espera justamente isso: o inesperado.


Fábio: Se a mudança é genuína, ela significa evolução. E isso é sempre bom, porque estamos em constante evolução. Sempre mudamos, amadurecemos, aprendemos, e é natural que os trabalhos que façamos, venham a representar quem nos tornamos. O nome álbum não é usado à toa. Ele representa o momento no espaço e tempo que aquelas pessoas, consequentemente artistas, estavam quando gravaram aquele trabalho. Claro que tudo depende, mas eu considero importante evoluir entendendo e dando a devida importância a tudo o que já se fez.

 

RtM: Qual música um do outro que vocês gostariam de fazer uma versão e por quê?

Alex: O material do Maestrick é muito diferente do nosso, mas há algumas coisas que compartilhamos, certamente. O nosso material é muito musical também, mas nossa abordagem é mais sombria, agressiva e pesada. Eles soam bem mais melódicos do que nós. A música que eu mais gosto dos caras é a Penitência. Me lembrou o velho “Dust From Misery”. E a letra em português, pegada mais suja, thrash mas com melodia no refrão. Essa música é a que mais lembra Imago!
Mas eu vou perguntar aqui pro Charles. Qual música do Caldeirão da Massa que tu gostaria que o Imagão interpretasse? 

Charles: Across The River (risos), pra juntar com Long River (Imago)!  (Nota do Entrevistador: "E completar a trilogia com 'Across the Desert'! Hahaha"


Fábio: A primeira música que ouvi do Imago foi a “Prayers In The Wind”, presente no projeto Hamlet. Acho que seria ela, por conta do caráter teatral que ela tem. 


 
RtM: Alex, cite qual a música mais surpreendente do Maestrick que você ouviu, que lhe causou um sentimento, tipo "nunca esperava ouvir algo assim num disco deles!", ou algo parecido.
E Você também Fábio, qual música do Imago lhe pegou de surpresa?

Alex: Justamente a que eu citei, Penitência. A mais fora da curva: pesadona, em português, com uns lances de curupira, etc… e thrashão no meio. Mas eu também posso destacar a viola caipira em “Rooster Race”. Eu fiquei entre essa e Penitência pro Imago tocar (risos). O Caldeira recentemente (vou dar spoiler) confidenciou para mim que no próximo play deles vai pintar coisas mais “sombrias”. Estou aguardando, parça ;)


Fábio: Eu sou um cara mais de discos do que de músicas. Eu aprecio muito a experiência completa, e por isso citaria o disco “Vida” na íntegra. O Gustavo Carmo, produtor do primeiro disco do Maestrick, “Unpuzzle!”(2011), também produziu o “Vida”. Então depois dele nos apresentar esse trabalho, um amigo nosso em comum me emprestou a versão física do disco, que vinha com cartas de Tarô e com um jogo. Aquilo me impressionou muito, tanto sonoramente, quando visualmente.

 
RtM: E se um fosse produzir um próximo trabalho do outro, o que vocês acreditam que poderiam acrescentar, tipo "Aquele álbum é muito bom, mas em um próximo eles fizessem tal coisa de tal maneira o resultado poderia ser ainda melhor, ou mais otimizado..."?

Alex: Cara, eu como produtor, sou um facilitador. Quanto menos eu influenciar na composição e na arte do outro, melhor. Eu me proponho sempre a encontrar as melhores soluções ou então jogar o meu colorido de timbres, que daí já é questão de gosto. 
Mas se o cara me chamou para produzir, é porque ele é fã justamente da sonoridade que eu tiro.

No caso do Maestrick: acrescentaria, sinceramente, pouca coisa ao trabalho deles porque o maestro Caldeira já pensa parecido comigo, ele tem os conceitos e as linhas das músicas que ele faz muito definidas na cabeça. Eu poderia sugerir algo, algum caminho - se me pedissem, mas ficaria a critério da banda aceitar ou não. E em termos técnicos, acredito que eles já tem definido exatamente como querem soar. Mas seria interessante juntar essas mentes tão malucas. Um dia, isso poderá acontecer.


Fábio: Eu não ousaria falar que algo do Imago seria melhor se eu pudesse produzir. Afinal eles já têm sua identidade e seu DNA. Seria mais fácil o Alex nos ajudar do que o contrário, tendo em vista que ele tem mais experiência que todos nós. Isso é algo que respeitamos muito, então se viéssemos a trabalhar juntos, eu me limitaria a dar minha opinião, quando solicitada, baseada simplesmente no meu ponto de vista. Seria algo para somar forças e não subtrair. Eles são perfeitos como são.  

 

RtM: Na opinião de vocês, como conseguir um equilíbrio entre a técnica e feeling? Ou seja, usar conhecimento musical e equipamentos e programas modernos, mas sem perder a espontaneidade. Falo isso porque vemos muitas produções em que há investimento, os músicos possuem conhecimento técnico, mas acabam não empolgando.

Alex: Pra mim, isso é a coisa mais fácil que tem: apenas deixe fluir. O som simplesmente vem de dentro. Tem que soar natural e corresponder exatamente ao que você está sentindo no momento. Isso quanto à composição. Podemos tomar um caminho inverso e decidir mentalmente o que queremos fazer? ah, quero compor algo na linha dos anos 80, um synthpop empoderado. 
Neste caso, há um trabalho grande de pesquisa de sonoridade, de texturas, timbres, que synths foram usados, como alcançar esse som, por aí vai. Citei um exemplo.

Quando acontece isso o que você falou, do artista ter conhecimento técnico mas não acaba empolgando, o que eu posso dizer… pode ser tanta coisa diferente? Talvez a vida pessoal do cara esteja ruim, ele não está inspirado, sofre pressão para soltar material ou então simplesmente são ideias que não dão certo. Isso acontece, é difícil acertar 100% das vezes.


Fábio: É interessante essa separação entre “técnica e feeling”, porque pela etimologia, técnica significa também arte. O sentido do que é técnica foi sendo deturpado a partir de algum momento, e associado de forma errônea como algo que é frio e sem sentimento. Mas vamos pensar de forma aleatória, se pegarmos uma escultura de Michelangelo, por exemplo. 

É impossível conceber uma obra como aquela sem saber os procedimentos, sem conhecer as ferramentas, os materiais profundamente. Sem técnica. Esse conhecimento é o que faz você se expressar da melhor forma possível. 
Voltando pra música, o que pode acontecer, é você ter se concentrado em tirar o melhor som de bateria, mas não parou para pensar na composição dos seus arranjos musicais. Nesse sentido há de se ter um equilíbrio.  



RtM: E que discos conceituais marcaram ou inspiraram vocês, seja como fã, ouvinte ou compositor?

Alex:

●      Pink Floyd - The Wall

●      Andrew Lloyd Webber - Jesus Christ Superstar

●      The Who - Tommy

●      King Diamond - Abigail

●      Dream Theater - Metropolis Pt. 2 - Scenes from a memory

●      Haken - The Mountain

●      Mensageiros do Vento - Anunnaki


Fábio:

·     Pink Floyd – The Wall

·     Dream Theater – Metropolis Pt.2 – Scenes From a Memory

·     Genesis – The Lamb Lies Down On Broadway

·     Symphony X – V

·     Queensryche – Operation Mindcrime

·     Angra – Holy Land

·     Queen – Queen II
 


RtM: Maestrick e Imago possuem características bem próprias, um vai mais para o progressivo, o outro para o Doom,  mas possuem algumas coisas em comum, como utilizacao de música brasileira e letras em português. Gostaria que vocês comentassem a respeito da utilização desses elementos da nossa cultura. Vejo que muitas bandas estão valorizando mais isso agora, e talvez existia um preconceito maior antes, uma visão radical de que música popular brasileira e Rock pesado e Metal não poderiam se misturar.

Alex: Você disse tudo, Caco! Eu vou falar sinceramente: eu gosto das influências brasileiras quando é real, quando o cara ouve mesmo MPB em casa, quando ele curte um Chico, um Caetano, um Tom Jobim, curte as percussões, os instrumentos e os timbres da nossa música. Porque é um universo muito amplo.
Eu acredito que o cara, por mais metaleiro brucutu que seja, vai soar com algum groove de brasileiro naturalmente. Mas entendi a questão, vou a fundo. Então, acho que é natural, quando ocorre de forma natural a tendência é que soe melhor, este é o caso do Imago visto que amamos a nossa música e temos muita influência das coisas daqui!


Fábio: No meu caso, o heavy metal foi um dos últimos estilos que eu conheci, com 15/16 anos. Em casa, sempre tocou música popular brasileira, Chico Buarque, Gal Costa, Raul Seixas, Elis Regina, Milton Nascimento, Ivan Lins, Tom Jobim, música pop nacional, internacional e música caipira. Então isso faz parte de mim e dos meninos também. Se você pegar composições como “Let Me Sing” ou “Eu Sou a Mosca” do Raul Seixas, a forma eclética e natural com que ele misturava os estilos e as culturas é algo que nós nos inspiramos até hoje. Então usar isso nas nossas composições, é apenas uma consequência de quem nós somos.  

 

RtM: Vocês são dois grandes intérpretes e vocalistas, dois dos melhores no cenário brasileiro. Falem-nos um pouco sobre as técnicas e "segredos" que vocês usam nas suas produções quanto a gravações das vozes.

Alex: Eu gostaria de ter sido, mas não sou, um cara muito estudado e técnico. As coisas que eu faço são na raça, na cara dura mesmo. Nunca me falaram que eu não podia cantar gutural e limpo na mesma música, mas você vai perceber que eu fui um dos primeiros a fazer isso aqui no Brasil, back in a day no final dos anos 80. 
Para produzir os meus vocais é muito simples, utilizo basicamente equalização, alguma compressão apenas para encorpar mais a voz e um pouco de ambiência. Quando a música pede, se acrescenta algum outro efeito, como “delay”. Eu já tenho os meus “presets” aqui, levei um tempinho para criar eles e funcionam bem!


Fábio: Muito obrigado mesmo! O estudo é algo constante na minha vida, primeiro porque eu sou um curioso de mão cheia (rs), e porque a voz é o resultado de ajustes musculares, então mesmo trabalhando como professor de canto, eu ainda faço aulas, pratico todos os dias, porque é necessário fortalecer os músculos e ficar mais fluente nas coordenações que eu uso quando canto. 

Um segredo que eu tenho é buscar interpretar cada música de uma forma diferente, como um guitarrista que usa pedais e timbres distintos de acordo com a proposta da música. Eu costumo imaginar o personagem em detalhes. Como ele anda? Como ele fala? Ele é bom? O que ele pensa disso que está sendo dito na música? 
E aí eu me empresto pra esse personagem. Nem sempre isso é possível porque às vezes a música não pede, mas eu sou sempre intenso e me cuido muito, tanto fisicamente, quanto vocalmente, seja em turnês ou gravações. 
 

RtM: E suas inspirações musicais fora do metal, quais seriam?

Alex: se eu te falar que 90% das minhas inspirações são justamente fora do metal? Eu gosto mais de música clássica, trilhas sonoras de filmes, músicas dos anos 80 (synthpop, essas coisas), MPB, folk, indie pop, etc…


Fábio: Vou falar sobre várias vertentes que me influenciam e ao Maestrick também.
Freddie Mercury e Brian May, o compositor francês Camille Saint-Saëns, Heitor Villa-Lobos, os diretores cinematográficos Tim Burton e Georges Méliès, os compositores contemporâneos Thomas J. Bergensen, Danny Elfman, John Williams, Hans Zimmer, os pintores Hieronymus Bosch e Pieter Bruegel e os escritores Graciliano Ramos e Dante Alighieri. 





RtM: Citem uma de suas bandas favoritas, a primeira que lhes vier a cabeça e a melhor canção de todos os tempos desta banda?

Alex: Não tenho banda favorita, tenho bandas de momento, as que eu mais ouço no momento mas se tiver MESMO que citar uma, eu vou de "Rush'' e não saberia escolher uma música só dos caras.

Fábio: Iron Maiden – The Rhyme of The Ancient Mariner
 


RtM: E o que vocês estão preparando de novo material do Imago e Maestrick.

Alex: O Imago Mortis tem feito vídeos para as lives, os festivais “online” e isso tem rendido boas parcerias também, como a versão que fizemos - junto com a banda “Lived” para um som do Killing Joke chamada “Virus”. Também rolou recentemente uma collab com amigos - entre eles a diva “Daísa Munhoz”. Soltamos no Youtube a faixa "Arthur'', um tributo ao mestre Rick Wakeman, que foi elogiada pelo próprio! Quanto ao material autoral inédito, já temos algumas boas ideias no forno sim e será questão de tempo até aparecer alguma coisa aí nas redes sociais da banda (falando nisso, se inscrevam para saber das novidades). Também deveremos investir mais nas nossas plataformas tipo o “Apoia-se” e soltar material exclusivo por lá!


Fábio: O Maestrick está na pré-produção do seu próximo disco, o “Espresso Della Vita: Lunare”, segunda parte do conceito que começamos no “Solare”, e que deve começar a ser gravado ainda esse ano para que saia em 2022.


Para finalizar, gostaria que vocês falassem de outras atividades músicais além das bandas. O Fábio poderia falar da participação dele no novo álbum do Edu Falaschi, "Vera Cruz", e Alex sobre as atividades como produtor e compositor no Voorhees Studios.

Alex: Para quem ainda não sabe, eu sou compositor e arranjador, além de produtor musical. Eu adoro compor, criar, experimentar e não necessariamente eu mesmo ser o intérprete. Gosto de ver minhas canções nas vozes de outras pessoas. Mas com alguma contrapartida. Eu vendo a licença da pessoa interpretar faixas exclusivas e inéditas minhas, com arranjos meus, pela internet ou fonogramas diversos por um valor surpreendente simbólico. E atuo principalmente na música pop. Vou deixar aqui um vídeo com algumas dessas músicas: ACESSE AQUI

Para saber um pouco mais sobre mim e este tipo de serviço, entrem em contato pelo e-mail alexvoorhees@gmail.com ou whats +5551982546508

Obrigado pela oportunidade de conversar e trocar ideias com gênios musicais como Fábio Caldeira e obrigado também a você, que tirou um tempinho para ler essa conversa. Beijos no coração (sem frescura gratiluz), tmj e Fora Bolsonaro!


Fábio: Eu trabalho como professor de técnica vocal, de piano e música em geral. Faço arranjos e composições para outros artistas, para produções teatrais, cinematográficas e também sou escritor. Eu fui o responsável por desenvolver e escrever a história do “Vera Cruz”, disco novo do Edu Falaschi, em cima do conceito e das ideias que ele tinha em mente e também cantei nos corais do disco. 

Quero aproveitar também pra agradecer pelo convite, pelo espaço e pelas excelentes perguntas. Além é claro de poder estar ao lado do meu querido Alex, um dos grandes artistas do metal brasileiro de todos os tempos. 
Desejo o melhor a todos! Luz, paz, arte e ciência!

Entrevista: Carlos Garcia
Edição: Carlos Garcia
Fotos: arquivo dos artistas